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Red Pass

Rumo ao 38

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Rumo ao 38

Benfica 1 - 0 Mónaco : Baliza Grande!

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(Foto: João Trindade)

 

Quanto custava um bilhete para ver este jogo no piso zero da bancada Sagres? Para sócios valia o quê, 10, 15, 20 euros? E para não sócios, 20, 25 euros? Não sei porque comprei o pack dos três jogos europeus mas tenho ideia que os valores não andam muito longe disto. Se me perguntarem até quanto é que estou disposto a pagar para ver o Benfica marcar um golo na Champions League a poucos metros do meu lugar, não sei o que responder. Isto porque acho que ver tal coisa não pode ser tabelada, não tem preço. Ora, com uma nota de 20 euros e mais uns trocos qualquer mortal pode viver a experiência de estar perto da Baliza Grande e viver o momento em que a bola vem no ar, é desviada à entrada da área e cai à frente de Lima e Talisca. São uns centésimos de segundo incríveis em que tentamos empurrar a bola para a baliza só com o pensamento, até que vemos o pé de Talisca a dar sentido à vida e explodimos de alegria ali mesmo. São uns míseros segundos que não têm preço mas nem são assim tão caros.

 

Agora vamos falar de um pessoal alemão vindo do Vale do Ruhr. Semana europeia e as cidades que têm clubes nas provas da UEFA recebem milhares de turistas adeptos de futebol. Em Lisboa além de um número bem surpreendente de monegascos há uma considerável invasão de camisolas azuis do Schalke 04. E o que é que aquele pessoal alemão pensa na véspera do seu jogo no estádio mais feio da Capital? Vamos ao Estádio da Luz ver o ambiente, beber umas cervejas e pode ser que haja bilhetes. Qual não é o espanto deles quando percebem que havia mesmo alguns bilhetes disponíveis. Mais concretamente cerca de 30 mil por vender. Ficaram pasmados com tamanha sorte deles e com tão grande desprezo dos benfiquistas por uma noite europeia. Isto é rapaziada habituada à Bundesliga onde os estádios estão por norma cheios e os preços dos bilhetes são muito acessíveis. A minha bancada tinha manchas azuis, eram adeptos do Schalke 04 que (imaginem só!) adoram futebol. Muitos com cachecóis do Benfica festejaram o golo de Talisca. Prometeram ganhar amanhã mas a esta hora ainda não percebem porque é a Luz em noite europeia teve 32 mil pessoas nas bancadas, deixando mais de metade do estádio vazio. Eu não consegui explicar, disse para eles lerem os comentários aqui no blogue e no mural do facebook com todas as explicações que a malta tem para dar de cada vez que levanto a questão.

 

Foi uma vitória muito suada, conquistada já na fase final da partida quando alguns já saiam do estádio para irem à sua vida. Fez-se o mínimo aceitável que era ganhar mas não foi nada fácil.

O jogo foi muito equilibrado, teve fases de domínio do Mónaco e outras em que o Benfica esteve por cima mas o golo nunca esteve muito perto do nosso ataque nem a defesa dava sossego aos nervos. Claro que o empate servia muito mais aos franceses do que ao Benfica mas nem por isso a equipa de Jardim abdicou de procurar o golo.

 

Do lado do Benfica temos um Júlio César a crescer na baliza, e tanto que precisamos de um guarda redes em forma! Hoje esteve impecável a segurar o nulo. Espero que seja para continuar assim.

No lado esquerdo da defesa André Almeida a fazer o que pode. Pergunto-me se nesta situação não era de arriscar lançar um puto da formação que fosse defesa esquerdo de raiz. Não digo nomes para não desvirtuar a ideia. O André entrega-se mas é óbvio que não é terreno dele.

Jardel voltou em grande após paragem de um mês. Um ou outro pormenor a dar calafrios mas bem no geral, confirma-se como o tal central de rotação muito útil, como já disse aqui há semanas. Depois Luisão e Maxi a darem normalidade e tranquilidade aquele sector.

No meio, Samaris hoje pareceu mais solto, bem a procurar variar os flancos, a procurar linhas de passe mesmo quando pressionado mas pouco seguro na entrega de jogo. Continua à procura de confiança. Enzo entra no jogo, disputa os lances e entrega-se mas não é o Enzo que nos encantou aqui com ecos em Valência e arredores. Mesmo assim muito importante no jogo.

Gaitán na esquerda mesmo com dores nas costas dá um toque de qualidade ao jogo atacante do Benfica mas condicionado a tarefa complica-se. Do outro lado Salvio muito mais solto e a procurar zonas do terreno para desequilibrar o jogo e a aparecer em zona de finalização onde esteve péssimo. O Benfica precisava de conclusões simples e eficientes, Salvio não foi capaz de as fazer mas trabalhou muito na ala e bem no apoio à defesa.

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 (Foto: João Trindade)

 

Talisca estava a fazer um jogo esforçado mas os passes não lhe saiam bem, não conseguia espaço para rasgar com bola nos pés e os remates não estavam certeiros. Parecia que a estrelinha do baiano que tanto tem brilhado a nível interno não ia aparecer na Europa. Até que acontece o momento mágico a pouco tempo do fim. Talisca tem o mérito de estar lá e marcar. Talisca tem golo. E isto já é dizer muito. Hoje a sua aparição em frente à baliza deu 3 pontos, relançou o Benfica europeu desta época e rendeu uns milhares de euros aos cofres da Luz.

Derley batalhou que se fartou e saiu justamente ovacionado. Lima entrou mais cedo para o lugar de Samaris e o Benfica teve mais bola e mais profundidade, entrada muito importante em jogo. Tiago e Cristante já foi mais para a estatistica e cronómetro.

 

Foi uma vitória importante para repor alguma auto estima europeia e não fechar portas uefeiras além de Dezembro. Espero que a luta de hoje não traga ressaca na deslocação seguinte que é à Choupana. Ganhar é bom e dá moral, tem sido assim nos últimos anos. As vitórias são maiores que o cansaço. Hoje aconteceu uma vitória muito disputada e igualmente saborosa.

Os clubes franceses continuam sem ganhar na Luz, O Mónaco nunca marcou um golo ao Benfica em jogos oficiais, é este o resultado do duplo confronto com os monegascos que marcou a viragem do calendário na fase grupos da Champions League.

Última palavra para Jardim, um muito obrigado por não ter lançado Bernardo Silva e ter poupado uns quantos benfiquistas a repetirem a triste figura que fizeram quando o Nuno Gomes entrou com a camisola do Braga para ajudar a roubar 2 pontos ao Benfica.

Boa sorte para o pessoal do Schalke 04.

 

O Regresso do Mónaco à Luz 22 Anos Depois

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Nada original este regresso da equipa monegasca ao Estádio da Luz em 2014 para um jogo oficial. Em 1992 o Mónaco esteve na Luz a disputar a final da Taça dos Vencedores de Taças com os alemães do Werder Bremen. Nessa época a equipa de França contava com estrangeiros de qualidade na equipa, o defesa senegalês Roger Mendy, o atacante liberiano George Weah, o atacante costa marfinense Youssouf Fofana e entre os craques internacionais figurava o pequeno português Rui Barros. Todos titulares.

A equipa era treinada por um tal de Arsène Wenger que tinha à disposição franceses de qualidade como o capitão e guarda redes Ettori, Emmanuel Petit, Passi e no banco Djorkaeff ou Lilian Thuram.

Como se vê não mudou muito o cenário, o Mónaco já apresentava um português e vários internacionais de qualidade na sua equipa há 22 anos.

Infelizmente para os franceses, o Werder Bremen venceu essa final por 2-0 com golos de Klaus Allofs e Ruffer. Os alemães liderador por Otto Rehhagel foram mais fortes e foram vencedores justos da segunda competição mais importante da UEFA nessa altura.

Esta vitória deu a possibilidade aos alemães de disputarem a Supertaça Europeia na época seguinte contra o Barcelona de Johan Cruyff, campeão europeu e uma das melhores equipas que o futebol europeu já viu. Na altura a competição era decidida em duas mãos, o Werder Bremen empatou 1-1 em casa e cedeu no Camp Nou 2-1 mas esteve empatado.

 

A 6 de Maio de 1992 a UEFA esperava um grande ambiente na final de Lisboa. Nessa época a equipa portuguesa que podia sonhar com uma final no seu país foi o FC Porto mas o representante português caiu cedo depois de perder 3-1 em Londres com o Tottenham. Nas Antas um nulo.

O apuramento do Mónaco para a final era um mal menor. Teoricamente os portugueses iriam ao estádio em bom número apoiar a equipa do médio que já tinha estado na Juventus. Essa atracção mais a oportunidade de ver alguns craques do topo do futebol europeu abria a expectativa de termos o imponente Estádio da Luz com uma moldura humana digna de uma final europeia.

 

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Como se pode ver pela imagem, os bilhetes não custavam nenhuma fortuna, foi feita uma campanha para venda local a preços acessíveis.

Comprei o meu bilhete juntamente com os amigos que costumavam ir comigo aos jogos do Benfica. Comprámos mal saíram com medo que esgotassem...

Nesse final de tarde de 6 de Maio de 1992 fiquei a perceber o quanto os portugueses gostam de futebol, entendi perfeitamente a "paixão" nacional pelo desporto Rei, como se chamava na altura.

Não apareceram mais de 16 mil pessoas num estádio que nessa altura ultrapassava em muito enchentes de 100 mil adeptos. Vieram franceses, vieram alemães e adeptos portugueses eram muito poucos. O aspecto da Luz reproduzido na fotografia no topo do texto foi visto pela Europa toda. Foi embaraçoso, durante uns anos nunca mais se falou em ter cá finais europeias ou organizar seja o que for.

 

Já nessa altura as desculpas eram mais fortes que as explicações. Ninguém quis admitir que não há cultura futebolística neste país. As pessoas limitam-se a gostar que o seu clube ganhe e que os rivais percam. De preferência para poderem argumentar nos cafés, presenças nos estádios eram sempre a descer. Depois veio a Sport Tv e as transmissões na televisão e os horários e tudo isso que sabemos. Mas o panorama já era muito triste.

 

O Mónaco vai regressar à Luz mas para encontrar um novo estádio. Moderno, mais pequeno e com capacidade para cerca de metade dos adeptos. O que se vai manter é a sensação de afastamento dos adeptos, neste caso benfiquistas, do estádio. Os monegascos vão pensar que se calhar a nossa casa devia ter metade da capacidade actual para verem a Luz cheia. Falarem em Inferno da Luz a um adepto do Mónaco deve arrancar-lhe umas boas gargalhadas.

 

O Mónaco regressa amanhã aos jogos oficiais na Luz e muita coisa se repete, como vimos. O meu desejo é que se repita também o resultado, já que quanto ao resto perdi a esperança.

 

 

Mónaco 0 - 0 Benfica : Empate de Sabor a Zero

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Tinha muitas expectativas em relação a este jogo. Desde logo por ser uma estreia oficial, nunca o Mónaco tinha sido nosso adversário, nunca o Benfica tinha jogado no Stade Louis II.

Comecemos pelo estádio. É um recinto que tem o seu quê de histórico, não só pelas Supertaças Europeias, como também por aquelas tardes de campeonatos de atletismo que via na RTP2.

 

Permitam-me que primeiro conte aqui um pequeno episódio à volta do Stade Louis II. No ano em que recebi o emblema de prata resolvi ir ao jantar da Gala de Aniversário do Benfica, na altura em que isto era possível investindo uma pequena fortuna. Avancei com uns amigos companheiros de bancada e foi uma noite bem passada que teve o ponto alto numa conversa com Jorge Jesus. Isto foi na primeira época do treinador na Luz, em Fevereiro. Íamos bem lançados na Liga, o jogo a seguir era em Matosinhos e avançávamos bem na Europa. Mediante tanto optimismo disse eu a JJ: Isto agora é sempre a abrir, e rumo ao Mónaco!

Jesus ficou baralhado e naquele seu jeito despachado vira-se para Rui Costa e resmunga: Oh Rui, o Mónaco não está na Liga Europa, pois não? Esta malta está maluca, qual Mónaco, pá?!
Expliquei-lhe que a confiança era tanta que eu nem estava preocupado com a Liga Europa porque me parecia que íamos vencer tranquilos. O pensamento já estava na Supertaça europeia no ... Stade Louis II. O homem riu-se, deu-me uma palmada e saiu dali bem disposto a dizer: Está bem pensado, sim senhor! Gosto deste pessoal que vê muito à frente! Boa!

 

Isto tudo para dizer que há muito que eu queria ver o Benfica no Mónaco que até hoje só me suscitou emoções ao nível da Fórmula 1 quando Ayrton Senna competia.

 

Entrámos condicionados pelos péssimos resultados anteriores na prova. Desejava que o Benfica tivesse entrado com tudo à procura do golo. A equipa não jogava desde a vitória com o Arouca, muitos andaram nas selecções e poucos foram à Covilhã. Mas a primeira parte foi uma desilusão, o Benfica não conseguiu ligar o seu jogo e passou por alguns apertos na defesa, Eliseu e Lisandro viram cartão amarelo muito cedo e só pela horrível qualidade do relvado o Mónaco não marcou. Numa região tão rica e ninguém investe num relvado ?!

 

Houve um esticão no jogo quando o Benfica vai à frente e Lima quase faz golo após cruzamento da direita. Foi um bom sinal para a segunda parte. Entretanto, o Mónaco perdeu a referência do ataque, Berbatov saiu lesionado.

No segundo tempo o Benfica construiu oportunidades para marcar mas Lima, Gaitán, Enzo, André e Salvio mostraram-se muito ansiosos na hora de finalizar.

Numa jornada com um número pornográfico de golos, este encontro acaba a zero mas Gaitán contribuiu com uma das melhores jogadas da noite que só não deu golo porque Subašić negou.

Houve algumas boas jogadas conduzidas por Salvio, Gaitan e até Talisca mas com finais infelizes. O Benfica cresceu muito na segunda parte e parecia mais perto da vitória mas a entrada de Lisandro na bola apanhando de seguida a perna de Moutinho, que todos sabemos como gosta de rebolar com dores reais ou não, acabou com a boa fase do campeão nacional.

 

Jesus apostou em Tiago para o lugar de Talisca, na teoria era isso que o jogo pedia. A velocidade de Tiago podia dar o golpe final na defesa monegasca mas o jogador voltou a desiludir e revelou-se uma aposta falhada.

Depois teve de ir a jogo César para o lugar de Gaitán, para compensar a expulsão e no fim entrou Samaris para o lugar do esgotado Enzo. A expulsão condicionou tudo, isso e o facto do Benfica não ter feito um golo, o que até nem é comum.

 

Olhando individualmente. Artur é o que há. Aquele final de primeira parte dispensa mais comentários.

Maxi e Salvio estiveram bem na direita, o argentino pareceu muito focado no golo tirando alguma objectividade na hora de decidir mas carregaram bem o seu corredor.

Confirma-se o que tinha dito sobre o jogo da Taça de Portugal, é ao lado dos melhores que o potencial de novos jogadores pode ser revelado. Hoje Lisandro ao lado de Luisão mostrou muito mais qualidade, estava a fazer uma exibição muito digna até ao lance com Moutinho. Foi pena a expulsão porque pareceu estar a caminho de garantir a titularidade.

Na esquerda Eliseu foi amarelado muito cedo mas aguentou-se bem durante o resto do jogo, ainda por clima não pode contar com grande ajuda de Gaitán na hora de defender. O argentino foi o mais empenhado em levar a bola para a frente, sempre da esquerda para dentro, conduzindo a bola em velocidade e com passe de qualidade além da tal "cueca" a Fabinho. Pena não estar no seu melhor ao nível do remate.

André Almeida e Enzo foi a dupla escolhida para o meio campo. André, também como escrevi aqui no domingo, sobe logo de produção quando acompanhado dos melhores do plantel. Enzo esteve bem mas longe da grande forma que fez dele o mais valioso da equipa. Sempre lutador mas longe do brilhantismo que lhe conhecemos.

Depois Talisca e Lima. O reforço já esteve melhor do que nos jogos europeus anteriores mas longe do à vontade que tem vindo a revelar internamente. Lima teve oportunidades para resolver mas o guarda redes adversário e Ricardo Carvalho não facilitaram a tarefa ao "11".

Ainda do lado francês fica a nota que Bernardo Silva e nada de novo veio trazer ao jogo.

 

Foi uma estreia no Stade Louis II marcada por um nulo que em nada melhora a situação do Benfica neste grupo, soube a pouco e deu ideia que o Benfica pode vencer este Mónaco.

Espero que na Luz se consiga a vitória para uma segunda volta bem diferente da primeira.