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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 3 - 2 Vitória de Guimarães: Da Euforia à Intranquilidade na Estreia a Vencer

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Não tenho grandes problemas em admitir que sofro de grandes traumas com o jogo de estreia no campeonato. Pode parecer estranho mas houve um longo período, cerca de uma década, em que o Benfica não conseguia ganhar o seu primeiro jogo na Liga de maneira nenhuma. Nem fora de casa, nem na Luz. Simplesmente, começava sempre mal o campeonato com pontos perdidos. Ano após ano. Até foi assim no arranque do Tetra, derrota no Funchal. 

Quero sempre que este jogo de estreia no campeonato nunca seja o primeiro oficial do ano. De preferência, quero que o primeiro jogo oficial seja a Supertaça. Em alternativa pode ser uma noite europeia. Tudo para tirar aquela carga dramática da inauguração do campeonato. Vão ver os registos e depois percebem.

 

Felizmente, nos últimos anos temos tido arranques de época de luxo. Ou com Supertaças conquistadas ou com entradas de pé direito na maratona da Liga. Mas tenho sempre aquela aflição. 

Depois de uma noite europeia em que a exibição da equipa foi de baixo para cima, o Benfica entrou em campo com a mesma equipa para defrontar o Vitória de Guimarães. 

De forma clara e natural, o jogo revelou a subida de forma do Benfica da parte final do último jogo e o desacerto defensivo do Vitória que vinha da surpreendente derrota na Taça da Liga em casa com o Tondela. 

Durante meia parte tudo fez sentido na Luz, o Benfica a jogar bem, a criar oportunidades e toda a equipa a ter oportunidade de brilhar, até Odysseas com boas intervenções. A excepção voltou a ser Ferreyra que desperdiçou um penalti. Não está fácil a integração do avançado, de qualquer maneira fica na memória a sua simulação, deixando a bola passar para um dos golos de Pizzi. 

Pizzi, que noite! Três golos na primeira parte e uma exibição de excelência. Ele deu o mote para um grande arranque no campeonato. Salvo e Gedson acompanharam de perto a boa forma do português.

Tudo o de bom que elogiei na 2ª parte contra o Fenerbahçe, repetiu-se neste jogo com o Vitória. Chegar aos 3-0 antes do intervalo não devia estar nos sonhos do adepto mais optimista. 

Vou repetir uma teoria que já tenho mostrado várias vezes. Eu não me importo nada de estar a vencer por três ou mais ao intervalo. Não me aborrece nada que a segunda parte seja uma pasmaceira. É o tipo de monotonia que aprecio. Resultado dilato, o tempo a passar e os três pontos no horizonte. 

Já não aprecio tanto ver a equipa a quebrar com as substituições, nomeadamente a saída do omnipresente Fejsa, e ver o adversário crescer ao ponto de colocar o triunfo em causa. 

O Benfica fez o mais complicado que foi construir uma boa vantagem nesta estreia da Liga que fica a meio de uma importante eliminatória europeia. Percebe-se a tentação de tirar o pé, abrandar o ritmo, rodar a equipa e começar a pensar no jogo seguinte. Mas pode sair muito caro. O 3-2 final revela uma segunda parte sofrida e a força de vontade do Vitória muito bem orientado por Luís Castro.

Objectivamente, cumprimos o objectivo dos três pontos. A equipa voltou a mostrar períodos de bom futebol que se deseja que sejam mais longos no futuro.

Depois do 3-2 vi dezenas de adeptos a virarem costas ao jogo e abandonarem o estádio. Em vários sectores da Luz. Foi uma imagem curiosa que me ficou no pensamento. Gostava de ter aquela coragem de ver uma vantagem de três golos passar para um com uns dez minutos para jogar e ir à minha vida.Gente valente e confiante.

 

O Benfica já leva dois jogos oficiais em 2018/19 com duas vitórias. Tem um onze que veio da época passada com um novo guarda redes, que tem justificado a aposta, um miúdo da formação que está a subir de produção de jogo para jogo e um corpo (ainda) estranho na frente com uma fase menos boa de Ferreyra.

Os momentos bons entusiasmam, os entendimentos das alas, Cervi, Grimaldo, André, Salvio, a grande forma de Pizzi e a entrega de Gedson, tudo sinais positivos.

O desligamento do jogo assusta, não há mudança individual que explique uma forte reacção do adversário

Prevejo um bom campeonato para este Vitória suspirei de alivio com o apito final que garantiu os primeiros três da temporada.

 

PS: um abraço à turma que estava a jantar no Edmundo e que me exigiu a crónica quando chegasse a casa. Cá está.