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Red Pass

Rumo ao 38

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Rio Ave 2 - 3 Benfica: Por Este Rio Acima

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Dia 12 de Maio, dia de peregrinação em Portugal. Os mais fervorosos a saírem um pouco de todo o lado do país rumo a Vila do Conde para a última deslocação da temporada do Benfica. 

Quando seguia viagem para norte, dei por mim a pensar se já tinha assistido a alguma vitória tranquila do Benfica nos Arcos. Nunca tive essa sorte.

Aliás, andei tão para trás nas minhas memórias que recuperei um jogo em que estádio do Rio Ave se vestiu totalmente de vermelho para uma apresentação do Benfica aos adeptos do norte nos Arcos. Foi na pré temporada de 2002/03 contra o Celta. Nem o regresso de Nuno Gomes evitou outra derrota com os espanhóis. 

Porque é que é importante recuperar esse dia de verão de 2002? Porque eu estava em Vila do Conde e fiquei surpreendido com a quantidade de adeptos que foram ao estádio apoiar a equipa. Não por ser no norte, o Benfica sempre teve apoio a norte, mas pela grave crise que o clube estava a atravessar. Em pleno Vietname do Benfica, os adeptos do norte eram tão fieis e dedicados que a Direcção do clube achou pertinente fazer ali um jogo de apresentação. 

Pois bem, esse respeito foi muito importante para o Benfica nunca perder a sua ligação com o povo. Por muito maus que fossem os resultados, o carinho dos adeptos do Benfica nunca faltou. E foi essa resistência que fez possível que o clube recuperasse a sua identidade, o seu destino de vencer e chamar as pessoas à sua passagem. Só isto explica que em 2019 tenhamos ficado com imagens eternas de uma multidão apaixonada por uma equipa, por um emblema, pelo nome do Sport Lisboa e Benfica.

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Estes milhares de adeptos estão ali para mostrar o seu agradecimento a todo o futebol do Benfica. O agradecimento por nunca terem desistido mesmo depois deste país ter condenado o clube na praça pública de todos os crimes e mais alguns, mesmo depois deste país ter manchado o nome do clube nos últimos anos, e acima de tudo, mesmo depois de termos passado os últimos dois anos numa luta suja, titânica e desnivelada com todos os adeptos do único clube maior que o Benfica em Portugal, o Anti Benfica. 

Não se tratava de euforia, não se tratava de festa antes do tempo, não se tratava de deitar os foguetes antes da festa, tratava-se, apenas e só, de uma gigantesca demonstração de carinho, de apoio, de acreditar que o Benfica pode continuar a conquistar campeonatos mesmo que haja um surreal trabalho diário em toda a imprensa para evitar que isso aconteça. 

Meus amigos, esta é que é a força do Benfica. São os milhares que esgotaram o Estádio dos Arcos para apoiar durante o jogo e, arrisco escrever, os outros tantos milhares de benfiquistas que mesmo sem bilhete para entrar no recinto, invadiram a rotunda e as imediações do Estádio para dar este apoio incrível. 

Tudo isto foi importante para dar mais força ao Benfica que, afinal, ia começar a partida com o Rio Ave em 2º lugar na Liga NOS. Estes eram os factos às 20h de domingo. O Benfica tinha muito que trabalhar, tinha que encarar o jogo com toda a concentração para garantir que saía dos Arcos na liderança novamente. 

Foi isso que aconteceu. Tanto se pediu que o Benfica entrasse melhor nos jogos, que aos 3' Rafa fez o 0-1 dando origem a uma explosão de alegria movida pelo alivio de ver recuperado o 1º lugar bem cedo.

Como era de esperar, o Rio Ave deu muita luta e voltou a complicar muito a vida do Benfica. Na Luz chegou a estar a vencer por 0-2, no jogo que marcou a estreia de Bruno Lage e Daniel Ramos em cada banco.

Quando tudo apontava para o 0-1 ao intervalo aconteceu o momento mais polémico. O Rio Ave queixou-se de um penalti de Florentino, o Benfica respondeu com o 0-2.
São momentos marcantes porque há motivos para dúvidas. Daniel Ramos diz que se transformou o 1-1 em 0-2. 

A verdade é que Florentino pôs-se a jeito para ser marcada falta. Mas como já ouvi nesta Liga, a falta começa fora da área e, por isso, nunca seria penalti. Seria um livre perigoso que estava longe de dar o 1-1. Mas mesmo que acontecesse o penalti reclamado e fosse transformado, é preciso lembrar que o Benfica em Braga foi para o intervalo a perder e na Luz com o Portimonense estava empatado. Reagiu sempre bem, como se sabe.

Já o 0-2 parece-me que não tem discussão, João Félix está fora de jogo. Acho muito estranho que o VAR não tenha mandado o árbitro analisar tudo com calma. 
Mas eu também achei muito estranho que o VAR não funcionasse na Luz com a SAD de Belém ou no Jamor com a mesma SAD. E aí não vi ninguém preocupado. Aliás, eu ainda gostava de perceber o papel do VAR em lances que deram 10 pontos a mais ao Porto, como explica o insuspeito Rui Santos, e qual foi o seu papel nas meias finais da Taça da Liga. Mas aqui já não vejo ninguém muito interessado. A época tem sido toda isto, desculpem mas a mim não me vão convencer que os problemas com o VAR começaram em Vila do Conde. Antes pelo contrário, é uma nota de rodapé na quantidade de disparates que vimos por esses campos fora. Terceiro classificado incluído, basta ver o número de penaltis a favor.

 

O Benfica com 0-2 tremeu por culpa própria, não soube matar o jogo e acabou por sofrer o 1-2 que trazia à memória a recuperação muito apreciado do Rio Ave com o Porto naquele mesmo local. 

Pizzi fez o 1-3 e parecia ter resolvido a questão. Só que o 1-4 nunca aconteceu, oportunidades não faltaram, e o Benfica acaba a sofrer com o 2-3 do Rio Ave.

Um belo jogo numa atípica noite quente nos Arcos, cinco golos, emoção e uma felicidade imensa no sentimento do dever cumprido no final da partida.

Ponderei não o fazer mas não resisto. O Benfica nunca falhou com nada ao Coentrão, pois não? Pagou tudo, a tempo e horas. Recuperou o homem, revelou o jogador, apoiou-o sempre em tudo. Fez dele um jogador tão bom que até o Real Madrid achou que estava à altura dos maiores desafios. O Benfica fez do Coentrão um quase ex jogador para um craque do plantel do Real Madrid. Como todos os outros jogadores que saem da Luz para vidas melhores, o clube nunca lhes faltou ao respeito. Infelizmente, este Coentrão quer acabar como começou, uma triste e embaraçosa nota de rodapé no futebol português. Desprezo e que daqui a uns anos não tenhamos que ter mais pena dele do que temos agora.

 

Ir ao norte significa comer bem. Desta vez a sugestão foi a gastronomia da Adega do Testas em Vila do Conde. Atendimento de simpatia superior, carne grelhada de qualidade imbatível. Batata frita caseira, arroz com grelos e enchidos num caldo irresistível. Tudo mais do que aprovado. 

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A última saída da época foi tão cansativa como reconfortante. Uma jornada de benfiquismo para a história deste campeonato e do clube.

Para tudo isto fazer sentido, já sabem, encarar o último jogo na Luz com a mesma seriedade, a mesma convicção e a mesma ambição. Falta menos de uma semana para carimbarmos um dos títulos mais incríveis de sempre. Até lá ficam as recordações de um norte vermelho.

 

Braga 1 - 4 Benfica: O Minho é Benfica!

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Para quem acha que isto de fazer mais de 700 Km's num dia só para estar onde o Benfica joga é uma festa e só divertimento deixo aqui o relato de um final de jogo que devia corar de vergonha todos os responsáveis pela organização do jogo de Braga e do seu policiamento. Num dos momentos mais felizes da temporada, no desfecho de um dos jogos mais complicados deste final de temporada, a euforia marcava aquela bancada superior destinada aos adeptos do Benfica. Uma goleada construída na 2ª parte garantiu os 3 pontos e a liderança a três jogos do fim. É ali, naquele momento, que os adeptos têm o direito de se manifestar, de celebrarem a vitória, de mostrar o seu alivio e contentamento. Devia ser naqueles minutos que a expressão festa do futebol desse sentido à vida de homens, mulheres, crianças, mais velhos e mais novos, todos unidos pelo amor ao Benfica. 

Nada mas mesmo NADA pode justificar a carga policial que testemunhámos das filas mais altas da bancada por ali abaixo, com os policias a baterem descontroladamente em TODOS os adeptos que pagaram para ir ver este jogo da Liga NOS.

Momentos de pânico e de vergonha que deve ter tirado a vontade de um dia voltarem a um estádio a dezenas de crianças, de pais, de homens e mulheres, jovens e idosos. 

Se a justificação era a pirotecnia usada na bancada, e que resultou em imagens incríveis como a que se pode ver abaixo, então isto devia dar até demissão do ministro da Administração Interna. 

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É que não conheço nenhuma lei neste país que diga que o uso de pirotecnia deve ser punida com violência gratuita e indiscriminada. Há castigos previstos, há multas previstas, até há quem todos os dias sonhe em fechar o estádio da Luz, o que não pode acontecer é este espectáculo absolutamente repugnante de violência policial. 

 

Quem organiza os jogos do Braga também devia vir dar explicação aos milhares de adeptos que encheram aquela bancada superior. Porque é que só se usa uma escadaria de acesso à bancada obrigando dezenas de milhares de adeptos a uma espera para entrar e, sobretudo, para sair absolutamente anormal. Repito, só se se pode usar uma escadaria, e portanto, uma entrada, para TODA a bancada. Vergonhoso, irresponsável, desrespeitoso.

E o que dizer dos relatos que nos chegaram do outro lado do estádio onde adeptos do Benfica foram agredidos, muitos tiveram que ter tratamento hospitalar, com invasões de adeptos do Braga até aos camarotes? E agressões adeptos à saída do estádio. Vai tudo assobiar para o ar? Vergonha alheia.

Para terminar este quadro negro, porque raio temos que levar com uma coreografia que não nos deixa ver nada para o relvado até o jogo começar? Era do lado das claques "legalizadas" do Braga? Ok, então façam coreografia em que a altura não ultrapasse as suas bancadas. Na Luz não se tapa a bancada dos visitantes com panos. 

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Como se vê, o respeito pelo adepto do futebol é zero. Tudo se faz para afastar as pessoas dos estádios. Mesmo assim, a Pedreira hoje teve a maior enchente da temporada. E isso deve-se apenas e só a um amor incondicional e irracional que os adeptos do Benfica têm pelo seu clube. É caso único em Portugal, é caso raro na Europa. É uma das principais fontes de inveja e ódio do resto do país. Esta invasão benfiquista a Braga transtornou muita gente e deu um conforto à equipa que pode valer momentos históricos. 

Mandaram 1500 bilhetes para a Luz? A resposta dos benfiquistas foi esmagadora. 

O jogo não começou bem? Não. Até parecia que o empate de Vila do Conde bloqueava o futebol ofensivo do Benfica, quando devia ser o contrário. Ao intervalo a derrota pesava imenso nos pensamentos de quem tanto espera da equipa. Não tínhamos atravessado o país para ver uma exibição tão apagada. O povo benfiquista que invadiu a Pedreira não foi ali para ver o Braga a ganhar com um penalti de Wilson Eduardo. 

A 2ª parte começa com um apoio ainda mais forte da bancadas. Quando aos 52' João Félix viu a bola ser desviada por Tiago Sá para o poste, a Pedreira estremeceu com o bruá dos benfiquistas. A equipa acordou de vez, as bancadas explodiram de vez em apoio furioso para a reviravolta, não houve ninguém naquele recinto que não tenha sentido que ia acontecer remontada.

Aos 59' e 65', Pizzi não vacilou e colocou o Benfica na frente com dois penaltis. 
Pizzi que passou a ser o jogador com mais influência neste campeonato, com 12 golos e 19 assistências. Esteve directamente ligado em 31 dos 91 golos do Benfica. Isto porque além dos golos, ainda fez uma assistência para Rúben Dias aos 69'. 

Rúben Dias que está a fazer uma temporada soberba, bateu hoje o recorde de jogos pelo Benfica numa época, superando... Pizzi. Líder natural da defesa e da equipa. Autoridade do Seixal para a equipa principal do Benfica.

Rafa fechou a contagem regressando aos golos. Aos 90', um grande golo a fechar uma 2ª parte de sonho da equipa. Rafa que também está na sua melhor campanha de sempre, já bateu o ser recorde de golos marcados.

Toda a equipa percebeu o momento do jogo, o contexto do campeonato e a necessidade de vencer num campo complicado. Repetiu os 4 de Moreira de Cónegos e de Santa Maria da Feira, as últimas saídas da equipa.

É muito importante perceber que só com uma atitude superior nos segundos 45' foi possível evitar um drama. Estamos tão perto de ser felizes como de entrar em depressão profunda. Tem que haver equilíbrio. Dentro e fora de campo. Celebrar os 3 pontos e depois esquecer este jogo e começar a pensar que o Portimonense em Janeiro ganhou por 2-0. Levar isto a sério, sem euforias nem fanfarronices. Era importante que todos pensassem assim. Não faltam exemplos de falhanços na recta final do campeonato. De preferência, que nos próximos três jogos haja mais Benfica da 2ª parte e menos da 1ª. 

Antes do grande jogo em Braga, houve desvio até Vila Verde para revisitar um restaurante que devia ser considerado uma das maravilhas de Portugal. O Torres, em Vila Verde, tem uma oferta gastronómica imbatível ao nível da proteína. 
Foi isto que aconteceu:

Longa vida aos senhores benfiquistas do Torres.

Grande dia passado na estrada, mais uma visita ao Minho bem sucedida no dia em que César Brito fez magia nas Antas em 1991. Um dia inspirador que trouxe o Famalicão de volta À primeira divisão. Mais uma viagem ao Minho para a próxima temporada. Aliás, duas, que o Gil Vicente também vem aí. Gastronomia da boa não faltará na próxima época.

Para já, só interessa o jogo com o Portimonenses. Temos um 2-0 para rectificar na Luz.

Só isto interessa. 

 

Feirense 1 - 4 Benfica: Aquele Arco de 3 Maravilhosos Segundos no País dos Apitos

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 Desde sempre, acontece aquela desconfiança de quem nos rodeia e não entende a necessidade que temos em estarmos onde o Benfica joga. Mesmo que tenhamos de sacrificar um domingo familiar. Mesmo que tenhamos de acordar cedo num domingo após um sábado de borga. Mesmo que tenhamos que contornar vários obstáculos no trânsito, ironicamente originados pelo Benfica e a sua corrida anual, para reunirmos todos os elementos que vão viajar. Mesmo que saibamos que vamos passar o dia todo debaixo de chuva, A1 acima, A1  abaixo, e juntar o tempo frio à chuva no Estádio Marcolino de Castro. Já sabemos que isto não faz muito sentido mas o local onde o Benfica joga é uma espécie de íman que nos atrai fatalmente. Porque queremos fazer a nossa parte. Queremos sentir que estamos lá na bancada a apoiar os jogadores, um a um, quanto entram em campo e desviam o olhar para a plateia a ver se há muito apoio ou não. E, também, porque vamos à procura de viver emoções que só o futebol nos pode dar. Aliás, só o futebol do Benfica nos pode dar, porque isto é mais forte do que gostar só de futebol. 

Sim, o jogo dá na televisão e pode ser visto no maior conforto caseiro. Mas é a mesma coisa? Nem pensar! 

 

Vamos começar pelo minuto 49 do jogo Feirense - Benfica. Agora, o Glorioso está a atacar para o lado onde estamos a ver o jogo. Pela linha do meio campo, Grimaldo resolve surpreender chutando uma bola por alto que vai cair à entrada da grande área do Feirense. O guarda redes Caio precipita-se e tenta chegar à bola que entretanto é aliviada de cabeça por Bruno Nascimento. Rapidamente percebemos que Seferovic vai aproveitar para rematar de primeira, tentando uum golo épico de chapéu. Olhos na bola a sair do pé de Seferovic, silêncio quase total espontâneo e repentino, respiração suspensa e os olhares acompanham a trajectória de um arco perfeito que vai acabar dentro da baliza dos fogaceiros e que duras uns longos três segundos no ar. Explosão de alegria, o silêncio dá lugar a festejos exuberantes. Querem convencer-me que aqueles três segundos vistos em casa despertam a mesma emoção e os mesmo sentimentos? Não queiram. São instantes únicos. É futebol. 

Só momentos como este é que dão sentido à nossa presença ali. É que estar num estádio onde se permite que soe um apito nas bancadas que baralha espectadores e jogadores remete-me sempre para aquela final de Viena em 1990. Aconteceu hoje e parece que ninguém se importou. Deixo aqui a minha estranheza.

 

Para trás tinha ficado o golo de Pizzi que empatou o jogo. Também um momento muito emocionante, ao fim de vinte e oito (28) jornadas, o VAR conseguiu ver, finalmente, um penalti para o Benfica. 

Logo depois, o capitão André Almeida foi lá à frente garantir que o Benfica saía para o intervalo na frente do marcador.

Entre os minutos 40 e 50 do jogo, o Benfica resolveu um problema que se ia complicando com o passar do tempo. O golo de Sturgeon, aos 10', mostrou um Feirense que não bate certo com o lugar que ocupa na tabela. 

Todo o mérito para a equipa do Benfica pela maneira como deu a volta ao jogo e garantiu a vitória. Seferovic confirmou o 1-4 no último minuto de jogo proporcionando um excelente regresso a casa a todos os adeptos que só queriam sair dali na liderança do campeonato. 

Ver Ferro ao vivo é outra atracção que não dá para resistir. O central do Benfica está a crescer de tal maneira que não sei quanto tempo vamos poder ter o prazer de o ver a defender o manto sagrado. 

Samaris, Florentino e Taarabt apareceram nos lugares de Fejsa, Gabriel e Rafa, voltaram a dar óptimos sinais de validade como opções para titulares. A equipa pareceu segura e confiante, regressamos à exibição de Moreira de Cónegos. Apesar do golo sofrido, os ataques do Benfica voltaram a render quatro golos. Missão cumprida.

Falta falar do pré jogo. 

A viagem Lisboa - Santa Maria da Feira fez-se bem e sem paragens. A ideia era atacar logo o almoço bem perto do estádio. A escolha foi o restaurante Adega O Monhé. Fomos para a especialidade da casa, um cozido à portuguesa dentro de pão. Tem que ser encomendado porque é feito de véspera. O Chefe vem à mesa abrir o pão e explicar o processo de confecção. Há vários tipos de carne, enchidos, um molho apurado e couves no ponto.

Aprovadíssimo. Ficam as fotos para testemunhar o repasto:

Almoço bem sucedido, curta viagem para o estádio. Três pontos conquistados e para aproveitar esta dádiva de termos um jogo a terminar a horas decentes, desvio no regresso a casa para matar saudades do arroz de tomate com pasteis de bacalhau e panados no Manjar do Marquês em Pombal.

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Domingo à noite em casa, missão cumprida. Menos um jogo para terminar o campeonato e a mesma sensação, temos capacidade para vencermos os próximos seis jogos. Tarefa árdua mas que tem de ser cumprida porque o nosso concorrente parece já ter esses jogos todos ganhos como temos constatado jornada após jornada. 

Porto 1 - 2 Benfica: Ultrapassagem Histórica

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Fez-se história no Porto. Cheguei a ir ver o Benfica às Antas mas nunca vi um triunfo lá. No Dragão tenho ido várias vezes e nunca apanhei o Benfica a vencer. Hoje foi o dia em que tudo mudou. Vi o Benfica revirar um resultado no Porto, festejei uma enorme vitória e vi o Benfica regressar à liderança do campeonato. Mesmo assim, nada disto foi o mais importante e marcante deste sábado passado na A1 para cima e para baixo só para estar no estádio com o Benfica. O momento em que tudo fez sentido aconteceu uns minutos antes do jogo começar. A equipa do Benfica corre para a nossa bancada, que já fervia de entusiasmo desde o aquecimento, e André Almeida deu a mão ao companheiro do lado que fez o mesmo e assim sucessivamente, até que toda a equipa se curvou perante aqueles milhares de adeptos replicando a lendária vénia dos jogadores ao Terceiro Anel em pleno estádio do Dragão. Emocionei-me de verdade. Um simples gesto, uns segundos de empatia, o suficiente para sentir logo ali que se vivia uma noite especial. 

Fiquei arrepiado pelos que fizeram as viagens comigo, pelos companheiros habituais destes dias à Benfica a galgar Km's pelo país fora e que estavam espalhados pela bancada, por todos aqueles que não puderam estar ali connosco, por todos os que foram ao hotel receber e, principalmente, despedirem-se da equipa com entusiasmo, por todos os que passaram a vida atrás do Benfica e já não estão entre nós e, especialmente, para o Sérgio, que mais do que ninguém, merecia estar ali a aplaudir a vénia.

 

O jogo começa e está muito fácil acompanhar os jogos do Benfica actualmente. Porque gosto do "11", porque adoro a ideia de jogo do Benfica, porque confio no trabalho que nos apresentam, porque sinto que vamos ser felizes e porque sei que temos talento e capacidade para brilhar nas grandes noites.

E nem quando sofremos um golo em pleno Dragão, o entusiasmo diminui. Escrevo estas linhas para lá das 3 da manhã e ainda não tive oportunidade de ver com calma o jogo na televisão mas fiquei com a clara impressão que o 1-0 não devia ter sido validado por influência de Pepe em fora de jogo a perturbar a visão de Odysseas. Mas depois do que vimos na meia final da Taça da Liga, já nada me espanta...

Tal como em Braga, o Benfica respondeu forte. Sempre que a bola entra nos homens do meio campo para a frente, sentimos que algo de bom pode acontecer. Gabriel, Pizzi, Rafa, Felix e Seferovic movem-se com um aviso invisível na testa a dizer perigo em construção

Festejei muito o golo do João. Imaginei várias vezes que ele marcaria naquela baliza. Nenhum dos meus desejados festejos fez justiça ao festejo de Félix. De braços cruzados a olhar para a "curva" legalizada depois de deslizar de joelhos. Uma imagem imortalizada em belas fotografias só superada pela pressa de Rafa a ir buscá-lo e com a bola debaixo do braço a dizer que o empate não serve. Isto é o Benfica, queremos ganhar.

Ironia do destino, foi Rafa quem culminou uma bela ideia de Pizzi, rematou sem hipótese para Casillas. Estava feita a remontada, chegava o Benfica à liderança novamente. 

Sérgio Conceição mexeu e remexeu, reagiu à expulsão de Gabriel, mais uma para o Benfica num clássico, e o Benfica sempre manteve as linhas. Lage lançou com calma Gedson, Corchia e Cervi. 

Na recta final o Porto acertou na barra, Odysseas fez uma grande defesa, Samaris fez um magistral corte e o Porto acabou desesperado a tentar empatar num livre directo que nada deu. 

O Porto perdeu e perdeu bem. Saiu derrotada a esperteza de uma cura milagrosa num pobre Marega que a meio da 1a parte já se arrastava, saiu derrotada a espertice do treinador do Porto muito confiante em saber tudo do 11 do Benfica e saiu derrotada toda aquela inveja e ódio vindo das bancadas do Dragão. 

É golos marcados, vitórias consecutivas, vitórias nos dois clássicos, enfim, uma chuva de recordes que vão caindo perante toda a tranquilidade do mundo que Bruno Lage apresenta. Vivem-se dias bonitos na Luz.

Se a vénia no pré jogo marcou a noite, há que dizer que o agradecimento da equipa não lhe ficou atrás. Aquele agradecimento genuíno e ciente que foi um grande resultado mas que continua tudo na mesma. Na próxima jornada temos de começar tudo do zero e somar mais 3 pontos. Será assim até ao fim. 

Abandonar a familia por um sábado dedicado ao Benfica teve uma recompensa muito valiosa, daí toda aquela alegria no final. E não se preocupem que ali naquela bancada ninguém deu nada por conquistado ou resolvido. Antes pelo contrário, a capacidade de sofrimento aumentou.

 

Por falar em sofrimento, o que dizer do apedrejamento ao autocarro do Benfica e à viatura do Presidente? Repetiu-se a loucura de 2010 e a ideia que dá é que as pessoas com responsabilidades neste país querem fazer passar que é uma situação perfeitamente normal e justificada naquele ponto do país. Lembram-se da final da Libertadores entre River e Boca? Recordam-se do que se disse e escreveu sobre o adiamento desse jogo que passou de Buenos Aires para Madrid? 

Pois, parece que sendo no Dragão é tudo perfeitamente normal e aceitável. 

Não é. É gravíssimo e devia ter consequências imediatas.

Escrevi isto e já estou a imaginar que a resposta seja mais um pedido de interdição do Estádio da Luz...

 

E o que dizer dos adeptos legalizados? Os que, teoricamente, atacam viaturas oficias do clube que os visita e que podem colocar panos num local estratégico com campo de visão junto ao relvado a dizer Ides Sofrer Como Cães. O PAN não se incomoda com isto? Não era de perguntar à Liga porque é que um pano destes entra no estádio, quando todos os que vamos aos jogos sabemos o controlo apertado que nos fazem até com frases em cachecóis?

 

Por fim, hoje tinha sido um grande dia para o Secretário de Estado do Desporto, para os responsáveis do IPDJ, para governantes, para responsáveis da Liga Portugal e da Federação Portuguesa de Futebol, tiraram os rabinhos do sofá e fazerem-se à estrada para perceberem como estão tão longe da realidade quando pensam que controlam isto tudo com comunicados, entrevistas e ameaças. Hoje não houve comboios. Tirando seis autocarros de um grupo organizado de sócios do Benfica, o resto foi tudo de carro. Se os adeptos do Benfica tivessem receio, fossem mais racionais, sentissem medo deste desafio, muitos lugares tinham ficado vazios. 

É uma tremenda irresponsabilidade, acharem que mais de 2500 adeptos se deslocam à cidade do Porto sem perceber muito bem onde e como estacionar as viaturas e que tudo vai correr sem problemas. Hoje tudo podia ter descambado muito facilmente, as pessoas com responsabilidades à volta do futebol deste país não sonham com o que é um contexto desta natureza. Felizmente para elas e para nós, a malta só quer ver o Benfica e estar ao lado da equipa. Por isso, todos fazem estas loucuras esperando sempre que tudo corra bem. E hoje correu, o Benfica ganhou. Mas aquela imagem de dezenas de carros a chegarem e meia dúzia de policias completamente perdidos perto do local onde indicaram como ponto de encontro, será sempre inesquecível. 

Continuem a brincar com isto. 

Uma coisa é garantida, o Benfica terá lá sempre a sua gente, seja onde for, seja contra quem for. A vontade de ver o Benfica é maior do que qualquer racionalidade. 

A paragem para almoço foi em Condeixa na Casa da Júlia. Leitão da Bairrada, entradas simples de chouriço picante e queijo seco. Vinho branco à pressão e uma sobremesa baseada em ovos moles. Tudo aprovadíssimo. 

No regresso, a afluência à estação de serviço da Mealhada era de tal ordem caótica que só parámos em pombal. Aposta na sandes de leitão e pastel de bacalhau. A sandes não tem comparação com a da Mealhada. Pior, embora o preço seja um roubo na mesma. 

Foi uma vitória muito importante, histórica e coloca este maravilhoso Benfica de Bruno Lage na frente. Agora começa uma nova era e um novo desafio para Lage, manter o primeiro lugar até ao fim. 

Da nossa parte, há forças para isso, assim sendo, entreguem-se treino a treino, jogo a jogo, como diz o Mister , para manter e aumentar o nível de satisfação. 

Saborear esta bela jornada e depois começar tudo do zero. 

 

 

Aves 0 - 3 Benfica: Tudo Parece Fazer Sentido

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Depois dos quatro em Alvalade, terreno de anti benfiquistas, da épica goleada contra a equipa do anti benfiquista Costinha, o campeonato seguiu esta noite na Vlia das Aves, casa do anti benfiquista Inácio. Isto, só para contextualizar o nível de dificuldade dos desafios que Bruno Lage tem ultrapassado na Liga. E, mesmo assim, tivemos que ouvir que o Costinha facilitou, que o Inácio não teve hipótese porque o Benfica recorre a doping, e o Sporting levou quatro porque... enfim, alguma coisa ainda se há de inventar sobre o derby. Até agora não lhes ocorreu nada.

A vitória nas Aves foi tão tranquila e natural como monótona e sem emoção. Como todos sabemos, é esta a definição de noite ideal para os benfiquistas. Ganhar sem espinhas nem sobressaltos. 

Seferovic a marcar pelo sétimo jogo seguido, Rafa a fazer um belo golo e Ferro a assinar o seu segundo golo na equipa principal. Depois, viu um vermelho para que ninguém acuse o Benfica de bullying.

Uma das perguntas que mais oiço antes de um jogo como este é: como é que consegues ir numa 2ª feira à Vila das Aves ver o Benfica?
A pergunta é interessante e merece resposta. Mas a questão mais correcta seria porque é que temos de ir à Vila das Aves ver o Benfica para o campeonato numa 2ª feira à noite?

Bem, quem alinha nestas pequenas loucuras sabe que a principal motivação é ver a sua equipa ao vivo. Uma das melhores experiências que se pode ter em vida. De tal maneira boa que depois de experimentar uma vez, o adepto vai querer sempre repetir. 

Depois tem uma aliado fortíssimo na fraca qualidade das transmissões televisivas dos jogos fora do Benfica. As narrações, os comentários, as realizações, a omissão de imagens de adeptos benfiquistas, enfim, um belo incentivo a ir ver o Benfica, seja onde for. 

Quem o faz frequentemente, ver jogos do Benfica fora de casa, rapidamente percebe que o grupo de viajantes é quase sempre o mesmo. Seguindo esse pensamento, para escolher parceiros de viagens, o universo é reduzido. 

Para vos poder explicar isto, escrevo esta crónica pelas 3 da manhã, quando quase todos vocês dormem profundamente, e bem. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, estar presente num jogo desses não significa ter uma vida muito melhor social e financeiramente do que o comum mortal. Só é preciso ter uma motivação: querer muito estar lá. Havendo essa determinação há que tentar mudar o mundo, passe o exagero. Decidir acordar mais cedo para que a manhã renda mais a nível profissional, sacrificar um dia de férias para ir viajar sem receios, explicar em casa que se vai chegar a casa muito depois da meia noite numa 2ª feira, estar mentalmente preparado para passar o resto da semana com sono atrasado destas viagens, acumular trabalho para compensar a ausência de 2ª feira, trocar folgas, trabalhar no fim de semana, abdicar de ir ver um concerto de uma banda apreciada lá em casa, enfim, como se pode ver, tudo opções muito objectivas e sem glamour nem luxo nenhum. Sem sinais de riqueza, sem possibilidade de ser considerada uma grande vida, apenas e só esforço e gestão de tarefas. 

Tudo isto é reduzido a nada quando estamos na bancada a assistir ao golo que Seferovic faz logo a abrir a partida, como que a dizer-nos: faz tudo sentido. 

Claro que há mais recompensas para tanta dedicação. A componente também costuma ser forte. Já que vamos para tão longe num dia improvável, então há que contemplar a gastronomia local. Desta vez, a escolha foi a Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. A habitual simpatia nortenha no atendimento, uma vitela deliciosa e no ponto, depois de umas entradas de enchidos e queijos com broa, e um pão de ló molhado feito de propósito para a nossa sobremesa. Uma refeição que já justificava a viagem.

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Se estiverem por perto, avancem à confiança.

Costuma ser complicado, quando as refeições atingem este nível de excelência, sermos brindados de seguida com um jogo que nos traga tranquilidade e serenidade na conquista dos 3 pontos. Hoje voltou a aconteceu aquele triunfo monótono de que tanto gosto. Um 0-3 natural e sem margem para discussões. 

Tudo a dar sentido ao investimento de tempo e dinheiro, tudo a justificar as mudanças profissionais e familiares. Tem estado a correr bem, no que diz respeito ao futebol do Benfica. Mas quando nada parecia fazer sentido, quando o clube passava anos e anos a adiar a reconquista do seu estatuto, tudo também fazia sentido. Porque o Benfica também são os que o seguem da maneira que podem e da forma que conseguem. 

Que se mantenha esta felicidade até ao final da época e, assim, as noites mal dormidas, as horas passadas nas estradas, o frio do rigoroso inverno do norte, e os olhares desconfiados de quem nos pergunta porquê, tudo é encarado com um sorriso. Um sorriso à Benfica! 

 

 

Portimonense 2 - 0 Benfica: Fim da Retoma

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Começo pelo fim.

Ao contrário do que a imprensa generalista e especializada quer fazer passar, eu não sou nenhum criminoso incendiário. Não bastava o enorme "cabeção" que levava ao sair do estádio com a miserável passagem do Benfica pelo Algarve, ainda tive que atender chamadas e responder a sms que davam conta de uma bancada a arder. Precisamente, aquela onde estive a ver o jogo. Meus amigos, se não sabem distinguir umas tochas acesas no chão entre cadeiras e um incêndio, então não são os adeptos que são incendiários, são vocês todos que são uns idiotas. Os que fazem as notícias, os que as passam e os que as engolem. Se querem preocupações com fogos no Algarve vão fazer alguma coisa pelas vítimas de Monchique e arredores. Cambada de hipócritas.

Ainda na sequencia da negra noite, depois do jogo o único momento bom foi rever e saudar gente boa que é movida pelo Benfica, do sul ao norte, porque o regresso a casa foi um pesadelo de dezenas e dezenas de quilómetros de nevoeiro cerrado pela A2.

Antes do jogo, tudo certo, tudo bem. 

Ir ver o Benfica a Portimão a meio de uma semana de trabalho equivale a fazer esforços e sacrifícios só para vermos a nossa equipa ao vivo. Ao contrário do que a Liga de clubes pensa, o sucesso de um estádio cheio numa gelada 4ª feira à noite não tem nada a ver com a vaidade e soberba que o Pedro Proença mostra em todas as suas intervenções públicas. O estádio de Portimão está cheio APESAR da organização da Liga. APESAR de marcarem os jogos tarde a más horas, APESAR de tratarem os adeptos mal dentro e fora do estádio. Percebam isso, não se vangloriem de um campeonato que deve é um exemplo do que não deve ser uma organização. Basta dizer que saímos de Portimão sem saber datas e horas da próxima deslocação. 

Depois o clube Benfica também tem de perceber que ninguém está ali aquela hora, num dia de trabalho, metendo folgas, férias, adiando compromissos e deixando as famílias para segundo plano, por causa de um dirigente, de um treinador ou de algum jogador. Nada disso. Os que estão ali, estão pelo Benfica. Já foi assim naquela noite fria em que os adeptos quiseram estar no primeiro jogo do ano numa inédita deslocação à Trofa. Curiosamente, o jogo de ontem leva-me precisamente para essa época do Quique Flores, a mesma derrota por 2-0 e o mesmo sentimento de impotência perante uma ideia de jogo falida.

Mesmo sabendo que a equipa joga mais mal que bem, mesmo sabendo que a aposta nesta equipa técnica tem estado por um fio, ou por uma derrota, os adeptos lá estavam. Quem critica no conforto do sofá nunca vai entender o sentimento de quem faz tudo por estar lá. 

O que aconteceu em campo foi o chamado desastre à espera de acontecer. Ontem foi o ponto final da tal retoma que fez de Dezembro um mês vitorioso e que deixou no jogo com o Braga uma clara ilusão imediatamente contrariada em mais um apuramento na Taça da Liga sofrido e envergonhado.

Exibição desastrosa do Benfica. Desfocados, desconcentrados, vencidos e sem soluções externas. 

Não há desculpas para um jogo assim que simbolicamente marca o arranque do ano 2019. Só faço uma ressalva ao Jonas que me pareceu mal expulso. 

De resto, nem há ponta por onde pegar. Uma letargia que se estendeu às bancadas onde até os adeptos pareciam conformados com o triste espectáculo. Parecia que estava tudo à espera de uma noite assim. 

Mas não é bem assim. Nós quando tomamos a decisão de juntar um grupo e viajar de Lisboa ao Algarve, a ideia nunca é voltar com este sentimento de tristeza e depressão. Por isso, é que combinamos encontros e reencontros, nos sentamos à mesa a comer, a beber e a partilhar histórias e opiniões entre várias gerações de benfiquices. Somos sempre muito bem recebidos e tratados no Algarve. Desta vez, o repasto foi em Pêra no pequeno e acolhedor restaurante Boa Onda. Muitos e bons petiscos, variada carne e aguardente de figo. Procurem que vale a pena. 

Depois há momentos de prazer que ninguém nos tira, esplanada com cerveja e aquele sol algarvio que até no inverno parece verão. As conversas sempre à volta do mesmo. Isto ninguém compra, ninguém explica, ninguém troca. 

O resto é um jogo a que estamos sujeitos. Inesperado não foi, desagradável e inaceitável é sempre que o Benfica perde. 

Na viagem para Lisboa vinha a pensar nas coincidências do futebol. O primeiro jogo de Rui Vitória no Benfica foi no Algarve e correu mal. Simbolicamente este último jogo foi na mesma região e o sentimento de azia é igual. 

 

Boavista 0 - 2 Benfica: Foi Você Que Pediu Um Golo de Ferreyra?

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Para começar, perdoem-me o trocadilho do título mas foi o que me lembrei quando vi Ferreyra a festejar no Bessa. Desde o famoso anúncio ao Porto Ferreyra que a pergunta não fazia tanto sentido. Se calhar, os mais novos nem sabem do que se trata. Googlem.

Permitam-me que ande para trás uns dias antes deste sábado.

Porque estamos em pleno verão, porque muitos dos leitores estão ou estiveram de férias, este cenário que vou recuperar deve ser familiar a muitos de vós. Sexta feira, fim de tarde no Algarve. Dia de praia impecável, companhia certa, temperatura amena da límpida água e a simplicidade de estar flutuar do mar tranquilo a olhar de frente para o sol a descer no horizonte e pensar que o momento podia ser eterno. Tudo tão perfeito e tranquilizante que uma pessoa até se interroga: para quê fazer 300 km para Lisboa daqui a pouco e amanhã juntar mais 600 e tal "só" para estar no estádio onde o Benfica joga às 19h? 

É complicado de contextualizar naquele momento tão especial. Mas há uma força interior que nem nos deixa hesitar. Já longe do mar e daquele momento outras emoções se repetem. O Ferreyra ganha uma bola lá do outro lado do campo, atira à baliza e há explosão vermelha à minha volta. Claro que tinha de estar ali.

Voltemos outra vez atrás no tempo. Até 2ª feira. Portimão, 20h15m, o que é que leva um homem a ir de Silves para o Estádio do Portimonense? Fácil, vamos ver o próximo adversário do Benfica na Liga NOS. E o que leva dessa noite? Um pré aviso para os seus companheiros de bancada sobre Helton e Raphael Silva. Eram estes, perguntavam alguns deles hoje na bancada? Sim, estes foram os tais que me impressionaram. Pronto, uma pessoa sente que cumpriu a sua tarefa mesmo que aos olhos de pessoas desinteressadas deste contexto pareça ser uma perda de tempo.

 

Ir ao norte ver o Benfica é uma constante do nosso campeonato. Felizmente, tornou-se um pretexto para encontros gastronómicos com os amigos do costume e caras novas que sempre vão aparecendo. É assim que se estende o benfiquismo. Temo que, desta vez, não venha dar uma grande novidade a nível de local para refeições. O Tourigalo é um clássico da Avenida do Boavista mas eu nunca lá tinha ido. Talvez porque nunca resisto a passar pela Cufra sem parar. 

Mesa marcada, recepção personalizada. E aqui deixem-me fazer um destaque para o muito simpático empregado que me veio cumprimentar para informar que é o pai da Alice Carneiro, uma adepta benfiquista do norte que já este no Uma Semana do Melhor. A partir daí ficámos entregues às iguarias do norte. Vitela, secretos, bacalhau, frango e entradas a condizer, com cerveja que o dia foi quente. Belo repasto, excelente convívio.

 

Depois, é sempre uma maravilhosa sensação subir aquela Avenida e ruas adjacentes e ver o mar vermelho que torna tudo tão familiar mesmo que tão longe da Luz e em plena cidade do Porto.

Já disse e escrevi que um dos locais mais especiais para se ver, sentir e festejar um golo do Benfica é no Estádio do Bessa XXI. Adoro ver futebol ali. Isto apesar do cuidado com a limpeza das cadeiras ser zero, a Liga devia ter vergonha de aprovar estas condições para os adeptos que pagam (e bem) para ver um jogo naquelas condições, e os acessos ao exterior do estádio no final do jogo serem uma vergonha. A Liga que continue a ignorar estas criticas, a Liga que continue a não fazer nada, a Liga que continue a desprezar quem paga e sabe do que fala. 

Voltando à visão maravilhosa que se tem no Bessa, mesmo que atrás de uma baliza. Deu para ver um Benfica sem surpresas no onze à procura de ser feliz e com vontade de não repetir os últimos dois resultados ali. 

Ver o primeiro golo oficial de Ferreyra ao vivo é um privilégio. Ia escrever que não tem preço mas depois a Liga ainda se aproveitava disto para aumentar os preços. A recuperação de bola, a intenção de rematar a bola a entrar mesmo no canto contrário da baliza no fundo das redes laterais. Que momento. E os festejos? Que pausa na vida para tudo começar a fazer sentido. 

Ao intervalo, o 0-1 sabia a pouco. 

A 2ª parte trouxe algum do melhor futebol que esta equipa já tinha mostrado a espaços com o Fenerbahçe na Luz e com o Vitória SC. Só que desta vez com maior amplitude e envolvência. A jogada de Salvio na direita em corrida para dentro a dar a bola no momento certo para Pizzi que já tinha pensado como ia fazer o golo, foi tudo vivido ali bem por cima deles por uma multidão vermelha que antes da bola entrar já festejava, tal a simplicidade, a beleza da jogada e a facilidade da execução. 

Jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há. A frase é tão boa que só podia ser do mestre Johan Cruyff. Eu atrevo-me a acrescentar: e quando um adepto tem a oportunidade de assistir a essa simplicidade a funcionar então o futebol é arte. E quando é a equipa do Benfica a interpretar, o futebol é vida. 

Foi, também, ali que vi aquele golo épico do nosso Jonas a dar-nos 3 pontos. Simplicidade que causou caos festivo. Inesquecível, claro.

Voltemos aqueles momentos de reflexão. E aquele dia de Dezembro em que pensei o que raio ia eu fazer ao Bonfim para ver um jogo da Taça da Liga em que o Benfica já estava afastado? A resposta apareceu no jogo, como sempre. Vi o Rúben Dias marcar o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. 

Rúben, que há um ano estava entrar a titular no Bessa. Rúben, que hoje no final foi à bancada entregar a sua camisola. Parece que passou uma década mas foi só um ano.

Isto vem a propósito de quê? Simples resposta. Hoje vi a estreia oficial do João Félix no Benfica. Daqui a uns anos vou poder puxar deste trunfo. Só não foi mais épica porque Jardel não acertou na baliza de cabeça depois de um passe do menino que entrou como se jogasse naquele nível há anos. Reparem que já nem refiro o prazer que é ver Gedson a crescer de jogo para jogo. Mas tenho de referir que quando vi o miúdo a jogar lembrei-me do gozo que me deu estar na praia e ler o belo trabalho que o Nuno Paralvas, da A Bola, fez sobre o seu passado. Ali tudo fez sentido. Os pontos ligam-se assim.

 

A única derrota fora do Benfica na época passada, para a Liga, foi no Bessa. Se a minha vida fosse influenciada pelas derrotas e o maus momentos do meu clube eu nunca teria estado hoje no Estádio do Boavista a viver emoções tão boas. Nem tinha ido ao Bonfim. Se calhar, ainda estava a banhos no Algarve. Mas ver o Benfica ao vivo não tem comparação com nada. Não é melhor nem pior. Não é mais ou menos importante do que outra coisa qualquer. É, apenas e só, uma dádiva, um privilégio. Felizes aqueles que o podem fazer muitas vezes e que são motivados apenas pelas camisolas vermelhas independentemente dos adversários ou dos estádios. 

Por falar em camisolas, ver o Benfica a jogar de calções pretos e o Boavista a jogar de calções brancos é anti-natura para não dizer outra coisa. Não quero saber de recomendações, regras e modernices. Desde a década de 30 que estes dois clubes se encontram no Bessa para jogos do campeonato, raramente o Benfica terá jogado de calções pretos. Estivemos todos enganados até 2018? Já sei, sou um chato do caraças com estes pormenores. Fico pior quando faço tantos quilómetros, pago tanta despesa, bilhete incluído, e tenho de vir para casa lavar a roupa toda suja das cadeiras que a Liga aprova no recinto que me recebe. Isso não interessa, os calções pretos é que são importantes.

 

Bela exibição do Benfica. 

Já passou. "Reset" e preparar PAOK.

Por um Agosto à Benfica. 

 

PS Houve sandes de leitão para baixo.

Vitória de Setúbal 1 - 2 Benfica: Raul Gozou o Prato!

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 O caro leitor deve estar a estranhar a imagem que ilustra esta crónica. Aviso, desde já, que não está preparado para esta pequena história.

Ora, o que vemos aqui? Este é o cenário que quem está na bancada Superior Sul do Bonfim vê ao olhar de dentro do Estádio para fora. Trata-se de uma igreja que está ali mesmo ao lado. Chamo a atenção para os objectos redondos brancos. São três. 

 

A meio da segunda parte já tinha entrado naquele período desesperado de começar a andar de um lado para o outro na fila mais alta da bancada e pensar a que minuto é que a angústia ia passar. Enquanto os jogadores do Vitória não marcavam um livre vi três pratos de plástico no chão e resolvi pegar neles. O jogo recomeçava e a bola sai de campo com reposição novamente para a equipa da casa. Em sinal de irritação lancei os pratos para fora do estádio sem me preocupar mais com aquele momento. 

Pouco tempo depois um companheiro de bancada chama-me e aponta para os pratos que estavam como a fotografia documenta. Diz ele: já viste como ficaram os pratos? Incrível, dois equilibrados no telhado e um no chão. Sabes o que quer isto dizer? Está feito! Está limpo! Um no chão , dois no telhado, vamos ganhar 1-2! 

Ri-me e voltei a olhar para o relvado na esperança que aquela inesperada macumba tivesse efeito rápido na equipa. Salvio deu um sinal quando se isolou mas finalizou por cima. Até que aparece o penalti. Nervos, muitos nervos, quando Raul parte para a bola. Festa total na bancada com o golo. No meio da euforia quem aparece? o Companheiro com ar deliciado a apontar lá para fora. Eu nem percebi o que era até que ele se aproximou e apontou para os pratos a gritar: Estás a ver?! Eu não disse?!

Há muito tempo que não abraçava assim um companheiro de luta desconhecido até aquele momento. 

 

Ou seja, há toda uma multidão espalhada pelo mundo empenhada em estudar o jogo desenvolvendo teorias sobre estatísticas do jogo, sobre planos científicos de treino, sobre aplicação de estratégias e tácticas para depois vir um gajo de Lisboa para Setúbal lançar uns pratos de plástico na bancada e resolver o jogo. 

Estes delírios colectivos dentro dos 90 minutos que nos movem semana a semana são fabulosos. 

 

Sobre o jogo, deve ser isto a que chamam estrelinha de campeão. Vitória arrancada a ferros numa exibição com pouca inspiração mas muita transpiração. 

O facto de Jonas não ter ido a jogo criou um ambiente de tensão extra ao jogo mesmo antes deste começar. Hoje percebeu-se a tal influencia que Jonas tem na equipa além dos golos. É ele o elo mais forte de ligação entre as dinâmicas da equipa. Sem dúvida nenhuma que faz toda a diferença irmos com o "10" ou não irmos. A equipa ressentiu-se, o jogo atacante nunca saiu fluido, nem natural, nem convincente. 

Ironia das ironias, quem resolve a partida é Raul Jimenez ao empatar com um golo ao segundo poste após cruzamento de Rafa e ao marcar o tal penalti. Não é a mesma coisa jogar com o brasileiro ou o mexicano mas ambos apresentam qualidades muito importantes que nos permitem ganhar jogos. 

Não foi bonito nem entusiasmante? Talvez não mas lembro jogos parecidos em rectas finais de campeonatos que acabaram bem para nós, nomeadamente um jogo na Luz com este mesmo Vitória que também começou com um golo cedo dos sadinos e ia acabando mal com um atraso de Pizzi mal calculado. Tal como hoje, saímos desse jogo esgotados emocionalmente. 

Vitória importantíssima.

Uma nota para o repasto pré jogo. Desta vez, reuniu-se à mesa gente vinda do Minho, do Porto, do Algarve ou de Lisboa. Nem todos se conheciam, novas amizades se fazem e todos unidos por um motivo superior, o Sport Lisboa e Benfica. Grande almoço no restaurante O Miguel em Setúbal. Entradas óptimas, ovas, salada de polvo, queijo, choco. E pratos à altura, nomeadamente os filetes de peixe galo com açorda. Saciou a fome até ao regresso a casa. Uns com viagens mais longas do que outros e apenas com uma certeza, para a semana todos fazemos outra vez o mesmo caminho para ver o Benfica jogar. 

Esta é a força que nenhuma saraivada nem num jota marques conseguirá entender ou obter para os seus lados. É a força única do Benfica que já está imune às azias pós jogo e com foco no próximo.

Feirense 0 - 2 Benfica: Vitamina R de Raul e Rafa

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 Tudo ao contrário mas com final feliz para os campeões. Vou deixar a conversa do medo cénico para outra altura. 

Começo antes pelo mundo ao contrário. Mandaram poucos bilhetes, avisaram que não queriam benfiquistas sem ser na bancada visitante, ordenaram que não se entrasse com adereços do Benfica no estádio (em 2018!), o relvado deu polémica durante a semana. 

Enfim, na semana em que recebem o clube que arrasta a maior multidão em Portugal, o Feirense só levantou problemas. À conta disto, muitos companheiros ficaram a ver o jogo em casa apesar da enorme vontade em seguir viagem para apoiar o Benfica. 

O grupo em que eu ia esteve até à última da hora sem saber se tinha bilhetes para ver o jogo. Só estipulei um limite, não pagar mais para ver o Benfica na Feira do que paguei há um ano em Dortmund. Uma questão de principio. 

Muitos contactos depois acabámos por arranjar entradas para todos. Tudo entre benfiquistas, de benfiquistas para benfiquistas. De tal maneira que acabámos por não dar nem um euro ao Feirense já que entrámos todos com convites. Ou seja, um grupo de cinco adeptos dispostos a pagarem um preço justo para ver mais um jogo do seu clube acabou por ver a bola de borla. O Feirense que tire as suas conclusões.

Além disto, garanto que a bancada central em frente aos bancos de suplentes era quase toda do Benfica como se viu nos golos. 

Podem não gostar, podem não querer, podem achar que vão conseguir mas vão mesmo ter que levar connosco em todo o lado. O apoio nunca falta, custe o que custar. 

 

Outra lição do dia, vocês, feirenses, não gostam de futebol. Gostam de odiar, gostam de outra coisa qualquer mas de futebol não podem gostar. A maneira como trataram o Jonas, o melhor jogador que já pisou o vosso mal tratado relvado nas últimas décadas, diz tudo sobre o respeito que têm pelo jogo. 

 

Nesta última viagem ao norte da época 2017/18 o roteiro gastronómico levou-nos a um restaurante de ambiente familiar perto do centro de Santa Maria da Feira. O espaço chama-se Sabores do Campo, o atendimento é simpático e honesto. Apostámos tudo numa arroz de fumeiro divinal que acompanhou rojões, costeletas e nacos à moda arouquesa. Vinho tinto da casa e branco fresco para acompanhar. Entrada com uma tábua de petiscos bons. 

Sobremesa de queijo da serra, broa e ainda um reforço de tinto, desta vez um Bons Ares.

A deslocação estava ganha. Almoço de qualidade superior e convivio à Benfica.

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Quanto ao jogo, foi uma surpresa agradável a maneira como o Benfica encarou o jogo. A intensidade logo no arranque, a pressão, a procura do golo, empurrar o Feirense para a sua baliza. Sentiu-se sempre que estávamos perto de marcar mesmo que a bola não tenha entrado na baliza na primeira parte. 

Aquela jogada do Rafa pelo meio que acaba com a bola a bater no poste era o prenúncio do que aí vinha na 2ª parte.

Rui Vitória optou por tirar Grimaldo, já com amarelo, e lançar Raul Jimenez com o Feirense com menos um jogador devido a expulsão. A decisão foi a mais acertada e rapidamente Raul mostrou ao que vinha. O Benfica fez o 0-1 e afastou todos os fantasmas de sorte e azar.

O 0-2 foi um golo que Rafa devia a si próprio para carimbar mais uma boa exibição como titular do Benfica.

Foi uma exibição forte e convincente com o Benfica a marcar posição quanto ao seu objectivo.

O apoio foi o de sempre, ver os adeptos azuis a saírem das bancadas antes do jogo acabar deu um gozo muito especial.

Última viagem ao norte carimbada com uma bela vitória e viagem tranquila. Como deviam ser todas. 

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 Continuamos na luta.

Quer gostem ou não. 

 

 

 

 

 

Paços de Ferreira 1 - 3 Benfica: Nem o anti Jogo do Veríssimo Resistiu à Revolta dos Campeões!

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Que jornada épica de benfiquismo. Depois da ida ao Algarve, há duas semanas, regresso às viagens até ao norte do país. 

Comecemos pela parte mais pessoal que é a viagem entre amigos. Saída de Lisboa pelo meio dia e paragem combinada para um almoço de sábado que abria muitas expectativas. Desta vez, o destino foi Palmaz. Antes de Oliveira de Azeméis e pelos caminhos tortos entre árvores junto ao rio Caima. Em Palmaz, a recepção entusiasmada, amigável e carinhosa que as gentes do norte tão bem sabem proporcionar. O restaurante Café Convívio tem uma belíssima vista e uma oferta gastronómica maravilhosa.

O vinho verde à pressão e o tinto da casa, ambos muito eficazes na arte de acompanhar pratos que merecem um lugar de destaque na nossa vida só por existirem. Carne de Vitela do outro mundo, daquela que se desfia quanto cortamos e com um sabor incrível, um polvo à lagareiro dos melhores que já provei e um bacalhau, que confesso envergonhadamente que não cheguei a provar tal foi o tratamento que dei à Vitela e ao polvo. 

Dezenas de benfiquistas à mesa, em Palmaz, distrito de Aveiro, a deliciarem-se com a gastronomia local, a conversarem sobre o que os une nesta vida, gente que vem um pouco de todo o lado, amigos do dia a dia, aqueles que só vemos por causa do Benfica, companheiros que conhecemos por causa destes convívios, outros que são do norte e até um grupo motivado pela despedida de um companheiro que vai ter que abdicar destes dias históricos por força de ir viver para o outro lado do mundo, um grande abraço ao J.M.. 

 (clicar para ver mais)


Com o objectivo de almoço cumprido, a viagem entre Palmaz e Paços de Ferreira fica fácil de fazer. Passa num instante aqueles quilómetros até à Capital do Móvel. 

Chegar cedo, ainda com a luz do dia, ir conviver até ao espaço de restauração junto ao Estádio, na prática falo de uma concentração de roulotes, reencontros com mais benfiquistas, beber umas cervejas, conversar, sentir o nervosismo do jogo a chegar. 

O Estádio Capital do Móvel, para mim será sempre Mata Real, cresceu e modernizou-se bem. Três bancadas cobertas, uma nova e para meu azar, outra de condições precárias que é sempre onde tenho de ficar. 

 

Vamos ao jogo. 

Começou mal. A entrada do Benfica não foi convincente a entrega dos jogadores do Paços estava no nível máximo oposto do que vimos os do Estoril fazer a meio da semana e adivinhou-se logo muitas dificuldades para o Benfica.

Para complicar mais o cenário, o Paços de Ferreira faz um golo construído pelo lado esquerdo da defesa do Benfica, que tem sido o sector mais promissor.

Com o Paços a ganhar, o Benfica a não conseguir impor o seu jogo, com a bola longe da área do Paços começou a apareceu um terceiro elemento no jogo que me surpreendeu pela lata evidenciada.

Quem me lê sabe que raramente perco muito tempo com árbitros. Pois bem, hoje sou obrigado a dedicar um bom trecho a este Veríssimo.

Já me aconteceu sair de estádios com aquela sensação inútil de ter sido prejudicado pela arbitragem. Já aconteceu a todos os adeptos de futebol, acho eu. O que nunca me tinha acontecido foi sentir que estava ali um tipo que, teoricamente, só tinha de ser isento, mas que tirou a noite para gozar com a minha cara. 

Falo do sorriso com que olhava em volta enquanto o Rafael Defendi perdia tempo a bater todo o tipo de bolas paradas, por exemplo. Aliás, o brasileiro acabou o jogo sem ver um cartão amarelo e conseguiu tirar bastante tempo útil de jogo. Por falar nisso, há alguém que tenha acesso ao tempo útil desta partida, quantos minutos houve de futebol na Mata Real? 

O Veríssimo conseguiu amarelar Zivkovic aos 16 minutos mas precisou de mais de uma hora para mostrar um cartão a um jogador do Paços, isto apesar da reincidência faltosas.

O Veríssimo deu um show de bem gozar connosco na 2ª parte. Consegui esquecer-se de levar o spray da marcação de faltas, fez de tratador de relva, arranjando um pedaço na área do Benfica enquanto Varela esperava para bater um pontapé de baliza, chamou um GNR para dentro do relvado, não me lembro de ter visto tal coisa até aqui, andou preocupado a recolher objectos do relvado para depois ir entregar na linha, punha a conversa em dia com os jogadores do Paços enquanto esperávamos um eternidade pela marcação de faltas, dialogava imenso fazendo o jogo estar parado em vez de se preocupar em ter a bola a rolar, mostrou estar perdido em algumas paragens quando já nem sabia como devia recomeçar o jogo, teve problemas com as comunicações, com o apito e com os auriculares. Bolas duvidosas na área do Paços esbracejava logo com vigor abanando a cabeça para ninguém ter ideias de ir ver se houve mão ou não. 

Enfim, como dizia o companheiro R.S. ao meu lado, foi a primeira vez que tivemos direito a um árbitro a fazer anti jogo! Nunca tinha visto tal coisa. Não me esquecerei.

  (clicar para ver mais)

Estou convencido que foi precisamente na atitude do Veríssimo que começou a reviravolta do Benfica. Uma equipa de futebol pode desmoralizar por perceber que não está nos seus dias, por sentir que do outro lado o adversário está intransponível mas nunca fica indiferente ao sentir que estão a gozar com o seu trabalho. E como tudo estava a ser demais começou a sentir-se que era preciso apertar. As duas bancadas nos topos do Estádio estavam pintadas a vermelho e também fizeram o seu papel, empurrar a equipa de uma forma arrepiante. 

Falta só expor a parte que falta nesta miserável jornada de futebol. A atitude dos jogadores do Paços de Ferreira. Nem falo do pobre coitado Micael, que é só um frustrado mal educado e esquecido. Falo da obsessão com que os castores passaram a não querer jogar descobrindo todas as formas possíveis de parar o jogo. Aí ajudados pelos apanha bolas, por imbecis que atiravam bolas para dentro de campo com o jogo a decorrer, mesmo à terceiro mundo, e por um público absolutamente triste, sem identidade e que só está ali disfarçado de adepto do Paços quando na verdade são quase todos portistas fanáticos e anti benfiquistas primários. Daí mostrarem os cinco dedos no final da partida, daí até gritarem Porto, dentro e fora do estádio. Pobre e coitado clube com adeptos sem personalidade nem ligação local. É um passatempo a tentar roubar pontos a um rival, nada mais que isso. Não consigo respeitar um clube com uma alma tão vendida, lamento.

 

O nosso Benfica reagiu à campeão. Estava difícil Jonas fazer o que sabe. Esteve perto mas foi preciso esperar pelo minuto 72 para soltar toda a revolta acumulada. Aliás, não deu para soltar tudo. Foi só um festejo rápido a sentir que o melhor vinha a seguir. 

Todos sentimos na bancada que ia acontecer reviravolta, que depois de mais de uma hora a ficar com o coração mais gelado que os pés, o que é obra derivado daquele frio polar de Paços, chegava o momento do Tetra Campeão explodir com tudo à volta, anti jogo, palhaçadas, verisssimos, e pobres de espírito. O Capitão Luisão deu o mote fora do banco a incentivar o povo que nunca lhes vira costas, Raul já tinha entrado para revolucionar aquele ataque, Sferovic também já lá estava dentro, Jonas estava mortinho para activar aqueles dois vulcões vermelhos atrás das balizas e aos 88', no auge da podridão do anti-jogo abençoado pelo Veríssimo, Seferovic entrega a bola ao Pistolas que dispara e entrega-se a todo um festejo cheio de classe mesmo ali à nossa frente. O vulcão rebentou, o banco explodiu de alegria e correu para os titulares, os antis sentiram a força que os faz odiarem tanto o Benfica, a bancada central começou a ficar despida por gente cabisbaixa que não aguentou sentir a fúria da revolta dos campeões. 

E como o 1-2 fez cair a máscara a duas equipas que só se preocuparam em não jogar ainda houve tempo e espaço para Rafa fechar tudo em delírio com 1-3.

Rafa vem pela nossa esquerda, vira para dentro, está enquadrado com a baliza e antes de rematar oiço um companheiro na bancada já a festejar: "Mereces tanto, Rafa"! Rafa chuta para o meio da baliza e marca. Se isto não vale um dia inteiro na estrada, ficar em pé gelado 90 minutos e ficar sem voz, então nada vale a pena.

Isto é o Benfica. Sei que poucos entendem, entendo que muitos invejem mas ninguém pode achar que consegue parar esta forma de viver só porque não gosta. 

Poucas coisas sabem melhor que aquela sandes de leitão da Área de Serviço da Mealhada no triunfante e cansado regresso a casa. Sim, é preciso pedir um empréstimo bancário para pagar um repasto daqueles ali mas sabe pela vida.

Seguem-se dois jogos na Luz. Façamos a nossa parte.