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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 6 - 0 Marítimo: Campo Trocado? Resultado Pesado.

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Pessoal da Madeira que torce por um dos clubes da Ilha:

Até há pouco tempo tinham três equipas na divisão maior, não raras vezes viam os seus clubes a lutarem por uma vaga europeia. Ultimamente, só Marítimo tem representado a Madeira com regularidade na Liga NOS e este ano lutam para não descer juntamente com o Nacional. Quero que ponderem o seguinte detalhe, ambas as equipas quando tiveram o privilégio de visitar a Luz resolveram fazer a rábula de obrigar o Benfica a atacar para Sul primeiro. Resultado das duas visitas ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica, 16-0! 

Pode ser coincidência mas os 10-0 do Nacional e estes 6-0 ao Marítimo começaram com uma troca de campo invulgar na Luz. Pensem nisso.

 

O Benfica vinha de uma ressaca europeia, entrava com a habitual pressão de saber que o rival já tinha despachado a sua tarefa, na prática já despachou todas as tarefas até ao fim, e voltou a dar uma excelente resposta a todos os que esperam um mau resultado na Liga. Bruno Lage na Liga NOS leva 15 jogos, venceu 14, empatou 1 e leva 56 golos marcados contra 11 sofridos. Recuperou a liderança e tem mantido a equipa na frente com categoria. 

A 4 jornadas do final do campeonato, o Benfica tem 87 golos marcados. O segundo classificado tem 62. 

Esta superioridade tem que ser demonstrada e defendida até ao fim. Hoje, o Benfica voltou a começar o jogo muito bem e abriu a partida com o 1-0. Mais um golo de João Félix. Canto de Pizzi e Félix a rematar de primeira. 

Não há nada melhor do que começar assim os jogos. Depois é continuar a carregar e partir para uma noite descansada. Hoje só na 2ª parte veio a tranquilidade absoluta. Cervi aproveitou a titularidade para bisar, imitou o inevitável Félix, Pizzi fez o seu golo e ainda houve tempo para Salvio regressar aos golos. 

O golo de Salvio aparece ao minuto 90. O segundo do Cervi tinha acontecido aos 88'. A quantidade de adeptos que não viram os golos por já terem virado costas ao Estádio da Luz é absurda. 

Num mundo perfeito o Benfica só marcava golos a partir do minuto 88 para castigar todos aqueles que teimam em não ficar no seu lugar até ao momento de aplaudir a equipa no final do jogo. 

Goleada entusiasmante numa noite de frio e chuva numa época familiar festiva que dá o mote para as 4 finais que o clube tem de vencer para voltar a ser feliz. 

Marítimo 0 - 1 Benfica: Vitória com Exibição Pobre mas Honesta

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O Benfica foi à Madeira para defrontar o Marítimo num estádio onde não tem sido feliz nas últimas duas temporadas, perdeu em 16/17 e empatou na época passada.

Esta noite, o Benfica foi ganhar no Funchal e aumentou assim a série de vitórias seguidas para cinco jogos. Nestes cinco jogos não sofreu nenhum golo.

Ou seja, não vos trago novidades nenhumas aqui. Isto porque o Benfica acaba de completar a dose dupla de jogos seguidos fora da Luz no campeonato, no Bonfim e nos Barreiros, dois terrenos bem complicados tradicionalmente, com um total de seis pontos mas com uma qualidade de futebol que deixa os seus adeptos à beira de um ataque de nervos. 

Ficou claro que neste mês de Dezembro a prioridade é vencer, jogar bem é um luxo que a equipa não está a conseguir atingir. 

Portanto, fica a preocupação de mais uma exibição apagada mas o conforto de um triunfo que já nos escapou noutros tempos a jogar bem.

Mas admitir que a qualidade das exibições tem andado abaixo dos mínimos exigíveis é meio caminho andado para que a equipa perceba que no Benfica não basta ganhar. Só que neste preciso momento, ganhar é a única maneira de sobreviver num campeonato onde todos podem ter uma noite má menos os dois rivais do Benfica. E não, não estou a esquecer o Braga.

O Porto numa noite má chega à recta final do seu derby a fazer um penalti que lhe podia custar uma derrota mas é perdoado e acaba a vencer o jogo. Ou numa noite má, o Porto começa a perder em casa com o Portimonense, volta a fazer um penalti que dava o 0-2 e acaba a ganhar 4-1. Ou ainda noutra noite má, está nos Açores com muitas dificuldades em ultrapassar o 1-1, e marca o golo da vitória num lance que começa numa falta do seu atacante. E podia estar aqui mais umas linhas a descrever o que tem sido o papel do VAR nos jogos do Porto até à jornada 1. 

Depois temos o Sporting a perder 0-2 em casa com o Nacional e um penalti inexistente devolve a equipa o jogo antes do intervalo. Aliás, a ligação entre o Sporting e os penaltis nesta temporada faz pensar que podem bater o recorde surreal dos tempos de Jardel! 

O Benfica quando tem uma noite má perde com o Moreirense ou Belenenses. Mas perde mesmo. Esta diferença reflecte-se na tabela actual.

Curiosamente, quando azuis são beneficiados há um profundo silêncio verde. Quando os verdes são ajudados há um comovente silêncio azul. O Braga deve estar à espera da próxima semana para reagir. 

Nada disto faz esquecer as pobres exibições do Benfica, volto a escrever para que ninguém pense que quero passar por cima disso. Os triunfos do Benfica podem ser pobres mas são honestos! Nos jogos do Benfica nem nos lembramos que vivemos tempos de VAR. Nunca se enganam para este lado. Por isso, dou muito valor aos triunfos de 1-0, dou muito valor ao Jonas. É pouco? É. Mas é com o trabalho dos nossos jogadores e sem ajudas externas. 

O Benfica está a jogar pouco e a ganhar. Os outros é que jogam todos muito à bola e são uns santos. Exigência para dentro e para fora, é isto que temos de ter. E saber aproveitar as vitórias.

Benfica 5 - 0 Marítimo: Serenata à Chuva de Jonas na Baliza Grande

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 Olá, somos o Marítimo e viemos à Luz descansados da vida. Já não lutamos pela Europa, também já não corremos o risco de descer. Viemos de um ciclo mau de vários jogos a perder mas demos a volta na Vila das Aves e na recepção ao Vitória de Guimarães e, por isso, chegamos ao maior estádio de Portugal tranquilos, sem pressão e com tudo para proporcionar um jogo agradável. 

O primeiro trunfo que temos para lançar neste fim de tarde invernoso no Estádio da Luz é escolher o campo obrigando o Benfica a quebrar a tradição de atacar primeiro de sul para norte. Foi uma rábula que aprendemos com aquele clube de um Presidente que faz muito barulho e já se despediu deste campeonato, tal como de todos os outros desde que chegou. É engraçado porque chateamos logo o adversário e irritamos os adeptos nas bancadas que ligam a estas parvoíces. 

 

Olá, eu sou o Jonas e sou um dos melhores jogadores que a maior parte dos adeptos do Benfica no Estádio da Luz viu jogar pelo Glorioso. Sei ser um ídolo, sei prestigiar a camisola 10 que visto e estou aqui para fazer história em todos os jogos em que entro. Já estou cá há tempo suficiente para saber que na Luz saímos sempre a atacar para a baliza norte, uma tradição que vem de longe. Não acho piada nenhuma quando recebemos adversários que não respeitam a ordem natural da vida. 

Por isso, aviso já que hoje despacho isto tudo logo na primeira parte com um hat trick na baliza grande só por causa das tosses. Vão levar cinco nas calmas para aprenderem a não serem parvos. Pode ser que na próxima visita não se armem em esverdeados.

 

Foi esta a história deste Benfica - Marítimo sob chuva impiedosa e que o Benfica só podia ganhar para manter a perseguição ao primeiro e descolar do terceiro classificado. O onze voltou a ser o mesmo da última jornada e respondeu muito bem com uma primeira parte de encantar culminando com um santo 4-0 ao intervalo.

A segunda parte foi para sentir a tal monotonia maravilhosa daqueles jogos em que a bola rola em modo de piloto automático sem que os adeptos se preocupem com mais nada, sem a menor possibilidade de nos estragarem o resultado final. 

Queria destacar o festejo do Jonas à espera do André Almeida de joelhos para lhe massajar o pé. O André não deixou, chegou ao pé do "10" e levantou-o para o abraçar, ali na nossa frente. Isto é o André Almeida. À Benfica. Também gostei do festejo com um circulo de jogadores sentados e Grimaldo a distribuir jogo. Estas exibições só trazem vantagens, animam quem joga, descansam quem vê e até permite que aquela malta que paga bilhetes e Red Passes só até aos 80 minutos possa sair do estádio ainda mais cedo. A tribo que vai à bola em sofrimento, que mal começa o jogo e começa a pensar a que minuto é que foge dali.Esteja 5-0 ou 1-0. É igual. 

Boa jornada, boa exibição, bom resultado, Pizzi viu um cartão amarelo que o faz descansar contra o Aves na próxima semana também na Luz, ninguém se lesionou.

Enfim, isto devia ser sempre assim. Mas com o adversário a respeitar as ordens de ataque na Luz. 

Marítimo 1 - 1 Benfica: Jonas Merecia Mais

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 O contexto era mau. Uma derrota inadmissível na Suíça, uma Assembleia Geral quente, atraso no campeonato mas com a possibilidade de virar o cenário. A equipa do Benfica entra em campo no Funchal já a saber que os dois rivais tinham empatado em Lisboa, naquela espécie de clássico amigável, e, por isso, com hipótese real de ganhar terreno na classificação e inverter uma fase má.

Jonas mostrou o caminho. Um grande golo a abrir o jogo num terreno vergonhoso.

Há várias semanas que se sabe que o relvado do estádio do Marítimo está num estado miserável. A imagem de um pantanal verde não bate certo com as inúmeras fotografias de que os benfiquistas que foram à Madeira publicaram em pleno clima de verão durante o fim de semana. A Liga de Clubes nada disse, como sempre, e tentou-se disfarçar nos últimos dias com notícias de melhoras do relvado nos jornais.

O estado vergonhoso do tapete de jogo esteve à altura de uma péssima realização televisiva, como já vem sendo hábito na Sport TV.

 

De qualquer maneira, o Benfica fazia o mais complicado que era conseguir entrar no jogo a ganhar e , assim, conquistar confiança e motivação para uma partida tranquila ficando mais perto do objectivo dos três pontos.

Ou, pelo menos, devia ter acontecido assim.

Na realidade, voltou a acontecer algo que esta época é um verdadeiro mistério à espera de ser desvendado. Porque raio a equipa quando se vê em vantagem tem tendência para ir largando o domínio de jogo até ao ponto de ceder a tal vantagem?!

Não se percebe esta apatia de que já falei noutras crónicas desta época.

Olhando a frio, entende-se que Pizzi está muitos furos abaixo daquilo que costuma estar e isso reflecte-se, e muito, no futebol atacante da equipa. A confiança da defesa também não é famosa. O golo do Marítimo é o exemplo perfeito disso mesmo, deixa-se o jogador adversário centrar à vontade, a bola cai em plena pequena área e não oposição nem da defesa nem do guarda redes.

Depois, quando se espera uma reacção forte e convivente não se vislumbra tranquilidade, nem cabeça, para voltar para a frente do marcador.

É verdade que Jorge Sousa conseguiu condicionar Fejsa muito cedo no jogo, numa altura em que o Benfica estava por cima e os jogadores madeirenses apresentavam um desfile de entradas faltosas todas a desafiar cartões por parte do árbitro. É verdade que, na minha opinião, há um penalti que fica marcar para o Benfica por mão na bola na área do Marítimo e numa altura crucial do jogo. E também é verdade que o terreno vergonhoso não dava espaço a grandes jogadas elaboradas nem trabalhadas pela relva. Mas esperava-se muito mais da equipa do Benfica. Jonas merecia muito mais eficácia da parte dos seus companheiros para se sair desta jornada com um ânimo novo.

Assim, foi só mais um jogo pouco conseguido, um mau resultado e o prolongar de um ambiente desfavorável à volta da equipa e do clube que aumenta a desconfiança de seguidores e observadores do futebol do Benfica desta época.

Uma oportunidade falhada para se dar a volta por cima. Marcou-se passo antes da paragem do campeonato que só regressa depois das decisões de selecções apuradas para o Rússia 2018 e da estreia na Taça de Portugal no Algarve.

 

Benfica 3 - 0 Marítimo: Primeiro Resolver, Depois Gerir

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 Últimos 10 minutos da primeira parte e jogo resolvido de forma quase inesperada. Já se começavam a fazer contas ao tempo perdido pelo guarda redes do Marítimo e as simulações de lesões, quando o jogo sofre um abanão com três golos de rajada. Primeiro, um autogolo de Luís Martins e depois um bis de Jonas que resolveu a partida antes do intervalo chegar. Tudo o que precisava a equipa e a bancada, tranquilidade e questão resolvida com o resto do jogo, uma segunda parte inteira, para gerir.

A aposta de Rui Vitória foi repetir a mesma equipa que ganhou no Minho. Os mesmo onze resolveram o jogo com mais facilidade que era suposto.

Destaque para Rafa que foi muito importante pela esquerda estando na origem dos dois primeiros golos. No primeiro ganhou na velocidade e raça fazendo um cruzamento para Mitroglou que acabou por apanhar Luís Martins no chão a cortar para onde menos queria. Depois conduziu a bola pela esquerda, deu para Pizzi que assistiu ainda mais para dentro Jonas que num remate seco e colocado fez o 2-0.

Em cima do intervalo, Jonas bisa e faz o resultado final.

 

 (Fotogaleria de João Trindade)

 

Ia escrever que desta vez foi sem margem para queixinhas e invenções mas parece que a novidade agora é quererem ler os lábios a Jonas que se irritou com jogadores madeirenses. Parece-me bem, leitura labial para animar a próxima semana.

 

Missão cumprida, deu para gerir, para poupar Pizzi na 2ª parte e levar o jogo até ao fim sem mais surpresas.

Mais um jogo sem sofrer golos, mais três pontos e menos um jogo para as contas finais do título. Faltam cinco jogos para o final, este com o Marítimo correu de feição e já passou.

É esperar pelos próximo 90 minutos enquanto passamos a bola para os hackers de cartilhas, queixinhas de jogadores e claques.

Marítimo 2 - 1 Benfica: Horrível Noite Atlântica

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Tudo mau. Jornada horrível.

Despachemos a parte do Benfica. Entrou meio surpreendido com tanta agressividade defensiva do Marítimo, sem espaço e sem velocidade para contornar a pressão forte do adversário. Isto originou falta de oportunidades para o Benfica começar bem no jogo e ainda resultou num golo sofrido nascido de uma falha de Luisão.

Assim, o Benfica via-se a perder sem perceber bem como.

Nelson Semedo deu o mote para a reacção e foi feliz no seu remate cruzado que bateu em Gonçalo Guedes e ajudou a bater o guarda redes. Antes, Ederson tinha feito uma incrível defesa dupla que agarrou a equipa ao jogo. Com o 1-1 parecia que o Benfica tinha encontrado o rumo para dar a volta ao jogo mas os seus ataques até ao intervalo foram ineficazes.

Na 2ª parte, o futebol do Benfica apareceu determinado em resolver o jogo. Só que Salvio continua a sua saga de tiro ao poste e Rafa teima em não conseguir finalizar. Só aqui, o Benfica já teria chegado ao resultado normal e pretendido.

Para agravar a situação, o Marítimo aproveita um canto e volta à vantagem. Quanto tudo tem que correr mal, corre.

Depois, seguiu-se muito desespero com Rui Vitória a apostar tudo e a eficácia do Benfica a bater no zero. Tentou-se um pouco de tudo mas de maneira pouco convincente. De qualquer maneira, foi feito o suficiente para se dar a volta ao resultado enquanto esteve no 1-1.

 

O Marítimo bateu-se como se estivesse a disputar o jogo da sua vida, limpou a má imagem deixada na Taça de Portugal e lutou até ao fim por uma vitória que o seu treinador aceitou como um belo bónus depois de ter montado uma estrutura bem defensiva a pensar na conquista de um ponto.

 

Agora, permitam-me uma palavra para a realização televisiva do jogo. Um pesadelo. Cada vez que a bola saía de campo vinha uma overdose de repetições em loop. Tantas que quando as imagens do jogo em directo voltavam já tínhamos perdido qualquer coisa. Desesperante.

Foi óptimo para não percebermos o que se passava com os apanha bolas, já que nem percebemos quanto demorava uma reposição de bola.

Ao nível do grafismo, o que era de valor era terem mostrado quantas faltas tinham cada jogador do Marítimo só na primeira parte, por exemplo.

 

Finalmente, a arbitragem. Quem aqui vem sabe que raramente encontra grandes referências a árbitros. Pois bem, hoje vou deixar umas palavras a Vasco Santos. Deixar o jogo decorrer no meio de um festival de faltas e varridelas sem apitar metade delas e sem dar cartões a ninguém, fez-me recuar aos anos 90. Permitir todo e qualquer anti jogo, mesmo já no nível cómico como aconteceu numa das substituições da equipa da casa, é ir longe demais. Não dar descontos depois de uma 1ª parte com dois golos, é gozar com isto. Andar a dar cartões amarelos em pleno período de compensação no final do jogo é mostrar ao que vinha.

 

Hoje, o Benfica chocou de frente com isto tudo mas não conseguiu contornar como tem sido normal. As palavras de Luisão no final do jogo são motivadoras. Fomos parados de muitas maneiras no Funchal, que tenha sido esta a excepção do que temos vindo a fazer nos últimos anos.

Para o resto do mundo, está tudo de parabéns, a Sport TV, a arbitragem e o Marítimo.

 

Benfica 6 - 0 Marítimo: A Realidade dos 90%

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 Conclui-se desta eliminatória da Taça de Portugal que, actualmente, há três realidades distintas no futebol português que importa abordar.

A primeira realidade diz-nos que o Benfica nos últimos anos evolui estratégias, posturas e conceitos de jogo que lhe permitam ser líder. No Benfica, percebeu-se que o essencial é vencer os jogos que representam à volta de 90% do nosso calendário. É preciso não vacilar com os Marítmos da vida, com todo o respeito para o clube da Madeira e todos os outros. É preciso jogar mais e de forma convincente naqueles jogos que acabam por ser a maioria da nossa vida. De que vale jogar muito bem um derby se depois não ganhamos aos Tondelas? O que interessa eliminar um rival numa competição se depois não ultrapassamos o Chaves?

O foco tem de estar nos jogos típicos do nosso calendário. E nesses jogos o Benfica nos últimos anos tem sido avassalador. Quando tudo sai bem podemos ter exibições de luxo como a de ontem. Quando as partidas ficam mais apertadas, há a alma e o querer chegar à vitória até ao último segundo.  Uma coisa é certa, partimos sempre para estes jogos confiantes que a equipa vai determinada e sabe como ganhar.

 

Depois há a realidade dos clássicos e derbys. Nas últimas épocas o Benfica não tem sido feliz na maioria dos jogos com os rivais. Mas, também aqui, há uma explicação lógica. Pelo facto do Benfica despachar 90% do seu calendário sem tropeções, obriga que os adversários directos tenham de dar tudo por tudo nos confrontos directos. E não custa admitir que algumas vezes vimos as equipas rivais a jogar mais e melhor que o Benfica. O que faz toda a diferença é que na hora certa o Benfica reage sempre. A tal alma de campeão. Foi assim no derby que Mitroglou resolveu, foi assim há duas semanas quando Lisandro resgatou um ponto no Dragão. E isto deixa-os completamente doidos, a pensarem que o Benfica não joga nada e só é feliz por sorte. Esquecem-se é que durante 90% da época, o Benfica não falha. Joga, marca, ganha e até dá show de gala como este 6-0 documenta.

O Benfica em vez de concentrar todas as suas forças em clássicos e derbys, deixa que sejam os adversários a fazer desses jogos os desafios da época e dão tudo por uma vitória e uma boa exibição. O Benfica prefere dar tudo sempre em todos os jogos, isto é que faz a diferença. Por isto, é que no final desta ronda houve quem caísse depois de ter feito a melhor exibição do ano e houve quem mostrasse alívio em ter dado revirado um jogo contra uns amadores com uma volta olímpica. Diferenças.

 

 

Galeria de fotos de João Trindade

 

 

A última realidade do nosso futebol é a da negação. As duas realidades que expus em cima são tão óbvias que só entrando numa realidade paralela se pode combatê-las. Felizmente, estamos rodeados de índios e cowboys de enorme imaginação e incansável vontade de baixar o nível e o respeito que se possa ter pelas instituições que representam.

Nesta realidade paralela há que destacar algo que parecia impossível de ver no nosso futebol. Responsáveis de um clube que dominou o futebol sob efeito de apito dourado a queixar-se de... arbitragens. Mesmo que nem razão tenham, não deixa de nos trazer um enorme sorriso e um sentimento de justiça poética. Pensei não ver isto nesta vida.

De outro lado temos o universo da loucura. O Benfica domina, como vimos, as competições onde entra por via de ter encontrado a fórmula certa para ganhar 90% dos seus jogos por época? A explicação é simples: árbitros comprados com vouchers que dão colinho, adversários que facilitam por obra e graça sabe-se lá do quê, e todos os agentes do futebol português, sem excepção, estão ao serviço do Benfica. Benfica que, nesta realidade paralela, passou a ser carnide ou venfique ou, na melhor das hipóteses, slb com emblema mais pequeno nas transmissões da Sporting TV do andebol, por exemplo.

Esta realidade paralela é a mais cómica mas também a mais aborrecida. É que já são muitos anos deste circo, todos os dias com novos episódios, e depois vem o Benfica para um jogo da Taça e dá um recital de bola como este da Luz contra o Marítimo e todos os imbecis que argumentam idiotices em modelo de carneirada ficam a olhar para as exibições do Nélson, do Pizzi, do Guedes, do Cervi, dos golos do Mitroglou e do Raul e ficam a pensar o tão idiotas que conseguem ser.

Felizmente, passa-lhes depressa e voltam à carga com mais imaginação.

 

Enquanto isto, os benfiquistas aproveitam para apreciar e viver esta realidade dos 90% que há tantos anos procuravam e que agora sabe tão bem vivê-la.

 

Voltando aquela ideia da bela da monotonia que apresentei depois do jogo com o Paços de Ferreira, noites destas deviam representar 90% da minha vida. Mudar aos 3 e acabar aos 6 era o que eu decretava nas regras FIFA para jogos do Benfica.

Tão bom saber que ainda temos tantos jogos para usufruir e apreciar o futebol desta equipa.

E ver o circo a pegar fogo.