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Red Pass

Rumo ao 38

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Zenit 1 - 2 Benfica: Queres Lenços, Zyryanov ?

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Por mais que o futebol se modernize e as novas gerações façam leituras diferentes das que eu aprendi quando comecei a ver jogos, há factos que nunca poderão ser alterados por discursos científicos e de circunstancia. O Benfica pertence a estas noites europeias e isso nem se discute. Hoje o clube está apurado para a antepenúltima eliminatória antes da entrega da Taça dos Campeões Europeus, como se dizia antigamente. O Benfica está entre as 8 melhores equipas da Europa. Há clubes que passam por grandes e só conseguiram esta proeza uma vez em mais de 100 anos de história, o Benfica está nesta fase pela 18ª vez, faz parte de um restrito lote de emblemas que já aqui chegaram por 18 ou mais vezes, como o Manchester United. Melhor só o Real Madrid, o Bayern e o Barcelona. Na última década é a 3ª vez que aqui estamos.

 

Isto é muito importante para acabar de vez com a maior mentira que se tem construído nos últimos tempos no futebol, os jogos europeus só atrapalham o rendimento nas provas internas. É ao contrário, as carreiras europeias só dão mais força, moral e prestigio aos clubes que nelas competem até, pelo menos, Abril. Caso contrário, o melhor era abdicar de participar nas provas da UEFA.

O Benfica pertence a estas noites, o nome do Benfica chegou a toda a parte do mundo por causa de noites como esta.

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Sempre que vivo uma alegria de um apuramento deste calibre lembro-me da dor que senti quando a impensável ausência das provas europeias aconteceu. Ou quando o Bastia ou os Halmstads da vida nos fazia corar de vergonha. Ter passado por isso depois de viver duelos imortais com Steua ou Marselha e voltar a ver o Benfica nas fases adiantadas da competições europeias é uma realização de nosso desígnio.

Portanto, nem quero ouvir falar de teorias que versem sobre a chatice que é estar mais um mês na Europa porque pode atrapalhar os nossos jogos com os Tondelas, com todo o respeito para a equipa de Petit.

O Benfica tem que chegar o mais longe que puder. Sempre.

 

Quando o sorteio ditou o reencontro com o Zenit, Zyryanov, jogador dos russos, disse que no Benfica devem ter chorado. Depois André Villas Boas andou sempre de sorriso mal escondido com declarações de elogios mal disfarçados até deixar cair a máscara na conferencia de imprensa final. Witsel, Garay e Javi andavam contentes por reencontrar o Benfica mas diziam que iam passar, o espanhol até chegou a desejar a vitória do Porto no clássico para desmoralizar a nossa equipa, Danny também achava que era o único português a seguir em frente e no fim... Passou o clássico, o derby, os dois jogos com o Zenit e o Benfica lidera o campeonato e está nos 1/4 de final da Champions. Sem bazófias, sem fanfarronices, sem estrondos. Apenas com trabalho e humildade. Este é o Benfica que me habituei a ver.

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Para o jogo na Rússia tudo parecia ser um problema. Júlio César mantinha-se ausente, só tínhamos um defesa central chamado Lindelof, o cansaço do pós derby, a temperatura negativa, o ambiente adverso e um só golo de vantagem. Já para não falar em lesões e castigos que ninguém lamentou.

Rui Vitória manteve as suas apostas e recuou Samaris para o eixo da defesa, Fejsa ao lado de Renato no meio, Nelson na direita, Eliseu na esquerda, e Gaitan, Pizzi, Mitroglou e Jonas para o ataque.

Foi assim que o Benfica arrancou uma agradável primeira parte em que só uma vez Ederson teve que se empenhar a fundo. Nunca abdicou de atacar e ter a bola. Foi uma boa imagem deixada mas faltava meia parte.

Com o Zenit a apostar tudo para igualar a eliminatória, o Benfica ia mostrando solidez defensiva e sofria pouco apesar de ter menos bola. Quando tudo parecia controlado acontece um impensável atropelamento de Zhirkov a Nelson que deixa o defesa do Benfica fora da jogada. Sai cruzamento fácil e golo de Hulk.

 

Podíamos ter aqui um caso para reclamar, falar do patrocinador da UEFA e do Zenit, desenvolver teorias de coitadinhos. Mas a resposta foi ir à procura de um golo que acabasse com a possibilidade de prolongamento. E em vez de um empate, o Benfica foi atrás da vitória! Jimenez entrou para arrancar um estoiro do meio da rua que o guarda redes russo só conseguiu desviar para o poste, a bola caiu ali à espera de Gaitán que não se armou em Bryan e fez de cabeça o 1-1 que apurava o Benfica. Estava dada a resposta a tudo e a todos. Sem favores nem choros.

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Ainda houve tempo para Gaitán assistir Talisca que fez aquilo que sabe fazer melhor, marcar golos vindos do nada. 1-2 e apuramento selado. Pontos para o tal ranking da UEFA que agora já ninguém fala, a possibilidade de Portugal apurar 3 clubes para esta prova no futuro e repetir a festa de Alvalade agora no frio de São Petersburgo.

Caiu o Zenit dos ultra bem pagos Garay, Witsel, Hulk, Danny, Javi, aos pés de Ederson, Lindelof, Nelson Semedo e Renato Sanches. Bonito.

 

Comemoremos este apuramento porque é um feito digno da nossa gloriosa história. E , sim, depois há todo o tempo para nos concentrarmos noutra prova e prepararmos o próximo jogo de campeonato com toda a humildade. Isto é ser do Benfica. Jogo a jogo para ganhar.

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 Uma jornada europeia inesquecível, ninguém pede mais do que estar entre os 8 resistentes da melhor competição de clubes do mundo mas, já agora, que a sorte esteja connosco e que lutemos novamente a este nível seja contra quem for.

 

Convocados Para a Rússia

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Guarda-redes – Ederson, Paulo Lopes e Miguel Santos;

Defesas – Grimaldo, Lindelof, Eliseu, Sílvio, Nélson Semedo e Rúben Dias;

Médios – Fejsa, Samaris, Gaitán, Salvio, Gonçalo Guedes, Pizzi, Talisca, Carcela e Renato Sanches;

Avançados – Raúl, Mitroglou e Jonas.

Benfica 1 - 0 Zenit: Vivos!

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(Fotos: João Trindade)

 

Recuperar o ânimo perdido na 6ªfeira, reanimar equipa e adeptos, não sofrer golos em casa, fazer uma exibição digna da Liga dos Campeões, marcar e ganhar. Tudo conseguido na mesma noite numa grande resposta ao resultado negativo do clássico. Estamos de volta.

 

Esta época o Benfica tem o mérito de já ter ganho um jogo a todas as equipas que lhe saíram em sorte na Champions League. Não sei há quanto tempo não acontecia tal coisa, sei que não é normal tamanha eficácia na maior prova de clubes do mundo. Depois de Astana, Galatasaray, Atlético em Madrid, também o Zenit perdeu na Luz. Finalmente, Villas-Boas sai daqui com uma derrota.

 

A primeira nota vai para a habitual mágoa de sermos o único clube que não enche o estádio numa fase tão avançada da Liga dos Campeões. A segunda nota vai para os que vão à Luz mas teimam em ir embora antes do minuto 90, espero que o regresso a casa sem trânsito nem confusões tenha corrido bem.

 

O Benfica para lutar pelo apuramento para os 1/4 de final da Champions sabia que não podia sofrer golos em casa e que era importante levar uma vantagem, ainda que mínima, para a Rússia. Para isso Rui Vitória voltou a apostar no mesmo onze que jogou o clássico num claro sinal de confiança na sua equipa. A grande surpresa, para não dizer mistério, é o desaparecimento de Salvio do banco dos suplentes.

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A equipa foi a mesma mas a estratégia mudou. Inteligentemente, o Benfica procurou uma posse de bola em segurança sem arriscar muito tanto posicionalmente como tacticamente. Percebeu-se que o Zenit privilegiava a postura defensiva com dois blocos mais baixos preocupados em não dar espaço ao jogo interior do Benfica prendendo Gaitan e Pizzi nas alas e com forte marcação no desequilibrador maior, Renato Sanches.

Não dava para atacar em barda e era preciso ter muita atenção às saídas dos russos em contra ataque quando recuperavam a bola. Danny no meio, Hulk à direita e Shatov na esquerda, saiam rapidamente à procura da referência gigante na frente, Dzyuba, para tentarem um golo que lhes daria enorme vantagem no duelo. Javi e Witsel muito importantes como dupla destruidora à frente de Garay e Lombaerts. Muita qualidade individual neste Zenit, como é habitual, e com destaque para o guardião Lodygin que fez uma bela exibição na Luz.

 

Na primeira parte a boa notícia é que o Zenit nem chegou a assustar a baliza de Júlio César. Lindelof e Jardel deram conta do recado e André Almeida com Eliseu eram expostos a testes de fogo que souberam superar com manha e inteligência. André apesar de ter visto um amarelo que o tira do jogo da 2ª mão conseguiu que Criscito tivesse o mesmo azar. Eliseu aproveitou a falta de rodagem de Hulk para o anular.

No ataque só duas boas oportunidades na primeira parte, um remate inofensivo de Pizzi e um grande pontapé de Jonas desviado por um adversário que quase dava golo.

 

O 0-0 ao intervalo não entusiasmava mas também não desmoralizava.

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O momento critico do jogo aconteceu por volta do minuto 50 quando o Zenit tenta, finalmente, empurrar o Benfica para trás e procura convincentemente um golo. Momentos de autoridade em três avisos, Witsel com dois remates perigosos e Hulk a ameaçar de longe mostraram a melhor fase dos russos.

A partir daí o Benfica tomou conta do jogo e aumentou a intensidade na procura do golo. Sabia-se que o Zenit ia ceder fisicamente por força da falta de competição e era a hora do ataque encarnado mostrar serviço. Foi aí que apareceu Lodygin a negar um golo feito a Gaitán e mais um par de boas defesas já a contar com a subida dos centrais do Benfica à área contrária.

Apesar das boas ocasiões criadas parecia que nada ia bater o guarda redes do Zenit. Vitória lançou bem Raul Jimenez que veio dar maior mobilidade ao ataque e procurou na entrada de Carcela maior desequilíbrio nas subidas pela ala direita. Foi o melhor período do Benfica que procurou a felicidade aparecida já fora de horas com um livre batido por Gaitán que encontrou a cabeça de Jonas. Tudo isto com enorme ajuda de Jardel que concentrou em si todas as atenções das torres do Zenit dando espaço para Jonas brilhar.

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O festejo foi emocionante dentro e fora de campo, Jonas sentiu o rótulo de falhado nos grandes jogos a cair e o povo rejubilou de raiva depois de dias tristes a digerir um desgosto inesperado. Um final de jogo épico a relançar o Benfica no caminho do sucesso.

O sonho da Champions mantém-se vivo, a brilhante carreira na prova continua e o horizonte voltou a ficar mais sorridente.

A volta está dada, a eliminatória está bem lançada. Continuar a acreditar em Paços de Ferreira, é o que se exige a seguir.

Grande noite europeia, daquelas a que o Benfica pertence.

Zenit 1 - 0 Benfica : Um Fim Anunciado

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Até aqui o que foi verdadeiramente mau nesta Champions League foi o que aconteceu no arranque do jogo na Luz com o Zenit e na primeira parte em Leverkusen, jogos em que o Benfica pareceu alhear-se da competição, forçando a ideia com o discurso oficial de prioridade máxima ao campeonato nacional. Algo que não se entende e não se pode aceitar. São os dois primeiros jogos que marcam este tipo de competição. Depois no Mónaco já houve uma aposta mais clara na vitória mas só na Luz é que se viu a equipa a dar tudo para conquistar a primeira vitória contra os franceses.

 

Com tão fraco arranque o Benfica chega à Rússia com poucas hipóteses de sonhar mas, curiosamente, foi nesta viagem que o discurso oficial mais se centrou na importância de seguir em frente.

Das palavras aos actos tudo bateu certo. O Benfica entrou no estádio Petrovskij muito concentrado e disposto a travar o ataque ameaçador do Zenit. Muitos elogios para o desempenho de André Almeida no lado esquerdo da defesa, que no papel causava preocupação antes do jogo, e para a postura defensiva da equipa em geral. O Zenit nunca criou muito perigo, tirando um livre de Hulk com confusão na recarga.

Aos poucos o Benfica passou a ter a bola e a ir com cuidado ao ataque. De bola parada criou alguma pressão e Salvio teve nos pés a hipótese de chegar à vantagem após grande jogada de Talisca e Gaitán. Uma primeira parte que ficou marcada por um estranho festival de cartões amarelos que o árbitro italiano resolveu mostrar.

 

Depois do intervalo, o Benfica arranca para uma surpreendente e positiva postura ofensiva à procura do golo. Várias bolas a rondar a baliza de Lodygin mas desacerto na finalização. Ninguém vai culpar Luisão por esta derrota mas o capitão teve tudo para marcar. Depois Gaitán trabalhou bem na linha final mas não encontrou ninguém à boca da baliza, Salvio e Lima também não foram mais felizes. Mas ficaram aqueles bons momentos em busca do golo. Até ao minuto 70 o empate já parecia um mau resultado de acordo com o futebol jogado.

Por vezes Jorge Jesus opta por nem ir ao banco e mantém o que tem em campo. Normalmente não concordo mas hoje desejava muito que o treinador não tivesse mexido na equipa. A opção de lançar Derley até percebo para refrescar o ataque e ganhar poder de combate mas a saída de Talisca deitou tudo a perder. Não é que o brasileiro estivesse a ser uma grande ameaça à equipa de Villas Boas mas estava a ser vital na ordem de equilíbrio táctico no apoio ao meio campo que tomou conta do jogo.

Jesus pensou que o jogo podia partir e queria tirar partido de dois avançados de raiz mas a aposta correu mal e aconteceu exactamente o contrário, o Zenit ganhou o controlo do jogo com a entrada de Shatov para o lugar de Ryantsasev e cresceu no jogo como ainda não tinha acontecido na 2ª parte. Daí até ao golo de Danny, a passe de Hulk, foi sempre a descer pela parte do Benfica. Um golo que abateu a equipa. Foi o fim da esperança de continuar na Champions League. Um fim há muito anunciado mas que, infelizmente, anula uma boa reacção do Benfica no segundo tempo e algumas boas exibições individuais. André Almeida não merecia este resultado.

 

Voltando ao inicio, perder aqui por 1-0 com uma exibição nada má não elimina ninguém de uma prova destas, o problema foi mesmo nas duas primeiras jornadas. A nível europeu voltámos à segunda época de Jesus na Luz quando foi preciso um autentico milagre para apurar a equipa para a Liga Europa mesmo no fecho da fase de grupos. Vamos ver se volta a ter a mesma sorte desta vez mas pode realmente acontecer que o fim da época europeia chegue já no próximo mês. E, diga-se, que é um cenário que pareceu até muito desejado pelos dirigentes e técnicos do clube. A pressão interna acaba de subir mais um nível.

Convocados Para a Rússia

Guarda-redes - Júlio César, Artur Moraes e Paulo Lopes;

Defesas - Maxi Pereira, Luisão, Jardel, César, André Almeida e Benito;

Médios - Samaris, Enzo Perez, Talisca, Gaitán, Salvio, Ola John, Cristante, Tiago e Pizzi;

Avançados - Lima, Derley e Nélson Oliveira.

Benfica 0 - 2 Zenit : Não Deu Para Mais. Apoio Aumentou

 

Tudo esclarecido em 22 minutos. O Zenit é muito melhor equipa do que era em 2012 quando foi eliminada na Luz e confirma-se como principal candidato a ganhar este grupo . O clube russo usou todos os trunfos, e eram mesmo muitos, que tinha do seu lado para anular o Benfica.

Três jogadores no onze que sabem tudo sobre as ideias de Jorge Jesus, Javi, Garay e Witsel, um jogador que sabe tudo sobre defrontar o Benfica, Hulk e ainda dois internacionais portugueses, um no banco outro como capitão. A este contingente de caras familiares junta-se o treinador Villas-Boas que também sabe tudo sobre vitórias épicas na Luz contra Jesus.

O Zenit entrou no jogo com demasiada informação sobre o futebol do Benfica e apostou tudo em agarrar muito cedo no jogo procurando chegar ao golo que deixasse o Benfica sem reacção. Tudo correu bem aos russos, tudo correu mal ao Benfica.

 

Os dois golos do Zenit têm uma história que se conta no sector defensivo do Benfica.

Falemos de Jardel.

Já disse por aqui que o central brasileiro é daqueles jogadores muito úteis para ter sempre no plantel, combativo, bom profissional, bom suplente. Se fosse um titular de qualidade não seria só um recurso muito útil mas sim um titular indiscutível. A diferença, infelizmente, é enorme!

Jardel não pode ser a solução em jogos destes com grau de dificuldade no máximo. Os exemplos maus são mais que muitos. Hoje ficou ligado aos dois momentos que deram a vantagem russa. Por isto ando a pedir ao tempo que se lance Lisandro para ver se temos central à altura da companhia de Luisão ou se assumimos que passamos de um central de classe mundial (Garay) para um... muito útil. Gosto de Jardel, longe de mim querer fazer dele o culpado da derrota mas penso que os argumentos são mais do que evidentes para se compreender o meu ponto de vista.

 

Quando pensamos que já aconteceu tudo ao pobre Artur reparamos que lhe faltava uma expulsão em noite europeia. Momento decisivo do jogo, andar a brincar aos guarda redes pode dar dissabores destes, isto porque me pareceu que o brasileiro hesitou na saída. Mesmo que não tenha tido alternativa, tudo lhe acontece e já todos percebemos isso, logo devia estar longe da baliza ao tempo. Uma palavra de incentivo para Paulo Lopes que hoje se estreou na Champions League e transmitiu mais confiança que o número 1.

 

Chegando à fase do 0-2 e percebida a impotência para mudar o rumo do resultado uma sensação conhecida toma conta da minha cabeça.

Dentro dos vários estádios de decepção em que mergulho quando um jogo corre mal há opções más, muito más e menos más. A menos má acontece quando percebo que o adversário é realmente mais poderoso, está a jogar mais e melhor e tem argumentos suficientes para não ser surpreendido. Felizmente, isto acontece muito raramente na Luz. Lembro-me que a primeira vez que senti isto foi no inicio da década de 80 quando vi o Liverpool a ganhar por 1-4. É uma sensação de impotência mas também de tranquilidade por saber que se trata de uma excepção.

O Benfica voltou a perder um jogo na Luz após 51 partidas invicto, foi a primeira vez que um clube russo aqui venceu em sete tentativas. Estamos, pois, perante uma excepção e temos que saber lidar com ela.

 

 

Esta equipa do Zenit é a prova que o dinheiro traz felicidade, não são o colectivo mais forte da prova mas têm argumentos para ir longe.

 

Após a expulsão e a saída do estreante Talisca, aconteceu o 0-2 por Witsel e depois, resumindo o resto da noite, tanto os russos podiam ter chegado ao 3º, como o Benfica podia ter reduzido. Muito trabalhou a equipa de Jesus na 2ª parte para minorar os estragos e , pelo menos, um golo seria justo prémio. Não aconteceu, paciência. Os adeptos sabem quando a equipa dá tudo e mesmo assim não chega para ganhar. Hoje foi um desses dias e por isso das bancadas veio a força necessária para dar a volta a uma derrota dura, uma forte demonstração de orgulho e apreço pela equipa de futebol que tantas alegrias nos tem dado e um claro sinal de confiança no trabalho de todos.

 

Olhando para as bancadas só dá vontade de exclamar: poucos mas bons!

E a seguir de interrogar: onde se meteram os benfiquistas?!

 

Podem ser dadas milhares de explicações que eu nunca vou entender, aliás, eu recuso-me a compreender como é que o clube chegou a esta triste realidade.

Hoje, 16 de Setembro, é o dia de aniversário da minha irmã. Ela foi percebendo com o tempo que não valia a pena lamentar a minha ausência do jantar de anos sempre que o Benfica joga neste dia.

Aconteceram algumas vezes.

Hoje ela marcou almoço e tudo ficou mais fácil. Mas em 1987 a reacção da família não foi a melhor quando eu teimei em ir para a Luz ver o Partizani Tirana em vez de ficar no jantar de aniversário. Nessa altura bastava entrar na Luz e ver que uma casa fraca numa 4a feira à noite contra um adversário miserável significava ter mais de 60 mil adeptos nas bancadas!

 

o Benfica deu a maior das alegrias aos seus adeptos há poucos meses ganhando tudo em Portugal, o Benfica anda há dois anos seguidos a fazer TODOS os jogos possíveis dentro das competições europeias chegando às finais e estando no top 10 de melhores clubes da Europa, o estádio da Luz há meses foi o centro do mundo recebendo a final desta competição que hoje voltou à acção e compareceram na Luz cerca de 35 mil adeptos. Isto, por muito que custe a muita gente, não tem justificação absolutamente nenhuma. Em 1987, 60 mil pessoas era uma má casa e não havia marketing, descontos, compras online e publicidade na internet. Hoje a equipa joga a mais importante prova do mundo a nível de clubes e só 35 mil benfiquistas não desprezam a sua equipa. Não é de estranhar que o jogo tenha acabado em clima de apoio incondicional à equipa, é que só aqueles que lá costumam ir sempre que podem sabem como podem ajudar a dar a volta.

 

Faltam cinco jogos, acredito que tudo pode acontecer mas, acima de tudo, acredito muito que começámos pela pior parte e que não se voltará a repetir uma noite destas na Luz. Parabéns ao Zenit que tem ali uma bela equipa.

Domingo voltamos à nossa luta, o bi-campeonato!