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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 1 - 0 Moreirense: O Mínimo dos Mínimos

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Já não estamos habituados a acabar a época sem festa. A sensação de depressão que se abateu sobre o universo benfiquista após o clássico da Luz só piorou até terminar o campeonato. Depois dessa derrota, uma vitória arrancada nos últimos instantes no Estoril, entretanto despromovido, uma impensável derrota em casa com o Tondela que fez com que os resistentes que acompanham a equipa a todo o lado fossem buscar forças e motivação para irem apoiar a equipa no derby de Alvalade que, de repente, ganhava um novo encanto para os rivais que tinham uma autêntica via verde para o 2º lugar e possibilidade de acesso à, cada vez mais, milionário Champions League.

Curiosamente, a equipa do Benfica depois de três exibições que arruinaram a época, embora no Estoril até tenha ganho, surpreendeu pela positiva com uma primeira parte digna de uma equipa ambiciosa e focada em cumprir o objectivo minimo da época. Mesmo assim, saímos todos de Alvalade com a sensação de que não chegou, aliás, a segunda parte não foi do nível da primeira e o nulo deixava a tal via verde ainda mais livre para os rivais.

É com este espirito que chegamos ao derradeiro jogo na Luz, um terceiro lugar no horizonte, algo que não acontece há uma década, e muita insatisfação nas bancadas. 

Restava esperar que a equipa repetisse a boa exibição da primeira parte e cumprisse a obrigação de fechar o campeonato com uma vitória. 

Mais uma vez a teoria deu lugar à prática contrária. 

O Moreirense fez-me esquecer que era treinado por um ex jogador que muito estimei no nosso clube quando decidiu mexer na tradição do Benfica atacar primeiro para norte. Não resisti a pensar naqueles segundos, era descerem. 

Com Jonas de regresso à equipa, era de esperar uma tarde tranquila para compensar o ridículo frio na Luz a meio de Maio. Estranhamente, os jogadores do Benfica pareceram-me ainda mais desconfortáveis do que os adeptos. Menos motivados, nada inspirados e com pouca vontade de um fecho agradável. Chegou a dar a ideia que nem o objectivo Champions os despertava.

 Diga-se que apareceram na Luz mais de 40 mil adeptos, foi a pior casa do campeonato mas perante este contexto final é de assinalar o número elevado. Adeptos que mereciam mais futebol.

Há falta de entusiasmo com o futebol do Benfica, uma grande parte do estádio reagiu com festa aos golos do Marítimo e criou-se a discussão do dia. Faz sentido ou não festejar a desgraça dos outros que nos permite acabar com uma fraca consolação?

Não vou fazer juízos de valor. Digo só que recebi a notificação dos golos do Marítimo com toda a tranquilidade e nem reagi. Felizmente, já lá vai o tempo em que ficar à frente de um rival ou garantir a disputa de acesso à Champions League era motivo de grande satisfação. Sinceramente, hoje em dia tem que ser só uma nota de rodapé, um sorriso leve por ver quem tanto nos quer mal acabar em desgraça. Mas só isso. A nossa mentalidade mudou, a nossa ambição voltou a ser à Benfica, a nossa exigência voltou a ser gigante. Isto é, tudo o que seja um campeonato sem Benfica campeão não pode dar vontade de celebrar nada. E com isto não quero tirar mérito aos golos de Jonas que volta a trazer para a Luz o prémio de melhor marcador da Liga. Agradeço e elogio o Jonas pelos números brutais, ultrapassou a marca de Magnusson que era a melhor depois de Eusébio. 

Mas o contexto final foi muito pobrezinho. Foram os serviços minimos garantidos. Só acabámos dentro do nível Champions porque os outros falharam no final. E os outros sãos os mesmos de sempre. São os que nos odeiam de morte mas acabam por ter um lugar no nosso coração porque durante anos e anos foram o nosso consolo em temporadas muito negras. E voltaram a ser no primeiro ano em que falhámos o objectivo maior em meia década. 

Acabou tudo mais aliviado do que satisfeito na Luz. O Moreirense porque continuará por cá, o Benfica porque sem ter feito muito por isso garante que começa a nova temporada com importantíssimo compromisso europeu. 

Finalmente, espero que esta vitória perante o Moreirense tenha o mesmo efeito que teve em 2013. O cenário actual não é animador mas o daquele fim de tarde de 2013 era muito pior e acabou em Tetra. 
Bom descanso para todos. Em termos de crónicas, volto no primeiro jogo oficial de 2018/19. 

Moreirense 0 - 2 Benfica: O Dia da Explosão dos Rivais

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 Primeira deslocação de 2018 e vitória do Benfica. Era o que se queria. Começar bem o ano fora da Luz, encerrar bem o ciclo da primeira volta do campeonato, cumprir o dever antes dos rivais e ter um fim de tarde sossegado neste primeiro domingo do ano.

A tarefa não se adivinhava muito difícil, pois o Benfica tem sido feliz historicamente em Moreira de Cónegos. Pedia-se continuidade à boa exibição do derby e foi o que aconteceu. O Benfica entrou bem e justificou a vantagem ao longo da primeira parte. O onze do Benfica está encontrado, Rui Vitória só teve que lançar Samaris no lugar do ausente Fejsa e improvisar Keaton Parks no lugar do grego que se lesionou antes do intervalo.

A asa esquerda do Benfica está a fluir bem, Grimaldo e Cervi dão muita qualidade ao ataque que fica irresistível com o aparecimento de Krovinovic que descai para junto da dupla muitas vezes, daí resultam triangulações que colocam a bola em zonas de finalização com facilidade. Aí Jonas é o rei. Fez uma assistência exemplar para Pizzi fazer o 1-0. Já tinha enasaiado um passe assim antes, Jonas assistiu Krovinovic mas a bola saiu ao lado.

Aqui o único reparo é a falta de eficácia. Uma característica desta primeira metade de 2017/18, o Benfica constrói demasiado para aquilo que aproveita. Ficar só no 0-1 é um risco demasiado sério como já se tem visto noutras partidas. No Minho sentiu-se esta atracção pelo abismo quando a meio da 2ª parte Varela negou o golo do empate. Foi um período do jogo que o Moreirense controlou o jogo e o Benfica não conseguia sair do seu meio campo. Se a equipa tivesse feito mais golos, e oportunidades não faltaram, não se sofria tanto durante aqueles minutos.

Depois, entrou João Carvalho que voltou a mostrar ao que vem tal como em Setúbal. Rápido na pressão atacante, rouba a bola e serve na perfeição Jonas que "só" teve que tirar um defesa pela frente e fazer o 0-2 da tranquilidade.

Vitória normal, missão cumprida.

 

O melhor desta tarde viria depois. À noite veio o inesperado tónico que faltava a este Benfica.

Tal como expliquei na crónica do derby, os rivais andam a viver numa realidade virtual que não os favorece quando são confrontados com factos. Os departamentos de comunicação dos rivais andam a vender uma realidade aos seus treinadores que não bate certo com os pontos na tabela classificativa. Esse facto levou à explosão dos dois no mesmo dia.

Sérgio Conceição não se conteve depois de um jogo mais complicado do que estava à espera e disparou contra Rui Vitória. Tudo a fazer lembrar Jorge Jesus no ano do Tri. O mesmo Jorge Jesus, que ainda agastado com o banho de bola salvo por mãos alheias, atirou que este ano é tudo para Porto e Sporting.

Será?

Se o Benfica fizer o Penta alguém vai querer saber das noites europeias ou das Taças? Não me parece.

Sérgio, sei que não estavas por cá mas a última vez que se atiraram dessa maneira a Rui Vitória o resultado foi bom para o Benfica. Só para esclarecer.

 

Eles já explodiram, afinal o pobre e acabado Benfica que está debaixo de fogo intenso com ofensas diárias e ataques nunca antes vistos em Portugal está ali a espreitar, ganha em Tondela, ganha em Moreira de Cónegos, tem Jonas, os putos continuam a aparecer na equipa principal. Enfim, uma chatice.

Vamos lá ver se esta jornada que marca o fim da primeira volta é o momento de viragem deste campeonato. Nada que já não tenha acontecido. Obrigado, rivais.

Finalmente, a Pausa na Liga com Paz

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Quatro jornadas disputadas e os reis do barulho de verão estão isolados no comando do campeonato. Fim de Agosto e tudo tranquilo no futebol português. Finalmente, a verdade desportiva chegou a Portugal e, portanto, até é de esperar que aqueles programas que incitam ao ódio anti benfiquista tenham descanso e passem o Música no Coração naqueles horários. Ódio que se faz espalhar um pouco por todo lado, como podemos ver naquele caso bonito, digno e exemplar, na bancada de Paços de Ferreira, no jogo como Vitória SC, quando avô e neto foram corridos para fora do recinto por ousarem vestir camisolas do Benfica. Aconteceu numa Liga que tem como bonitos slogans levar mais gente aos estádios e fair plays e cenas assim...

 

O Benfica perdeu os primeiros pontos. Alegria no ar.

O Sporting cumpriu o seu destino de ganhar todos os jogos nesta temporada. Nada os vai parar. Nem golos fora de horas, nem VAR's. A Battagila , para já, está ganha:

 

 

A paz é tão bonita que os pro activos directores de comunicação & queixinhas estão em profundo silêncio e ainda chocados com o animalesco Eliseu.

Sobre o vídeo de cima nem uma palavra azul e, obviamente, da imagem em baixo nem um comentário verde.

É pena porque o Brahimi é tão feliz em Braga que nos faz lembrar a forma injusta como foi expulso há uns meses no mesmo recinto e a maneira superior como reagiu a tudo. Felizmente, esta época pode explanar toda a sua qualidade futebolística expressada numa imagem:

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 Por falar em Braga, e o que dizer das reflexões feitas sobre o facto de Abel Ferreira deixar no banco quatro habituais titulares e entre eles os laterais emprestados pelo Sporting, Esgaio e Jefferson ? Ah, não houve reflexões em saraivada? Que pena...

O Abel podia ter esperado pela pausa de meio mês que o campeonato vai ter mas preferiu fazer descansar meia equipa em plena competição. Bravo, Braga!

Assim dá gosto ver o futebol português em tempo de verão. Tudo está bem quando vai bem.

E aquele fosso competitivo que faz equipas com orçamentos pobres serem carne para canhão?

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Felizmente, o campeonato agora pára e prolonga-se este bom ambiente no futebol português. Assim, sim.

 

 

 

Moreirense 0 - 1 Benfica: O Norte é Benfica!

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Foi feliz a minha estreia no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, na vila de Moreira de Cónegos. Este era um dos poucos estádios da primeira divisão que me faltava conhecer. Foi desta.

Como é evidente, uma viagem em grupo ao Minho para ver um jogo marcado para uma hora (vergonhosamente) tardia num domingo à noite, tinha que meter um almoço com convívio com benfiquistas que fizesse logo valer a pena a viagem. E, claro, o Minho nunca desilude.

Almoçarada, tarde fora, em Riba de Ave no restaurante Dom Papão. Um encontro promovido pelo grande benfiquista minhoto, Moisés, e que gastronomicamente teve nota máxima e artística. Tudo bom. Mas aquele bacalhau no forno e aqueles bolinhos de alheira... Que maravilha!

 

 

Fica aqui um forte abraço para todo o pessoal do restaurante e companheiros que se juntaram para nos receberem como só eles sabem.

 

 

Depois, uma chegada ao recinto com antecedência permitiu ver a envolvência do estádio do Moreirense. Muito rústico, ambiente campestre e um estádio bem à medida do clube e da região. Bonito cenário para um fim de tarde a beber umas cervejas, encontrar outros benfiquistas, meter a conversa em dia e apanhar um sol generoso num autêntico dia de verão.

Tudo perfeito para o mais importante, o jogo do Benfica.

Surpresa na equipa com a presença de Grimaldo na esquerda e o regresso de Fejsa. Rafa jogou à frente do espanhol e a equipa do Benfica apresentou o seu melhor 11, ou perto disso.

Aquele jogo do Algarve ainda está muito fresco na minha memória, portanto eu ia preparado para uma partida típica de recta final de época, muitos nervos, muita luta, poucas oportunidades e sofrer.

Confirmou-se tudo. O Benfica voltou a não conseguir mandar no jogo, tardou em criar oportunidades e mostrar a sua superioridade em campo.

 

Fora do relvado, uma goleada.

Se a meio da semana falei aqui do número embaraçoso de adeptos que acharam que uma meia final da Taça de Portugal era digna de presença, hoje tenho de dizer que o norte do país é todo Benfica. Aqui, o Benfica joga em casa. O apoio vindo de traz da baliza e da bancada central é impressionante, aqui não há desculpas para não ir ver o Glorioso. Bem mereceram os 3 pontos.

A vitória construiu-se um pouco antes do intervalo, bola parada para a área e Mitroglou a fazer o valioso golo a fechar a primeira parte. Muito melhor o resultado do que a exibição.

Na 2ª parte não melhorou, nem o resultado, nem o futebol jogado. Vários sustos na defesa fizeram lembrar a noite negra da Taça da Liga, a falta de oportunidades para aumentar a vantagem, elevou os níveis de ansiedade e nervosismo, dentro e fora de campo. Felizmente, aumentou também a força do apoio vindo das bancadas para os rapazes.

O jogo nunca esteve decidido, foi preciso lutar muito, foi preciso deixar tudo em campo para segurar a preciosa vantagem até ao fim. Basta dizer que o Moreirense termina a partida com o seu guarda redes na nossa grande área a forçar o empate.

Desta vez, o Benfica foi feliz. Conseguiu fazer um golo e manteve a vantagem até ao fim. Não espero nada de muito diferente até ao fim do campeonato. É preciso olha em frente e pensar que só faltam 6 jogos para a equipa fazer história num clube que nunca viveu um tetra. Só isso interessa até ao fim.

A passagem por Moreira de Cónegos foi uma dura batalha, missão cumprida. Concentração no próximo obstáculo.

 

Muita da minha motivação para passar um dia inteiro num carro a galgar quilómetros às centenas, sair cedo de casa e regressar de madrugada, é porque sinto necessidade de estar ao pé da equipa. De evitar seguir o jogo pela televisão, ficar dependente de realizações fracas, comentários enervantes e perder lances de jogo por causa da obsessão dos realizadores com as repetições.

Agora, junta-se mais um factor forte. Enquanto fazemos a viagem de regresso, podemos ir a discutir de forma sã o nosso futebol. Uma rápida espreitadela nas redes sociais faz-me logo desligar o telemóvel e ser poupado a imbecilidades especulativas de génios que vivem num lodo pós futebol jogado que cada vez dá mais asco e vómitos. Árbitros, socos, Canelas, roubos, tudo e mais alguma coisa. Só porque o Benfica ganhou um jogo. Se esta cambada de parasitas de redes sociais, e profissionais de televisão em transformar o bonito futebol num produto mais tóxico que o acidente nuclear de Chernobil em 1986, tivesse que se preocupar com um cenário como este até chegar a casa, passava-lhe logo a vontade de ser imbecil. Infelizmente, a A1 (e todas as outras estradas por onde passam os benfiquistas) nestes dias são um exclusivo para adeptos que tentam seguir o clube do seu coração longe do ruído ensurdecedor que polui todo o futebol.

A chatice é que falta imenso para voltarmos a ter o Benfica no relvado para mais um jogo, até lá o tempo e o espaço é todo dos profissionais do nada.

Fica para a história mais uma mitica viagem ao norte cheia de benfiquismo.

 

 

Moreirense 3 - 1 Benfica: Da Naturalidade ao Buraco Negro

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Para encarar esta meia final da Taça CTT, o Benfica deu todos os sinais de levar tudo muito a sério. A competição, o adversário e o compromisso em dar mais um passo para a final e defender um título que tem sido seu.

Os 11 escolhidos eram os mais rodados, com a novidade do regresso de Eliseu na esquerda, a opção de Carrillo com Salvio nas alas e o ataque entregue a Jonas e Rafa. Portanto, quanto à maneira como o Benfica começou o jogo não há muito a apontar.

 

A exibição na primeira parte foi aceitável, fez-se o que se pedia, posse bola, controlo do jogo e chegar à vantagem. Ou seja, chegámos ao intervalo numa normalidade absoluta. E é bom que a normalidade, actualmente, no Benfica seja isto.

 

Depois, vem uma 2ª parte que não tem explicação. Podemos falar em desconcentração, facilitismo no sub consciente, abordagem com excesso de confiança, a falta de Fejsa mas nada vai explicar realmente aqueles 15 minutos em que a equipa passa de uma vantagem normal para um resultado negativo de 3-1!

Algo que tendencialmente não fazemos nestes jogos é olhar para o outro lado. O Moreirense teve muito mérito na forma como acreditou, como foi à luta e como conquistou um autêntico vira minhoto no marcador. Aproveitou a desorientação do Benfica e conquistou uma vitória muito merecida. Por isso, parabéns ao Moreirense por este inesperado mas justo apuramento.

 

Preocupante no Benfica estas quedas num buraco negro que custam pontos e eliminatórias. Esta época já todos sentimos isto em Nápoles, na Turquia e contra o Boavista. Já são demasiadas vez que vemos a equipa entrar num abismo durante meia parte do jogo sem explicação aparente. É que não consigo apontar à equipa falta de determinação ou irresponsabilidade na abordagem ao jogo, porque ao intervalo estava tudo dentro da normalidade. São uns 15 - 20 minutos de apagão colectivo que devem ser dignos de estudo. Preocupante, repito.

 

Tal como aqui disse nos jogos que acabei de referir em cima, estou sempre pronto para aceitar os momentos inesperados do futebol, a nosso favor fico contente, contra nós fico revoltado. É esta a vida de um adepto de um clube de futebol. É importante não fazer disto o maior drama de sempre, como também é importante não ignorar o que se passou aceitando só que se tratou de um capricho do deuses do futebol.

 

Do ponto de vista pessoal, ao contrário do que oiço depois destes jogos que não nos correm bem, sinto-me muito mais confortável por ter ido ao estádio ver o jogo do que se tivesse ficado no sofá. A viagem de regresso dá para repor as ideias enquanto fazemos centenas de quilómetros debatendo com amigos o que se passou. Acho mais saudável, apesar de terem sido viagens estranhamente desconfortáveis, as piores que fiz entre Lisboa e o Algarve, devido a um temporal que só deu tréguas durante os 90 minutos de jogo. Dos cinco dias que chove no Algarve, tínhamos que levar com um deles em dia de jogo do Benfica.

Como tantas vezes desabafo por aqui, vale sempre a pena cometer estas pequenas loucuras porque salva-se sempre o encontro com amigos de outras paragens, neste caso o repasto num restaurante perto do estádio escolhido pelo benfiquista A.N. que nunca falha nas, infelizmente, poucas ocasiões que podemos ver o Benfica no sul.

 

Gosto muito de coerência nestas coisas do futebol. Exijo mesmo. Quem me lê na última década neste acompanhamento aos jogos do Benfica sabe que sempre disse que a Taça da Liga é para se levar a sério. Sempre. Por isso, podem encontrar no arquivo as crónicas a todos os jogos que o Benfica fez durante a última década nesta competição. A grande maioria dessas crónicas são relatos de jogos que testemunhei ao vivo. Na Luz não falhei um único.

Assim, permitam-me que evoque a coerência entre o interesse demonstrado e a indignação demonstrada pelos adeptos benfiquistas após a 2ª derrota do clube em 10 edições da prova. Sim, a 2ª derrota. Perdemos em Setúbal em 2007, numa noite bem fria no Bonfim, e voltámos a perder agora. Durante 10 anos não perdemos nenhum jogo na Taça da Liga. Acabámos eliminados em Braga mas no desempate por penaltis. Ora, em todos estes anos nos jogos no Estádio da Luz nunca vi grande interesse dos adeptos nos nossos jogos. Na maioria das partidas tivemos assistências abaixo das 20 mil pessoas. Talvez, o grau de cobrança após uma segunda derrota numa década nesta prova deva ser revisto, porque parece-me que o clube tem levado muito mais a sério esta competição que os próprios adeptos e os números confirmam este facto.

Quanto à felicidade dos rivais nem comento porque aí a coerência cora de vergonha.

 

No Benfica é sempre para ganhar, é o que tenho defendido, é por isso que faço questão de estar nos estádios em todas as competições oficiais sempre que possível. Contava com um domingo de festa a sul, estou chateado com esta inesperada derrota mas continuo a dizer que aprecio mais a coerência. Uns dias para reflectir e começar a pensar na deslocação ao Bonfim.

Benfica 3 - 0 Moreirense: Ganhar Com Casa Cheia à Benfica

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 ( Fotografias de João Trindade )

 

Às vezes, é bom colocar os jogos em perspectiva. Agarremos neste tranquilo e normal 3-0 ao Moreirense e recuperemos o mesmo jogo na época passada a fechar o mês de Agosto de 2015.

Também fizemos 3 golos, também somámos 3 pontos. Só que no fim do jogo sentíamos um misto de alívio, pela vitória, e de preocupação, pela margem mínima, ficou 3-2.

Na época passada ganhámos devido à alma que esta equipa tem. É a mesma alma porque a equipa é praticamente a mesma, penso que só Gaitán não está no plantel, em relação ao onze do ano passado. A vitória por 3-2 foi na garra, depois de muito sofrer a equipa quis dar um sinal aos seus adeptos, podiam ainda estar no começo de um novo ciclo mas a fome de vencer era a mesma. Acabámos campeões.

 

Hoje, mais de um ano depois, um jogo com o Moreirense na Luz parece um aborrecido cumprir de calendário onde as dúvidas na bancada estão na ordem do quem marca os golos e quanto tempo temos de esperar pelo primeiro. Reparem, não é se ganhamos ou se vamos perder anos de vida. Não. É por quantos ganhamos. E isto não é nenhuma demonstração de arrogância nem de bazófia. É apenas registar o reencontro do Benfica com a sua história. Foi assim que o conheci, é assim que gosto de o viver.

Por isto, quando o Benfica não ganha um jogo na Luz é tema para espanto universal no mundo da bola. E às vezes acontece, como sabemos e como vimos com o Vitória FC. Só que a regra é ganhar, marcar e ter jogos bem agradáveis de seguir no nosso Estádio.

Também por isto é que a Luz nos dias de hoje apresenta números de assistência acima do 50 mil adeptos. Também aqui é um reencontro com o que deve ser. Há anos, poucos, muito boa gente achava que os 30/40 mil que faziam a média de assistência nos jogos do campeonato era normal. Quando se explicava que não era e que era preciso lutar contra isso em vez de nos acomodarmos, aparecia sempre a linha teórica que nos explicava que a média baixa se justificava pela crise, pelos preços, pelo clima, pela temperatura, pela hora e sabe-se lá mais o quê.

Tal como dizia na altura, a única maneira de termos a Luz cheia é o futebol do Benfica voltar a ser o ... futebol do Benfica. Aquele que a minha geração viu deslumbrada, as mais velhas se recordam e as mais novas ansiavam por ver sem ser via YouTube.

Esse futebol voltou, ir à Luz para ver o Benfica, sim, ver o Benfica, independentemente de quem está no outro lado, porque do outro lado está mais uma vítima do Benfica e nós vamos à Catedral para testemunhar mais uma vitória à Benfica.

 

 

Se, por acaso, o jogo foge à regra e torna-se complicado, as bancadas fazem o seu papel empurrando o glorioso e assustando a vitima. Se, mesmo assim, o desfecho não for o esperado e normal, os jogadores sabem que serão acarinhados e motivados para o próximo combate. Como aconteceu num passado recente contra o Zenit ou num derby. E os jogadores depois recompensam os seus fieis adeptos, indo a uns 1/4 de final da Champions ou sagrando-se campeões nacionais mesmo que não tenhamos sido felizes em todos os derbies.

Isto é um processo natural e espontâneo, não se compra no mercado, nem se impõe em redes sociais. É assim. Por isso, ninguém no Benfica fica extasiado por ter tido mais gente na Luz do que outros a receber o Real Madrid, nem há cá voltas olímpicas no final de um jogo onde só aconteceu absoluta normalidade. É o Benfica a ser Benfica.

 

Dou muito valor a esta exibição do Pizzi, à entrega do Raul a aproveitar a sua titularidade e abrindo todo o espaço para que os médios brilhem, à maneira como André Almeida entrou bem no jogo após mais uma saída por lesão, desta vez de Eliseu.

Dou muito valor aos 3 golos, ao facto de não termos sofrido golos, ao reconhecimento do adversário no final assumindo a superioridade do Benfica. Dou muito valor ao prazer que é ver o resumo do jogo em paz sem precisar de levar com o circo a discutir cartões, penaltis, expulsões ou se a bola entrou ou não, porque o Benfica voltou a ganhar de maneira tão clara, tão natural que consegue ridicularizar todos os fantoches que acenam vouchers e colinhos.

E sabem porque dou tanto valor à normalidade? Porque lembro-me muito bem, demasiado bem, os tempos em que a normalidade era o Benfica não ganhar tanto e tropeçar. Lembro-me bem de qualqer clube vir à Luz para não perder e acreditar nisso. Não foi assim há muito tempo.

 

Agora o Benfica ganha e não é de hoje. Nos últimos anos tem sido sempre assim, tem a vantagem de ter arriscado mudar para melhor mesmo quando estava no top e os resultados estão à vista.

Se há um ano saímos aliviados e com dúvidas, hoje cumprimos mais uma ida ao Estádio e voltamos tranquilos com o sentimento de quem foi assistir a mais um capítulo natural na nossa história. Quase como ir à missa mas em bom.

 

Continuemos assim, a ser o Benfica.

Moreirense 1 - 4 Benfica: Outra História, O Mesmo Desfecho

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 (Fotos: João Trindade)

 

Oitavo jogo do Benfica em 2016, oitava vitória, hoje por 1-4 o que aumenta para 27 os golos marcados este mês. Esta foi a 4ª vez que o Benfica fez 4 golos para o campeonato fora da Luz e aumenta para 10 vitórias seguidas na Liga um registo que já não acontecia desde 2013/14.

 

É a forma como o Benfica ataca que está a encantar os adeptos. A facilidade em criar oportunidades de golo com movimentações constantes de jogadores entre as alas e meio do terreno a obter desequilíbrios entre quem defende. Nem é importante os nomes dos jogadores porque a equipa vai rodando, as trocas sucedem-se e o resultado tem sido o mesmo, muitos golos.

Hoje o "11" do Benfica mudou em relação à última 3ª feira. Era importante não cair no erro de se pensar que a goleada da Taça da Liga no mesmo relvado contra o mesmo adversário iria tornar este jogo de campeonato mais fácil. Apesar do 1-6 do outro dia, hoje o jogo começava novamente 0-0 e o Moreirense ia apresentar mais qualidade individual na sua equipa.

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A maneira como o Benfica abordou o jogo foi meio caminho andado para cumprir a sua obrigação. Entrou determinado em busca do golo e a querer novamente ganhar convincentemente como se o jogo anterior não tivesse acontecido.

 

Agora com Gaitán entre os titulares mais fortes e Pizzi de regresso, a equipa de Rui Vitória voltou a mostrar coesão e processos assimilados.

Na defesa a única nota de preocupação, a saída por lesão de Lisandro. Sabe-se que Luisão espreita o regresso mas era importante não perder o argentino numa altura tão intensa da época.

As apostas nos flancos foram as do costume, André e Eliseu. No meio Renato é imprescindível e Samaris reconquistou o seu espaço na ausência de Fejsa. Gaitán e Pizzi nas alas é um luxo, e a dupla na frente continua a entender-se com golos, Jonas e Mitroglou.

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O melhor marcador do campeonato abriu o caminho para a vitória respondendo de cabeça a um brilhante cruzamento de Pizzi. O Moreirense nunca desistiu do jogo e teve sempre em Iuri Medeiros e Boateng duas ameaças à baliza de Júlio César.

Renato Sanches sentiu que o 0-1 era curto e quis acabar a primeira parte com um passe a puxar pela corrida de Eliseu que deu tudo para ir à linha de fundo cruzar com estilo para um remate de primeira à ponta de lança de Mitroglou. Era o 0-2 e uma 2ª parte com um horizonte bem mais tranquilo.

 

Quando o Moreirense procurava voltar à discussão do resultado foi, novamente, atropelado pela dinâmica atacante do Benfica. Pizzi, Jonas e Gaitán, imparáveis construíram num ápice mais uma goleada. Muita qualidade nos passes e na finalização das jogadas que deram mais dois golos na 2ª parte. A facilidade com que o Benfica resolveu o problema em Moreira de Cónegos proporcionou uma noite tranquila aos seus adeptos e deu para começar a pensar na próxima deslocação ao Restelo.

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 O jogo terminou com mais um golo de Iuri Medeiros ao Benfica, merecido pela procura, preocupante pela insistência.

O Benfica foi o último a entrar em campo entre as equipas que lutam pelo título e foi o que resolveu o jogo da maneira mais fácil. Na próxima jornada será o primeiro e espera-se que mantenha este ritmo.