Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Pass

Rumo ao 37

Red Pass

Rumo ao 37

Aves 0 - 3 Benfica: Tudo Parece Fazer Sentido

52528726_10161472756830716_5094765291133468672_o.j

Depois dos quatro em Alvalade, terreno de anti benfiquistas, da épica goleada contra a equipa do anti benfiquista Costinha, o campeonato seguiu esta noite na Vlia das Aves, casa do anti benfiquista Inácio. Isto, só para contextualizar o nível de dificuldade dos desafios que Bruno Lage tem ultrapassado na Liga. E, mesmo assim, tivemos que ouvir que o Costinha facilitou, que o Inácio não teve hipótese porque o Benfica recorre a doping, e o Sporting levou quatro porque... enfim, alguma coisa ainda se há de inventar sobre o derby. Até agora não lhes ocorreu nada.

A vitória nas Aves foi tão tranquila e natural como monótona e sem emoção. Como todos sabemos, é esta a definição de noite ideal para os benfiquistas. Ganhar sem espinhas nem sobressaltos. 

Seferovic a marcar pelo sétimo jogo seguido, Rafa a fazer um belo golo e Ferro a assinar o seu segundo golo na equipa principal. Depois, viu um vermelho para que ninguém acuse o Benfica de bullying.

Uma das perguntas que mais oiço antes de um jogo como este é: como é que consegues ir numa 2ª feira à Vila das Aves ver o Benfica?
A pergunta é interessante e merece resposta. Mas a questão mais correcta seria porque é que temos de ir à Vila das Aves ver o Benfica para o campeonato numa 2ª feira à noite?

Bem, quem alinha nestas pequenas loucuras sabe que a principal motivação é ver a sua equipa ao vivo. Uma das melhores experiências que se pode ter em vida. De tal maneira boa que depois de experimentar uma vez, o adepto vai querer sempre repetir. 

Depois tem uma aliado fortíssimo na fraca qualidade das transmissões televisivas dos jogos fora do Benfica. As narrações, os comentários, as realizações, a omissão de imagens de adeptos benfiquistas, enfim, um belo incentivo a ir ver o Benfica, seja onde for. 

Quem o faz frequentemente, ver jogos do Benfica fora de casa, rapidamente percebe que o grupo de viajantes é quase sempre o mesmo. Seguindo esse pensamento, para escolher parceiros de viagens, o universo é reduzido. 

Para vos poder explicar isto, escrevo esta crónica pelas 3 da manhã, quando quase todos vocês dormem profundamente, e bem. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, estar presente num jogo desses não significa ter uma vida muito melhor social e financeiramente do que o comum mortal. Só é preciso ter uma motivação: querer muito estar lá. Havendo essa determinação há que tentar mudar o mundo, passe o exagero. Decidir acordar mais cedo para que a manhã renda mais a nível profissional, sacrificar um dia de férias para ir viajar sem receios, explicar em casa que se vai chegar a casa muito depois da meia noite numa 2ª feira, estar mentalmente preparado para passar o resto da semana com sono atrasado destas viagens, acumular trabalho para compensar a ausência de 2ª feira, trocar folgas, trabalhar no fim de semana, abdicar de ir ver um concerto de uma banda apreciada lá em casa, enfim, como se pode ver, tudo opções muito objectivas e sem glamour nem luxo nenhum. Sem sinais de riqueza, sem possibilidade de ser considerada uma grande vida, apenas e só esforço e gestão de tarefas. 

Tudo isto é reduzido a nada quando estamos na bancada a assistir ao golo que Seferovic faz logo a abrir a partida, como que a dizer-nos: faz tudo sentido. 

Claro que há mais recompensas para tanta dedicação. A componente também costuma ser forte. Já que vamos para tão longe num dia improvável, então há que contemplar a gastronomia local. Desta vez, a escolha foi a Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. A habitual simpatia nortenha no atendimento, uma vitela deliciosa e no ponto, depois de umas entradas de enchidos e queijos com broa, e um pão de ló molhado feito de propósito para a nossa sobremesa. Uma refeição que já justificava a viagem.

52708384_10216631362712367_2046379482197000192_n.j52115470_10216631363632390_9082315501148831744_n.j

Se estiverem por perto, avancem à confiança.

Costuma ser complicado, quando as refeições atingem este nível de excelência, sermos brindados de seguida com um jogo que nos traga tranquilidade e serenidade na conquista dos 3 pontos. Hoje voltou a aconteceu aquele triunfo monótono de que tanto gosto. Um 0-3 natural e sem margem para discussões. 

Tudo a dar sentido ao investimento de tempo e dinheiro, tudo a justificar as mudanças profissionais e familiares. Tem estado a correr bem, no que diz respeito ao futebol do Benfica. Mas quando nada parecia fazer sentido, quando o clube passava anos e anos a adiar a reconquista do seu estatuto, tudo também fazia sentido. Porque o Benfica também são os que o seguem da maneira que podem e da forma que conseguem. 

Que se mantenha esta felicidade até ao final da época e, assim, as noites mal dormidas, as horas passadas nas estradas, o frio do rigoroso inverno do norte, e os olhares desconfiados de quem nos pergunta porquê, tudo é encarado com um sorriso. Um sorriso à Benfica! 

 

 

Benfica 10 - 0 Nacional: Hoje Soube-me a Tanto

_JPT1765.jpg

Em dez anos de blogue nunca pensei um dia escrever num título de uma crónica de um jogo para o campeonato o número 10 no resultado. Aconteceu a 10 de Fevereiro de 2019, num dia que se celebravam os 60 anos do genial 10 dos anos 80 do Benfica, Chalana. 

Nunca dá para prever quando chegam estes momentos. Já sabia que até 1965 o Benfica tinha chegado a resultados dois digitais por 8 vezes. Sinceramente, pensei que não ia viver o suficiente para testemunhar um marcador assim. 

Nestas alturas, em vez de ficar eufórico, gosto de olhar calmamente para trás e, antes de mais nada, lembrar-me do que senti nas noites em que levei 7 ou 5 de maneira inesperada. Da dor do regresso a casa. Dos dias seguintes. Das voltas que a vida dá. Na primeira vez que vi o Benfica levar 7 acabei a época a festejar o campeonato e a Taça frente ao clube que tinha feito tamanha desfeita. Ainda hoje eles festejam a noite dos 7, para nós foi só mais uma época que terminou com uma dobradinha. Relativizar goleadas nas horas más ajuda a conviver com goleadas nas horas boas. Claro, que para um 10-0 ninguém está preparado porque nenhum de nós viveu isto antes.

Uma viagem no tempo para recordar goleadas fortes. Aqueles 9-0 ao Marítimo no começo dos anos 80, chapas 8 ao Vitória De Guimarães, Braga, Varzim ou Famalicão. Mais recentemente, aqueles 8-1 que nos fizeram lembrar outros 8-1 dos anos 80 ao Alcobaça. Falo de resultados que muitas vezes são recordados entre benfiquistas.

Em 2019 veio a compensação por décadas de fidelidade aos jogos no Estádio da Luz, aconteceu mesmo um 10-0! 

Aparece um resultado destes, depois de termos dado 5 ao Boavista, depois de ganharmos duas vezes em Guimarães  onde nenhum dos outros 3 primeiros venceu, depois de ganharmos dois derbys seguidos. Derbys, que como aqui escrevi, souberam a pouco. 

E agora percebe-se melhor porque é que soube a pouco. Este foi o tipo de resultado que chegámos a sonhar em Alvalade, e antes do intervalo na Luz, nos últimos dois derbys. Daí o desalento no rescaldos daqueles 6-3. 

O contexto destes 10-0 é perfeito. Dia de casa cheia com a presença de milhares de benfiquistas das Casas do Benfica. Dia de homenagear Chalana. Dia para dar continuação ao excelente balanço dos derbys e aproveitar o empate do líder para reduzir para um ponto a desvantagem no campeonato. 

Tudo conseguido na perfeição. A estreia de Ferro a titular e um golo marcado, o regresso de Jonas com um bis e a estreia de Florentino com números impressionantes em menos de meia hora em campo. Este plantel do Benfica promete muito para o que aí vem. 

O que dizer da malta que, mesmo assim, continua a sair do estádio antes do jogo acabar? Nem com o resultado a caminha para um 10-0 é suficiente para garantir a presença de todos até ao fim.

Que bonito foi ver a preocupação dos jogadores do Benfica após o apito final a irem confortar todos os jogadores do Nacional numa noite tão atípica como esta. Bonito também o discurso do treinador do Benfica com palavras elogiosas para com o adversário. 

O que se pode dizer depois de um vendaval destes? Nunca é tarde para sermos surpreendidos e compensados pela nossa lealdade ao clube. Hoje foi mais do que 3 pontos, hoje foi mais do que uma goleada, isto hoje foi um rápida viagem ao Benfica do antigamente, aquele que parece ser sempre incomparável, para vincar um grande momento na vida do futebol do clube. Ter assistido a isto é um privilégio. Mais um.

Depois da dose dupla dos derbys recuperei Sérgio Godinho a cantar que "soube-me a pouco". Faltava esta noite para completar: "Hoje soube-me a tanto"!

 

 

Benfica 5 - 1 Boavista: Boa Vista Para os Derbys

_JPT8889.jpg

Lembram-se da teoria da monotonia? De jogos a correrem de feição sem ponta de emoção no que diz respeito ao vencedor da partida? Pois bem, a minha vida precisa disso, como sempre disse.

Mas, desta vez, o sentimento não é de tranquilidade e conforto. É complementar a isso. Além da tranquilidade de ver os três pontos seguros, há um sentimento crescente e entusiasmante à medida que o jogo avança. 

O discurso de Bruno Lage é concentrado no treino e no relvado começa a perceber-se esse cuidado.

Saídas de bola Lavolpianas, equipa mais junta, variações de corredores, preocupação em ter os defesas laterais a fazerem jogo interior, aí com muito mais destaque para o esquerdo por força da maior qualidade de Grimaldo em relação a André Almeida no que diz respeito à definição. Jogo entrelinhas constante com João Félix a assumir protagonismo, Gabriel a assumir muitas vezes penúltimas decisões em construção de ataque. 

Enfim, muitos pormenores para observar ao longo do jogo. Até no banco. Quando a bola pára e há lugar a livres ou cantos, Bruno Lage senta-se e Nelson Veríssimo sobe até ao limite da área técnica para ajudar na organização posicional, seja atacante ou defensiva. 

Por fim, o prazer e o privilégio de estarmos a assistir nas bancadas da Luz ao evoluir de uma "lenda" chamada João Félix. Está a acontecer história e nós estamos a testemunhar. 

Assim estamos mais perto de ganhar e o sentimento geral é positivo. Era a resposta que se pedia depois "daquilo" de Braga. 

Confiança no que está a ser feito.

 

 

Vitória de Guimarães 0 - 1 Benfica: Final Feliz

gabriel.jpg

Dois jogos em Guimarães na mesma semana. Duas vitórias por 0-1. Dois golos marcados pelos avançados. Partidas iguais? Nada disso.
O jogo do campeonato foi muito mais sofrido do que o jogo da Taça de Portugal. Na 3ª feira houve uma entrada forte e personalizada do Benfica que acabou por marcar o resto do jogo. Nesta 6ª feira, o Vitória apareceu muito melhor já com Tozé e André André no onze. Luís Castro tirou ilações do confronto da Taça e conseguiu montar uma equipa que condicionou a saída de bola do Benfica, recuperava facilmente a bola e manteve os três corredores muito activos ofensivamente durante todo o jogo. 
Foi a qualidade individual a equilibrar a partida, João Felix, Grimaldo, Gabriel e Cervi, foram os que melhor conseguiram criar desequilíbrios e inventar oportunidades para o Benfica atacar. 

Hoje, o Benfica não conseguiu movimentar-se com a equipa tão junta e mostrou muitas dificuldades em ligar o ataque. Um misto de mérito do adversário e sinais de fadiga física de alguns jogadores, como Pizzi. 

guimaraes.jpg

Bruno Lage voltou a surpreender e chamou Castillo ao onze. Fez regressar Odysseas à baliza, Conti fez o lugar de Rúben Dias, Samaris o de Fejsa, Cervi na esquerda e o 4-4-2 foi assim alimentado. 

O avançado não convenceu, sinceramente, mas ficou a certeza que há oportunidades para todos. Rafa foi a grande surpresa e agitou mesmo o jogo. Gabriel apareceu no momento certo do jogo para inventar um passe magistral que chamou André Almeida a cruzar para um golo de Seferovic que vale 3 pontos. Todo o mérito para o brasileiro que aos 81 minutos de jogo teve capacidade para inventar uma jogada destas.

Vitória muito complicada, objectivo cumprido. Uma semana em Guimarães com êxito total. Que a próxima em Braga seja igual. 

Tiago Martins à imagem da organização desta Liga, fraco, provocador, inquinado e incompetente. Valoriza mais o triunfo.

Santa Clara 0 - 2 Benfica: Regresso Triunfante aos Açores

st.jpg

Desde 2002 que o Benfica não jogava nos Açores para o campeonato. Esteve lá em 2009 num jogo amigável que na altura deu o que falar porque era o arranque daquele Benfica entusiasmante de Jorge Jesus mas era um encontro particular.

Este regresso não foi um jogo normal de rotina da Liga. O resultado foi normal, exibição tranquila, triunfo sem contestação. Até deu a ideia que o resultado podia ter sido mais robusto e a exibição mais exuberante. 

Só não foi uma vitória rotineira porque o Benfica vive dias de interrogações à volta da sua equipa de futebol. Este foi o segundo jogo de Bruno Lage que tem aproveitado bem a oportunidade para mostrar as suas ideias, apontar o dedo às fragilidades da equipa e em vez de se pôr em bicos de pés com os resultados positivos prefere ser frontal e directo lembrando que a equipa tem o dever de reconquistar os sócios do Benfica e de trabalhar muito para atingir melhores níveis de qualidade de jogo. 

Aliás, é Bruno Lage quem faz a grande notícia à volta da situação actual do Benfica quando diz na conferencia de imprensa que o 4-4-2 é sistema para ficar. 

Para este jogo optou por dar mais presença no corredor central com a surpreendente entrada de Gabriel, Pizzi foi para a direita onde Salvio ainda não mostrou o suficiente para recuperar o lugar. Zivkovic foi a jogo no lugar de Cervi e manteve a dupla atacante. 

Muita pressão na saída de bola adversário, mais posse de bola, jogadores mais juntos e mais presença na área adversária. Parecem princípios básicos mas precisam de trabalho e dedicação por parte dos jogadores.

O Benfica fez o 0-1 por Seferovic e só não foi para o intervalo a ganhar por mais porque o VAR resolveu estragar uma boa decisão do árbitro que considerou penalti sobre Pizzi. O VAR cá está sempre para atrapalhar uns e ajudar outros. Não houve penalti mas houve expulsou para o Santa Clara. 

Na 2ª parte o Benfica entrou muito bem e fez o 0-2 de maneira natural, Jardel de cabeça num canto. Depois, a equipa falhou várias vezes a hipótese de construir uma goleada.

O objectivo principal foi cumprido, terminar a 1ª volta com uma vitória, subir mais um lugar na tabela e continuar a vencer.

Com estas duas vitórias fica a ideia que a mudança técnica no Benfica pode ser de prazo maior e o lugar provisório de Bruno Lage pode ser estendido para a 2ª volta do campeonato. A leitura é sempre subjectiva, se estes dois jogos não tivessem rendido 6 pontos agora estava-se a especular quem seria o treinador escolhido para vir para a Luz. Assim, a solução pode estar encontrada. Com todos os riscos que vitórias contra adversários como Rio Ave e Santa Clara possam vir.

Aguardemos pelo jogo da Taça de Portugal da próxima semana para termos uma ideia mais clara do futuro imediato do Benfica.

Benfica 4 - 2 Rio Ave: Voltar a Respirar

_JPT5211.jpg

O começo foi doloroso. Parecia que o pesadelo de Portimão estava para continuar... 

Mas quando a equipa ganhou confiança e acertou nas transições ofensivas aconteceu uma daquelas "remontadas" à antiga que dá gosto dizer que se esteve no Estádio para ver.

O cenário era complicado, a derrota na jornada a meio da semana ditou mesmo a queda da equipa técnica liderada por Rui Vitória e o sangue novo veio do banco da equipa B com Bruno Lage como rosto mais conhecido.

O desafio era, acima de tudo, convencer os jogadores a darem mais, muito mais, do que tinham mostrado contra o Portimonense. Bruno Lage preparou o jogo, olhou para o adversário e optou por um clássico 4-4-2. Ao contrário do que a convocatória parecia indicar, o parceiro de Seferovic não foi Ferreyra. Nem Castilho. Os dois reforços ficaram no banco e a aposta foi em João Félix. Portanto, na ausência do castigado Jonas, Seferovic e João Félix na frente. Salvio recuperou o lugar na direita e Cervi foi aposta na esquerda. Discutível a ausência de Zivkovic, uma boa dor de cabeça para o treinador.

No meio Pizzi e Fejsa, Gedson saiu da equipa depois da exibição nula do Algarve, e lá atrás tudo igual. 

Mudavam as dinâmicas atacantes com mais procura por jogo interior e relevância para o papel dos dois homens da frente que foram essenciais para a vitória. Pelos golos marcados e pelo que fizeram jogar.

Estas são as boas notícias deste novo ciclo. As más viram-se logo no começo da partida. Muitos desequilíbrios defensivos, pouca consistência no meio campo sem bola pouca oposição à velocidade e imprevisibilidade individual dos adversários. SE a ideia é melhorar o processo ofensivo, então é urgente afinar e acertar em toda a organização defensiva.

A perder por 0-2, à imagem do que tinha acontecido em Portimão, a equipa do Benfica ficava entregue a si própria. Aqui com a vantagem de jogar em casa e com os adeptos a quererem ajudar. Primeiro houve forte assobiadela à apatia da equipa mas assim que se percebeu que vontade de vencer era mais que muita a plateia começou a ajudar. Vieram os golos e a harmonia com as bancadas passou a ser total. 

O que me faz confusão actualmente no Estádio da Luz é a passagem da depressão colectiva à euforia desmedida em poucos minutos. Também me parece que os adeptos estão algo perdidos no meio de tantas emoções, boas e más. 

Já expliquei que nunca assobiei nem mostrei um lenço mas não critico quem o faz. Quando a equipa sofre o 0-2 achei normal a assobiadela geral. Não concordei porque acho que nunca vem ajudar em nada. Mas faz parte do jogo. Acho que ainda fico mais incomodado quando vejo a famosa onda depois de consumada a reviravolta. Se os assobios se explicam por justificado descontentamento com a fragilidade defensiva da equipa, a onda não tem explicação. Estamos numa fase delicada da época, mudámos de treinador e não sabemos por quanto tempo vamos ter esta equipa técnica, estamos a sete pontos do líder, andamos no 4º lugar da classificação, onde estão os motivos para a euforia? Por termos dado a volta a um resultado? Ok, tudo bem mas a mim parece-me exagerado.

Prefiro olhar para o que de bom saiu deste jogo de hoje, prefiro olhar para a frente e tentar perceber os problemas que Lage vai ter já nos Açores. Volta Jonas, quem sai? Mantemos o 4-4-2? E quando Rafa estiver recuperado? Enfim, temos tanto com que nos preocupar que nestas vitórias só consigo sentir alivio. 

Uma palavra elogiosa para Bruno Lage que aceitou o desafio de liderar a equipa num momento delicado e prestou um óptimo serviço ao clube. Tanto no jogo como nas declarações que se seguiram.

O golpe profundo de Portimão foi estancado hoje contra o Rio Ave. O futuro está já aí e é preciso manter este sentimento de missão. Sem euforias e sem depressões, de preferência.

Portimonense 2 - 0 Benfica: Fim da Retoma

Dv_P-fNXcAEZAAJ.jpg

Começo pelo fim.

Ao contrário do que a imprensa generalista e especializada quer fazer passar, eu não sou nenhum criminoso incendiário. Não bastava o enorme "cabeção" que levava ao sair do estádio com a miserável passagem do Benfica pelo Algarve, ainda tive que atender chamadas e responder a sms que davam conta de uma bancada a arder. Precisamente, aquela onde estive a ver o jogo. Meus amigos, se não sabem distinguir umas tochas acesas no chão entre cadeiras e um incêndio, então não são os adeptos que são incendiários, são vocês todos que são uns idiotas. Os que fazem as notícias, os que as passam e os que as engolem. Se querem preocupações com fogos no Algarve vão fazer alguma coisa pelas vítimas de Monchique e arredores. Cambada de hipócritas.

Ainda na sequencia da negra noite, depois do jogo o único momento bom foi rever e saudar gente boa que é movida pelo Benfica, do sul ao norte, porque o regresso a casa foi um pesadelo de dezenas e dezenas de quilómetros de nevoeiro cerrado pela A2.

Antes do jogo, tudo certo, tudo bem. 

Ir ver o Benfica a Portimão a meio de uma semana de trabalho equivale a fazer esforços e sacrifícios só para vermos a nossa equipa ao vivo. Ao contrário do que a Liga de clubes pensa, o sucesso de um estádio cheio numa gelada 4ª feira à noite não tem nada a ver com a vaidade e soberba que o Pedro Proença mostra em todas as suas intervenções públicas. O estádio de Portimão está cheio APESAR da organização da Liga. APESAR de marcarem os jogos tarde a más horas, APESAR de tratarem os adeptos mal dentro e fora do estádio. Percebam isso, não se vangloriem de um campeonato que deve é um exemplo do que não deve ser uma organização. Basta dizer que saímos de Portimão sem saber datas e horas da próxima deslocação. 

Depois o clube Benfica também tem de perceber que ninguém está ali aquela hora, num dia de trabalho, metendo folgas, férias, adiando compromissos e deixando as famílias para segundo plano, por causa de um dirigente, de um treinador ou de algum jogador. Nada disso. Os que estão ali, estão pelo Benfica. Já foi assim naquela noite fria em que os adeptos quiseram estar no primeiro jogo do ano numa inédita deslocação à Trofa. Curiosamente, o jogo de ontem leva-me precisamente para essa época do Quique Flores, a mesma derrota por 2-0 e o mesmo sentimento de impotência perante uma ideia de jogo falida.

Mesmo sabendo que a equipa joga mais mal que bem, mesmo sabendo que a aposta nesta equipa técnica tem estado por um fio, ou por uma derrota, os adeptos lá estavam. Quem critica no conforto do sofá nunca vai entender o sentimento de quem faz tudo por estar lá. 

O que aconteceu em campo foi o chamado desastre à espera de acontecer. Ontem foi o ponto final da tal retoma que fez de Dezembro um mês vitorioso e que deixou no jogo com o Braga uma clara ilusão imediatamente contrariada em mais um apuramento na Taça da Liga sofrido e envergonhado.

Exibição desastrosa do Benfica. Desfocados, desconcentrados, vencidos e sem soluções externas. 

Não há desculpas para um jogo assim que simbolicamente marca o arranque do ano 2019. Só faço uma ressalva ao Jonas que me pareceu mal expulso. 

De resto, nem há ponta por onde pegar. Uma letargia que se estendeu às bancadas onde até os adeptos pareciam conformados com o triste espectáculo. Parecia que estava tudo à espera de uma noite assim. 

Mas não é bem assim. Nós quando tomamos a decisão de juntar um grupo e viajar de Lisboa ao Algarve, a ideia nunca é voltar com este sentimento de tristeza e depressão. Por isso, é que combinamos encontros e reencontros, nos sentamos à mesa a comer, a beber e a partilhar histórias e opiniões entre várias gerações de benfiquices. Somos sempre muito bem recebidos e tratados no Algarve. Desta vez, o repasto foi em Pêra no pequeno e acolhedor restaurante Boa Onda. Muitos e bons petiscos, variada carne e aguardente de figo. Procurem que vale a pena. 

Depois há momentos de prazer que ninguém nos tira, esplanada com cerveja e aquele sol algarvio que até no inverno parece verão. As conversas sempre à volta do mesmo. Isto ninguém compra, ninguém explica, ninguém troca. 

O resto é um jogo a que estamos sujeitos. Inesperado não foi, desagradável e inaceitável é sempre que o Benfica perde. 

Na viagem para Lisboa vinha a pensar nas coincidências do futebol. O primeiro jogo de Rui Vitória no Benfica foi no Algarve e correu mal. Simbolicamente este último jogo foi na mesma região e o sentimento de azia é igual. 

 

Benfica 6 - 2 Braga: Cabaz de Natal

_JPT2944.jpg

Já o Benfica goleava e a equipa trocava quando se ouviram vários assobios das bancadas. A golear, com bola e os adeptos queriam mais. Fico tranquilo, exigência à Benfica é isto.

O Benfica hoje arrancou uma bela exibição e um resultado muito forte contra uma das melhores equipas da Liga NOS. 

Passa, assim, com distinção o ciclo bem complicado de jogos de Dezembro, depois da dupla deslocação ao Bonfim e aos Barreiros. 

Beneficia da derrota do Sporting em Guimarães e ultrapassa o Braga na tabela classificativa.

Não me vou alongar na crónica porque hoje só me lembro dos benfiquistas que se indignaram com o título da crónica que fiz depois do Benfica-Ajax. Foi essa reacção que me fez desactivar a página do Red Pass no facebook rede social que mais imbecis alberga por metro quadrado. Quem costuma vir aqui à procura de embirrar, hoje nem se deve dar ao trabalho. 

A equipa devia uma exibição assim aos seus sócios e adeptos, hoje saiu tudo bem. Bem a tempo do Natal. Eu vivo para noites assim. 

Bom Natal. 

 

 

Marítimo 0 - 1 Benfica: Vitória com Exibição Pobre mas Honesta

benfica.jpg

O Benfica foi à Madeira para defrontar o Marítimo num estádio onde não tem sido feliz nas últimas duas temporadas, perdeu em 16/17 e empatou na época passada.

Esta noite, o Benfica foi ganhar no Funchal e aumentou assim a série de vitórias seguidas para cinco jogos. Nestes cinco jogos não sofreu nenhum golo.

Ou seja, não vos trago novidades nenhumas aqui. Isto porque o Benfica acaba de completar a dose dupla de jogos seguidos fora da Luz no campeonato, no Bonfim e nos Barreiros, dois terrenos bem complicados tradicionalmente, com um total de seis pontos mas com uma qualidade de futebol que deixa os seus adeptos à beira de um ataque de nervos. 

Ficou claro que neste mês de Dezembro a prioridade é vencer, jogar bem é um luxo que a equipa não está a conseguir atingir. 

Portanto, fica a preocupação de mais uma exibição apagada mas o conforto de um triunfo que já nos escapou noutros tempos a jogar bem.

Mas admitir que a qualidade das exibições tem andado abaixo dos mínimos exigíveis é meio caminho andado para que a equipa perceba que no Benfica não basta ganhar. Só que neste preciso momento, ganhar é a única maneira de sobreviver num campeonato onde todos podem ter uma noite má menos os dois rivais do Benfica. E não, não estou a esquecer o Braga.

O Porto numa noite má chega à recta final do seu derby a fazer um penalti que lhe podia custar uma derrota mas é perdoado e acaba a vencer o jogo. Ou numa noite má, o Porto começa a perder em casa com o Portimonense, volta a fazer um penalti que dava o 0-2 e acaba a ganhar 4-1. Ou ainda noutra noite má, está nos Açores com muitas dificuldades em ultrapassar o 1-1, e marca o golo da vitória num lance que começa numa falta do seu atacante. E podia estar aqui mais umas linhas a descrever o que tem sido o papel do VAR nos jogos do Porto até à jornada 1. 

Depois temos o Sporting a perder 0-2 em casa com o Nacional e um penalti inexistente devolve a equipa o jogo antes do intervalo. Aliás, a ligação entre o Sporting e os penaltis nesta temporada faz pensar que podem bater o recorde surreal dos tempos de Jardel! 

O Benfica quando tem uma noite má perde com o Moreirense ou Belenenses. Mas perde mesmo. Esta diferença reflecte-se na tabela actual.

Curiosamente, quando azuis são beneficiados há um profundo silêncio verde. Quando os verdes são ajudados há um comovente silêncio azul. O Braga deve estar à espera da próxima semana para reagir. 

Nada disto faz esquecer as pobres exibições do Benfica, volto a escrever para que ninguém pense que quero passar por cima disso. Os triunfos do Benfica podem ser pobres mas são honestos! Nos jogos do Benfica nem nos lembramos que vivemos tempos de VAR. Nunca se enganam para este lado. Por isso, dou muito valor aos triunfos de 1-0, dou muito valor ao Jonas. É pouco? É. Mas é com o trabalho dos nossos jogadores e sem ajudas externas. 

O Benfica está a jogar pouco e a ganhar. Os outros é que jogam todos muito à bola e são uns santos. Exigência para dentro e para fora, é isto que temos de ter. E saber aproveitar as vitórias.

Vitória de Setúbal 0 - 1 Benfica: Jonas Vence Tropa de Choco

48046324_10161206653230716_1907618993057824768_o.j

Está na hora de assumir que odeio o Estádio do Bonfim. A primeira vez que lá entrei foi na década de 80 e já cheirava a mofo. Era uma viagem aos anos 60, pelo menos. Em 2018 a sensação é exactamente a mesma, mesmo porque o recinto continua inalterado. 

As longas filas para entrar, os acessos, as cadeiras, as bancadas, o ódio que se sente na gente da casa, a maneira exageradamente agressiva com o Vitória sempre joga contra o Benfica. Hoje tinham 13 faltas cometidas ao intervalo. Na recepção ao Porto fizeram 13 falta durante o jogo todo! 

Tudo é mau naquele estádio. O relvado, o frio, o vento,  a visibilidade, a distância para o terreno de jogo, tudo é mau. Então porque é que insisto em lá ir? Mais... Como é que é possível que este seja um dos estádios onde mais entrei na vida para ver o Benfica? 

Porque, geograficamente, fica muito perto de casa. Porque é dos raros recintos abaixo do Rio Tejo que temos para ver o Benfica. Porque se junta sempre uma turma de amigos e companheiros de bancada para apreciar a gastronomia sadina. Hoje não foi excepção, excelentes doses de choco frito a um preço muito acessível numa espécie de lanche ajantarado.

E para ver o Benfica acabamos sempre por esquecer todas as contrariedades que o Bonfim oferece. Pelos vistos, até ataque ao autocarro do Benfica houve. Bons exemplos que os sadinos importam.

Esta noite, ao entrar no Estádio do Vitória houve a sensação de sempre, daquela viagem no tempo. Mas com o desenrolar do jogo percebi que, desta vez, era uma viagem aos dourados anos 90. Que arbitragem foi esta?! 

O Mendy fez 8 faltas e não viu um amarelo. Pizzi fez uma falta, levou um amarelo. Almeida também levou amarelo à 3ª falta. O Mano faz uma falta que trava um perigoso ataque do Benfica e não leva o segundo amarelo. Enfim... 

Mas o meu lance favorito é aquele golo do Zivkovic em que é assinalado fora de jogo quando ele arranca antes do meio campo. E o Vitória marca essa falta com a bola para lá da linha do seu meio campo. Delicioso.

Eu também quero muito ver o Benfica a jogar um grande futebol, a vencer fácil e a dar espectáculo. Curiosamente, em Setúbal raramente vi tal coisa acontecer na minha vida desde os anos 80. Aliás, quando vou para o Bonfim vou mentalizado para sofrer e só peço para ganhar nem que seja só por 0-1 com um golo de Jonas. Está óptimo.

O Benfica podia e devia ter saído de Setúbal com um resultado mais tranquilo mas por não ter conseguido concretizar, Rafa, Grimaldo e Zivkovic, por exemplo, não tiveram sorte nenhuma nas finalizações, a equipa acabou a defender a magra vantagem com Odysseas a negar o empate ao 88'. Altura em que o Vitória foi realmente perigoso, a dois minutos dos 90! 

São 3 pontos conquistados num terreno tradicionalmente complicado contra uma arbitragem incrível.

Já tivemos más noites em Setúbal ao longo dos anos. Hoje o desfecho foi bom. Mas, por exemplo, no Jamor uma noite desinspirada custou logo uma derrota penosa. O líder da prova já ameaçou ter noites más, como essa, mas há sempre alguma coisa a endireitá-lo. No Bessa foi um penalti ignorado, em casa contra o Portimonense passou-se de um possível 0-2 para um triunfo de 4-1 com outro penalti esquecido. Assim fica muito fácil. Muito fácil mesmo. Que Braga e Sporting finjam que estão mortos quando deviam reagir a isto, é lá problema deles. O Benfica não se pode calar. É que voltar aos anos 90 é como ir ao Bonfim, cheira sempre a Mofo e já sabemos com o que contamos.