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Red Pass

Rumo ao 38

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Rumo ao 38

Benfica 4 - 0 Penafiel: A 3 Pontos do 34!

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Era isto que se pedia. Entrada forte, chegar ao golo depressa e não dar hipótese a que algo corra mal.

Apesar de ver o Estádio da Luz cheio não me deixo de interrogar sobre mistérios actuais do futebol português. O Penafiel jogava aqui a última cartada para não descer de divisão, os seus adeptos sabiam que podia ser a despedida dos grandes palcos, como o da Luz, e podiam ter vindo em peso para apoiar e sentir o ambiente dos grandes jogos. Estranhamente, não vi adeptos do Penafiel na Luz. Assim nem dá para lamentar a descida do clube.

Do nosso lado também não consigo perceber o que falta para ver os 65 mil lugares do Estádio completamente preenchidos. Já nem é assunto que me preocupe mas lamento sempre por todos aqueles benfiquistas que queriam lá estar e não podem pelas mais variadas razões e que devem ficar revoltados com os milhares de lugares vazios que ficam por encher.

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O que se pedia à equipa é que continuasse o trabalho que tinha começado em Barcelos. Apesar da ausência de Nico Gaitán, o Benfica não hesita e entra com tudo para resolver o assunto cedo. Sulejmani voltou a ser a aposta de Jesus, tal como na semana passada, e acaba a temporada com a cotação em alta.

 

Além da habitual dinâmica atacante, há jogadores que chegam a esta altura da época numa forma incrível como é o caso de Lima. Aos 8 minutos Lima marca de cabeça aproveitando um excelente cruzamento de Maxi. Era tudo o que se queria, marcar cedo e partir para a exibição tranquila e agradável que nos temos habituado a ver na Luz.

Depois Jonas fez o golo da ordem com um remate em arco muito bonito. Lima ainda atirou ao poste e o mundialista Haghighi foi evitando um resultado mais volumoso.

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Na segunda parte mesmo sem uma exibição brilhante, o Benfica apresentou um futebol que rendeu mais dois golos, Lima e Pizzi a fixarem os números em 4-0.

São memoráveis estas tardes de sol na Luz a ver futebol em ambiente de grande festa à volta do relvado e com os jogadores bem comprometidos com a sua missão. Houve tempo para Jardel ajudar Júlio César a manter a sua baliza a zero.

O momento da tarde estava reservado para o lado da Baliza Grande. Jonas reavivou a memória dos que viram ali Miccoli dar um nó monumental a um defesa do Beira Mar e a trazer de volta o tema da semana, Messi Vs Boateng. Jonas com fintas de corpo e controlo de bola em corrida sentou o adversário para euforia das bancadas.

Belas tardes que se vivem na Luz. A lamentar só o desnorte do árbitro a mostrar cartões amarelos com o jogo perfeitamente resolvido. Samaris fica de fora da ida a Guimarães.

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Para terminar, quero deixar uma palavra de saudade para um benfiquista que partiu tragicamente cedo demais esta semana. Sérgio Cadilhe Pereira, estarás sempre connosco na bancada. Sei que esta é a primeira crónica que não lês mas o bi-campeonato vem aí e pertence-te.

 

 

Todas as fotos: João Trindade

 

 

Aqueles 7-0 ao Penafiel

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Quando o adversário é o Penafiel há algo que sempre me soa mal. Isto para os jogos fora, parece sempre que me lembro da passagem por lá na época do título com Trapattoni. No entanto, quando o jogo é na Luz acontece o contrário, fico sempre optimista porque a minha memória atira-me, invariavelmente, para aquela tarde de 14 de Outubro de 1989.

 

A primeira passagem de Sven-Goran Eriksson pelo Benfica marcou a minha maneira de viver o clube e de ver futebol. A qualidade de jogo, as goleadas, as noites e tardes de glória, os títulos e a melhor equipa que vi jogar com o manto sagrado. A época 1982/83 foi o auge pela carreira europeia.
A imagem de marca do futebol do sueco eram as constantes goleadas que se viam na Luz. Números incríveis que chegavam aos cinco, seis, sete e até oito a zero! Era o Benfica.

 

Rapidamente percebi que não ia ser sempre assim. Quando Eriksson saiu apostou-se em Pal Csernai e conheci um Benfica que não gostei.

O Benfica teve que fazer regressar o inglês Mortimore para voltar ao rumo das conquistas. Duas épocas e ganhámos uma Supertaça, duas Taças de Portugal e o campeonato no segundo ano, na tal última dobradinha antes de Jesus. Mas os títulos foram ganhos sem o futebol espectacular, atractivo, elegante, goleador e contagiante de outros tempos. Mesmo vencedor, Mortimore foi despedido porque não bastava ganhar, era preciso encantar.

 

Novo erro de casting com a chega do dinamarquês Ebbe Skovdahl. Também era nórdico mas não fazia a menor ideia no que se tinha metido e acabou despedido ainda na primeira volta de um campeonato cedo perdido.

Ficou Toni a remediar os danos e acabou com a equipa a disputar a final da Taça dos Campeões com o PSV. A proeza valeu-lhe a oportunidade de fazer a época seguinte no banco e conseguiu levar o Benfica a mais um título de campeão. Mas o tal glamour futebolístico que Eriksson tinha semeado era só uma memória colectiva, porque o futebol de Toni era do mais esforçado e realista possível, alma, garra e crer até ao fim de cada jogo mas sem exibições de gala.

 

Portanto, a única maneira de voltarmos a ter o tal futebol que nos encantava era convencer o sueco a regressar. Cinco anos depois aí estava Sven-Goran de volta à Luz.

Só que o sueco também já tinha mudado. Não era o miúdo romântico que veio imprimir um futebol atacante de luxo, também já não tinha a espantosa equipa do começo da década. Ainda assim no ano do regresso compensou o 2º lugar na Liga com uma final na Taça dos Campeões, para na época seguinte voltar a ser campeão.

 

Mas nesta primeira época do regresso de Eriksson voltaram as famosas goleadas em série, tudo o que os benfiquistas queriam. Pena uns empates e a derrota nas Antas que vieram comprometer a conquista do título. Mas ficam para a história tardes maravilhosas ainda hoje recordadas com saudade.

 

A primeira jornada foi uma sempre complicada ida a Guimarães que acabou num empate 1-1. Mas depois foi sempre à Benfica. Beira Mar na Luz, 5-0. Nacional nos Barreiros, 1-4 e Penafiel na Luz, 7-0.

Era aqui que eu queria chegar.

 

Estes 7-0 ao Penafiel trouxeram de volta a imagem daquele futebol romântico que tantas saudades tinha deixado. Mas vinha já com uma nova roupagem. Já não tinha nada de parecido com as goleadas de 1982-1984. Essas eram mais naturais, com melhores interpretes, com golos a um ritmo quase certo.

Estes 7-0 já são uma nova versão. O Benfica dominou e criou oportunidades e nem sempre jogava como as bancadas queriam. A equipa tinha jogadores de classe mas outros que nem por isso. Silvino na baliza, não era o carismático Bento. Veloso e Ricardo estavam num nível bem diferente de Samuel e Fonseca. Thern, Paneira, Valdo e Pacheco no meio estavam à altura das exigências mas, obviamente, Pacheco não era Chalana. Magnusson e Vata eram tão díspares como imprevisíveis.

 

Mats estava num arranque de época diabólico. Tinha marcado em todas as jornadas e por várias vezes em alguns jogos.

O Benfica - Penafiel da 5ª jornada de 1989 caminhava para o intervalo com um aborrecido 0-0. No último minuto Pacheco cai na área e Alder Dante assinala penalti. O Terceiro Anel em peso grita por Mats. Lá em baixo no relvado Valdo ignora os pedidos e vai marcar. Indiferentes à classe e qualidade do brasileiro, os adeptos assobiam o 10 do Benfica ainda antes dele correr para a bola. Era assim o Estádio da Luz. Valdo atira e falha. Intervalo, o jogo empatado e Valdo a ouvir das boas até aos balneários.

 

Entretanto a chuva que caía de forma irritante passou a cair em doses bíblicas! Uma daquelas cargas de água que ninguém esquece.

A 2ª parte começa no meio de um dilúvio. No Terceiro Anel o pessoal abriga-se nas saídas das bancadas e fica com uma visão reduzida do relvado. A partir do minuto 47 a equipa abre um festival de golos. Sete em meia parte! A partir do 3-0 de Abel aos 68 minutos, ignorou-se a chuva que não dava trégua e foi tudo ver o resto da goleada para o meio das bancadas apanhando uma molha épica.

 

A minha chegada a casa teve um misto de drama e comédia, a minha mãe não sabia se havia de refilar com a imprudência ou se havia de rir da figura miserável que apresentei à porta. Não interessava, o Benfica tinha voltado às goleadas com história.

 

Se há momento na história do Benfica em que podemos sonhar com nova goleada ao Penafiel, é agora. O futebol que a equipa de Jesus apresenta faz-nos ter essa esperança.

Claro que primeiro é preciso é conquistar a vitória. Mas se puderem carregar, força nisso. É sempre bom lembrar os tempos em que achávamos que a obrigação do Benfica era golear assim em todos os jogos.

 

Penafiel 0 - 3 Benfica: Show de Gaitán e Golos do Brasil

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 Este primeiro jogo de 2015 estava a dar conta dos meus nervos até começar. Das dezenas de anos que levo a ver o Benfica há alguns campos que só de ouvir falar fico mal disposto. No top está este Estádio 25 de Abril em Penafiel. 1986, 1989, 1991, 1992 e 2005, anos em que a passagem por Penafiel significou perder pontos. Quando estiveram estes 8 anos fora da divisão maior foi um alivio e mesmo assim conseguiram ir à Luz resistir na Taça de Portugal até aos penaltis em 2008!

 

Jogo no inverno, meia equipa de fora, entre lesionados, impedidos e vendidos, jogar depois dos perseguidores terem goleado, Porto, Vitória e , até o Sporting, sentia-se a pressão que já tinha vivido há uns anos por esta mesma altura na Trofa.

 

Para este jogo Jesus resolveu apostar, finalmente, em Lisandro ao lado de Jardel. O argentino justificou plenamente a escolha. Maxi e André Almeida nas alas, completaram a defesa.

No meio jogou Cristante a "6", Talisca a "8", Ola John e Gaitán foram trocando entre direita e esquerda. Na frente, Jonas e Lima.

Júlio César teve uma das noites mais tranquilas da sua carreira aproveitando para fixar em 537 minutos o registo de imbatível na Liga. Ultrapassou Oblak que tinha 535 minutos sem sofrer golos na temporada passada.

 

Se o Benfica tinha muito que improvisar no "11", o mesmo se pode dizer do Penafiel. Na baliza, no centro da defesa e na dupla mais recuada do meio campo, Rui Quinta também teve que fazer ajustes. Percebe-se que os nortenhos tenham tentado defender como podiam, tentando pressionar sempre quem conduzia a bola. Aliás, Rui Quinta revela ter um discurso bem positivo sendo uma excepção ao que estamos habituados a ouvir por cá. Merece sorte, apesar da minha embirração assumida com o emblema que treina.

 

Sem grande velocidade e com um futebol algo previsível, o Benfica dominava mas não criava perigo. Foi Coelho, o guarda redes da casa, que ofereceu a primeira boa ocasião mas Jonas reagiu tarde.

Depois apareceu o maior craque actual do Benfica, Nico Gaitán resolve fazer um passe antes da linha do meio campo que Lima recebe superiormente já na grande área. O brasileiro tira o central do caminho e à saída do guarda redes entrega a bola a Talisca que só teve de encostar. Um monumental passe de Gaitán e estava desfeito o nó.

Antes do intervalo, Nico tentou marcar num belo pontapé fora da área mas não teve sorte no destino.

 

A segunda parte começou da pior maneira, um livre para a área e Rabiola marca de cabeça. Segundos de calafrios... Estava adiantado, não é Montero portanto, golo bem anulado.

Mas ficou o enorme susto. Vi vários momentos do passado a passarem-me pelo pensamento naqueles segundos. Felizmente, o aviso foi levado a sério e o Benfica não deu mais oportunidades, tirando um livre frontal que o irmão de Carlos Martins não aproveitou.

 

Tony tem tanto de simpático como de ingénuo, só isso explica aquele agarrão que valeu o 2º amarelo ao lateral do Penafiel. Tudo ficou menos complicado.

Sem que o adversário assustasse muito, o 0-1 era sempre curto até ao fim, por isso foi com alivio que vi Ola John entregar uma bola de jeito a Maxi que foi feliz no cruzamento a que Jonas respondeu com uma peitaça para o 0-2. A missão estava cumprida. Ainda houve tempo para vermos um canto resultar em golo, Gaitán cruza e Jardel sem oposição aproveita para se estrear a marcar no campeonato. Excelente final!

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Falemos do meio campo.

Cristante parece ter tudo para resultar naquela posição "6". Impressionante à vontade a fazer passe longos para ambas as alas, boa técnica e boa leitura de jogo. O problema é o excesso de confiança nos dribles, especialmente quando sai a fintar ou contorna adversários no limite ainda no seu meio campo e perto da sua área. Também terá que ser menos ingénuo nas faltas que faz e ganhar um pouco de agressividade.

Talisca a "8" era o que se esperava desde que chegou. Mas como o avanço no terreno resultou em golos só agora aparece nesta posição. Já aqui disse e hoje volto a repetir, o brasileiro tem cabedal, tem finta, tem noção táctica e posicional, acima de tudo tem ... golo. Já leva 10 em jogos oficiais!

Acho que pode melhorar muito e revelar-se bom jogador naquele espaço mas por agora fica aquela imagem de Jesus incrédulo, como eu, a gritar para dentro de campo: "Talisca, que foi isso, pá?" após perda de bola infantil.

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 Uma palavra para Ola John que procurou ganhar espaço vindo para o centro do terreno com algumas boas iniciativas. Quanto mais rápido for com a bola e na desmarcação melhor será porque não tem tempo para pensar e as coisas saem de improviso. Quando tem tempo é que é pior...

Jonas e Lima na frente formam uma dupla interessante que continua a ganhar entrosamento, o ex-Valência fez o 10º golo da época!

Nico Gaitán é um luxo que que temos de preservar.

Sulejmani, Derlei e Gonçalo Guedes também foram a jogo. O sérvio cada vez mais recuperado da lesão, o brasileiro sempre pronto para ir à luta e o miúdo a estrear-se em jogos de campeonato.

 

Soube muito bem esta vitória em Penafiel, 7ª vitória seguida na Primeira Liga.

Este foi só mais um jogo em que o Benfica não fica sem marcar no campeonato. Mais precisamente, o jogo número 80 a marcar golos sem interrupções!