Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Pass

Rumo ao 38

Red Pass

Rumo ao 38

Benfica 1 - 2 RB Leipzig: Eurocépticos

_JPT6016.jpg

O grande dilema é o seguinte: o discurso de retoma europeia não bate certo com os zero pontos no final do dia depois da estreia europeia. 

O Benfica começou a disputar a fase de grupos da Champions League pelo 10º ano seguido e não há maneira de sentirmos que a equipa dá o necessário salto qualitativo para bater certo com a promessa de pensar em grande na Europa. 

As campanhas todas acumuladas adensam mais o sabor amargo de uma derrota caseira no arranque de mais uma campanha na Liga dos Campeões. 

Nas últimas décadas o Benfica chegou aos 1/4 de final com o Bayern e com o Chelsea. Depois é preciso recuar a Koeman e lembrar o Liverpool. Foram as excepções que nos fizeram sonhar e que nos mostraram que podia acontecer um Benfica mais ambicioso na Liga dos Campeões. Mas por diferentes razões, o sonho de chegar mais alto vem sendo sempre adiado. Verdade que as duas caminhas até às finais da Liga Europa atenuaram bastante a frustração europeia mas não serviram de alavanca para mais e melhor. 

Parece que há um medo cénico do Benfica em tentar regressar ao mais alto patamar europeu. Os adeptos não levam a sério as noites europeias na Luz que apresenta sempre uma triste moldura humana entre os 16 estádios que desfilam nos resumos no final da noite, e, há que dizê-lo, depois outros compensam com prestações vocais memoráveis longe de Portugal agarrando a ideia que há que ter euro ambição. Os vários treinadores do Benfica vacilam entre usar o 11 mais forte e consolidado e tentar lançar novas caras para não comprometer os pontos na liga portuguesa. Liga essa que é outro problema para o Benfica. O nível é tão mais baixo do que qualquer campeonato do top 5 europeu que os treinadores ficam sempre tentados a mudar algo táctico, individual ou colectivo para improvisar e surpreender o adversário. Isto porque fica demasiado fácil para qualquer clube que tenha de defrontar o Benfica vir observar a prestação interna da equipa e perceber como se joga. São cerca de 30 jogos internos que o Benfica tem para contornar adversários a jogar quase sempre da mesma maneira. 

É isto em traços gerais. 

Vamos ao desafio de hoje. Bruno Lage mexeu na equipa e no plano de jogo. Parece-me óbvio que o faça. Seguir para este jogo com o habitual 4-4-2 seria tornar tudo ainda mais previsível para o adversário. Já com o Frankfurt se percebeu que houve uma preocupação de montar um ataque diferente sem dar nenhum jogador à marcação da linha defensiva. 

Hoje, Lage apostou em RDT mais à frente e Jota atrás, Cervi, uma surpresa mas que já tinha jogado no tal jogo com o Eintracht e Pizzi nas alas. Entregou o meio a Fejsa e Taarabt, dando continuidade a aposta do último jogo. Atrás também uma novidade, Tomás Tavares. André Almeida não estará ainda capaz de jogar dois jogos com um tempo de recuperação tão curto. Aqui parece mais uma necessidade do que um risco, mesmo porque Tomás Tavares fez uma exibição muito prometedora. 

Portanto, a novidade era Jota a atacar as entrelinhas e Cervi mais fresco, primeiro jogo da época, para atacar e defender com a mesma velocidade e intensidade. 

Curiosamente, de todas estas apostas a maior desilusão foi Pizzi. Mais uma vez em contexto europeu Pizzi parece eclipsar-se e até hesitar na hora do remate. É estranho o rendimento de um dos melhores jogadores do campeonato variar tanto em noites europeias. O valor de Pizzi quase que o obriga a estar no banco mas depois do jogo acho que até o próprio concordaria que teria sido melhor ter ido a jogo Rafa de inicio. São daquelas conclusões fáceis de tirar depois do jogo, antes é mais complicado. 

Com tudo isto, o Benfica conseguiu dividir o jogo. Conseguiu mostrar momentos de bom futebol, especialmente guiados por Adel Taarabt e com combinações de primeiro toque que chegaram a empolgar a Luz. 

A verdade é que o Benfica construiu oportunidades suficientes para marcar e isso é um bom indicador. O mais dramático é que continua a ser mortal a este nível não se concretizar as boas oportunidades. Grimaldo de livre viu Gulacsi a negar o golo, RDT arrancou grande remate mas voltou a sair ao lado, Pizzi foi irreconhecível na finalização e Cervi ainda devia estar a pedir desculpa pela envergonhada maneira como não marcou golo depois de um passe magistral de Taarabt.

Acrescenta-se a esta falta de qualidade na hora de fazer golo dois argumentos pesados. O primeiro é a diferença na hora de decisão de Timo Werner para a realidade que conhecemos. O alemão em oportunidade e meia faz dois golos. É duro mas é mesmo assim.

O segundo argumento é que há uns meses atrás quando batemos o Eintracht na Luz quem fez de avançado foi João Félix. Podem gostar muito ou pouco mas o rapaz é um craque e fez 3 golos resolvendo uma questão que hoje nem RDT, nem Jota conseguiram. E não conseguiram porque João Félix só há um de tempos a tempos e por isso é que saiu pelo valor que se sabe.

Então porque é que não se foi buscar um jogador assim? Bom, por mim trazia-se o Timo Werner, por exemplo. O problema é que só o dinheiro não chega para ter um jogador daqueles no nosso quadro competitivo e foi isso que Bruno Lage explicou na conferencia de imprensa antes do jogo com o Gil Vicente. 

É neste drama que vivemos. 

Houve coisas boas mas no fim da noite lá está o último lugar do grupo à nossa espera. 

Há jogadores importantes de fora por lesão e há uma pressão extra pela nuvem negra que tem pairado sobre as prestações do clube na prova. Só um bom resultado na Rússia e um positivo confronto duplo e directo com o Lyon pode devolver a esperança europeia aos adeptos. Há condições para isso desde que a objectividade na hora de concretizar suba aos níveis desejados. 

Hoje foi uma decepção. 

Benfica 2 - 0 Gil Vicente: A Naturalidade Que Já Não Chega

_JT_5554.jpg

Há uma enorme diferença entre as expectativas dos profissionais e dos adeptos. Isto é, quem faz parte da organização do futebol profissional do Benfica, técnicos e dirigentes, não vê o pré jogo e o pós jogo da mesma maneira que os adeptos nas bancadas ou em frente à televisão. 

Uma das grandes mais valias que Bruno Lage trouxe ao universo do Benfica foi humanizar essa visão sobre o futebol em geral. Não se repete entre lugares comuns, não avalia os jogos segundo uma realidade paralela ou uma ciência obscura só ao alcance de uns iluminados e tenta sempre explicar as suas opiniões. 

Serve esta introdução para contextualizar os sentimentos mistos que ouvi e li após o jogo deste sábado à noite. 

É verdade que não se pode justificar uma exibição menos conseguida logo à partida com a paragem das datas FIFA. Mas não se deve ignorar quando o melhor jogador em campo, Adel Taarabt, diz que a tal paragem tornou este jogo mais difícil. 

Também não se deve justificar a menor intensidade de jogo do Benfica, principalmente depois do 2-0, com o facto de estarmos a poucos dias da estreia na Champions League. Mas na verdade é algo comum a quase todas as trinta e duas equipas que vão disputar a maior prova de clubes do mundo. É reparar nos resultados e exibições de Juventus, das equipas de Madrid, do Manchester City ou mesmo dos três adversários do Benfica, só o Zenit venceu e com bastantes dificuldades. 

Isto nem são desculpas, são factos para tentar chegar aquilo que quero. Penso que a melhor maneira de avaliar e analisar a exibição do Benfica é utilizar o pragmatismo e o equilíbrio contextualizando o momento competitivo do calendário.

Posto isto, recupero as diferenças entre profissionais e adeptos para ir directamente a um momento do jogo que me deixou confuso. Quando Jota está na linha lateral pronto para entrar começou uma corrente de desabafos nas bancadas. Aconteceu na minha bancada e acredito que tenha sido em todo estádio. "Pronto, ele vai tirar o RDT". 

Placas levantas e sai mesmo o espanhol. A reacção das bancadas veio nessa sequência, assobios para a repetida decisão de Bruno Lage. Algo que me pareceu lógico e natural numa relação aberta e honesta entre adeptos e treinador. Os adeptos não estão a gostar que saia sempre Raul de Tomas e manifestaram-se. Não vejo mal nenhum mesmo porque este é um estádio que tem um legado assustador nas bancadas onde adeptos assobiavam lendas como Nené ou Cardozo e a própria equipa a ganhar quando não goleava. Até aqui nada de anormal. 

Mas reparei que a reacção de Lage, RDT e Seferovic é que baralhou isto tudo porque todos interpretaram a assobiadela como se fosse para o jogador a sair. E não foi. Até foi uma manifestação de carinho e confiança no espanhol, os adeptos queriam mais tempo em campo. 

Esta á minha interpretação de um dos momentos mais acesos da noite. Posso estar enganado mas o protesto foi para a decisão da equipa técnica. Repito que não vejo mal nenhum nisso e acredito que Bruno Lage também não se importe de explicar a opção. Mas isto faz parte do futebol porque, como comecei por dizer, há sempre uma visão do banco e outra das bancadas. E assim é que tem de ser. 

Já agora, deixo aqui também a minha visão de adepto de bancada sobre a não entrada de Tomás Tavares. Se era para lançar o miúdo porque é que não se tratou da substituição mais cedo? Mais um exemplo da maneira diferente como se vive o mesmo jogo.

Por falar em jogo, o que mais interessava era garantir os três pontos. Estes são os jogos que precisam de ser resolvidos com convicção. Bruno Lage ao ter normalizado as goleadas do Benfica no campeonato corre sempre este risco quando vence "só" por 2-0. É uma pressão óptima, uma dádiva só ao alcance de poucos treinadores. Elevar a fasquia para ser cobrado por vitórias menos expressivas e empolgantes. Há treinadores que fazem toda uma carreira contentes com um triunfo por 1-0. Lage no Benfica tem que se justificar quando ganha por 2-0. 

Um jogo no Estádio da Luz contra uma equipa repescada da 3ª divisão, depois de uma goleada em Braga, depois de um último jogo na Luz de má memória, tudo isto somado pedia uma goleada com futebol atractivo num sábado à noite e motivação para o grande embate com o líder da Bundesliga que, diga-se, não está a entusiasmar os 60 mil que podem encher a Luz, o que lamento.

A realidade é que o Gil Vicente é uma equipa já bem arrumada, muito bem treinada por Vítor Oliveira, com alguns jogadores muito interessantes, como Kraev, Sandro Lima, Baraye ou o guarda redes Denis, e veio à Luz com um plano de jogo digno e bem pensado pelo seu treinador. 

Conseguiu atrapalhar os pontos fortes do Benfica, faltou mais qualidade ofensiva e assustar a defesa do Benfica mais vezes. Mas deixou boa imagem na visita à casa do campeão. 

No Benfica houve estreia na dupla do meio campo, Fejsa regressou à posição "6" e Taarabt voltou a ser "8" e, tal como em Braga, esteve muito bem. Tão bem que acabou por ser o melhor em campo tendo naquele passe que acabou por dar o 1-0 o melhor lance para recordar. 

De resto, a mesma equipa do Benfica com as qualidade de Pizzi e Rafa, as expectativas em Seferovic e RDT, os apoios de Grimaldo e André Almeida e a segurança de Ruben e Ferro. Odysseas voltou a assinar uma folha limpa, a quinta em seis jogos. 

Não foi exuberante, não foi entusiasmante mas é muito agradável que se passe a avaliar as exibições do Benfica do ponto de vista do luxo. É que foram décadas a analisar jogos do ponto vista do lixo onde algumas vitórias pela margem mínima eram elogiadas pelo esforço e triunfos por mais de um golo de diferença eram tranquilas. Eu gosto mais assim. Um 2-0 ao Gil Vicente que deixa o pessoal alarmado. É preciso mais e melhor. 

Volto a referir o conceito de equilíbrio, acho que é o mais sensato. Era preciso regressar ao ciclo de jogos de clube com uma vitória e sem sobressaltos. Depois de Pizzi ter falhado o penalti o jogo podia ter ficado feio. Felizmente, a equipa procurou o golo antes do intervalo. Até no feliz 1-0 há drama no Benfica, o autogolo de Ygor Nogueira deixou RDT em nervos. Ou seja, o Benfica resolvia um problema antes do intervalo mas como não foi de forma imaculada viu-se drama. Isto, às vezes, não parece um clube de futebol, parece um enredo do dramaturgo William Shakespeare. 

O Benfica ganhou bem, fez a sua parte antes de começar a caminhada europeia. Estamos com cinco jornadas na Liga e há dúvidas dentro do futebol do Benfica. Há e vai continuar a haver. Foi o primeiro jogo após o fecho de mercado e com as lesões vamos ter ser matéria para especular entre as posições "6" e "8" além das dinâmicas da dupla atacante. Um 2-0 é um resultado natural que já não chega para satisfazer as exigências dos adeptos porque Bruno Lage vulgarizou as goleadas. Engraçado. 

Mas a tudo isto chama-se época de uma equipa de futebol que costuma ultrapassar a meia centena de jogos. 

Segue-se nova viagem ao Minho, estamos em ciclo de jogos com equipas minhotas na Liga e essa estreia na Liga dos Campeões com os líderes da Bundesliga na Luz. Uma visita à dimensão maior do futebol mundial numa pausa da limitada realidade do futebol português. 

Belenenses SAD 0 - 2 Benfica: Rafa Anti Tudo e Todos!

rafa.jpg

Antes de irmos ao jogo tenho de começar por falar naquilo que o rodeia. 

Este foi o segundo jogo fora da Luz da época. O primeiro foi organizado pela FPF, este foi responsabilidade da Liga Portugal. Sobre as condições miseráveis do Estádio do Algarve está tudo escrito na crónica da Supertaça. Esta partida era do campeonato da Liga e as razões de queixa dos adeptos são na mesma escala.

Reparem, quem é que se preocupou em promover este jogo, em chamar gente ao Jamor em preocupar-se com iniciativas que passaram por publicar vídeos com jogadores a convidarem os adeptos a ir ao estádio? 

O Belenenses SAD, vamos chamar-lhe assim, nunca iria fazer tal coisa, mesmo porque não tem adeptos para convidar. 

Terá sido a Liga Portugal? 

Não. Foi o Benfica. O Benfica desafiou os seus adeptos a invadirem o Jamor. Mesmo na condição de visitante, foi o Benfica o responsável pela melhor assistência que o Belenenses SAD terá para apresentar no final da época, arrisco eu. Não sei quantos milhares de benfiquistas foram ao Jamor porque não encontrei até agora o número oficial mas, claramente, foram muito mais do que na época passada. 

E porque é que a Liga não se mete nisso de chamar gente ao Estádio. Uma rápida reflexão dá-nos uma possível resposta. Aquilo funciona bem como está na maior parte dos jogos da competição ali disputados. Sem transito, sem problemas de acessos, sem pessoas a desesperarem para entrar no Estádio. Sem adeptos, tudo corre melhor. Os adeptos atrapalham muito e depois são chatos com reparos. 

ECMBwwaWkAAZBsP.jpg

Meia dúzia de torniquetes em cada lado da Praça da Maratona mais uma revista policial lenta leva a uma espera desesperante. Aliás, o jogo começa e continuam adeptos a entrar em número impressionante.

Casas de banho no Estádio é tarefa quase impossível, bares nem vê-los e, finalmente, as cadeiras imundas à  nossa espera. Parece ser um toque de classe do nosso futebol, não é? Venham ao futebol, pá! Ah, e tragam um kit de limpeza de cadeiras de plástico. Que vergonha, que nojo. A FPF e a Liga deviam pensar numa parceria com a 5àSec para umas limpezas de calças e calções de borla. 

ECMzHXTXsAI_dxJ.jpg

O cenário à volta do jogo é todo tão mauzinho que nem a cobertura de rede de dados para telemóveis é decente. Em compensação, tivemos a constante visita de vespas que fazem um curioso ninho naquela bancada. 

E no final quem optar por sair por cima do Topo vai dar a um caminho de corta mato com obstáculos numa descida radical às escuras.

Enfim, é preciso gostar muito do Benfica para passar sábados numa realidade de terceiro mundo. 

Compreendo perfeitamente quem já não tenha paciência para meter os pés nos estádios com estas condições. Já tenho mais dificuldade em perceber a mentalidade de todos aqueles, e são muitos, que se dão ao trabalho de ir ver o jogo mas depois viram as costas à equipa completamente imunes à incerteza no resultado. Parece que há um despertador invisível na bancada que toca sem parar a partir do minuto 70 e empurra os adeptos do estádio para fora criando um cenário surreal para quem fica sofrer com a reacção do Belenenses SAD à vantagem do Benfica. Ou seja, está 0-1 e há centenas (milhares?) de benfiquistas que não estão preocupados com desfecho final do jogo e vão à sua vida. Ou então, todos eles são movidos a uma confiança tão alta que têm a certeza que o Benfica ganha os três pontos e a prioridade deles passa a ser chegar à A5 antes dos outros. Não entendo. 

ECMzZogW4AIPd2H.jpg

Finalmente, o jogo.

Começou por Silas. O treinador que descobriu como trabalhar um sistema que parte de uma linha de 5 defesas para condicionar por completo o jogo ofensivo do Benfica. Funcionou nos últimos três jogos, hoje voltou a apostar neste conceito. Silas colocou muitas dificuldades ao Benfica, principalmente no jogo interior e ainda viu Odysseas negar um golo que ia repetindo o cenário do jogo da época passada. Desta vez o internacional grego foi determinante para manter tudo igual. 

Apesar de gostar muito do trabalho do Silas, não consigo compreender como é que o treinador passou o jogo a ir até perto do relvado dar instruções à sua equipa. O Rúben Amorim não foi castigado por estar numa condição académica parecida? 

No Benfica voltou a ficar aquela sensação que a equipa mesmo sem conseguir fazer uma exibição empolgante, cria três ou quarto oportunidades em cada parte. Geralmente, com a qualidade individual que tem, é futebol suficiente para chegar à vitória. Neste caso, a tradução à letra de qualidade individual escreve-se assim: Rafa. 

Jogo soberbo do avançado do Benfica, foi ele quem desequilibrou a organização azul e inventou o primeiro golo que desbloqueou a equipa para uma vitória muito saborosa. 

A juntar a tudo isto havia a componente psicológica, ou como diz o Valdano, o medo cénico de encarar uma equipa treinada por um homem que não sabia o que era perder para o Benfica no Restelo, no Jamor e na Luz. 

Olhando mais a fundo para a equipa do Benfica, há algumas dúvidas que persistem do meio campo para a frente quando o jogo está demasiado previsível. Hoje houve Pizzi a menos e Rafa a mais, RDT parece menos confortável atrás de Seferovic que não mostrou eficácia na hora da verdade. 

Só que depois, nas contas finais, vemos que Seferovic só não marcou por causa do VAR e Pizzi acabou a noite a festejar o 0-2, mais um jogo a marcar! 

Por falar em VAR, além de todas as questões que já lancei extra jogo, vamos juntar mais esta. Há uma semana, a Liga inglesa estreou o VAR e uma das preocupações principais dos ingleses é informar os adeptos nos estádios sobre o que é que o VAR está a intervir. 

Que me lembre, em Portugal já estamos a levar com o VAR, nós benfiquistas, desde a final da Taça de 2017 contra o Vitória SC. Em plena época 2019/2020 continuamos entregues aos mistérios do VAR sem termos a menor ideia do que se está a passar. Saí do Jamor sem entender porque é que o golo foi anulado. Nada vai ser feito para informar quem está no estádio, pois não? Claro que não, esta malta que vê jogos ao vivo só atrapalha. O melhor é recorrer à internet do smarphone. Ah, espera... a cobertura de rede é horrível. Quando conseguimos aceder a uma rede social qualquer é para ficarmos a saber que o mesmo VAR ignorou este lance do Rafa que estas pessoas insuspeitas analisam assim:

98c63361-1a73-45b5-96e8-242a096e4d4c.jpg

Estamos esclarecidos.

Por falar nisto, quem era o árbitro e quem estava no VAR? 

Pois. 

É que há as regras escritas, as normas e as leis que devem ser seguidas. E depois, como em tudo na vida, há a invisível lei do bom senso que pede que não se criem dilemas desnecessários. Qual é o objectivo de quem manda em chamar Veríssimo e Xistra para apitar um jogo com um historial tão complicado para o Benfica depois daquele atentado que foi a actuação da dupla em Janeiro deste ano na Final Four da Taça da Liga? Não houve lei do bom senso. Houve provocação. 

Também por isto, esta foi uma vitória importantíssima. 

Apesar da forma como somos tratados, para a semana lá estaremos no nosso lugar pago indiferentes ao local e adversário. 

Ao Jamor espero só voltar na final da Taça de Portugal, a ver se escapamos a esta aberração chamada Belenenses SAD nos sorteios da Taça. 

Se em Maio cá voltarmos, espero que a FPF se digne a limpar os lugares dos adeptos, pelo menos. É que isto não pode só ser frases fortes como Futebol a Sério e Futebol com talento e depois apresentarem um embrulho todo bonito para um conteúdo de terceiro mundo. Vejam lá isso. 

Quanto ao Benfica, é continuar a trabalhar, há muito para melhorar no jogo e manter este foco frio e objectivo no próximo adversário. 

 

Benfica 4 - 1 Santa Clara: Ao Benfica o que é do Benfica!

60865155_10161813226980716_5570533524479410176_o.j

Após o último jogo do campeonato, entre abraços e cumprimentos, várias vezes me lembraram que agora iria ter a crónica mais complicada para escrever. Compreendo a expectativa pela responsabilidade que é estar à altura deste feito do Benfica mas acabei por chegar à conclusão que é uma ideia errada. 

Em seis anos, esta é a quinta vez que me sento tranquilamente com o sentido do dever cumprido e começo a escrever uma prosa sobre um campeonato ganho pelo Benfica. Quinta vez em seis anos é de uma grandeza brutal. Isto leva-me aquele pensamento que várias vezes repito ao longo da época, a maravilhosa monotonia da felicidade. Tudo o que eu quero na minha vida é esta reconfortante sensação que o universo está alinhado e equilibrado com o Benfica a cumprir o seu destino. º

Comecemos pelo jogo. Era preciso levar o desafio com o Santa Clara de maneira muito séria e concentrada. Depois dos sustos com o Braga e com o Portimonense, depois do emocionante jogo em Vila do Conde, eu só pedia uma partida sem incertezas no resultado e de sentido único. Curiosamente, o resultado foi muito melhor do que a exibição. Aos 39' já se festejava o título com o 3-0. A facilidade com que o Benfica rematou quatro vezes à baliza de Marco Rocha e fez três golos afastou em definitivo todo e qualquer cenário menos esperado e indesejado.

Chegar ao intervalo com um sentimento de campeão, felicitar a equipa feminina de futebol do Benfica pela conquista da Taça de Portugal, olhar à volta e ver a felicidade estampada no rosto dos benfiquistas pelas bancadas da Luz fez com que este intervalo tenha sido o mais rápido da época. 

Segunda parte, 3-0, o tempo a correr a nosso favor, esperar 11' pelo bis de Seferovic e ter a certeza que o helvético ganha a bola de prata. Uma tranquilidade que contrasta com o ambiente electrizante do estádio.

Começar a passear pela bancada, abraçar um a um amigos e amigas, companheiros de longa data ou outros mais recentes, sim porque o segredo do benfiquismo é o constante abrir de portas nas nossas vidas a novas caras que se ligam a nós pelo amor que temos pelo clube. 

Os minutos a passarem e o olhar para o relvado já não transmite ao cérebro as nuances tácticas das equipas, as marcações individuais ou as curiosidades do jogo, antes serve para um desfile de imagens que vou recuperando desde Agosto. As viagens por esse país fora com diferentes carros, diferentes condutores, diferentes companheiros. Os inesquecíveis repastos, as maravilhosas horas de tertúlias, os encontros e reencontros com benfiquistas que vivem longe da Luz, a sul e a norte. As histórias partilhadas, o que partilhamos, o que aprendemos, as horas nas auto-estradas deste país, o pesadelo que foi aquele regresso de Portimão, o impulso de ir a Aves numa 2ª feira, o festejo do golo do Ferreyra no Bessa, as épicas vitórias nos terrenos de quem mais nos odeia. Que viagem que foi este 37.

E nisto, o Santa Clara marca por César que não festeja. Foi simbólico. Serviu para me chamar de volta à realidade e para termos um termo de comparação entre um rapaz que o Benfica transformou em jogador do Real e o simpático César, um central esquecido mas que, por mérito próprio, se fez notar como mais um jogador agradecido e respeitador. O outro é que é a excepção que confirma a regra. A regra que pôde ser testemunhada no pós jogo com o desfile de ex jogadores do Benfica que quiseram dar os parabéns. Tantos e tão bons. Que bem trabalhado o Benfica nos últimos anos no sentido de ser servido por óptimos jogadores e por estes ficarem ligados ao clube sentimentalmente.

Terminar a Liga com uma vitória natural de 4-1 é uma excelente amostra do que foi este Benfica desde a entrada de Bruno Lage. Ele que, primeiro, reconquistou os adeptos de uma forma inédita. Explicando o seu jogo, a passagem para o 4-4-2, a aposta nos miúdos que conhecia da B, mais o Taarabt, em vez de atacar o mercado de inverno. Mostrando um futebol atraente de pressão alta, de atracção ofensiva e com uma veia goleadora à Benfica. Um verdadeiro conto de fadas que culminou neste dia 18 de Maio em festa exuberante.

D67GRdDXoAAkXVc.jpg

Foi preciso recorrer a crimes organizados de informática, expondo de maneira inédita a vida privada e empresarial do Benfica, perante a euforia da comunicação social que elevou à condição de heróis fracas figuras como esse Jota Marques, para abanarem o universo benfiquista. Foram dois anos em que todos os dias tivemos que ouvir falar em mails, vouchers, malas, toupeiras e muitas outras coisas que nada se parecem com futebol. Ia tudo preso, o Benfica descia de divisão, ia perder campeonatos passados, íamos descobrir que o Benfica era uma fraude desde os tempos do Cosme Damião. As noites deste país passaram a ter como desporto nacional a militância do ódio anti benfiquista. De tudo valeu para se estragar todo o ambiente à volta do futebol em Portugal. Todos os complexados deste país unidos a uma só voz gritando que o Benfica tem de acabar. Perdeu-se um título e todos eles rejubilaram, mesmo os que não ganham um campeonato há quase duas décadas. Tentaram dividir a nação benfiquista. E quando o Benfica estava no final das suas forças, a sete pontos do líder, aparece um inesperado homem do leme que, com a bênção presidencial, resgatou o orgulho, o amor próprio, a honra, a ambição, a mística e o amor incondicional pelo clube em todos os adeptos. 

Depois de todo este quadro negro e de pesadelo, depois de assistirmos a inacreditáveis decisões de arbitragem que levaram a um avanço tão confortável que o rival chegou a prometer ir festejar o título nos Açores, depois de nos sentirmos impotentes perante tamanho ataque o que é aconteceu? O Benfica reapareceu forte e jogo a jogo recuperou tudo o que lhe pertencia. O Benfica acaba campeão quando acharam que tinha morrido. O único Jota deste país que decide e lidera a opinião pública é o Jota Félix!  O miúdo foi um dos rostos da revolta e da revolução do Benfica. E Acabou no Marquês com mais de meio milhão de benfiquistas. Com uma festa que foi reproduzida um pouco por todo o mundo.

Quando eu escrevi aqui depois da última Taça de Portugal ganha para os benfiquistas não caírem na tentação de desprezar conquistas, nem se acomodarem de mais, ninguém levou a sério. Agora perceberam que é um erro. TODAS as conquistas são para se festejar a sério. Ninguém nos dá nada. Ninguém nos quer felizes. Mas nós todos juntos temos uma força de vontade e de mobilização única no mundo e, por isso, este campeonato também foi ganho na rotunda da Luz a receber o autocarro ou no Seixal na despedida da equipa ou em Gaia no Hotel onde o Benfica fica, ou na chegada a Braga ou nos Arcos, em Vila do Conde. E nos estádio de norte a sul e na Luz. Porque este gigante quando se empolga é imbatível. Marca mais de 100 golos na Liga, fabrica bolas de prata, reis de assistências e deixa a Europa louca com mais uma mão cheia de putos imunes ao ódio e à inveja que caracteriza este país. Por isto é que o Benfica é maior que Portugal. Por isto é que o Benfica é maior que as nossas vidas.

A festa rebentou, o povo anda sorridente na rua envergando orgulhosamente roupa e adereços do Glorioso, o povo está ainda mais orgulhoso do seu Benfica depois de tudo o que fizeram de mal ao clube.

Este título é muito importante, vale mais do que só o 37. Esta reconquista deixa-nos mais perto do 38 e dá um forte aval à ideia que foi lançada nos últimos anos, um Benfica forte com atletas da sua formação, com jogadores que já são referências no clube e à procura de reforços pontuais que acrescentem qualidade inquestionável para novos desafios e mais conquistas.

O 37 já cá está. Temos muitas semanas pela frente para o celebrar como merece ser celebrado mas todos já com o olhar focado no horizonte para o 38. Rumo às quatro estrelas por cima do nosso emblema. Está perto. Vai acontecer.

Tão bom ser do Sport Lisboa e Benfica. 

 

Benfica 5 - 1 Portimonense: Os Sagrados 10 Segundos do Minuto 65

_JPT8386.jpg

Muita concentração para este exercício: voltemos ao minuto 65 deste jogo. Tentem imaginar uma sensação melhor, uma  emoção maior, na vossa vida do que aqueles 10 segundos entre a recepção de Rafa na grande área, o disparo para o 2-1 e a maneira como festejaram a reviravolta. 

Não há nada superior a isto, pois não?

É por isto que o futebol do Benfica tem tanta importância na nossa vida.

Para trás tinha ficado uma hora de agonia e sofrimento. 

Sair da Luz e voltar à vida é ter de explicar a familiares ou amigos que o resultado final foi 5-1 mas que nesta tarde durante uma hora sentimos o mundo perto de desabar. Ninguém entende fora do contexto certo.

O Portimonense de Folha jogou muito bem, não caiu na tentação do anti jogo, esteve a ganhar e assustou a sério Bruno Lage e os seus seguidores. 

As culpas do Benfica não fáceis de decifrar. Será ansiedade, medo de falhar, pressão extra pelo pouco que falta jogar, alguma coisa se está a passar com as entradas do Benfica nos últimos dois jogos. 

O que não é atacável é alma e a determinação com que a equipa responde quando o quadro é negro. Aqueles cinco minutos em que Rafa nos resgatou da depressão ao alivio foram absolutamente mágicos. Poucas vezes se viu, sentiu, viveu um ambiente assim na Luz. 60 mil adeptos em êxtase numa explosão colectiva de raiva e acreditar nos seus que fez tremer todo o estádio. O Benfica empatou e a Luz entrou em erupção. No 2-1 ouviu-se um festejo tão ensurdecedor que fez lembrar as melhores celebrações da antiga Luz. Ao nível de um golo ao Steaua ou Marselha. Sem exageros.

Foi de tal maneira libertador que a equipa arrancou para mais uma épica goleada. Uma série de golos até como que a compensarem todo o sofrimento que tinha ficado para trás e que já ninguém se recorda.

Não vale a pena virmos para aqui dizer o óbvio que é ter de evitar sofrimentos. Num mundo ideal o Benfica começava todos os jogos a ganhar e chegava ao intervalo com um 4-0. Bruno Lage e os jogadores lá saberão como preparar a viagem a Vila do Conde. Uma coisa certa, nos Arcos os benfiquistas lá estarão em peso preparados para sofrer e carregar a equipa para mais uma vitória. Nem é nada de novo naquele estádio, certo Raúl?

Hoje o jogo resolveu-se na 2ª parte, a baliza Grande da Luz cumpriu o seu destino e todos temos um resto de fim de semana bem melhor.

Faltam dois jogos. São os dois para ganhar. 
A montanha russa de emoções deste sábado vai dar lugar a um vazio e ansiedade própria de quem vai começar tudo do zero de novo no próximo fim de semana. 

Ai aqueles 10 segundos no minuto 65... 

 

 

Braga 1 - 4 Benfica: O Minho é Benfica!

D5QpM37WwAA-xvb.jpg

Para quem acha que isto de fazer mais de 700 Km's num dia só para estar onde o Benfica joga é uma festa e só divertimento deixo aqui o relato de um final de jogo que devia corar de vergonha todos os responsáveis pela organização do jogo de Braga e do seu policiamento. Num dos momentos mais felizes da temporada, no desfecho de um dos jogos mais complicados deste final de temporada, a euforia marcava aquela bancada superior destinada aos adeptos do Benfica. Uma goleada construída na 2ª parte garantiu os 3 pontos e a liderança a três jogos do fim. É ali, naquele momento, que os adeptos têm o direito de se manifestar, de celebrarem a vitória, de mostrar o seu alivio e contentamento. Devia ser naqueles minutos que a expressão festa do futebol desse sentido à vida de homens, mulheres, crianças, mais velhos e mais novos, todos unidos pelo amor ao Benfica. 

Nada mas mesmo NADA pode justificar a carga policial que testemunhámos das filas mais altas da bancada por ali abaixo, com os policias a baterem descontroladamente em TODOS os adeptos que pagaram para ir ver este jogo da Liga NOS.

Momentos de pânico e de vergonha que deve ter tirado a vontade de um dia voltarem a um estádio a dezenas de crianças, de pais, de homens e mulheres, jovens e idosos. 

Se a justificação era a pirotecnia usada na bancada, e que resultou em imagens incríveis como a que se pode ver abaixo, então isto devia dar até demissão do ministro da Administração Interna. 

D5QxQP9WsAAVIMj.jpg

É que não conheço nenhuma lei neste país que diga que o uso de pirotecnia deve ser punida com violência gratuita e indiscriminada. Há castigos previstos, há multas previstas, até há quem todos os dias sonhe em fechar o estádio da Luz, o que não pode acontecer é este espectáculo absolutamente repugnante de violência policial. 

 

Quem organiza os jogos do Braga também devia vir dar explicação aos milhares de adeptos que encheram aquela bancada superior. Porque é que só se usa uma escadaria de acesso à bancada obrigando dezenas de milhares de adeptos a uma espera para entrar e, sobretudo, para sair absolutamente anormal. Repito, só se se pode usar uma escadaria, e portanto, uma entrada, para TODA a bancada. Vergonhoso, irresponsável, desrespeitoso.

E o que dizer dos relatos que nos chegaram do outro lado do estádio onde adeptos do Benfica foram agredidos, muitos tiveram que ter tratamento hospitalar, com invasões de adeptos do Braga até aos camarotes? E agressões adeptos à saída do estádio. Vai tudo assobiar para o ar? Vergonha alheia.

Para terminar este quadro negro, porque raio temos que levar com uma coreografia que não nos deixa ver nada para o relvado até o jogo começar? Era do lado das claques "legalizadas" do Braga? Ok, então façam coreografia em que a altura não ultrapasse as suas bancadas. Na Luz não se tapa a bancada dos visitantes com panos. 

D5QMh6dW4AA5fb7.jpg

Como se vê, o respeito pelo adepto do futebol é zero. Tudo se faz para afastar as pessoas dos estádios. Mesmo assim, a Pedreira hoje teve a maior enchente da temporada. E isso deve-se apenas e só a um amor incondicional e irracional que os adeptos do Benfica têm pelo seu clube. É caso único em Portugal, é caso raro na Europa. É uma das principais fontes de inveja e ódio do resto do país. Esta invasão benfiquista a Braga transtornou muita gente e deu um conforto à equipa que pode valer momentos históricos. 

Mandaram 1500 bilhetes para a Luz? A resposta dos benfiquistas foi esmagadora. 

O jogo não começou bem? Não. Até parecia que o empate de Vila do Conde bloqueava o futebol ofensivo do Benfica, quando devia ser o contrário. Ao intervalo a derrota pesava imenso nos pensamentos de quem tanto espera da equipa. Não tínhamos atravessado o país para ver uma exibição tão apagada. O povo benfiquista que invadiu a Pedreira não foi ali para ver o Braga a ganhar com um penalti de Wilson Eduardo. 

A 2ª parte começa com um apoio ainda mais forte da bancadas. Quando aos 52' João Félix viu a bola ser desviada por Tiago Sá para o poste, a Pedreira estremeceu com o bruá dos benfiquistas. A equipa acordou de vez, as bancadas explodiram de vez em apoio furioso para a reviravolta, não houve ninguém naquele recinto que não tenha sentido que ia acontecer remontada.

Aos 59' e 65', Pizzi não vacilou e colocou o Benfica na frente com dois penaltis. 
Pizzi que passou a ser o jogador com mais influência neste campeonato, com 12 golos e 19 assistências. Esteve directamente ligado em 31 dos 91 golos do Benfica. Isto porque além dos golos, ainda fez uma assistência para Rúben Dias aos 69'. 

Rúben Dias que está a fazer uma temporada soberba, bateu hoje o recorde de jogos pelo Benfica numa época, superando... Pizzi. Líder natural da defesa e da equipa. Autoridade do Seixal para a equipa principal do Benfica.

Rafa fechou a contagem regressando aos golos. Aos 90', um grande golo a fechar uma 2ª parte de sonho da equipa. Rafa que também está na sua melhor campanha de sempre, já bateu o ser recorde de golos marcados.

Toda a equipa percebeu o momento do jogo, o contexto do campeonato e a necessidade de vencer num campo complicado. Repetiu os 4 de Moreira de Cónegos e de Santa Maria da Feira, as últimas saídas da equipa.

É muito importante perceber que só com uma atitude superior nos segundos 45' foi possível evitar um drama. Estamos tão perto de ser felizes como de entrar em depressão profunda. Tem que haver equilíbrio. Dentro e fora de campo. Celebrar os 3 pontos e depois esquecer este jogo e começar a pensar que o Portimonense em Janeiro ganhou por 2-0. Levar isto a sério, sem euforias nem fanfarronices. Era importante que todos pensassem assim. Não faltam exemplos de falhanços na recta final do campeonato. De preferência, que nos próximos três jogos haja mais Benfica da 2ª parte e menos da 1ª. 

Antes do grande jogo em Braga, houve desvio até Vila Verde para revisitar um restaurante que devia ser considerado uma das maravilhas de Portugal. O Torres, em Vila Verde, tem uma oferta gastronómica imbatível ao nível da proteína. 
Foi isto que aconteceu:

Longa vida aos senhores benfiquistas do Torres.

Grande dia passado na estrada, mais uma visita ao Minho bem sucedida no dia em que César Brito fez magia nas Antas em 1991. Um dia inspirador que trouxe o Famalicão de volta À primeira divisão. Mais uma viagem ao Minho para a próxima temporada. Aliás, duas, que o Gil Vicente também vem aí. Gastronomia da boa não faltará na próxima época.

Para já, só interessa o jogo com o Portimonenses. Temos um 2-0 para rectificar na Luz.

Só isto interessa. 

 

Benfica 6 - 0 Marítimo: Campo Trocado? Resultado Pesado.

_JPT6649.jpg

Pessoal da Madeira que torce por um dos clubes da Ilha:

Até há pouco tempo tinham três equipas na divisão maior, não raras vezes viam os seus clubes a lutarem por uma vaga europeia. Ultimamente, só Marítimo tem representado a Madeira com regularidade na Liga NOS e este ano lutam para não descer juntamente com o Nacional. Quero que ponderem o seguinte detalhe, ambas as equipas quando tiveram o privilégio de visitar a Luz resolveram fazer a rábula de obrigar o Benfica a atacar para Sul primeiro. Resultado das duas visitas ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica, 16-0! 

Pode ser coincidência mas os 10-0 do Nacional e estes 6-0 ao Marítimo começaram com uma troca de campo invulgar na Luz. Pensem nisso.

 

O Benfica vinha de uma ressaca europeia, entrava com a habitual pressão de saber que o rival já tinha despachado a sua tarefa, na prática já despachou todas as tarefas até ao fim, e voltou a dar uma excelente resposta a todos os que esperam um mau resultado na Liga. Bruno Lage na Liga NOS leva 15 jogos, venceu 14, empatou 1 e leva 56 golos marcados contra 11 sofridos. Recuperou a liderança e tem mantido a equipa na frente com categoria. 

A 4 jornadas do final do campeonato, o Benfica tem 87 golos marcados. O segundo classificado tem 62. 

Esta superioridade tem que ser demonstrada e defendida até ao fim. Hoje, o Benfica voltou a começar o jogo muito bem e abriu a partida com o 1-0. Mais um golo de João Félix. Canto de Pizzi e Félix a rematar de primeira. 

Não há nada melhor do que começar assim os jogos. Depois é continuar a carregar e partir para uma noite descansada. Hoje só na 2ª parte veio a tranquilidade absoluta. Cervi aproveitou a titularidade para bisar, imitou o inevitável Félix, Pizzi fez o seu golo e ainda houve tempo para Salvio regressar aos golos. 

O golo de Salvio aparece ao minuto 90. O segundo do Cervi tinha acontecido aos 88'. A quantidade de adeptos que não viram os golos por já terem virado costas ao Estádio da Luz é absurda. 

Num mundo perfeito o Benfica só marcava golos a partir do minuto 88 para castigar todos aqueles que teimam em não ficar no seu lugar até ao momento de aplaudir a equipa no final do jogo. 

Goleada entusiasmante numa noite de frio e chuva numa época familiar festiva que dá o mote para as 4 finais que o clube tem de vencer para voltar a ser feliz. 

Eintracht Frankfurt 2 - 0 Benfica: Falta de Ambição Castigada

rode.jpg

Boas exibições, jogar bem, ganhar e convencer, nada disto pode ser um problema para o Benfica. Bruno Lage chegou à equipa do Benfica e ganhou no Dragão com exibição personalizada, encantou em Alvalade com um 2-4 que soube a pouco, voltou a bater o Sporting na Luz na 1ª mão da final da Taça de Portugal com um resultado demasiado curto para aquilo que a equipa jogou e deu espectáculo na Luz contra o Eintracht há uma semana, esteve perto do 5-1 e levou um traiçoeiro 4-2 para a Alemanha.

Ora, estes resultados juntam-se a outros menos mediáticos e devolveram aos benfiquistas o orgulho e o prazer de ver o Benfica jogar. Colocou o Benfica na rota do título, a Taça da Liga ficou marcada por uma arbitragem vergonhosa, deixou o Benfica às portas do Jamor e das meias finais da Liga Europa. 

Sempre a jogar ao ataque, com uma futebol ambicioso, com uma atitude conquistadora. 

Então, pergunto eu, porque raio se abdica dessa filosofia à Benfica em dois momentos chaves da época?! Em Alvalade, na 2ª mão da Taça de Portugal, fiquei com a clara sensação de falso conforto com uma vantagem mínima. Falharam-se oportunidades que podiam ter dado outro rumo, é certo, mas o pior foi a sensação de nos metermos a jeito. Isto, depois de dois derbys em que o Benfica não foi superior, foi muito superior! 

Agora em Frankfurt a mesma sensação. 

Houve uma pergunta na conferencia de imprensa antes do jogo da Alemanha que levantou a questão da gestão do resultado. Correu mal em Alvalade, teria servido de aviso para a Europa? Lage respondeu que não tinha comparação mesmo pelo espaço de intervalo entre os jogos das eliminatórias. Isto descansou-me, no sentido em que percebi que a lição estava aprendida. Por isto, quero pensar que a estratégia preparada para esta noite era ambiciosa e seria procurar marcar um golo ignorando a vantagem trazida da Luz. 

No papel via Félix na esquerda, Rafa na Direita, Seferovic no centro e Gedson pelo corredor central para desequilibrar. Ligeiramente diferente do que se viu na Luz mas parecia um plano válido. 

O problema foi perceber com o decorrer do jogo que a equipa ia abdicando de pressionar alto, de ter a bola e de procurar criar perigo. Foi um convite para o Eintracht tomar conta do jogo. A tal falsa sensação de controlo e conforto com uma vantagem curta. 

Volto então a dizer que depois de vermos o Benfica a jogar bem, a ser ambicioso e a mostrar vontade de vencer nos estádios dos maiores inimigos da sua história, fica muito complicado de entender esta apatia.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Tem sido tudo tão rápido que não podemos esquecer que esta equipa técnica só lidera o futebol do clube há pouco mais de três meses. Não sei se estas hesitações estão ligadas a tão prematura experiência mas é estranho ver que tudo o que queremos do futebol do Benfica pode ser bem feito contra as equipas mais temidas do nosso calendário e depois se caia numa vulgaridade surpreendente. 

A formula já está descoberta, rapazes! Entrar para ganhar, ter atitude ambiciosa, jogar bem e lutar por uma vitória em cada jogo. Tal com já fizeram em, quase, todos os jogos. 

É que esta exigência dos adeptos clube não é só um capricho arrogante. Esta exigência vem da gloriosa história do clube que tem muitas, demasiadas, noites de infelicidade marcantes. Os benfiquistas quando exigem que a equipa jogue sempre como jogou no Dragão ou em Alvalade para a Liga, por exemplo, é porque sabem que só assim ficam a salvo das maiores injustiças e infelicidades que o futebol tem para oferecer. 

O Benfica acaba eliminado nos 1/4 de final da Liga Europa sem ter sofrido mais golos do que marcou. Sai vitima de uma regra que daqui a uns meses já não estará em vigor. Daqui a uns anos vamos figurar como um dos últimos clubes afastados pela regra do golo fora da UEFA. Um sabor amargo que já vem daquela noite com o Dukla na Luz. Na nossa história figura também a última decisão europeia de apurar uma equipa por moeda ao ar. Passou o Celtic. Como se vê, não nos podemos colocar a jeito destas infelicidades.

Mesmo porque a tudo isto junta-se os famosos casos de arbitragens. Já deixámos de ganhar uma Liga Europa por causa de uma arbitragem terrível em Turim. Mas, lá está, se tivéssemos concretizado uma das muitas oportunidades teríamos sido tão felizes contra o Sevilha. 

Hoje custa mais engolir o golo que abriu o caminho para a reviravolta dos alemães. Perto do intervalo nenhum dos elementos da equipa de arbitragem consegue ver um fora de jogo tão óbvio que o próprio Kostic antes de ir festejar olhou duas vezes para o árbitro auxiliar. Isto numa prova organizada pela UEFA que passou o dia a elogiar o desfecho do louco jogo da véspera em Manchester. E bem. Por muito que tenha custado a Guardiola, o 5-3 foi bem anulado pelo VAR que viu Aguero em posição irregular. É muito complicado de entender que 24 horas depois seja possível uma equipa chegar à vantagem com um golo ilegal. Isto num jogo disputado entre dois clubes já habituados a conviver com o VAR nas suas ligas. Mais uma vez, vamos ficar ligados a um momento de injustiça. 

Estes são os factos de uma noite em que tudo o que podia correr mal, correu. E não foi por falta de aviso. Foi dito e repetido que o ambiente em Frankfurt era fervoroso, que a equipa alemã tinha dignos argumentos e que não se podia facilitar com uma vantagem de um golo e meio. Mais uma vez, ficou a sensação que a equipa do Benfica não se importava de passar com uma derrota por 1-0. Noites de sofrimento e resistência épica acontecem pouco porque acabam traídas por golpe de sorte, de azar, de uma má decisão do árbitro, de uma falha ou seja lá o que for. Noites como aquelas de Turim contra a Juventus são raras.

Ser afastado do sonho europeu pela regra do golo fora, por ausência de VAR e com a sensação que não somos inferiores ao sobrevivente alemão nas provas europeias só é superado em termos de agonia pela tal falta de ambição que todos sentimos. 

Sim, porque andar na Europa no mês de Abril também não pode ser um problema. A carreira europeia no Benfica não pode ser vista como uma chatice. O Benfica também se fez grande por todo o respeito que conquistou na Europa. 

Repito que esta equipa técnica só tem cerca de 3 meses de trabalho com esta equipa. Admito que haja hesitações, erros de avaliação e até erros do treinador. Isso não tem problema. Os últimos dois treinadores do Benfica tiveram ciclos de trabalho muito longos onde puderam errar à vontade. Não exijo a perfeição a Lage ao fim de 3 meses mas garanto que estou intrigado com esta forma de abdicar nas provas a eliminar daquela filosofia tão maravilhosa que nos voltou a colocar na liderança do campeonato de forma quase milagrosa. 

No fundo, não estava a pedir nada de mais para esta noite. Apenas e só que percebessem que o resultado da Luz era traiçoeiro e por isso teríamos de começar tudo de novo na Alemanha e voltar a fazer uma exibição igual ou, pelo menos, ao nível do que costumamos fazer na Liga. 

Fica este amargo de boca de falharmos as meias finais europeias. Que seja uma obsessão do clube chegar lá o quanto antes, é o que peço. 

Sobram as cinco finais do contra relógio do campeonato. Pronto, agora não há mais distracções, nem desculpas, nem tentações. Façam com que as exibições do Dragão e de Alvalade para a Liga não caiam no esquecimento. 

Rumo ao título e que para o ano não se hesite nas Taças nem na Europa. 

Benfica 4 - 2 Vitória de Setúbal: If The Kids Are United

_JPT5024.jpg

Passo já a explicar o titulo da crónica. Quando João Félix fez o seu golo e correu para o irmão lembrei-me de uma canção dos Sham 69 que diz "If The Kids Are United, Then We'll Never be Divided". Uma das músicas que mais ouvi, certamente. 

Só um momento muito especial, uma imagem muito forte, é que faria com que eu fosse buscar este tema na minha memória. 

Vivem-se noites de magia na Luz, João Félix tem tornado tudo muito mais especial e continua a coleccionar momentos e imagens para a eternidade com uma naturalidade impressionante! 

O Benfica anda a transformar períodos de tensão em celebrações divinas. 

Isto porque estamos na recta final daquilo que é uma corrida a dois mas não da maneira que nos querem vender. Oiço e leio por aí que a Liga está a ser decidida como se fosse uma renhida corrida de formula 1 com os carros lado a lado até ao momento final. Não concordo. A impressão que tenho é mais de um contra relógio ao mais alto nível do ciclismo. Há um rival que já fez o seu trajecto sem falhas e o Benfica está a 5 Km de completar a sua parte. Só que já sabe que não poderá falhar uma pedalada que seja, sob pena de perder a corrida. É que o concorrente está descansado na meta à espera de um tropeção. É ver o que tem sido os jogos do Porto neste campeonato, até o insuspeito Rui Santos acha que levam 10 pontos a mais...

Com este cenário, ao Benfica só resta ter a concentração máxima nos seus jogos e fazer o que Bruno Lage tem dito desde aquela vergonhosa meia final da Taça da Liga, foco naquilo que podemos controlar, ou seja, o nosso futebol. 

Nesse aspecto, o momento é prometedor. Depois dos 1-4 em Santa Maria da Feira, dos 4-2 ao Eintracht na 5ª feira, nova chapa 4, agora ao Vitória de Setúbal. 

É prometedor porque na última vez que o Vitória FC veio à Luz numa recta final de campeonato, perdi uns anos de vida com aquele triunfo por 2-1 com Pizzi a desafiar o 2-2 que, felizmente, não apareceu. 

Desta vez, o Benfica esteve sempre na frente e marcou logo no arranque da partida. Grande jogo de João Félix, de Florentino e de Rafa. Todos os jogos há um conjunto de jogadores a aparecerem mais fortes e inspirados que guiam a equipa para os resultados pretendidos. Claro que ainda há a destacar o jogo de Seferovic, que marcou e de todos os que ajudaram a conquistar os 3 pontos.

Pizzi ficou marcado pelo penalti que não conseguiu converter, Ruben Dias fez um penalti desnecessário, Ferro não teve a sua melhor noite e Samaris esteve um pouco abaixo da noite europeia mas todos foram importantes para controlar a vantagem e construir um resultado que permitisse uma noite mais tranquila do que seria de esperar. 

Regresso ao tema "If The Kids Are United" para realçar, com tristeza, que continuamos a ter um ambiente muito estranho na Luz. Os putos Félix deram o exemplo de união, a equipa toda dá o mesmo exemplo quando se trata de celebrar golos mas isto não se reflecte nas bancadas. Absolutamente deprimente a assobiadela prestada à equipa, pior do que isso, a um miúdo como Florentino, antes do intervalo com a equipa a vencer por 2-1. Inexplicável. Isso não é exigência, é demência, meus caros.

E depois, antes dos 60 minutos, ver Bruno Lage a pedir apoio a umas bancadas adormecidas é embaraçoso. O que é que se passa?! Não percebo em que ponto é que a Luz se transformou num espaço assim. Esta plateia não mereceu aquele desarme do "Tino" que acabou em golo. Desculpem mas não merece mesmo. Talvez por saberem isso, a maioria dos espectadores vira costas ao jogo 10 minutos antes do seu final, completamente  desinteressados da possibilidade de mais um golo ou de uma possível calorosa ovação já depois do jogo terminado que conforte os nossos jogadores para as cinco finais que faltam. Nada disso, quando a equipa se junta no relvado para agradecer ao público já só deve lá estar 20% da assistência anunciada uns minutos antes nos marcadores da Luz. Deprimente. 

Mais uma prova superada, uma vitória justa, segura e relativamente tranquila que nos deixa optimistas para o que falta jogar.

Os putos estão unidos. Falta o resto. 

Benfica 4 - 2 Eintracht Frankfurt: Euro Félix !

_JPT3710.jpg

Apetece-me agradecer. Obrigado, Benfica por uma magnifica noite de futebol. De futebol de ataque, com espaço para pensarmos o jogo, com tempo para analisarmos o adversário e percebermos como podemos ultrapassá-lo. Que noite de futebol na Luz. Que jogo do João Félix! Que prazer que foi viver esta partida, antes durante e depois. 

Quem diz que estes jogos não interessam e que quanto mais depressa o Benfica ficar de fora da Europa, melhor é para a equipa, é porque não conhece o clube. Estas é que são as noites do Benfica. 

Vão lá perguntar a um adepto do Eintracht o que achou dos golos do Félix no Dragão e em Alvalade. Não vão responder. Sabem porquê? Porque lá fora sabem mais de um tal de Rui Pinto do que do João. O nosso campeonato não tem expressão no estrangeiro e a imagem que o futebol português tem transmitido para o exterior é de uma lixeira a céu aberto. Por isso, só hoje é que a Europa descobriu, verdadeiramente, o que vale o puto Félix. 

O Eintracht é a única equipa alemã nas provas da UEFA em Abril. O mediatismo germânico está todo à volta deste duelo com o Benfica. Fazer 4 golos ao Eintracht faz mais pelo prestigio internacional do Benfica numa noite do que 10 vitórias em Santa Maria da Feira com os mesmos 4 golos marcados. É esta a realidade. Com a vantagem de que a seguir ao jogo ninguém vem falar de árbitros, VAR e afins. 

Quem não percebe que estamos a 3 jogos de voltar a fazer história na Europa gosta do clube errado. Por outro lado, quem julga os adversários apenas e só pelos nomes também precisa de se actualizar. Esta equipa alemã é uma das revelações do futebol europeu desta temporada. Hoje mostraram os argumentos que validam esta teoria. Fortes ao nível atlético e físico, duros, com a ideia jogo assimilada e uma grande vontade em marcar golos, este Frankfurt é uma bela equipa de futebol.

Recebi várias mensagens indignadas com o "11" escolhido por Bruno Lage. Li comentários devastadores nas redes sociais sobre a equipa do Benfica. 

Os anos passam e o pessoal não aprende. Há muitas maneiras de pensar o jogo. O facto da escolha não ser óbvia não significa desprezo ou desistência de nada.Pede-se compreensão, respeito e calma. Em vez disso, os adeptos parecem entrar numa espécie de suicídio colectivo baseado num "11" que não esperavam. 

E no final, na conferência pós jogo está lá tudo explicadinho. O Seferovic ficou de fora para evitar haver uma referência óbvia para a defesa, o Gedson entrou para desiquilibrar no jogo entrelinhas e ligar o jogo, Bruno Lage percebeu o desenho táctico do adversário e as consequências de jogar com uma defesa de uma linha de três e reinventou o ataque do Benfica. Mais mobilidade, três jogadores na linha da frente, Rafa, Cervi e João Félix e reforçar o meio do campo onde o adversário é muito forte. 

A desconfiança deu lugar à euforia, o Benfica chegou ao 1-0 de penalti e com expulsão para adversário. Só que os alemães não se retraíram. Em vez de recuar 10 metros, tirar um avançado e lançar um defesa, o Frankfurt manteve-se equilibrado e com a mesma ideia de jogo. Um risco que lhes valeu o empate por Jovic, inevitável. 

Félix inventou uma vantagem antes do intervalo, num grande golo, que moralizou a equipa, apesar do susto do 2-2 anulado mesmo em cima do intervalo.

O Benfica sentiu que podia marcar mais e rapidamente chegou ao 4-1.

Um resultado tão bom que devia ter levado a luz à loucura e não aconteceu. 

Seferovic podia e devia ter acabado com a eliminatória quando falhou o 5-1. Kevin Trap fez uma enorme defesa, diga-se.

Assim, de um resultado confortável passou.se para um 4-2 traiçoeiro e incómodo para o jogo da 2ª mão.

O pior ficou para o fim, com o jogo sempre partido, sempre aberto, com ambas as equipas a tentarem surpreender, o Benfica optou por gerir a posse de bola. Pois, houve uns milhares de benfiquistas que resolveram assobiar a equipa nesse momento do jogo levando Bruno Lage ao desespero.

Quem não entendeu o que se passou na Luz, a riqueza táctica do jogo, a exibição colectiva superior do Benfica, a noite individual de Félix, Gedson e Samaris, a importância da vitória, a qualidade dos golos, a necessidade de posse de bola, não merece o privilégio de viver estas noites europeias. 

4-2 é curto para Alemanha? Pode ser, sim. Mas o Benfica pode marcar em Frankfurt e fazer a sua história. 

Aconteça o que acontecer, esta noite já ninguém me tira.

E acabar a noite no Edmundo, em Benfica, a jantar e a conviver com adeptos alemães do Frankfurt, não há dinheiro nenhum que pague. Quando ganhamos internamente sentimos apenas e só um alivio. Vamos jantar e temos que nos esforçar para não sabermos o que se diz nas lixeiras transformadas em canais interessados em futebol.
Ganhar na Europa é outra coisa. 

Grande noite europeia que se viveu na Luz!