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Red Pass

Rumo ao 37

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Vitória de Setúbal 0 - 1 Benfica: Jonas Vence Tropa de Choco

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Está na hora de assumir que odeio o Estádio do Bonfim. A primeira vez que lá entrei foi na década de 80 e já cheirava a mofo. Era uma viagem aos anos 60, pelo menos. Em 2018 a sensação é exactamente a mesma, mesmo porque o recinto continua inalterado. 

As longas filas para entrar, os acessos, as cadeiras, as bancadas, o ódio que se sente na gente da casa, a maneira exageradamente agressiva com o Vitória sempre joga contra o Benfica. Hoje tinham 13 faltas cometidas ao intervalo. Na recepção ao Porto fizeram 13 falta durante o jogo todo! 

Tudo é mau naquele estádio. O relvado, o frio, o vento,  a visibilidade, a distância para o terreno de jogo, tudo é mau. Então porque é que insisto em lá ir? Mais... Como é que é possível que este seja um dos estádios onde mais entrei na vida para ver o Benfica? 

Porque, geograficamente, fica muito perto de casa. Porque é dos raros recintos abaixo do Rio Tejo que temos para ver o Benfica. Porque se junta sempre uma turma de amigos e companheiros de bancada para apreciar a gastronomia sadina. Hoje não foi excepção, excelentes doses de choco frito a um preço muito acessível numa espécie de lanche ajantarado.

E para ver o Benfica acabamos sempre por esquecer todas as contrariedades que o Bonfim oferece. Pelos vistos, até ataque ao autocarro do Benfica houve. Bons exemplos que os sadinos importam.

Esta noite, ao entrar no Estádio do Vitória houve a sensação de sempre, daquela viagem no tempo. Mas com o desenrolar do jogo percebi que, desta vez, era uma viagem aos dourados anos 90. Que arbitragem foi esta?! 

O Mendy fez 8 faltas e não viu um amarelo. Pizzi fez uma falta, levou um amarelo. Almeida também levou amarelo à 3ª falta. O Mano faz uma falta que trava um perigoso ataque do Benfica e não leva o segundo amarelo. Enfim... 

Mas o meu lance favorito é aquele golo do Zivkovic em que é assinalado fora de jogo quando ele arranca antes do meio campo. E o Vitória marca essa falta com a bola para lá da linha do seu meio campo. Delicioso.

Eu também quero muito ver o Benfica a jogar um grande futebol, a vencer fácil e a dar espectáculo. Curiosamente, em Setúbal raramente vi tal coisa acontecer na minha vida desde os anos 80. Aliás, quando vou para o Bonfim vou mentalizado para sofrer e só peço para ganhar nem que seja só por 0-1 com um golo de Jonas. Está óptimo.

O Benfica podia e devia ter saído de Setúbal com um resultado mais tranquilo mas por não ter conseguido concretizar, Rafa, Grimaldo e Zivkovic, por exemplo, não tiveram sorte nenhuma nas finalizações, a equipa acabou a defender a magra vantagem com Odysseas a negar o empate ao 88'. Altura em que o Vitória foi realmente perigoso, a dois minutos dos 90! 

São 3 pontos conquistados num terreno tradicionalmente complicado contra uma arbitragem incrível.

Já tivemos más noites em Setúbal ao longo dos anos. Hoje o desfecho foi bom. Mas, por exemplo, no Jamor uma noite desinspirada custou logo uma derrota penosa. O líder da prova já ameaçou ter noites más, como essa, mas há sempre alguma coisa a endireitá-lo. No Bessa foi um penalti ignorado, em casa contra o Portimonense passou-se de um possível 0-2 para um triunfo de 4-1 com outro penalti esquecido. Assim fica muito fácil. Muito fácil mesmo. Que Braga e Sporting finjam que estão mortos quando deviam reagir a isto, é lá problema deles. O Benfica não se pode calar. É que voltar aos anos 90 é como ir ao Bonfim, cheira sempre a Mofo e já sabemos com o que contamos.

Benfica 4 - 0 Feirense: Chicotada Psicológica Invertida

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Escrevi aqui sem rodeios depois do jogo de Munique que era preciso reagir a sério. Não punha de parte uma mudança de equipa técnica e a Direcção do clube também não, como se percebeu nos dias seguintes. 

Foi a semana mais complicada de Rui Vitória desde que chegou ao Benfica e uma das mais delicadas do reinado de Luís Filipe Vieira. A decisão de mudar de treinador chegou a ser uma realidade que acabou por não acontecer num último momento por convicção do Presidente. Uma originalidade com o campeonato em andamento. A chamada chicotada psicológica invertida.

Pelo que entendi, o Presidente percebeu a gravidade das exibições da equipa, não só de Munique mas do último mês competitivos depois de uma vitória no clássico, e quis alterar as coisas mudando o treinador. Depois, num pensamento mais ponderado terá avaliado a falta de tempo que qualquer treinador teria ao entrar agora. Não há tempo para entrar, treinar, impor conceitos, mudar treinos, afinar estratégias. Isto porque entrámos no último mês do ano e o mais exigente desta época com jogo de três em três dias para o campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e o que resta da Liga dos Campeões. Vieira terá pensado que a via mais fácil era deixar cair o treinador e ficar entregue à sorte de um novo projecto. Pensou na via mais complicada e optou por segui-la. Isto é, falar com o plantel e saber com o que podia contar. Pelos vistos, o plantel deu-lhe garantias de mais entrega, mais qualidade e motivação total para vender todas as provas. Houve esse compromisso entre plantel, Presidente e treinador. Foi a via menos esperada, mais difícil e muito arriscada. 

É sempre mais fácil mudar um líder do que lidar com um plantel. 

A decisão mexeu com toda a nação benfiquista, causou surpresa e até mal estar mas a verdade é que não vi ninguém abandonar o barco até agora. 

Restava saber se a equipa ia devolver em campo a tal confiança prometida.  

Mais 40 mil adeptos quiseram ir ao Estádio da Luz para ver se a equipa ia dar seguimento à vitória de Tondela, há quase um mês, e aceitaram o desafio de apoiar. Os dois Topos manifestaram o seu descontentamento com o futebol do Benfica em silêncio, só interrompido com o Ser Benfiquista ao minuto 30. Curiosamente, de outros sectores do estádio veio apoio mesmo com zero a zero no marcador. 

A primeira parte não foi brilhante. O Feirense fez a rábula de mudar o campo obrigando o Benfica a atacar para norte na 2ª parte. O castigo voltou a aparecer para com quem brinca com as tradições da Luz. Foi na baliza norte que o Benfica fez 4 golos em 45 minutos, resolvendo o jogo e somando os 3 pontos.

Uma primeira batalha ganha depois da intervenção presidencial. Mas a desconfiança ainda é muita e é preciso pensar que há deslocações a Setúbal ou ao Funchal, por exemplo, durante o mês. É preciso jogar mais tempo como na 2ª parte. 

Zivkovic, Rafa e Jonas aproveitaram da melhor forma a aposta no 4-3-3. Pizzi, Gedson e Fejsa subiram de produção na segunda parte, e ficou claro que é nestes jogadores que Rui Vitória mais confiança. 

4-0 ao Feirense era a resposta que se esperava. Agora, tem que ser atitude para continuar. Caso contrário, de pouco vale esta goleada.

 

 

Tondela 1 - 3 Benfica: Entrar a Perder, Sair a Ganhar

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Neste fim de semana percebi que há algo de muito errado entre a minha vida e os jogos do Benfica em Tondela. Desde que a equipa de Tondela subiu à primeira divisão nunca consegui ir ao Estádio João Cardoso. No primeiro ano porque resolveram jogar em Aveiro, no segundo porque tinha acabado de ser operado a uma clavícula partida, no ano passado e este ano houve conflitos de agenda profissional. Sendo assim, Tondela é dos poucos estádios da primeira divisão que não visitei. Juntamente com o do Santa Clara, nos Açores. E já coloco aqui o bizarro recinto da SAD belenense como visitado.

Não poder ir em viagem tira grande interesse à crónica do jogo, assim não há sugestões gastronómicas nem relatos de frio e chuva. No entanto, ficar em casa a sofrer ao longe não me poupa a receber uma overdose de imagens gastronómicas de fazer inveja. Reti um local que parece merecer visita, Três Pipos. É explorar. A malta que divulgou é de confiança.

Aproveito para começar por aqui, a presença de adeptos naquela bancada atrás da baliza, descoberta, ao frio e à chuva com um apoio insaciável do primeiro ao último minuto é a representação irracional do que é ser Benfica. No fundo, é colocar em prática aquela teoria do vê o que podes fazer pelo Benfica em do que o Benfica pode fazer por ti. Assim, se enche uma bancada com uma força vocal incrível mesmo que a equipa não ganhe um jogo há um mês e venha de uma anormal ciclo de derrotas na Liga portuguesa. 

Aliás, o Benfica chega a Tondela de moral em baixo. A exibição com o Ajax não foi grande coisa e o lance final em que Gabriel podia ter dado 3 pontos europeus ao Benfica acabou por agudizar ainda mais a frustração. Como se não chegasse, ainda não tinha passado um minuto de jogo e já o Tondela estava a ganhar. Pelo lado de Grimaldo há um cruzamento que Conti reage mal e acaba por fazer auto golo. Pior arranque era impossível. 

E o que se ouviu na transmissão televisiva? Um apoio ainda maior dos adeptos do Benfica. 

Vou despachar a questão do Conti. Espero vê-lo jogar com mais regularidade, se é verdade que não foi feliz nos golos do Tondela e Ajax, há que dizer que nos mesmos jogos fez dois cortes em cima da linha de golo verdadeiramente impressionantes. 

Tudo o que se pode dizer a partir daqui é que a equipa soube estar ao nível do apoio dos seus seguidores. Jonas voltou a ser essencial na equipa, Rafa deu o mote pelo lado direito e não foi feliz na primeira parte na hora de finalizar, depois compensou com o 1-3, Pizzi e Gabriel assumiram as despesas de construção. A exibição não foi deslumbrante mas o objectivo foi cumprido. Reviravolta liderada por Jonas, no primeiro remate à baliza do Tondela. Na segunda parte, já com o Tondela com menos um jogador, a entrada de Seferovic para o lado de Jonas revelou-se determinante para os três pontos. Fica até no ar a dúvida se não vale a pena ponderar este regresso a um sistema de dois jogadores mais avançados que, como sabemos, com Jonas já deu tão bons resultados. 

Ver o jogo na televisão é uma tortura. A realização é horrível, fiquei a perceber que as repetições não assim tão importantes para a emissão em directo. Se ficarem dúvidas, a Sport Tv remete para um programa chamado Juízo Final ou algo assim parecido. Ou seja, as imagens ficam congeladas para mais tarde alimentarem mais polémica. Acho bem, há pouca no futebol português. O melhor exemplo disto é a repetição do lance da primeira expulsão. Quando, finalmente, o realizador vai buscar o plano em que se vê melhor a chegado do jogador do Tondela a Cervi o plano muda e o narrador empurra para o tal programa. Até Vítor Paneira fica a falar sozinho. Enfim, é tão melhor ir ver os jogos aos estádios. 

Tudo se torna mais penoso quando é um domingo gordo com uma maratona impressionante de jogos de todo o mundo. Liverpool, Chelsea, Manchester, Frankfurt, Roma, Milão, Boca e River, enfim, dezenas de jogos à volta da transmissão de Tondela e ficamos com a ideia que o jogo nacional é o que é pior tratado televisivamente. Felizmente, são muitas mais as vezes que vejo ao vivo do que assim. 

O Benfica encerra este ciclo horrível com uma vitória em Tondela. Curiosamente, nunca lá fui e só temos vitórias. Para a próxima não sei se é melhor resistir ao Três Pipos. 

 

Benfica 1 - 3 Moreirense: Afinal, o Pesadelo Não Acabou...

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Hoje não foi um golo no último minuto, não foi uma noite má, nem azarada.
Hoje exigia-se à equipa uma resposta convincente após a noite negra do Jamor. Para ajudar, o futebol do clube teve toda a confiança do seu Presidente que aproveitou o aniversário do Estádio e da sua presidência para dar uma entrevista e discursar durante a semana. Renovou a confiança na equipa técnica e nos jogadores do clube.

Tinha a palavra a equipa do Benfica neste jogo em casa com o Moreirense.

Em dois minutos tudo parecia voltar à normalidade, Jonas e João Félix são as personagens principais das mudanças de Rui Vitória e fabricam o 1-0. Parecia que o mais complicado estava feito.

Puro engano. Foi só um rasgo de qualidade no meio de um descontrolo que se prolongou do Jamor para a Luz de forma surreal. A facilidade com que o Moreirense respondeu e chegou aos 1-3 fez lembrar aquele começo de jogo com o Boavista há dois anos. Também me fez lembrar daquela 5a feira negra, chuvosa, no Algarve em que a equipa Minhota fez a mesma reviravolta para chegar à final da Taça da Liga.

Só que desta vez, esta não é uma derrota isolada. É a terceira derrota seguida da equipa de futebol do Benfica. Uma novidade no reinado de Rui Vitória.

Estava até difícil lidar com todo o cenário. Quis esquecer depressa aquela noite no Jamor mas olhava para o relvado e via as mesmas cores azuis a vencerem por dois golos de vantagem perante o desespero dos vermelhos. Dentro e fora de campo.

Depois de tão inesperada derrota com o Belenenses SAD, os adeptos do Benfica quiseram marcar presença na Luz. Foram quase 50 mil nas bancadas a darem continuidade ao sinal de confiança que veio da presidência.

Mas perante tamanho desastre, a confiança deu lugar à indignação. 1-3 em casa com o Moreirense e ver o experiente Jardel a acabar expulso por impulsos de iniciante é de levar qualquer um ao desespero.

O Moreirense ganhou muito bem, fez por isso e mostrou futebol à altura da dimensão do resultado. Aqui não há dúvidas, parabéns a Ivo Vieira e aos seus jogadores.

As dúvidas moram do lado do Benfica. Não é fácil responder à pergunta mais evidente: o que se passa, Benfica?!

Perante este cenário o treinador do Benfica tinha duas hipóteses, confiava na palavra do Presidente e punha o lugar à disposição ou considerava que mais um resultado anormal, e a primeira sequência de três derrotas seguidas no seu ciclo não eram suficientes para se duvidar da sua validade à frente da equipa. Optou pela segunda dizendo que não é homem de desistir. Se ele acredita e o Presidente também, não há muito mais a fazer. O desafio que se segue é de grau de dificuldade muito elevado. A confiança está muito em baixo e nas bancadas não é melhor.

O Benfica fica a depender da capacidade de equipa técnica e dos seus jogadores para dar a volta a um contexto negro.

 

 

Belenenses 2 - 0 Benfica: SADismo!

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 Há coisas na minha vida que dispensava repetir. Golos fora de horas em Amesterdão, por exemplo. Pior que isso. Após uma derrota com um golo fora de horas em Amesterdão ter que ir ao Jamor e perder. Qual seria a probabilidade de voltarmos a ter duas derrotas seguidas nestes dois estádios? Muito pequena mas aconteceu. É o tipo de coincidências que odeio no futebol. 

Ainda meio encharcado da molha que apanhámos no Jamor, à semelhança da última vez que lá fomos, outra coincidência, está muito difícil de digerir este resultado. 

O Benfica no Jamor fez tudo o que não devia ter feito. Até não entrou mal no jogo mas cedo se viu que a eficácia na hora de finalizar continuava horrível. O expoente máximo foi aquele penalti que Salvio desperdiçou. A partir daí a equipa desligou-se e, muito pior que isso, desconcentrou-se permitindo que o Belenenses saísse de uma complicada situação de poder sofre um golo para ficar a ganhar por dois! Impensável. 

Em poucos minutos o Benfica desperdiçou uma vantagem no jogo, desperdiçou a oportunidade de aproveitar o que de bom apresentou em Amesterdão e desperdiçou o enorme balão de oxigénio que trazia do último jogo no campeonato, a vitória no clássico que tirava o Porto da liderança e colocava o Benfica em boa posição para gerir o topo da Liga. 

Um descontrolo emocional difícil de perceber que levou o Benfica a deitar tudo a perder até ao intervalo no Jamor.

As entradas de Jonas, Castillo e Zivkovic foram só um exemplo de desespero em que a equipa técnica e os jogadores entraram. Apesar de ter havido oportunidade para a equipa marcar, o Benfica nunca esteve perto de empatar o jogo. Aliás, o Belenenses ameaçou mais do que uma vez aumentar a vantagem.

Não foi por falta de aviso, a estreia de Silas nos azuis foi precisamente contra o Benfica no Restelo e já tinha criado muitas dificuldades. Nesse jogo um penalti falhado de Jonas deu lugar a um golo do Belenenses. Lá estão as coincidências. 

Hoje a reacção do Benfica ao penalti falhado foi ainda pior. 

Dantes, quando nestes clássicos tudo corria mal ao Benfica, usava-se o título Pesadelo no Restelo. Agora, Pesadelo no Jamor não serve para nada porque nem rima. Esta jornada para nós é toda surreal. Jogar no Jamor em Outubro, com chuva, à noite, contra uma equipa de futebol de uma SAD que não tem adeptos, que não tem emblema, que não tem história, torna tudo muito, muito estranho.

Mas, que fique claro, que o treinador Silas não tem culpa nenhuma de estar num projecto futebolístico aberrante. Silas continua a mostrar muita personalidade, muita qualidade de jogo e mereceu inteiramente a justa vitória que teve hoje. Não guardou substituições para os descontos, não mandou a sua equipa toda para a frente da baliza nem se pode dizer que tenha abusado do anti-jogo. Silas merecia o Restelo, merecia o carinho de uma massa adepta, merecia um clube a sério. 

 

Hoje, ao Benfica pedia-se uma resposta aquele doloroso golo a fechar o jogo na Holanda. Pedia-se uma vitória para ficar a liderar a Liga sozinho. Pedia-se, se possível, uma exibição agradável. Nada disto aconteceu. 

Olhando para os últimos três anos, com Rui Vitória, arrisco dizer que este foi um jogo à altura do União da Madeira no primeiro ano, do Vitória FC no Bonfim ou do Tondela na Luz na época passada. Para mim, cada um destes jogos foi o pior de cada uma das últimas três temporadas. De todos, este é o que aparece mais cedo na época. Os desaires com o União e Vitória acabaram por não atrapalhar o título de campeão. Mesmo a derrota com o Tondela não impediu que o Benfica chegasse à Champions League. Esta má exibição do Benfica não sei que consequências vai ter mas trouxe um dado novo, a contestação da bancada para com o treinador do Benfica. 

Cabe agora à equipa técnica e aos jogadores darem uma resposta. É que isto hoje foi mau, não há outra maneira de o dizer. 

Espero voltar ao Jamor no dia 26 de Maio. Espero que nessa altura me recorde desta noite como a pior da época. E que não chova, claro. 

Preciso de um banho quente e de recuperar deste pesadelo. 

 

 

 

Benfica 1 - 0 Porto: O Nosso Lema é o de Vencer

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 O Benfica chegou a este clássico muito pressionado. Demasiado pressionado para uma jornada 7, diga-se. Tudo porque empatou o derby em casa com o Sporting e voltou a empatar em Chaves num jogo cheio de peripécias. 

Depois, foi a segunda parte em Atenas que assustou os benfiquistas e juntou-se a estatística dos clássicos recentes mais o facto do Porto chegar à Luz à frente na classificação. 

A tudo isto juntou-se a lesão de Jardel, a expulsão de Conti em Chaves, dois jogadores que ficaram assim de fora do clássico, e a expulsão de Rúben Dias na Grécia que deixou o universo benfiquista à beira de um ataque de nervos.

Ainda sem Jonas em forma, sem o efeito explosivo de João Félix, adivinhava-se um fim de tarde complicado para o Benfica neste domingo. 

Muitas teorias à volta dos centrais, muitas dúvidas sobre a opção Lema. 

Terminado o clássico e o que mais li e ouvi da parte de adeptos e observadores deixou-me espantado. Ora, em 2018 toda a gente descobriu que se joga muito pouco futebol em Portugal. O Benfica conquistou uma vitória muito suada e importantíssima mas vamos discutir a qualidade de jogo do clássico.

Meus amigos, somar as primeiras partes dos mais recentes jogos Braga - Sporting e Benfica - Porto é obter um resultado de uma mão cheia de nada, em termos futebolísticos. Mas isso já eu sei há muito tempo. Já o digo e escrevo há muitos anos. Aliás, digam-me lá 5 grandes clássicos, cheio de qualidade de futebol a todos os níveis, que tenham acontecido nos últimos, vá lá, dez anos. Não há. E ninguém quis saber disso para nada nunca. 

Hoje, pelos vistos, está tudo muito preocupado com a qualidade de jogo. 

Já aqui escrevi há uns tempos e vou recuperar essa ideia, quando o Benfica começa a jogar eu não quero viver a festa do futebol, nem estou à espera de um futebol tipo Laranja Mecânica. Eu só quero uma coisa, uma vitória do Benfica. E quanto mais monótona, melhor. Um jogo do Benfica é um assunto muito sério na minha vida. A minha vida é cheia de capítulos de 90' que precisam de ser resolvidos com um triunfo. Se for com uma goleada, melhor. Se for com um recital de bola, muito melhor. Mas não perco o foco, o objectivo é fazer um golo mais que o adversário. Apenas e só isso.

Quando eu vejo um guarda redes histórico, como é Casillas, a levar um cartão amarelo aos 20' da primeira parte por estar a retardar a reposição de bola desde o começo do jogo concluo que a vontade de jogar é pouca. O Porto veio à Luz para não perder o jogo e para perder muito tempo útil de jogo. Foi uma estratégia. Mas influenciou directamente o tempo útil de jogo que deve ter tido uma percentagem ridiculamente baixa. 

O Benfica foi a jogo com Lema ao lado de Rúben, Gabriel no meio e Cervi na esquerda. De resto, tudo igual e expectável para este jogo. E foi muito bem. O Lema jogou e não houve drama nenhum. 

Eu sou do tempo das piores equipas de futebol que o Benfica teve na sua história. Anos 90. Sabem quantas vezes o Porto ganhou para o campeonato na Luz na década de 90? Duas. Isto significa que ganhámos jogos que ninguém esperava com equipas onde o Lema era rei e senhor, se jogasse nessa altura. Quando dramatizam as ausências antes de um clássico esquecem aquele jogo de 2009 e todos aqueles em que andávamos muitos pontos atrás na classificação. O Lema jogou e ganhou porque o nosso lema é o de vencer. Ah, e foi expulso. É que as expulsões para jogadores do Benfica estão muito baratas. Por exemplo, o Otávio teve muito que penar até ser reconhecido com um cartão amarelo. Para os homens da casa até saía à primeira falta. 

Houve muita bola pelo ar, muitas faltas, muito tempo perdido, uma equipa mais interessada em ganhar e outra em sair de Lisboa com a vantagem mínima na tabela classificativa. Que novidade houve neste clássico? Nenhuma. Esta é a história da grande maioria destes jogos. 

As boas notícias para os benfiquistas é que a equipa voltou para a segunda parte ainda mais motivada. Sentiu que podia mesmo vencer. Fez por isso. O Estádio acreditou e, por momentos, virou mesmo inferno da Luz empurrando a sua equipa para um golo que Casillas negou, embora houvesse fora de jogo. Aliás, como na primeira parte também um fora de jogo já tinha invalidado um incrível falhanço de Seferovic.

A grande defesa de Casillas a remate de Gabriel fez temer o pior, o espanhol costuma dar espectáculo na Luz. Mas, desta vez, passados poucos minutos aconteceu mesmo golo de Seferovic. Uma pressão alta, muita luta pela bola, recuperação, assistência inteligente de Pizzi e Seferovic a rematar para o 1-0. 

É para isto que eu vou ao estádio. Para viver e festejar o golo. E logo a seguir ficar angustiado por ver que ainda falta uma eternidade para terminar o jogo.

A partir daí é que se viu o Porto interessado em jogar e chegar ao golo mas o Benfica resistiu com confiança e em harmonia com as bancadas. Foi assim até ao fim. À Benfica! 

Naquele estádio ninguém estava incomodado com uma defesa liderada pelo miúdo Rúben, que fez enorme exibição, diga-se. Ninguém desmotivou o Lema, que não merecia acabar o jogo daquela maneira. De certeza que nestas bancadas estavam companheiros que se habituaram a vibrar com golos ao Porto inesperados de Bruno Basto, por exemplo. Ou de Valdir. Ou de Tahar. Passámos por isso tudo e ainda cá andamos. 

Porque raio íamos vacilar hoje? Isto é o Benfica. E há pouca coisa no mundo mais bonita que a harmonia única da Luz entre equipa e adeptos. Hoje houve.

O Benfica ganhou e ganhou bem. Recuperou a liderança e olha para o horizonte com confiança. Há jogadores a recuperarem que vão dar mais qualidade à equipa. Vencer o Porto antes de mais uma paragem na Liga é moralizante. 

Mas não me venham com a conversa da qualidade de jogo do clássico. Há anos que estes jogos passam ao lado das melhores expectativas. Estas partidas não são para exibições, são para ganhar. 

Agora, se quiserem discutir honestamente a qualidade de futebol da Liga NOS de forma séria e aberta, contem comigo. Mas não passa por clássicos e derbys. Se quiserem discutir que, se calhar, tudo isto é reflexo de Portugal se ter tornado um país de adeptos de sofá e de futebol (mal) falado, também podem contar comigo. Mas para olhar para um clássico e torcer o nariz pela sua qualidade, isso não. Aqui as equipas só querem ganhar. Foi assim na Luz, será assim no Dragão. 

Muito saboroso, este triunfo contra um clube que tudo tem feito para abater o Benfica movidos por um ódio visceral e regional que os cega de raiva. O Benfica ganhou. Tão bom. 

Chaves 2 - 2 Benfica: Uma Odisseia Que Não Acabou Bem

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Há jogos que não me cheiram bem a uma grande distância. Esta partida em Chaves foi marcada há cerca de um mês e a partir daí foi sempre a complicar. Um jogo em Chaves numa 5ª feiras às 20h15 começa logo por ser estranho. Mas isto é uma Liga que tem o recorde de dias para a duração de uma jornada. Esta, por exemplo, dura cinco dias.

Depois de sabermos data e hora, o Chaves anuncia que o jogo serve para celebrar o seu 69º aniversário mas quem dá a prenda maior é quem quiser ir ao estádio sem ser sócio do clube da casa. Ou seja, um adepto do Benfica que quisesse comprar bilhete no estádio do Chaves teria que pagar a partir de 37€ e podia ir até 56€. 

O tempo passou e em vésperas do encontro o Chaves fez um comunicado em que decretou a proibição de adereços do Benfica numa bancada central. Mais do mesmo. Quem já tivesse comprado bilhete antes tinha que comer e calar.

Entretanto, no último jogo antes desta deslocação o Benfica perde João Félix, Sálvio e quase fica sem Grimlado. O espanhol recupera mas na frente teve que entrar Rafa e Cervi. 

A meio da semana há a despedida a Luisão e logo acontece uma lesão a Jardel e uma expulsão forçada por João Capela a Conti. Capela, o tal que expulsou Aimar. O tal que um dia viu Cardozo bater com uma mão no relvado revoltado por ver que o árbitro não marcou uma falta evidente a seu favor, e ... expulsou-o. Repetiu a dose em Trás-os-Montes.

Aliás, a nomeação de Capela foi mais uma desconfiança que tivemos antes do jogo. A outra foi nova mudança no árbitro para o Var. Sem justificações, apareceu Bruno Esteves em vez de Hélder Malheiro. Segunda jornada seguida com trocas de última hora. Estranho. Claro que Esteves e Capela não tiveram dúvidas num penalti por marcar sobre Gabriel na primeira parte. E zero de dúvidas na expulsão a Conti.

 

Voltemos ao pré jogo. Finalmente, chega a hora e tempo de verão dá lugar a uma noite de temporal. Relvado encharcado, dúvidas sobre a realização do jogo e partida a começar mais de uma hora depois da hora marcada. 

Forte abraço para o pessoal que foi a Chaves e que ainda levou com transito cortado na A3. Que tenha sido esta a pior deslocação da época, é o que desejo. 

Fomos a jogo e tudo mudou a nosso a favor. Entrar a ganhar 0-1 com um golo de Rafa era tudo o que o Benfica precisava para inverter todas estas más energias acumuladas antes da jornada. 

Mas a vantagem não foi ampliada, por acerto do guarda redes Ricardo e infeliz desacerto de Seferovic na hora de finalizar. O jogo ficou demasiado aberto para o Benfica conseguir dominar, o Chaves foi criando oportunidades que o mantiveram ligado ao jogo até ao intervalo. 

Na segunda parte pedia-se um segundo golo ao Benfica para que tudo acalmasse e fosse gerível do ponto vista físico e emocional. Mas sem conseguir matar o jogo, o Benfica deixou espaço para o empate que surgiu num mau momento de Odysseas que até ali tinha estado impecável. Um livre directo frontal quase sem barreira convidou Ghazaryan a rematar. O arménio, que acompanhou Daniel Ramos nesta passagem do Funchal para Chaves, aproveitou para fazer o empate num pontapé forte e colocado. 

Faltavam 20 minutos para o final e o Benfica ainda conseguiu reagir. Rúben Dias desmarcou Rafa que se isolou e bisou na partida. Parecia que toda esta maratona ia acabar bem. Jonas já estava em campo e festejou o 1-2.

Só que quando parecia que o jogo estava controlado na recta final pela equipa em vantagem aparece João Capela a mostrar vermelho directo a Conti numa falta em que o jogador do Chaves nem ia criar perigo de golo. Sem Jardel, sem Conti, as nuvens negras voltaram. Não houve quem não pensasse logo com que centrais o Benfica pode defrontar o Porto na próxima jornada. Com a equipa desgastada, com improvisos na defesa e no meio campo, o Benfica não soube roubar a bola e empurrar o adversário para o seu meio campo. O chaves teve força e engenho para desenhar a melhor jogada de toda a partida e dar a Ghazaryan a oportunidade de bisar empatando um jogo que pareceu amaldiçoado desde o dia em que foi marcado. 

Dois pontos perdidos mesmo no final da partida, lesões de Jardel e Gabriel para avaliar, suspensão de Conti para gerir e uma viagem a Atenas já no horizonte que por marcar o futuro europeu da equipa. 

Estamos em alta pressão e não podemos perder o foco apesar de tanta odisseia à volta do futebol do Benfica. Esta não acabou bem. 

Benfica 2 - 0 Aves: João Félix Não Engana

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 Apetece-me agradecer a espertice do Aves ter optado por obrigar o Benfica a jogar primeiro para a baliza sul, ao contrário do que costuma ser tradição na Luz.

Obrigado, Aves. Assim, foi da maneira que vi mesmo ali à minha frente o magnifico lance do primeiro golo do Benfica. O trabalho e a assistência do Pizzi para a finalização superior do João Félix. Segundo golo do miúdo na Liga e segundo golo nesta baliza.

Um regresso ao campeonato que serviu para lançar Gabriel no onze, o brasileiro fez por merecer a aposta, e dar a titularidade a João Félix. A equipa respondeu bem e fez por evitar o susto da época passada quando esteve 70 minutos para fazer o primeiro golo.

O Benfica podia, e devia, ter feito muitos mais golos na primeira parte. Jogou o suficiente para construir cedo uma vitória tranquila.

Mas só na 2ª parte é que o triunfo ficou certo. Pelo meio, um sentimento misto. Por um lado, a satisfação de ver a ala esquerda a carburar muito bem, por outro, o Benfica acabou com esse flanco renovado por saídas de Félix e Grimaldo, ambos lesionados. Espera-se que sem gravidade.

Por ironia do destino, Cervi entrou e foi ele a fazer o 2-0 que deu mais justiça ao marcador e descanso às bancadas.

Por falar em entrar, Jonas regressou. Foram 20 minutos em campo que muito animaram a plateia da Luz. Que tenha sido o começo de um novo ano da lenda Jonas no Benfica.

Acabou por uma vitória normal e objectivo cumprido.

 

 

Antes do começo da partida tive oportunidade de reencontrar o amigo Vítor Pimenta que fez questão de me oferecer uma camisola do Aves, Luquinhas, repetindo um gesto que já tinha feito pelo Gil Vicente, Rio Ave e Varzim. Uma amizade que já vem dos anos 80, um respeito mútuo que em 2018 ganha um simbolismo maior, já que parece que toda a gente se esqueceu como é bom ter amigos no futebol.

Por falar nisso, agora não se lembrem de irem buscar imagens da entrega da camisola antes do jogo para especularem cenas. Algo em que Portugal está muito forte.

 

Bom regresso ao campeonato para dar continuação já na próxima 5ª feira em Chaves.

 

 

 

Nacional 0 - 4 Benfica: Wake me up when September ends

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 Na conferência de imprensa de lançamento do jogo o treinador do Nacional disse que dividia o favoritismo pelas duas equipas. O mesmo homem que há uns tempos fez capa da revista do Expresso afirmando orgulhosamente que era sportinguista e anti-benfiquista.

Como tenho memória devo dizer que estas goleadas sabem sempre melhor quando são conseguidas contra esta gente que odeia o Benfica. Já a meio da semana, outro treinador de uma equipa às riscas preto e brancas acabou mal depois de muito optimismo. 

O Benfica tinha um desafio complicado neste fecho de ciclo de jogos. Era preciso repetir toda a qualidade mostrada em Salónica para garantir 3 pontos no campeonato.

Relembro que as duas saídas no arranque desta Liga foram ao Bessa, único estádio onde perdemos na época passada, e à Choupana, uma viagem sempre complicada. Pelo meio, recebemos o Vitória de Guimarães, que depois venceu no Porto e o derby de Lisboa. Se isto fosse escolhido por algum rival não seria mais complicado na teoria. 

A resposta da equipa voltou a ser eficaz, tremenda, entusiasmante e convincente. 

O Nacional vinha de uma vitória moralizadora no Bonfim, o treinador estava com o tal discurso forte, a direcção resolveu fazer a rábula da proibição de adereços do Benfica nas suas bancadas. Mas o Benfica teve o apoio de sempre e mostrou depressa ao que ia. Com o mesmo 11 da qualificação europeia, a equipa de Rui Vitória tomou conta do jogo e criou várias oportunidades para marcar. Quis o destino que fosse Sferovic o homem em destaque, fez o primeiro golo e ofereceu o segundo a Salvio. 

A vitória estava bem encaminhada ao intervalo, na segunda parte houve menos espectáculo mas Pizzi quis fazer mais duas assistências que atestam o grande momento de forma que atravessa, para Grimaldo e para... Rafa! 

Do lado Nacional um grande destaque, Arabidze, nascido na Georgia, 20 anos, canhoto, 1m 73cm de altura, fez enorme exibição. Está emprestado pelo Shakhtar de Paulo Fonseca. 

A lamentar apenas a lesão de Fejsa que saiu com dores. 

 

Este Benfica 2018/19 teve uma apresentação muito dura e exigente mas o balanço desta primeira etapa é muito bom. 

Odysseas voltou a mostra na Madeira que a baliza está bem entregue, Ruben e Jardel no meio, André e Grimaldo nas alas garantem a continuidade do trabalho defensivo que já vem da época passada. Os dois alas combinam bem com os extremos, Cervi e Salvio. Os argentinos estão a ter um belo inicio de temporada, Salvio está ao nível do melhor que já vimos desde que chegou à Luz. 

Pizzi num momento de forma incrível, conta com Gedson como a grande surpresa nesta equipa. Mais uma exibição de grande qualidade do miúdo. Alfa Semedo entrou para o lugar de Fejsa e luta com tudo pelo seu espaço na equipa. Tem a confiança do treinador e dos companheiros. Na frente, o momento é de Sferovic. O suíço foi aposta na Grécia e justificou nova oportunidade na Choupana. Marcou e assistiu. Há quatro homens para jogar na frente, nesta altura o internacional da Suíça é o que está melhor. Hoje foi mais do que útil, foi essencial. 

Uma palavra para Rafa que foi a jogo no momento em que se sente mais confortável, transições rápidas. Pizzi lançou-o e Rafa aproveitou para marcar. Grande sinal de presença. 

Finalmente, João Félix. A terceira aposta jovem para esta temporada tem escrito por todo o lado a palavra craque. Vai ser uma bela época para o João. 

 

Uma pré época equilibrada com adversários fortes, uma abordagem ao mercado que não deixou nada para a última da hora, renovações com Ruben e Gedson em vez de vendas milionárias, porta fechada à saída de jogadores importantes na equipa, um arranque na Liga que vale o primeiro lugar graças a golos marcados e um apuramento brilhante para a Liga dos Campeões depois de um sorteio pouco favorável.

Setembro chegou com um quadro bem animador para o futebol do Benfica. Dá vontade de recuperar o clássico dos Green Day: Wake me up when September ends.

Bons sonhos, perdão, boa sorte para os internacionais que vão representar os seus países nas próximas semanas.

 

Benfica 1 - 1 Sporting: Um Raio de Luz Chamado Félix

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 O João Félix envergonha os meus 18 anos. Tenho que esclarecer que até tenho muito orgulho nos meus 18 anos. Passei a estudar à noite para começar a trabalhar numa fábrica da Nestlé em Linda-a-Velha e saber o que custa a vida, passei a rapar o cabelo e abandonei o estilo de risco ao lado e a 2 de Outubro de 1991 arranjei o meu primeiro conflito laboral por querer sair mais cedo para ir à Luz ver o jogo com esse colosso de Malta, o Hamrun Spartans. Tudo muito engraçado mas com 18 anos não estava no relvado a fazer golos ao Sporting e o João Félix está. 

 

Foi o grande momento do derby. Cruzamento de Rafa, depois de Fejsa ter dado a Zivkovic que meteu rápido no português, bola para a área e o puto a saltar para fazer de cabeça o primeiro golo pela equipa principal e salvar o Benfica de uma derrota embaraçosa.

Aliás, esta jogada que deu o empate exemplificou na perfeição o que o Benfica não fez no resto do jogo. Meter velocidade, ligar o jogo rápido entre sectores e criar desequilíbrios e imprevisibilidade para quem defende. 

Não tenho outra maneira de dizer isto, este derby foi muito frustrante para quem já vê jogos destes desde os anos 80. Esperava mais do Benfica. 

Na teoria, este seria o Sporting menos forte na Luz dos últimos anos. Na verdade, não me lembro de uma equipa do Sporting tão remendada na Luz. Fizeram o seu jogo, acabaram o derby ao pior estilo de uma equipa de meio da tabela a lutar por um pontinho mas, lá está, tinham noção da enorme diferença de qualidade de um lado e do outro. 

O Benfica não fez o que lhe competia e o que se esperava. Acabou por ir caindo na teia que Peseiro montou, tornou o seu futebol previsível e anulável e deixou o adversário acreditar e crescer. 

O lance que dá o penalti, indiscutível, ao Sporting mostra bem tudo o que não era preciso fazer. Jardel passa a Rafa sem nexo. Ruben Dias acaba a fazer falta em Montero. Impensável estar a perder com este Sporting em casa. Mas aconteceu. 

Verdade que Salin engatou grande exibição, lá está, ao melhor estilo de equipa menor. Aquilo que eu achava que seria um trunfo, mais jogos nas pernas numa altura da época em que o cansaço não é dramático por ser o arranque da temporada, afinal teve efeito contrário. A equipa pareceu desgastada nas alturas em que era preciso imprimir velocidade. Gedson e Pizzi não estiveram tão fortes como em jogos anteriores. 

Sem Salvio para esticar o jogo pela direita, foi Rafa quem tentou desequilibrar, tendo Cervi no lado oposto a forçar a entrada de bola no meio onde Ferreyra voltou a estar desligado do resto da equipa. 

Acabou o Benfica com Seferovic e João Félix em campo a ser muito mais objectivo e perigoso. Eu já tinha escrito aqui que o miúdo até podia ser lançado mais cedo nos jogos. Quando entrou agitou sempre. Hoje mexeu com o marcador final.

Apesar da desilusão que foi esta noite queria deixar aqui uma curiosidade da primeira parte. Uma jogada colectiva em que a bola teve de passar pelo guarda redes do Benfica foi brindada com uma enorme assobiadela. A bola continuou a correr e acabou por ser uma das jogadas mais bem conseguidas da primeira parte na Luz. 

Outra nota, esta positiva, para a postura do rival na Luz. Desta vez, sem a rábula de nos trocar a ordem de ataque, com dirigentes na bancadas da Luz, sem stresses desnecessários.

Depois, deixem-me dizer que um derby à 3ª jornada é uma parvoíce em termos de calendário, a adrenalina desce para metade.

 

 

Finalmente, tenho lido muita coisa bonita sobre intenções de tornar o futebol português melhor. Muitas acções que ia tornar o espectáculo mais atraente, com mais qualidade e com o tempo útil de jogo a aumentar.

Muito bem, então o que foi isto que este Godinho veio fazer à Luz?! Atenção, não estou a falar em lances polémicos nem nada disso, o tom deste blogue não é esse. Falo no tempo perdido e das rábulas para fazer parar o tempo útil de jogo. Do mais enervante que já vi num estádio. E não me pareceu que Godinho tivesse poder para tornar o jogo melhor. Foi pena.

Esta foi a primeira grande desilusão da época, pedia-se uma vitória num derby que deixasse a equipa moralizada para o jogo decisivo na Grécia. Não foi possível e a derrota caseira do Porto atenuou um pouco esta frustração. 

Mas o sucesso desta primeira etapa depende muito da qualificação europeia e da viagem à Choupana que se segue. Tudo com a companhia de João Félix, de preferência, o verdadeiro raio de Luz neste derby.