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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 1 - 0 Porto: O Nosso Lema é o de Vencer

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 O Benfica chegou a este clássico muito pressionado. Demasiado pressionado para uma jornada 7, diga-se. Tudo porque empatou o derby em casa com o Sporting e voltou a empatar em Chaves num jogo cheio de peripécias. 

Depois, foi a segunda parte em Atenas que assustou os benfiquistas e juntou-se a estatística dos clássicos recentes mais o facto do Porto chegar à Luz à frente na classificação. 

A tudo isto juntou-se a lesão de Jardel, a expulsão de Conti em Chaves, dois jogadores que ficaram assim de fora do clássico, e a expulsão de Rúben Dias na Grécia que deixou o universo benfiquista à beira de um ataque de nervos.

Ainda sem Jonas em forma, sem o efeito explosivo de João Félix, adivinhava-se um fim de tarde complicado para o Benfica neste domingo. 

Muitas teorias à volta dos centrais, muitas dúvidas sobre a opção Lema. 

Terminado o clássico e o que mais li e ouvi da parte de adeptos e observadores deixou-me espantado. Ora, em 2018 toda a gente descobriu que se joga muito pouco futebol em Portugal. O Benfica conquistou uma vitória muito suada e importantíssima mas vamos discutir a qualidade de jogo do clássico.

Meus amigos, somar as primeiras partes dos mais recentes jogos Braga - Sporting e Benfica - Porto é obter um resultado de uma mão cheia de nada, em termos futebolísticos. Mas isso já eu sei há muito tempo. Já o digo e escrevo há muitos anos. Aliás, digam-me lá 5 grandes clássicos, cheio de qualidade de futebol a todos os níveis, que tenham acontecido nos últimos, vá lá, dez anos. Não há. E ninguém quis saber disso para nada nunca. 

Hoje, pelos vistos, está tudo muito preocupado com a qualidade de jogo. 

Já aqui escrevi há uns tempos e vou recuperar essa ideia, quando o Benfica começa a jogar eu não quero viver a festa do futebol, nem estou à espera de um futebol tipo Laranja Mecânica. Eu só quero uma coisa, uma vitória do Benfica. E quanto mais monótona, melhor. Um jogo do Benfica é um assunto muito sério na minha vida. A minha vida é cheia de capítulos de 90' que precisam de ser resolvidos com um triunfo. Se for com uma goleada, melhor. Se for com um recital de bola, muito melhor. Mas não perco o foco, o objectivo é fazer um golo mais que o adversário. Apenas e só isso.

Quando eu vejo um guarda redes histórico, como é Casillas, a levar um cartão amarelo aos 20' da primeira parte por estar a retardar a reposição de bola desde o começo do jogo concluo que a vontade de jogar é pouca. O Porto veio à Luz para não perder o jogo e para perder muito tempo útil de jogo. Foi uma estratégia. Mas influenciou directamente o tempo útil de jogo que deve ter tido uma percentagem ridiculamente baixa. 

O Benfica foi a jogo com Lema ao lado de Rúben, Gabriel no meio e Cervi na esquerda. De resto, tudo igual e expectável para este jogo. E foi muito bem. O Lema jogou e não houve drama nenhum. 

Eu sou do tempo das piores equipas de futebol que o Benfica teve na sua história. Anos 90. Sabem quantas vezes o Porto ganhou para o campeonato na Luz na década de 90? Duas. Isto significa que ganhámos jogos que ninguém esperava com equipas onde o Lema era rei e senhor, se jogasse nessa altura. Quando dramatizam as ausências antes de um clássico esquecem aquele jogo de 2009 e todos aqueles em que andávamos muitos pontos atrás na classificação. O Lema jogou e ganhou porque o nosso lema é o de vencer. Ah, e foi expulso. É que as expulsões para jogadores do Benfica estão muito baratas. Por exemplo, o Otávio teve muito que penar até ser reconhecido com um cartão amarelo. Para os homens da casa até saía à primeira falta. 

Houve muita bola pelo ar, muitas faltas, muito tempo perdido, uma equipa mais interessada em ganhar e outra em sair de Lisboa com a vantagem mínima na tabela classificativa. Que novidade houve neste clássico? Nenhuma. Esta é a história da grande maioria destes jogos. 

As boas notícias para os benfiquistas é que a equipa voltou para a segunda parte ainda mais motivada. Sentiu que podia mesmo vencer. Fez por isso. O Estádio acreditou e, por momentos, virou mesmo inferno da Luz empurrando a sua equipa para um golo que Casillas negou, embora houvesse fora de jogo. Aliás, como na primeira parte também um fora de jogo já tinha invalidado um incrível falhanço de Seferovic.

A grande defesa de Casillas a remate de Gabriel fez temer o pior, o espanhol costuma dar espectáculo na Luz. Mas, desta vez, passados poucos minutos aconteceu mesmo golo de Seferovic. Uma pressão alta, muita luta pela bola, recuperação, assistência inteligente de Pizzi e Seferovic a rematar para o 1-0. 

É para isto que eu vou ao estádio. Para viver e festejar o golo. E logo a seguir ficar angustiado por ver que ainda falta uma eternidade para terminar o jogo.

A partir daí é que se viu o Porto interessado em jogar e chegar ao golo mas o Benfica resistiu com confiança e em harmonia com as bancadas. Foi assim até ao fim. À Benfica! 

Naquele estádio ninguém estava incomodado com uma defesa liderada pelo miúdo Rúben, que fez enorme exibição, diga-se. Ninguém desmotivou o Lema, que não merecia acabar o jogo daquela maneira. De certeza que nestas bancadas estavam companheiros que se habituaram a vibrar com golos ao Porto inesperados de Bruno Basto, por exemplo. Ou de Valdir. Ou de Tahar. Passámos por isso tudo e ainda cá andamos. 

Porque raio íamos vacilar hoje? Isto é o Benfica. E há pouca coisa no mundo mais bonita que a harmonia única da Luz entre equipa e adeptos. Hoje houve.

O Benfica ganhou e ganhou bem. Recuperou a liderança e olha para o horizonte com confiança. Há jogadores a recuperarem que vão dar mais qualidade à equipa. Vencer o Porto antes de mais uma paragem na Liga é moralizante. 

Mas não me venham com a conversa da qualidade de jogo do clássico. Há anos que estes jogos passam ao lado das melhores expectativas. Estas partidas não são para exibições, são para ganhar. 

Agora, se quiserem discutir honestamente a qualidade de futebol da Liga NOS de forma séria e aberta, contem comigo. Mas não passa por clássicos e derbys. Se quiserem discutir que, se calhar, tudo isto é reflexo de Portugal se ter tornado um país de adeptos de sofá e de futebol (mal) falado, também podem contar comigo. Mas para olhar para um clássico e torcer o nariz pela sua qualidade, isso não. Aqui as equipas só querem ganhar. Foi assim na Luz, será assim no Dragão. 

Muito saboroso, este triunfo contra um clube que tudo tem feito para abater o Benfica movidos por um ódio visceral e regional que os cega de raiva. O Benfica ganhou. Tão bom. 

Chaves 2 - 2 Benfica: Uma Odisseia Que Não Acabou Bem

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Há jogos que não me cheiram bem a uma grande distância. Esta partida em Chaves foi marcada há cerca de um mês e a partir daí foi sempre a complicar. Um jogo em Chaves numa 5ª feiras às 20h15 começa logo por ser estranho. Mas isto é uma Liga que tem o recorde de dias para a duração de uma jornada. Esta, por exemplo, dura cinco dias.

Depois de sabermos data e hora, o Chaves anuncia que o jogo serve para celebrar o seu 69º aniversário mas quem dá a prenda maior é quem quiser ir ao estádio sem ser sócio do clube da casa. Ou seja, um adepto do Benfica que quisesse comprar bilhete no estádio do Chaves teria que pagar a partir de 37€ e podia ir até 56€. 

O tempo passou e em vésperas do encontro o Chaves fez um comunicado em que decretou a proibição de adereços do Benfica numa bancada central. Mais do mesmo. Quem já tivesse comprado bilhete antes tinha que comer e calar.

Entretanto, no último jogo antes desta deslocação o Benfica perde João Félix, Sálvio e quase fica sem Grimlado. O espanhol recupera mas na frente teve que entrar Rafa e Cervi. 

A meio da semana há a despedida a Luisão e logo acontece uma lesão a Jardel e uma expulsão forçada por João Capela a Conti. Capela, o tal que expulsou Aimar. O tal que um dia viu Cardozo bater com uma mão no relvado revoltado por ver que o árbitro não marcou uma falta evidente a seu favor, e ... expulsou-o. Repetiu a dose em Trás-os-Montes.

Aliás, a nomeação de Capela foi mais uma desconfiança que tivemos antes do jogo. A outra foi nova mudança no árbitro para o Var. Sem justificações, apareceu Bruno Esteves em vez de Hélder Malheiro. Segunda jornada seguida com trocas de última hora. Estranho. Claro que Esteves e Capela não tiveram dúvidas num penalti por marcar sobre Gabriel na primeira parte. E zero de dúvidas na expulsão a Conti.

 

Voltemos ao pré jogo. Finalmente, chega a hora e tempo de verão dá lugar a uma noite de temporal. Relvado encharcado, dúvidas sobre a realização do jogo e partida a começar mais de uma hora depois da hora marcada. 

Forte abraço para o pessoal que foi a Chaves e que ainda levou com transito cortado na A3. Que tenha sido esta a pior deslocação da época, é o que desejo. 

Fomos a jogo e tudo mudou a nosso a favor. Entrar a ganhar 0-1 com um golo de Rafa era tudo o que o Benfica precisava para inverter todas estas más energias acumuladas antes da jornada. 

Mas a vantagem não foi ampliada, por acerto do guarda redes Ricardo e infeliz desacerto de Seferovic na hora de finalizar. O jogo ficou demasiado aberto para o Benfica conseguir dominar, o Chaves foi criando oportunidades que o mantiveram ligado ao jogo até ao intervalo. 

Na segunda parte pedia-se um segundo golo ao Benfica para que tudo acalmasse e fosse gerível do ponto vista físico e emocional. Mas sem conseguir matar o jogo, o Benfica deixou espaço para o empate que surgiu num mau momento de Odysseas que até ali tinha estado impecável. Um livre directo frontal quase sem barreira convidou Ghazaryan a rematar. O arménio, que acompanhou Daniel Ramos nesta passagem do Funchal para Chaves, aproveitou para fazer o empate num pontapé forte e colocado. 

Faltavam 20 minutos para o final e o Benfica ainda conseguiu reagir. Rúben Dias desmarcou Rafa que se isolou e bisou na partida. Parecia que toda esta maratona ia acabar bem. Jonas já estava em campo e festejou o 1-2.

Só que quando parecia que o jogo estava controlado na recta final pela equipa em vantagem aparece João Capela a mostrar vermelho directo a Conti numa falta em que o jogador do Chaves nem ia criar perigo de golo. Sem Jardel, sem Conti, as nuvens negras voltaram. Não houve quem não pensasse logo com que centrais o Benfica pode defrontar o Porto na próxima jornada. Com a equipa desgastada, com improvisos na defesa e no meio campo, o Benfica não soube roubar a bola e empurrar o adversário para o seu meio campo. O chaves teve força e engenho para desenhar a melhor jogada de toda a partida e dar a Ghazaryan a oportunidade de bisar empatando um jogo que pareceu amaldiçoado desde o dia em que foi marcado. 

Dois pontos perdidos mesmo no final da partida, lesões de Jardel e Gabriel para avaliar, suspensão de Conti para gerir e uma viagem a Atenas já no horizonte que por marcar o futuro europeu da equipa. 

Estamos em alta pressão e não podemos perder o foco apesar de tanta odisseia à volta do futebol do Benfica. Esta não acabou bem. 

Benfica 2 - 0 Aves: João Félix Não Engana

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 Apetece-me agradecer a espertice do Aves ter optado por obrigar o Benfica a jogar primeiro para a baliza sul, ao contrário do que costuma ser tradição na Luz.

Obrigado, Aves. Assim, foi da maneira que vi mesmo ali à minha frente o magnifico lance do primeiro golo do Benfica. O trabalho e a assistência do Pizzi para a finalização superior do João Félix. Segundo golo do miúdo na Liga e segundo golo nesta baliza.

Um regresso ao campeonato que serviu para lançar Gabriel no onze, o brasileiro fez por merecer a aposta, e dar a titularidade a João Félix. A equipa respondeu bem e fez por evitar o susto da época passada quando esteve 70 minutos para fazer o primeiro golo.

O Benfica podia, e devia, ter feito muitos mais golos na primeira parte. Jogou o suficiente para construir cedo uma vitória tranquila.

Mas só na 2ª parte é que o triunfo ficou certo. Pelo meio, um sentimento misto. Por um lado, a satisfação de ver a ala esquerda a carburar muito bem, por outro, o Benfica acabou com esse flanco renovado por saídas de Félix e Grimaldo, ambos lesionados. Espera-se que sem gravidade.

Por ironia do destino, Cervi entrou e foi ele a fazer o 2-0 que deu mais justiça ao marcador e descanso às bancadas.

Por falar em entrar, Jonas regressou. Foram 20 minutos em campo que muito animaram a plateia da Luz. Que tenha sido o começo de um novo ano da lenda Jonas no Benfica.

Acabou por uma vitória normal e objectivo cumprido.

 

 

Antes do começo da partida tive oportunidade de reencontrar o amigo Vítor Pimenta que fez questão de me oferecer uma camisola do Aves, Luquinhas, repetindo um gesto que já tinha feito pelo Gil Vicente, Rio Ave e Varzim. Uma amizade que já vem dos anos 80, um respeito mútuo que em 2018 ganha um simbolismo maior, já que parece que toda a gente se esqueceu como é bom ter amigos no futebol.

Por falar nisso, agora não se lembrem de irem buscar imagens da entrega da camisola antes do jogo para especularem cenas. Algo em que Portugal está muito forte.

 

Bom regresso ao campeonato para dar continuação já na próxima 5ª feira em Chaves.

 

 

 

Nacional 0 - 4 Benfica: Wake me up when September ends

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 Na conferência de imprensa de lançamento do jogo o treinador do Nacional disse que dividia o favoritismo pelas duas equipas. O mesmo homem que há uns tempos fez capa da revista do Expresso afirmando orgulhosamente que era sportinguista e anti-benfiquista.

Como tenho memória devo dizer que estas goleadas sabem sempre melhor quando são conseguidas contra esta gente que odeia o Benfica. Já a meio da semana, outro treinador de uma equipa às riscas preto e brancas acabou mal depois de muito optimismo. 

O Benfica tinha um desafio complicado neste fecho de ciclo de jogos. Era preciso repetir toda a qualidade mostrada em Salónica para garantir 3 pontos no campeonato.

Relembro que as duas saídas no arranque desta Liga foram ao Bessa, único estádio onde perdemos na época passada, e à Choupana, uma viagem sempre complicada. Pelo meio, recebemos o Vitória de Guimarães, que depois venceu no Porto e o derby de Lisboa. Se isto fosse escolhido por algum rival não seria mais complicado na teoria. 

A resposta da equipa voltou a ser eficaz, tremenda, entusiasmante e convincente. 

O Nacional vinha de uma vitória moralizadora no Bonfim, o treinador estava com o tal discurso forte, a direcção resolveu fazer a rábula da proibição de adereços do Benfica nas suas bancadas. Mas o Benfica teve o apoio de sempre e mostrou depressa ao que ia. Com o mesmo 11 da qualificação europeia, a equipa de Rui Vitória tomou conta do jogo e criou várias oportunidades para marcar. Quis o destino que fosse Sferovic o homem em destaque, fez o primeiro golo e ofereceu o segundo a Salvio. 

A vitória estava bem encaminhada ao intervalo, na segunda parte houve menos espectáculo mas Pizzi quis fazer mais duas assistências que atestam o grande momento de forma que atravessa, para Grimaldo e para... Rafa! 

Do lado Nacional um grande destaque, Arabidze, nascido na Georgia, 20 anos, canhoto, 1m 73cm de altura, fez enorme exibição. Está emprestado pelo Shakhtar de Paulo Fonseca. 

A lamentar apenas a lesão de Fejsa que saiu com dores. 

 

Este Benfica 2018/19 teve uma apresentação muito dura e exigente mas o balanço desta primeira etapa é muito bom. 

Odysseas voltou a mostra na Madeira que a baliza está bem entregue, Ruben e Jardel no meio, André e Grimaldo nas alas garantem a continuidade do trabalho defensivo que já vem da época passada. Os dois alas combinam bem com os extremos, Cervi e Salvio. Os argentinos estão a ter um belo inicio de temporada, Salvio está ao nível do melhor que já vimos desde que chegou à Luz. 

Pizzi num momento de forma incrível, conta com Gedson como a grande surpresa nesta equipa. Mais uma exibição de grande qualidade do miúdo. Alfa Semedo entrou para o lugar de Fejsa e luta com tudo pelo seu espaço na equipa. Tem a confiança do treinador e dos companheiros. Na frente, o momento é de Sferovic. O suíço foi aposta na Grécia e justificou nova oportunidade na Choupana. Marcou e assistiu. Há quatro homens para jogar na frente, nesta altura o internacional da Suíça é o que está melhor. Hoje foi mais do que útil, foi essencial. 

Uma palavra para Rafa que foi a jogo no momento em que se sente mais confortável, transições rápidas. Pizzi lançou-o e Rafa aproveitou para marcar. Grande sinal de presença. 

Finalmente, João Félix. A terceira aposta jovem para esta temporada tem escrito por todo o lado a palavra craque. Vai ser uma bela época para o João. 

 

Uma pré época equilibrada com adversários fortes, uma abordagem ao mercado que não deixou nada para a última da hora, renovações com Ruben e Gedson em vez de vendas milionárias, porta fechada à saída de jogadores importantes na equipa, um arranque na Liga que vale o primeiro lugar graças a golos marcados e um apuramento brilhante para a Liga dos Campeões depois de um sorteio pouco favorável.

Setembro chegou com um quadro bem animador para o futebol do Benfica. Dá vontade de recuperar o clássico dos Green Day: Wake me up when September ends.

Bons sonhos, perdão, boa sorte para os internacionais que vão representar os seus países nas próximas semanas.

 

Benfica 1 - 1 Sporting: Um Raio de Luz Chamado Félix

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 O João Félix envergonha os meus 18 anos. Tenho que esclarecer que até tenho muito orgulho nos meus 18 anos. Passei a estudar à noite para começar a trabalhar numa fábrica da Nestlé em Linda-a-Velha e saber o que custa a vida, passei a rapar o cabelo e abandonei o estilo de risco ao lado e a 2 de Outubro de 1991 arranjei o meu primeiro conflito laboral por querer sair mais cedo para ir à Luz ver o jogo com esse colosso de Malta, o Hamrun Spartans. Tudo muito engraçado mas com 18 anos não estava no relvado a fazer golos ao Sporting e o João Félix está. 

 

Foi o grande momento do derby. Cruzamento de Rafa, depois de Fejsa ter dado a Zivkovic que meteu rápido no português, bola para a área e o puto a saltar para fazer de cabeça o primeiro golo pela equipa principal e salvar o Benfica de uma derrota embaraçosa.

Aliás, esta jogada que deu o empate exemplificou na perfeição o que o Benfica não fez no resto do jogo. Meter velocidade, ligar o jogo rápido entre sectores e criar desequilíbrios e imprevisibilidade para quem defende. 

Não tenho outra maneira de dizer isto, este derby foi muito frustrante para quem já vê jogos destes desde os anos 80. Esperava mais do Benfica. 

Na teoria, este seria o Sporting menos forte na Luz dos últimos anos. Na verdade, não me lembro de uma equipa do Sporting tão remendada na Luz. Fizeram o seu jogo, acabaram o derby ao pior estilo de uma equipa de meio da tabela a lutar por um pontinho mas, lá está, tinham noção da enorme diferença de qualidade de um lado e do outro. 

O Benfica não fez o que lhe competia e o que se esperava. Acabou por ir caindo na teia que Peseiro montou, tornou o seu futebol previsível e anulável e deixou o adversário acreditar e crescer. 

O lance que dá o penalti, indiscutível, ao Sporting mostra bem tudo o que não era preciso fazer. Jardel passa a Rafa sem nexo. Ruben Dias acaba a fazer falta em Montero. Impensável estar a perder com este Sporting em casa. Mas aconteceu. 

Verdade que Salin engatou grande exibição, lá está, ao melhor estilo de equipa menor. Aquilo que eu achava que seria um trunfo, mais jogos nas pernas numa altura da época em que o cansaço não é dramático por ser o arranque da temporada, afinal teve efeito contrário. A equipa pareceu desgastada nas alturas em que era preciso imprimir velocidade. Gedson e Pizzi não estiveram tão fortes como em jogos anteriores. 

Sem Salvio para esticar o jogo pela direita, foi Rafa quem tentou desequilibrar, tendo Cervi no lado oposto a forçar a entrada de bola no meio onde Ferreyra voltou a estar desligado do resto da equipa. 

Acabou o Benfica com Seferovic e João Félix em campo a ser muito mais objectivo e perigoso. Eu já tinha escrito aqui que o miúdo até podia ser lançado mais cedo nos jogos. Quando entrou agitou sempre. Hoje mexeu com o marcador final.

Apesar da desilusão que foi esta noite queria deixar aqui uma curiosidade da primeira parte. Uma jogada colectiva em que a bola teve de passar pelo guarda redes do Benfica foi brindada com uma enorme assobiadela. A bola continuou a correr e acabou por ser uma das jogadas mais bem conseguidas da primeira parte na Luz. 

Outra nota, esta positiva, para a postura do rival na Luz. Desta vez, sem a rábula de nos trocar a ordem de ataque, com dirigentes na bancadas da Luz, sem stresses desnecessários.

Depois, deixem-me dizer que um derby à 3ª jornada é uma parvoíce em termos de calendário, a adrenalina desce para metade.

 

 

Finalmente, tenho lido muita coisa bonita sobre intenções de tornar o futebol português melhor. Muitas acções que ia tornar o espectáculo mais atraente, com mais qualidade e com o tempo útil de jogo a aumentar.

Muito bem, então o que foi isto que este Godinho veio fazer à Luz?! Atenção, não estou a falar em lances polémicos nem nada disso, o tom deste blogue não é esse. Falo no tempo perdido e das rábulas para fazer parar o tempo útil de jogo. Do mais enervante que já vi num estádio. E não me pareceu que Godinho tivesse poder para tornar o jogo melhor. Foi pena.

Esta foi a primeira grande desilusão da época, pedia-se uma vitória num derby que deixasse a equipa moralizada para o jogo decisivo na Grécia. Não foi possível e a derrota caseira do Porto atenuou um pouco esta frustração. 

Mas o sucesso desta primeira etapa depende muito da qualificação europeia e da viagem à Choupana que se segue. Tudo com a companhia de João Félix, de preferência, o verdadeiro raio de Luz neste derby.

Boavista 0 - 2 Benfica: Foi Você Que Pediu Um Golo de Ferreyra?

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Para começar, perdoem-me o trocadilho do título mas foi o que me lembrei quando vi Ferreyra a festejar no Bessa. Desde o famoso anúncio ao Porto Ferreyra que a pergunta não fazia tanto sentido. Se calhar, os mais novos nem sabem do que se trata. Googlem.

Permitam-me que ande para trás uns dias antes deste sábado.

Porque estamos em pleno verão, porque muitos dos leitores estão ou estiveram de férias, este cenário que vou recuperar deve ser familiar a muitos de vós. Sexta feira, fim de tarde no Algarve. Dia de praia impecável, companhia certa, temperatura amena da límpida água e a simplicidade de estar flutuar do mar tranquilo a olhar de frente para o sol a descer no horizonte e pensar que o momento podia ser eterno. Tudo tão perfeito e tranquilizante que uma pessoa até se interroga: para quê fazer 300 km para Lisboa daqui a pouco e amanhã juntar mais 600 e tal "só" para estar no estádio onde o Benfica joga às 19h? 

É complicado de contextualizar naquele momento tão especial. Mas há uma força interior que nem nos deixa hesitar. Já longe do mar e daquele momento outras emoções se repetem. O Ferreyra ganha uma bola lá do outro lado do campo, atira à baliza e há explosão vermelha à minha volta. Claro que tinha de estar ali.

Voltemos outra vez atrás no tempo. Até 2ª feira. Portimão, 20h15m, o que é que leva um homem a ir de Silves para o Estádio do Portimonense? Fácil, vamos ver o próximo adversário do Benfica na Liga NOS. E o que leva dessa noite? Um pré aviso para os seus companheiros de bancada sobre Helton e Raphael Silva. Eram estes, perguntavam alguns deles hoje na bancada? Sim, estes foram os tais que me impressionaram. Pronto, uma pessoa sente que cumpriu a sua tarefa mesmo que aos olhos de pessoas desinteressadas deste contexto pareça ser uma perda de tempo.

 

Ir ao norte ver o Benfica é uma constante do nosso campeonato. Felizmente, tornou-se um pretexto para encontros gastronómicos com os amigos do costume e caras novas que sempre vão aparecendo. É assim que se estende o benfiquismo. Temo que, desta vez, não venha dar uma grande novidade a nível de local para refeições. O Tourigalo é um clássico da Avenida do Boavista mas eu nunca lá tinha ido. Talvez porque nunca resisto a passar pela Cufra sem parar. 

Mesa marcada, recepção personalizada. E aqui deixem-me fazer um destaque para o muito simpático empregado que me veio cumprimentar para informar que é o pai da Alice Carneiro, uma adepta benfiquista do norte que já este no Uma Semana do Melhor. A partir daí ficámos entregues às iguarias do norte. Vitela, secretos, bacalhau, frango e entradas a condizer, com cerveja que o dia foi quente. Belo repasto, excelente convívio.

 

Depois, é sempre uma maravilhosa sensação subir aquela Avenida e ruas adjacentes e ver o mar vermelho que torna tudo tão familiar mesmo que tão longe da Luz e em plena cidade do Porto.

Já disse e escrevi que um dos locais mais especiais para se ver, sentir e festejar um golo do Benfica é no Estádio do Bessa XXI. Adoro ver futebol ali. Isto apesar do cuidado com a limpeza das cadeiras ser zero, a Liga devia ter vergonha de aprovar estas condições para os adeptos que pagam (e bem) para ver um jogo naquelas condições, e os acessos ao exterior do estádio no final do jogo serem uma vergonha. A Liga que continue a ignorar estas criticas, a Liga que continue a não fazer nada, a Liga que continue a desprezar quem paga e sabe do que fala. 

Voltando à visão maravilhosa que se tem no Bessa, mesmo que atrás de uma baliza. Deu para ver um Benfica sem surpresas no onze à procura de ser feliz e com vontade de não repetir os últimos dois resultados ali. 

Ver o primeiro golo oficial de Ferreyra ao vivo é um privilégio. Ia escrever que não tem preço mas depois a Liga ainda se aproveitava disto para aumentar os preços. A recuperação de bola, a intenção de rematar a bola a entrar mesmo no canto contrário da baliza no fundo das redes laterais. Que momento. E os festejos? Que pausa na vida para tudo começar a fazer sentido. 

Ao intervalo, o 0-1 sabia a pouco. 

A 2ª parte trouxe algum do melhor futebol que esta equipa já tinha mostrado a espaços com o Fenerbahçe na Luz e com o Vitória SC. Só que desta vez com maior amplitude e envolvência. A jogada de Salvio na direita em corrida para dentro a dar a bola no momento certo para Pizzi que já tinha pensado como ia fazer o golo, foi tudo vivido ali bem por cima deles por uma multidão vermelha que antes da bola entrar já festejava, tal a simplicidade, a beleza da jogada e a facilidade da execução. 

Jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há. A frase é tão boa que só podia ser do mestre Johan Cruyff. Eu atrevo-me a acrescentar: e quando um adepto tem a oportunidade de assistir a essa simplicidade a funcionar então o futebol é arte. E quando é a equipa do Benfica a interpretar, o futebol é vida. 

Foi, também, ali que vi aquele golo épico do nosso Jonas a dar-nos 3 pontos. Simplicidade que causou caos festivo. Inesquecível, claro.

Voltemos aqueles momentos de reflexão. E aquele dia de Dezembro em que pensei o que raio ia eu fazer ao Bonfim para ver um jogo da Taça da Liga em que o Benfica já estava afastado? A resposta apareceu no jogo, como sempre. Vi o Rúben Dias marcar o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. 

Rúben, que há um ano estava entrar a titular no Bessa. Rúben, que hoje no final foi à bancada entregar a sua camisola. Parece que passou uma década mas foi só um ano.

Isto vem a propósito de quê? Simples resposta. Hoje vi a estreia oficial do João Félix no Benfica. Daqui a uns anos vou poder puxar deste trunfo. Só não foi mais épica porque Jardel não acertou na baliza de cabeça depois de um passe do menino que entrou como se jogasse naquele nível há anos. Reparem que já nem refiro o prazer que é ver Gedson a crescer de jogo para jogo. Mas tenho de referir que quando vi o miúdo a jogar lembrei-me do gozo que me deu estar na praia e ler o belo trabalho que o Nuno Paralvas, da A Bola, fez sobre o seu passado. Ali tudo fez sentido. Os pontos ligam-se assim.

 

A única derrota fora do Benfica na época passada, para a Liga, foi no Bessa. Se a minha vida fosse influenciada pelas derrotas e o maus momentos do meu clube eu nunca teria estado hoje no Estádio do Boavista a viver emoções tão boas. Nem tinha ido ao Bonfim. Se calhar, ainda estava a banhos no Algarve. Mas ver o Benfica ao vivo não tem comparação com nada. Não é melhor nem pior. Não é mais ou menos importante do que outra coisa qualquer. É, apenas e só, uma dádiva, um privilégio. Felizes aqueles que o podem fazer muitas vezes e que são motivados apenas pelas camisolas vermelhas independentemente dos adversários ou dos estádios. 

Por falar em camisolas, ver o Benfica a jogar de calções pretos e o Boavista a jogar de calções brancos é anti-natura para não dizer outra coisa. Não quero saber de recomendações, regras e modernices. Desde a década de 30 que estes dois clubes se encontram no Bessa para jogos do campeonato, raramente o Benfica terá jogado de calções pretos. Estivemos todos enganados até 2018? Já sei, sou um chato do caraças com estes pormenores. Fico pior quando faço tantos quilómetros, pago tanta despesa, bilhete incluído, e tenho de vir para casa lavar a roupa toda suja das cadeiras que a Liga aprova no recinto que me recebe. Isso não interessa, os calções pretos é que são importantes.

 

Bela exibição do Benfica. 

Já passou. "Reset" e preparar PAOK.

Por um Agosto à Benfica. 

 

PS Houve sandes de leitão para baixo.

Benfica 3 - 2 Vitória de Guimarães: Da Euforia à Intranquilidade na Estreia a Vencer

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Não tenho grandes problemas em admitir que sofro de grandes traumas com o jogo de estreia no campeonato. Pode parecer estranho mas houve um longo período, cerca de uma década, em que o Benfica não conseguia ganhar o seu primeiro jogo na Liga de maneira nenhuma. Nem fora de casa, nem na Luz. Simplesmente, começava sempre mal o campeonato com pontos perdidos. Ano após ano. Até foi assim no arranque do Tetra, derrota no Funchal. 

Quero sempre que este jogo de estreia no campeonato nunca seja o primeiro oficial do ano. De preferência, quero que o primeiro jogo oficial seja a Supertaça. Em alternativa pode ser uma noite europeia. Tudo para tirar aquela carga dramática da inauguração do campeonato. Vão ver os registos e depois percebem.

 

Felizmente, nos últimos anos temos tido arranques de época de luxo. Ou com Supertaças conquistadas ou com entradas de pé direito na maratona da Liga. Mas tenho sempre aquela aflição. 

Depois de uma noite europeia em que a exibição da equipa foi de baixo para cima, o Benfica entrou em campo com a mesma equipa para defrontar o Vitória de Guimarães. 

De forma clara e natural, o jogo revelou a subida de forma do Benfica da parte final do último jogo e o desacerto defensivo do Vitória que vinha da surpreendente derrota na Taça da Liga em casa com o Tondela. 

Durante meia parte tudo fez sentido na Luz, o Benfica a jogar bem, a criar oportunidades e toda a equipa a ter oportunidade de brilhar, até Odysseas com boas intervenções. A excepção voltou a ser Ferreyra que desperdiçou um penalti. Não está fácil a integração do avançado, de qualquer maneira fica na memória a sua simulação, deixando a bola passar para um dos golos de Pizzi. 

Pizzi, que noite! Três golos na primeira parte e uma exibição de excelência. Ele deu o mote para um grande arranque no campeonato. Salvo e Gedson acompanharam de perto a boa forma do português.

Tudo o de bom que elogiei na 2ª parte contra o Fenerbahçe, repetiu-se neste jogo com o Vitória. Chegar aos 3-0 antes do intervalo não devia estar nos sonhos do adepto mais optimista. 

Vou repetir uma teoria que já tenho mostrado várias vezes. Eu não me importo nada de estar a vencer por três ou mais ao intervalo. Não me aborrece nada que a segunda parte seja uma pasmaceira. É o tipo de monotonia que aprecio. Resultado dilato, o tempo a passar e os três pontos no horizonte. 

Já não aprecio tanto ver a equipa a quebrar com as substituições, nomeadamente a saída do omnipresente Fejsa, e ver o adversário crescer ao ponto de colocar o triunfo em causa. 

O Benfica fez o mais complicado que foi construir uma boa vantagem nesta estreia da Liga que fica a meio de uma importante eliminatória europeia. Percebe-se a tentação de tirar o pé, abrandar o ritmo, rodar a equipa e começar a pensar no jogo seguinte. Mas pode sair muito caro. O 3-2 final revela uma segunda parte sofrida e a força de vontade do Vitória muito bem orientado por Luís Castro.

Objectivamente, cumprimos o objectivo dos três pontos. A equipa voltou a mostrar períodos de bom futebol que se deseja que sejam mais longos no futuro.

Depois do 3-2 vi dezenas de adeptos a virarem costas ao jogo e abandonarem o estádio. Em vários sectores da Luz. Foi uma imagem curiosa que me ficou no pensamento. Gostava de ter aquela coragem de ver uma vantagem de três golos passar para um com uns dez minutos para jogar e ir à minha vida.Gente valente e confiante.

 

O Benfica já leva dois jogos oficiais em 2018/19 com duas vitórias. Tem um onze que veio da época passada com um novo guarda redes, que tem justificado a aposta, um miúdo da formação que está a subir de produção de jogo para jogo e um corpo (ainda) estranho na frente com uma fase menos boa de Ferreyra.

Os momentos bons entusiasmam, os entendimentos das alas, Cervi, Grimaldo, André, Salvio, a grande forma de Pizzi e a entrega de Gedson, tudo sinais positivos.

O desligamento do jogo assusta, não há mudança individual que explique uma forte reacção do adversário

Prevejo um bom campeonato para este Vitória suspirei de alivio com o apito final que garantiu os primeiros três da temporada.

 

PS: um abraço à turma que estava a jantar no Edmundo e que me exigiu a crónica quando chegasse a casa. Cá está.