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Red Pass

Rumo ao 38

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Feirense 1 - 4 Benfica: Aquele Arco de 3 Maravilhosos Segundos no País dos Apitos

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 Desde sempre, acontece aquela desconfiança de quem nos rodeia e não entende a necessidade que temos em estarmos onde o Benfica joga. Mesmo que tenhamos de sacrificar um domingo familiar. Mesmo que tenhamos de acordar cedo num domingo após um sábado de borga. Mesmo que tenhamos que contornar vários obstáculos no trânsito, ironicamente originados pelo Benfica e a sua corrida anual, para reunirmos todos os elementos que vão viajar. Mesmo que saibamos que vamos passar o dia todo debaixo de chuva, A1 acima, A1  abaixo, e juntar o tempo frio à chuva no Estádio Marcolino de Castro. Já sabemos que isto não faz muito sentido mas o local onde o Benfica joga é uma espécie de íman que nos atrai fatalmente. Porque queremos fazer a nossa parte. Queremos sentir que estamos lá na bancada a apoiar os jogadores, um a um, quanto entram em campo e desviam o olhar para a plateia a ver se há muito apoio ou não. E, também, porque vamos à procura de viver emoções que só o futebol nos pode dar. Aliás, só o futebol do Benfica nos pode dar, porque isto é mais forte do que gostar só de futebol. 

Sim, o jogo dá na televisão e pode ser visto no maior conforto caseiro. Mas é a mesma coisa? Nem pensar! 

 

Vamos começar pelo minuto 49 do jogo Feirense - Benfica. Agora, o Glorioso está a atacar para o lado onde estamos a ver o jogo. Pela linha do meio campo, Grimaldo resolve surpreender chutando uma bola por alto que vai cair à entrada da grande área do Feirense. O guarda redes Caio precipita-se e tenta chegar à bola que entretanto é aliviada de cabeça por Bruno Nascimento. Rapidamente percebemos que Seferovic vai aproveitar para rematar de primeira, tentando uum golo épico de chapéu. Olhos na bola a sair do pé de Seferovic, silêncio quase total espontâneo e repentino, respiração suspensa e os olhares acompanham a trajectória de um arco perfeito que vai acabar dentro da baliza dos fogaceiros e que duras uns longos três segundos no ar. Explosão de alegria, o silêncio dá lugar a festejos exuberantes. Querem convencer-me que aqueles três segundos vistos em casa despertam a mesma emoção e os mesmo sentimentos? Não queiram. São instantes únicos. É futebol. 

Só momentos como este é que dão sentido à nossa presença ali. É que estar num estádio onde se permite que soe um apito nas bancadas que baralha espectadores e jogadores remete-me sempre para aquela final de Viena em 1990. Aconteceu hoje e parece que ninguém se importou. Deixo aqui a minha estranheza.

 

Para trás tinha ficado o golo de Pizzi que empatou o jogo. Também um momento muito emocionante, ao fim de vinte e oito (28) jornadas, o VAR conseguiu ver, finalmente, um penalti para o Benfica. 

Logo depois, o capitão André Almeida foi lá à frente garantir que o Benfica saía para o intervalo na frente do marcador.

Entre os minutos 40 e 50 do jogo, o Benfica resolveu um problema que se ia complicando com o passar do tempo. O golo de Sturgeon, aos 10', mostrou um Feirense que não bate certo com o lugar que ocupa na tabela. 

Todo o mérito para a equipa do Benfica pela maneira como deu a volta ao jogo e garantiu a vitória. Seferovic confirmou o 1-4 no último minuto de jogo proporcionando um excelente regresso a casa a todos os adeptos que só queriam sair dali na liderança do campeonato. 

Ver Ferro ao vivo é outra atracção que não dá para resistir. O central do Benfica está a crescer de tal maneira que não sei quanto tempo vamos poder ter o prazer de o ver a defender o manto sagrado. 

Samaris, Florentino e Taarabt apareceram nos lugares de Fejsa, Gabriel e Rafa, voltaram a dar óptimos sinais de validade como opções para titulares. A equipa pareceu segura e confiante, regressamos à exibição de Moreira de Cónegos. Apesar do golo sofrido, os ataques do Benfica voltaram a render quatro golos. Missão cumprida.

Falta falar do pré jogo. 

A viagem Lisboa - Santa Maria da Feira fez-se bem e sem paragens. A ideia era atacar logo o almoço bem perto do estádio. A escolha foi o restaurante Adega O Monhé. Fomos para a especialidade da casa, um cozido à portuguesa dentro de pão. Tem que ser encomendado porque é feito de véspera. O Chefe vem à mesa abrir o pão e explicar o processo de confecção. Há vários tipos de carne, enchidos, um molho apurado e couves no ponto.

Aprovadíssimo. Ficam as fotos para testemunhar o repasto:

Almoço bem sucedido, curta viagem para o estádio. Três pontos conquistados e para aproveitar esta dádiva de termos um jogo a terminar a horas decentes, desvio no regresso a casa para matar saudades do arroz de tomate com pasteis de bacalhau e panados no Manjar do Marquês em Pombal.

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Domingo à noite em casa, missão cumprida. Menos um jogo para terminar o campeonato e a mesma sensação, temos capacidade para vencermos os próximos seis jogos. Tarefa árdua mas que tem de ser cumprida porque o nosso concorrente parece já ter esses jogos todos ganhos como temos constatado jornada após jornada. 

Benfica 3 - 0 Académica: A Magia do 85

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(Fotos: João Trindade)

 

Fechar Novembro com um triunfo importantíssimo em Braga e começar Dezembro anunciando um acordo milionário que deixou o futebol português espantado. Já eram motivos suficientes para nos devolver o sorriso. Terminar a semana com uma exibição convincente cumprindo a obrigação de vencer a Académica na Luz por 3-0, faz desta semana uma das melhoras da temporada. Em cima de todos estas aspectos positivos há um momento inesquecível, o primeiro golo de um puto que chegou com estrondo à equipa principal.

 

Ontem foram pouco menos do que 35 mil espectadores que viram na Luz o primeiro golo de Renato Sanches na equipa principal do Benfica. Um golaço que daqui a uns anos será uma lenda contada por muitas mais dezenas de milhares de pessoas que jurarão que lá estiveram.

O jogo estava ganho, o miúdo já tinha voltado a convencer com outra exibição segura mas quis selar a sua estreia na Luz a titular com um golão inesquecível. Fez o favor de esperar pela parte final do jogo para que fosse aquela a imagem que ficaria na memória de quem saía do estádio, e escolheu a baliza sul para que um dos sectores mais fieis vissem com toda a atenção aquele pontapé fantástico. Por trás da baliza vimos a bola a sair cruzada a subir e a atravessar o guarda redes incrédulo com o efeito e violência do remate. Magia do 85 ao minuto 85. Já valia só por si o preço do bilhete.

Até há poucos dias o Renato era uma incerteza aguardada com expectativa no "onze". A partir de agora o Renato é uma incerteza quanto ao tempo que o vamos conseguir segurar no nosso clube.

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Era preciso dar continuidade à grande noite de Braga e à qualificação na Champions League. Foi o que o Benfica tratou de fazer nesta partida contra uma Académica que já não perdia há 7 jogos e que se apresentou na Luz bem organizada defensivamente e com propósitos de espreitar o contra ataque com Gonçalo Paciência na frente à espera das ajudas de Ivanildo, Nil Plange e Leandro Silva.

Rui Vitória voltou à fórmula caseira de apostar em dois avançados, Jonas e Mitroglou, mantendo Pizzi na ala direita, Gaitán na esquerda. Continuou a confiar em Fejsa no meio campo atrás de Renato Sanches (já titular indiscutível).  André Almeida parece ter ganho o lugar na direita da defesa.

 

Apesar da posse de bola e de algumas ameaças à baliza de Trigueira, foi preciso esperar mais de meia hora pelo golo tranquilizador. O guarda redes da Académica atropelou na sua área Gaitán em grande estilo e levou Jonas para o respectivo penalti que abriu caminho para a vitória do Benfica.

 

A partir daqui o jogo mudou e até deu para ver algumas variações interessantes na construção de jogo do Benfica quando Fejsa recuava para o meio dos centrais e os defesas laterais subiam no terreno desdobrando a equipa num 3 x 5 x 2 onde Renato ganhava natural destaque soltando amarras defensivas. Houve momentos de futebol muito interessante no ataque do Benfica com destaque para as saídas de bola com critério de Lisandro a dar equilíbrio à equipa.

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Foi com naturalidade que se chegou ao 2-0. Novo penalti tão evidente que nem deixa lugar à discussão, Ofori controla uma bola com a mão na sua área evitando deixar Mitroglou pronto para fazer golo. Jonas agradeceu e fez o seu 42º golo pelo Benfica em 53 jogos. Nos festejos dos golos o brasileiro preocupou-se em agradecer a Gaitán que chegou a pensar em bater um dos penaltis e dedicou o feito ao seu pai que fazia anos.

 

Com o jogo resolvido Vitória volta a mexer na equipa e acaba a jogar no 4 x 2 x 3 x 1 alternativo que tem sido o sistema mais recente em jogos mais complicados. Já com Samaris no lugar de Fejsa, Gonçalo Guedes na esquerda, Gaitán no meio e Carcela na direita, por troca com Pizzi e Mitroglou. A equipa voltou a responder bem aos ajustes tácticos e foi assim que chegámos ao tal minuto 85.

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Vitória convincente, semana inesquecível e tempo de preparar o embate com o Atlético Madrid que nos pode dar o primeiro lugar do grupo na Champions League. O melhor de tudo é que não há como não acreditar que seja possível acabar o ano em alta cotação europeia, interna e financeira. A equipa ontem mostrou que podemos contar com os rapazes.

Benfica 2 - 0 Braga: "Eles Têm Medo de Nós"

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 Todas as fotos: João Trindade

 

A 25ª jornada reservava uma visita do Braga à Luz depois de na 1ª volta o Benfica ter perdido três pontos na Pedreira e ter sido surpreendido pela equipa de Sérgio Conceição na Taça de Portugal. Comparativamente, o mesmo Braga atravessou-se no caminho dos nossos rivais portistas por três vezes sem nunca lhes fazerem grandes cócegas nem no campeonato nem na Taça da Liga.

O ambiente ficou quente, do nosso lado constataram-se factos sobre a falta de garra do Braga contra o Porto, do lado do Braga respondeu o treinador com murros na mesa e o presidente com promessas de virem vencer. Nas redes sociais o clube minhoto deu show com vídeos dos seus golos contra o Benfica sob o lema de não há duas sem três, os adeptos encheram-se de si próprios e divulgaram fotos com uma faixa feita para os "gverreiros" a dizer "Ele têm medo de nós". Entre outros assuntos durante a semana, destaque para a notícia de que o prémio de jogo dos bracarenses seria o triplo do habitual.

 

 

O que o adversário e a imprensa não foram capazes de perceber é que nessas duas derrotas o Benfica fez exibições bem melhores do que o resultado. Na Pedreira depois de estar em vantagem a equipa de Jesus estava à procura de fazer o segundo golo quando um chutão para a frente encontrou o Éder que numa corrida fez um empate caído literalmente do céu. Na Luz a exibição ofensiva do Benfica foi destacada na altura por todos que viram o jogo.

Este Braga ganhou dois jogos na base de contra ataques, com sorte à mistura e bolas paradas. Desta vez, obviamente, o filme não foi o mesmo. Sem surpresas, Sérgio Conceição voltou a apostar na dupla Danilo e Tiba para segurar o meio campo e dar espaço ao trio mais atacante composto por Rafa, Ruben Micael e Pardo na esperança de servir José Luís mais perto do golo. Isto não resultou porque o Braga não teve bola nem oportunidade de responder com o tal contra ataque. Samaris e Jonas deram o exemplo ao verem cartão amarelo por faltas a travarem saídas do adversário. Nas bolas paradas o acerto defensivo do Benfica também foi exemplar e , portanto, lá foi todo o poderio do temível Braga.

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Só deu Benfica. Exibição de gala num triunfo que só merece discussão pela magreza do resultado.

Das três vezes que jogámos esta época com o Braga só agora podemos equipar com as nossas cores. Na Pedreira jogaram os da casa com as suas cores (se bem que este azul lhes fique melhor no contexto em que vivem) e na Luz para a Taça voltámos a jogar com equipamento secundário devido a uma regra que ninguém muda há décadas. Desta vez o Benfica entra em campo com a luz do sol a brilhar nos mantos sagrados encarnados e calções brancos, só podia correr bem.

 

Os adeptos perceberam que era preciso responder com presença no estádio e lá se conseguiu chegar a pouco mais de 60 mil nas bancadas. Apoio muito importante e ambiente sempre precioso nestas alturas de receber quem tanto nos quer mal. Boa a resposta dos adeptos junto da linha fundo onde o suplente Salvador Agra deu um show de idiotice. Horrível a mania dos "olés".

Espero que até ao fim a Luz não fique abaixo deste número de espectadores. Para muita gente a época começa em Março mas mais vale tarde do que nunca.

 

Por falar em adeptos, olhei várias vezes durante o jogo para o sector onde ficam os nossos adversários e constatei incrédulo que dos tais 1500 "gverreiros" prometidos não deviam estar mais de 500. Percebe-se, devem ter ficado em casa a ver no youtube os golos dos outros jogos e a pintarem faixas sobre o medo.

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Tal como Jesus tinha previsto, o jogo tornou-se fácil com a atitude certa e com o aparecimento do primeiro golo aos 21 minutos. Lima, Gaitán e Jonas fora da área com um remate cruzado, forte e colocado. Um regalo!

Jonas é um craque que chegou cá sob desconfiança de meio mundo e respondeu com 20 golos em todas as competições. Mas mais que os golos, Jonas espalha classe pelo relvado da luz. Há uma bola chutada para o ar em forma de balão e quando desce lá das alturas morre no pé do brasileiro numa recepção que merece um "vine" eterno. É um privilégio ter Jonas ao seu melhor nível entre nós.

Salvio, Gaitan, Samaris, Pizzi, Jonas e Lima, quando se envolvem em passes rápidos, jogadas de classe, o ataque do Benfica ganha uma aura de magia.

 

Se ao intervalo o 1-0 era injustamente curto e perigoso, a 2ª parte só veio confirmar que o Braga não tem mais para dar do que aquilo que já sabíamos. Tentaram pegar no jogo mas foram completamente atropelados por um Benfica que não só quer mais golos como ainda tem a preocupação de não deixar o adversário festejar na Luz. Foi o 9º jogo com a defesa do Benfica sem sofrer golos. Além de não deixarem o adversário marcar, os nossos defesa gostam de subir e mostrar como se marca. Eliseu, ao fim de dois ensaios atirou para acabar com as dúvidas. Foi o 4º golo do defesa esquerdo na Liga.

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Uma grande tarde de futebol na Luz com casa cheia, bela exibição do Benfica, uma vitória curta para tanto jogo e nem faltou a expulsão da ordem (mais uma que nem merece discussão) para os nossos adversários terem alguma coisa com que se entreter. Eu vou voltar a ver aquela recepção do Jonas.

 

Resto de boa época para o Braga e revejam lá isso do "medo".

 

Encher Vila do Conde e trazer os 3 pontos, é esta a nossa missão. Pena o "amarelo" ao Gaitán.

 

 

Em 1981 o Benfica Equipava Assim

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 Penso que a foto é do famoso empate a 2 golos em Dusseldorf contra o Fortuna em 1981 no caminho para a meia final perdida dramaticamente contra o Carl Zeiss. Para trás tinham ficado os turcos do Altay, os jugoslavos do Dinamo Zagreb e os suecos do Malmoe.

Uma equipa do Benfica mítica com equipamentos Adidas míticos.