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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira: O Regresso Às Origens

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Entre amigos de sempre, companheiros de bancada, mantenho uma espécie de competição interna de mostrar quem é que não perde um jogo oficial do Benfica na Luz há mais tempo. Eles sabem quem são. Aqueles que se conseguem rir destas parvoíces e destes pormenores. Gente com quem podemos dizer o número de jogos que não vimos na nova Luz e as respectivas justificações para as ausências. Dá sempre para várias horas de tertúlia e algumas risadas.

Geralmente, os motivos são sempre de força maior. Motivos profissionais ou escolares, celebrações familiares ou de amigos, nascimentos ou lutos. 

Era aqui queria chegar. Esta época vi pela primeira vez a Taça da Liga na Luz. Isto porque em Setembro tive que quebrar a corrente de não falhar um jogo na Luz que já tinha alguns anos a fio. Casamento de sobrinhos no Algarve. O Benfica bateu o Rio Ave e a boda foi um sucesso. Tudo bem. 

Tive que mudar a conversa na competição para quantos jogos para a Liga, Taça de Portugal ou Europa é que falhaste nos últimos anos. 

Hoje, foi um dia triste para um desses amigos. Um companheiro de bancada. De bancadas, da Luz, dos pavilhões, dos estádios por esse país fora e até por essa europa fora. Um benfiquista daqueles com quem estamos sempre a aprender, exigente, dedicado e sempre pronto a defender o clube até ao limite. 

Em dia de jogo do Benfica comunicou que perdeu o pai. um dos golpes mais duros que a vida tem para nos dar. Depois de lhe mandar um abraço pensei logo se ele iria ao jogo. Não há choque nenhum em pensar nisto nesta hora, é o maior tributo que lhe posso fazer. 

O Benfica cumpriu a sua parte. Venceu o segundo jogo no seu grupo na Taça da Liga e está perto de voltar à Final Four da competição. Mesmo com várias alterações na equipa, o Benfica ganhou com tranquilidade e naturalidade. Longe dos sustos e da exibição desastrada que se tinha visto com o Arouca para a Taça de Portugal. A comparação é legitima, os adversários são ambos da segunda divisão. O Paços de Ferreira, treinado pelo rei das subidas, Vítor Oliveira, podia tentar uma surpresa na Luz. Foi este treinador que afastou o Benfica há um ano nesta prova. 

Os golos de Seferovic e João Félix deram segurança à equipa que tentou ter sempre o jogo controlado e estar longe de sofrer sobressaltos. 

Apenas 17 mil benfiquistas acharam que o jogo era digno da sua presença. Aplaudiram a equipa no fim.

Entre esses 17 mil adeptos, lá estava o R.S. na bancada. Num dos dias mais tristes da sua vida, teve o consolo de ver o seu Benfica a jogar. Ainda recebeu a camisola do Jonas porque o Benfica tem pessoas que o humanizam. Não foi só esta vitória e este jogo que foi para ti, o Benfica está sempre lá para os dedicados como tu. Como tu estás para o Benfica. Isto só está ao alcance de alguns, no entanto, é esta grandeza que faz deste clube o mais amado do país. Às vezes é bom voltar às origens para se entender isso. 

Paços de Ferreira 1 - 3 Benfica: Nem o anti Jogo do Veríssimo Resistiu à Revolta dos Campeões!

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Que jornada épica de benfiquismo. Depois da ida ao Algarve, há duas semanas, regresso às viagens até ao norte do país. 

Comecemos pela parte mais pessoal que é a viagem entre amigos. Saída de Lisboa pelo meio dia e paragem combinada para um almoço de sábado que abria muitas expectativas. Desta vez, o destino foi Palmaz. Antes de Oliveira de Azeméis e pelos caminhos tortos entre árvores junto ao rio Caima. Em Palmaz, a recepção entusiasmada, amigável e carinhosa que as gentes do norte tão bem sabem proporcionar. O restaurante Café Convívio tem uma belíssima vista e uma oferta gastronómica maravilhosa.

O vinho verde à pressão e o tinto da casa, ambos muito eficazes na arte de acompanhar pratos que merecem um lugar de destaque na nossa vida só por existirem. Carne de Vitela do outro mundo, daquela que se desfia quanto cortamos e com um sabor incrível, um polvo à lagareiro dos melhores que já provei e um bacalhau, que confesso envergonhadamente que não cheguei a provar tal foi o tratamento que dei à Vitela e ao polvo. 

Dezenas de benfiquistas à mesa, em Palmaz, distrito de Aveiro, a deliciarem-se com a gastronomia local, a conversarem sobre o que os une nesta vida, gente que vem um pouco de todo o lado, amigos do dia a dia, aqueles que só vemos por causa do Benfica, companheiros que conhecemos por causa destes convívios, outros que são do norte e até um grupo motivado pela despedida de um companheiro que vai ter que abdicar destes dias históricos por força de ir viver para o outro lado do mundo, um grande abraço ao J.M.. 

 (clicar para ver mais)


Com o objectivo de almoço cumprido, a viagem entre Palmaz e Paços de Ferreira fica fácil de fazer. Passa num instante aqueles quilómetros até à Capital do Móvel. 

Chegar cedo, ainda com a luz do dia, ir conviver até ao espaço de restauração junto ao Estádio, na prática falo de uma concentração de roulotes, reencontros com mais benfiquistas, beber umas cervejas, conversar, sentir o nervosismo do jogo a chegar. 

O Estádio Capital do Móvel, para mim será sempre Mata Real, cresceu e modernizou-se bem. Três bancadas cobertas, uma nova e para meu azar, outra de condições precárias que é sempre onde tenho de ficar. 

 

Vamos ao jogo. 

Começou mal. A entrada do Benfica não foi convincente a entrega dos jogadores do Paços estava no nível máximo oposto do que vimos os do Estoril fazer a meio da semana e adivinhou-se logo muitas dificuldades para o Benfica.

Para complicar mais o cenário, o Paços de Ferreira faz um golo construído pelo lado esquerdo da defesa do Benfica, que tem sido o sector mais promissor.

Com o Paços a ganhar, o Benfica a não conseguir impor o seu jogo, com a bola longe da área do Paços começou a apareceu um terceiro elemento no jogo que me surpreendeu pela lata evidenciada.

Quem me lê sabe que raramente perco muito tempo com árbitros. Pois bem, hoje sou obrigado a dedicar um bom trecho a este Veríssimo.

Já me aconteceu sair de estádios com aquela sensação inútil de ter sido prejudicado pela arbitragem. Já aconteceu a todos os adeptos de futebol, acho eu. O que nunca me tinha acontecido foi sentir que estava ali um tipo que, teoricamente, só tinha de ser isento, mas que tirou a noite para gozar com a minha cara. 

Falo do sorriso com que olhava em volta enquanto o Rafael Defendi perdia tempo a bater todo o tipo de bolas paradas, por exemplo. Aliás, o brasileiro acabou o jogo sem ver um cartão amarelo e conseguiu tirar bastante tempo útil de jogo. Por falar nisso, há alguém que tenha acesso ao tempo útil desta partida, quantos minutos houve de futebol na Mata Real? 

O Veríssimo conseguiu amarelar Zivkovic aos 16 minutos mas precisou de mais de uma hora para mostrar um cartão a um jogador do Paços, isto apesar da reincidência faltosas.

O Veríssimo deu um show de bem gozar connosco na 2ª parte. Consegui esquecer-se de levar o spray da marcação de faltas, fez de tratador de relva, arranjando um pedaço na área do Benfica enquanto Varela esperava para bater um pontapé de baliza, chamou um GNR para dentro do relvado, não me lembro de ter visto tal coisa até aqui, andou preocupado a recolher objectos do relvado para depois ir entregar na linha, punha a conversa em dia com os jogadores do Paços enquanto esperávamos um eternidade pela marcação de faltas, dialogava imenso fazendo o jogo estar parado em vez de se preocupar em ter a bola a rolar, mostrou estar perdido em algumas paragens quando já nem sabia como devia recomeçar o jogo, teve problemas com as comunicações, com o apito e com os auriculares. Bolas duvidosas na área do Paços esbracejava logo com vigor abanando a cabeça para ninguém ter ideias de ir ver se houve mão ou não. 

Enfim, como dizia o companheiro R.S. ao meu lado, foi a primeira vez que tivemos direito a um árbitro a fazer anti jogo! Nunca tinha visto tal coisa. Não me esquecerei.

  (clicar para ver mais)

Estou convencido que foi precisamente na atitude do Veríssimo que começou a reviravolta do Benfica. Uma equipa de futebol pode desmoralizar por perceber que não está nos seus dias, por sentir que do outro lado o adversário está intransponível mas nunca fica indiferente ao sentir que estão a gozar com o seu trabalho. E como tudo estava a ser demais começou a sentir-se que era preciso apertar. As duas bancadas nos topos do Estádio estavam pintadas a vermelho e também fizeram o seu papel, empurrar a equipa de uma forma arrepiante. 

Falta só expor a parte que falta nesta miserável jornada de futebol. A atitude dos jogadores do Paços de Ferreira. Nem falo do pobre coitado Micael, que é só um frustrado mal educado e esquecido. Falo da obsessão com que os castores passaram a não querer jogar descobrindo todas as formas possíveis de parar o jogo. Aí ajudados pelos apanha bolas, por imbecis que atiravam bolas para dentro de campo com o jogo a decorrer, mesmo à terceiro mundo, e por um público absolutamente triste, sem identidade e que só está ali disfarçado de adepto do Paços quando na verdade são quase todos portistas fanáticos e anti benfiquistas primários. Daí mostrarem os cinco dedos no final da partida, daí até gritarem Porto, dentro e fora do estádio. Pobre e coitado clube com adeptos sem personalidade nem ligação local. É um passatempo a tentar roubar pontos a um rival, nada mais que isso. Não consigo respeitar um clube com uma alma tão vendida, lamento.

 

O nosso Benfica reagiu à campeão. Estava difícil Jonas fazer o que sabe. Esteve perto mas foi preciso esperar pelo minuto 72 para soltar toda a revolta acumulada. Aliás, não deu para soltar tudo. Foi só um festejo rápido a sentir que o melhor vinha a seguir. 

Todos sentimos na bancada que ia acontecer reviravolta, que depois de mais de uma hora a ficar com o coração mais gelado que os pés, o que é obra derivado daquele frio polar de Paços, chegava o momento do Tetra Campeão explodir com tudo à volta, anti jogo, palhaçadas, verisssimos, e pobres de espírito. O Capitão Luisão deu o mote fora do banco a incentivar o povo que nunca lhes vira costas, Raul já tinha entrado para revolucionar aquele ataque, Sferovic também já lá estava dentro, Jonas estava mortinho para activar aqueles dois vulcões vermelhos atrás das balizas e aos 88', no auge da podridão do anti-jogo abençoado pelo Veríssimo, Seferovic entrega a bola ao Pistolas que dispara e entrega-se a todo um festejo cheio de classe mesmo ali à nossa frente. O vulcão rebentou, o banco explodiu de alegria e correu para os titulares, os antis sentiram a força que os faz odiarem tanto o Benfica, a bancada central começou a ficar despida por gente cabisbaixa que não aguentou sentir a fúria da revolta dos campeões. 

E como o 1-2 fez cair a máscara a duas equipas que só se preocuparam em não jogar ainda houve tempo e espaço para Rafa fechar tudo em delírio com 1-3.

Rafa vem pela nossa esquerda, vira para dentro, está enquadrado com a baliza e antes de rematar oiço um companheiro na bancada já a festejar: "Mereces tanto, Rafa"! Rafa chuta para o meio da baliza e marca. Se isto não vale um dia inteiro na estrada, ficar em pé gelado 90 minutos e ficar sem voz, então nada vale a pena.

Isto é o Benfica. Sei que poucos entendem, entendo que muitos invejem mas ninguém pode achar que consegue parar esta forma de viver só porque não gosta. 

Poucas coisas sabem melhor que aquela sandes de leitão da Área de Serviço da Mealhada no triunfante e cansado regresso a casa. Sim, é preciso pedir um empréstimo bancário para pagar um repasto daqueles ali mas sabe pela vida.

Seguem-se dois jogos na Luz. Façamos a nossa parte.

 

 

Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira: A Fase com Fejsa é Sempre Boa

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 Hoje a questão era entre ganhar ou ganhar. O Benfica tinha de manter o caminho imaculado nos jogos em casa no campeonato e com isso regressar à normalidade das vitórias após estreias em falso na Europa e na Taça CTT, a que se somou uma inesperada derrota no Bessa.

Respirar fundo e preparar um onze que desse garantias de uma noite tranquilo com três pontos conquistados, era tudo o que os benfiquistas pediam para esta primeira noite de outono no Estádio da Luz neste sábado.

 

Júlio César aproveitou a oportunidade aberta na Taça da Liga a meio da semana para reconquistar a titularidade natural na baliza do Benfica. Almeida manteve-se à direita, Luisão voltou a encontrar ao seu lado o jovem Ruben Dias e Grimaldo está a regressar aos bons desempenhos na esquerda da defesa.

 

Depois o mais importante, Fejsa regressa à equipa e é logo outra dinâmica. Isto com Fejsa é quase começar a ganhar o jogo. Pizzi continua a subir de forma na sua posição e nas alas houve oportunidade para Zivkovic brilhar mais à direita, como tanto gosta, e Cervi pela esquerda.

Na frente, a dupla desta época, Jonas e Seferovic.

 

 ( Fotogaleria de João Trindade)

 

Curiosamente, os golos nascem destas duas últimas duplas. Zivkovic assistiu Cervi, Seferovic assistiu Jonas.

A história do jogo fez-se mais dos golos falhados do que dos golos marcados. Numa noite mais inspirada e de acerto, o Paços de Ferreira saía da Luz como mais uma, das muitas, goleadas que tem no historial de encontros com o Benfica.

 

Mas para o contexto do jogo hoje o mais importante era mesmo vencer e sentir confiança na equipa.

Acham mesmo que com um guarda redes com a carreira de Júlio César, com Fejsa a titular, com Pizzi a subir de forma, com dois alas daquela qualidade e um avançado da classe de Jonas, o Benfica está morto e enterrado?

A mim não me parece que seja assim.

Hoje não foi brilhante mas foi bom. A resposta está dada e até já se recuperaram pontos a um dos rivais.

É este o caminho.

E nós, melhor do que ninguém, conhecemo-lo muito bem.

Que tenha sido a viragem de uma fase má porque com Fejsa a fase é sempre boa.

Paços de Ferreira 0 - 0 Benfica: Nulidade

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 Jogos fora do Benfica, um eterno desafio. Ver em casa ou ir atrás deles? Cada um de nós tem a sua maneira de os viver. Todas válidas, claro.

Penso que se este blog tem algum reconhecimento entre benfiquistas devido ao facto de quem lê acabar por se rever em alguns relatos que aqui partilho. É natural, gostamos todos do Benfica e queremos todos vivê-lo, daí que coincidam muitas vezes as maneiras como nos manifestamos.

Eu, podendo, prefiro sempre estar no estádio onde o Benfica joga. O principio básico desta ideia é muito simples, odeio ter que ver um jogo do meu clube na televisão. Sinto-me preso, inútil e impotente. Irrito-me muito mais, seja por causa dos comentários, que acho que são sempre anti-Benfica, seja por causa das realizações que insistem em repetir mil vezes um lance mesmo com o jogo a decorrer o que nos faz perder partes do desafio. O ecrân é pequeno para um jogo do Benfica que é aquele momento em que a nossa vida pára, em que só temos olhos para o jogo. Sinto que é redutor ver isso através de uma televisão. Isto para já não falar da maneira como o vivemos. Sempre preocupados em não fazer figuras tristes, não dá para cantar bem alto e de pé, não dá para começar de uma lado para o outro porque o campo de visão fica curto. Enfim, já perceberam a ideia.

Só que não dá para ir sempre, pelas mais variadas razões. Mesmo assim, nos últimos largos anos tenho tido a felicidade de ver a maioria dos jogos fora da Luz.

Esta introdução serve para contextualizar algo mais forte e além do jogo. É que estas viagens ao fim de uns tempos tornam-se autenticas jornadas de benfiquismo. Não querendo entrar em pormenores privados lanço a seguinte a questão: de que maneira é que eu ia acabar a ser recebido pela família de um amigo, e companheiro destas jornadas, com outros compinchas na distante aldeia de Chelo, do município de Penacova?

Antes do jogo, passar uma tarde à mesa a comer leitão, beber vinho de qualidade superior e conviver com gerações mais novas e mais velhas sempre com o Benfica como fio condutor das conversas.

Ir a Paços de Ferreira e voltar para dormir na zona de Coimbra. Repetir o almoço, agora com uma incrível chanfana, e apreciar uma paisagem natural, respirar ar puro e depois viajar de volta.

A resposta à questão anterior é simples: por causa do Benfica.

A conclusão é interessante, nós andamos atrás do Benfica e vamos construindo amizades para a vida. Vamos semeando carinho em vários grupos de amigos unidos pelo benfiquismo. Vamos vivendo, conhecendo novos cantinhos do nosso país, aproximamo-nos de gente que tem o mesmo amor que nós e que, geralmente, gosta tanto de conversar como de gastronomia.

A enorme vantagem disto é que a maioria destas jornadas acaba bem, com vitórias do Benfica. Das poucas vezes que a nossa equipa não corresponde e nos deixa abatidos, sentimo-nos em família e torna-se um pouco menos doloroso a passar a desilusão.

Esta é uma forma de agradecer a todos os que vão fazendo parte destas viagens e aos desconhecidos que ainda sentem vontade de dar uma palavra de conforto antes ou depois dos jogos.

Neste particular, e isto foi tudo para chegar aqui, quero deixar aqui um enorme abraço a uns benfiquistas de Fafe que ontem depois do jogo me surpreenderam de forma bem original.

Estava eu sozinho à espera junto ao carro do pessoal que ia seguir viagem de Paços de Ferreira para Coimbra quando oiço chamarem pelo nome. João Gonçalves do RedPass! Gonçalves, tu continua a escrever sobre o nosso Benfica. Vamos ser campeões! Olha, tu é que vais ficar com a bola do jogo, tens de levar contigo a bola. E depois escreve que a malta de Fafe te ofereceu a bola.

Nisto, atiraram mesmo a bola. Não me perguntem como é aquele pessoal saiu do estádio com uma bola. Não faço a menor ideia. Mas resolvi aceitar e trouxe mesmo a redondinha comigo que vou guardar com carinho. Obrigado, pessoal!

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A grande desilusão no relvado

Sobre o jogo apetece-me começar por perguntar: mas, afinal, o que é que foi aquilo?!

Antes do confronto directo com o rival que luta connosco pelo título de campeão, eu esperava uma vitória. Sofrida, com muita luta, muita entrega mas uma vitória.

Casa cheia, bancada nova inaugurada, topos completamente vermelhos, o mini estádio da Luz instalado na Capital do Móvel.

Tudo o que não esperávamos era uma exibição completamente apagada do Benfica. Fiquei com a bomba do Eliseu que o poste devolveu na memória e o lance do Jonas no final do jogo. Mais nada!

A equipa não apresentava alterações significativas mas a produção individual foi uma desilusão total, principalmente dos homens que costuma desequilibrar e resolver. Zero à direita com Salvio, zero à esquerda com Zivkovic. Pizzi, Jonas e Mitroglou nunca estiveram perto de de resolver o problema que a postura defensiva do Paços de Ferreira criava.

Se aquela bomba do Eliseu não entrou, então era preciso esperar um rasgo de génio daqueles jogadores que tornam o nosso plantel acima da média. Infelizmente, não me lembro de uma única jogada que me fizesse sonhar com uma finalização mágica.

 

Claro que o Paços teve mérito na forma como defendeu mas não é aceitável que o Benfica apresente tamanha apatia numa altura tão decisiva da época. A esperança de uma mudança vinda do banco de suplentes também terminou depressa. Nem Rafa, nem Raul, nem Cervi, alteraram nada.

Correu mal, foi mesmo uma desilusão. Os jogadores, a equipa técnica e os dirigentes devem sentir o mesmo.

 

(Fotogaleria: João Trindade)

 

Aqueles segundos após o apito final são do pior que o futebol tem para nos dar. Parece que o mundo se abate sobre a nossa cabeça ali mesmo. Aqueles instantes em que os jogadores saem cabisbaixos e os adversários festejam não fazem sentido nenhum. Não foi para aquilo que saí de casa de manhã e fiz centenas de quilómetros. Não foi para um nulo que estive ali 90 minutos de pé a cantar e a puxar pelo Benfica. É uma sensação horrível. Será que não era melhor estar em casa naquele preciso momento? A ideia de passar mais um dia com companheiros de luta, naqueles segundos, parece parva. Só apetece ir para casa.

Mas depois respira-se fundo, o tempo começa a passar e vamos arranjando maneira de lidar com a desilusão? Como e com quem? Como sempre, com os mesmo de sempre. Discutindo o jogo, conversando sobre o que está mal e imaginar como poderemos dar a volta. Temos direito a isso, vivemos muito para isto e gostamos de ter as nossas opiniões.Faz parte da nossa vida.

Lembrei-me logo que antes daqueles 3-6 em Alvalade, senti o mesmo que em Paços de Ferreira. Isto é cíclico no futebol. Nem está tudo mal quando não se ganha, nem está tudo bem quando se ganha. A menos que se percam muitos jogos seguidos, e aí está mesmo tudo mal, ou que a equipa esteja a golear e a resolver facilmente os jogos todos, e aí está tudo maravilhosamente bem.

 

Já falei da distante época de 1993/94 mas vamos para um ciclo bem mais presente. Espero que este 0-0 seja o mesmo que foi aquele 0-0 na época passada na Madeira com o União. Naquela noite achei que tínhamos entregue o título. Ontem convenci-me que oferecemos a liderança do campeonato. Fizemos por isso.

Depois do empate com o União, o Benfica reagiu bem. Espero que depois de Paços de Ferreira aconteça o mesmo.

 

O bónus veio quase 24h depois quando o Porto não fez melhor e manteve tudo na mesma. Temos que aproveitar esta milagrosa oportunidade para mostrarmos o quanto queremos este tetra. Temos de ganhar o clássico.

Sobre o melhor 11 a apresentar neste momento tenho dúvidas, sobre a qualidade individual no plantel nem por isso. Temos várias opções que têm de ser bem aproveitadas.

Esta passagem pela Mata Real foi decepcionante mas agora falta menos um jogo e acabou por ficar tudo igual em relação ao rival. Acho que a paragem na Liga acaba por ser positiva para o Benfica, é preciso recarregar baterias para o derradeiro assalto ao título.

Nós vivemos para estar com o Benfica, sabemos que estas desilusões fazem parte de um processo que queremos vencedor. Por isso, cada vez somos mais e desejamos melhor.

 

Benfica 1 - 0 Paços de Ferreira: Entrada Certa na Taça da Liga

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 Não era pedir muito mas era essencial para a boa disposição de passagem de ano. Depois do Natal, o último jogo do ano no Estádio da Luz merecia uma audiência digna e os adeptos corresponderam. Convenhamos que para um jogo às 21h15 da Taça da Liga, mais de 30 mil pessoas nas bancadas não foi nada mau.

Um ano tão fantástico como o de 2016 merecia uma última vitória do Benfica para o tornar ainda mais especial. E o Benfica cumpriu, estreia na Taça CTT com três pontos conquistados e uma vitória a fechar o ano.

Não foi uma exibição de sonho, não aconteceu um resultado inesquecível mas este 1-0 serve perfeitamente para fazer a ligação entre o Natal e o Ano Novo com toda a tranquilidade, sem euforias e seguindo o caminho do sucesso.

Houve a curiosidade de ver Celis e Jardel no onze inicial e sentir o regresso de André Horta e mais uns minutos de Jonas.

O golo de Cervi deu sentido a esta última partida de 2016, um ano que vamos recordar durante muito tempo.

Entramos no novo ano com todos os objectivos intactos.

 

 (Fotogaleria de João Trindade)

 

Agora, vem aí a abertura de mercado, um calendário intenso e temos de estar preparados para um ritmo alucinante. As bancadas da Luz perceberam o momento e compensaram a equipa com um apoio emocionante no final do encontro, sinal que estamos todos mais juntos do que nunca e essa é a maior força do Benfica. Unidos, a olhar para dentro e a a dar todo o apoio à equipa porque não nos cansamos de ganhar e querer mais.

Venha 2017.

Benfica 3 - 0 Paços de Ferreira: A Beleza da Monotonia

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 ( Fotografia: João Trindade )

 

Sei que não interessa a ninguém mas se algum dia alguém quiser saber o que é que eu gostava que fosse um modelo de jogo de futebol envolvendo o Benfica, eu apresentaria esta partida.

Passo a explicar. Este Benfica - Paços de Ferreira roçou a perfeição no que diz respeito à maneira como se vive um jogo. É isto que eu quero na minha vida.

A bonita monotonia das vitórias do Benfica.

A banalização de um resultado como o 3-0.

A rotina aborrecida de somar 3 pontos, atrás de 3 pontos.

Chegar ao minuto 90 e pensar quantos dias faltam para o próximo jogo sem estar preocupado com o final deste.

Não quero emoção, não desejo incerteza no resultado, não faço questão de esperar muito por um golo. Não quero festa nem quero depressão. Apenas golos. Golos que quanto mais cedo aparecerem, melhor. E golos só na baliza adversária. Na do nosso guarda redes quero paz e sossego. Por mim, o Ederson só tocava na bola para ajudar a construir jogadas nossas.

 

É que passo os dias a olhar para o calendário e a desejar que o tempo passe rápido para ver o Benfica jogar. Então aqueles 20 minutos até o jogo começar parecem nunca mais passar.

Só que depois o árbitro apita, a bola rola e, de repente, já passaram um ou dois minutos. Caramba, já só temos uns 88 minutos para ganhar e ainda está 0-0. E a partir daí parece que os minutos voam!

Até ao primeiro golo, queremos que tudo seja mais calmo mas sentimos que vamos em direcção ao minuto 90 de forma dramática mesmo que ainda só tenham passado 10 minutos.

Por isso, é muito importante celebrar o primeiro golo. Também é isto que quero nos jogos do Benfica. Sorrir para o lado afirmando que o Guedes mandou uma bomba e ouvir: "Oh! Já vem tarde, o puto estava a merecer há muito"

É isso! O Gonçalo abriu o marcador à bruta mas o golo estava mesmo a ver-se que vinha dos pés dele porque anda a jogar muito. A naturalidade que me agrada é esta.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

Com 1-0 sinto-me  menos ansioso e menos nervoso mas não dá para ficar tranquilo. E tudo o quero, a ver os jogos do Benfica, é tranquilidade.

Para muita emoção e reviravoltas espectaculares nos resultados tenho a Premier League ou a Bundesliga. Nas partidas do Benfica quero que tudo seja assustadoramente enfadonho, sem sinal de surpresa nenhum. Só normalidade, só a vitória.

 

No intervalo para evitar pensar muito sobre o jogo nada melhor que perceber que Seu Jorge tem muito bom gosto ao nível do futebol. Não é só no cinema e na música que o artista brasileiro é craque, na escolha da equipa portuguesa para ver ao vivo também revela inteligência. Seu Jorge fez questão de ir à Luz ver o Benfica antes de actuar no MEO Arena. ( para quem quiser saber mais sobre o concerto de Seu Jorge e Ana Carolina siga para bluegazine.pt )

 

Assim, é com muito agrado que recebo o 2-0. Eliseu na assistência, o alvo predilecto dos agoiradores de bancada, Salvio na finalização. A naturalidade do Benfica a ganhar é tão bonita.

Com dois golos de diferença, o objectivo está mais perto de ser atingido. Tudo faz sentido, era para isto que ansiávamos o começo do jogo, para sentirmos esta confiança numa noite em que cumprimos a nossa parte. Em que não há tropeções nem surpresas.

Nada melhor do que Pizzi fazer uma jogada individual que acaba no 3-0. Assunto encerrado. O Benfica voltou a ganhar. A monotonia da vitória é tudo aquilo que quero na minha vida.

Nada de novo trouxemos ao futebol esta noite, o líder era favorito e ganhou. Óptimo. Jogo tranquilo sem grande emoção, é o que se quer. Por mim, era sempre assim. Sempre.

Vivo bem sem triunfos no último minuto ou defesas milagrosas a evitar a perda de pontos.

Mas todos sabemos que são esses jogos decididos de forma épica que ficam mais vivos nas nossas memórias e que são os que dão gozo a isto tudo.

Mesmo assim, prefiro desafio monótonos como o de hoje.