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Red Pass

Rumo ao 38

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Santa Clara 1 - 2 Benfica: Abençoada Criança Que Aí Vem!

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Há jogos que se tornam complicados de ver e comentar. Este foi um deles. Demasiada expectativa pessoal para esta viagem aos Açores acabou em frustração antes do jogo  que aumentou depois de vista a primeira parte. 

Uma rápida contextualização pré jogo para explicar que já tinha a logística toda tratada desde Julho, viagens marcadas, bilhete garantido, alojamento pago, tudo devidamente programado. Motivos de força maior a nível profissional fizeram abortar a missão São Miguel. Seria o regresso à Ilha depois de uns dias de férias bem passados no verão. A vida é mesmo assim. 

O pior de todo o cenário foi ter de ver pela primeira vez na televisão um jogo do Benfica em competição interna. É uma sensação horrível ficar entregue à realização e aos comentários alheios. 

 

O Benfica tinha o desafio de pegar no campeonato no ponto em que o tinha deixado, ou seja, depois de uma boa exibição com o Rio Ave na Luz há uma semana. Faltava saber se a derrota europeia ia atrapalhar o bom momento interno. 

A resposta foi assustadora. O Benfica deve ter feito a pior primeira parte de um jogo na Liga com Bruno Lage. Não querendo ser injusto, nem personalizar o quadro, é impossível esquecer a prestação de Gabriel no primeiro tempo. Que festival de asneiras! Além da péssima exibição, o Benfica ainda encaixou um golo que colocava o Santa Clara na frente ao intervalo. 

 

Estava eu a passar os piores 15 minutos de que me lembro nos últimos tempos a meio de um jogo do Benfica, quando Bruno Lage resolvia calmamente o problema no balneário levando o desafio para o campo mental e motivacional. Pediu uma vitória aos seus jogadores para celebrar o facto de saber que vai ser novamente pai. Muitos parabéns, Mister. Que criança mais abençoada que aí vem. Foi uma saída original e certeira porque, parece-me, que isto hoje não ia lá com palestras tácticas nem correcções posicionais. Às vezes a vida pode ser muito simples, portanto um jogo de futebol também. Chegar a um balneário desinspirado e dizer algo como: "Pá, que raio de jogo é este? Logo agora que vou se pai pela segunda vez e vocês estão a complicar isto? Vamos lá, pessoal, ofereçam-me a 14ª vitória seguida fora da Luz!" (isto sou eu a imaginar a palestra)

E pronto, só tinham de fazer o mesmo que fizeram em Moreira de Cónegos, virar o jogo na 2ª parte só que mais cedo e sem levar ninguém ao limite dos nervos, coisa que eu agradeço. Pizzi lá terá pensado que tinha de assistir e marcar pela 5ª vez esta época e os jogadores entraram decididos a somar a 8ª vitória seguida na Liga.

 

Entrou Vinicius para o lado de Seferovic, saiu Florentino e Chiquinho recuou para perto de Gabriel. Mais tarde entrou Taarabt para o lugar de Cervi. Foram estas as mudanças práticas na equipa. 

Aos 54' Vinicius empatava o jogo a passe de Pizzi e aos 78' Pizzi revirava o resultado assistido por Seferovic. Depois daquela primeira parte parecia um milagre. Festejos merecidos dos muitos milhares de benfiquistas nas bancadas.

Como o Benfica venceu vou guardar um espaço carinhoso para a equipa de arbitragem. É que, na verdade, o maior milagre foi ter havido forças para a remontada num jogo apitado por Artur Soares Dias e um VAR ao mesmo nível. 

Tão impressionante como o número de passes falhados por Gabriel na primeira parte, foi a decisão de Soares e do VAR a ignorarem o penalti sobre Cervi. Tão evidente que até na Sport TV os comentadores confirmaram! Por falar em Sport TV, impressionante como depois de um penalti destes o directo de São Miguel acabe com a rápida que explicação de que hoje não ia haver Juízo Final devido a problemas técnicos. Sensacional! 

 

A 10ª vitória do Benfica em 11 jornadas da Liga NOS 2019/20 foi sofrida e em enorme esforço. Quando o filho de Bruno Lage nascer cá estaremos para lhe agradecer. 

O Santa Clara tem que continuar na primeira divisão, aquela Ilha e a sua gente merece! 

 

Benfica 4 - 1 Santa Clara: Ao Benfica o que é do Benfica!

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Após o último jogo do campeonato, entre abraços e cumprimentos, várias vezes me lembraram que agora iria ter a crónica mais complicada para escrever. Compreendo a expectativa pela responsabilidade que é estar à altura deste feito do Benfica mas acabei por chegar à conclusão que é uma ideia errada. 

Em seis anos, esta é a quinta vez que me sento tranquilamente com o sentido do dever cumprido e começo a escrever uma prosa sobre um campeonato ganho pelo Benfica. Quinta vez em seis anos é de uma grandeza brutal. Isto leva-me aquele pensamento que várias vezes repito ao longo da época, a maravilhosa monotonia da felicidade. Tudo o que eu quero na minha vida é esta reconfortante sensação que o universo está alinhado e equilibrado com o Benfica a cumprir o seu destino. º

Comecemos pelo jogo. Era preciso levar o desafio com o Santa Clara de maneira muito séria e concentrada. Depois dos sustos com o Braga e com o Portimonense, depois do emocionante jogo em Vila do Conde, eu só pedia uma partida sem incertezas no resultado e de sentido único. Curiosamente, o resultado foi muito melhor do que a exibição. Aos 39' já se festejava o título com o 3-0. A facilidade com que o Benfica rematou quatro vezes à baliza de Marco Rocha e fez três golos afastou em definitivo todo e qualquer cenário menos esperado e indesejado.

Chegar ao intervalo com um sentimento de campeão, felicitar a equipa feminina de futebol do Benfica pela conquista da Taça de Portugal, olhar à volta e ver a felicidade estampada no rosto dos benfiquistas pelas bancadas da Luz fez com que este intervalo tenha sido o mais rápido da época. 

Segunda parte, 3-0, o tempo a correr a nosso favor, esperar 11' pelo bis de Seferovic e ter a certeza que o helvético ganha a bola de prata. Uma tranquilidade que contrasta com o ambiente electrizante do estádio.

Começar a passear pela bancada, abraçar um a um amigos e amigas, companheiros de longa data ou outros mais recentes, sim porque o segredo do benfiquismo é o constante abrir de portas nas nossas vidas a novas caras que se ligam a nós pelo amor que temos pelo clube. 

Os minutos a passarem e o olhar para o relvado já não transmite ao cérebro as nuances tácticas das equipas, as marcações individuais ou as curiosidades do jogo, antes serve para um desfile de imagens que vou recuperando desde Agosto. As viagens por esse país fora com diferentes carros, diferentes condutores, diferentes companheiros. Os inesquecíveis repastos, as maravilhosas horas de tertúlias, os encontros e reencontros com benfiquistas que vivem longe da Luz, a sul e a norte. As histórias partilhadas, o que partilhamos, o que aprendemos, as horas nas auto-estradas deste país, o pesadelo que foi aquele regresso de Portimão, o impulso de ir a Aves numa 2ª feira, o festejo do golo do Ferreyra no Bessa, as épicas vitórias nos terrenos de quem mais nos odeia. Que viagem que foi este 37.

E nisto, o Santa Clara marca por César que não festeja. Foi simbólico. Serviu para me chamar de volta à realidade e para termos um termo de comparação entre um rapaz que o Benfica transformou em jogador do Real e o simpático César, um central esquecido mas que, por mérito próprio, se fez notar como mais um jogador agradecido e respeitador. O outro é que é a excepção que confirma a regra. A regra que pôde ser testemunhada no pós jogo com o desfile de ex jogadores do Benfica que quiseram dar os parabéns. Tantos e tão bons. Que bem trabalhado o Benfica nos últimos anos no sentido de ser servido por óptimos jogadores e por estes ficarem ligados ao clube sentimentalmente.

Terminar a Liga com uma vitória natural de 4-1 é uma excelente amostra do que foi este Benfica desde a entrada de Bruno Lage. Ele que, primeiro, reconquistou os adeptos de uma forma inédita. Explicando o seu jogo, a passagem para o 4-4-2, a aposta nos miúdos que conhecia da B, mais o Taarabt, em vez de atacar o mercado de inverno. Mostrando um futebol atraente de pressão alta, de atracção ofensiva e com uma veia goleadora à Benfica. Um verdadeiro conto de fadas que culminou neste dia 18 de Maio em festa exuberante.

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Foi preciso recorrer a crimes organizados de informática, expondo de maneira inédita a vida privada e empresarial do Benfica, perante a euforia da comunicação social que elevou à condição de heróis fracas figuras como esse Jota Marques, para abanarem o universo benfiquista. Foram dois anos em que todos os dias tivemos que ouvir falar em mails, vouchers, malas, toupeiras e muitas outras coisas que nada se parecem com futebol. Ia tudo preso, o Benfica descia de divisão, ia perder campeonatos passados, íamos descobrir que o Benfica era uma fraude desde os tempos do Cosme Damião. As noites deste país passaram a ter como desporto nacional a militância do ódio anti benfiquista. De tudo valeu para se estragar todo o ambiente à volta do futebol em Portugal. Todos os complexados deste país unidos a uma só voz gritando que o Benfica tem de acabar. Perdeu-se um título e todos eles rejubilaram, mesmo os que não ganham um campeonato há quase duas décadas. Tentaram dividir a nação benfiquista. E quando o Benfica estava no final das suas forças, a sete pontos do líder, aparece um inesperado homem do leme que, com a bênção presidencial, resgatou o orgulho, o amor próprio, a honra, a ambição, a mística e o amor incondicional pelo clube em todos os adeptos. 

Depois de todo este quadro negro e de pesadelo, depois de assistirmos a inacreditáveis decisões de arbitragem que levaram a um avanço tão confortável que o rival chegou a prometer ir festejar o título nos Açores, depois de nos sentirmos impotentes perante tamanho ataque o que é aconteceu? O Benfica reapareceu forte e jogo a jogo recuperou tudo o que lhe pertencia. O Benfica acaba campeão quando acharam que tinha morrido. O único Jota deste país que decide e lidera a opinião pública é o Jota Félix!  O miúdo foi um dos rostos da revolta e da revolução do Benfica. E Acabou no Marquês com mais de meio milhão de benfiquistas. Com uma festa que foi reproduzida um pouco por todo o mundo.

Quando eu escrevi aqui depois da última Taça de Portugal ganha para os benfiquistas não caírem na tentação de desprezar conquistas, nem se acomodarem de mais, ninguém levou a sério. Agora perceberam que é um erro. TODAS as conquistas são para se festejar a sério. Ninguém nos dá nada. Ninguém nos quer felizes. Mas nós todos juntos temos uma força de vontade e de mobilização única no mundo e, por isso, este campeonato também foi ganho na rotunda da Luz a receber o autocarro ou no Seixal na despedida da equipa ou em Gaia no Hotel onde o Benfica fica, ou na chegada a Braga ou nos Arcos, em Vila do Conde. E nos estádio de norte a sul e na Luz. Porque este gigante quando se empolga é imbatível. Marca mais de 100 golos na Liga, fabrica bolas de prata, reis de assistências e deixa a Europa louca com mais uma mão cheia de putos imunes ao ódio e à inveja que caracteriza este país. Por isto é que o Benfica é maior que Portugal. Por isto é que o Benfica é maior que as nossas vidas.

A festa rebentou, o povo anda sorridente na rua envergando orgulhosamente roupa e adereços do Glorioso, o povo está ainda mais orgulhoso do seu Benfica depois de tudo o que fizeram de mal ao clube.

Este título é muito importante, vale mais do que só o 37. Esta reconquista deixa-nos mais perto do 38 e dá um forte aval à ideia que foi lançada nos últimos anos, um Benfica forte com atletas da sua formação, com jogadores que já são referências no clube e à procura de reforços pontuais que acrescentem qualidade inquestionável para novos desafios e mais conquistas.

O 37 já cá está. Temos muitas semanas pela frente para o celebrar como merece ser celebrado mas todos já com o olhar focado no horizonte para o 38. Rumo às quatro estrelas por cima do nosso emblema. Está perto. Vai acontecer.

Tão bom ser do Sport Lisboa e Benfica. 

 

Santa Clara 0 - 2 Benfica: Regresso Triunfante aos Açores

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Desde 2002 que o Benfica não jogava nos Açores para o campeonato. Esteve lá em 2009 num jogo amigável que na altura deu o que falar porque era o arranque daquele Benfica entusiasmante de Jorge Jesus mas era um encontro particular.

Este regresso não foi um jogo normal de rotina da Liga. O resultado foi normal, exibição tranquila, triunfo sem contestação. Até deu a ideia que o resultado podia ter sido mais robusto e a exibição mais exuberante. 

Só não foi uma vitória rotineira porque o Benfica vive dias de interrogações à volta da sua equipa de futebol. Este foi o segundo jogo de Bruno Lage que tem aproveitado bem a oportunidade para mostrar as suas ideias, apontar o dedo às fragilidades da equipa e em vez de se pôr em bicos de pés com os resultados positivos prefere ser frontal e directo lembrando que a equipa tem o dever de reconquistar os sócios do Benfica e de trabalhar muito para atingir melhores níveis de qualidade de jogo. 

Aliás, é Bruno Lage quem faz a grande notícia à volta da situação actual do Benfica quando diz na conferencia de imprensa que o 4-4-2 é sistema para ficar. 

Para este jogo optou por dar mais presença no corredor central com a surpreendente entrada de Gabriel, Pizzi foi para a direita onde Salvio ainda não mostrou o suficiente para recuperar o lugar. Zivkovic foi a jogo no lugar de Cervi e manteve a dupla atacante. 

Muita pressão na saída de bola adversário, mais posse de bola, jogadores mais juntos e mais presença na área adversária. Parecem princípios básicos mas precisam de trabalho e dedicação por parte dos jogadores.

O Benfica fez o 0-1 por Seferovic e só não foi para o intervalo a ganhar por mais porque o VAR resolveu estragar uma boa decisão do árbitro que considerou penalti sobre Pizzi. O VAR cá está sempre para atrapalhar uns e ajudar outros. Não houve penalti mas houve expulsou para o Santa Clara. 

Na 2ª parte o Benfica entrou muito bem e fez o 0-2 de maneira natural, Jardel de cabeça num canto. Depois, a equipa falhou várias vezes a hipótese de construir uma goleada.

O objectivo principal foi cumprido, terminar a 1ª volta com uma vitória, subir mais um lugar na tabela e continuar a vencer.

Com estas duas vitórias fica a ideia que a mudança técnica no Benfica pode ser de prazo maior e o lugar provisório de Bruno Lage pode ser estendido para a 2ª volta do campeonato. A leitura é sempre subjectiva, se estes dois jogos não tivessem rendido 6 pontos agora estava-se a especular quem seria o treinador escolhido para vir para a Luz. Assim, a solução pode estar encontrada. Com todos os riscos que vitórias contra adversários como Rio Ave e Santa Clara possam vir.

Aguardemos pelo jogo da Taça de Portugal da próxima semana para termos uma ideia mais clara do futuro imediato do Benfica.