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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 0 - 2 Bayern: Toda Uma Aborrecida Realidade

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Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. 

Pessoas que continuam a insistir com casamentos e baptizados no mês de Setembro que estragam a minha folha de presenças seguidas na Luz para ver jogos oficiais do Benfica. Sim, voltou a acontecer. Em 2011 faltei a um Benfica - Vitória SC, em 2013 não apareci num Benfica - Paços de Ferreira e no passado sábado estive ausente no Benfica - Rio Ave. Casamentos e baptizados envolvendo pessoas que muito estimo, familiares e amigos. Ocasiões únicas que obrigam a abrir uma dolorosa excepção no ritual pessoal de ver todos os jogos oficiais do Benfica em casa desde a década de 80. Portanto, Não me lembro do último jogo que perdi em casa para a Taça de Portugal, se aconteceu foi há muitos anos mesmo, não perco um jogo para o campeonato na Luz desde esse baptizado de 2013 e na Taça da Liga a contagem voltou a zeros no sábado. Por isso, não houve crónica. Fica aqui a explicação.

 

Pus-me a pensar há quanto tempo não perco um jogo europeu do Benfica na Luz. Não me lembro de falhar uma noite europeia na Luz. Felizmente, não há muitas celebrações de casamentos ou baptizados a meio da semana. 

Posto isto, percebe-se a motivação e a alegria com que voltei à Luz para o terceiro jogo europeu na Luz da época. O primeiro na fase de grupos da Liga dos Campeões. Este estado de espírito tem tudo a ver com expectativas. Dos três jogos que já fizemos nesta prova, este foi o que encarei de maneira mais tranquila e despreocupada. Eu queria era chegar a esta noite. Andámos a sofrer com PAOK e Fenerbahçe para podermos receber equipas como o Bayern. 

 

Voltando a pegar na frase que abre o texto. Estamos em 2018 e na semana em que estreia a mais espectacular prova de clubes do mundo, Portugal teve a menor audiência televisiva à volta da competição. De repente, o país percebeu que não ia ver o Liverpool, Inter, PSG, Tottenham, Barcelona, Real nem o Benfica. À boa maneira portuguesa, estalou a "guerra" nas redes sociais. Quem se indigna por não ter acesso à Nowo e, por isso, não poder ver o jogo na sua televisão da maneira mais tradicional é acusado de adorar a Sport TV. Quem defende que é preciso estar a par das técnicas de airplay, instalação de Apps, uso de cabos de rede, e afins, é acusado de estar feito com a Eleven Sports que, por sua vez, é acusada de se estar nas tintas para os clientes, especialmente as gerações mais velhas, e encher os seus quadros com profissionais do Porto Canal. 

Tudo isto está exposto publicamente nas redes sociais. A grande conclusão de tudo isto, sem eu querer apontar culpas a ninguém, nem fazer juízos de valor, é que em 2018 é bastante complicado ter acesso às transmissões dos jogos da melhor competição de futebol de clubes do mundo e se quisermos ver resumos somos contemplados com um trabalho que, aqui aponto mesmo o dedo ao péssimo serviço, a TVi nos serve com um programa de rescaldo da Champions League absolutamente ofensivo para quem gosta de futebol. Ao que se junta uns resumos da Eleven Sports sem a qualidade mínima para serem apresentados ao público. 

Como é que é possível andar tão para trás?

 

Para preparar o jogo com o Bayern fui ver com atenção os três últimos jogos deles na Bundesliga. Ora, como o campeonato alemão também passou para a Eleven Sports não consegui ver nenhum deles em directo e para os recuperar tive que procurar meios alternativos. Ao contrário do que possam pensar, eu pago para poder aceder a jogos completos, mesmo que gravados, resumos ou só golos. Invisto mensalmente no acesso ao site instatscout.com e não tenho problema em assumir que mais depressa vou continuar a ser cliente deles do que vou dar dinheiro por um serviço que me promete um Inter - Tottenham e não o transmite de inicio ou que me garante que dá o Benfica - Bayern na Youth League e depois apresenta motivos alheios para não dar. Lamento mas, para já, ficamos assim. 

 

A facilidade com que podemos estudar e preparar a visita do Bayern à Luz dá-nos o conforto de nos sentarmos na cadeira do estádio olhar para a equipa adversária e conhecer bem todos os jogadores do outro lado sem recorrer a cábulas e identificar a forma de jogar logo nos primeiros minutos. Só que esse conforto dá lugar a um sentimento de desespero assim que percebemos que o facto de sabermos tudo sobre eles não quer dizer que possamos evitar que sejam superiores. A forma como o Bayern sai da pressão perto da sua baliza para subir no terreno de maneira natural até servir Lewandowski, que num gesto genial se enquadra para marcar facilmente o golo, é desesperante. Já vimos aquilo antes, ainda o polaco está a puxar o pé atrás já sabemos que vai ser golo e no entanto não estamos a ver como evitar que aquilo tudo volte a acontecer. E voltou. 

 

Há que dizer que o Bayern até surpreendeu com o seu "11" na Luz. Fez seis trocas de jogadores em relação ao último jogo. Último jogo que foi a contar para o campeonato, enquanto que por cá tivemos uma bizarra jornada da Taça da Liga, coisa única entre as melhores Ligas da Europa. Problemas de calendário que eu nunca vou entender. 

Aqui, Niko Kovač, novo treinador do Bayern, que já tinha sido feliz na Luz no Croácia - Inglaterra do Euro 2004, acertou em cheio na gestão da equipa. Destaque para a estreia de Renato Sanches a titular. Ganhou uma nova vida, o puto, ganhou mais uma estrela, a equipa. E, sem ter culpa nenhuma, despoletou mais uma polémica interminável de medição de benfiquismo entre benfiquistas. 

Lá está, vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol quando no rescaldo de um jogo com o Bayern o tema é a reacção da Luz ao golo do Renato.

Da minha parte estou muito tranquilo com isto. Nem é preciso chegar ao Rui Costa. Basta relembrar o que escrevi aqui em 2012 quando a Luz recebe com uma ovação o Nuno Gomes vindo do banco do Braga e que ajudou os minhotos a chegarem ao 1-1 de imediato. Também fiz o mesmo reparo quando Iniesta foi a jogo na Luz. Aplaudir, reconhecer a qualidade, retribuir o carinho ou demonstrar apoio a um dos nossos, tudo bem. Mas sempre depois de terminado o jogo. Durante aqueles 90 minutos nada é mais importante que o Benfica. Nem jogadores, nem treinadores, nem casamentos, nem baptizados, mesmo que me tirem do meu lugar. Mas isto é apenas a minha opinião, a minha maneira de ser e a minha forma de pensar e a minha postura no Benfica. Não vou obrigar ninguém a ser como eu, nem é essa a minha ideia. Mas tenho direito a partilhar, explicar e divulgar o meu pensamento.

Voltando ao golo do Renato. Fiquei contente por ele de uma forma racional. Só que no momento estou em modo irracional. Quero um golo é na baliza do Bayern e até podia ser o Renato a marcar que até me dava mais jeito e aí, sim, aplaudia. Sendo que o puto fez o 0-2 para o Bayern não aplaudi. Observei a reacção do miúdo e do estádio. Sinceramente, não me chocou. Nem o facto dele não festejar, nem a espontaneidade dos aplausos. Eu não sou assim mas acho que o Renato merece muito este carinho por tudo o que nos deu, por tudo o que lhe fizeram de mal e pelo ano difícil que passou, onde foi dado como acabado. 

 

Ainda recorrendo ao arquivo do blogue, eu já expliquei uma vez como vivo estas noites contra estes gigantes da Europa. Na noite em que Messi trocou de camisola com o seu ídolo Aimar, do Benfica, eu escrevi algo que continua a ser válido hoje. A minha coerência futebolística ajusta-se nestas noites. O que pensava em 2012 ainda penso hoje. Acho que estas noites contra equipas como o Bayern são para desfrutar. Mais do que para julgar um treinador, uma equipa, um plantel, são para apreciar. Vamos sempre com a ilusão que aconteça uma noite monumental para a nossa equipa a coincidir com uma noite infeliz do adversário. É essa a magia do futebol. Mas sabemos que se tudo correr dentro da lógica o resultado vai ser negativo. Foi o que aconteceu hoje. Tal como em 2012. Felizmente, a história do Benfica está carregada de noites épicas e lendárias em que o nosso clube se agigantou dentro, e fora, do relvado. Já aconteceu muitas vezes desde os anos 50, por isso é que temos duas Taças dos Campeões no nosso Museu, por isso é que temos presenças em tantas finais europeias, por isso é que estes gigantes nos tratam com tanto respeito antes e depois dos jogos. Vai voltar a acontecer, claro. Esta não foi uma dessas noites. O Bayern é melhor. Se tudo correr bem há de mostrar a sua força nos outros cinco jogos e se o Benfica cumprir a sua parte, continuará na Europa depois de Dezembro. 

Este primeiro jogo foi para apreciar. O próximo tem que ser para vencer na Grécia.
Quando ganhámos ao Manchester United e Liverpool com jogadores como grande Beto em campo, não passámos a ser a melhor equipa de futebol da Europa, apesar da nação benfiquista ter ficado, e bem, em euforia descontrolada. Assim como quando perdemos com o Bayern e Barcelona na Luz por 0-2 não passamos a ser um lixo no contexto das provas da UEFA. Nós somos o Benfica e isso chega-nos. Ou devia chegar, já não sei. Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. É esta a nossa aborrecida realidade. 

 

 

Racismo em Portugal? Só Por 500€

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Quando se soube da ida de Renato Sanches para a Alemanha escrevi aqui que este país não o merecia.

O Benfica foi tricampeão, o Renato ainda foi campeão europeu, seguiu para a Alemanha e nós cá ficámos a lidar com o futebol nacional.

Enquanto o Renato vestiu a camisola do Benfica ficou claro por palavras e actos que existe racismo no futebol português. Tanta gente ligada ao Sporting que mostrou a sua veia racista, alguém esqueceu aquela sugestão de doping e outras que tais? Alguem castigou quem difamou daquela maneira o miúdo? Ninguém se lembra disto agora, não é?

Um ano depois discute-se que o futebol português não é assim tão mau. Não há racismo, o Benfica inventou ataques ao Renato, a justiça é rápida e convincente e sai esta maravilhosa multa ao Rio Ave.

Um ano depois  ?!

E o preço de ser racista em estádios ronda os 500€ ?!

Nem é preciso aprofundar, esta notícia sobre o castigo ao Rio Ave fala por si mesma.

Racismo em Portugal? Nem pensar.

Castigos rápidos para uns e demoradíssimos para outros? Não! Quem são os loucos que pensam isso?!

Abraço, Renato!

 

 

Vai, Puto! Este País Não Te Merece

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Um puto que soube suportar a mais triste campanha de racismo e bullying em que lhe chamaram arruaceiro, caceteiro, em que pediram suspensões por supostas entradas assassinas, em que sugeriram que era mais velho do que o seu cartão de cidadão mostra, em que chegaram a levantar suspeitas de doping.

Isto durante dias, semanas e meses seguidos. Perante o silêncio de jornalistas e observadores que se entretinham em dar eco aos dementes e a levantar todas as suspeitas.

Um puto que aguentou tudo isto de sorriso na cara e a dar tudo no máximo pelo seu clube e pelos seus adeptos.
Um puto que só mostrou desgaste num acto irreflectido no último jogo, uma falha que lhe ia valendo o rótulo de novo Carlos Martins.
Um puto que os experts em futebol dizem não ser certo no meio campo da Selecção Nacional no Euro de França.
Um puto maravilhoso, um de nós que ajudou a endireitar o Benfica na luta pelo tão sonhado Tri.
Que saia campeão, merece mais do que ninguém.
Que seja muito feliz num dos melhores clubes do mundo no campeonato mais bem organizado da Europa, o meu preferido.
Hoje tenho mais uma razão para torcer pelo Bayern, hoje a Bundesliga fica ainda mais encantadora.
Renato, serás sempre um dos nossos.

Este país não te merece. Quem tanto te insultou vai continuar a ser reles, tu vais jogar num colosso do mundo do futebol. És o primeiro português a vestir a camisola do campeão Bayern. 

Obrigado e boa sorte.

 

 

 

Renato Sanches no Bayern Munique

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É oficial, Renato Sanches vai jogar no Bayern de Munique na próxima época. Assinou um contrato de cinco anos, os alemães pagam 35 milhões de euros.

 

A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, em cumprimento do disposto no artigo 248º do Código dos Valores Mobiliários, informa que chegou a acordo com o Bayern Munique para a transferência a título definitivo dos direitos desportivos do atleta Renato Júnior Luz Sanches, pelo montante de € 35.000.000 (trinta e cinco milhões de euros). Mais se informa que no acordo estão previstos valores adicionais, num montante global de € 45.000.000 (quarenta e cinco milhões de euros), dependentes da concretização de objetivos contratualizados e a ocorrerem até 30 de junho de 2021.

Não é Racismo, É Idiotice

 

Isto

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e isto

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não é racismo. É idiotice. 

No caso dos adeptos do Rio Ave é só perguntar o que é que o Renato é a menos que o Wakaso.

No segundo caso é só a cereja em cima de um bolo que tem sido cozinhado desde que Renato assumiu a titularidade no Benfica. Bolo que é servido em generosas fatias aos blogues verdes que espalham a cretinice à volta do miúdo em semanas consecutivas e intermináveis.

Espero que estejam todos orgulhosos.

Se esta época não servir para mais nada, pelo menos, revelou de que laia são feitos aqueles seres verdes.

 

 

 

 

O Renato é o Benfica, o Benfica é o Renato

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Sabíamos que esta época ia ser um tempo de mudança no futebol do Benfica. Nova liderança no banco, e uma maior aposta na prata da casa. Chegados que estamos à recta final da temporada já é possível identificarmos uma das maiores realidades reveladas nesta época 2015/16, o Renato simboliza o futebol do Benfica, dentro e fora de campo.

 

Apesar das primeiras apostas terem sido Nelson Semedo e Gonçalo Guedes, as grandes revelações até estavam guardadas mais para a frente. Na baliza Ederson mostra estar à altura das responsabilidades, Lindelof surpreendeu pela facilidade com que se impôs no centro da defesa e Renato Sanches ascendeu num ápice a figura central deste novo Benfica.

Pelo caminho ficaram Vítor Andrade, a rodar em Guimarães e Clésio Baúque, transferido para o clube grego Panetolikos.

Apesar da boa conta que a maior parte dos miúdos tem dado, é preciso ter ciente que Júlio César, Luisão ou Lisandro, por exemplo, são titulares em circunstancias normais. O que fica é a valorização imediata de jovens que mostravam ter potencial e passaram a ser verdadeiras opções para os vários lugares. Esta é uma novidade do Benfica desta temporada, tem dado bons resultados e empolgado os adeptos.

 

Não será exagero dizer que Renato concentra em si todas as atenções. A forma como entrou na equipa já com o campeonato bem lançado, a maneira como se impôs no meio campo e a rapidez com que se tornou uma referencia imprescindível no sistema de jogo do Benfica é algo muito raro, não só no futebol do Benfica como no jogo de uma maneira global.

 

Ainda no outro dia víamos o Renato a dinamitar a defesa do Galatasaray na Youth League e agora olhamos para ele,  orgulhosos, na equipa principal de Portugal. Uma ascensão merecida, justificada e acarinhada.

 

Houve o cuidado de proteger o miúdo na primeira parte do campeonato, ir preparando o seu lançamento entre os maiores e depois acompanhar da melhor maneira a sua "explosão".

 

Neste momento, Renato é destacado pelos mais importantes observadores do futebol internacional sendo escolhido para estar entre os melhores médios da Champions League, está na Selecção A com naturalidade, é titular indiscutível do Benfica. Está a fazer uma época incrível, inesperada e surpreendente.

O mesmo podemos dizer do Benfica. Vai entrar em Abril na liderança da Liga, entre as 8 melhores equipas da Champions League e ainda a defender o título na Taça da Liga. Isto depois de uma pré época tensa e uma primeira parte de temporada acidentada é uma autentica proeza que poucos estavam à espera.

O futebol do Benfica escolheu o seu caminho e tem lutado por ele de forma convincente, os benfiquistas estão cada vez mais unidos à volta da sua equipa querendo fazer parte de um grupo que pode ficar na história.

 

Fora de campo também há semelhanças entre Renato e o Benfica. Desde o começo da época que o Benfica se vê envolvido numa guerra sem limites com o "novo" rival na luta pelo título. Nem o Porto nos seus tempos áureos de terrorismo mediático movido a fina ironia foi tão longe como o que se tem visto e ouvido por parte do Sporting esta temporada.

Tem sido uma loucura descontrolada dos rostos mais conhecidos e com maiores responsabilidades num clube que se dizia diferente e liderado por cavalheiros. Tudo o que foi vomitado ao longo de meses desde o verão é bem conhecido e continua a ser veiculado. No meio de tanta verborreia houve um espalhanço, que pode ter sido fatal, por parte do treinador verde ao ultrapassar todos os limites no tratamento com Rui Vitória. Desde aí que os novos hooligans venerados pela imprensa nacional tentam acertar o passo e minimizar estragos.

 

Se dúvidas houvessem quanto à falta de escrúpulos e limites por parte daquela gente, ficaram todas dissipadas quando o novo nível de ataque foi centralizado no nosso Renato. Lá está, o Renato é o Benfica 2016, por isso é preciso "matá-lo".

Já que os vouchers, as teorias dos cérebros e afins não estavam a resultar, montou-se uma campanha, com pré aviso de bomba e tudo, contra Renato Sanches. O impensável aconteceu.

Se Jesus foi mesmo longe demais quando ofendeu Vitória, agora é a vez de responsáveis do clube, dirigentes, doutores e índios se atirarem sem dó a um puto!

O que se tem dito e insinuado sobre as origens humildes de Renato, sobre os seus pais, sobre a sua vida é algo inédito e explicativo de quão baixo se pode ir na ânsia cega de ver um "All in" tresloucado funcionar e dar um título ao fim de anos e anos de seca. Vale tudo. Mas mesmo tudo.

 

Como aquela teoria, pós trauma de derby ,em que se tentou transformar o nosso miúdo num carniceiro,  por causa de uma jogada com um jogador derrotado, não deu em nada passou-se para um outro nível de suspeita.

O que tenho lido e ouvido sobre Renato Sanches pela parte de sportinguistas conhecidos ou anónimos provoca-me náuseas. Nada que espante e que vem na sequencia do que tem sido esta nova liderança pautada pela raiva, inveja e ódio visceral a um só clube, o Benfica.

Neste novo figurino assanhado e ordinário, o Sporting esqueceu-se do que significa a coerência. Um conceito que já nada diz para aqueles lados.

Como é possível que um clube que passa a vida a apresentar "brunos paulistas" tendo como cenário dois miúdos formados no clube e que se auto promove como melhor academia de formação do mundo, se dê à vergonha de atacar um jovem futebolista com o talento do Renato só porque é do Benfica?

 

O clube que se aproveita de forma ridícula da fama das bolas de ouro que Cristiano Ronaldo e Figo ganharam lutando arduamente em clubes estrangeiros, miúdos que nada ganharam a nível individual a jogar pelo Sporting, é o mesmo clube que não tem o menor pudor em tentar "matar" a carreira de um jovem acabado de chegar ao nível mais alto enquanto jogador do Benfica. O único clube português que viu um jogador com a sua camisola ganhar uma bola de ouro, acrescente-se.

 

E a imprensa acha isto tudo normal dando eco a estas alarvidades sem se indignar, e a FPF recebe o nosso Renato de braços abertos sem fazer um único reparo aos ataques vergonhosos conhecidos publicamente. É tudo normal. Viva a hipocrisia.

 

Assim como o Benfica atingiu o ponto alto da sua temporada este mês, ao chegar ao 1º lugar da Liga e aos 1/4 de final da Champions, também Renato brilha no mais alto patamar da sua curtíssima carreira entre os maiores estreando-se na Selecção.

O que deveria ser um momento inesquecível e sem contestação aconteceu no meio da triste exibição de Portugal contra a Bulgária. O minuto em que um puto invade o relvado para dar um emocionante abraço ao Renato foi das imagens mais bonitas que o futebol tem para nos dar. Um puto que se está nas tintas para o lixo publicado sobre o registo de Renato e um jogador que correspondeu com todo o carinho mostrando que é só um miúdo feliz com o que está a viver.

Infelizmente, este quadro não chegou para fazer esquecer tanta atrocidade publicada sobre Sanches. Foi só mais um pretexto para nova investida. O invasor foi comprado, o abraço foi programado, o momento foi encenado. Isto foi sugerido, isto foi defendido publicamente para que todos possamos ler. Isto já não tem volta, não há retorno. É alucinar até ao fim.

E não há um, um só, representante daquele clube enlouquecido que diga basta. Até o João Mário, o único que tem o meu respeito neste caso, foi criticado por grande parte dos seus adeptos quando mostrou alguma sanidade mental em público.

 

O Benfica é o Renato, o Renato é o Benfica.

O Benfica se chegar ao fim da época com o objectivo do Tri conquistado vai olhar para trás e sorrir com os seus seguidores, o Renato se chegar ao fim da época campeão e no Euro vai continuar a mostrar aquele sorriso ingénuo e desarmante.

Se a época não acabar com os objectivos alcançados e voltarmos a ter que sofrer como no arranque da temporada, então o clube terá sempre o apoio dos seus adeptos e o Renato Sanches terá sempre os abraços daqueles que já o idolatram e acarinham porque nós sabemos que este é o caminho certo, a olhar para dentro e a cuidar dos nossos.

Ofender, achincalhar, insultar e "cortar pernas" a outros miúdos, só porque não são da nossa cor, pode dar um título ou outro mas não servirá para nada a longo prazo nem honra a nossa história. E isso não se compra, nem se vende, nem , muito menos, se troca por causa de um "All in" qualquer.

 

 

 

Vitória de Guimarães 0 - 1 Benfica: Rei D. Renato Sanches !

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(Fotos: João Trindade)

 

O Castelo de Guimarães costuma ser o símbolo da fortaleza que é o estádio D.Afonso Henriques para o Vitória Sport Clube. Hoje a cidade berço ficou a conhecer um novo Rei, o puro Renato Sanches que resolveu um problema complicado para o Bi Campeão.

No regresso ao local onde se sagrou pela 34ª vez campeão nacional, o Benfica conseguiu fazer melhor resultado do que nessa gloriosa tarde de Maio. Era preciso resgatar os 3 pontos para continuar a sonhar com o Tri e o objectivo foi conseguido. O herói foi mesmo o número 85 que nunca se cansou de lutar nem de tentar bater Miguel Silva. O jovem guarda redes dos minhotos já tinha negado o golo a Jonas e a Pizzi de maneira incrível mas aos 74 minutos nada pode fazer para contrariar o pontapé cheio de raiva e emoção com que Renato selou a vitória. É mais um grande momento para guardar na galeria de memórias em Guimarães, ao lado daquela rabona de Aimar para Suazo, por exemplo.

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 Já mencionei todos os bons momentos de ataque do Benfica, o resto é para reflectir. Comecemos pela abordagem ao jogo na primeira parte.

Sérgio Conceição apostou tudo numa pressão muito agressiva dos seus homens da frente logo na saída de jogo do Benfica. Sabendo da dificuldade que a equipa de Rui Vitória tem mostrado a construir jogo desde trás, a decisão do treinador do Vitória foi acertada, depois o critério muito largo de Carlos Xistra a deixar passar várias entradas muito duras sobre jogadores encarnados. O Benfica encolheu-se, voltou a cair na armadilha dos duelos individuais com bola e sem ela, enervou-se a sair com a bola jogada e mostrou desnorte total nas opções atacantes no meio campo adversário. Fica na memória uma tentativa de Fejsa meter a bola num flanco e acaba por acertar em Renato Sanches que estava ali tão perto que atrapalhou o passe. Foi a imagem perfeita da falta de organização na hora de atacar. Tudo dependia da inspiração de Nico Gaitán mas o argentino ainda está longe do seu melhor e acabou substituído. Jonas recuava à procura de dar linhas de passe, Raul ia aos flancos fugir das marcações individuais e tentar desequilíbrios que nunca aconteceram, Pizzi foi anulado nas suas tentativas de diagonais e os médios não criavam alternativas. Havia que aproveitar as bolas paradas e as iniciativas de Renato Sanches sempre muito esforçado para levar o jogo o mais para a frente possível.

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O problema é que o Vitória pressionava alto com Dourado, Licá, Alexandre Silva e Otávio a tentarem roubar a bola para aplicarem o contra ataque. Tiveram uma boa oportunidade que Licá não quis assumir preferindo assistir Cafú. Apesar do Vitória ter feito quase o dobro das faltas do Benfica, o jogo acabou com 4 cartões amarelos para jogadores encarnados e apenas 3 para os da casa.

 

O nulo ao intervalo percebia-se bem pelo que o Benfica não fez e pela pressão defensiva que o Vitória aplicou. Pedia-se mais às duas equipas em termos atacantes, principalmente ao Bi Campeão.

A entrada na 2ª parte foi desastrosa com os jogadores do Benfica a caírem em discussões e perdas de tempo. De tal maneira que aos 50 minutos pouco ou nenhum futebol se tinha jogado.

O Benfica tentou pegar mais no jogo mas não mostrava soluções para contornar a defesa branca. Tudo muito lento, muito previsível e demasiado fraco a nível táctico e técnico.

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 Até que Pizzi consegue isolar-se na área mas permite a tal grande defesa de Miguel Silva. A equipa do Benfica começou a acreditar e Rui Vitória decidiu retirar o limitado Gaitán para lançar Carcela. O marroquino voltou a entrar bem no jogo e justificou a aposta do treinador. Pouco menos de 10 minutos após a troca o Benfica chegava ao golo. Uma bola parada, lá está, que resultou num cruzamento para a área que a defesa vimaranense não afastou com eficácia tendo a bola caído na zona de Renato. O miúdo disparou à primeira mas apanhou um adversário pela frente, a bola voltou e à seguida saiu uma bomba para dentro da baliza. Acto contínuo, Renato corre para a bancada onde estavam os adeptos benfiquistas e vai abraçá-los numa imagem que vale o preço de um bilhete, num momento mágico que é estragado pelo futebol moderno e as suas estranhas regras que obrigam a castigar o herói do povo com um cartão amarelo.

 

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 Estava feito o mais complicado, sobrava um quarto de hora para segurar os 3 pontos. A equipa não vacilou e já com Cristante no lugar de Raul e Mitroglou na posição de Jonas, o Benfica somava uma importante e difícil vitória perante mais de 22 mil adeptos num recinto muito complicado.

Entre a apatia da equipa na maior parte do tempo e o momento épico de Renato Sanches, está o encanto do futebol. Um pontapé feliz tudo muda. Hoje correu bem para o nosso lado.