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Red Pass

Rumo ao 38

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Pedro Adão e Silva Explica Jorge Jesus

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A crónica na última página de ontem no diário Record de Pedro Adão e Silva, que já tem colaborado com o Red Pass, diz tudo sobre a importância de Jorge Jesus no futebol do Benfica. Vale a pena reproduzi-la aqui:

 

"Com ele passei a ter uma visão geral do futebol. Com os outros, treinávamos o ataque, a defesa, mas não havia essa ideia de conjunto. Todos os jogadores deviam ter a oportunidade de treinar com um treinador assim." Cito de cor, mas julgo estar a ser fiel às palavras de Jonas a propósito de Jorge Jesus, aos microfones da TSF, no final do Benfica-Marítimo. Jonas, esse mesmo, que, quando parecia ter chegado ao ocaso da sua carreira, redescobriu o prazer pelo futebol e ajudou a decidir o título.

 

Notem bem, foi Jonas que o disse, mas poderia ter sido qualquer outro jogador - e nem precisava de ter nome de profeta. Há, aliás, uma estranha unanimidade: tenham jogado muito, pouco ou até quase nada, pouco importa, todos os jogadores que passaram pelas mãos de Jesus elogiam a sua visão singular sobre o futebol.

 

Podia, é um facto, não passar de um treinador com capacidade de inovação, mas Jesus traduz a sua ideia de jogo em resultados e, não menos importante, em espetacularidade. Tem, é claro, defeitos (à cabeça a teimosia e a dificuldade em montar uma equipa também capaz de controlar o jogo com bola), contudo, no Benfica dos últimos tempos, há um antes e depois de Jesus.

 

A equipa hoje tem uma ideia de jogo, uma organização coletiva com poucos paralelos e uma identidade de tal forma robusta que vão mudando os jogadores e, com auxílio de dois pares de líderes no balneário, a diferença quase não se sente, mesmo quando joga o "Manel". Nos últimos seis anos, o Benfica só se encontrou em duas situações: vencer títulos ou disputá-los até ao fim.
 

 

Com Jesus como treinador, o Benfica arrisca-se a continuar a ganhar. Sabemos nós, benfiquistas, e sabem-no também adeptos e dirigentes dos nossos rivais. Para que Porto e Sporting vençam o Benfica, já não basta terem jogadores talentosos, precisam, também, de apresentar uma enorme solidez coletiva. O suplemento que Jesus oferece ao Benfica.
 
 

Quem é o Xavier?

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Esta é uma pequena ajuda para adeptos e jornalistas que acompanham as conferências de imprensa do Benfica.

Já aconteceu Jorge Jesus falar num Xavier no lançamento de um jogo. Na altura pareceu-me que ninguém estranhou mas também fiquei com a ideia que poucos perceberam na sala de imprensa.

Aqui fica a explicação dada pelo próprio treinador do Benfica.
"Como já temos um Jonas e um Alan Jonas, mais um Jonathan só ia baralhar. Por isso, perguntei-lhe: Olha lá, no Uruguai como te chamam? E ele responde Jonathan. Isso não pode ser, já temos dois Jonas. Não tens mais nenhum nome? Responde o jogador, às vezes chamam-me Xavier... Pronto, está óptimo! Ficas o Xavier.

Portanto, agora já sabem.

O Almoço com Jorge Jesus

 Muito poucas refeições na minha vida podem despertar tanto interesse e curiosidade de terceiros como um almoço com Jorge Jesus. Nos últimos anos tenho ouvido relatos de amigos e conhecidos que já tiveram a sorte de privar com o treinador do Benfica e a conclusão é sempre a mesma, são momentos inesquecíveis. Ontem chegou a minha vez.

 

Como acontece tamanho acontecimento? Da melhor forma possível, isto é, de maneira completamente inesperada. São aqueles momentos em que a vida parece fazer imenso sentido e que tudo parece estar ligado. Sem grandes pormenores faço aqui um curto regresso ao passado só para mostrar como do nada e das maneiras menos previsíveis acontecem as grandes coisas.

A chave desta equação é uma senhora. Uma senhora voz que me habituei a ouvir nos saudosos tempos da Super FM nos anos 90. Na altura tive oportunidade de a conhecer pessoalmente porque ia várias vezes aos estúdios da rádio levantar prémios de passatempos. Criou-se uma cumplicidade pela sua simpatia e pelo seu benfiquismo, claro.

Depois a rádio acabou, apareceu a internet, os anos passaram e as vidas seguiram. Um dia estou a ouvir rádio Marginal e reconheço a voz que mais tarde vim a confirmar ser da Catarina. Fiquei feliz por saber que continuou ligada à sua paixão. Com as facilidades das redes sociais e de amigos comuns que gostam tanto de bola como de música, como eu, foi com relativa facilidade que voltei a reencontrar Catarina Pereira Santos. Com o chat do facebook não há distâncias e rapidamente pusemos a conversa em dia. Dos anos 90 aos dias de hoje existem umas redes sociais a ligarem tudo.
No dia da conferência de imprensa de apresentação do Super Bock Super Rock, ainda no ano passado, deu-se o reencontro pessoal. Daí ao convite em ir à Rádio Radar, do grupo de rádios a que a Catarina está ligada, para gravar uma hora de música na Hora do Bolo ( vai para o ar amanhã às 17h ) foi um instante. A tal gravação aconteceu esta semana e logo um novo objectivo se levantou. A Catarina fala regularmente com Jorge Jesus e quando teve a sua oportunidade de ir almoçar com ele quis estender a honra a outros benfiquistas que estima. Sorte a minha que fui um dos desafiados para tal momento.

Foi assim que numa 5ª feira se juntou um grupo de benfiquistas rumo à Costa da Caparica. A Catarina, eu, o Pedro Moreira Dias da Vodafone FM, Jorge Moreira, uma voz com grande história radiofónica, actualmente na Nostalgia, e o meu grande amigo Paulo Garcia, homem do Planeta Pop.

 

Obviamente, não vou aqui contar o teor de uma tertúlia que durou várias horas à mesa. Cada um de nós ficou com a sua recordação de uma tarde inesquecível. A minha experiência posso resumir aqui numas palavras. E , acrescento, que se come muito bem na esplanada do Barbas virada para o mar.

 

Confirmei todas as impressões que já tinha sobre Jesus. Até ontem tinha conversado com ele duas vezes em jantares de aniversários ligados ao Benfica. Desta vez foi diferente porque o ambiente era descontraído e houve tempo para se criar uma certa confiança e abordar muitos temas.

Jesus é genuíno, confiante, apaixonado pelo seu trabalho, entusiasmado com o presente e bem resolvido com o passado, realista, puro, frontal, excelente conversador e contagiante.

Ouviu cada um dos seus convidados com atenção. Todos tivemos tempo para partilharmos com ele as nossas histórias de benfiquismo, as opiniões, as nossas dores, o nosso agradecimento. Não foge a nenhum tema.

Da minha parte deixei claro que gostava que renovasse dez anos e fiquei a saber que o treinador não é insensível a estas manifestações. Gostei de o ouvir dizer que aprendeu a gostar do Benfica, aprendeu a compreender o Benfica e aprendeu a perceber a grandeza do Benfica. Vê-se que está perfeitamente confortável no seu lugar e que pode continuar lá muito tempo. No entanto, parece-me que neste momento não há certezas quanto ao futuro.

 

O mais impressionante quando se priva com Jorge Jesus é perceber que ele é tudo aquilo que nos habituámos a ver nas conferências de imprensa e nas entrevistas. Nunca o apanhamos em falso. Confirma as ideias, reforça opiniões que lhe conhecemos e convive bem com temas mais delicados. Disse-lhe que estive na goleada no Dragão, confessei que a seguir à derrota no Jamor com o Vitória achei que ele ia sair e eu conformava-me com isso entre outras recordações tristes. Responde a tudo sem rodeios e consegue mostrar que para ele também não foi fácil. Ele também já não esperava continuar após aquele horrível final de temporada. Ainda bem que ficou.

Agradeci-lhe o registo contra o Sporting e pedi para nunca ir lá parar, disse-lhe que Barcelona é bom para turismo mas não tem a paixão clubística que há aqui e tentei marcar novo almoço para quando fosse anunciada a sua renovação, ele preferiu combinar para quando formos campeões.

Se tivesse que escolher uma resposta para caracterizar a boa onda de Jesus ficava logo pela entrada da Catarina quando lhe perguntou se o treino tinha corrido bem. Resposta: os treinos correm sempre bem, os jogos às vezes é que é mais complicado. A rir-se.

Jorge Jesus é uma enorme figura, tem uma simpatia e espontaneidade incrível.

 

Quando soube em 2009 que era ele que vinha para o Benfica fiquei desanimado. Acreditava zero no seu sucesso. Cheguei a dizer isso ao Rui Costa depois de um derby em andebol no pavilhão da Luz. Isto para dizer que a minha admiração por Jorge Jesus veio do zero. Só a meio da primeira época é que me rendi. Depois tive alturas em que me desiludi com as suas escolhas, com as suas apostas e com as suas decisões. Mas aos poucos fui desenvolvendo uma admiração que cresceu imenso à custa dos muitos benfiquistas que o odeiam. De tanto querer explicar aos companheiros benfiquistas que não gostam de JJ que estão enganados acabo por ser elevado a fã de JJ. Achava exagerado mas agora já nem me importo. Assumo que gosto do nosso treinador e este almoço só confirmou que tenho razão em querer que ele fique no Benfica mais tempo. Foi uma grande honra, foi um dos melhores almoços de sempre. Eternamente agradecido à Catarina pelo convite.

Agora, ganhar ao Arouca, Mister! Muita fortes.

É Isso! JJ é Um Loser, Tragam de Volta o Quique. Ou o Engenheiro

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 O jornal A Bola hoje presta um serviço aos benfiquistas explicando que o actual treinador do Benfica falha nos jogos mais difíceis, bloqueia!

Apresenta uma página com vários quadros mostrando que "só" na Luz e nos jogos da Liga Europa é que não há muito por embirrar.

Em casa contra Porto, Sporting e Braga em jogos de campeonato desde 2009 o Benfica perdeu duas vezes com o Porto e empatou um jogo com cada um dos rivais. Um embaraço, portanto.

Fora de casa perdeu metade dos jogos que fez nos estádios mais complicados da Liga, venceu 25% dos jogos e empatou 25% das partidas.

Não é um registo exemplar mas em Alvalade só perdeu uma vez e com um penalti após dramática viagem a Londres.

Nas restantes provas nacionais apresenta três derrotas com os 3 rivais, todas com o Porto, uma na Luz, outra no Dragão (ambas para a Taça de Portugal) e outra em Aveiro para a Supertaça. Com o rival maior, o Sporting, só vitórias! Com o Braga um empate que acabou em derrota nos penaltis para a Taça da Liga. Na mesma competição um empate no Dragão que acabou em vitória nos penaltis.

 

Na Champions League o registo é realmente modesto. Fora de Portugal apenas 3 empates conquistados para 7 derrotas. Na Luz tantas vitórias como derrotas, quatro e um empate. Não são números bons.

Na Liga Europa, Jorge Jesus apresenta um quadro bem melhor mesmo tendo jogado com equipas como Juventus, Tottenham, Bordéus, PSG, Liverpool, Marselha, Everton, Estugarda ou PSV, que não vejo ali no quadro da bola e por isso nem compreendo bem as contas do jornal na segunda competição da UEFA. Nas contas d'A Bola Jesus tem mais de 60% de vitórias na Liga Europa. Não é mau, digo eu.

 

Já que o objectivo da edição de hoje do jornal é mostrar como Jorge Jesus não ganha jogos decisivos eu queria então ficar deprimido e dizer que sim, têm razão. Despeçam o homem e tragam um novo treinador. Mas antes peço só que se lembrem dos mestres que temos tido no banco desde o melhor treinador que vi à frente do Benfica, Sven-Göran Eriksson:

24º1984 - 1985Hungria Pál Csernai1 Taça de Portugal
25º1987 (interino)Dinamarca Ebbe Skovdahl 
26º1987/89 - 1992/94 - 2000/02Portugal Toni2 Campeonatos Nacionais
1 Taça de Portugal
27º1992 (interino)Croácia Tomislav Ivić 
28º1994 - 1995Portugal Artur Jorge 
29º1996 - 1997Brasil Paulo Autuori 
30º1997 (interino)Portugal Manuel José de Jesus 
31º1997 - 1999Escócia Graeme Souness 
32º1999 (interino)Portugal Shéu Han 
33º1999 - 2000Alemanha Jupp Heynckes 
34º2000 (interino)Portugal José Mourinho 
35º2002 (interino)Portugal Jesualdo Ferreira 
36º2002 e 2008 (interino)Portugal Fernando Chalana 
37º2002/04 - 2007/08Espanha José Antonio Camacho1 Taça de Portugal
38º2004 - 2005Itália Giovanni Trapattoni1 Campeonato Nacional
39º2005 - 2006Países Baixos Ronald Koeman1 Supertaça de Portugal
40º2006 - 2007Portugal Fernando Santos 
41º2008 - 2009Espanha Quique Flores1 Taça da Liga

 

Agora o jornal A Bola podia fazer o levantamento da mesma estatística e mostrar-nos quem venceu mais jogos do que Jesus na Europa. Fernando Santos fez aquele brilharete de cair contra o Espanhol de Barcelona, Koeman fez história afastando Manchester United e Liverpool, Trapattoni nem queria ouvir falar em jogos da UEFA, Camacho ainda deve ter Getafe entalado na garganta e não vou mais para trás para não ser deprimente com excepção ao grande Toni.

 

Ninguém ficou mais frustrado do que eu ao ver os erros de Braga como escrevi na crónica do jogo. Jesus está longe de ser perfeito, tem teimosias incríveis e falha. Mas daí a aproveitarmos a primeira derrota na Liga para o promovermos a loser vai um enorme Engenheiro de distância.

Jesus já venceu muitos jogos decisivos. Perdeu outros tantos? Perdeu. Aliás, desde Toni que nenhum treinador no Benfica perde uma final europeia. Jesus perdeu duas, que falhado! Os outros todos que por lá passaram é que são bons porque nunca perderam. Também nunca chegaram nem perto de uma final europeia mas isso é um pormenor que não interessa, não é?

 

Eu já estou suficientemente irritado com Jesus pelo jogo de Braga mas não tentem transformar isto num drama. Se querem mandá-lo embora, força e vão buscar gente simpática como o Quique ou gajos porreiros como o Fernando Santos. Mas não porque Jesus seja um perdedor porque não é. Aliás, isto tudo nem teria discussão se pensarmos como é que o Benfica limpou as três competições nacionais na temporada passada chegando até ao jogo decisivo na Liga Europa para onde foi jogar depois de ter feito 10 pontos da Champions. Pelos vistos estamos tão exigentes que a melhor época na história do Benfica a nível interno é desprezada e ignorada poucos meses depois. O que vale é que daqui a uns anos vamos ver n'A Bola quadros fantásticos e grandes artigos a recordar aqueles tempos fabulosos em que o Benfica limpava tudo mesmo com um treinador que o jornal mete na capa ao lado da palavra Bloqueio.

 

Jesus é o 42º treinador do Benfica. Eu tive o prazer de ver mais de vinte treinadores no Benfica desde Mario Wilson e posso garantir que JJ não é o pior que por aqui passou. Em vinte, poucos puseram o Benfica a jogar à bola de maneira que eu goste. Poucos ganharam várias competições e raros os que chegaram a finais europeias.