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Red Pass

Rumo ao 38

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Boavista 1 - 4 Benfica: Categórico Fecho de Ciclo

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Vale a pena voltar aquela noite fria de meio de semana em Portimão no começo deste ano. Com a desilusão instalada, a viagem Algarve - Lisboa foi das mais duras de sempre. Se alguém dissesse naquela noite que a partir dali íamos ganhar todos os jogos fora da Luz para o campeonato até ao final do ano seria assassinado com justa causa. 

Aliás, proponho ao prezado leitor que prestigia este blog com a sua visita, o seguinte desafio: alguma vez teve um ano civil em que o Benfica tenha ganho todos os jogos fora de casa para o campeonato? 

Alguma vez se atreveu a pedir nuns daqueles desejos de passagem de ano "neste ano novo só quero que o Benfica vença todos os jogos para a Liga como visitante!"? 
As respostas mais prováveis são negativas. 

E, no entanto, o ponto de partida foi Portimão. Tivemos que passar pelo Dragão, por Alvalade, por Guimarães, duas vezes por Braga e agora pelo Bessa, entre tantos outros destinos que aqui fui documentando ao logo de 2019. 

Contar todos estes jogos por vitórias é estrondoso. Fechar o ciclo com uma goleada no Bessa contra o Boavista de Lito Vidigal e com uma arbitragem de Jorge Sousa é épico! 

 

Grande jogo do Benfica na cidade do Porto. Vitória categórica do Benfica num estádio muito difícil contra uma equipa fortemente competitiva, com uma abordagem muito física e com reforço defensivo sempre à procura de desfazer e contrariar o adversário. 

O Boavista jogou exactamente aquilo que se esperava mas encontrou um Benfica completamente focado na vitória e com absoluto conhecimento do adversário. Parecia que os jogadores do Benfica adivinhavam tudo o que o Boavista tinha preparado para esta batalha. 

O facto de Pizzi ter marcado um golo muito, anulado com a ajuda do VAR, mostrou ao Boavista que não ia ser fácil quebrar o ritmo, perder tempo, cair no anti jogo e adormecer o Benfica levando-o para a zona de confronto tão conhecido pelos jogadores de Vidigal. 

O golo de Vinicius com um passe soberbo de Pizzi veio confirmar a intenção do campeão. Só nos últimos minutos da 1ª parte com o golo do Boavista o jogo pareceu dividido. E depois no arranque da 2ª parte o Boavista tentou manter o balanço só que a equipa de Bruno Lage sabia que tinha feito mais do que suficiente para estar a ganhar o jogo nos primeiros 40 minutos, era só manter o ritmo, a atitude e a ambição até voltar à vantagem. E foi o que aconteceu. Cervi fez o 1-2, num lance em que os boavisteiros, e não só, ficaram a pedir uma falta que não existe, depois Vinicius decide o jogo com mais um belíssimo golo e Gabriel fecha as contas com um raro golo de cabeça. 

1-4 no Bessa é um claro sinal da boa forma da equipa de Lage na Liga. Confirma a excelente exibição na Luz contra o Marítimo na jornada passada e faz pensar que o Benfica nos últimos anos tem vindo sempre de menos a mais no campeonato, portanto, a tendência é melhorar e jogar mais e melhor daqui para a frente. 

Com o Benfica a preparar assim o jogo, a jogar desta maneira, a marcar com esta facilidade, com uma apoio magnifica naquele topo por trás da baliza para onde atacou a equipa na 2ª parte, com a atitude e a ambição com que contornou as dificuldades extra vindas de Jorge Sousa, o Benfica deu um claro sinal de força na defesa de um título que foi ganho de forma lendária na primeira parte deste ano. 

Por falar em apoio, talvez o segredo para esta série incrível de vitórias longe da Luz esteja relacionado com o ambiente que a equipa encontra nestes jogos fora. É um contraste gigante com o ambiente que se vive por estes dias nos jogos em casa. Não é uma critica, é constatar um facto. Que sirva para reflexão. 

Um 2019 só com vitórias fora de casa depois de Portimão é outro tipo de monotonia que preciso na minha vida. E esta eu nunca tinha vivido. Que se mantenha assim em 2020. 

Vizela 1 - 2 Benfica: Lembram-se de Gabigol?

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As chegadas do Benfica aos 1/8 de final da Taça de Portugal nos últimos anos têm sido tão penosas que deviam ser alvo de estudo profundo. Já são várias as noites cinzentas que o Benfica acumula nesta primeira fase da prova. Foi aflitivo com o Real Sport Clube, com o 1º de Dezembro, com o Olhanense, com o Vianense, isto para nomear só alguns jogos em que a única boa recordação que ficou foi o apuramento. Passou a ser regra uma vitória de serviços mínimos nestes jogos mas, desta vez, a equipa baixou ainda mais a produção e esteve a perder desde os 6 minutos com uma equipa do terceiro escalão que jogou a maior parte do tempo com menos um jogador. 

O problema destes jogos não é só trazer à memória estas eliminatórias sofridas, o principal problema é levantar o fantasma de Gondomar. Ou mesmo do Varzim dos tempos de Fernando Santos. São tempos que não queremos reviver. 

Já mencionei a eliminatória com o Olhanense. Voltemos a Outubro de 2017. O que nos recordamos desse jogo da Taça de Portugal no Algarve com a equipa de Olhão? Que ganhámos por 1-0 com golo de Gabriel Barbosa. 

Como os ciclos no futebol são irónicos. Em 2017, Gabriel Barbosa mesmo resolvendo esse jogo para o Benfica era olhado com desconfiança pelos adeptos e pela imprensa. O empréstimo do Inter de Milão não resultou. 

Dois anos depois, o Benfica continua a ter muitas dificuldades nesta fase da Taça de Portugal e o Gabriel voltou a ser Gabigol.  Aquele jogo com o Olhanense será sempre o jogo em que o Gabigol marcou pelo Benfica. 
Este jogo com o Vizela será sempre aquele que o Benfica resolveu no final na mesma noite em que Gabriel Barbosa vencia a Libertadores treinado por Jorge Jesus que também teve a sua dose de jogos complicados na Taça de Portugal com o Benfica. 

Vale a pena elogiar o Vizela pela exibição, pela luta que deu, pela forma como se bateu mesmo com menos um, por ter recebido o Benfica na sua casa sem mudar para uma estádio maior. O Vizela deixou uma imagem muito boa do seu futebol e da ambição e jogar num nível superior. 

O Benfica preocupa. Depois do jogo sofrível nos Açores com o Santa Clara, a equipa voltou à competição e repetiu a má exibição. Ao intervalo perdia em Vizela, tal como perdia nos Açores. 

Tal como foi importante com o Santa Clara não perder o foco nos três pontos, hoje era importante garantir o apuramento. E só isso é que se aproveitou desta noite. O apuramento foi conseguido mas a exibição do Benfica foi assustadora. 

Costuma dizer-se que depois quando estamos no Jamor para jogar a final ninguém se lembra destas noites mas para lá chegarmos é preciso jogar muito mais. 

O objectivo mínimo foi cumprido, agora é olhar para a frente e pensar no jogo em Leipzig. E à primeira vista é uma deslocação nada confortável. 

Benfica 2 - 0 Rio Ave: Exibição Convincente Anti Xistra

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Vamos começar por uma excelente notícia para o Benfica e para o futebol em geral. Estamos a viver a última época de Xistra. Em 2019, Carlos Xistra esteve na meia final da Taça da Liga em Braga. Um jogo que foi uma ode aos anos 90 como todos nos lembramos. Depois apareceu na Luz num Benfica - Tondela que Seferovic resolveu mesmo no fim, aos 10 minutos ficou um penalti por marcar sobre Samaris. E hoje voltou a apitar o Benfica na Luz com uma primeira parte digna para o álbum de aberrações. É a última época desta criatura na Liga Portugal. 

O melhor da noite foi mesmo a exibição do Benfica. Depois de vários jogos a ganhar mas com os adeptos a pedirem exibições melhores, o Benfica hoje brindou a plateia da Luz com o futebol que a todos entusiasma. O resultado da passada 4ª feira foi melhor, o dobro dos golos, mas o futebol desta recepção ao Rio Ave foi superior. 

Ferro voltou ao eixo da defesa e viu o companheiro Ruben celebrar a centena de jogos pelo Benfica com mais um belo golo de cabeça. Outro golo com origem numa bola parada. Era justo que o Canal 11, e outros, voltassem aos debates das bolas paradas do Benfica. 

Florentino apareceu no lugar de Samaris e fez a melhor exibição da época, Pizzi regressou ao lado direito do ataque do Benfica com entusiasmo renovado depois da passagem pelo banco. Um golo e uma assistência para o melhor marcados do campeonato. 

Chiquinho e Vinicius voltaram a ser aposta na frente e foram, novamente, convincentes. 

Na segunda parte houve momentos de nota artística com um futebol apoiado, bonito, ao primeiro toque, em progressão e a deixar a bem trabalhada defesa do Rio Ave em apuros. 

A equipa de Carlos Carvalhal merece elogios, joga com personalidade, sabe o que faz em todos os momentos do jogo e é um adversário de grande valor. 

Hoje o Benfica jogou bem, empolgou e saciou as bancadas da exigente Luz. Juntou ao apuramento da Taça de Portugal a terceira vitória seguida na Liga e garantiu a liderança isolada até ao jogo com o Santa Clara não dependendo do resultado do jogo do Porto para manter o primeiro lugar. 

Continua o registo impressionante de Bruno Lage à frente da equipa, agora com 10 jogos e só 3 golos sofridos, um número poucas vezes visto no passado, está a 5 golos dos 100 marcados na Liga NOS desde Janeiro e continua a somar vitórias. Com a vantagem de vermos a equipa acrescer a nível de qualidade colectiva.

Numa semana o Benfica passou para a liderança e parece já confortável com a posição. Ou não fosse o campeão. 

Vivemos bem com a pressão, vivemos bem com a exigência, vivemos bem com a liderança. Só vivemos mal com a existência de Xistra mas, felizmente, está a acabar. 

Benfica 4 - 0 Portimonense: Líderes!

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O futebol é tão popular pelas emoções que nos dá. O futebol do Benfica é um caso ainda mais sério. O facto do futebol do Benfica ganhar um jogo não significa paz no reino da águia. Não é assim tão simples. Nunca foi, nunca há de ser. O facto do Benfica estar a ser treinado por um homem que pegou numa equipa destroçada a 7 pontos do líder e ter desatado a ganhar jogos não quer dizer que a nação benfiquista o considere consensual. Ganhar 25 jogos no menor espaço de tempo, ter ganho todos os jogos para a Liga fora da Luz desde Janeiro, apresentar o melhor ataque e melhor defesa, não são um seguro anti contestação. Porque, lá está, no universo vermelho não chega ganhar. É preciso ganhar a jogar à Benfica. 

Isto tudo junto faz com que o Benfica seja um clube sempre em constante discussão e com uma exigência superior. 

Por isto, os benfiquistas ao chegarem à Luz nesta 4ª feira à noite para o nono jogo da Liga NOS mostravam logo descontentamento com a relva. E com a chuva que ia piorar a relva. Depois são conhecidas as equipas e mais uma hora de discussão global. Porquê Jardel? Samaris e Gedson? Chiquinho e Vinicius? 

Os grupos de WhatsApp enchem-se de indignações e previsões, nas bancadas discute-se se são os melhores jogadores ou não. A desconfiança sempre a reinar. A impaciência de uma multidão que não quer só ganhar, exige futebol de gala. 

Ninguém quer saber se o Portimonense vem com uma compacta linha de 5 defesas e com a lição bem estudada quanto à rotação interior do jogo do Benfica. Mesmo com a equipa de Folha a mostrar atrevimento nas saídas e com jogadores de qualidade a ameaçarem a baliza do Benfica, as bancadas não se impressionam. Depois, Anzai tem uma grande oportunidade mas Odysseas voltou a ser determinante, tal como em Tondela, e estava lá quando tinha de estar. 

Entretanto, o Benfica chega ao golo por André Almeida e festeja com Veríssimo que treina as bolas paradas. O Benfica marca bem de bola parada apesar disto também já ter sido tema de profunda reflexão em canais como o 11, por exemplo. 

O Benfica a ganhar, a relva a aguentar e o Porto a empatar na Madeira. Ao intervalo os sorrisos voltaram à Luz. A disposição dos benfiquistas no estádio melhorou em meia parte de um jogo. 

A boa disposição alastrou-se ao balneário do Benfica e a equipa volta para uma segunda parte à... Benfica.

Samaris e Gabriel no meio estiveram bem, Cervi com o bom entendimento do costume com Grimaldo que assinou uma exibição espectacular. Gedson beneficiou da noite inspirada de André Almeida e Chiquinho justificou a titularidade e mostrou que pode ser perfeitamente uma solução para jogar a segundo avançado. Vinicius bisou e com enorme qualidade de finalização.

Uma goleada por 4-0 depois de um empate do Porto com o Marítimo, uma exibição com momentos empolgantes e o Benfica isolado na liderança do campeonato transformam uma 4a feira cinzenta numa bela noite de outono.

E de repente, a relva já não é problema, o Vinicius já não é caro, o Chiquinho já não é dúvida, o Odysseas já não é intranquilo, Lage afinal sabe o que está a fazer e no sábado é para confirmar isto tudo. 

O futebol vive destes contrastes, um jogo que parece perdido pode acabar em euforia como se viu no Liverpool - Arsenal que aconteceu ao mesmo tempo deste Benfica - Portimonense. Mas o futebol do Benfica não é só contrastes, é mudança de semblante e estados de espírito de jogo para jogo, de uma primeira parte para uma segunda parte, do fim de semana para o meio da semana. E ainda bem que é assim. 

Enquanto todos percebermos que o mais importante no final do dia é termos ficado com os 3 pontos, tudo o resto se resolve. O treinador assume que só ganhar não chega, gosta do apoio dos adeptos o jogo todo e sabe ouvir as exigências no fim e até concorda que é preciso jogar à Benfica. Quando tudo acontece, ganhar a jogar à Benfica, todos ficamos aliviados. Nem é felizes, reparem, é aliviados. Porque sabemos que não se atingiu a perfeição por um resultado gordo, uma exibição agradável e a liderança isolada na Liga. A maratona é muito longa, isto é só uma noite de Outono, a nossa meta é um Maio bom. Mas quando tudo funciona como queremos sentimos que estamos todos a ser Benfica. Esta harmonia é rara e valiosa, motiva por dentro e assusta os de fora. Sentir que podemos ter muitas noites assim é o que faz o futebol do Benfica ser fascinante. Saibamos nós vivê-lo e compreendê-lo.

Sábado há mais. 

Cova da Piedade 0 - 4 Benfica: Começo Convincente

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A Taça de Portugal como deve ser. Assim faz todo o sentido. O Benfica jogar na casa do clube da divisão inferior, neste caso o Cova da Piedade, com os jogadores a perceberem que é preciso respeitar o adversário, a competição e os adeptos. 

Foi o melhor arranque que me lembro do Benfica na Taça de Portugal nos últimos largos anos. Uma vitória tranquila e esclarecedora por 0-4 com vários pontos de interesse. O mais relevante, sem dúvida, é o regresso de Florentino à equipa. O meio campo voltou a ter Gabriel e Florentino, muito boas notícias. 

Pizzi e Vinicius bisaram e fizeram o resultado marcando em momentos determinantes do jogo garantindo um apuramento natural, lógico e sem sustos no estádio de uma equipa profissional da segunda Liga, portanto, superior a outros adversários de escalões mais baixos que defrontámos em edições recentes.

Um momento delicioso aconteceu mesmo à minha frente. Pizzi e Gustavo estendidos na relva. O jogador da casa aproveita o cumprimento de Pizzi para lhe pedir a camisola no final do jogo. Pizzi respondeu que sim e todos os que olhávamos para eles percebemos o momento. Futebol também é isto.

Lembro-me de ver o Cova da Piedade duas vezes na Luz a jogar para a Taça de Portugal. Em 1985, o Benfica venceu pelo mesmo resultado mas não serviu para entusiasmar o Terceiro Anel que já estava em guerra aberta com o treinador Csernai. O Benfica venceu a prova. 
Uns anos mais tarde, em 1989, nova vitória do Benfica, desta vez por 9-1. Nessas tardes lembro-me de imaginar como seria jogar na margem sul no campo do Cova da Piedade. Em 2019 concretizou-se essa curiosidade, boa vontade do clube de Almada, da FPF e do Benfica, que assim proporcionaram uma noite diferente aos adeptos dos dois clubes. 

Deve ter sido a viagem mais curta que fiz para ver o Benfica a jogar fora de Lisboa. Uma visita que marcou a minha estreia no Estádio Municipal José Martins Vieira e que mostrou ser possível realizar estes jogos em recintos mais modestos. 

Uma noite em que tudo correu bem, até o silencio no minuto dedicado ao grande Jordão, e que marca o arranque do Benfica na Taça de Portugal que todos esperamos que só acabe no Jamor no final da época. 

Tudo certo nesta rara incursão pela margem sul. Na memória fica a vista para a baliza onde o Benfica marcou os golos na segunda parte. Bola a entrar, festejos e um olhar que se perdia até às costas do Cristo Rei no horizonte a abraçar Lisboa.

Benfica 1 - 0 Vitória de Setúbal: O Valioso Golo de Vinicius e a Lata do Amarelo a Odisseas!

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Aos 83 minutos de jogo, cartão amarelo para Odisseas Vlachodimos. O guarda redes do Benfica é advertido por demorar tempo a repor uma bola em jogo. Makaridze, o guardião do Vitória terminou o jogo sem ver nenhum cartão. Isto depois de ter passado os primeiros 64 minutos, mais de uma hora de jogo, sem pressa nenhuma em jogar futebol. 

É daqueles momentos que vou guardar com carinho no final deste campeonato. 

Também posso trazer para a discussão as diferenças entre a entrada de Masilla sobre Rafa e a de Taarabt sobre Zequinha. 

Isto para dizer que o árbitro Tiago Martins não veio à Luz para mostrar desacerto, falta de talento ou incompetência. Tiago Martins veio à Luz para provocar e atrapalhar. Não foi por acaso que conseguiu ser o elemento que mais influenciou as reacções das bancadas. 

Foi só mais uma pedra no caminho do Benfica. A tarefa já era complicada, o golo tardava em aparecer e tudo somado foi mais uma noite de grande sofrimento para a nação benfiquista que acabou bem com os três pontos conquistados, ou seja, o mais importante foi feito.

Já se percebeu que a equipa do Benfica entrou numa fase mais desinspirada com muita dificuldade em resolver jogos teoricamente mais fáceis. Foi assim com o Gil, foi assim em Moreira de Cónegos e voltou a ser assim nesta recepção ao Vitória de Setúbal. E só estou a falar de jogos da Liga porque é o que interessa para esta análise.

Bruno Lage está a sentir isto mesmo e hoje optou por uma mudança relevante. Desfez a dupla de ataque, Tirou RDT e lançou Gedson naquela posição.

A ideia era boa mas não entusiasmou. Contra um Vitória FC de carácter defensivo a solução não teve efeitos imediatos. Depois, confirma-se o eclipse exibicional de Pizzi e com isso a falta de profundidade no jogo exterior da equipa, o que leva para opções mais interiores, previsíveis e fáceis de contrariar. Mais uma vez, foi Rafa a dar um toque extra de qualidade no futebol do Benfica. 

Com uma primeira parte cinzenta e uma segunda a prometer muito sofrimento, foi do banco que veio a solução. Vinicius entrou e marcou, justificando a aposta do clube, Gabriel tinha entrado para o lugar de Fejsa e adiantou a equipa no terreno.
A Luz suspirava de alivio e virava-se para o árbitro que ia ganhar maior protagonismo a partir daqui. Os mais de 53 mil adeptos na Luz perceberam a importância do momento e manifestaram-se com um carinhoso apoio à equipa enquanto reagia revoltada com decisões provocadoras de Tiago Martins.

O Vitória acreditou que podia reagir e largou a postura mais defensiva para se lançar em ataques, especialmente depois da expulsão de Taarabt.

O Benfica resistiu e segurou mais uma vitória muito importante. Sem empolgar, longe das grandes exibições mas a conseguir ganhar jogos que não correm tão bem. Vai recuperando gente como Gabriel e Vinicius, o que são boas noticias.

Hoje o desafio era maior do que bater o Vitória, resistir à condução de jogo de Tiago Martins também foi um importante obstáculo. No fim do dia são 3 pontos, missão cumprida.. 

Moreirense 1 - 2 Benfica: Reviravolta Épica no Minho do Benfica

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A alma do Benfica está nas bancadas do norte. Não me interpretem mal. Gosto muito do Estádio da Luz, tenho lugar cativo há décadas e é a minha casa. Mas, neste momento, para sentir aquela dedicação e motivação extra das bancadas é preciso assistir a um jogo do Benfica no norte do país. Foi assim em Braga e voltou a ser em Moreira de Cónegos. 

Não é uma deslocação fácil, pela logística, pela distância (do ponto de vista de um lisboeta), pela ausência familiar em metade do fim de semana, pelo cansaço que é ir e vir no mesmo dia, pela chuva e nevoeiro que nos acompanhou durante mais de 700 km, pelo desgaste, pelos acessos ao Estádio, pela espera na entrada, até pelos preços dos bilhetes que não condizem com a qualidade dos lugares. Mas tudo é compensado pela jornada de convívio entre benfiquistas, pelo encontro com outros grupos de benfiquistas. Pelas histórias trocadas, pelas opiniões divergentes e, acima de tudo, pela vontade de estar ao pé da equipa e ajudá-la a ganhar três pontos. 

O ponto alto é o repasto. Aconteceu já perto do Estádio na Tasca du Nuno 7Olhinhos, pelo menos é assim que está no trip advisor. Uma casa muito conhecida naquela zona e que em nada desiludiu. As referências eram óptimas e confirmou-se como escolha acertada. A começar no facto de terem aberto a casa mais cedo de propósito para um jantar antes do jogo e pela oferta gastronómica irrepreensível. Entradas como queijo, paio, alheira à braz, moelas e panados. Depois, arroz de camarão com filetes, e secretos de porco preto. Tudo óptimo!

Já estava ganha a viagem. 

Faltava o jogo. Felizmente, a chuva deu tréguas e conseguimos estar na bancada ainda em modo de verão, manga curta e calções ainda foi indumentária aceitável. 
O relvado aguentou-se muito bem e estava bem melhor que o do Jamor, por exemplo. 

Tudo em condições para o Benfica repetir a boa exibição da última temporada no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas. 

Só que o momento não é o mesmo. Bruno Lage voltou ao desenho normal de campeonato, o 442 com RDT e Seferovic na frente, Rafa e Pizzi nas alas, Taarabt e Fejsa no meio. Também André Almeida regressou ao seu posto. O começo de jogo mostrou um Benfica com demasiada circulação de bola, pouca velocidade e a jogar muito longe da baliza de Pasinato, onde se encontravam os adeptos do Benfica. 

Demorou bastante até vermos o ataque do Benfica a funcionar com perigo, Pizzi não acertou na baliza e desperdiçou a primeira boa jogada já a meio da primeira parte. Aliás, Pizzi é o espelho deste menor fulgor da equipa. Sobra Rafa para pautar os tempos de arranque dos ataques da equipa. Ele e Taarabt são os que mais procuram a bola e tentam com a sua qualidade individual dar um rasgo de génio que acabe com a previsibilidade da equipa. 

Isto perante o mérito de um Moreirense muito bem organizado por Vítor Campelos que posicionou o seu 433 de forma superior tirando espaços no jogo entrelinhas do Benfica e deixando sempre Bilel, Nené e Luther como principais ameaças quando tinha bola. Sobreviveram à melhor fase do Benfica na primeira parte e conseguiram chegar vivos ao intervalo.

Regressaram ambiciosos no 2ª tempo e com três minutos jogados fizeram o 1-0 por Luther com todo o mérito numa bonita jogada onde ficaram expostas deficiências da organização defensiva encarnada.

A partir dali cabia ao Benfica mostrar outra face, mais ambição, mais velocidade, mais objectividade e dar tudo para revirar um resultado que era muito negativo. 

Até ao minuto 85, o Moreirense pareceu sempre confortável no jogo, a defender de frente para a bola a maior parte das vezes e mesmo apertado parecia ter o resultado controlado. 

Bruno Lage tentou de tudo, trocar os alas de posição, fez regressar Gedson, uma excelente notícia, fez entrar Caio Lucas para o lugar do "desaparecido" Pizzi e apostou tudo em Jota no lugar de André Almeida. 

Rafa, tinha de ser ele, fez o empate a 5 minutos dos 90 de cabeça com uma naturalidade que nem parecia que estávamos ali há 85 minutos a sofrer. Esse momento de aparente normalidade que foi o empate fez com que as bancadas no Minho explodissem num apoio incondicional à equipa. Começou fora do relvado a reviravolta. Como que a empurrar a equipa desde a o sector por trás de Vlachodimos até ao outro lado do campo. 

E quando Ruben Dias mete a bola por alto para o lado esquerdo onde Jota recebe e prepara o cruzamento, foi como se o tempo tivesse parado. Foi como se o mundo fizesse ali uma pausa. Todos os olhos nos pés de jota onde estava a bola, as gargantas roucas a puxarem pelo Benfica, a distância ficou mais curta, por segundos parecia que a bancada estava tão crente e tão forte que podia estar na linha de meio campo a assistir ao cruzamento. E quando a bola sai por cima numa trajectória perfeita para a cabeça de Seferovic foi só suster a respiração, arregalar os olhos e contemplar a viagem final da bola até ao fundo da baliza do Moreirense. 

Naquele momento, desculpem-me mas não há nada tão bonito, emocionante, justo e arrebatador como um festejo em plena bancada em estado puro de alegria. 

Tudo dentro da normalidade, o Var analisou, o tempo de descontos ainda não tinha acabado, o árbitro até era o insuspeito Soares Dias e o Benfica ganhou assim. Da forma mais dramática, da maneira mais dura mas venceu sem deixar margem para discussões. 

Numa maratona como é a Liga NOS, ganhar jogos em que a equipa não esteve bem é essencial para manter a chama. Na época passada vimos isso com o Tondela na Luz e com Seferovic a resolver. 

Precisamos de voltar a jogar mais e melhor mas esta vontade, determinação e procura pelo golo final nunca pode ser diminuída nem ignorada porque isto também é futebol. 

Como já sabem eu sou simpatizante do 3-0 aos 20 minutos e de uma aborrecida monotonia sem emoção com o Benfica a ganhar. Mas quando se ganha desta maneira voltamos sempre a festejar como uns putos que foram à bola pela primeira vez na vida. Uma adrenalina que torna a viagem de regresso mais simpática. Uma dose de felicidade que faz com que venha aqui desabafar a caminho das 5 da manhã antes de ir descansar de mais uma épica odisseia atrás da equipa que escolhi para me fazer regressar à infância todos os fins de semana.

Que esta vitória seja recordada em Maio com a mesma satisfação que recordei aquela com o Tondela na Luz.

O Minho é Benfica. Ser do Benfica é incrível. 

 

Benfica 1 - 2 RB Leipzig: Eurocépticos

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O grande dilema é o seguinte: o discurso de retoma europeia não bate certo com os zero pontos no final do dia depois da estreia europeia. 

O Benfica começou a disputar a fase de grupos da Champions League pelo 10º ano seguido e não há maneira de sentirmos que a equipa dá o necessário salto qualitativo para bater certo com a promessa de pensar em grande na Europa. 

As campanhas todas acumuladas adensam mais o sabor amargo de uma derrota caseira no arranque de mais uma campanha na Liga dos Campeões. 

Nas últimas décadas o Benfica chegou aos 1/4 de final com o Bayern e com o Chelsea. Depois é preciso recuar a Koeman e lembrar o Liverpool. Foram as excepções que nos fizeram sonhar e que nos mostraram que podia acontecer um Benfica mais ambicioso na Liga dos Campeões. Mas por diferentes razões, o sonho de chegar mais alto vem sendo sempre adiado. Verdade que as duas caminhas até às finais da Liga Europa atenuaram bastante a frustração europeia mas não serviram de alavanca para mais e melhor. 

Parece que há um medo cénico do Benfica em tentar regressar ao mais alto patamar europeu. Os adeptos não levam a sério as noites europeias na Luz que apresenta sempre uma triste moldura humana entre os 16 estádios que desfilam nos resumos no final da noite, e, há que dizê-lo, depois outros compensam com prestações vocais memoráveis longe de Portugal agarrando a ideia que há que ter euro ambição. Os vários treinadores do Benfica vacilam entre usar o 11 mais forte e consolidado e tentar lançar novas caras para não comprometer os pontos na liga portuguesa. Liga essa que é outro problema para o Benfica. O nível é tão mais baixo do que qualquer campeonato do top 5 europeu que os treinadores ficam sempre tentados a mudar algo táctico, individual ou colectivo para improvisar e surpreender o adversário. Isto porque fica demasiado fácil para qualquer clube que tenha de defrontar o Benfica vir observar a prestação interna da equipa e perceber como se joga. São cerca de 30 jogos internos que o Benfica tem para contornar adversários a jogar quase sempre da mesma maneira. 

É isto em traços gerais. 

Vamos ao desafio de hoje. Bruno Lage mexeu na equipa e no plano de jogo. Parece-me óbvio que o faça. Seguir para este jogo com o habitual 4-4-2 seria tornar tudo ainda mais previsível para o adversário. Já com o Frankfurt se percebeu que houve uma preocupação de montar um ataque diferente sem dar nenhum jogador à marcação da linha defensiva. 

Hoje, Lage apostou em RDT mais à frente e Jota atrás, Cervi, uma surpresa mas que já tinha jogado no tal jogo com o Eintracht e Pizzi nas alas. Entregou o meio a Fejsa e Taarabt, dando continuidade a aposta do último jogo. Atrás também uma novidade, Tomás Tavares. André Almeida não estará ainda capaz de jogar dois jogos com um tempo de recuperação tão curto. Aqui parece mais uma necessidade do que um risco, mesmo porque Tomás Tavares fez uma exibição muito prometedora. 

Portanto, a novidade era Jota a atacar as entrelinhas e Cervi mais fresco, primeiro jogo da época, para atacar e defender com a mesma velocidade e intensidade. 

Curiosamente, de todas estas apostas a maior desilusão foi Pizzi. Mais uma vez em contexto europeu Pizzi parece eclipsar-se e até hesitar na hora do remate. É estranho o rendimento de um dos melhores jogadores do campeonato variar tanto em noites europeias. O valor de Pizzi quase que o obriga a estar no banco mas depois do jogo acho que até o próprio concordaria que teria sido melhor ter ido a jogo Rafa de inicio. São daquelas conclusões fáceis de tirar depois do jogo, antes é mais complicado. 

Com tudo isto, o Benfica conseguiu dividir o jogo. Conseguiu mostrar momentos de bom futebol, especialmente guiados por Adel Taarabt e com combinações de primeiro toque que chegaram a empolgar a Luz. 

A verdade é que o Benfica construiu oportunidades suficientes para marcar e isso é um bom indicador. O mais dramático é que continua a ser mortal a este nível não se concretizar as boas oportunidades. Grimaldo de livre viu Gulacsi a negar o golo, RDT arrancou grande remate mas voltou a sair ao lado, Pizzi foi irreconhecível na finalização e Cervi ainda devia estar a pedir desculpa pela envergonhada maneira como não marcou golo depois de um passe magistral de Taarabt.

Acrescenta-se a esta falta de qualidade na hora de fazer golo dois argumentos pesados. O primeiro é a diferença na hora de decisão de Timo Werner para a realidade que conhecemos. O alemão em oportunidade e meia faz dois golos. É duro mas é mesmo assim.

O segundo argumento é que há uns meses atrás quando batemos o Eintracht na Luz quem fez de avançado foi João Félix. Podem gostar muito ou pouco mas o rapaz é um craque e fez 3 golos resolvendo uma questão que hoje nem RDT, nem Jota conseguiram. E não conseguiram porque João Félix só há um de tempos a tempos e por isso é que saiu pelo valor que se sabe.

Então porque é que não se foi buscar um jogador assim? Bom, por mim trazia-se o Timo Werner, por exemplo. O problema é que só o dinheiro não chega para ter um jogador daqueles no nosso quadro competitivo e foi isso que Bruno Lage explicou na conferencia de imprensa antes do jogo com o Gil Vicente. 

É neste drama que vivemos. 

Houve coisas boas mas no fim da noite lá está o último lugar do grupo à nossa espera. 

Há jogadores importantes de fora por lesão e há uma pressão extra pela nuvem negra que tem pairado sobre as prestações do clube na prova. Só um bom resultado na Rússia e um positivo confronto duplo e directo com o Lyon pode devolver a esperança europeia aos adeptos. Há condições para isso desde que a objectividade na hora de concretizar suba aos níveis desejados. 

Hoje foi uma decepção. 

Benfica 2 - 0 Gil Vicente: A Naturalidade Que Já Não Chega

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Há uma enorme diferença entre as expectativas dos profissionais e dos adeptos. Isto é, quem faz parte da organização do futebol profissional do Benfica, técnicos e dirigentes, não vê o pré jogo e o pós jogo da mesma maneira que os adeptos nas bancadas ou em frente à televisão. 

Uma das grandes mais valias que Bruno Lage trouxe ao universo do Benfica foi humanizar essa visão sobre o futebol em geral. Não se repete entre lugares comuns, não avalia os jogos segundo uma realidade paralela ou uma ciência obscura só ao alcance de uns iluminados e tenta sempre explicar as suas opiniões. 

Serve esta introdução para contextualizar os sentimentos mistos que ouvi e li após o jogo deste sábado à noite. 

É verdade que não se pode justificar uma exibição menos conseguida logo à partida com a paragem das datas FIFA. Mas não se deve ignorar quando o melhor jogador em campo, Adel Taarabt, diz que a tal paragem tornou este jogo mais difícil. 

Também não se deve justificar a menor intensidade de jogo do Benfica, principalmente depois do 2-0, com o facto de estarmos a poucos dias da estreia na Champions League. Mas na verdade é algo comum a quase todas as trinta e duas equipas que vão disputar a maior prova de clubes do mundo. É reparar nos resultados e exibições de Juventus, das equipas de Madrid, do Manchester City ou mesmo dos três adversários do Benfica, só o Zenit venceu e com bastantes dificuldades. 

Isto nem são desculpas, são factos para tentar chegar aquilo que quero. Penso que a melhor maneira de avaliar e analisar a exibição do Benfica é utilizar o pragmatismo e o equilíbrio contextualizando o momento competitivo do calendário.

Posto isto, recupero as diferenças entre profissionais e adeptos para ir directamente a um momento do jogo que me deixou confuso. Quando Jota está na linha lateral pronto para entrar começou uma corrente de desabafos nas bancadas. Aconteceu na minha bancada e acredito que tenha sido em todo estádio. "Pronto, ele vai tirar o RDT". 

Placas levantas e sai mesmo o espanhol. A reacção das bancadas veio nessa sequência, assobios para a repetida decisão de Bruno Lage. Algo que me pareceu lógico e natural numa relação aberta e honesta entre adeptos e treinador. Os adeptos não estão a gostar que saia sempre Raul de Tomas e manifestaram-se. Não vejo mal nenhum mesmo porque este é um estádio que tem um legado assustador nas bancadas onde adeptos assobiavam lendas como Nené ou Cardozo e a própria equipa a ganhar quando não goleava. Até aqui nada de anormal. 

Mas reparei que a reacção de Lage, RDT e Seferovic é que baralhou isto tudo porque todos interpretaram a assobiadela como se fosse para o jogador a sair. E não foi. Até foi uma manifestação de carinho e confiança no espanhol, os adeptos queriam mais tempo em campo. 

Esta á minha interpretação de um dos momentos mais acesos da noite. Posso estar enganado mas o protesto foi para a decisão da equipa técnica. Repito que não vejo mal nenhum nisso e acredito que Bruno Lage também não se importe de explicar a opção. Mas isto faz parte do futebol porque, como comecei por dizer, há sempre uma visão do banco e outra das bancadas. E assim é que tem de ser. 

Já agora, deixo aqui também a minha visão de adepto de bancada sobre a não entrada de Tomás Tavares. Se era para lançar o miúdo porque é que não se tratou da substituição mais cedo? Mais um exemplo da maneira diferente como se vive o mesmo jogo.

Por falar em jogo, o que mais interessava era garantir os três pontos. Estes são os jogos que precisam de ser resolvidos com convicção. Bruno Lage ao ter normalizado as goleadas do Benfica no campeonato corre sempre este risco quando vence "só" por 2-0. É uma pressão óptima, uma dádiva só ao alcance de poucos treinadores. Elevar a fasquia para ser cobrado por vitórias menos expressivas e empolgantes. Há treinadores que fazem toda uma carreira contentes com um triunfo por 1-0. Lage no Benfica tem que se justificar quando ganha por 2-0. 

Um jogo no Estádio da Luz contra uma equipa repescada da 3ª divisão, depois de uma goleada em Braga, depois de um último jogo na Luz de má memória, tudo isto somado pedia uma goleada com futebol atractivo num sábado à noite e motivação para o grande embate com o líder da Bundesliga que, diga-se, não está a entusiasmar os 60 mil que podem encher a Luz, o que lamento.

A realidade é que o Gil Vicente é uma equipa já bem arrumada, muito bem treinada por Vítor Oliveira, com alguns jogadores muito interessantes, como Kraev, Sandro Lima, Baraye ou o guarda redes Denis, e veio à Luz com um plano de jogo digno e bem pensado pelo seu treinador. 

Conseguiu atrapalhar os pontos fortes do Benfica, faltou mais qualidade ofensiva e assustar a defesa do Benfica mais vezes. Mas deixou boa imagem na visita à casa do campeão. 

No Benfica houve estreia na dupla do meio campo, Fejsa regressou à posição "6" e Taarabt voltou a ser "8" e, tal como em Braga, esteve muito bem. Tão bem que acabou por ser o melhor em campo tendo naquele passe que acabou por dar o 1-0 o melhor lance para recordar. 

De resto, a mesma equipa do Benfica com as qualidade de Pizzi e Rafa, as expectativas em Seferovic e RDT, os apoios de Grimaldo e André Almeida e a segurança de Ruben e Ferro. Odysseas voltou a assinar uma folha limpa, a quinta em seis jogos. 

Não foi exuberante, não foi entusiasmante mas é muito agradável que se passe a avaliar as exibições do Benfica do ponto de vista do luxo. É que foram décadas a analisar jogos do ponto vista do lixo onde algumas vitórias pela margem mínima eram elogiadas pelo esforço e triunfos por mais de um golo de diferença eram tranquilas. Eu gosto mais assim. Um 2-0 ao Gil Vicente que deixa o pessoal alarmado. É preciso mais e melhor. 

Volto a referir o conceito de equilíbrio, acho que é o mais sensato. Era preciso regressar ao ciclo de jogos de clube com uma vitória e sem sobressaltos. Depois de Pizzi ter falhado o penalti o jogo podia ter ficado feio. Felizmente, a equipa procurou o golo antes do intervalo. Até no feliz 1-0 há drama no Benfica, o autogolo de Ygor Nogueira deixou RDT em nervos. Ou seja, o Benfica resolvia um problema antes do intervalo mas como não foi de forma imaculada viu-se drama. Isto, às vezes, não parece um clube de futebol, parece um enredo do dramaturgo William Shakespeare. 

O Benfica ganhou bem, fez a sua parte antes de começar a caminhada europeia. Estamos com cinco jornadas na Liga e há dúvidas dentro do futebol do Benfica. Há e vai continuar a haver. Foi o primeiro jogo após o fecho de mercado e com as lesões vamos ter ser matéria para especular entre as posições "6" e "8" além das dinâmicas da dupla atacante. Um 2-0 é um resultado natural que já não chega para satisfazer as exigências dos adeptos porque Bruno Lage vulgarizou as goleadas. Engraçado. 

Mas a tudo isto chama-se época de uma equipa de futebol que costuma ultrapassar a meia centena de jogos. 

Segue-se nova viagem ao Minho, estamos em ciclo de jogos com equipas minhotas na Liga e essa estreia na Liga dos Campeões com os líderes da Bundesliga na Luz. Uma visita à dimensão maior do futebol mundial numa pausa da limitada realidade do futebol português. 

Benfica 5 - 0 Paços de Ferreira: Então, E Se...

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Quis o "sorteio" da Liga 2019/20 que, caprichosamente, duas das três equipas que subiram à primeira divisão começassem a competição contra os primeiros dois classificados da última temporada. Para o Estádio da Luz avançava o campeão da 2ª Liga que manteve uma boa parte do seu experiente plantel e reforçou-o. Para o Porto ficava o clube que vinha do 3º escalão directamente para a Liga NOS e que tinha de fazer uma equipa em pouco mais de um mês.

As previsões começaram, os prognósticos sucediam-se. Passou a ser banal começar frases por "Então, e se ...". 

Então, e se o Benfica vier "morto" lá do torneio dos "states" e chegar ao Algarve e perder a Supertaça para os rivais de Lisboa? É que o Sporting não vai perder ninguém até lá e se está a reforçar. Aposto que o Bruno Fernandes só sai depois de ganhar ao Benfica. 

Ah, e se o Benfica perde a Supertaça aquilo abana tudo, ficam nervosos e podem perder pontos na estreia em casa. Olha que neste milénio o Benfica já teve muitos arranques aos soluços. Isto até dava uma boa capa para o jornal O Jogo.

Entretanto, o Porto começa no Minho com o Gil Vicente que teve de ir comprar um plantel novo e está a meio de uma eliminatória europeia. Vai correr tudo bem.

Curiosamente, não li, nem ouvi, ninguém lançar a seguinte suposição: então, e se o Benfica ganhar a ICC, chegar ao Algarve e golear o Sporting na conquista da Supertaça, voltar a golear na estreia da Liga e partir para a jornada 2 já com 3 pontos de avanço para o Porto? 

Não lembrava a ninguém, pois não?

A estreia num campeonato é sempre um momento simbólico muito esperado por adeptos e jogadores. Mais de 62 mil (!) benfiquistas encheram a Luz para o arranque da Liga. Depois da vitória na Supertaça, a ambição e o optimismo, que já vinha reforçado de Maio, aumentaram. A vontade de voltar a ver a equipa atinge níveis de inquietação geral. Além de tudo isto, enquanto a equipa está a aquecer chega do Minho a notícia da derrota do Porto. 

A resposta do Benfica? 5-0 ao Paços de Ferreira. 
Mas 5-0 com vários sinais para serem decifrados. Samaris regressou à equipa com a ausência de Gabriel. Nuno Tavares voltou a jogar à direita. Mais do que uma interessante solução, o miúdo hoje baralhou as contas todas aqueles que o apontavam como um erro de casting de Lage. Um golo, duas assistências. Já vi estreias piores na Liga.

Por falar no golo de Nuno Tavares, queria agradecer, sinceramente, ao Paços de Ferreira a troca de campo que obrigou o Benfica a jogar para sul primeiro. Foi da maneira que vi na perfeição o golaço de Nuno Tavares na Baliza Grande. Que momento inesquecível.

O sinal mais interessante desta goleada é que me parece que a equipa do Benfica até aparenta ainda estar longe do patamar de qualidade de jogo ideal. Há muito para melhorar. Mas com uma exibição normal, sem deslumbrar, o Benfica consegue ganhar por 5-0. Com Bruno Lage as goleadas voltaram a fazer parte dos hábitos de campeonato da equipa. 

Último sinal interessante, Carlos Vinicius apresentou-se na Luz com um golo à ponta de lança. Estrear a marcar, o que se pode pedir mais a um avançado?

Depois da conquista da Supertaça, começámos a grande maratona até Maio da melhor maneira. Com a ambição de sempre, com a vontade do costume, pelo Benfica.