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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 2 - 1 Aves: Alma Até Almeida

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"Com a frase «Alma até Almeida» pretende-se elogiar quem nunca desiste, quem leva até ao fim um trabalho árduo ou perigoso – como se regista no Dicionário de Expressões Correntes (Editorial Notícias, 2.ª edição, 2000)".

 

O dicionário tem sempre a resposta certa para colocar em palavras o que queremos transmitir. A crónica do jogo podia terminar aqui que toda a gente percebia o seu sentido. 

Mas para chegarmos até à expressão "Alma Até Almeida" é preciso também ter mundo. É preciso ter a sorte de ter amigos que vivem o Benfica além dos jogos. Que se juntam depois de uma vitória sofrida para jantar e discutir a partida. Mesmo que nessa mesa estejam benfiquistas que vivem a 300 quilómetros e sigam viagem só após o repasto, mesmo que nessa mesa se repitam presenças dos jogos fora da Luz e, especialmente, mesmo que nessa mesa esteja quem seja aniversariante e mesmo assim se junte à tertúlia. E no fim, nas despedidas, sai um "Alma Até Almeida" como sugestão para tópico da crónica. 

Por falar em fazer anos, passei o jogo quase todo a tentar perceber o que se estava a passar neste final de tarde com o Aves. Dia 10 de Janeiro comemora-se o aniversário da Dalila, a minha mãe. Não me lembro do Benfica agravar desfeitas neste dia. A minha ausência num jantar de anos é justificada pela causa maior de ver o Benfica jogar. É uma justificação aceite maternalmente. Improvisa-se um almoço em detrimento do jantar, que seria mais lógico. Tudo resolvido. Mas para acabar dentro da normalidade faltava o Benfica cumprir a sua parte. Mãe, foi complicado mas resolveu-se. O golo do André Almeida é uma espécie de prenda celebrada em família. 

 

Todas as épocas há um jogo assim. Receber o último classificado depois de ganhar em Guimarães. A tentação de lançar Jota, André Almeida, Seferovic e Weigl, num jogo que teoricamente seria o mais indicado para todas estas soluções, torna-se num pesadelo com os imprevistos do futebol. 

Foi assim há um ano com o Tondela em casa, voltou a acontecer agora com o Aves. A boa noticia é que o Benfica arranjou uma maneira de resolver os jogos mesmo que nas pontas finais. 

Jota não foi feliz, André Almeida mostrou a tal alma depois do empate de Pizzi, Weigl mostrou-se e ficou a perceber que isto não é tão fácil como podia parecer e Seferovic luta contra si próprio na hora de mostrar eficácia na finalização. 

Foi preciso chamar Cervi e, essencialmente, Vinicius que entrou e agitou o jogo para o lado do Benfica.

Num noite em que o Benfica bateu o recorde de remates à baliza num jogo da Liga NOS, a vitória em forma de reviravolta é justificada mas só foi possível devido à atitude da equipa até ao fim. 

Há muito tempo que não festejava tanto um golo como este do André Almeida. Os tais momentos mágicos, celebrações que mais não são do que um profundo suspirar de alivio. Tal como no ano passado com o o golo de Seferovic ao Tondela na Luz, este golo do André fica na memória de todos daqui para a frente. Sabe bem festejar, é uma emoção única ver a bola a entrar naquela baliza onde costumo ver os jogos. Tudo muito certo mas continuo a preferir um 4-0 ao intervalo como aconteceu em 1985 no primeiro jogo entre os dois clubes na Luz.

No fim da noite são três pontos, um aniversário feliz para quem merece.

O próximo jogo é dia 14. Dia de anos do meu pai. Agora pensem. 

 

Vitória de Guimarães 0 - 1 Benfica: Conquista no Berço da Nação

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Se gostam de futebol, se adoptaram um clube para a vida, se apreciam o espectáculo ao vivo, independentemente das vossas cores, façam o favor de colocar nos vossos afazeres uma ida a Guimarães para assistirem a um jogo da vossa equipa com o Vitória SC. Esqueçam o perigoso fanatismo dos adeptos de Guimarães e os episódios negativos que já aconteceram ali. Informem-se da melhor maneira de estacionar e ir para o estádio e vão ver que está tudo bem organizado pelas forças de segurança. E depois desfrutem de uma experiência rara em Portugal, estar em minoria num estádio vestido de preto e branco, orgulhoso da sua cidade e incansável no apoio à sua equipa. Um ambiente contagiante que motiva ainda mais o sector visitante e leva ao limite todas as manifestações de apoio, das mais habituais às mais radicais. Arremessar tochas para o relvado é uma idiotice, já escrevi isto aqui vezes sem conta. Troca de tochas entre bancadas já é ultrapassar os limites do bom senso, arremessar cadeiras para outras bancadas e relvado também é dispensável. Tudo isto aconteceu com da parte das duas bancadas, da casa e da visitante. São excessos indesejados mas que resultam de um contexto de tensão e confronto no limite. Já tinha acontecido antes, vai voltar a acontecer mas não retira força à experiência de viver fortes emoções à volta de um jogo de futebol. 
Por tudo isto, a visita ao D. Afonso Henriques é sempre encarada com desconfiança e respeito. O único objectivo é somar 3 pontos e seguir na frente do campeonato. Mas para se vencer em Guimarães é preciso uma enorme dose de esforço, paciência, suar muito, perceber todos os momentos do jogo, fazer golo e jogar com o tempo e espaço dado pelo adversário. 

A equipa do Vitória é superiormente treinada por Ivo Vieira, tem jogadores muito interessantes, merecem estar na parte superior da tabela do futebol português e jogam muito bem. Ganhar ali não é é para todos. É preciso estar focado, concentrado e atento a todos os pormenores da partida. Na bancada é preciso ter voz, garganta e pulmão para que a equipa do Benfica nunca se sinta sozinha naquele ambiente adverso. 

Quando Pizzi contraria toda uma bancada que do outro lado do estádio pedia para rematar à baliza para fazer um passe atrasado para Cervi, todos entramos num segundo de hesitação. Como se os milhares de benfiquistas suspendessem a respiração naquele topo. Para dois segundos mais tarde explodirem num festejo colectivo tão alto que chegou às muralhas do castelo. Pizzi é um génio a decidir. Cervi é um profissional que soube esperar a sua vez para mostrar toda a sua qualidade e como pode ser decisivo numa maratona que tem muitas oportunidades para oferecer. É o grande momento da noite. Pizzi na direita a optar por assistir, em vez de rematar e Cervi a rematar de pé direito, o pior, para um golo tão desejado quanto festejado. 

Depois havia que sofrer muito. Todos sabíamos. A equipa está habituada a estes cenários e sabe tudo sobre estes jogos. Ferro e Ruben em grande noite e Adel Taarabt com uma exibição enorme e poderosa foram os elementos mais valiosos. Acima de todos, Odysseas imperial na baliza a assinar a exibição perfeita. Daquelas que valem pontos. 

Quem larga tudo para viajar no primeiro sábado do ano e fazer mais de 700 quilómetros só para ver um jogo de futebol ao frio impiedoso do Minho, tem de gostar muito do clube e de futebol. E se gosta tanto, então sabe que a expectativa para esse jogo não é ver um recital de futebol, uma partida divertida e cheia de bom futebol. Porque o futebol não é só exibições a terminarem com goleadas e facilidades. O futebol também pode ser, e é muitas vezes, um jogo de sofrimento, de nervos, de receios, de incertezas. Um jogo em Guimarães está sempre muito mais perto de ter esta cara de batalha de futebol e menos de poesia de bom futebol e muitos golos. Por tudo isto, quando o jogo acaba e se vence por 0-1 o sentimento de conquista e dever cumprido é muito maior do que na grande maioria dos jogos do calendário português. Entrar nesta aventura de ir atrás da nossa equipa de futebol para testemunhar um jogo destes é quase um acto de masoquismo. Quando acaba bem até parece que o regresso de 360 quilómetros marcados no GPS é uma viagem curta e agradável. 

E todos nos sentimos um bocadinho responsáveis pela vitória. É muito bonito ver toda a bancada visitante em harmonia com a equipa no pós jogo. Aquele momento em que tudo faz sentido, eles no relvado a sentirem que deram tudo a agradecer o apoio de um topo que transpira orgulho na sua equipa. 

Isto é o futebol vivido por quem guia a sua vida à procura destas emoções. É muito frustrante quando corre mal mas é muito compensador quando corre bem. 

 

Tudo o que vai além deste contexto já é outra coisa que nenhuma ligação devia ter com o futebol. No rescaldo do jogo aparecerem dezenas de figuras que se limitam a estar no sofá ou em estúdios de televisão de telemóvel na mão a orquestrarem reacções de acordo com o que mais lhes convém para destruírem tudo o que foi conquistado no ambiente que já descrevi, é um atentado ao jogo. Pessoas que não sabem o que é largar a família, pagar um bilhete caro, gastar dinheiro em gasolina, refeições e portagens, passar um dia na estrada só para ver 90 minutos de futebol ao frio, rodeado de policias, a sofrer lance a lance, a vibrar a cada golo e a cada defesa decisiva, pessoas que só apareceram nos últimos anos com o propósito de explicar ao mundo que tudo isto é um engodo e que está tudo viciado. Pessoas que estão tão confortáveis nos seus poleiros e de bolsos cheios e felizes com as figuras que fazem que nem dão pelo tempo passar. Só nos últimos seis anos, passaram cinco nisto e só em uma temporada é que tudo foi limpo, legal e bem ajuizado. O resto é tudo uma falcatrua gigante e só truques para prejudicarem as suas equipas. Nenhuma dessas figuras, no entanto, se farta deste roubo e se dedica à sua área profissional. Assumirem que o futebol é só o assunto mais importante das coisas sem importância e partirem para melhorarem a classe política, a classe jurídica, a classe dos músicos portugueses, a classe dos jornalistas, assumirem-se como comentadores com cores próprias e deixarem de ser falsos isentos sonsinhos ou, simplesmente, pagarem o que devem. Mas não! Estão ali perpetuados no seu papel justiceiro de dedo apontado. Nem que seja só a um lance em 90 minutos. Um lance reduzido a frames manhosas que nada explicam e apenas justificam narrativas nojentas fazendo de estúpidos todos os adeptos que ainda vivem para encher estádios. 

 

Sugiro que se acabe com as transmissões televisivas de todos os jogos do campeonato português. Desliguem as câmaras. Devolvam o futebol a quem o joga e a quem quer sentir as suas emoções nas bancadas. Se quiserem viver às custas de conspurcarem o jogo diariamente, tirem os rabinhos das cadeiras e sofás e façam-se às estradas deste país e sofram o que nós sofremos, semana após semana, só para vermos as nossas equipas ao vivo. Ou então façam o mesmo que eu fiz nos anos 90. A partir do momento que vi guarda redes a defenderem com a mão bolas fora da grande área, que vi golos anulados por anca na bola, ou por foras de jogo bíblicos que devem atormentar o pobre Amaral até hoje, ou árbitros a fugirem à frente de uma equipa em fúria, por exemplo, passei a ir só à Luz em movimentos automáticos sem questionar o que me levava a continuar a ir aos jogos. Apenas ia porque gostava de estar na Luz. Mas deixei de discutir futebol, passei a ver mais jogos internacionais e deixei de ir ver jogos fora da Luz com regularidade. Ou seja, sofria para dentro, não acreditava naquilo mas também não chateava ninguém. 

 

O Benfica ganhou sem brilho, o Benfica passou aflito no teste de Guimarães, o Benfica venceu pela margem minima. Sim, sim. Foi isso tudo. Ou então, o Benfica somou 3 pontos no cenário mais duro que teve de enfrentar até agora.

Foi uma enorme vitória do Benfica, foi um arranque de ano maravilhoso. Fui a Guimarães, voltei e estou a escrever às 4 e tal da manhã. E faço-o para contrastar com quem só destrói o jogo. Por respeito a amigos e companheiros que estão acordados a esta hora e rumam agora ao aeroporto de Lisboa para voltarem para o seu local de trabalho actual, como o grande TM que nos guiou hoje de Lisboa a Guimarães e de Guimarães a Lisboa, foi a casa buscar a mal e segue para a sua rotina. Bem longe dos estádios portugueses, a sofrer ao longe mas feliz por aquilo que Bruno Lage tem dado ao clube desde que chegou. Indiferente ao ruído poluente. 

O Benfica é muito, mas mesmo muito, maior que todos os ódios juntos porque o amor e entrega dos seus adeptos abafa a raiva e inveja do resto do país. 

Vitória de Setúbal 2 - 2 Benfica: Nada Para Festejar

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O Benfica foi ao Bonfim com escassas possibilidades de chegar à Final Four da Taça da Liga. Um cenário que, por ironia do destino ou dos sorteios, era tirado a papel químico do no 2017 quando o Benfica foi fechar o ano no mesmo estádio e encerrar a sua participação na terceira competição do calendário português. 

Na altura tive oportunidade de ir a Setúbal assistir ao jogo e vibrar com a roleta do João Carvalho e com o primeiro golo do Rúben Dias na equipa principal do Benfica. Nesse jogo o resultado foi 2-2 e só serviu para cumprir calendário.

Desta vez, a remota hipótese que o Benfica tinha em ser apurado resumia-se a esperar que o Vitória de Guimarães não ganhasse em casa ao Covilhã. Ora, sabendo-se que a fase final será jogada no cenário mais apetecível para os vimaranenses se imporem, em Braga, era óbvio que o Vitória ia cumprir a sua obrigação. 

Mesmo assim, demorou mais de uma hora a chegar a notícia da vantagem da equipa de Ivo Vieira, tendo o Benfica aproveitado para cumprir também a sua parte e colocar-se em vantagem. Golo de Raul de Tomas que ainda deu alguma emoção a esta cinzenta competição. Depois lá veio a esperada notícia dos golos dos minhotos e aí o golo de Jota já só serviu de fraco consolo, tal como já tinha acontecido na Covilhã. O Vitória de Setúbal aproveitou a desmotivação alheia para empatar o jogo com dois golos inesperados, o primeiro com Zlobin a facilitar e o segundo de Guedes a desafiar todas as leis da precisão de um remate. Bem a equipa de Setúbal a mostrar uma personalidade completamente diferente daquela que mostrou na Luz há umas semanas quando era treinada por Sandro e tinha Acácio Santos a explicar à imprensa que o processo da equipa era óptimo. Está muito bem entregue a equipa a Julio Velázquez que mostra um futebol bem mais digno. 

 

Desta vez não pude ir ao Bonfim, se tivesse ido dava a viagem por bem empregue só de ver aquele golo do puto Jota. Por falar nos golos, vamos já esclarecer aqui uma coisa importante: "bater" no Jota e no RDT porque não festejaram os golos de maneira efusiva é só mais um triste episódio da malta que faz a famosa confusão entre exigência e "demência". 

O RDT marca um golo depois de aproveitar um mau passe do defesa contrário, não tem sido titular, a primeira época fora de Espanha não lhe está a correr bem e ia festejar loucamente um golo na Taça da Liga? Se não o fez em plena Champions depois de um golaço na Rússia ia fazer ali?! 

E o Jota que assina um golão no meio de uma exibição que nem a ele o estava a convencer, sabendo que o Vitória já estava apurado e reparando que só está a conseguir marcar em alturas em que já não chega para ajudar a equipa. Teve o cuidado de agarrar o emblema e beijá-lo no meio daquele contexto. 

Se ambos festejassem iam ser criticados por serem tolinhos e andar a festejar golos que não servem para nada na competição menos importante da época. Isto não é nada fácil de lidar, chiça!

Só para concluir esta não questão deixo o meu exemplo a título pessoal. Raramente festejo um golo de maneira exuberante ao longo da época. No jogo com o Estoril a seguir à derrota em casa com o Porto com aquele golo do Herrera, o Benfica ganhou com um golo do Salvio perto do fim. Nem me mexi. Só senti alivio por cumprirmos o mínimo mas já tinha interiorizado que a derrota no clássico tinha comprometido o campeonato. Isto é criticável? Não é. Como também não é lógico criticar quem festejou, a começar por jogadores e staff no relvado. É uma não questão. 

 

O Benfica termina esta fase de grupos com três empates. Já na época passada só conseguiu chegar à fase final com um golo de Seferovic perto do final da partida na Vila das Aves. O pior veio depois. Eu senti que não somos bem vindos naquela Final Four de apuramento de Campeão de Inverno numa semana de festa do futebol com um circo montado em Braga com a Liga Portugal a mostrar ao país como é bonito o futebol português. Demasiado artificial para mim. Tão artificial que nem me esforcei para viajar a meio da semana e ver a meia final ao vivo. Desconfio daquele show off todo. Acima de tudo, não tenho memória curta e aquilo que vi no Porto - Benfica dessa noite em Braga ainda hoje incomoda-me. Repito, deu para sentir que não somos bem vindos aquele evento. 

Tenho toda a moral para falar da Taça da Liga porque no arquivo vão encontrar muitos textos em que sempre defendi que o Benfica tem que levar a sério a prova e vencer para continuar a somar taças no seu rico Museu Cosme Damião. Quando lhe chamavam Taça da Cerveja, Taça da Carica, Taça Luicilio, quando se diziam aliviados de sair da prova antes do final para não terem desgaste, o Benfica sempre prestigiou a prova. A Taça da Liga cresceu, ganhou dimensão e evoluiu muito graças às sete finais que o Benfica venceu. 

Mas a Liga Portugal não soube aproveitar e cimentar a prova. Não soube ou não conseguiu dar o passo final definitivo para que a competição se impusesse com importância no calendário nacional. As mudanças que foram feitas estragaram a ideia inicial e o formato encontrado é do nível do terceiro mundo. 

O facto do vencedor da Taça da Liga não ter acesso a uma prova europeia mata à nascença o interesse de quase todos os clubes que lutam por essa possibilidade. A calendarização da prova é absurda. Os primeiros jogos só servem para despachar clubes mais pequenos que ainda nem acabaram a pré temporada e avança-se para um sorteio de fase de grupos que é uma mal disfarçada selecção da natureza à espera que os três clubes de sempre confirmem a presença na tal Final Four. Tudo se faz para que Benfica, Porto, Sporting e Braga estejam nas meias finais. É embaraçoso e pequenino.

A competição nasceu com boas intenções, dar tempo e espaço aos mais jovens de aparecerem num nível competitivo mais interessante. Mas, entretanto, foi criado um campeonato de Sub-23 e há as equipas B a jogarem na segunda Liga profissional. A Taça da Liga perdeu-se neste contexto e mantém um regulamento tão labiríntico que faz com que o público desconfie se aquilo é tudo cumprido. No ano passado tivemos aquele caso do Porto no Jamor, agora temos o Portimonense a protestar um jogo. Para trás temos imagens desoladoras de estádios vazios com jogos a horários idiotas desde o verão até agora. Guardo com um certo carinho as imagens de um resumo de um jogo em Barcelos que devia ter umas 100 pessoas envolvidas, já a contar com as equipas. 

O Benfica deixou claro nesta última semana as suas prioridades. Em relação ao jogo da Taça de Portugal com o Braga, Lage manteve Tomás Tavares no 11. E Zlobin. Mesmo assim, com a chamada segunda linha o Benfica tem que ganhar, isso tem que ser uma obrigação. Mas não deu, em especial naquele jogo com o Vitória de Guimarães na Luz, onde ficou claro que não ia ser fácil fazer mais dois jogos em Janeiro. Lá está, depois recordo-me da nossa última presença na Final Four e não consigo ficar demasiado frustrado.

O Carlos Carvalhal tem toda a razão quando diz que isto é para os que precisam de ganhar a vida. Ele e o Rio Ave são a imagem mais simbólica do que é a Taça da Liga actualmente, uma aberração forçado que quer escolher a dedo finalistas e vencedores. É bom para quem precisa disso para ganhar a vida. Ele não precisa e acha que foi ultrapassado um risco demasiado perigoso. Quer bater com a porta. Fica a perder o Rio Ave, fica a perder o futebol português porque o Carlos Carvalhal é do lado bom que ainda há no futebol. 

A Liga Portugal no passado mês de Janeiro não pareceu nada incomodada com outro roubo que aconteceu no clássico do Minho. Este ano não vai ter o Benfica e a sua gente para acenar com fan zones e vendas de bilhetes. Vão continuar sem conseguir encher a Pedreira. Ficam a perder como todas as organizações perdem quando não têm o clube que mais gente arrasta presente. 

Disse-o em Janeiro, repito agora, esta competição deixou de fazer sentido, por tudo o que expliquei e argumentei atrás, e só a Liga Portugal parece não se importar com isso. Continuam apenas e só preocupados em transformar um semana de Janeiro numa festa tosca, artificial a que juntam o ridículo título de campeões de inverno a uma competição que é uma mão cheia de nada. Mas é sempre divertido ver os que mais desprezaram a prova, os que lhe chamaram os nomes mais imaginativos a festejarem loucamente a sua conquista. Ainda vai dar para ver o único clube, do grupo dos protegidos no formato da prova, que não conquistou o troféu a quebrar essa falha e a festejar como se não fosse um alivio ser corrido a meio da competição. 

Uma palavra final para o Vitória de Guimarães que não tem culpa nenhuma deste lodo todo e conseguiu o apuramento de forma bem justa. Que consigam dar uma alegria maior à sua legião de adeptos que bem merece. 

Benfica 2 - 1 Braga e Artur Soares Dias 0

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A Taça de Portugal é uma prova com enorme história. Foram os clubes, os jogadores e os adeptos que ao longo de várias décadas escreveram capítulos valiosos que todos juntos resultam numa competição mítica que, quase sempre, se resolve no Jamor. 

Como adepto do Benfica, as minhas grandes recordações estão relacionadas com jogos do clube na Luz e também fora. Boas e más. Muitas. A primeira final no Jamor com vitória de 1-0 sobre o Porto com golo de César. Todas as finais. A ironia de ter visto só vitórias contra os dois rivais e as derrotas terem aparecido da forma mais inesperada contra outros clubes como Belenenses, Boavista ou os Vitórias. 

Gratas recordações das visitas à antiga Luz do Régua, Ponte da Barca ou Dragões Sandinenses, dos 12-0 ao Marinhense e dos 14-1 ao Riachense, que fez um golo por simpatia do Bento que era da Golegã. Daquele prolongamento com o Estrela de Portalegre que o Tó Portela resolveu depois de entrar para o lugar de Chalana e evitar o jogo de desempate em Portalegre. Sim, porque a Taça era a prova onde um empate dava direito a prolongamento e se ficasse resolvido íamos para segundo jogo na casa do visitante. Foi assim que o Cartaxo veio parar à Luz! Tudo a zero até final do prolongamento no Cartaxo, num campo pelado. Escândalo! Jogo para a Luz e 7-0 para o Benfica. 

A Taça que me fez ir ver dezenas de jogos ao longo da vida sem o Benfica em campo. As finais entre Farense e Estrela, a tarde do Campomaiorense - Beira Mar, e os jogos das primeiras eliminatórias com equipas dos distritais em acção, em Lisboa e no Algarve. 

Tantas e tantas memórias de uma competição que foi ficando fora de moda e pouco apetecível. 

Quando a Liga Portugal inventou a Taça da Liga acabou por espicaçar a Federação Portuguesa de Futebol para modernizar e actualizar a Taça de Portugal. Tanto assim é que, actualmente, as meias finais e a final da Taça (mais a Supertaça) são espectáculos ambiciosos e cartões de visita da FPF para rivalizar com aquela bizarra Final Four da Taça da Liga que dá um campeão(?) de inverno na semana do futebol em Braga. 

Enfim, lutas de vaidades que pouco ou nada tem que ver com o adepto do futebol. 

É verdade que a FPF revitalizou a Taça de Portugal. Chamou os clubes mais pequenos das Distritais para as primeiras eliminatórias a troco de prémios financeiros essenciais para viabilizar a presença de todos na prova. 

Mas depois falha no esquema do sorteio. Ao fim destes anos todos ninguém entende o esquema de repescados que desvirtua o espírito da prova e vai buscar equipas derrotadas sem critério nenhum, proporcionando reencontros tão embaraçosos que se repetem jogos entre os mesmo clubes e até com resultados finais diferentes! Impensável. 

Foi positiva a ideia de obrigar as equipas dos escalões profissionais a jogarem na casa das equipas "amadoras". Mas a ideia acabou também desvirtuada com desvios de jogos para terceiras casas. Felizmente, é algo que melhorou muito este ano com as visitas do Benfica à Cova da Piedade e Vizela, por exemplo. Mas não deixámos de ter um Porto - Coimbrões na casa do Porto B. 

Entre coisas positivais para melhorar a prova está também a entrada de mais operadores de televisão com o canal 11 da FPF. Só que tudo isto passa para segundo plano quando olhamos para o modelo das meias finais de uma prova que é toda ela a eliminar num só jogo. Porque raio é que as meias finais são a duas mãos? Claro que a resposta está nos interesses financeiros. O problema é que desvirtua todo o espírito da prova, mais uma vez. Um clube pequeno que consigo a proeza de atingir a meia final fica com a missão quase impossível de surpreender uma adversário mais poderoso porque vai ter de o fazer duas vezes. O dinheiro não pode ser tudo, a FPF tem que acabar com as meias finais a duas mãos. Querem mais jogos com as equipas profissionais? Então façam com que esses clubes entrem mais cedo em competição em vez de começarem na 3ª ronda, parece-me fácil. 

Devolver o feliz rótulo de Festa da Taça aos jogos da prova actual é um acto de enorme hipocrisia. Em testemunhei verdadeiras jornadas de Festa da Taça ao longo das últimas décadas. Só com uma ligeira diferença, os jogos eram disputados aos domingos à tarde, na sua enorme maioria. 
Vale a pena olhar para esta fase, relativamente adiantada, da prova. Jogam-se os 1/8 de final da Taça. A Festa da Taça fez-se em Viseu numa 3ª feira a seguir ao almoço. Na Póvoa de Varzim a meio da tarde do mesmo dia e na Marinha Grande nessa 3ª feira à noite. Era feriado? Nem por isso. 

Continuou hoje na Sertã a seguir ao Almoço, em Paços de Ferreira a meio da tarde e na Luz às 20h45 de uma 4a feira. Era feriado? Claro que não. A festa continua amanhã, 5ª feira, dia normal de trabalho. Estádios vazios, Luz com meia casa, adeptos revoltados por não poderem acompanhar os seus clubes. O espírito da prova rainha não era nada disto.

E o que dizer da medida tomada a meio da prova? A partir desta fase os jogos passam a ter VAR. Então mas e os encontros que ficaram para trás? As dúvidas e as polémicas das eliminatórias anteriores? Muda-se assim as regras?! E estranho. E mais estranho fica quando ficamos a saber mais pormenores sobre esta entrada do VAR na Taça. É que há VAR mas só para alguns! Só em metade dos jogos desta ronda é que há VAR. Digno do terceiro mundo, não é?

E o que isso traz de bom ao Estádio da Luz, em Lisboa? 

Como o Benfica - Braga tem a curiosidade de ser disputado precisamente na mesma data de 2014, quando o Braga venceu o Benfica para a Taça, última vitória dos minhotos contra o Benfica, o Conselho de Arbitragem achou que devia chamar o mesmo árbitro dessa triste noite, Artur Soares Dias. E quem melhor do que Carlos Xistra para ir para o VAR? Parece gozo mas não é. É a realidade. 

Como se não bastasse o Benfica ter um dos adversários mais duros tão cedo na prova ainda leva com uma dupla de arbitragem capaz de fazer convencer qualquer indeciso a ficar em casa numa noite invernosa de chuva, vento e frio evitando o incómodo de ir passar um irritado serão à Luz. 

Como se percebe o único chamariz para termos adeptos no Estádio é o futebol do Benfica, é a história do Benfica e é o amor que os benfiquistas têm ao clube. O resto à volta está todo errado. Todo!

Neste primeiro jogo da Taça de Portugal na Luz descobrimos que há inovação nas regras da prova. Pela primeira vez na vida vejo o Benfica a jogar com o equipamento principal em casa contra uma equipa de vermelho. A regra da Federação sempre obrigou o Benfica a jogar com o equipamento alternativo quando recebia um clube com as cores semelhantes. Vão ver os resumos com o Braga para esta prova em 2012 e 2014 e reparem nas cores do Benfica. Mais uma mudança na tradição. 

O que não muda é aquela postura do Artur Soares Dias nos jogos do Benfica. A altivez, a arrogância, o prazer em distribuir cartões amarelos, as faltas e as faltinhas capazes de tirar do sério qualquer Monge do Tibete em reflexão, as decisões erradas contra os jogadores do Benfica, a consulta ao VAR em caso de dúvida que, recordemos sem nos rir, era chefiado por Carlos Xistra... 

Foi uma desafio muito complicado para a equipa de Lage que manteve toda a equipa que tão boa conta tem dado, só trocou de guarda redes. O Braga começou em vantagem, os nervos ameaçaram tomar conta da equipa e das bancadas mas com Pizzi e Vinicius tudo se resolve. Hoje. o futebol do Benfica chegou para dar a volta ao resultado contra um Braga muito combativo e a tal arbitragem. Valeu para ver o Tomás Tavares a crescer mais um bocadinho naquele lado direito, para apreciar mais pormenores de Adel, perceber o bom momento de Chiquinho e Cervi e, acima de tudo, pela vitória. 

Apesar de tudo ter sido feito para estragar esta Festa da Taça, o Benfica soube dignificar a Prova Rainha e garantir presença nos 1/4 de final. O último jogo de 2019 na Luz foi feliz. 

Uma nota para dizer que é um prazer que é rever o André Horta no relvado da Luz, mesmo que tenha sido só para aquecer. Prazer extensível ao seu irmão mas o natural destaque vai para o André pela passagem recente e triunfante que teve no clube. 

Já que se fazem tantas mudanças e alterações na Taça de Portugal, vou deixar mais uma sugestão: era importante também ir riscando equipas de arbitragem do caminho. Hoje Soares Dias e Xistra tiveram a sua noite de exibição. Pronto, já chega. Que acompanhem o Braga nesta saída da prova, pelo menos no que diz respeito a jogos do Benfica. Era justo. E sem repescagens, por favor.

Portanto, agora entramos na recta final da prova e os problemas diminuem, é isso? Claro que não! Estamos em Portugal e este país nunca desilude no que diz respeito a originalidades à volta do futebol.

Sabem quem é que pode calhar em sorte ao Benfica na próxima ronda? A equipa da claque do Porto! Sim, o líder da claque legalizada do Porto ( e da Selecção da Federação que organiza a prova) e seus companheiros podem jogar contra o Benfica. Aliás, o líder/jogador já fez saber que o seu desejo é defrontar o Campeão Nacional para mostrar o que é o ADN dos Super Dragões. 

Tentei explicar esta possibilidade a um amigo inglês do Liverpool e acho que a esta hora ele ainda pensa que eu estava a inventar só para ser mais bizarro que a Liga dele que obrigou o seu clube a jogar com crianças contra o Aston Villa. 

É a Festa da Taça da Prova Rainha. 

Obrigado, Benfica por esta vitória e por este ano inesquecível de futebol na Luz! Memorável. 

Benfica 4 - 0 Famalicão: Um 2019 Épico na Liga

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Dia 17 de Outubro de 1998, perto da meia noite em Lisboa. Portugal vivia um período de esperança, em particular Lisboa estava em empolgada no pós Expo' 98. Mas o Benfica não sabia o que era festejar um campeonato desde 1994. Em 1998 ainda não havia blogues e estes desabafos ficavam nas mesas de cafés e nas ruas estreitas e labirinticas do Bairro Alto. Como nesta noite de 17 de Outubro de 1998, depois de mais uma ida ao Estádio da Luz. Um ritual nunca interrompido mesmo que na altura não fizesse o menor sentido ser um dos 25 mil adeptos que se dignavam a ir ver um Benfica - Alverca para o campeonato nacional. Um adepto com cativo e orgulhoso de não falhar nenhum jogo na Luz. Mesmo que na ficha desse jogos estivessem Paulo Santos, Abel Silva, José Soares, Marco Freitas, Ramires, Maniche e Mário Wilson no banco do... adversário! 

Era o mundo ao contrário. O Benfica de Souness empatava 2-2 com o Alverca. 

O hábito era ir para a Luz motivado por uma misteriosa esperança e sair de lá, invariavelmente, frustrado. Essa tristeza levava-me a longas noites de reflexão com amigos. Uma terapia sempre à procura de algo positivo que nos mantivesse ligados a qualquer coisa. 

Em Outubro de 1998, depois desse 2-2 com o Alverca, alguém projectou o futuro numa conversa bem regada e dizia algo como isto:

Um dia vamos rir destas noites. Vamos recordar estes pesadelos quando liderarmos com frequência a primeira liga. Por exemplo, em 2019 vamos chegar ao fim do ano, olhar para os jogos que disputámos a contar para o campeonato e dizer: perdemos um jogo em Portimão no primeiro jogo do ano mas no último vamos dar 4 ao Famalicão e confirmar a liderança na passagem de ano. Entretanto, vamos recuperar 7 pontos de atraso entre Janeiro e Maio e vamos festejar o 37º de campeão. Depois, damos 5 aos lagartos na Supertaça e, apesar, de perdermos um clássico em casa, fechamos o ano a golear e com vantagem para o rival Porto. Depois de Portimão, todo e qualquer jogo fora da Luz que façamos em 2019 a contar para Liga vamos ganhar. Nem empatamos, só ganhamos. Em Guimarães, em Braga, em Alvalade, no Dragão, em Moreira de Cónegos, nos Açores, nos Arcos, onde quiserem. Só ganhamos. Teremos um jovem treinador que pega na equipa e só não vence duas vezes. De resto, ganha tudo com 109 golos marcados e 21 sofridos. 

Mais: vamos ter um português a partir tudo, a marcar golos, a dar golos, a fazer jogar com o nome de Pizzi. E um marroquino a jogar um futebol mágico. 

Alto!! Aqui mais ninguém estava a ouvir este amigo optimista. No 2-2 com o Alverca o nosso marroquino era o Tahar. Não dá para imaginar um jogador desta nacionalidade a ser uma referencia da equipa. Fiquemos pelo Hajry. 

A conversa nunca existiu, foi só um exercício de imaginação porque ninguém teria a capacidade para imaginar em 1998 um ano como o de 2019. Quem diz 1998 diz entre 1995 e 2004. Ganhar, golear, jogar bem, ter jogadores de nível superior, era toda uma realidade cada vez mais distante num clube que até 1994 parecia destinado a ganhar todos os anos. 

Por ter vivido intensamente essas épocas, dou muito valor a noites como a de hoje. Voltar a ver o Famalicão na Luz, com personalidade, bem treinado, descomplexado contra um Benfica em alta rotação e a jogar um futebol atraente, é algo natural para as gerações mais novas mas é um orgulho maior para quem passou pelos anos negros. 

O Benfica cresceu em Leipzig e veio melhorar desde o jogo da Alemanha. Depois da goleada no Bessa, dos 3-0 ao Zenit, um 4-0 ao Famalicão em forma de grito de guerra a apontar a qualidade de Pizzi, Tomás Tavares ( a crescer tanto ), Adel, Chiquinho, Cervi e Vinicius, por exemplo. 

O Benfica está a jogar bem, Bruno Lage assinou uma página histórica no clube em 2019 que vai ser lida com espanto e saudade daqui a anos.

Só peço que 2020 traga uma normal continuidade deste ciclo incrível. 

Para o campeonato, 2019 morre aqui. Temos de esperar, quase, um mês para jogar nesta competição.

Se em 1998, alguém me dissesse que ainda ia viver um ano como este de 2019 a ver o Benfica, eu iria reagir com violência. 

Ainda bem que vivi o suficiente para ver este ciclo e este jogo. Aproveitem este Benfica. 

Benfica 3 - 0 Zenit: Retoma Europeia

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Noite europeia à Benfica na Luz! 

O Benfica foi de menos a mais nesta fase de grupos da Champions League e acabou em alta rotação garantindo a permanência na Europa em 2020. 

Tudo mudou em Leipzig quando o Benfica arrancou para uma exibição autoritária conseguindo chegar a uma vantagem de dois golos que voltaram a ligar a equipa à rota europeia. Depois um final dramático acabou por ditar o afastamento da Champions e deixar o clube com um pé fora das provas europeias na segunda metade da temporada.

Bruno Lage leu bem os sinais que a equipa lhe deu na Alemanha e passou e trabalhar sobre a base lançada nessa noite. Depois desse jogo, 4-0 ao Marítimo, 1-4 no Bessa e a vitória de hoje. Pelo meio ficou aquele empate na Covilhã com um "11" de outro contexto. 

Ou seja, a boa exibição com o Marítimo validou o que de bom se fez na Alemanha e a goleada no Bessa deu um sinal muito forte do crescendo de forma do Benfica num terreno onde muitos rivais esperavam uma escorregadela. 

A confirmação da subida de forma do Benfica aliada a exibições mais empolgantes veio na última jornada da Liga dos Campeões. O Benfica precisava de vencer por 2-0 e acabou por ganhar por 3-0. 

Foi para o intervalo com um empate a zero que já era injusto para aquilo que o Benfica criou, jogou e procurou. Com Adel Taarabt em grande destaque no meio campo ofensivo, com Pizzi a aparecer muito bem, o Benfica fez três golos na 2ª parte. Pizzi assistiu Cervi, Pizzi marcou de penalti depois de uma mão na área de Douglas Santos que acabou expulso e ainda viu Azmoun a fazer um auto golo que acabou por deixar o Zenit fora da Europa. Os russos contavam com o apuramento na Liga dos Campeões acabaram eliminados das provas da UEFA por que em Lyon houve empate 2-2 com o Leipzig. 

O futebol dá muitas voltas, hoje gostei de ver o Ivanovic incrédulo no final da partida com o destino que o jogo lhe ditou desta vez. 

O Benfica falhou no apuramento da Champions mas teve objectividade para ir buscar a passagem para a Liga Europa. Deixa de fora o Zenit que comanda confortavelmente a liga russa com 10 pontos de vantagem sobre o... Krasnodar. 

É uma retoma europeia na última noite de provas da UEFA em 2019 na Luz. O Benfica costuma procurar um equilíbrio no seu futebol até ao final de Dezembro, tem sido assim nas últimas épocas, para depois melhorar a produção a partir de Janeiro. Parece que este ano a subida de forma veio mais cedo. Ainda bem. Que seja para continuar já no Sábado contra o Famalicão. 

 

Benfica 4 - 0 Marítimo: Prova de Vida

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O Benfica é uma óptima ideia que veio ao mundo há mais de cem anos. Um conceito abstracto que é abraçado por milhões de simpatizantes e que na teoria tem tudo para ser a melhor ideia de sempre. Algo que influencia a vida das pessoas, algo que passa a guiar e a influenciar quase tudo na vida daqueles que desde sempre abraçam esse ideal de ser benfiquista. O futebol do Benfica é algo de tão esmagador que passa de geração em geração, gera amor e ódio e transforma a exigência em demência. 

É tão abrangente que se tornou o objecto mais mediático do país para o bem e para o mal. É algo de tão forte que divide o universo benfiquista em vários sub géneros. Alguns transversais a todos os universos de adeptos de todos os clubes, os mais optimistas, os que só querem falar do que está bem, e o mais pessimistas, os que acham que está tudo mal e se desgastam à espera das desgraças para poderem crescer para os optimistas com o clássico "eu não disse?". Há de tudo um pouco no magnifico universo benfiquista, como em tudo na vida.

Mas  a grande tendência destes novos tempos, os tempos das opiniões sábias das redes sociais, das condenações públicas jogo a jogo a treinadores, dirigentes e jogadores, das exigências e intolerâncias, a grande tendência, dizia eu, é a de ver tudo pela negativa. Não é dramático porque é um estado de espírito que obriga o clube a andar sempre no limite, que não dá tempo nem espaço a zonas de conforto nem a adormecimentos. 

Ganhar por 1-0 é uma vergonha, por 2-1 é porque se sofre um golo, por 3-1 e com exibição pouco entusiasmante é uma vergonha, por 5-0 é porque o adversário era fraco, por 10-0 é falta de respeito e por aí fora. Todos nós já ouvimos isto, todos nós já teremos dito algo assim. 

Como disse, é bom porque obriga sempre a mais e melhor.

Mas também é imensamente triste. Também é perigosamente injusto. Acima de tudo, é estupidamente redutor e tira-nos algo que vai passando de geração em geração que é a, muito lusa, conclusão de que antigamente é que era bom. 

Um fado que transforma o passado em ouro e o presente em insuficiente. Algo que faz com que nem haja espaço para umas horas de folga, respirar fundo e concluir: porra, estou a ver o Rúben Dias a crescer em campo jogo a jogo. Que orgulho! 

Caramba, o Taarabt é mesmo um craque de mão cheio e o nosso clube está a proporcionar-lhe encher o relvado da Luz de classe. O marroquino hoje foi "só" o melhor em campo. Ninguém vai usufruir disto porque virá sempre o passado do marroquino à baila. 

Por falar em relvado, no Benfica uma simples troca de relvado é assunto de Estado! Parece resolvido. E isso é bom? Claro que não, somos o Benfica e nunca devia ter acontecido. Mesmo que se desconheça que o lendário Benfica dos anos 60, 70 e 80 raramente apresentava um relvado melhor que este. 

Por falar em Benfica de outras décadas. Em 1993 o Benfica recebia o Marítimo a 3 jornadas do final do campeonato. O Benfica tinha jogadores como Futre, João Pinto, Paneira, Veloso, Mozer, Schwarz, Paulo Sousa, Kulkov, Yuran, Rui Águas, Rui Costa e Isaías, só para dizer alguns nomes. A maioria dos nomes vem à conversa sempre que se quer denegrir a equipa actual, ou o trabalho recente. "Ah, isto nos tempos do Rui Costa, Mozer, João Pinto, Paneira, Futre..." 

Eu fui ver esse jogo com o Marítimo na Luz. Chovia muito. Apareceram no Estádio antigo, que à hora em que escrevo faz anos que foi inaugurado, pouco mais de 10 mil pessoas. O Benfica não ganhava sempre, os adeptos do Benfica não enchiam sempre a Luz, os jogadores do Benfica não jogavam sempre bem. Isto, apesar, de se dizer hoje que antigamente é que era à Benfica. 

Os números que Bruno Lage apresenta em 2019 para o campeonato nacional são estrondosos, a facilidade com que o Benfica goleia faz com que Lage já tenha mais de 100 golos marcados em cerca de 30 jogos para a Liga. O Benfica é líder e campeão em título. Podia viver em clima de festa, confiança e superioridade. Felizmente, não vive. O dia a dia à volta do clube é de uma eterna crise.

Ninguém quer ir para casa rever a exibição do Taarabt. Ninguém quer admitir que se precipitou ao condenar a contratação do Vinicius, ninguém quer dizer que o Pizzi é um dos melhores jogadores da história do Benfica, ninguém quer parar para apreciar a qualidade do Rúben Dias e a evolução do Ferro porque a ânsia de os ver errar é maior que o prazer de os ver triunfar. 

Tudo o que foi feito de bom esta noite nunca será valorizado se num futuro próximo o Benfica perder pontos da Liga, como se as coisas estivessem ligadas. Ou seja, como se um bom trabalho de uma noite ficasse à espera de validação eterna. 

 

Esta urgência há muito que extravasou para fora do jogo. Veja-se a maneira como se trata a questão das claques em Portugal. Um problema como se fosse uma podridão, como se não houvesse gente boa e de bem no meio de cada claque. É legalizar e pronto. É obrigar esse pessoal a usar um cartão para ter direitos nos estádios e está resolvido. Como se esses movimentos não tivessem uma história, não fossem movidos a paixão e dedicação, como se, como dizia o Gullit, o facto de meia dúzia de estúpidos estragar o que a maioria faz de bom desse o direito de transformar o todo num lixo. 

Muitos viram uma faixa aberta no Topo Sul do Estádio da Luz dedicada à Petra. Muitos perguntam quem é a Petra. Ninguém faz a menor ideia do que é ver e sentir uma amiga, uma companheira, uma associada exemplar na sua dedicação ao clube e ao Topo a sofrer por causa de uma doença injusta, traiçoeira e desesperante. 

Não interessa quem é a Petra, quem a conhece entende o tamanho e o significado de uma faixa a exigir Força com o reconfortante recado de Estamos Juntos. Isto é que devia fazer reflectir os imbecis e hipócritas que querem impor leis às três pancadas a grupos de associados que se manifestam da forma mais humana e solidária que a vida pode mostrar. 

Viver com saúde é um privilégio que não devia ser descurado. Devia ser aproveitado para elogiar a classe do Adel, a finalização do Vinicius, a qualidade do Pizzi, a determinação do Rúben, o incrível trabalho do Bruno Lage que desde que tomou conta da equipa só não venceu dois jogos no campeonato. A vida é demasiado curta para ser vivida em negatividade disfarçada de moralidade e exigência. 

Hoje ganhámos, aproveite-se o momento. Amanhã logo se vê. Um dia vamos todos pedir streamings daqueles tempos em que o Benfica só sabia ganhar na liga portuguesa, umas vezes a jogar bem, outras nem por isso, com resultados curtos e com goleadas, com remontadas e com nota artística. Mas nada que nunca leve ninguém no momento a dizer algo como isto: É tão bom estar na Luz a ver este Benfica. 

Uma frase que nos devia fazer reflectir, um autentico objectivo de vida, ter oportunidade familiar, financeira, social, e, acima de tudo, com saúde que nos permita estar ali ao lado da equipa do Benfica naqueles 90 minutos. 

O Benfica é maior que a vida mas só pode ser vivido enquanto estivermos a passar por cá. Todo o tempo que perdemos a antever o pior, é energia gasta. 

Grande beijinho Petra, juntos. À Benfica!

RB Leipzig 2 - 2 Benfica: Descompensação Final

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Hoje pedia-se ao Benfica que fizesse tudo o que não tem feito na Champions League. Tudo o que não tem feito não só nesta época mas também nas últimas duas. Pedia-se que o Benfica evitasse a terceira eliminação seguida na fase de grupos da prova. 

Para isso muito mudou na abordagem ao jogo e até na atitude da equipa. Deu para sentir desde o pontapé de saída, onde o Benfica construiu logo um ataque para remate de Cervi, que a vontade era mudar o estado actual do Benfica europeu. 

Bruno Lage apostou num 11 mais maduro e aproximou-se daquilo que adeptos e imprensa consideram ser o mais lógico em termos de melhores unidades. Logo aqui tínhamos um facto novo, o RB Leipzig apresentava uma equipa com uma média de idades inferior à do Benfica! Os alemães tinham uma média de 24,1 anos e o Benfica tinha uma média de 26 anos. Curioso. 

Na falta de Rafa e Seferovic, a aposta foi para Cervi no lado esquerdo e Vinicius na frente. Ambas justificadas e ganhas. O argentino fez um bom jogo e o brasileiro voltou a marcar pelo terceiro jogo seguido. Foi o golo 9 na época e em três competições diferentes. Carlos Vinicius apresenta a mesma frieza na hora de finalizar seja em Vizela na Taça de Portugal ou em Leipzig em plena Champions. Isto é a melhor qualidade do avançado do Benfica.

O Benfica começou muito bem o jogo na Alemanha. Com personalidade, autoritário e decidido em fazer algo diferente do que tem sido o padrão Champions. Equipa bem posicionada, segura mesma sem bola, certa nas marcações e com a lição bem estudada quanto ao futebol de Nagelsmann. A primeira parte foi perfeita com o golo de Pizzi e podia ter ficado melhor se o "21" tivesse feito o 0-2 num remate desviado para a barra e que não deu canto. 

Começar a 2ª parte a vencer e a mostrar capacidade de sofrimento, foi assim que o Benfica abordou a 2ª parte. Beneficiou de um ritmo mais lento por paragens no jogo, nomeadamente a assistência a Odysseas. Sempre com o jogo controlado, embora também tenha contado com uma noite de desacerto dos jogadores mais perigosos do Leipzig, o Benfica conseguiu o mais complicado que era aumentar a vantagem. O tal golo de Vinicius que ainda resultou na saída do guardião Gulacsi por lesão. Tudo parecia indicar que, finalmente, o Benfica ia ter uma noite à medida da sua história. 

Mas aquela paragem no começo da 2ª parte para assistência a Odysseas ia ter custos pelo desgaste físico. O Benfica chega ao minuto 90 a ganhar 0-2 mas na verdade ainda faltavam mais 10 minutos de jogo. 

Nagelsmann já tinha feito tudo para mudar o jogo, arriscou, mudou o figurino da equipa e foi premiado na recta final. Ruben Dias fez um penalti Schick e pela confiança com que o sueco Forsberg fez o 1-2 percebeu-se que não ia ser fácil aguentar a vantagem.

Antes de tudo isto, entrou Raul de Tomas para o lugar de Vinicius e ia fazendo o golo da jornada com um chapéu do meio campo que obrigou o suplente Mvogo a defesa apertada. O espanhol entrou aos 82' e depois esperou-se pelo 1-2 e o minuto 93 para voltar a mexer. Saiu o desgastado Pizzi e entrou Caio. A última troca já foi depois do bis de Forsberg. Já o mal estava feito, Timo Werner foi à esquerda, arrastou com ele Ruben e centrou para o meio da área onde apareceu o sueco de cabeça a garantir o apuramento dos alemães e o adeus do Benfica à Champions League.

Foi inglório e custa perder a vantagem assim. Mas não foi nesta noite que o Benfica falhou o objectivo de seguir em frente, aliás, este foi o melhor jogo da equipa na prova. Quando o Benfica acertou no tom da Champions não foi feliz no minuto 98. 

Resta abordar o jogo com o Zenit da Luz como uma 2ª mão de uma eliminatória imaginária em que o Benfica está a perder por 3-1 e quer aproveitar o golo fora. Para isso terá que ganhar por 2-0 ou outro triunfo por três golos de diferença para poder continuar a jogar na Europa em 2020. De preferência com a mesma abordagem desta noite. 

Vizela 1 - 2 Benfica: Lembram-se de Gabigol?

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As chegadas do Benfica aos 1/8 de final da Taça de Portugal nos últimos anos têm sido tão penosas que deviam ser alvo de estudo profundo. Já são várias as noites cinzentas que o Benfica acumula nesta primeira fase da prova. Foi aflitivo com o Real Sport Clube, com o 1º de Dezembro, com o Olhanense, com o Vianense, isto para nomear só alguns jogos em que a única boa recordação que ficou foi o apuramento. Passou a ser regra uma vitória de serviços mínimos nestes jogos mas, desta vez, a equipa baixou ainda mais a produção e esteve a perder desde os 6 minutos com uma equipa do terceiro escalão que jogou a maior parte do tempo com menos um jogador. 

O problema destes jogos não é só trazer à memória estas eliminatórias sofridas, o principal problema é levantar o fantasma de Gondomar. Ou mesmo do Varzim dos tempos de Fernando Santos. São tempos que não queremos reviver. 

Já mencionei a eliminatória com o Olhanense. Voltemos a Outubro de 2017. O que nos recordamos desse jogo da Taça de Portugal no Algarve com a equipa de Olhão? Que ganhámos por 1-0 com golo de Gabriel Barbosa. 

Como os ciclos no futebol são irónicos. Em 2017, Gabriel Barbosa mesmo resolvendo esse jogo para o Benfica era olhado com desconfiança pelos adeptos e pela imprensa. O empréstimo do Inter de Milão não resultou. 

Dois anos depois, o Benfica continua a ter muitas dificuldades nesta fase da Taça de Portugal e o Gabriel voltou a ser Gabigol.  Aquele jogo com o Olhanense será sempre o jogo em que o Gabigol marcou pelo Benfica. 
Este jogo com o Vizela será sempre aquele que o Benfica resolveu no final na mesma noite em que Gabriel Barbosa vencia a Libertadores treinado por Jorge Jesus que também teve a sua dose de jogos complicados na Taça de Portugal com o Benfica. 

Vale a pena elogiar o Vizela pela exibição, pela luta que deu, pela forma como se bateu mesmo com menos um, por ter recebido o Benfica na sua casa sem mudar para uma estádio maior. O Vizela deixou uma imagem muito boa do seu futebol e da ambição e jogar num nível superior. 

O Benfica preocupa. Depois do jogo sofrível nos Açores com o Santa Clara, a equipa voltou à competição e repetiu a má exibição. Ao intervalo perdia em Vizela, tal como perdia nos Açores. 

Tal como foi importante com o Santa Clara não perder o foco nos três pontos, hoje era importante garantir o apuramento. E só isso é que se aproveitou desta noite. O apuramento foi conseguido mas a exibição do Benfica foi assustadora. 

Costuma dizer-se que depois quando estamos no Jamor para jogar a final ninguém se lembra destas noites mas para lá chegarmos é preciso jogar muito mais. 

O objectivo mínimo foi cumprido, agora é olhar para a frente e pensar no jogo em Leipzig. E à primeira vista é uma deslocação nada confortável.