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Red Pass

Rumo ao 37

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Belenenses 2 - 0 Benfica: SADismo!

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 Há coisas na minha vida que dispensava repetir. Golos fora de horas em Amesterdão, por exemplo. Pior que isso. Após uma derrota com um golo fora de horas em Amesterdão ter que ir ao Jamor e perder. Qual seria a probabilidade de voltarmos a ter duas derrotas seguidas nestes dois estádios? Muito pequena mas aconteceu. É o tipo de coincidências que odeio no futebol. 

Ainda meio encharcado da molha que apanhámos no Jamor, à semelhança da última vez que lá fomos, outra coincidência, está muito difícil de digerir este resultado. 

O Benfica no Jamor fez tudo o que não devia ter feito. Até não entrou mal no jogo mas cedo se viu que a eficácia na hora de finalizar continuava horrível. O expoente máximo foi aquele penalti que Salvio desperdiçou. A partir daí a equipa desligou-se e, muito pior que isso, desconcentrou-se permitindo que o Belenenses saísse de uma complicada situação de poder sofre um golo para ficar a ganhar por dois! Impensável. 

Em poucos minutos o Benfica desperdiçou uma vantagem no jogo, desperdiçou a oportunidade de aproveitar o que de bom apresentou em Amesterdão e desperdiçou o enorme balão de oxigénio que trazia do último jogo no campeonato, a vitória no clássico que tirava o Porto da liderança e colocava o Benfica em boa posição para gerir o topo da Liga. 

Um descontrolo emocional difícil de perceber que levou o Benfica a deitar tudo a perder até ao intervalo no Jamor.

As entradas de Jonas, Castillo e Zivkovic foram só um exemplo de desespero em que a equipa técnica e os jogadores entraram. Apesar de ter havido oportunidade para a equipa marcar, o Benfica nunca esteve perto de empatar o jogo. Aliás, o Belenenses ameaçou mais do que uma vez aumentar a vantagem.

Não foi por falta de aviso, a estreia de Silas nos azuis foi precisamente contra o Benfica no Restelo e já tinha criado muitas dificuldades. Nesse jogo um penalti falhado de Jonas deu lugar a um golo do Belenenses. Lá estão as coincidências. 

Hoje a reacção do Benfica ao penalti falhado foi ainda pior. 

Dantes, quando nestes clássicos tudo corria mal ao Benfica, usava-se o título Pesadelo no Restelo. Agora, Pesadelo no Jamor não serve para nada porque nem rima. Esta jornada para nós é toda surreal. Jogar no Jamor em Outubro, com chuva, à noite, contra uma equipa de futebol de uma SAD que não tem adeptos, que não tem emblema, que não tem história, torna tudo muito, muito estranho.

Mas, que fique claro, que o treinador Silas não tem culpa nenhuma de estar num projecto futebolístico aberrante. Silas continua a mostrar muita personalidade, muita qualidade de jogo e mereceu inteiramente a justa vitória que teve hoje. Não guardou substituições para os descontos, não mandou a sua equipa toda para a frente da baliza nem se pode dizer que tenha abusado do anti-jogo. Silas merecia o Restelo, merecia o carinho de uma massa adepta, merecia um clube a sério. 

 

Hoje, ao Benfica pedia-se uma resposta aquele doloroso golo a fechar o jogo na Holanda. Pedia-se uma vitória para ficar a liderar a Liga sozinho. Pedia-se, se possível, uma exibição agradável. Nada disto aconteceu. 

Olhando para os últimos três anos, com Rui Vitória, arrisco dizer que este foi um jogo à altura do União da Madeira no primeiro ano, do Vitória FC no Bonfim ou do Tondela na Luz na época passada. Para mim, cada um destes jogos foi o pior de cada uma das últimas três temporadas. De todos, este é o que aparece mais cedo na época. Os desaires com o União e Vitória acabaram por não atrapalhar o título de campeão. Mesmo a derrota com o Tondela não impediu que o Benfica chegasse à Champions League. Esta má exibição do Benfica não sei que consequências vai ter mas trouxe um dado novo, a contestação da bancada para com o treinador do Benfica. 

Cabe agora à equipa técnica e aos jogadores darem uma resposta. É que isto hoje foi mau, não há outra maneira de o dizer. 

Espero voltar ao Jamor no dia 26 de Maio. Espero que nessa altura me recorde desta noite como a pior da época. E que não chova, claro. 

Preciso de um banho quente e de recuperar deste pesadelo.