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Red Pass

Rumo ao 37

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Aves 0 - 3 Benfica: Tudo Parece Fazer Sentido

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Depois dos quatro em Alvalade, terreno de anti benfiquistas, da épica goleada contra a equipa do anti benfiquista Costinha, o campeonato seguiu esta noite na Vlia das Aves, casa do anti benfiquista Inácio. Isto, só para contextualizar o nível de dificuldade dos desafios que Bruno Lage tem ultrapassado na Liga. E, mesmo assim, tivemos que ouvir que o Costinha facilitou, que o Inácio não teve hipótese porque o Benfica recorre a doping, e o Sporting levou quatro porque... enfim, alguma coisa ainda se há de inventar sobre o derby. Até agora não lhes ocorreu nada.

A vitória nas Aves foi tão tranquila e natural como monótona e sem emoção. Como todos sabemos, é esta a definição de noite ideal para os benfiquistas. Ganhar sem espinhas nem sobressaltos. 

Seferovic a marcar pelo sétimo jogo seguido, Rafa a fazer um belo golo e Ferro a assinar o seu segundo golo na equipa principal. Depois, viu um vermelho para que ninguém acuse o Benfica de bullying.

Uma das perguntas que mais oiço antes de um jogo como este é: como é que consegues ir numa 2ª feira à Vila das Aves ver o Benfica?
A pergunta é interessante e merece resposta. Mas a questão mais correcta seria porque é que temos de ir à Vila das Aves ver o Benfica para o campeonato numa 2ª feira à noite?

Bem, quem alinha nestas pequenas loucuras sabe que a principal motivação é ver a sua equipa ao vivo. Uma das melhores experiências que se pode ter em vida. De tal maneira boa que depois de experimentar uma vez, o adepto vai querer sempre repetir. 

Depois tem uma aliado fortíssimo na fraca qualidade das transmissões televisivas dos jogos fora do Benfica. As narrações, os comentários, as realizações, a omissão de imagens de adeptos benfiquistas, enfim, um belo incentivo a ir ver o Benfica, seja onde for. 

Quem o faz frequentemente, ver jogos do Benfica fora de casa, rapidamente percebe que o grupo de viajantes é quase sempre o mesmo. Seguindo esse pensamento, para escolher parceiros de viagens, o universo é reduzido. 

Para vos poder explicar isto, escrevo esta crónica pelas 3 da manhã, quando quase todos vocês dormem profundamente, e bem. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, estar presente num jogo desses não significa ter uma vida muito melhor social e financeiramente do que o comum mortal. Só é preciso ter uma motivação: querer muito estar lá. Havendo essa determinação há que tentar mudar o mundo, passe o exagero. Decidir acordar mais cedo para que a manhã renda mais a nível profissional, sacrificar um dia de férias para ir viajar sem receios, explicar em casa que se vai chegar a casa muito depois da meia noite numa 2ª feira, estar mentalmente preparado para passar o resto da semana com sono atrasado destas viagens, acumular trabalho para compensar a ausência de 2ª feira, trocar folgas, trabalhar no fim de semana, abdicar de ir ver um concerto de uma banda apreciada lá em casa, enfim, como se pode ver, tudo opções muito objectivas e sem glamour nem luxo nenhum. Sem sinais de riqueza, sem possibilidade de ser considerada uma grande vida, apenas e só esforço e gestão de tarefas. 

Tudo isto é reduzido a nada quando estamos na bancada a assistir ao golo que Seferovic faz logo a abrir a partida, como que a dizer-nos: faz tudo sentido. 

Claro que há mais recompensas para tanta dedicação. A componente também costuma ser forte. Já que vamos para tão longe num dia improvável, então há que contemplar a gastronomia local. Desta vez, a escolha foi a Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. A habitual simpatia nortenha no atendimento, uma vitela deliciosa e no ponto, depois de umas entradas de enchidos e queijos com broa, e um pão de ló molhado feito de propósito para a nossa sobremesa. Uma refeição que já justificava a viagem.

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Se estiverem por perto, avancem à confiança.

Costuma ser complicado, quando as refeições atingem este nível de excelência, sermos brindados de seguida com um jogo que nos traga tranquilidade e serenidade na conquista dos 3 pontos. Hoje voltou a aconteceu aquele triunfo monótono de que tanto gosto. Um 0-3 natural e sem margem para discussões. 

Tudo a dar sentido ao investimento de tempo e dinheiro, tudo a justificar as mudanças profissionais e familiares. Tem estado a correr bem, no que diz respeito ao futebol do Benfica. Mas quando nada parecia fazer sentido, quando o clube passava anos e anos a adiar a reconquista do seu estatuto, tudo também fazia sentido. Porque o Benfica também são os que o seguem da maneira que podem e da forma que conseguem. 

Que se mantenha esta felicidade até ao final da época e, assim, as noites mal dormidas, as horas passadas nas estradas, o frio do rigoroso inverno do norte, e os olhares desconfiados de quem nos pergunta porquê, tudo é encarado com um sorriso. Um sorriso à Benfica! 

 

 

Portimonense 2 - 0 Benfica: Fim da Retoma

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Começo pelo fim.

Ao contrário do que a imprensa generalista e especializada quer fazer passar, eu não sou nenhum criminoso incendiário. Não bastava o enorme "cabeção" que levava ao sair do estádio com a miserável passagem do Benfica pelo Algarve, ainda tive que atender chamadas e responder a sms que davam conta de uma bancada a arder. Precisamente, aquela onde estive a ver o jogo. Meus amigos, se não sabem distinguir umas tochas acesas no chão entre cadeiras e um incêndio, então não são os adeptos que são incendiários, são vocês todos que são uns idiotas. Os que fazem as notícias, os que as passam e os que as engolem. Se querem preocupações com fogos no Algarve vão fazer alguma coisa pelas vítimas de Monchique e arredores. Cambada de hipócritas.

Ainda na sequencia da negra noite, depois do jogo o único momento bom foi rever e saudar gente boa que é movida pelo Benfica, do sul ao norte, porque o regresso a casa foi um pesadelo de dezenas e dezenas de quilómetros de nevoeiro cerrado pela A2.

Antes do jogo, tudo certo, tudo bem. 

Ir ver o Benfica a Portimão a meio de uma semana de trabalho equivale a fazer esforços e sacrifícios só para vermos a nossa equipa ao vivo. Ao contrário do que a Liga de clubes pensa, o sucesso de um estádio cheio numa gelada 4ª feira à noite não tem nada a ver com a vaidade e soberba que o Pedro Proença mostra em todas as suas intervenções públicas. O estádio de Portimão está cheio APESAR da organização da Liga. APESAR de marcarem os jogos tarde a más horas, APESAR de tratarem os adeptos mal dentro e fora do estádio. Percebam isso, não se vangloriem de um campeonato que deve é um exemplo do que não deve ser uma organização. Basta dizer que saímos de Portimão sem saber datas e horas da próxima deslocação. 

Depois o clube Benfica também tem de perceber que ninguém está ali aquela hora, num dia de trabalho, metendo folgas, férias, adiando compromissos e deixando as famílias para segundo plano, por causa de um dirigente, de um treinador ou de algum jogador. Nada disso. Os que estão ali, estão pelo Benfica. Já foi assim naquela noite fria em que os adeptos quiseram estar no primeiro jogo do ano numa inédita deslocação à Trofa. Curiosamente, o jogo de ontem leva-me precisamente para essa época do Quique Flores, a mesma derrota por 2-0 e o mesmo sentimento de impotência perante uma ideia de jogo falida.

Mesmo sabendo que a equipa joga mais mal que bem, mesmo sabendo que a aposta nesta equipa técnica tem estado por um fio, ou por uma derrota, os adeptos lá estavam. Quem critica no conforto do sofá nunca vai entender o sentimento de quem faz tudo por estar lá. 

O que aconteceu em campo foi o chamado desastre à espera de acontecer. Ontem foi o ponto final da tal retoma que fez de Dezembro um mês vitorioso e que deixou no jogo com o Braga uma clara ilusão imediatamente contrariada em mais um apuramento na Taça da Liga sofrido e envergonhado.

Exibição desastrosa do Benfica. Desfocados, desconcentrados, vencidos e sem soluções externas. 

Não há desculpas para um jogo assim que simbolicamente marca o arranque do ano 2019. Só faço uma ressalva ao Jonas que me pareceu mal expulso. 

De resto, nem há ponta por onde pegar. Uma letargia que se estendeu às bancadas onde até os adeptos pareciam conformados com o triste espectáculo. Parecia que estava tudo à espera de uma noite assim. 

Mas não é bem assim. Nós quando tomamos a decisão de juntar um grupo e viajar de Lisboa ao Algarve, a ideia nunca é voltar com este sentimento de tristeza e depressão. Por isso, é que combinamos encontros e reencontros, nos sentamos à mesa a comer, a beber e a partilhar histórias e opiniões entre várias gerações de benfiquices. Somos sempre muito bem recebidos e tratados no Algarve. Desta vez, o repasto foi em Pêra no pequeno e acolhedor restaurante Boa Onda. Muitos e bons petiscos, variada carne e aguardente de figo. Procurem que vale a pena. 

Depois há momentos de prazer que ninguém nos tira, esplanada com cerveja e aquele sol algarvio que até no inverno parece verão. As conversas sempre à volta do mesmo. Isto ninguém compra, ninguém explica, ninguém troca. 

O resto é um jogo a que estamos sujeitos. Inesperado não foi, desagradável e inaceitável é sempre que o Benfica perde. 

Na viagem para Lisboa vinha a pensar nas coincidências do futebol. O primeiro jogo de Rui Vitória no Benfica foi no Algarve e correu mal. Simbolicamente este último jogo foi na mesma região e o sentimento de azia é igual. 

 

Boavista 0 - 2 Benfica: Foi Você Que Pediu Um Golo de Ferreyra?

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Para começar, perdoem-me o trocadilho do título mas foi o que me lembrei quando vi Ferreyra a festejar no Bessa. Desde o famoso anúncio ao Porto Ferreyra que a pergunta não fazia tanto sentido. Se calhar, os mais novos nem sabem do que se trata. Googlem.

Permitam-me que ande para trás uns dias antes deste sábado.

Porque estamos em pleno verão, porque muitos dos leitores estão ou estiveram de férias, este cenário que vou recuperar deve ser familiar a muitos de vós. Sexta feira, fim de tarde no Algarve. Dia de praia impecável, companhia certa, temperatura amena da límpida água e a simplicidade de estar flutuar do mar tranquilo a olhar de frente para o sol a descer no horizonte e pensar que o momento podia ser eterno. Tudo tão perfeito e tranquilizante que uma pessoa até se interroga: para quê fazer 300 km para Lisboa daqui a pouco e amanhã juntar mais 600 e tal "só" para estar no estádio onde o Benfica joga às 19h? 

É complicado de contextualizar naquele momento tão especial. Mas há uma força interior que nem nos deixa hesitar. Já longe do mar e daquele momento outras emoções se repetem. O Ferreyra ganha uma bola lá do outro lado do campo, atira à baliza e há explosão vermelha à minha volta. Claro que tinha de estar ali.

Voltemos outra vez atrás no tempo. Até 2ª feira. Portimão, 20h15m, o que é que leva um homem a ir de Silves para o Estádio do Portimonense? Fácil, vamos ver o próximo adversário do Benfica na Liga NOS. E o que leva dessa noite? Um pré aviso para os seus companheiros de bancada sobre Helton e Raphael Silva. Eram estes, perguntavam alguns deles hoje na bancada? Sim, estes foram os tais que me impressionaram. Pronto, uma pessoa sente que cumpriu a sua tarefa mesmo que aos olhos de pessoas desinteressadas deste contexto pareça ser uma perda de tempo.

 

Ir ao norte ver o Benfica é uma constante do nosso campeonato. Felizmente, tornou-se um pretexto para encontros gastronómicos com os amigos do costume e caras novas que sempre vão aparecendo. É assim que se estende o benfiquismo. Temo que, desta vez, não venha dar uma grande novidade a nível de local para refeições. O Tourigalo é um clássico da Avenida do Boavista mas eu nunca lá tinha ido. Talvez porque nunca resisto a passar pela Cufra sem parar. 

Mesa marcada, recepção personalizada. E aqui deixem-me fazer um destaque para o muito simpático empregado que me veio cumprimentar para informar que é o pai da Alice Carneiro, uma adepta benfiquista do norte que já este no Uma Semana do Melhor. A partir daí ficámos entregues às iguarias do norte. Vitela, secretos, bacalhau, frango e entradas a condizer, com cerveja que o dia foi quente. Belo repasto, excelente convívio.

 

Depois, é sempre uma maravilhosa sensação subir aquela Avenida e ruas adjacentes e ver o mar vermelho que torna tudo tão familiar mesmo que tão longe da Luz e em plena cidade do Porto.

Já disse e escrevi que um dos locais mais especiais para se ver, sentir e festejar um golo do Benfica é no Estádio do Bessa XXI. Adoro ver futebol ali. Isto apesar do cuidado com a limpeza das cadeiras ser zero, a Liga devia ter vergonha de aprovar estas condições para os adeptos que pagam (e bem) para ver um jogo naquelas condições, e os acessos ao exterior do estádio no final do jogo serem uma vergonha. A Liga que continue a ignorar estas criticas, a Liga que continue a não fazer nada, a Liga que continue a desprezar quem paga e sabe do que fala. 

Voltando à visão maravilhosa que se tem no Bessa, mesmo que atrás de uma baliza. Deu para ver um Benfica sem surpresas no onze à procura de ser feliz e com vontade de não repetir os últimos dois resultados ali. 

Ver o primeiro golo oficial de Ferreyra ao vivo é um privilégio. Ia escrever que não tem preço mas depois a Liga ainda se aproveitava disto para aumentar os preços. A recuperação de bola, a intenção de rematar a bola a entrar mesmo no canto contrário da baliza no fundo das redes laterais. Que momento. E os festejos? Que pausa na vida para tudo começar a fazer sentido. 

Ao intervalo, o 0-1 sabia a pouco. 

A 2ª parte trouxe algum do melhor futebol que esta equipa já tinha mostrado a espaços com o Fenerbahçe na Luz e com o Vitória SC. Só que desta vez com maior amplitude e envolvência. A jogada de Salvio na direita em corrida para dentro a dar a bola no momento certo para Pizzi que já tinha pensado como ia fazer o golo, foi tudo vivido ali bem por cima deles por uma multidão vermelha que antes da bola entrar já festejava, tal a simplicidade, a beleza da jogada e a facilidade da execução. 

Jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há. A frase é tão boa que só podia ser do mestre Johan Cruyff. Eu atrevo-me a acrescentar: e quando um adepto tem a oportunidade de assistir a essa simplicidade a funcionar então o futebol é arte. E quando é a equipa do Benfica a interpretar, o futebol é vida. 

Foi, também, ali que vi aquele golo épico do nosso Jonas a dar-nos 3 pontos. Simplicidade que causou caos festivo. Inesquecível, claro.

Voltemos aqueles momentos de reflexão. E aquele dia de Dezembro em que pensei o que raio ia eu fazer ao Bonfim para ver um jogo da Taça da Liga em que o Benfica já estava afastado? A resposta apareceu no jogo, como sempre. Vi o Rúben Dias marcar o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. 

Rúben, que há um ano estava entrar a titular no Bessa. Rúben, que hoje no final foi à bancada entregar a sua camisola. Parece que passou uma década mas foi só um ano.

Isto vem a propósito de quê? Simples resposta. Hoje vi a estreia oficial do João Félix no Benfica. Daqui a uns anos vou poder puxar deste trunfo. Só não foi mais épica porque Jardel não acertou na baliza de cabeça depois de um passe do menino que entrou como se jogasse naquele nível há anos. Reparem que já nem refiro o prazer que é ver Gedson a crescer de jogo para jogo. Mas tenho de referir que quando vi o miúdo a jogar lembrei-me do gozo que me deu estar na praia e ler o belo trabalho que o Nuno Paralvas, da A Bola, fez sobre o seu passado. Ali tudo fez sentido. Os pontos ligam-se assim.

 

A única derrota fora do Benfica na época passada, para a Liga, foi no Bessa. Se a minha vida fosse influenciada pelas derrotas e o maus momentos do meu clube eu nunca teria estado hoje no Estádio do Boavista a viver emoções tão boas. Nem tinha ido ao Bonfim. Se calhar, ainda estava a banhos no Algarve. Mas ver o Benfica ao vivo não tem comparação com nada. Não é melhor nem pior. Não é mais ou menos importante do que outra coisa qualquer. É, apenas e só, uma dádiva, um privilégio. Felizes aqueles que o podem fazer muitas vezes e que são motivados apenas pelas camisolas vermelhas independentemente dos adversários ou dos estádios. 

Por falar em camisolas, ver o Benfica a jogar de calções pretos e o Boavista a jogar de calções brancos é anti-natura para não dizer outra coisa. Não quero saber de recomendações, regras e modernices. Desde a década de 30 que estes dois clubes se encontram no Bessa para jogos do campeonato, raramente o Benfica terá jogado de calções pretos. Estivemos todos enganados até 2018? Já sei, sou um chato do caraças com estes pormenores. Fico pior quando faço tantos quilómetros, pago tanta despesa, bilhete incluído, e tenho de vir para casa lavar a roupa toda suja das cadeiras que a Liga aprova no recinto que me recebe. Isso não interessa, os calções pretos é que são importantes.

 

Bela exibição do Benfica. 

Já passou. "Reset" e preparar PAOK.

Por um Agosto à Benfica. 

 

PS Houve sandes de leitão para baixo.

Vitória de Setúbal 1 - 2 Benfica: Raul Gozou o Prato!

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 O caro leitor deve estar a estranhar a imagem que ilustra esta crónica. Aviso, desde já, que não está preparado para esta pequena história.

Ora, o que vemos aqui? Este é o cenário que quem está na bancada Superior Sul do Bonfim vê ao olhar de dentro do Estádio para fora. Trata-se de uma igreja que está ali mesmo ao lado. Chamo a atenção para os objectos redondos brancos. São três. 

 

A meio da segunda parte já tinha entrado naquele período desesperado de começar a andar de um lado para o outro na fila mais alta da bancada e pensar a que minuto é que a angústia ia passar. Enquanto os jogadores do Vitória não marcavam um livre vi três pratos de plástico no chão e resolvi pegar neles. O jogo recomeçava e a bola sai de campo com reposição novamente para a equipa da casa. Em sinal de irritação lancei os pratos para fora do estádio sem me preocupar mais com aquele momento. 

Pouco tempo depois um companheiro de bancada chama-me e aponta para os pratos que estavam como a fotografia documenta. Diz ele: já viste como ficaram os pratos? Incrível, dois equilibrados no telhado e um no chão. Sabes o que quer isto dizer? Está feito! Está limpo! Um no chão , dois no telhado, vamos ganhar 1-2! 

Ri-me e voltei a olhar para o relvado na esperança que aquela inesperada macumba tivesse efeito rápido na equipa. Salvio deu um sinal quando se isolou mas finalizou por cima. Até que aparece o penalti. Nervos, muitos nervos, quando Raul parte para a bola. Festa total na bancada com o golo. No meio da euforia quem aparece? o Companheiro com ar deliciado a apontar lá para fora. Eu nem percebi o que era até que ele se aproximou e apontou para os pratos a gritar: Estás a ver?! Eu não disse?!

Há muito tempo que não abraçava assim um companheiro de luta desconhecido até aquele momento. 

 

Ou seja, há toda uma multidão espalhada pelo mundo empenhada em estudar o jogo desenvolvendo teorias sobre estatísticas do jogo, sobre planos científicos de treino, sobre aplicação de estratégias e tácticas para depois vir um gajo de Lisboa para Setúbal lançar uns pratos de plástico na bancada e resolver o jogo. 

Estes delírios colectivos dentro dos 90 minutos que nos movem semana a semana são fabulosos. 

 

Sobre o jogo, deve ser isto a que chamam estrelinha de campeão. Vitória arrancada a ferros numa exibição com pouca inspiração mas muita transpiração. 

O facto de Jonas não ter ido a jogo criou um ambiente de tensão extra ao jogo mesmo antes deste começar. Hoje percebeu-se a tal influencia que Jonas tem na equipa além dos golos. É ele o elo mais forte de ligação entre as dinâmicas da equipa. Sem dúvida nenhuma que faz toda a diferença irmos com o "10" ou não irmos. A equipa ressentiu-se, o jogo atacante nunca saiu fluido, nem natural, nem convincente. 

Ironia das ironias, quem resolve a partida é Raul Jimenez ao empatar com um golo ao segundo poste após cruzamento de Rafa e ao marcar o tal penalti. Não é a mesma coisa jogar com o brasileiro ou o mexicano mas ambos apresentam qualidades muito importantes que nos permitem ganhar jogos. 

Não foi bonito nem entusiasmante? Talvez não mas lembro jogos parecidos em rectas finais de campeonatos que acabaram bem para nós, nomeadamente um jogo na Luz com este mesmo Vitória que também começou com um golo cedo dos sadinos e ia acabando mal com um atraso de Pizzi mal calculado. Tal como hoje, saímos desse jogo esgotados emocionalmente. 

Vitória importantíssima.

Uma nota para o repasto pré jogo. Desta vez, reuniu-se à mesa gente vinda do Minho, do Porto, do Algarve ou de Lisboa. Nem todos se conheciam, novas amizades se fazem e todos unidos por um motivo superior, o Sport Lisboa e Benfica. Grande almoço no restaurante O Miguel em Setúbal. Entradas óptimas, ovas, salada de polvo, queijo, choco. E pratos à altura, nomeadamente os filetes de peixe galo com açorda. Saciou a fome até ao regresso a casa. Uns com viagens mais longas do que outros e apenas com uma certeza, para a semana todos fazemos outra vez o mesmo caminho para ver o Benfica jogar. 

Esta é a força que nenhuma saraivada nem num jota marques conseguirá entender ou obter para os seus lados. É a força única do Benfica que já está imune às azias pós jogo e com foco no próximo.

Feirense 0 - 2 Benfica: Vitamina R de Raul e Rafa

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 Tudo ao contrário mas com final feliz para os campeões. Vou deixar a conversa do medo cénico para outra altura. 

Começo antes pelo mundo ao contrário. Mandaram poucos bilhetes, avisaram que não queriam benfiquistas sem ser na bancada visitante, ordenaram que não se entrasse com adereços do Benfica no estádio (em 2018!), o relvado deu polémica durante a semana. 

Enfim, na semana em que recebem o clube que arrasta a maior multidão em Portugal, o Feirense só levantou problemas. À conta disto, muitos companheiros ficaram a ver o jogo em casa apesar da enorme vontade em seguir viagem para apoiar o Benfica. 

O grupo em que eu ia esteve até à última da hora sem saber se tinha bilhetes para ver o jogo. Só estipulei um limite, não pagar mais para ver o Benfica na Feira do que paguei há um ano em Dortmund. Uma questão de principio. 

Muitos contactos depois acabámos por arranjar entradas para todos. Tudo entre benfiquistas, de benfiquistas para benfiquistas. De tal maneira que acabámos por não dar nem um euro ao Feirense já que entrámos todos com convites. Ou seja, um grupo de cinco adeptos dispostos a pagarem um preço justo para ver mais um jogo do seu clube acabou por ver a bola de borla. O Feirense que tire as suas conclusões.

Além disto, garanto que a bancada central em frente aos bancos de suplentes era quase toda do Benfica como se viu nos golos. 

Podem não gostar, podem não querer, podem achar que vão conseguir mas vão mesmo ter que levar connosco em todo o lado. O apoio nunca falta, custe o que custar. 

 

Outra lição do dia, vocês, feirenses, não gostam de futebol. Gostam de odiar, gostam de outra coisa qualquer mas de futebol não podem gostar. A maneira como trataram o Jonas, o melhor jogador que já pisou o vosso mal tratado relvado nas últimas décadas, diz tudo sobre o respeito que têm pelo jogo. 

 

Nesta última viagem ao norte da época 2017/18 o roteiro gastronómico levou-nos a um restaurante de ambiente familiar perto do centro de Santa Maria da Feira. O espaço chama-se Sabores do Campo, o atendimento é simpático e honesto. Apostámos tudo numa arroz de fumeiro divinal que acompanhou rojões, costeletas e nacos à moda arouquesa. Vinho tinto da casa e branco fresco para acompanhar. Entrada com uma tábua de petiscos bons. 

Sobremesa de queijo da serra, broa e ainda um reforço de tinto, desta vez um Bons Ares.

A deslocação estava ganha. Almoço de qualidade superior e convivio à Benfica.

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Quanto ao jogo, foi uma surpresa agradável a maneira como o Benfica encarou o jogo. A intensidade logo no arranque, a pressão, a procura do golo, empurrar o Feirense para a sua baliza. Sentiu-se sempre que estávamos perto de marcar mesmo que a bola não tenha entrado na baliza na primeira parte. 

Aquela jogada do Rafa pelo meio que acaba com a bola a bater no poste era o prenúncio do que aí vinha na 2ª parte.

Rui Vitória optou por tirar Grimaldo, já com amarelo, e lançar Raul Jimenez com o Feirense com menos um jogador devido a expulsão. A decisão foi a mais acertada e rapidamente Raul mostrou ao que vinha. O Benfica fez o 0-1 e afastou todos os fantasmas de sorte e azar.

O 0-2 foi um golo que Rafa devia a si próprio para carimbar mais uma boa exibição como titular do Benfica.

Foi uma exibição forte e convincente com o Benfica a marcar posição quanto ao seu objectivo.

O apoio foi o de sempre, ver os adeptos azuis a saírem das bancadas antes do jogo acabar deu um gozo muito especial.

Última viagem ao norte carimbada com uma bela vitória e viagem tranquila. Como deviam ser todas. 

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 Continuamos na luta.

Quer gostem ou não. 

 

 

 

 

 

Paços de Ferreira 1 - 3 Benfica: Nem o anti Jogo do Veríssimo Resistiu à Revolta dos Campeões!

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Que jornada épica de benfiquismo. Depois da ida ao Algarve, há duas semanas, regresso às viagens até ao norte do país. 

Comecemos pela parte mais pessoal que é a viagem entre amigos. Saída de Lisboa pelo meio dia e paragem combinada para um almoço de sábado que abria muitas expectativas. Desta vez, o destino foi Palmaz. Antes de Oliveira de Azeméis e pelos caminhos tortos entre árvores junto ao rio Caima. Em Palmaz, a recepção entusiasmada, amigável e carinhosa que as gentes do norte tão bem sabem proporcionar. O restaurante Café Convívio tem uma belíssima vista e uma oferta gastronómica maravilhosa.

O vinho verde à pressão e o tinto da casa, ambos muito eficazes na arte de acompanhar pratos que merecem um lugar de destaque na nossa vida só por existirem. Carne de Vitela do outro mundo, daquela que se desfia quanto cortamos e com um sabor incrível, um polvo à lagareiro dos melhores que já provei e um bacalhau, que confesso envergonhadamente que não cheguei a provar tal foi o tratamento que dei à Vitela e ao polvo. 

Dezenas de benfiquistas à mesa, em Palmaz, distrito de Aveiro, a deliciarem-se com a gastronomia local, a conversarem sobre o que os une nesta vida, gente que vem um pouco de todo o lado, amigos do dia a dia, aqueles que só vemos por causa do Benfica, companheiros que conhecemos por causa destes convívios, outros que são do norte e até um grupo motivado pela despedida de um companheiro que vai ter que abdicar destes dias históricos por força de ir viver para o outro lado do mundo, um grande abraço ao J.M.. 

 (clicar para ver mais)


Com o objectivo de almoço cumprido, a viagem entre Palmaz e Paços de Ferreira fica fácil de fazer. Passa num instante aqueles quilómetros até à Capital do Móvel. 

Chegar cedo, ainda com a luz do dia, ir conviver até ao espaço de restauração junto ao Estádio, na prática falo de uma concentração de roulotes, reencontros com mais benfiquistas, beber umas cervejas, conversar, sentir o nervosismo do jogo a chegar. 

O Estádio Capital do Móvel, para mim será sempre Mata Real, cresceu e modernizou-se bem. Três bancadas cobertas, uma nova e para meu azar, outra de condições precárias que é sempre onde tenho de ficar. 

 

Vamos ao jogo. 

Começou mal. A entrada do Benfica não foi convincente a entrega dos jogadores do Paços estava no nível máximo oposto do que vimos os do Estoril fazer a meio da semana e adivinhou-se logo muitas dificuldades para o Benfica.

Para complicar mais o cenário, o Paços de Ferreira faz um golo construído pelo lado esquerdo da defesa do Benfica, que tem sido o sector mais promissor.

Com o Paços a ganhar, o Benfica a não conseguir impor o seu jogo, com a bola longe da área do Paços começou a apareceu um terceiro elemento no jogo que me surpreendeu pela lata evidenciada.

Quem me lê sabe que raramente perco muito tempo com árbitros. Pois bem, hoje sou obrigado a dedicar um bom trecho a este Veríssimo.

Já me aconteceu sair de estádios com aquela sensação inútil de ter sido prejudicado pela arbitragem. Já aconteceu a todos os adeptos de futebol, acho eu. O que nunca me tinha acontecido foi sentir que estava ali um tipo que, teoricamente, só tinha de ser isento, mas que tirou a noite para gozar com a minha cara. 

Falo do sorriso com que olhava em volta enquanto o Rafael Defendi perdia tempo a bater todo o tipo de bolas paradas, por exemplo. Aliás, o brasileiro acabou o jogo sem ver um cartão amarelo e conseguiu tirar bastante tempo útil de jogo. Por falar nisso, há alguém que tenha acesso ao tempo útil desta partida, quantos minutos houve de futebol na Mata Real? 

O Veríssimo conseguiu amarelar Zivkovic aos 16 minutos mas precisou de mais de uma hora para mostrar um cartão a um jogador do Paços, isto apesar da reincidência faltosas.

O Veríssimo deu um show de bem gozar connosco na 2ª parte. Consegui esquecer-se de levar o spray da marcação de faltas, fez de tratador de relva, arranjando um pedaço na área do Benfica enquanto Varela esperava para bater um pontapé de baliza, chamou um GNR para dentro do relvado, não me lembro de ter visto tal coisa até aqui, andou preocupado a recolher objectos do relvado para depois ir entregar na linha, punha a conversa em dia com os jogadores do Paços enquanto esperávamos um eternidade pela marcação de faltas, dialogava imenso fazendo o jogo estar parado em vez de se preocupar em ter a bola a rolar, mostrou estar perdido em algumas paragens quando já nem sabia como devia recomeçar o jogo, teve problemas com as comunicações, com o apito e com os auriculares. Bolas duvidosas na área do Paços esbracejava logo com vigor abanando a cabeça para ninguém ter ideias de ir ver se houve mão ou não. 

Enfim, como dizia o companheiro R.S. ao meu lado, foi a primeira vez que tivemos direito a um árbitro a fazer anti jogo! Nunca tinha visto tal coisa. Não me esquecerei.

  (clicar para ver mais)

Estou convencido que foi precisamente na atitude do Veríssimo que começou a reviravolta do Benfica. Uma equipa de futebol pode desmoralizar por perceber que não está nos seus dias, por sentir que do outro lado o adversário está intransponível mas nunca fica indiferente ao sentir que estão a gozar com o seu trabalho. E como tudo estava a ser demais começou a sentir-se que era preciso apertar. As duas bancadas nos topos do Estádio estavam pintadas a vermelho e também fizeram o seu papel, empurrar a equipa de uma forma arrepiante. 

Falta só expor a parte que falta nesta miserável jornada de futebol. A atitude dos jogadores do Paços de Ferreira. Nem falo do pobre coitado Micael, que é só um frustrado mal educado e esquecido. Falo da obsessão com que os castores passaram a não querer jogar descobrindo todas as formas possíveis de parar o jogo. Aí ajudados pelos apanha bolas, por imbecis que atiravam bolas para dentro de campo com o jogo a decorrer, mesmo à terceiro mundo, e por um público absolutamente triste, sem identidade e que só está ali disfarçado de adepto do Paços quando na verdade são quase todos portistas fanáticos e anti benfiquistas primários. Daí mostrarem os cinco dedos no final da partida, daí até gritarem Porto, dentro e fora do estádio. Pobre e coitado clube com adeptos sem personalidade nem ligação local. É um passatempo a tentar roubar pontos a um rival, nada mais que isso. Não consigo respeitar um clube com uma alma tão vendida, lamento.

 

O nosso Benfica reagiu à campeão. Estava difícil Jonas fazer o que sabe. Esteve perto mas foi preciso esperar pelo minuto 72 para soltar toda a revolta acumulada. Aliás, não deu para soltar tudo. Foi só um festejo rápido a sentir que o melhor vinha a seguir. 

Todos sentimos na bancada que ia acontecer reviravolta, que depois de mais de uma hora a ficar com o coração mais gelado que os pés, o que é obra derivado daquele frio polar de Paços, chegava o momento do Tetra Campeão explodir com tudo à volta, anti jogo, palhaçadas, verisssimos, e pobres de espírito. O Capitão Luisão deu o mote fora do banco a incentivar o povo que nunca lhes vira costas, Raul já tinha entrado para revolucionar aquele ataque, Sferovic também já lá estava dentro, Jonas estava mortinho para activar aqueles dois vulcões vermelhos atrás das balizas e aos 88', no auge da podridão do anti-jogo abençoado pelo Veríssimo, Seferovic entrega a bola ao Pistolas que dispara e entrega-se a todo um festejo cheio de classe mesmo ali à nossa frente. O vulcão rebentou, o banco explodiu de alegria e correu para os titulares, os antis sentiram a força que os faz odiarem tanto o Benfica, a bancada central começou a ficar despida por gente cabisbaixa que não aguentou sentir a fúria da revolta dos campeões. 

E como o 1-2 fez cair a máscara a duas equipas que só se preocuparam em não jogar ainda houve tempo e espaço para Rafa fechar tudo em delírio com 1-3.

Rafa vem pela nossa esquerda, vira para dentro, está enquadrado com a baliza e antes de rematar oiço um companheiro na bancada já a festejar: "Mereces tanto, Rafa"! Rafa chuta para o meio da baliza e marca. Se isto não vale um dia inteiro na estrada, ficar em pé gelado 90 minutos e ficar sem voz, então nada vale a pena.

Isto é o Benfica. Sei que poucos entendem, entendo que muitos invejem mas ninguém pode achar que consegue parar esta forma de viver só porque não gosta. 

Poucas coisas sabem melhor que aquela sandes de leitão da Área de Serviço da Mealhada no triunfante e cansado regresso a casa. Sim, é preciso pedir um empréstimo bancário para pagar um repasto daqueles ali mas sabe pela vida.

Seguem-se dois jogos na Luz. Façamos a nossa parte.

 

 

Portimonense 1- 3 Benfica: Campeões Europeus dos 3 Pontos

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 Segunda viagem ao Algarve esta época, coisa rara nas épocas futebolísticas nas últimas décadas. Encontro com benfiquistas do sul que nos encaminharam para uma experiência gastronómica que merece ser destacada a abrir a crónica.

Dizer que não se come bem, a não ser franguinho da Guia, e o atendimento no Algarve não é simpático tem aqui uma forte oposição.

Em Boliqueime existe um restaurante chamado O Lavrador que tem uma decoração bem rústica e com um espaço bem aconchegante com duas lareiras a aquecerem a sala.

O cicerone Luís tem enorme orgulho nos produtos caseiros e serve chouriças, queijo amanteigado e seco, torresmos divinais e outras iguarias que davam logo um belo almoço. Mas são só entradas para abrir apetite ao cabrito em forno de lenha e polvo à lagareiro. Tudo impressionantemente bom. Sobremesas regionais e um medronho do outro mundo.

Tão satisfatório que o bom do Luís propôs colocar a disposição duas carrinhas para nos levar dali ao estádio e trazer de volta após o jogo. E como tudo acabou bem em Portimão voltámos à carga no Lavrador pela madrugada fora. Lulas, javali, costeletas de porco preto. Enfim, um dia inesquecível. Malta do Algarve, em Boliqueime há ouro. Não hesitem.

 

De alma e estômago bem aconchegados e envolvidos no mar vermelho que invadiu o estádio do Portimonense nada melhor que começar o jogo com o golo de Cervi e ficar na frente do marcador. Uma óptima forma de regressar a Portimão tantos anos depois para o campeonato.

Jogo a correr bem mas com o Portimonense a mostrar que não ia ser uma noite descansada.

Na 2ª parte um momento de pânico com a saída de Jonas. Primeiro sinal negativo da noite. Segue-se o golo do empate e de repente o encanto da viagem ao Algarve perde-se nas bancadas.

Por falar em bancadas, vamos lá esclarecer aqui algo que não considero chocante, antes entendo como normal.

O jogo está empatado, a perda de pontos no horizonte e, de repente, umas filas abaixo na bancada onde estou oiço alguém histérico e claramente feliz a gritar: Portugal ganhou o Europeu!

Recordo que faltavam poucos minutos e o Benfica estava a perder pontos.

Se uns minutos antes uma entidade superior me pedisse para escolher entre o Benfica ganhar 3 pontos e Portugal um Europeu de futsal, não havia um segundo de hesitação para escolher os 3 pontos.

Mas isto não é nada contra o futsal, que aproveito para elogiar e salientar o papel dos jogadores do nosso Benfica. É que se me perguntassem se preferia os 3 pontos ou acabar com a fome no mundo, eu preferia ganhar em Portimão, obviamente. Para mim, é esta a ordem lógica da vida.

 

Posto isto, chegou a vitória do Benfica na recta final. Meu querido Cervi, marcou a abrir e cobrou aquele livre directo ali na minha frente em forma de poema e pintura clássica ao mesmo tempo. Que maravilha. E no fim Zivkovic eleva o nosso fim de semana para contornos épicos. Até abriu o apetite apesar do que foi ingerido ao almoço.

Jogo muito complicado, muito boa réplica do Portimonense, campo bem difícil onde os triunfos têm que ser muito trabalhados.

Grande vitória do Benfica. Precisamos de recuperar Jonas e pensar em ganhar ao Boavista porque a nós ninguém nos dá nada. Estamos na luta.

Que o Portimonense se mantenha por cá muitos anos, o Algarve merece jornadas destas.

Braga 1 - 3 Benfica: O Minho é Vermelho e Branco!

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 Olhem bem para esta imagem porque isto é aquilo que a organização do campeonato e o canal de televisão que passa quase todos os jogos da prova não querem que se veja nem que aconteça. Isto é a massa anónima de adeptos do Sport Lisboa e Benfica que enche por completo uma das quatro bancadas da famosa Pedreira. Não é um canto da bancada, atenção. É mesmo a bancada superior toda!
A Sport TV não quer apontar as suas câmeras para a maior invasão anual de adeptos visitantes aquele estádio, não quer mostrar a força inexplicável de milhares e milhares de adeptos que não se importam de sujeitar às condições vergonhosas a que são sujeitos pela organização da prova, à falta de respeito dos responsáveis do clube do Minho, à afronta que é marcar um jogo no inverno que acaba perto das 22h30. São milhares de adeptos juntos que simbolizam o amor incondicional a um clube que suscita inveja e ódio sem par em Portugal e que alheios à maior campanha de difamação que este país já viu, superam todos os contras para mostrar a jogadores e equipa técnica que nunca estarão sozinhos e que nós acreditamos até ao fim neles. Mesmo que tenhamos de ficar mais uma hora num estádio vazio ao frio e massacrados por um sistema de som altíssimo a passar em loop cânticos dos adeptos do Braga. Pelo menos, deu para perceber que no meio do ódio que mostram conseguem adaptar cânticos que os adeptos do Benfica há anos entoam por esse país fora. Até aquele inspirado no Lisboa, Menina e Moça que no Minho faz imenso sentido.

Só para que fique uma ideia da maneira como se tratam os adeptos que pagam para ver um jogo da sua equipa no meio destas condições miseráveis fica a imagem da saída do estádio. Uma bancada inteira a ser encaminhada para duas miseras escadarias numa das pontas da bancada. Miseráveis!

 

Quem manda neste futebol devia reflectir sobre o facto de viver à conta desta paixão irracional de adeptos. É que por cada experiência destas, são mais os adeptos que prometem não voltar os pés na Pedreira do que aqueles que dizem ir buscar mais companhia para a próxima vez.

No meu grupo, por exemplo, já levei um benfiquista contrariado de Lisboa para Braga. Já tinha prometido nunca mais lá voltar devido a experiências anteriores. E eu sei que ele é que está certo. E voltou a viver momentos que dão razão à recusa em não voltar ali. Apesar disso tudo, fui eu que desafiei o lado irracional. Tinha um convite irrecusável há meses para almoçar na tarde do jogo com gente que muito estimo e que vive no norte do país. Desde que foi agendado o jogo para este fim de semana fomos moldando este almoço e convocando mais benfiquistas.

Não tenham dúvidas que é isto que mexe com a multidão vermelha, o Benfiquismo! A Liga de Clubes, a Sport TV, e todos os agentes que vivem à volta do nosso futebol não entendem a sorte que é ter uma multidão destas sempre pronta para comparecer onde o Benfica for jogar. Só tinham de estimar isso e não estragar. Mas, infelizmente, já perceberam que podem fazer tudo para estragar a experiência que a malta não desiste.

 

 

Lá fomos, um grupo de quatro benfiquistas, de Lisboa para Barcelos rumo a um almoço que se revelou inesquecível. Sem querer entrar em pormenores nem maçar os leitores, deixo a sugestão para uma experiência diferente ao nível gastronómico minhoto. Por norma, costumo deixar dicas de locais com preços simpáticos e comida boa em quantidade e qualidade. Desta vez, o conceito é mais requintado. Um espaço muito bonito com vista para Barcelos, uma decoração impecável e um conceito gastronómico que vai do melhor que os pratos da região oferecem para uma apresentação arrojada e elaborada. Entradas excelentes, pratos variados e óptimos, desde carne maturada a arroz de tamboril e uma sobremesas inesquecíveis. Vale a visita em ambiente familiar ou em turismo. Aliás, é esse o nome do espaço, Turismo Restaurante Lounge. Digam ao Jorginho que vão daqui. A todos que partilharam esta mesa, um grande abraço de agradecimento por mais uma bela tarde de benfiquismo.

 

E só por isto já estava justificada viagem ao Minho. Obviamente, o convívio foi óptimo mas o motivo principal não nos deixava fazer a digestão como deve ser. Havia um jogo muito complicado para ganhar e era o resultado que ia determinar a disposição da viagem de volta.

 

O Benfica em Braga confirmou tudo o que tenho vindo aqui a escrever em jogos para o campeonato nos últimos meses. A equipa entrou bem e desinibida, como no Dragão, focada e determinada em vencer, como no derby, e mostrou qualidade e processos bem definidos no seu jogo que resultou em golos e na vitória como em Tondela ou Moreira de Cónegos. Este Benfica luta pelo título, por muito que nos queiram chamar bonecos, por muito que insistam que só ganhamos com esquemas. Mais uma vez, três golos sem espinhas que resultam de uma qualidade atacante superior, três golos bonitos sem a ajuda de ninguém. Um lance duvidoso de vídeo árbitro que, obviamente, voltou a não dar em nada. Mais um penalti para juntar à enorme lista de perdões.

 

Quando me perguntam como é que ainda tenho paciência para passar um sábado na estrada e não ficam convencidos com a resposta básica de ser por benfiquismo, por amizades com benfiquistas, então tenho uma boa imagem para vocês. Estar na bancada a ver o Jonas começar uma jogada dando a bola para a direita, ver o André Almeida a correr e a preparar um cruzamento para área, fixar o olhar na bola, ao mesmo tempo desviar o foco para ver que Jonas já lá está pronto para cabecear e viver o momento em que a bola sai da cabeça de Jonas para o fundo da baliza. São 5 segundos? Serão 3 segundos? Não sei, são instantes que ficam cravados na memória para sempre e que suscitam um sentimento que não encontra igual em mais nenhuma ocasião da vida. Um golo belíssimo do Benfica vivido no estádio, longe de casa, a horas do nosso local de conforto. Maravilhoso. Enquanto formos sentindo isto não há organização da Liga que nos feche em casa, não há transmissões da Sport TV que disfarcem a nossa paixão. Não há inveja nem ódio neste país que nos faça desviar um milímetro da paixão e do orgulho imenso que temos em sermos Benfica!

É isto que eles não entendem, é isto que os motiva a viver para acabarem connosco.

Lamento, mas vão ter que levar com o mar vermelho até ao fim.

Para terminar, a viagem de regresso é dura mas há sempre aquela sandes de leitão para nos motivar até casa. O Benfica não se explica, vive-se.

 

Porto 0 - 0 Benfica: Vivos!

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 Para quem ia sair do Dragão a 8 pontos e desmoralizado para o resto do campeonato não está nada mal seguir para a segunda semana de Dezembro a 3 pontos da liderança e com a passagem pelo Porto concluída.

Este constante desprezo pela equipa de futebol do Benfica tem sido o grande defeito dos nossos adversários. Quer dizer, também tem sido usado pelos próprios benfiquistas nos últimos três anos mas aí até é útil porque aumenta sempre a exigência. Tem sido sempre de trás para a frente, a luta do Benfica no campeonato nos últimos anos e mesmo assim acham constantemente que estamos mortos.

 

Mas quero começar por algo superior a tudo o que aqui vamos falar. Este foi o primeiro clássico sem o grande Zé Pedro a torcer por nós. Não vou aqui repetir elogios (merecidos e unânimes) nem contar histórias mais pessoais. Apenas recordar o que o amigo Nuno Calado, da Antena 3 e amigo de longa data do Zé Pedro, ontem me lembrou por sms quando eu ia a caminho do Porto: O nosso clube é tão grande que sempre que os Xutos & Pontapés actuaram nos intervalos dos jogos no Estádio da Luz deixavam o Kalu vestir a camisola do Porto.

Esta era a grande força do Zé Pedro, conseguia ser benfiquista sem melindrar ninguém que fosse seu fã. E tinha o mesmo bom gosto futebolístico que mostrou na música. Um dos maiores que nos vai fazer muita falta.

Este ponto também foi para ti na esperança de te podermos dedicar algo maior em Maio.

 

Posto isto, passo para um pedido muito especial para a nossa querida Liga de Clubes. Olhem lá, eu pago um lugar cativo no meu estádio que dá acesso a todos os jogos da vossa competição na minha casa. O cartão tem o nome que inspira a existência deste blogue. Mas o que eu quero mesmo a partir de hoje é saber quanto custa e como posso arranjar o bilhete que este companheiro, cheio de futebol com talento, adquiriu:

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 É que isto de sair da bancada directamente para o banco do adversário e fazer parte do espectáculo é outra dimensão! Que categoria, invade, empurra, agride e sai escoltado perante os sorrisos dos companheiros de bancada. Se não for pedir muito, alguém pode explicar o que deveria acontecer na teoria numa campeonato profissional quando um adepto do clube da casa entra no relvado e agride jogadores do clube adversário? Há leis para isto? Está previsto no regulamento ou é só mais um delicioso momento terceiro mundista do nosso futebol? Aguardo com muito interesse.

 

Por falar em leis e castigos. Então, o que para aí vai de análises isentas à arbitragem! Um treinador que acha que devia ter dado 5-1 e especialistas que viram tanta coisa.

Ora, não consigo ter a certeza absoluta que o Luisão fez penalti, no golo "anulado" vejo uma falta sobre o Grimaldo, do Jardel também não vi nada que desse penalti. Acho que é isto que se agita por aí, certo?

Agora, o que levei com carinho do Dragão foi a proeza do Porto acabar com um cartão amarelo no total do jogo. Um! E por simulação do Otávio.

Já o Zivkovic levou um amarelo assim que entrou por estar em pé e a respirar em frente à bola. Isto para logo depois fazer uma falta, repito, uma falta, e foi para a rua. Brilhante!
É aqui que chamo a esta prosa uma figura simbólica deste nosso futebol. O central Felipe. Vamos todos ver a repetição daquela entrada do defesa portista sobre Jonas aos 12 minutos. Estamos todos sintonizados? Pronto, então estamos de acordo que Jorge Sousa esteve bem em não lhe mostrar o cartão amarelo. É que aquela entrada é para expulsão. O árbitro até esteve bem ao não mostrar o amarelo. "Só" faltou mostrar o respectivo vermelho. E Isto seria aos 12 minutos de jogo. Assim, o Porto não ficou em desvantagem numérica e ainda pôde continuar a beneficiar da classe e magia de Felipe, que até um jogador do Benfica no chão pisou, e que conseguiu acabar sem ver um único cartão. Não é para todos. O Zivkovic que o diga.

 

Voltemos à manhã do clássico.

Então o jornal A Bola e Record resolveram entrar no espírito natalício e lembraram-se que o futebol pode ser um lugar engraçado de rivalidades sãs? Fiquei emocionado com aquela foto de dois jovens adeptos, cada um com a camisola do seu clube a olhar para o estádio e a frase "divirtam-se". Tão emocionado que nem abri os jornais ontem.

É preciso não ter mesmo vergonha nenhuma na cara para fazerem capas tão hipócritas. Os mesmos jornais que se alimentam de lixo e difundem as teorias das conspirações de figuras sinistras ligadas a um clube que já aceitou perder pontos por corrupção, ganhando na mesma títulos, e por outras figuras, ainda mais lunáticas, de clubes que nada ganham e inventam campeonatos conquistados no calor do verão. Dão palco, dão voz, submetem-se às suas agendas, espalham as suas mentiras, os seus ódios desmedidos, as suas invejas, as suas raivas incontidas em páginas e páginas de jornais, em linhas e linhas dos sites online na busca selvagem de pageviews, ajudam a conspurcar todo um ambiente que se tornou absolutamente irrespirável para aqueles que só gostam de futebol. Mas no dia clássico tomem lá umas capas todas giras, cheias de fair play e muito preocupadas com o futebol.

Assumam-se! Deixem de ser hipócritas. Deixem de fazer de nós otários. Os jornais, as televisões e os sites online só querem a podridão em movimento para aumentar audiências.

 

Olhem, da próxima vez façam-se à vida, sejam homenzinhos, saiam do casulo e venham connosco numa maravilhosa viagem atrás da nossa paixão num feriado para apoiar a nossa equipa num jogo vergonhosamente marcado para depois das 20h que nos obriga a regressar para junto das nossas preocupadas famílias depois das 4 da manhã.

Venham connosco mas não é de microfone, gravador ou cameras afiadas. Não venham em busca de mais uma reportagem hipócrita sobre "claques" ou grupos organizados. Nada disso. Entrem connosco num carro a seguir ao almoço no estádio da Luz. Façam a viagem Lisboa - Porto, e já agora preparem-se para partilhar despesas de gasolina e portagens, vão ver que é um rombo engraçado nas finanças. Venham sentir a adrenalina de entrar na cidade do Porto em dia de clássico enquanto ligam para casa a dizer que está tudo bem e começam a pensar onde é que vão estacionar o carro. E o que acontece se alguém embirrar com a matrícula do carro ser de um stand de Lisboa. Ou se houver o azar de alguém reconhecer uma cara que até aparece na BTV com regularidade. Ah, e perceber que para ir a um jogo da sua equipa deve vestir todas as cores menos aquela que identifica o seu clube. E depois ir a pé à volta do estádio e sentir o clima de ódio enquanto percebem que as capas que fizerem são mais fictícias que os volumes do Harry Potter. Caminharem até ao sector visitante em passo largo sem ceder aos cânticos insultuosos.

Depois, serem revistados como se estivessem a entrar nos Estados Unidos da América vindos do México. Várias vezes. E esperarem ao frio duas horas para subir umas escadas e entrar no estádio. No final terem de ficar mais uma hora após o fim do jogo à espera de sair. E voltar a pé até à Estação da Campanhã. Entretanto, irem ligando a companheiros que viram o jogo noutros sectores e sairam após o jogo para nos irem buscar perto da estação em segurança. Venham sentir isto tudo e vão ver se da próxima vez há vontade para brincarem às capas de realidade virtual.

 

Desta vez o roteiro gastronómico resume-se a uma paragem na estação de serviço da Mealhada. Sandes de Leitão, pastel de bacalhau, uma imperial, umas batatas fritas de pacote, um café e um pastel de Vouzela. Deu vontade de usar o visa e pagar aquela pequena fortuna em dez meses mas soube pela vida.

 

Afinal, que amor é este que mexe com mais de três mil adeptos que não hesitam em largar tudo para passarem um dia num comboio, ou de carro como já vimos, para apoiar uma equipa que todos dizem estar acabada, sem rumo, sem chama e sem hipóteses de ganhar? Serão estes milhares de adeptos que estão enganados? Serão eles que não percebem nada de futebol e contrastam com os sábios que poluem jornais e televisões com teorias do Apocalipse?

Pode parecer estranho mas esta forma de vida é a única solução para manter intacto o amor pelo clube e pelo futebol. Temos a vantagem de ver o jogo todo tal como ele é e não o jogo que a realização da Sport TV quer mostrar. Temos a vantagem de cantarmos juntos apenas e só pelo clube que amamos em vez de passarmos o jogo todo a insultar rivais. A propósito, quando é que a Liga do futebol com talento resolve ter a coragem de punir seriamente os clubes que nos seus estádios têm como "hino oficial" de cânticos o famoso SLB, FDP, SLB. Ou fingem que não ouvem? Ou não vos incomoda? Ou faz parte de uma espécie de cânticos com talentos. Sempre que se brindar o adversário com algo como FDP devia dar castigo, digo eu.

Passar por isto tudo para estar ali no estádio com a nossa equipa tem mais vantagens. Não ouvir os disparates que se dizem durante a transmissão televisiva, não levar com mil repetições e mais teorias da conspiração e, acima de tudo, no final do jogo ficar longe do circo que logo se instala para falar de tudo menos do jogo, menos de futebol. Bem melhor estar ali ao frio a conversar entre nós e a pensar que dia 17 há uma saída com muito potencial gastronómico a Tondela.

 

E quando é que nos sentimos recompensados? É quando a nossa equipa entra no Dragão com uma personalidade, atitude e um futebol de posse digno de um tetra campeão. A primeira parte do Benfica no Dragão foi à campeão. É isso que nos move. É isto que exigimos, uma atitude que bata certo com a nossa, ir ali com tudo, sem receios e com personalidade. Dentro e fora de campo. Não esquecer que aos 12' devíamos ter ficado em vantagem numérica e aí o jogo era outro.

Elogiar a postura do Benfica, o jogo superior de Varela, dos dois centrais, de Fejsa e, especialmente de Krovinovic. Então se o croata faz aquele golo, que José Sá negou, era a coroação total de um jogador que começa a apontar para uma presença num Mundial que vai ter um prometedor Argentina-Croácia.

Não gostei tanto de Pizzi, e esperava mais de Jonas. Mas o facto do brasileiro não se ter desmanchado todo aos 12' já foi positivo. Aquele aperto que o Porto deu no jogo pelo minuto 60 era aquilo que eu esperava desde o começo da partida, afinal jogavam contra o maior inimigo da sua existência, perante a sua gente na sua casa. Só a partir dali deram um sinal de força. No entanto, o falhanço do Marega, ao melhor estilo do seu bom aliado de guerra, Ruiz, foi a demonstração de falta de eficácia deste Porto. Já ali passei noites bem piores. Esta até foi relativamente tranquila.

Resultado menos mau para o Benfica, falhanço do Porto em fugir na tabela classificativa e muito sangue para os vampiros que esvaziam o futebol com as suas análises laterais, secundárias, desnecessárias e dramáticas para sobreviverem.

Quanto a nós, 3ª ainda há uma noite europeia e foco na recepção ao Estoril.

 

 

 

Vitória de Guimarães 1 - 3 Benfica: Minho Vermelho

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 Os sinais positivos da noite de Manchester foram aproveitados pelo treinador do Benfica para lançar uma equipa dentro da linha do que foi pensado para a noite europeia. Isto é, manteve-se a aposta em três jogadores no meio campo para o Benfica jogar num 4-3-3.

A nível individual também houve surpresas, desde logo com a inclusão de Filip Krovinović com Pizzi e Fejsa na linha média, mantendo as apostas em Salvo e Diogo Gonçalves na alas e com Jonas na frente.

Atrás, o regresso de Luísão ao centro da defesa, Eliseu e André nas alas.

 

Se há estádio, tirando os dos rivais directos, em que dá gozo ir apoiar o Benfica, em que sabe melhor festejar cada golo do Benfica, em que se sente um ambiente próprio dos grandes jogos, é o estádio D. Afonso Henriques.

Quando Jonas colocou o Benfica em vantagem aos 22 minutos a bancada atrás daquela baliza entrou em ebulição. O Benfica chegava à vantagem e estava bem no jogo.

Só que o Vitória respondeu com qualidade e o ambiente no estádio é incrível, aquela gente não desanima com um golo sofrido. Aliás, no começo da 2ª parte a força vinda das bancadas empurrou a equipa de Guimarães para um bom período no jogo, a fazer lembrar a espaços a exibição em Aveiro na Supertaça.

Mas o Benfica manteve a tranquilidade e ia tentando responder com ataques rápidos. Rui Vitória meteu Samaris na partida e a substituição foi muito acertada. O grego aos 76' faz o 0-2 para logo a seguir Salvio fazer o 0-3.

 

 

 

Mesmo assim o Vitória não desistiu, nem dentro, nem fora de campo e acabou por reduzir para 1-3. Só não ficou a um golo de distância porque Tallo desperdiçou um penalti mesmo a fechar a partida.

Boa vitória do Benfica no Minho num campo sempre complicado e ainda com um bónus dos vizinhos minhotos terem ido pontuar a Alvalade. Bela jornada.

 

Do ponto de vista pessoal, foi mais uma viagem ao norte com direito a almoço. Como isto anda tudo ligado fomos onde tínhamos acabado na última saída da Luz. Voltámos à Vila das Aves para almoçar arroz de pica no chão com o famoso vinho Boca Aberta. A simpatia e atendimento do costume, um almoço de domingo a mais de 300 km de casa mas... em casa. Sobremesa resgatada em Santo Tirso na Confeitaria Moura por um dos nossos. Limonetes e Jesuítas de grande qualidade. Tudo em forma para um grande noite de futebol.

Ganhar é sempre bom mas em Guimarães é especial.