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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 6 - 0 Marítimo: Campo Trocado? Resultado Pesado.

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Pessoal da Madeira que torce por um dos clubes da Ilha:

Até há pouco tempo tinham três equipas na divisão maior, não raras vezes viam os seus clubes a lutarem por uma vaga europeia. Ultimamente, só Marítimo tem representado a Madeira com regularidade na Liga NOS e este ano lutam para não descer juntamente com o Nacional. Quero que ponderem o seguinte detalhe, ambas as equipas quando tiveram o privilégio de visitar a Luz resolveram fazer a rábula de obrigar o Benfica a atacar para Sul primeiro. Resultado das duas visitas ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica, 16-0! 

Pode ser coincidência mas os 10-0 do Nacional e estes 6-0 ao Marítimo começaram com uma troca de campo invulgar na Luz. Pensem nisso.

 

O Benfica vinha de uma ressaca europeia, entrava com a habitual pressão de saber que o rival já tinha despachado a sua tarefa, na prática já despachou todas as tarefas até ao fim, e voltou a dar uma excelente resposta a todos os que esperam um mau resultado na Liga. Bruno Lage na Liga NOS leva 15 jogos, venceu 14, empatou 1 e leva 56 golos marcados contra 11 sofridos. Recuperou a liderança e tem mantido a equipa na frente com categoria. 

A 4 jornadas do final do campeonato, o Benfica tem 87 golos marcados. O segundo classificado tem 62. 

Esta superioridade tem que ser demonstrada e defendida até ao fim. Hoje, o Benfica voltou a começar o jogo muito bem e abriu a partida com o 1-0. Mais um golo de João Félix. Canto de Pizzi e Félix a rematar de primeira. 

Não há nada melhor do que começar assim os jogos. Depois é continuar a carregar e partir para uma noite descansada. Hoje só na 2ª parte veio a tranquilidade absoluta. Cervi aproveitou a titularidade para bisar, imitou o inevitável Félix, Pizzi fez o seu golo e ainda houve tempo para Salvio regressar aos golos. 

O golo de Salvio aparece ao minuto 90. O segundo do Cervi tinha acontecido aos 88'. A quantidade de adeptos que não viram os golos por já terem virado costas ao Estádio da Luz é absurda. 

Num mundo perfeito o Benfica só marcava golos a partir do minuto 88 para castigar todos aqueles que teimam em não ficar no seu lugar até ao momento de aplaudir a equipa no final do jogo. 

Goleada entusiasmante numa noite de frio e chuva numa época familiar festiva que dá o mote para as 4 finais que o clube tem de vencer para voltar a ser feliz. 

Benfica 4 - 2 Vitória de Setúbal: If The Kids Are United

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Passo já a explicar o titulo da crónica. Quando João Félix fez o seu golo e correu para o irmão lembrei-me de uma canção dos Sham 69 que diz "If The Kids Are United, Then We'll Never be Divided". Uma das músicas que mais ouvi, certamente. 

Só um momento muito especial, uma imagem muito forte, é que faria com que eu fosse buscar este tema na minha memória. 

Vivem-se noites de magia na Luz, João Félix tem tornado tudo muito mais especial e continua a coleccionar momentos e imagens para a eternidade com uma naturalidade impressionante! 

O Benfica anda a transformar períodos de tensão em celebrações divinas. 

Isto porque estamos na recta final daquilo que é uma corrida a dois mas não da maneira que nos querem vender. Oiço e leio por aí que a Liga está a ser decidida como se fosse uma renhida corrida de formula 1 com os carros lado a lado até ao momento final. Não concordo. A impressão que tenho é mais de um contra relógio ao mais alto nível do ciclismo. Há um rival que já fez o seu trajecto sem falhas e o Benfica está a 5 Km de completar a sua parte. Só que já sabe que não poderá falhar uma pedalada que seja, sob pena de perder a corrida. É que o concorrente está descansado na meta à espera de um tropeção. É ver o que tem sido os jogos do Porto neste campeonato, até o insuspeito Rui Santos acha que levam 10 pontos a mais...

Com este cenário, ao Benfica só resta ter a concentração máxima nos seus jogos e fazer o que Bruno Lage tem dito desde aquela vergonhosa meia final da Taça da Liga, foco naquilo que podemos controlar, ou seja, o nosso futebol. 

Nesse aspecto, o momento é prometedor. Depois dos 1-4 em Santa Maria da Feira, dos 4-2 ao Eintracht na 5ª feira, nova chapa 4, agora ao Vitória de Setúbal. 

É prometedor porque na última vez que o Vitória FC veio à Luz numa recta final de campeonato, perdi uns anos de vida com aquele triunfo por 2-1 com Pizzi a desafiar o 2-2 que, felizmente, não apareceu. 

Desta vez, o Benfica esteve sempre na frente e marcou logo no arranque da partida. Grande jogo de João Félix, de Florentino e de Rafa. Todos os jogos há um conjunto de jogadores a aparecerem mais fortes e inspirados que guiam a equipa para os resultados pretendidos. Claro que ainda há a destacar o jogo de Seferovic, que marcou e de todos os que ajudaram a conquistar os 3 pontos.

Pizzi ficou marcado pelo penalti que não conseguiu converter, Ruben Dias fez um penalti desnecessário, Ferro não teve a sua melhor noite e Samaris esteve um pouco abaixo da noite europeia mas todos foram importantes para controlar a vantagem e construir um resultado que permitisse uma noite mais tranquila do que seria de esperar. 

Regresso ao tema "If The Kids Are United" para realçar, com tristeza, que continuamos a ter um ambiente muito estranho na Luz. Os putos Félix deram o exemplo de união, a equipa toda dá o mesmo exemplo quando se trata de celebrar golos mas isto não se reflecte nas bancadas. Absolutamente deprimente a assobiadela prestada à equipa, pior do que isso, a um miúdo como Florentino, antes do intervalo com a equipa a vencer por 2-1. Inexplicável. Isso não é exigência, é demência, meus caros.

E depois, antes dos 60 minutos, ver Bruno Lage a pedir apoio a umas bancadas adormecidas é embaraçoso. O que é que se passa?! Não percebo em que ponto é que a Luz se transformou num espaço assim. Esta plateia não mereceu aquele desarme do "Tino" que acabou em golo. Desculpem mas não merece mesmo. Talvez por saberem isso, a maioria dos espectadores vira costas ao jogo 10 minutos antes do seu final, completamente  desinteressados da possibilidade de mais um golo ou de uma possível calorosa ovação já depois do jogo terminado que conforte os nossos jogadores para as cinco finais que faltam. Nada disso, quando a equipa se junta no relvado para agradecer ao público já só deve lá estar 20% da assistência anunciada uns minutos antes nos marcadores da Luz. Deprimente. 

Mais uma prova superada, uma vitória justa, segura e relativamente tranquila que nos deixa optimistas para o que falta jogar.

Os putos estão unidos. Falta o resto. 

Feirense 1 - 4 Benfica: Aquele Arco de 3 Maravilhosos Segundos no País dos Apitos

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 Desde sempre, acontece aquela desconfiança de quem nos rodeia e não entende a necessidade que temos em estarmos onde o Benfica joga. Mesmo que tenhamos de sacrificar um domingo familiar. Mesmo que tenhamos de acordar cedo num domingo após um sábado de borga. Mesmo que tenhamos que contornar vários obstáculos no trânsito, ironicamente originados pelo Benfica e a sua corrida anual, para reunirmos todos os elementos que vão viajar. Mesmo que saibamos que vamos passar o dia todo debaixo de chuva, A1 acima, A1  abaixo, e juntar o tempo frio à chuva no Estádio Marcolino de Castro. Já sabemos que isto não faz muito sentido mas o local onde o Benfica joga é uma espécie de íman que nos atrai fatalmente. Porque queremos fazer a nossa parte. Queremos sentir que estamos lá na bancada a apoiar os jogadores, um a um, quanto entram em campo e desviam o olhar para a plateia a ver se há muito apoio ou não. E, também, porque vamos à procura de viver emoções que só o futebol nos pode dar. Aliás, só o futebol do Benfica nos pode dar, porque isto é mais forte do que gostar só de futebol. 

Sim, o jogo dá na televisão e pode ser visto no maior conforto caseiro. Mas é a mesma coisa? Nem pensar! 

 

Vamos começar pelo minuto 49 do jogo Feirense - Benfica. Agora, o Glorioso está a atacar para o lado onde estamos a ver o jogo. Pela linha do meio campo, Grimaldo resolve surpreender chutando uma bola por alto que vai cair à entrada da grande área do Feirense. O guarda redes Caio precipita-se e tenta chegar à bola que entretanto é aliviada de cabeça por Bruno Nascimento. Rapidamente percebemos que Seferovic vai aproveitar para rematar de primeira, tentando uum golo épico de chapéu. Olhos na bola a sair do pé de Seferovic, silêncio quase total espontâneo e repentino, respiração suspensa e os olhares acompanham a trajectória de um arco perfeito que vai acabar dentro da baliza dos fogaceiros e que duras uns longos três segundos no ar. Explosão de alegria, o silêncio dá lugar a festejos exuberantes. Querem convencer-me que aqueles três segundos vistos em casa despertam a mesma emoção e os mesmo sentimentos? Não queiram. São instantes únicos. É futebol. 

Só momentos como este é que dão sentido à nossa presença ali. É que estar num estádio onde se permite que soe um apito nas bancadas que baralha espectadores e jogadores remete-me sempre para aquela final de Viena em 1990. Aconteceu hoje e parece que ninguém se importou. Deixo aqui a minha estranheza.

 

Para trás tinha ficado o golo de Pizzi que empatou o jogo. Também um momento muito emocionante, ao fim de vinte e oito (28) jornadas, o VAR conseguiu ver, finalmente, um penalti para o Benfica. 

Logo depois, o capitão André Almeida foi lá à frente garantir que o Benfica saía para o intervalo na frente do marcador.

Entre os minutos 40 e 50 do jogo, o Benfica resolveu um problema que se ia complicando com o passar do tempo. O golo de Sturgeon, aos 10', mostrou um Feirense que não bate certo com o lugar que ocupa na tabela. 

Todo o mérito para a equipa do Benfica pela maneira como deu a volta ao jogo e garantiu a vitória. Seferovic confirmou o 1-4 no último minuto de jogo proporcionando um excelente regresso a casa a todos os adeptos que só queriam sair dali na liderança do campeonato. 

Ver Ferro ao vivo é outra atracção que não dá para resistir. O central do Benfica está a crescer de tal maneira que não sei quanto tempo vamos poder ter o prazer de o ver a defender o manto sagrado. 

Samaris, Florentino e Taarabt apareceram nos lugares de Fejsa, Gabriel e Rafa, voltaram a dar óptimos sinais de validade como opções para titulares. A equipa pareceu segura e confiante, regressamos à exibição de Moreira de Cónegos. Apesar do golo sofrido, os ataques do Benfica voltaram a render quatro golos. Missão cumprida.

Falta falar do pré jogo. 

A viagem Lisboa - Santa Maria da Feira fez-se bem e sem paragens. A ideia era atacar logo o almoço bem perto do estádio. A escolha foi o restaurante Adega O Monhé. Fomos para a especialidade da casa, um cozido à portuguesa dentro de pão. Tem que ser encomendado porque é feito de véspera. O Chefe vem à mesa abrir o pão e explicar o processo de confecção. Há vários tipos de carne, enchidos, um molho apurado e couves no ponto.

Aprovadíssimo. Ficam as fotos para testemunhar o repasto:

Almoço bem sucedido, curta viagem para o estádio. Três pontos conquistados e para aproveitar esta dádiva de termos um jogo a terminar a horas decentes, desvio no regresso a casa para matar saudades do arroz de tomate com pasteis de bacalhau e panados no Manjar do Marquês em Pombal.

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Domingo à noite em casa, missão cumprida. Menos um jogo para terminar o campeonato e a mesma sensação, temos capacidade para vencermos os próximos seis jogos. Tarefa árdua mas que tem de ser cumprida porque o nosso concorrente parece já ter esses jogos todos ganhos como temos constatado jornada após jornada. 

Benfica 1 - 0 Tondela: Obrigado, Seferovic

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Muito obrigado, Seferovic pelo fim de noite feliz e aliviado. Foi o único momento que salvou este sábado.

Desculpem o tom negativo, eu tenho sempre trazer aqui alguma emoção, muita subjectividade. Até podia dizer que uma vitória arrancada assim na recta final é mais emocionante e contraste com aquela monotonia que eu defendo para todos os jogos o do Benfica. Mas nem me apetece ir por aí. 

Passadas umas horas após o final do jogo não me passa um estranho desconforto que continuo a sentir. É horrível esta sensação que isto não depende só do trabalho da nossa equipa. E hoje vou mesmo desabafar.

Eu sei que foi má ideia, mas, talvez, pela hora do jogo eu estive a ver o Braga - Porto com atenção. E o que levo dali é facilidade e as certezas com que se marcam penaltis para o Porto e no lance que daria penalti para o Braga nada acontece.

Este desconforto é transportado para a Luz. Quando vejo o João Pedro a fazer um penalti do tamanho do estádio sobre Samaris e acontece o mesmo que aconteceu ao Braga, isto é, rigorosamente nada, a racionalidade deixa de funcionar. É demais.

Porque raio é que eu pago o meu lugar cativo no estádio e tenho de levar com Xistras?! Um árbitro que a última vez que tinha aparecido foi naquela famigerada final 4 da Taça da Liga, também conhecida como uma das maiores vergonhas do ano.

O Pepa e o Tondela não têm nada com isto, jogaram bem e fizeram o seu trabalho. O Benfica esteve longe de fazer um grande jogo e Taarabt foi a grande surpresa da noite. Mas lidar com gente como este Xistra e a sua equipa mais o VAR é desesperante.

Desculpem, mas hoje não senti nenhum prazer em adorar este jogo. Hoje senti que é muito fácil desrespeitar o Benfica. 

Só me apetece agradecer ao Seferovic, o golo e a vitória. Não há mais nada de bom a tirar deste dia. Nem o ambiente no estádio. Se queremos ser campeões também temos de fazer a nossa parte de fora. O Benfica é muito melhor apoiado fora da Luz do quem em casa, onde o ambiente tenso passa para dentro de campo uma ansiedade prejudicial. 

Enfim, foi só mais um dia no futebol português. Acabou bem para o Benfica mas isto é tudo deplorável.

Moreirense 0 - 4 Benfica: O Lindo Pôr do Sol de Moreira de Cónegos

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Todos os domingos deviam ter um pôr de sol, ou sunset, como agora se diz, parecido com este que vivemos no Minho. Assim como, todos os jogos do Benfica deviam encaminhar-nos para a tal monotonia maravilhosa de sentirmos os três pontos conquistados quando ainda só passou uma hora de jogo. Um resultado tranquilo que nos permita desviar o olhar do relvado nos tempos mortos e contemplar a paisagem. Ou comentar com o companheiro do lado que o almoço estava tão delicioso que, se calhar, não precisamos de ir ao Manjar do Marquês para baixo. Este tipo de discussões que tem quando o jogo corre bem. No fundo, jogos que a minha vida precisa.

Mas tudo começa com os nervos no auge. Mesmo que não queiramos, trazemos na memória que o nosso rival nesta corrida ao título teve logo um penalti oferecido, negado pelo VAR, e um adversário amarelado, expulso pelo VAR, nos primeiros 6 minutos do seu jogo na véspera.

Quando vemos o Grimaldo a arrancar pela esquerda e a ser atingido da maneira perigosa que a foto de baixo testemunho, não queremos só uma falta. Queremos coerência numa guerra brutal que é a luta pelo título em que todos os pormenores contam. 

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Nem amarelo houve para o jogador do Moreirense! É disto que estamos a falar, não vejo a mesma coerência entre dois jogos separados por menos de 24 horas. Como não vi coerência da parte do árbitro da véspera em relação ao que tinha decidido na Luz na 2ª feira passada. É o que temos. 

A esperança é que a invasão que pintou o Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos, de vermelho fosse motivação suficiente para a equipa de Bruno Lage ultrapassar todas as contrariedades e partisse para uma exibição convincente. 

Depois de uma noite europeia jogada com prolongamento há, apenas, três dias, a equipa do Benfica respondeu com personalidade, categoria, qualidade e frescura física que fazem corar de vergonha todos aqueles que desejaram a eliminação do clube da Liga Europa. Com boas ou más intenções. 

Este 0-4 no Minho veio demonstrar que não há dramas competitivos quando o objectivo é ganhar mais, é jogar melhor, é ir o mais longe possível e ter a ambição de vencer competições. 

Exibição gigantesca de Gabriel. O destaque é merecido mas toda a equipa esteve em enorme nível. O golo de Jonas deve ter sido o mais festejado deste fim de tarde mas com isto do VAR a vontade de celebrar esfuma-se. Quando João Félix faz o 0-1 lá no outro lado, é uma pintura belíssima que cravamos na nossa memória. A bola passa, chega ao João que está enquadrado com a baliza. Nós estamos enquadrados com o lance, bem de frente lá no outro lado na bancada visitante. A baliza está enquadrada com uns painéis onde se destaque o emblema do Moreirense. Por trás as enormes verdes árvores, o céu azul e o sol a brilhar com grandes nuvens brancas. E nestes segundos em que conseguimos enquadrar isto tudo sai um remate perfeito, cheio de força, indefensável, como que a querer dizer cheio de raiva: anula lá isto agora!

 

São pormenores que capto porque já nem me apetece festejar muito, só gritar golo e ficar a olhar para o árbitro que tem sempre dúvidas quando o Benfica faz um golo. E têm sido tantos. Os golos marcados e anulados. 

Depois do árbitro dar ordem para seguir o jogo é que o marcador da casa passa para 0-1. Quando o jogador do Moreirense toca na bola, o árbitro de imediato se benze! Um gesto que repetiu em todas as saídas de bola após os golos. O que me faz concluir, com todo o respeito, que se calhar o senhor devia estar na missa de domingo porque para se expulsar um jogador por aquela falta no Grimaldo não é preciso ser católico, é ser só competente.

Nem vou comentar a "polémica" com um lance de uma bola que nem entrou...

Samaris, perto do intervalo, aproveitou mais um canto de Pizzi e deixou-nos em paz.
Na 2ª parte era urgente fazer o terceiro para não haver pensamentos sobre o jogo com a SAD Codecity. Jonas lançou Rafa que nos fez o favor de descansar com o 0-3. Até ao 0-4, um golo engraçado em que se nota que Florentino é tão bom no desarme que até pode fazer marcar assim, foi uma tranquilidade absoluta que muito aprecio. 

A tal folga para olhar para este pôr do sol.

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Sobre o almoço remeto-vos para a crónica do jogo com o Aves quando falei da Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. Em equipa que ganha não se mexe, e voltámos em peso a este espaço que tem uma vitela estupenda. É tudo bom, a comida, o vinho, o atendimento e a simpatia do pessoal da casa. Até deu para ver a vitória do Liverpool na televisão da sala.

As viagens de regresso assim até custam menos, Houve paragem na Mealhada, claro, mas só deu para um rissol de leitão que o almoço ainda não estava digerido. 

A Liga Portugal podia pensar na diferença que faz para os adeptos um jogo terminar às 20h em vez de começar às 21h, ou perto disso. É que assim, conseguimos chegar a casa a uma hora minimamente decente e aligeirar os problemas familiares que estas deslocações irracionais e anti sociais, nos trazem. Pensem nisso. 

O Benfica é líder, está na corrida em mais duas competições, anda a jogar bem, marca que se farta e tem um treinador que nos orgulha no campo e nas salas de imprensa. 

Lidem com isso. 

 

Benfica 2 - 2 Belenenses SAD : Suicídio Assistido

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Uma das muitas coisas boas que o Benfica trouxe do Dragão na jornada anterior foi o facto de poder empatar um jogo dos últimos 10 do campeonato e continuar a depender de si para ser campeão. 

Pois bem, o empate apareceu quando menos se esperava e agora sobram 9 jogos sem margem para errar. 

O mais complicado vai ser explicar daqui a alguns anos como é que o Benfica perdeu pontos num jogo destes. Contra uma SAD que ninguém sabe ao certo como se chama, sem emblema, sem estádio e sem adeptos, o Benfica deixou escapar cinco pontos.

Na primeira volta entrou bem, falhou um penalti e acabou por perder o jogo. Esta noite, teve imensas dificuldades em chegar à vantagem e quando parecia confortável com o 2-0 cede um empate. Incompreensível.

Destaque para a simpatia de Soares Dias no Jamor e de Capela na Luz para com a equipa de identidade misteriosa com duas arbitragens que explicam porque é que Portugal não tem representantes em provas como o Mundial ou a fase decisiva da Champions League.

Acima destes mistérios está Silas que montou uma bela equipa com o plantel que tem e revela uma identidade forte no jogo. Obrigou o Benfica a jogar por fora, levou a equipa de Lage a exagerar nos cruzamentos porque fechou por dentro e raras vezes o Benfica conseguiu jogo interior com qualidade. 

Mérito do trabalho de Silas. Só que esse mérito não lhe dá o direito de estar acima de Rúben Amorim, por exemplo. O treinador do Casa Pia anda a ser perseguido por não ter curso e dar ordens para a equipa no banco. Hoje vi Silas a fazer o mesmo e ninguém pareceu muito preocupado. Vivemos no futebol do faz de conta, como sabemos.

Quando Jonas fez o 1-0 e festejou com Bruno Lage tudo parecia bem encaminhado para mais uma noite feliz. Depois Samaris rematou para o 2-0 e sentiu alivio. Longe de pensar que Odysseas pudesse facilitar daquela maneira. Ressuscitou a SAD azul. Como se não bastasse, Rúben Dias ofereceu o 2-2. Dois jogadores importantíssimos na vitória no Dragão que hoje não deviam ter falhado mas falharam. 

Cabe à equipa reagir e mostrar que tem fibra de campeã.

Isto hoje foi um suicídio assistido tão surpreendente quanto triste. Há que reagir na próxima 5a feira para seguirmos moralizadas para Moreira de Cónegos.

Percebem porque é que prefiro a monotonia dos resultados sem emoção? 

Porto 1 - 2 Benfica: Ultrapassagem Histórica

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Fez-se história no Porto. Cheguei a ir ver o Benfica às Antas mas nunca vi um triunfo lá. No Dragão tenho ido várias vezes e nunca apanhei o Benfica a vencer. Hoje foi o dia em que tudo mudou. Vi o Benfica revirar um resultado no Porto, festejei uma enorme vitória e vi o Benfica regressar à liderança do campeonato. Mesmo assim, nada disto foi o mais importante e marcante deste sábado passado na A1 para cima e para baixo só para estar no estádio com o Benfica. O momento em que tudo fez sentido aconteceu uns minutos antes do jogo começar. A equipa do Benfica corre para a nossa bancada, que já fervia de entusiasmo desde o aquecimento, e André Almeida deu a mão ao companheiro do lado que fez o mesmo e assim sucessivamente, até que toda a equipa se curvou perante aqueles milhares de adeptos replicando a lendária vénia dos jogadores ao Terceiro Anel em pleno estádio do Dragão. Emocionei-me de verdade. Um simples gesto, uns segundos de empatia, o suficiente para sentir logo ali que se vivia uma noite especial. 

Fiquei arrepiado pelos que fizeram as viagens comigo, pelos companheiros habituais destes dias à Benfica a galgar Km's pelo país fora e que estavam espalhados pela bancada, por todos aqueles que não puderam estar ali connosco, por todos os que foram ao hotel receber e, principalmente, despedirem-se da equipa com entusiasmo, por todos os que passaram a vida atrás do Benfica e já não estão entre nós e, especialmente, para o Sérgio, que mais do que ninguém, merecia estar ali a aplaudir a vénia.

 

O jogo começa e está muito fácil acompanhar os jogos do Benfica actualmente. Porque gosto do "11", porque adoro a ideia de jogo do Benfica, porque confio no trabalho que nos apresentam, porque sinto que vamos ser felizes e porque sei que temos talento e capacidade para brilhar nas grandes noites.

E nem quando sofremos um golo em pleno Dragão, o entusiasmo diminui. Escrevo estas linhas para lá das 3 da manhã e ainda não tive oportunidade de ver com calma o jogo na televisão mas fiquei com a clara impressão que o 1-0 não devia ter sido validado por influência de Pepe em fora de jogo a perturbar a visão de Odysseas. Mas depois do que vimos na meia final da Taça da Liga, já nada me espanta...

Tal como em Braga, o Benfica respondeu forte. Sempre que a bola entra nos homens do meio campo para a frente, sentimos que algo de bom pode acontecer. Gabriel, Pizzi, Rafa, Felix e Seferovic movem-se com um aviso invisível na testa a dizer perigo em construção

Festejei muito o golo do João. Imaginei várias vezes que ele marcaria naquela baliza. Nenhum dos meus desejados festejos fez justiça ao festejo de Félix. De braços cruzados a olhar para a "curva" legalizada depois de deslizar de joelhos. Uma imagem imortalizada em belas fotografias só superada pela pressa de Rafa a ir buscá-lo e com a bola debaixo do braço a dizer que o empate não serve. Isto é o Benfica, queremos ganhar.

Ironia do destino, foi Rafa quem culminou uma bela ideia de Pizzi, rematou sem hipótese para Casillas. Estava feita a remontada, chegava o Benfica à liderança novamente. 

Sérgio Conceição mexeu e remexeu, reagiu à expulsão de Gabriel, mais uma para o Benfica num clássico, e o Benfica sempre manteve as linhas. Lage lançou com calma Gedson, Corchia e Cervi. 

Na recta final o Porto acertou na barra, Odysseas fez uma grande defesa, Samaris fez um magistral corte e o Porto acabou desesperado a tentar empatar num livre directo que nada deu. 

O Porto perdeu e perdeu bem. Saiu derrotada a esperteza de uma cura milagrosa num pobre Marega que a meio da 1a parte já se arrastava, saiu derrotada a espertice do treinador do Porto muito confiante em saber tudo do 11 do Benfica e saiu derrotada toda aquela inveja e ódio vindo das bancadas do Dragão. 

É golos marcados, vitórias consecutivas, vitórias nos dois clássicos, enfim, uma chuva de recordes que vão caindo perante toda a tranquilidade do mundo que Bruno Lage apresenta. Vivem-se dias bonitos na Luz.

Se a vénia no pré jogo marcou a noite, há que dizer que o agradecimento da equipa não lhe ficou atrás. Aquele agradecimento genuíno e ciente que foi um grande resultado mas que continua tudo na mesma. Na próxima jornada temos de começar tudo do zero e somar mais 3 pontos. Será assim até ao fim. 

Abandonar a familia por um sábado dedicado ao Benfica teve uma recompensa muito valiosa, daí toda aquela alegria no final. E não se preocupem que ali naquela bancada ninguém deu nada por conquistado ou resolvido. Antes pelo contrário, a capacidade de sofrimento aumentou.

 

Por falar em sofrimento, o que dizer do apedrejamento ao autocarro do Benfica e à viatura do Presidente? Repetiu-se a loucura de 2010 e a ideia que dá é que as pessoas com responsabilidades neste país querem fazer passar que é uma situação perfeitamente normal e justificada naquele ponto do país. Lembram-se da final da Libertadores entre River e Boca? Recordam-se do que se disse e escreveu sobre o adiamento desse jogo que passou de Buenos Aires para Madrid? 

Pois, parece que sendo no Dragão é tudo perfeitamente normal e aceitável. 

Não é. É gravíssimo e devia ter consequências imediatas.

Escrevi isto e já estou a imaginar que a resposta seja mais um pedido de interdição do Estádio da Luz...

 

E o que dizer dos adeptos legalizados? Os que, teoricamente, atacam viaturas oficias do clube que os visita e que podem colocar panos num local estratégico com campo de visão junto ao relvado a dizer Ides Sofrer Como Cães. O PAN não se incomoda com isto? Não era de perguntar à Liga porque é que um pano destes entra no estádio, quando todos os que vamos aos jogos sabemos o controlo apertado que nos fazem até com frases em cachecóis?

 

Por fim, hoje tinha sido um grande dia para o Secretário de Estado do Desporto, para os responsáveis do IPDJ, para governantes, para responsáveis da Liga Portugal e da Federação Portuguesa de Futebol, tiraram os rabinhos do sofá e fazerem-se à estrada para perceberem como estão tão longe da realidade quando pensam que controlam isto tudo com comunicados, entrevistas e ameaças. Hoje não houve comboios. Tirando seis autocarros de um grupo organizado de sócios do Benfica, o resto foi tudo de carro. Se os adeptos do Benfica tivessem receio, fossem mais racionais, sentissem medo deste desafio, muitos lugares tinham ficado vazios. 

É uma tremenda irresponsabilidade, acharem que mais de 2500 adeptos se deslocam à cidade do Porto sem perceber muito bem onde e como estacionar as viaturas e que tudo vai correr sem problemas. Hoje tudo podia ter descambado muito facilmente, as pessoas com responsabilidades à volta do futebol deste país não sonham com o que é um contexto desta natureza. Felizmente para elas e para nós, a malta só quer ver o Benfica e estar ao lado da equipa. Por isso, todos fazem estas loucuras esperando sempre que tudo corra bem. E hoje correu, o Benfica ganhou. Mas aquela imagem de dezenas de carros a chegarem e meia dúzia de policias completamente perdidos perto do local onde indicaram como ponto de encontro, será sempre inesquecível. 

Continuem a brincar com isto. 

Uma coisa é garantida, o Benfica terá lá sempre a sua gente, seja onde for, seja contra quem for. A vontade de ver o Benfica é maior do que qualquer racionalidade. 

A paragem para almoço foi em Condeixa na Casa da Júlia. Leitão da Bairrada, entradas simples de chouriço picante e queijo seco. Vinho branco à pressão e uma sobremesa baseada em ovos moles. Tudo aprovadíssimo. 

No regresso, a afluência à estação de serviço da Mealhada era de tal ordem caótica que só parámos em pombal. Aposta na sandes de leitão e pastel de bacalhau. A sandes não tem comparação com a da Mealhada. Pior, embora o preço seja um roubo na mesma. 

Foi uma vitória muito importante, histórica e coloca este maravilhoso Benfica de Bruno Lage na frente. Agora começa uma nova era e um novo desafio para Lage, manter o primeiro lugar até ao fim. 

Da nossa parte, há forças para isso, assim sendo, entreguem-se treino a treino, jogo a jogo, como diz o Mister , para manter e aumentar o nível de satisfação. 

Saborear esta bela jornada e depois começar tudo do zero. 

 

 

Benfica 4 - 0 Chaves: O Fabuloso Hábito de Golear

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Vou começar pelo fim. Fiquei intrigado com a reacção de Gabriel, ainda no relvado, ao receber o justo prémio de melhor em campo. Só mais tarde fiquei a saber que perdeu a sua avó antes do jogo mas fez questão de jogar. Fez uma excelente exibição e recolheu ao balneário a chorar. 

É uma situação rara que merece que se comece o texto por aqui. Gabriel é um dos nossos, está num momento de forma incrível e hoje mostrou um profissionalismo e um compromisso com a equipa que não será esquecido. Grande abraço, Gabriel. Obrigado! 

 

No pólo oposto coloco o treinador do Chaves. Tenho todo o direito de não gostar de Tiago Fernandes, assim como ele teve todo o direito de dizer o que bem lhe apeteceu até ser goleado na Luz. Não quero deixar escapar a oportunidade de dizer que a equipa do Tiago foi do mais ridículo que vi na Luz nos últimos tempos. Defender com dois blocos de cinco jogadores muito baixos, abdicar de pressionar alto e apostar tudo num 0-0 à anos 80, já nem o pai do Tiago fazia disto. 

Quando golear se torna um hábito é sinal que algo de muito bom está a acontecer na minha vida. Vivo bem sem a incerteza no resultado, vivo muito bem com intervalos em 3-0, sou capaz de passar o resto da minha vida a ver o Benfica a jogar assim e a vencer sem emoção nenhuma. João Félix, Seferovic, Rafa e Jonas, todos a marcarem e, mesmo assim, a plateia lamenta que Jota ainda não tenha molhado o bico. É este Benfica que gosto. 

Ver Florentino a titular e achar que ele já ali está há várias épocas naquela posição, é este o nível de confiança que tenho ao ver o Benfica jogar.

 

Jogos com a equipa visitante, o Chaves, neste caso, a levar 3-0 mas preferir perder tempo e optar pelo anti jogo para evitar levar mais em vez de tentar mostrar algum futebol que se veja, um objectivo de vida que hoje foi largamente atingido.

Ter uma vantagem tão confortável no marcador que dá para nos rirmos da eficácia entre equipa de arbitragem e VAR. Uma lástima, o que Manuel Mota veio fazer à Luz. 

 

Tudo isto está muito bem, tudo isto é muito bonito mas a seguir é que vem o jogo mais importante. Porque é o próximo e porque todos estamos a pensar no mesmo, continuar este bom futebol e estes bons resultados. 

 

PS: devolvam as riscas verticais à camisola do Chaves. este equipamento é ridículo.

 

Aves 0 - 3 Benfica: Tudo Parece Fazer Sentido

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Depois dos quatro em Alvalade, terreno de anti benfiquistas, da épica goleada contra a equipa do anti benfiquista Costinha, o campeonato seguiu esta noite na Vlia das Aves, casa do anti benfiquista Inácio. Isto, só para contextualizar o nível de dificuldade dos desafios que Bruno Lage tem ultrapassado na Liga. E, mesmo assim, tivemos que ouvir que o Costinha facilitou, que o Inácio não teve hipótese porque o Benfica recorre a doping, e o Sporting levou quatro porque... enfim, alguma coisa ainda se há de inventar sobre o derby. Até agora não lhes ocorreu nada.

A vitória nas Aves foi tão tranquila e natural como monótona e sem emoção. Como todos sabemos, é esta a definição de noite ideal para os benfiquistas. Ganhar sem espinhas nem sobressaltos. 

Seferovic a marcar pelo sétimo jogo seguido, Rafa a fazer um belo golo e Ferro a assinar o seu segundo golo na equipa principal. Depois, viu um vermelho para que ninguém acuse o Benfica de bullying.

Uma das perguntas que mais oiço antes de um jogo como este é: como é que consegues ir numa 2ª feira à Vila das Aves ver o Benfica?
A pergunta é interessante e merece resposta. Mas a questão mais correcta seria porque é que temos de ir à Vila das Aves ver o Benfica para o campeonato numa 2ª feira à noite?

Bem, quem alinha nestas pequenas loucuras sabe que a principal motivação é ver a sua equipa ao vivo. Uma das melhores experiências que se pode ter em vida. De tal maneira boa que depois de experimentar uma vez, o adepto vai querer sempre repetir. 

Depois tem uma aliado fortíssimo na fraca qualidade das transmissões televisivas dos jogos fora do Benfica. As narrações, os comentários, as realizações, a omissão de imagens de adeptos benfiquistas, enfim, um belo incentivo a ir ver o Benfica, seja onde for. 

Quem o faz frequentemente, ver jogos do Benfica fora de casa, rapidamente percebe que o grupo de viajantes é quase sempre o mesmo. Seguindo esse pensamento, para escolher parceiros de viagens, o universo é reduzido. 

Para vos poder explicar isto, escrevo esta crónica pelas 3 da manhã, quando quase todos vocês dormem profundamente, e bem. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, estar presente num jogo desses não significa ter uma vida muito melhor social e financeiramente do que o comum mortal. Só é preciso ter uma motivação: querer muito estar lá. Havendo essa determinação há que tentar mudar o mundo, passe o exagero. Decidir acordar mais cedo para que a manhã renda mais a nível profissional, sacrificar um dia de férias para ir viajar sem receios, explicar em casa que se vai chegar a casa muito depois da meia noite numa 2ª feira, estar mentalmente preparado para passar o resto da semana com sono atrasado destas viagens, acumular trabalho para compensar a ausência de 2ª feira, trocar folgas, trabalhar no fim de semana, abdicar de ir ver um concerto de uma banda apreciada lá em casa, enfim, como se pode ver, tudo opções muito objectivas e sem glamour nem luxo nenhum. Sem sinais de riqueza, sem possibilidade de ser considerada uma grande vida, apenas e só esforço e gestão de tarefas. 

Tudo isto é reduzido a nada quando estamos na bancada a assistir ao golo que Seferovic faz logo a abrir a partida, como que a dizer-nos: faz tudo sentido. 

Claro que há mais recompensas para tanta dedicação. A componente também costuma ser forte. Já que vamos para tão longe num dia improvável, então há que contemplar a gastronomia local. Desta vez, a escolha foi a Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. A habitual simpatia nortenha no atendimento, uma vitela deliciosa e no ponto, depois de umas entradas de enchidos e queijos com broa, e um pão de ló molhado feito de propósito para a nossa sobremesa. Uma refeição que já justificava a viagem.

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Se estiverem por perto, avancem à confiança.

Costuma ser complicado, quando as refeições atingem este nível de excelência, sermos brindados de seguida com um jogo que nos traga tranquilidade e serenidade na conquista dos 3 pontos. Hoje voltou a aconteceu aquele triunfo monótono de que tanto gosto. Um 0-3 natural e sem margem para discussões. 

Tudo a dar sentido ao investimento de tempo e dinheiro, tudo a justificar as mudanças profissionais e familiares. Tem estado a correr bem, no que diz respeito ao futebol do Benfica. Mas quando nada parecia fazer sentido, quando o clube passava anos e anos a adiar a reconquista do seu estatuto, tudo também fazia sentido. Porque o Benfica também são os que o seguem da maneira que podem e da forma que conseguem. 

Que se mantenha esta felicidade até ao final da época e, assim, as noites mal dormidas, as horas passadas nas estradas, o frio do rigoroso inverno do norte, e os olhares desconfiados de quem nos pergunta porquê, tudo é encarado com um sorriso. Um sorriso à Benfica! 

 

 

Benfica 10 - 0 Nacional: Hoje Soube-me a Tanto

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Em dez anos de blogue nunca pensei um dia escrever num título de uma crónica de um jogo para o campeonato o número 10 no resultado. Aconteceu a 10 de Fevereiro de 2019, num dia que se celebravam os 60 anos do genial 10 dos anos 80 do Benfica, Chalana. 

Nunca dá para prever quando chegam estes momentos. Já sabia que até 1965 o Benfica tinha chegado a resultados dois digitais por 8 vezes. Sinceramente, pensei que não ia viver o suficiente para testemunhar um marcador assim. 

Nestas alturas, em vez de ficar eufórico, gosto de olhar calmamente para trás e, antes de mais nada, lembrar-me do que senti nas noites em que levei 7 ou 5 de maneira inesperada. Da dor do regresso a casa. Dos dias seguintes. Das voltas que a vida dá. Na primeira vez que vi o Benfica levar 7 acabei a época a festejar o campeonato e a Taça frente ao clube que tinha feito tamanha desfeita. Ainda hoje eles festejam a noite dos 7, para nós foi só mais uma época que terminou com uma dobradinha. Relativizar goleadas nas horas más ajuda a conviver com goleadas nas horas boas. Claro, que para um 10-0 ninguém está preparado porque nenhum de nós viveu isto antes.

Uma viagem no tempo para recordar goleadas fortes. Aqueles 9-0 ao Marítimo no começo dos anos 80, chapas 8 ao Vitória De Guimarães, Braga, Varzim ou Famalicão. Mais recentemente, aqueles 8-1 que nos fizeram lembrar outros 8-1 dos anos 80 ao Alcobaça. Falo de resultados que muitas vezes são recordados entre benfiquistas.

Em 2019 veio a compensação por décadas de fidelidade aos jogos no Estádio da Luz, aconteceu mesmo um 10-0! 

Aparece um resultado destes, depois de termos dado 5 ao Boavista, depois de ganharmos duas vezes em Guimarães  onde nenhum dos outros 3 primeiros venceu, depois de ganharmos dois derbys seguidos. Derbys, que como aqui escrevi, souberam a pouco. 

E agora percebe-se melhor porque é que soube a pouco. Este foi o tipo de resultado que chegámos a sonhar em Alvalade, e antes do intervalo na Luz, nos últimos dois derbys. Daí o desalento no rescaldos daqueles 6-3. 

O contexto destes 10-0 é perfeito. Dia de casa cheia com a presença de milhares de benfiquistas das Casas do Benfica. Dia de homenagear Chalana. Dia para dar continuação ao excelente balanço dos derbys e aproveitar o empate do líder para reduzir para um ponto a desvantagem no campeonato. 

Tudo conseguido na perfeição. A estreia de Ferro a titular e um golo marcado, o regresso de Jonas com um bis e a estreia de Florentino com números impressionantes em menos de meia hora em campo. Este plantel do Benfica promete muito para o que aí vem. 

O que dizer da malta que, mesmo assim, continua a sair do estádio antes do jogo acabar? Nem com o resultado a caminha para um 10-0 é suficiente para garantir a presença de todos até ao fim.

Que bonito foi ver a preocupação dos jogadores do Benfica após o apito final a irem confortar todos os jogadores do Nacional numa noite tão atípica como esta. Bonito também o discurso do treinador do Benfica com palavras elogiosas para com o adversário. 

O que se pode dizer depois de um vendaval destes? Nunca é tarde para sermos surpreendidos e compensados pela nossa lealdade ao clube. Hoje foi mais do que 3 pontos, hoje foi mais do que uma goleada, isto hoje foi um rápida viagem ao Benfica do antigamente, aquele que parece ser sempre incomparável, para vincar um grande momento na vida do futebol do clube. Ter assistido a isto é um privilégio. Mais um.

Depois da dose dupla dos derbys recuperei Sérgio Godinho a cantar que "soube-me a pouco". Faltava esta noite para completar: "Hoje soube-me a tanto"!