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Red Pass

Rumo ao 37

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PAOK 1 - 4 Benfica: Champions? Pá,Ok!

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 Depois do 1-1 da Luz fiz aquilo que gosto de fazer sempre nestas lutas europeias, colocar o resultado em perspectiva e recorrer a experiências anteriores para contextualizar o que podia vir a ser a segunda mão. Já o tinha feito depois do jogo com o Fenerbahçe, na altura sublinhei que o 1-0 na Luz numa primeira mão costumava dar apuramento. 

O 1-1 com o PAOK deixava um amargo de boca no final mas fez-me lembrar as últimas três situações que saí do nosso Estádio pessimista com a eliminatória. Ora, as últimas vezes que fomos para a luta fora de casa com 1-1 na bagagem fomos felizes. Em Londres com o Arsenal, em Leverkusen com o Bayer e em Marselha com o OM, o Benfica assinou algumas das suas páginas mais gloriosas na Europa. 

É a isto que me agarro sempre, à minha experiência, à história do clube, aos contextos das apaixonantes eliminatórias europeias. Acresce o pormenor que nestas últimas eliminatórias começámos sempre a perder no segundo jogo.

É fácil adivinhar que não fiquei particularmente assustado com o 1-0 de Salónica. Fiquei furioso porque achei que a defesa do Benfica foi demasiado passiva a reagir a uma bola parada que merecia outra postura. 

Mas o golo do PAOK teve o efeito que história já nos ensinou. O ambiente ficou mais eufórico, a confiança dos gregos subiu aos céus, eles que foram sempre tão arrogantes na abordagem ao jogo em sua casa, e o Benfica aproveitou para mostrar, mais uma vez, à Europa a beleza, o encanto e a glória do seu nome, das cores maravilhosas do seu equipamento e a força do seu emblema. Reacção à Benfica. 

Primeiro por Jardel de cabeça, num canto cobrado por Pizzi. Depois, com um penalti ganho por Cervi e que Salvio converteu. O 1-2 mostrou que o apuramento para a Champions League já não ia fugir. Em 26' o Benfica assumiu o seu estatuto e acabou com as dúvidas. Antes do intervalo o Benfica mostrou qualidade futebolística ao nível exigido pela Champions League.
Um tributo à asa esquerda do ataque do Benfica dos tempos de Chalana. Combinação genial entre Grimaldo e Cervi em progressão, o argentino vai à linha e cruza para trás onde estava Pizzi à espera da bola para fazer o 1-3. Tão bom, tão simples, tão épico. 

Vivemos para isto. Jogadas perfeitas, golos à altura e o nome do Benfica a brilhar na Europa do futebol.

Estava resolvida a eliminatória. Deu para Odysseas justificar o seu lugar na baliza e para os jogadores irem mostrando o seu valor individual.

 

Quando era de esperar forte reacção grega na segunda parte, é o Benfica que ganha novo penalti. Podia aqui dizer que trocava um dos que o árbitro marcou hoje por aqueles que não quis marcar em Turim mas não a vale a pena desenvolver.

Salvio aumentou para 1-4 e mostrou porque é que os clubes gregos e turcos não ganham a Champions todos os anos. Simplesmente porque os ambientes infernais não ganham jogos. Impressionam mas não querem dizer nada. Aliás, desde 1999 que o Benfica ali jogou três vezes com ambiente fanático e ganhou sempre. Fim de mito.

Já na Luz, o Benfica ficou a dever a si próprio um resultado assim parecido. Hoje, Rui Vitória fez regressar Salvio, sempre essencial por muito que os benfiquistas não entendam, e apostou em Seferovic prevendo um jogo mais directo e de luta física com os centrais do PAOK. Acertou em cheio, o resultado fala por si. 

Mais do que os milhões de euros, esta noite foi essencial para o Benfica voltar a colocar o seu nome no lugar que lhe pertence, entre os maiores da Europa. É na Champions League que temos de andar. Depois da desastrosa época europeia da época passado, este arranque europeu já serviu para o Benfica voltar a ser admirado. Quatro jogos, duas vitórias e dois empates, nenhuma derrota. Brilhante apuramento para a maior prova de clubes do mundo. 

Na altura do sorteio da 3ª pré eliminatória calhou a equipa mais forte, o Fenerbahçe. Depois, seguiu-se este PAOK que estava a surpreender a Europa com o afastamento do Basileia e Spartak. Portanto, não vale a pena desvalorizar este feito do Benfica. 

Foi um mês de Agosto muito exigente. O Jonas ia embora, o Ruben Dias ia embora, o derby a meio do playoff ia complicar as contas europeias, a deslocação ao Bessa, único estádio em que o Benfica perdeu na Liga passada, ia ser dura, o cansaço acumulado ia prejudicar a equipa. O Benfica acaba o mês no pelotão da frente na Liga e com o passaporte para a Champions carimbado. A janela de transferências ainda está aberta, entradas e saídas são possíveis até ao fim da semana. Há lesionados a recuperar e um jogo na Choupana já a seguir. 

O arranque de época do Benfica em Agosto foi bom e com objectivos cumpridos. Estão de parabéns todos os envolvidos no futebol do Benfica, agora é trabalhar para melhorar, aproveitar os reforços e crescer colectivamente. 

Os 200 adeptos do Benfica em Salónica mereceram todos os festejos da noite. 

Para quem desconfiou do 1-0 e 1-1 a nível europeu na Luz pode acreditar na força da nossa história. Isto está tudo ligado. De Highbury ao Toumba o elo de ligação é o Benfica. E o futebol do Benfica é maior que as nossas vidas. 

Nona presença seguida para o Benfica na Champions League, só Real, Barça e Bayern apresentam melhor registo. É o nosso lugar. 

Benfica 1 - 1 PAOK: A Maldição Egípcia!

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Depois de Sabry, Warda. Há uma ligação entre o PAOK e jogadores egípcios que nos afecta directamente.

Antes do jogo começar, a discussão andava à volta da formação grega. Vieirinha jogaria mesmo a defesa esquerdo? Jogou. E Warda ficaria no banco para jogar Léo Jabá? Ficou.

Isto porque em 2018 é banal sabermos tudo sobre o nosso adversário até aos mais pequenos pormenores. De repente, o sérvio Prijovic, o "10" Pelkas, o Varela que até nos marcou pelo Feirense ou Paschalakis passaram a ser nossos velhos conhecidos com as várias possibilidade que há de estudar o adversário. 

Nem sempre foi assim. 

Por exemplo, em 1983 quando ouvi na rádio o sorteio da Taça dos Campeões Europeus ditar um encontro com o Olympiakos senti pânico nos benfiquistas mais velhos. Isto porque ainda estavam traumatizados com uma inesperada eliminação quatro anos antes. Em 1979 o Benfica foi a Salonica e perdeu por 3-1. Na 2ª mão, na Luz, a equipa de Mário Wilson deu a volta à eliminatória com golos de Jorge Gomes e Reinaldo, que já tinha marcado na Grécia. Só que aos 80 minutos o Aris fez um golo de todo inesperado por Smertzidis. Foi um choque e os benfiquistas nem queriam ouvir falar em equipas gregas tão cedo. O trauma passou logo em 1983 quando na 2ª mão o Benfica de Eriksson atropelou o Olympiakos por 3-0 depois da derrota por 1-0 em Atenas.

Mesmo assim, perdurou um outro trauma. Camisolas amarelas na Luz. O Aris jogou de amarelo, o Liverpool fez miséria de amarelo e o Dukla também. 

São factos curiosos que ficam na memória porque naquela altura antes dos jogos não havia tanta informação para reter.

 

Este PAOK chegou à Luz moralizado e com uma aura surpreendente depois de afastar Basileia e Spartak. Proeza que levantou desconfianças.

O Benfica arrancou bem a época e estava preparado para o embate. 

Para começar houve uma alteração inesperada na equipa, saiu Salvio, entrou Zivkovic. André Almeida não tinha treinado na véspera mas foi a jogo.

Repetiu-se o enredo do outro jogo europeu na Luz deste mês, alguma desconfiança de parte a parte, o adversário a pressionar alto e a evitar que o Benfica entrasse muito forte. Aos poucos, o Benfica foi impondo o seu jogo e as dinâmicas de Pizzi e Gedson pelo meio, com Cervi e Zivkovic, sempre apoiados por Grimaldo e André, foram fazendo a diferença criando desequilíbrios que levaram o Benfica a construir uma mão cheia de boas oportunidades de golo. 

 

Esta foi a boa notícia do jogo, o Benfica continua a criar muitas ocasiões para marcar. A má notícia é que não consegue concretizar. Pizzi tentou de cabeça, de longe em arco, de primeira junto ao poste mas só conseguiu de penalti no fim do primeiro tempo. 

O Benfica jogou devia ter feito mais golos. E foi com esse sentimento que arrancou a segunda parte. Em poucos minutos apareceu Ferreyra várias vezes em situação de ser feliz mas não estava a ser uma noite boa. Também por culpa do guarda redes Paschalakis, diga-se.

Não marcando e perdendo frescura física o Benfica permitiu que o PAOK subisse com perigo. A entrada de Warda, lá está, foi determinante para dar mais velocidade e qualidade do flanco esquerdo para dentro e acabou por ser ele mesmo a fazer o golo do empate.

Golpe duro para a equipa do Benfica e para o seu treinador que já tinha apostado em Rafa e que se preparava para lançar João Felix. Assim juntou-lhe Seferovic. Se sobre os mais velhos já sabemos o que esperar e não deslumbraram, a entrada do jovem João foi mesmo uma mais valia. Talvez até a pedir para entrar ainda mais cedo na partida. A qualidade que tem na decisão, nos cruzamentos, no drible, no passe, não engana. Não há que hesitar.

Ainda houve oportunidade para o Benfica fazer o 2-1, que seria sempre pior que o 1-0, assim como este 1-1 é muito pior que um 0-0.

Mau resultado em casa, o Benfica entra em campo em Salonica já em desvantagem mas parece-me ser perfeitamente possível alcançar um resultado na Grécia que nos permita entrar na Liga dos Campeões.

E nem é preciso um milagre, basta mais acerto na hora da finalização.