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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 3 - 2 Vitória de Guimarães: Da Euforia à Intranquilidade na Estreia a Vencer

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Não tenho grandes problemas em admitir que sofro de grandes traumas com o jogo de estreia no campeonato. Pode parecer estranho mas houve um longo período, cerca de uma década, em que o Benfica não conseguia ganhar o seu primeiro jogo na Liga de maneira nenhuma. Nem fora de casa, nem na Luz. Simplesmente, começava sempre mal o campeonato com pontos perdidos. Ano após ano. Até foi assim no arranque do Tetra, derrota no Funchal. 

Quero sempre que este jogo de estreia no campeonato nunca seja o primeiro oficial do ano. De preferência, quero que o primeiro jogo oficial seja a Supertaça. Em alternativa pode ser uma noite europeia. Tudo para tirar aquela carga dramática da inauguração do campeonato. Vão ver os registos e depois percebem.

 

Felizmente, nos últimos anos temos tido arranques de época de luxo. Ou com Supertaças conquistadas ou com entradas de pé direito na maratona da Liga. Mas tenho sempre aquela aflição. 

Depois de uma noite europeia em que a exibição da equipa foi de baixo para cima, o Benfica entrou em campo com a mesma equipa para defrontar o Vitória de Guimarães. 

De forma clara e natural, o jogo revelou a subida de forma do Benfica da parte final do último jogo e o desacerto defensivo do Vitória que vinha da surpreendente derrota na Taça da Liga em casa com o Tondela. 

Durante meia parte tudo fez sentido na Luz, o Benfica a jogar bem, a criar oportunidades e toda a equipa a ter oportunidade de brilhar, até Odysseas com boas intervenções. A excepção voltou a ser Ferreyra que desperdiçou um penalti. Não está fácil a integração do avançado, de qualquer maneira fica na memória a sua simulação, deixando a bola passar para um dos golos de Pizzi. 

Pizzi, que noite! Três golos na primeira parte e uma exibição de excelência. Ele deu o mote para um grande arranque no campeonato. Salvo e Gedson acompanharam de perto a boa forma do português.

Tudo o de bom que elogiei na 2ª parte contra o Fenerbahçe, repetiu-se neste jogo com o Vitória. Chegar aos 3-0 antes do intervalo não devia estar nos sonhos do adepto mais optimista. 

Vou repetir uma teoria que já tenho mostrado várias vezes. Eu não me importo nada de estar a vencer por três ou mais ao intervalo. Não me aborrece nada que a segunda parte seja uma pasmaceira. É o tipo de monotonia que aprecio. Resultado dilato, o tempo a passar e os três pontos no horizonte. 

Já não aprecio tanto ver a equipa a quebrar com as substituições, nomeadamente a saída do omnipresente Fejsa, e ver o adversário crescer ao ponto de colocar o triunfo em causa. 

O Benfica fez o mais complicado que foi construir uma boa vantagem nesta estreia da Liga que fica a meio de uma importante eliminatória europeia. Percebe-se a tentação de tirar o pé, abrandar o ritmo, rodar a equipa e começar a pensar no jogo seguinte. Mas pode sair muito caro. O 3-2 final revela uma segunda parte sofrida e a força de vontade do Vitória muito bem orientado por Luís Castro.

Objectivamente, cumprimos o objectivo dos três pontos. A equipa voltou a mostrar períodos de bom futebol que se deseja que sejam mais longos no futuro.

Depois do 3-2 vi dezenas de adeptos a virarem costas ao jogo e abandonarem o estádio. Em vários sectores da Luz. Foi uma imagem curiosa que me ficou no pensamento. Gostava de ter aquela coragem de ver uma vantagem de três golos passar para um com uns dez minutos para jogar e ir à minha vida.Gente valente e confiante.

 

O Benfica já leva dois jogos oficiais em 2018/19 com duas vitórias. Tem um onze que veio da época passada com um novo guarda redes, que tem justificado a aposta, um miúdo da formação que está a subir de produção de jogo para jogo e um corpo (ainda) estranho na frente com uma fase menos boa de Ferreyra.

Os momentos bons entusiasmam, os entendimentos das alas, Cervi, Grimaldo, André, Salvio, a grande forma de Pizzi e a entrega de Gedson, tudo sinais positivos.

O desligamento do jogo assusta, não há mudança individual que explique uma forte reacção do adversário

Prevejo um bom campeonato para este Vitória suspirei de alivio com o apito final que garantiu os primeiros três da temporada.

 

PS: um abraço à turma que estava a jantar no Edmundo e que me exigiu a crónica quando chegasse a casa. Cá está. 

Benfica 1 - 0 Fenerbahçe: Meio Caminho Andado

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Bem vindos à época 2018/19 e à publicação de crónicas sobre os jogos do Benfica.

Nos últimos anos, durante o defeso, tem crescido em mim a dúvida se é mais forte ansiedade de voltar a ver jogos a doer do Benfica ou se é preferível estar mais tempo em descanso com tempo para ver outro futebol. Nos anos pares tudo é muito mais fácil de gerir, termina a época e seguem-se torneios de dimensões enormes, Mundiais e Europeus. 

Na verdade, são, quase, três meses seguidos sem jogos oficiais do Benfica. Durante as primeiras décadas de vida sentia uma ansiedade muito grande pelo primeiro jogo da época. Ultimamente, nem por isso. Explica-se com a velhice e com aquele chavão de que o tempo começa a passar mais depressa. Mas também são sinais dos tempos. É que, na realidade, depois do último jogo oficial do Benfica nunca há descanso de verdade. O peso mediático arrasta-se de forma incrível todos dias e noites. 

Enfim, serve esta introdução para explicar que o tempo passa, os contextos mudam, os desafios renovam-se e a grande verdade é que umas horas antes do primeiro jogo oficial abate-se um nervosismo, uma ansiedade e uma vontade inexplicável de ocupar o lugar na bancada e começar tudo de novo. É isto há uns 40 anos seguidos, mais coisa menos coisa. É absolutamente mágico aquele momento em que o jogo começa, respiramos fundo, damos uma olhadela pelas bancadas, fixamos o olhar na bola e depois espreitamos o céu como que a pedir uma ajuda divina para mais uma viagem, para mais uma maratona que só acaba em Maio. 

 

O primeiro jogo é sempre especial. Geralmente, quando a estreia não é no campeonato é bom sinal. Nos últimos cinco anos, arrancámos as temporadas a disputar a Supertaça. Óptimo sinal, dá para começar logo a lutar por um troféu e quebra-se o gelo para a Liga. Tenho para mim que esse facto tem ajudado a quebrar aquele enguiço que durou várias épocas e que fazia com que as estreias no campeonato fossem decepcionantes. Ou seja, uma estreia a frio da Liga não é a melhor maneira de começar. O ideal é termos a Supertaça, sinal que alguma coisa correu muito bem no final da época passada.

Este ano, o desafio é europeu. Já não acontecia há muito e até apareceu de maneira inesperada. Na última jornada do campeonato já não era expectável terminar no 2º lugar. Felizmente, aconteceu e agora abriu-se uma porta de entrada para a Champions League.

Temos, portanto, para estreia da época uma noite europeia contra um velho conhecido, o Fenerbahçe que tinha estado na Luz a disputar uma meia final da Liga Europa de boa memória.

É muito complicado gerir todas as emoções nestas estreias. É o equipamento novo que vai ser visto ao vivo pela primeira vez por muitos adeptos, é o relvado que tem meio mês de vida e que apresenta uma imagem espectacular, são os reforços que vão sentir a Luz pela primeira vez, são as saudades daqueles nervos únicos que já não sentimos há três meses. 

Ao mesmo tempo é preciso gerir o contexto da partida. Não é um jogo qualquer, é metade de uma eliminatória, está muita coisa em jogo, desde prestígio, a orgulho, a saúde financeira. 

Um estádio cheio para receber uma equipa que, pela primeira vez em cinco anos, entra em campo sem ser campeã nacional. Há expectativa entre os adeptos de saber como vai a equipa reagir, há expectativa entre os jogadores para saberem como vão estar os adeptos durante o jogo. 

 

Começo por destacar o imenso respeito que os turcos mostraram pelo Benfica. Estudaram bem todos os pormenores. Logo na saída de bola obrigaram o Benfica a atacar de norte para sul contrariando a tradição da Luz. É porque conheciam este hábito. 

Depois, a postura em campo nas duas partes mostrou um Fenerbahçe bastante receoso. Na primeira metade, a pior do Benfica, os turcos deram prioridade à posse de bola, tentando controlar o jogo mas nem por isso se mostraram muito atrevidos na busca de um golo. 

Na segunda parte, os turcos limitaram-se a defender, mesmo depois de estarem em desvantagem. Fica registado.

 

Era muito importante não sofrer golos. Esta é sempre a primeira prioridade para quem joga uma eliminatória da UEFA primeiro em casa. Depois, procurar vencer pelo maior número de golos possíveis. Graças à velha regra do golo fora, é muito melhor vencer por 1-0 do que por 2-1. É dos livros.

Nesse aspecto, a única boa notícia ao intervalo é que não havia golos.

 

O Benfica estreou Odysseas na baliza, ganhou a titularidade na pré época por mérito próprio. Ferreyra na frente e Gedson no meio campo. O jovem só teve que superar o nervosismo inicial porque tem Benfica da cabeça aos pés. O guardião teve uma estreia tranquila. O avançado não teve a estreia que desejava e que se desejava. 

O Benfica não conseguiu impor o seu jogo na primeira parte mas podia ter chegado ao golo no primeiro minuto se a falta de Isla sobre Cervi tivesse sido devidamente assinalada. 

A imagem mais simbólica da apagada primeira parte ficou naquele lance de Ferreyra, perto do intervalo, em que o avançado remata fraco. 

 

Na segunda parte foi um Benfica de menos a mais. A equipa cresceu muito com a subida dos sectores, com os jogadores a jogarem muito mais juntos a velocidade aumentou, as iniciativas nas alas cresceram e os problemas para os turcos começaram a aparecer. 

Gedson a transportar jogo sem complexos, Salvio e André na direita, Grimaldo e Cervi na esquerda, nas habituais criações conseguiram levar o jogo para um patamar muito mais interessante. Faltou mais Pizzi, no sentido do português aparecer mais perto da baliza e faltou muito mais Ferreyra. 

Com 0-0, Rui Vitória optou por trocar de avançados lançando Castillo, outra estreia. Na Luz pedia-se um alargamento da frente de ataque mas, sinceramente, pareceu-me a melhor opção. É que Ferreyra não me pareceu que fosse dar muito mais ao jogo e a equipa estava a crescer a olhos vistos apesar do nulo. O chileno trouxe mais energia, mais combate, mais garra ao ataque do Benfica e o Fenerbahçe encolheu-se mais um pouco. O guarda Redes Demirel recusava-se a repor a bola em jogo com o árbitro a permitir perdas de tempo inaceitáveis. 

O golo apareceu de forma natural e justa, ligação directa entre extremos, Salvio da direita para dentro assiste Cervi que veio da esquerda para receber e improvisar um remate cruzado que deu o 1-0. 

Foi um bom período do Benfica, houve ali um momento em que vários jogadores do Benfica mostraram uma subida de confiança grande com trocas de bola de nível técnico superior e isso deixou a equipa turca desconfiada e sem vontade de procurar um valioso golo. 

 

Foi a 14ª vez que o Benfica venceu uma primeira mão por 1-0. Só contra Anderlecht e Dortmund correu mal na segunda mão. O Fenerbahçe sempre que perdeu por este resultado nunca conseguiu seguir em frente em sua casa. Há que preparar a ida à Turquia com o pensamento de marcar lá. Há argumentos para isso.

Não foi uma estreia fantástica mas foi uma primeira missão cumprida. Foi a primeira vitória desde Dortmund e fica o sentimento de arranque positivo. 

Agora que a bola já rolou não há volta a dar. Voltámos ao ritmo alucinante dos jogos a doer. Ainda estamos a fazer rescaldo e projecções para a segunda mão e já aí está o Vitória Sport Club à espera de entrar em cena no novo tapete da Luz.

Afinal, já tinha saudades. 

Benfica 1 - 0 Moreirense: O Mínimo dos Mínimos

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Já não estamos habituados a acabar a época sem festa. A sensação de depressão que se abateu sobre o universo benfiquista após o clássico da Luz só piorou até terminar o campeonato. Depois dessa derrota, uma vitória arrancada nos últimos instantes no Estoril, entretanto despromovido, uma impensável derrota em casa com o Tondela que fez com que os resistentes que acompanham a equipa a todo o lado fossem buscar forças e motivação para irem apoiar a equipa no derby de Alvalade que, de repente, ganhava um novo encanto para os rivais que tinham uma autêntica via verde para o 2º lugar e possibilidade de acesso à, cada vez mais, milionário Champions League.

Curiosamente, a equipa do Benfica depois de três exibições que arruinaram a época, embora no Estoril até tenha ganho, surpreendeu pela positiva com uma primeira parte digna de uma equipa ambiciosa e focada em cumprir o objectivo minimo da época. Mesmo assim, saímos todos de Alvalade com a sensação de que não chegou, aliás, a segunda parte não foi do nível da primeira e o nulo deixava a tal via verde ainda mais livre para os rivais.

É com este espirito que chegamos ao derradeiro jogo na Luz, um terceiro lugar no horizonte, algo que não acontece há uma década, e muita insatisfação nas bancadas. 

Restava esperar que a equipa repetisse a boa exibição da primeira parte e cumprisse a obrigação de fechar o campeonato com uma vitória. 

Mais uma vez a teoria deu lugar à prática contrária. 

O Moreirense fez-me esquecer que era treinado por um ex jogador que muito estimei no nosso clube quando decidiu mexer na tradição do Benfica atacar primeiro para norte. Não resisti a pensar naqueles segundos, era descerem. 

Com Jonas de regresso à equipa, era de esperar uma tarde tranquila para compensar o ridículo frio na Luz a meio de Maio. Estranhamente, os jogadores do Benfica pareceram-me ainda mais desconfortáveis do que os adeptos. Menos motivados, nada inspirados e com pouca vontade de um fecho agradável. Chegou a dar a ideia que nem o objectivo Champions os despertava.

 Diga-se que apareceram na Luz mais de 40 mil adeptos, foi a pior casa do campeonato mas perante este contexto final é de assinalar o número elevado. Adeptos que mereciam mais futebol.

Há falta de entusiasmo com o futebol do Benfica, uma grande parte do estádio reagiu com festa aos golos do Marítimo e criou-se a discussão do dia. Faz sentido ou não festejar a desgraça dos outros que nos permite acabar com uma fraca consolação?

Não vou fazer juízos de valor. Digo só que recebi a notificação dos golos do Marítimo com toda a tranquilidade e nem reagi. Felizmente, já lá vai o tempo em que ficar à frente de um rival ou garantir a disputa de acesso à Champions League era motivo de grande satisfação. Sinceramente, hoje em dia tem que ser só uma nota de rodapé, um sorriso leve por ver quem tanto nos quer mal acabar em desgraça. Mas só isso. A nossa mentalidade mudou, a nossa ambição voltou a ser à Benfica, a nossa exigência voltou a ser gigante. Isto é, tudo o que seja um campeonato sem Benfica campeão não pode dar vontade de celebrar nada. E com isto não quero tirar mérito aos golos de Jonas que volta a trazer para a Luz o prémio de melhor marcador da Liga. Agradeço e elogio o Jonas pelos números brutais, ultrapassou a marca de Magnusson que era a melhor depois de Eusébio. 

Mas o contexto final foi muito pobrezinho. Foram os serviços minimos garantidos. Só acabámos dentro do nível Champions porque os outros falharam no final. E os outros sãos os mesmos de sempre. São os que nos odeiam de morte mas acabam por ter um lugar no nosso coração porque durante anos e anos foram o nosso consolo em temporadas muito negras. E voltaram a ser no primeiro ano em que falhámos o objectivo maior em meia década. 

Acabou tudo mais aliviado do que satisfeito na Luz. O Moreirense porque continuará por cá, o Benfica porque sem ter feito muito por isso garante que começa a nova temporada com importantíssimo compromisso europeu. 

Finalmente, espero que esta vitória perante o Moreirense tenha o mesmo efeito que teve em 2013. O cenário actual não é animador mas o daquele fim de tarde de 2013 era muito pior e acabou em Tetra. 
Bom descanso para todos. Em termos de crónicas, volto no primeiro jogo oficial de 2018/19. 

Sporting 0 - 0 Benfica: Vitória Bateu nos Postes

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Pedia-se resposta à Benfica no derby de Alvalade. Foi o que aconteceu. Aliás, aconteceu de tal maneira que apetece perguntar onde é que andou aquele Benfica da primeira parte nos jogos com o Porto e Tondela ?! 

A primeira parte do derby foi das melhores exibições que vi esta época e que deixa em aberto uma saudável discussão sobre o que podia ou pode ser o futebol da equipa de Rui Vitória. E um dos temas a discutir tem que ser a gestão da qualidade individual do plantel e as opções que podem originar. 

Ora, em Alvalade, Rui Vitória pensou num esquema diferente com Samaris e Fejsa no meio, Pizzi mais à direita, Rafa na esquerda, e Zivkovic atrás de Raul. Lá atrás a única novidade foi Douglas no lugar do ausente Almeida. E, digo já, que o brasileiro até fez um jogo bem positivo. 

Estas variáveis atacantes resultaram na perfeição e o Benfica partiu para uma primeira metade de jogo muito personalizada entusiasmante e que merecia melhor sorte na hora da finalização. Duas bolas no poste e duas intervenções de Rui Patrício, o melhor do Sporting, evitaram uma justa vantagem que daria para garantir três valiosos pontos. É um pouco a imagem deste Benfica 2017/18, quando joga muito marca pouco ou nada, quando joga pouco vence em esforço. Infelizmente, esta conjugação não saiu certa e o Benfica arrisca-se a acabar em 3º lugar depois de ter passado pelo Dragão e Alvalade sem sofrer um golo. 

Aliás, Varela deve ter tido uma das noites mais tranquilas da sua carreira. Só me lembro de ter feito uma defesa a remate de Coentrão. 

Se fizermos o balanço dos dois derbys, o que dá vantagem ao Sporting é um golo na Luz marcado em fora de jogo. Não deixa de ser irónico e simbólico que numa época marcada pelo maior ataque de dois clubes aliados e unidos pelo ódio ao Benfica, a vantagem no acesso à Champions se resuma a isto.

Igualmente irónico, é que na época de estreia do VAR os dois árbitros dos derbys não tenham tido necessidade de utilizar as ferramentas ao seu dispor para julgar melhor. Recordando a vergonha dos penaltis esquecidos da Luz: empurrão de Coentrão a Jardel, mão de Coentrão na área, mão de Piccini na área, mão de William na área e, claro, Acuña fora de jogo no momento do tal golo do Sporting. 

Só para relembrar os últimos minutos do derby de Alvalade, a entrada de Bruno Fernandes que foi presenteado com um cartão amarelo e o caricato lance na área do Sporting em que é assinalada uma falta num choque de Patrício com um companheiro seu, fora da pequena área, e que fez a bola sobrar para um remate para golo. Tudo normal, portanto. Estamos falados quanto a VAR, Xistras e Macrons. 

 

A ida a Alvalade é, de longe, a que exige maior sacrifício mental. Prefiro mil vezes ir a Chaves ou Portimão, só para dar exemplos de campos bem distantes de casa, trocando o conforto da proximidade, pela sanidade mental. Para quem não costuma ir a Alvalade ver o derby ficam alguns apontamentos curiosos que valorizam muito os que se dão ao trabalho de tirar um dia para passar esta experiência a preços bem puxados.

Para começar, quem compra um bilhete para o derby não é obrigado por lei a seguir para o estádio na chamada caixa de segurança. Eu recuso-me a ir em manada sobre ordens de agentes da autoridade nervosinhos e cheios de vontade de malhar em tudo o que mexe. Como tal, a Liga e os responsáveis pela segurança do jogo têm que, de uma vez por todas, pensar um pouco mais além e resolver a vergonha que é aquele acesso à bancada visitante do estádio do Sporting. 

Eu sei, por experiência própria, que na Luz os adeptos visitantes que cheguem fora das caixas podem ficar em segurança, isolados e com vigilância policial à espera que as portas abram num espaço reservado para eles. E bem. Vejo isto todas as épocas.

Porque é que eu chego à porta que dá acesso à bancada de Alvalade onde vou entrar e tenho de ficar no meio de uma rua cheio de adeptos do Sporting? Já alerto para isto há muito tempo. É que são cada vez mais os adeptos que perderam a paciência para caixas de segurança e vão para o estádio mais cedo. Claro que com tanta mistura a confusão é inevitável. E quando os adeptos da casa pensam que estão em maioria e resolvem partir para a agressão são surpreendidos com um forte contra ataque de muitos mais adeptos visitantes que estão ali perto. E a polícia já só tem tempo para reagir com violência descontrolada. Isto tem que ser resolvido porque na Luz já está há muito tempo controlado.

Depois, entrar naquele estádio e ver que pintaram nas bancadas que ganharam 22 campeonatos, os nomes de Figo e Cristiano Ronaldo com Bolas de Ouro feitas no Sporting e outras preciosidades é de uma vergonha alheia que não tem explicação. Na nossas últimas 16 visitas aos dois estádios do Sporting para ver derbys para o campeonato há um facto comum em todas elas, nunca ganharam um só campeonato. Nem um. Mas há 16 anos tinham 18 títulos de campeão e entretanto escrevem 22. É o Sporting. 

É o Sporting das claques legalizadas. As tais que estão dentro da lei e que devem ser seguidas como exemplo. As que são incentivadas pelo clube e podem interromper um derby nos primeiros minutos com uma inacreditável chuva de tochas para cima da baliza de Patricio! A lei permite que as claques soltem fogo de artificio (!) na bancada. E todos esperamos que o circo acabe para podermos ver o jogo. As claques que podem mostrar lindas coreografias que assinalam datas e locais de confrontos violentos como exemplo para todo o país ver. Com orgulho. Claques que podem mostrar frases durante a partida altamente originais e variadas. Para se ter uma ideia, mostraram uma especialmente bonita umas três ou quatro vezes que dizia apenas e só: Filhos de Uma Grande Puta! Poético, não é? Mas legal, atenção.

São aquilo, nunca passarão daquilo e, por isso, é que precisam de inventar campeonatos ganhos a meio de uma seca que já vai em 16 anos e também exibirem bolas de ouro de jogadores de clubes de outras dimensões. 

Também é engraçado ver que o arranque da 2ª parte é abortado porque os fios da "aranha" que suporta a câmara por cima do relvado caíram. Enfim, é uma viagem a uma realidade paralela e virtual que não é fácil de gerir mas que, felizmente, só acontece uma vez por temporada. 

 

Tudo adiado para última jornada, a ver se o fica desta temporada é um prémio final para esta boa exibição no derby ou um castigo pela incompreensível derrota com o Tondela.

Benfica 2 - 3 Tondela: Impensável!

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Desafio número um: não perder a objectividade. Isto é, a crónica é sempre sobre o último jogo, a tentação é partir para balanços globais. Mantendo a objectividade vamos falar sobre este jogo.

Perder jogos com rivais directos não é agradável mas acaba sempre por acontecer com maior ou menor regularidade. Perder jogos em casa com equipas abaixo dos rivais directos é algo a que, felizmente, já me desabituei há vários anos. Há, quase, oito anos aconteceu a última surpresa inesperada na Luz. Uma derrota com Académica. Desde 2010 até 2018, o Benfica acabou, e bem, com derrotas caseiras com equipas de dimensão inferior. É o tipo de coisas a que me habituo bem e depressa. 

Portanto, perder hoje com o Tondela é voltar atrás quase uma década. Ser derrotado no penúltimo jogo da temporada em casa quando se estava a dois pontos do líder é inacreditável. 

Olhando friamente para o jogo, aceita-se o triunfo do Tondela. Por isso, parabéns ao Pepa pelo excelente trabalho que tem feito no clube.

Olhando para o Benfica é muito complicado perceber e reagir ao que aconteceu nesta partida. Há aqui factos que não ligam com o passado recente. Quando nos lembramos da época passada em que Pizzi ia sempre a jogo mesmo estando "tapado" com cartões amarelos durante muito tempo, fica difícil entender as ausências de dois titulares num jogo antes do derby. A mentalidade nunca tem sido esta. Só se os ausentes estavam sem condições físicas de ir a jogo e isso não sei. Nem interessa muito insistir nisso porque o jogo foi com o Tondela e qualquer jogador do plantel que seja chamado tem obrigação de ganhar a partida.

Começar a ganhar por 1-0 e consentir uma reviravolta até 1-3 é inaceitável. Alguma coisa não está bem. E nem foi a primeira vez esta temporada que a equipa consegue a vantagem para depois a desperdiçar de forma misteriosa. 

Reduzir tudo à ausência de Jonas é redutor e pode ser assustador.

Explicar tudo com más decisões nas substituições também é ridículo porque o Benfica teve muito tempo para reagir e não conseguiu.

Partir daqui para avaliações globais é perigoso e tentador. Mas como há mais dois jogos para disputar e um lugar na tabela classificativa por esclarecer é melhor focarmo-nos no que é preciso fazer para vencer o derby que é o próximo jogo. 

Para já e como ponto de partida temos uma ideia base fácil, é fazer tudo ao contrário do que se fez neste jogo. 

Hoje veio tudo à cabeça, o final de época em 2013, os tempos em que perdíamos com as "académicas" da vida com alguma facilidade, os anos a seco, tudo o que de mau, infelizmente, muitos de nós vivemos durante vários anos. Demasiados anos. Já nem me lembrava como é tão mau esta sensação de luto, de vazio, de frustração. 

Depois de tantas vitórias conquistadas com garra e superação nos últimos instantes como é que pode acontecer uma derrota destas? Impensável. 

Mesmo sem luz no fundo do túnel é preciso manter o foco, há dois jogos para ganhar. Não é uma fuga para a frente, é a realidade. Esta pode ser mais uma noite em claro a juntar a tantas outras no meu historial benfiquista. Mas tem que ser uma noite de reflexão e não de auto mutilação clubística.

Estoril 1 - 2 Benfica: Até à Última!

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Antes do jogo muita gente perguntava porque é que este ano mudaram a lógica das bancadas. Nas últimas épocas os grupos de apoio ficaram na bancada nova, desta vez foi tudo para a central. Não percebi se houve explicação oficial para isto ou se é resultado daquela palhaçada que aconteceu no jogo com o Porto.

Claro que a nós calhou o Estoril da primeira parte desse jogo surreal com o Porto. Um Estoril tão agressivo que o jogador Ailton personalizou na perfeição. Logo nos primeiros minutos varreu André Almeida e nem cartão viu, para depois aos 38' fazer penalti sobre Raul Jimenez, deixando o mexicano a sangrar. E claro que nem penalti, nem cartão. Assim, lá continuou o brasileiro em campo como se nada fosse. Parece fácil.

O jogo até começou bem para o Benfica, aos 10' Rafa fez o 0-1 e estavam assim dissipadas as dúvidas sobre as marcas que o clássico podia ter deixado. O problema é que a equipa nunca mais voltou a mostrar eficácia na hora de marcar. Nomeadamente Rafa ficou a dever mais uns quantos golos na sua conta pessoal e assim deixou sempre o jogo em aberto.

Este é um dos grandes mistérios deste Benfica, porque é que não mata os jogos mais cedo e acaba a dar vida ao adversário? Aconteceu aos 50' o golo do empate que foi anulado pelo VAR. Mas o sinal estava dado, o Estoril estava vivo e queria chegar aos pontos.

Aos 63' o Estoril empatou mesmo por Halliche, um central argelino que um dia Eurico Gomes apontou ao Benfica mas que nunca jogou de vermelho. Ou seja, na segunda parte do jogo a equipa de Rui Vitória caiu numa apatia difícil de compreender e meteu-se a jeito para perder pontos da Amoreira. 

Assim que o Estoril chegou ao empate percebemos que o jogo ia deixar de ter muito tempo útil de jogo. Logo a seguir ao golo jogadores deitados no relvado, às vezes aos pares, o guarda redes Renan mostrou que, por ele, passava o resto da partida estendido na relva a receber massagens. 

Aliás, um dos meus sonhos do futebol actual é que o Benfica consiga fazer um golo do meio campo quando o guarda redes adversário resolver sentar-se a agitar os braços enquanto a sua equipa tenta recuperar a bola. Aconteceu no Restelo, já aconteceu na Luz e ontem repetiu-se a rábula mesmo à minha frente. Nada me deixa mais irado que isto. O jogo a decorrer normalmente e, de repente, temos o guardião sentado a gozar com quem paga bilhete a interromper o jogo. 

Nestas paragens o meu destaque vai para o jovem Fernando Fonseca, camisola 12. Aproveitou todas as paragens para provocar os adeptos na bancada atrás da sua baliza na 2ª parte, entreteve-se a apanhar objectos do relvado para ir entregar ao árbitro e num corte que fez evitando novo golo de Rafa, festejou como se tivesse ganho a partida. Nada contra. Já acho mais estranho prolongar esse festejo virando-se para a bancada com ar de possuído e a bater forte no peito. Fui ver se tinha sido formado no Estoril e se estava feliz por estar a defender o seu clube de sempre. Surpreendentemente foi formado num clube muito mais a norte. Está explicado.

Também foi por ele que fiquei feliz com o golo de Salvio. Assim que a bola entrou olhei para Renan e para Fonseca. Ri-me.

Não sei se acredito em algo abstracto como a confiança invisível. A verdade é que perto do final do jogo, com 1-1 no marcador, dei por mim a pensar que era evidente que ia chegar o golo da vitória. Só por uma questão de tradição e de lógica. É que nos últimos anos tenho ido sempre ver o Benfica à Amoreira e os jogos parecem ser sempre iguais e muito dificeis. Já aconteceu começar a perder e dar a volta, já aconteceu chegarmos ao fim do jogo angustiados com um falhanço amarelo que podia ter dado empate e até já tinha acontecido entrar em tempo de descontos empatados. Na Taça de Portugal contra o 1º de Dezembro, em Outubro de 2016, o Benfica ganha o jogo com um golo depois dos 90' e naquela mesma baliza. Na altura foi Luisão a apurar o Benfica.

Ou seja, nada de novo na Amoreira. Desperdício, sofrimento, angústia, nervos, revolta e sair de lá com a vitória no bolso. Acho que encarei o golo de Salvio com a naturalidade de um ancião já muito batido nestas coisas da bola.

Em resumo, o Benfica cumpriu os mínimos exigidos para alimentar a esperança até ao fim. Esta foi só mais uma vitória arrancada a ferros que confirmam a crença em vencer até ao último segundo.

 

Benfica 0 - 1 Porto: Desilusão

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Um regresso a 2013 para o qual não estava nada preparado. Na altura fiquei dias sem dormir após o empate a um golo com o Estoril na Luz naquela 2ª feira negra depois de uma jornada europeia épica. Foi uma viagem alucinante do céu ao inferno em poucos dias. Passei mal, aquele resultado deixou-me de rastos. De tal maneira que sempre que me falam do golo do Kelvin em lembro-me logo do momento em que saí da porta da bancada da Luz na noite do Estoril e senti-me morto vivo. Ainda hoje acho que o último campeonato que não vencemos foi mais por culpa daquele jogo com o Estoril do que por causa dos momentos finais no jogo seguinte. 

Também senti que estávamos muito mais perto de ganhar campeonatos se continuássemos a competir da mesma forma. Tanto assim foi que nos quatro anos seguintes fomos campeões. Sempre na base do sofrimento, sempre a aproveitar deslizes de terceiros, sempre cheios de alma. 

Foi com base nesta ideia que fiquei muito optimista quando saímos de Setúbal no primeiro lugar. Ficámos com o destino na mão. 

Era importante perceber o momento e focar tudo numa vitória no clássico, era o jogo mais importante de uma vida. Ganhando ficava tudo bem encaminhado. Não me agradava nada a ideia de pensar num empate, demasiado perigoso tendo em conta as saídas que ainda temos até ao final. 

Claro que isto é tudo em teoria, temos que saber o que queremos de um jogo mas também temos que saber gerir aquilo que o jogo nos dá. Se a poucos minutos do fim sentirmos que já não dá para ganhar então não podemos permitir uma derrota, aprendemos isso com o mestre Giovanni Trapattoni.

Aconteceu tudo ao contrário do que queríamos. O jogo não nos saiu bem, a expectativa de cair em cima do Porto em buscar de uma vitória que os deixasse KO não aconteceu como todos imaginámos porque entre a realidade e o que desejamos vai uma considerável distante.

Quando Pizzi puxou o pé atrás para rematar contra Casillas na baliza norte tive aquela batida no coração do é agora. Não foi e assim ficámos muito mais vulneráveis a pensamentos sobre o futebol português. Tais como é que é possível termos ali o Soares Dias a apitar um jogo um ano e pouco depois de ter sido ameaçado por adeptos que estavam no sector visitante do estádio. Será por isso que não viu da mesma maneira que eu vi o Zivkovic ser empurrado na área azul? Terá sido pelas ameaças que achou por bem não mostrar o segundo amarelo ao Sérgio Oliveira? Nunca vamos saber mas o clima do nosso futebol faz com que fiquemos a pensar nestas coisas.

Falando do nosso futebol, o do Benfica, também nunca saberemos se com Jonas recuperado em campo o jogo teria corrido melhor. A verdade é que a equipa age de maneira diferente, já o tínhamos visto em Setúbal, e com Raul a titular fica sempre a faltar um Jimenez a entrar na 2ª parte para agitar o jogo. 

Aquele pontapé do Herrera não podia ter acontecido naquela altura do jogo. Aconteceu e agora fica tudo muito complicado. 

A diferença em relação a 2013 é que ficam a faltar mais jogos mas o problema é que já não temos o destino nas nossas mãos, temos que esperar milagres de terceiros e isso nunca é bom. Não é impossível mas não é expectável.

Resta-nos cumprir a nossa obrigação nos jogos que faltam e esperar que esta tarde na Luz não tenha sido o pesadelo final que neste momento realmente é. 

Vitória de Setúbal 1 - 2 Benfica: Raul Gozou o Prato!

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 O caro leitor deve estar a estranhar a imagem que ilustra esta crónica. Aviso, desde já, que não está preparado para esta pequena história.

Ora, o que vemos aqui? Este é o cenário que quem está na bancada Superior Sul do Bonfim vê ao olhar de dentro do Estádio para fora. Trata-se de uma igreja que está ali mesmo ao lado. Chamo a atenção para os objectos redondos brancos. São três. 

 

A meio da segunda parte já tinha entrado naquele período desesperado de começar a andar de um lado para o outro na fila mais alta da bancada e pensar a que minuto é que a angústia ia passar. Enquanto os jogadores do Vitória não marcavam um livre vi três pratos de plástico no chão e resolvi pegar neles. O jogo recomeçava e a bola sai de campo com reposição novamente para a equipa da casa. Em sinal de irritação lancei os pratos para fora do estádio sem me preocupar mais com aquele momento. 

Pouco tempo depois um companheiro de bancada chama-me e aponta para os pratos que estavam como a fotografia documenta. Diz ele: já viste como ficaram os pratos? Incrível, dois equilibrados no telhado e um no chão. Sabes o que quer isto dizer? Está feito! Está limpo! Um no chão , dois no telhado, vamos ganhar 1-2! 

Ri-me e voltei a olhar para o relvado na esperança que aquela inesperada macumba tivesse efeito rápido na equipa. Salvio deu um sinal quando se isolou mas finalizou por cima. Até que aparece o penalti. Nervos, muitos nervos, quando Raul parte para a bola. Festa total na bancada com o golo. No meio da euforia quem aparece? o Companheiro com ar deliciado a apontar lá para fora. Eu nem percebi o que era até que ele se aproximou e apontou para os pratos a gritar: Estás a ver?! Eu não disse?!

Há muito tempo que não abraçava assim um companheiro de luta desconhecido até aquele momento. 

 

Ou seja, há toda uma multidão espalhada pelo mundo empenhada em estudar o jogo desenvolvendo teorias sobre estatísticas do jogo, sobre planos científicos de treino, sobre aplicação de estratégias e tácticas para depois vir um gajo de Lisboa para Setúbal lançar uns pratos de plástico na bancada e resolver o jogo. 

Estes delírios colectivos dentro dos 90 minutos que nos movem semana a semana são fabulosos. 

 

Sobre o jogo, deve ser isto a que chamam estrelinha de campeão. Vitória arrancada a ferros numa exibição com pouca inspiração mas muita transpiração. 

O facto de Jonas não ter ido a jogo criou um ambiente de tensão extra ao jogo mesmo antes deste começar. Hoje percebeu-se a tal influencia que Jonas tem na equipa além dos golos. É ele o elo mais forte de ligação entre as dinâmicas da equipa. Sem dúvida nenhuma que faz toda a diferença irmos com o "10" ou não irmos. A equipa ressentiu-se, o jogo atacante nunca saiu fluido, nem natural, nem convincente. 

Ironia das ironias, quem resolve a partida é Raul Jimenez ao empatar com um golo ao segundo poste após cruzamento de Rafa e ao marcar o tal penalti. Não é a mesma coisa jogar com o brasileiro ou o mexicano mas ambos apresentam qualidades muito importantes que nos permitem ganhar jogos. 

Não foi bonito nem entusiasmante? Talvez não mas lembro jogos parecidos em rectas finais de campeonatos que acabaram bem para nós, nomeadamente um jogo na Luz com este mesmo Vitória que também começou com um golo cedo dos sadinos e ia acabando mal com um atraso de Pizzi mal calculado. Tal como hoje, saímos desse jogo esgotados emocionalmente. 

Vitória importantíssima.

Uma nota para o repasto pré jogo. Desta vez, reuniu-se à mesa gente vinda do Minho, do Porto, do Algarve ou de Lisboa. Nem todos se conheciam, novas amizades se fazem e todos unidos por um motivo superior, o Sport Lisboa e Benfica. Grande almoço no restaurante O Miguel em Setúbal. Entradas óptimas, ovas, salada de polvo, queijo, choco. E pratos à altura, nomeadamente os filetes de peixe galo com açorda. Saciou a fome até ao regresso a casa. Uns com viagens mais longas do que outros e apenas com uma certeza, para a semana todos fazemos outra vez o mesmo caminho para ver o Benfica jogar. 

Esta é a força que nenhuma saraivada nem num jota marques conseguirá entender ou obter para os seus lados. É a força única do Benfica que já está imune às azias pós jogo e com foco no próximo.

Benfica 2 - 0 Vitória de Guimarães: Jonas nasceu dia 1 de Abril porque é demasiado bom para ser verdade!

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 Lembro-me que em 1990 fiquei eufórico com os 33 golos que o grande Mats Magnusson fez no campeonato 1989/90. Era a confirmação da tradição de um clube alimentado por grandes goleadores da história do futebol. Isto só para servir de termo de comparação com os dias de hoje, no último dia de Março de 2018, Jonas iguala os 33 golos do sueco com toda a naturalidade. É o melhor jogador estrangeiro que já vestir a nossa camisola. Uma lenda em movimento, um privilégio assistir aos seus jogos, uma epifania inesperada quando chegou à Luz a preço zero.

Está de parabéns hoje, faz 34 anos e faz todo o sentido que tenha nascido no dia 1 de Abril porque é demasiado bom para ser verdade. Este pensamento recolhi das redes sociais que vibram com os feitos do nosso Jonas Pistolas. 

Isto leva-me a perguntar o que é se passa com cerca de 10 mil benfiquistas que tinham entrada garantida na Luz e não apareceram nem passaram essa oportunidade para terceiros. Que não possam ir ao estádio eu entendo mas é inaceitável que não tenham o cuidado de emprestar o cartão a alguém. Nem que seja só para ver o Jonas ao vivo.

 

O jogo com o Vitória não foi nada fácil. A vantagem de Rui Vitória nesta fase do campeonato é ter encontrado um "11" forte e equilibrado que tem repetido quase sempre nas últimas sete partidas. A equipa acaba sempre por conseguir achar o caminho do golo mesmo que tenha apanhado valente susto com um golo anulado por fora de jogo e confirmado pelo VAR. 

Foi preciso esperar pelo final da primeira parte para ganhar um penalti por mão na bola de um adversário que o árbitro não viu mas teve que rever por causa do VAR. É justiça poética que na parte decisiva da prova o VAR seja assim decisivo no Estádio da Luz, confirmando-se que o Benfica seria prejudicado que não houvesse tecnologia, como não houve nas últimas quatro temporadas. 

 Jogar na Luz a meio de uma quadra festiva como é a Páscoa, num fim de semana alargado, proporciona um ambiente diferente na Luz com muitas famílias no Estádio imunes à campanha de destruição do futebol que se verifica todos os dias um pouco por todo o lado. Na Luz respira-se Benfica, os benfiquistas só querem saber da sua equipa, dos seus jogadores, dos seus ídolos e acreditam totalmente no trabalho que o futebol do Benfica. E isto é um pequeno milagre que está a acontecer porque se formos pelo "trabalho" que tem sido feito fora do Benfica por todos os agentes envolvidos na competição o estádio já devia estar vazio. A conclusão é que o Benfica é muito maior que o futebolzinho português todo junto. Algo que já desconfiava mas que agora assume relevo de facto.

 

É aqui que entra em acção o papel dos benfiquistas no estádio. Com o resultado num perigoso 1-0 durante a segunda parte, os adeptos reagiram dando energia extra à equipa. Cânticos fora dos topos, resposta à altura contra a claque do Vitória e uma motivação que levou o Benfica a fazer o 2-0 e mais um momento de magia. Raul Jimenez confirma-se como o melhor suplente do mundo, entra sempre com alegria de um miúdo que vai fazer a sua estreia e trazia um sonho por realizar. Um passe de letra para a cabeça de Jonas ali na Baliza Grande. Um momento para marcar este campeonato.

 

Além de ter o "11" bem organizado, Rui Vitória tem do seu lado o facto de ter um plantel recheado de campeões que sabem o que é preciso realmente fazer nestes últimos meses de competição. Ter no banco de suplentes homens como Luisão, Raul, Samaris ou Salvio, é um luxo que pode ser determinante para esta recta final de campeonato. 

Sente-se que o Benfica está forte e como tal também deve incomodar todos os envolvidos na campanha mais negra contra o futebol que já se viu em Portugal e que julgavam ser suficiente para matar o Tetra Campeão.

Estamos vivos e estamos na luta. 

E temos Jonas!

 

Feirense 0 - 2 Benfica: Vitamina R de Raul e Rafa

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 Tudo ao contrário mas com final feliz para os campeões. Vou deixar a conversa do medo cénico para outra altura. 

Começo antes pelo mundo ao contrário. Mandaram poucos bilhetes, avisaram que não queriam benfiquistas sem ser na bancada visitante, ordenaram que não se entrasse com adereços do Benfica no estádio (em 2018!), o relvado deu polémica durante a semana. 

Enfim, na semana em que recebem o clube que arrasta a maior multidão em Portugal, o Feirense só levantou problemas. À conta disto, muitos companheiros ficaram a ver o jogo em casa apesar da enorme vontade em seguir viagem para apoiar o Benfica. 

O grupo em que eu ia esteve até à última da hora sem saber se tinha bilhetes para ver o jogo. Só estipulei um limite, não pagar mais para ver o Benfica na Feira do que paguei há um ano em Dortmund. Uma questão de principio. 

Muitos contactos depois acabámos por arranjar entradas para todos. Tudo entre benfiquistas, de benfiquistas para benfiquistas. De tal maneira que acabámos por não dar nem um euro ao Feirense já que entrámos todos com convites. Ou seja, um grupo de cinco adeptos dispostos a pagarem um preço justo para ver mais um jogo do seu clube acabou por ver a bola de borla. O Feirense que tire as suas conclusões.

Além disto, garanto que a bancada central em frente aos bancos de suplentes era quase toda do Benfica como se viu nos golos. 

Podem não gostar, podem não querer, podem achar que vão conseguir mas vão mesmo ter que levar connosco em todo o lado. O apoio nunca falta, custe o que custar. 

 

Outra lição do dia, vocês, feirenses, não gostam de futebol. Gostam de odiar, gostam de outra coisa qualquer mas de futebol não podem gostar. A maneira como trataram o Jonas, o melhor jogador que já pisou o vosso mal tratado relvado nas últimas décadas, diz tudo sobre o respeito que têm pelo jogo. 

 

Nesta última viagem ao norte da época 2017/18 o roteiro gastronómico levou-nos a um restaurante de ambiente familiar perto do centro de Santa Maria da Feira. O espaço chama-se Sabores do Campo, o atendimento é simpático e honesto. Apostámos tudo numa arroz de fumeiro divinal que acompanhou rojões, costeletas e nacos à moda arouquesa. Vinho tinto da casa e branco fresco para acompanhar. Entrada com uma tábua de petiscos bons. 

Sobremesa de queijo da serra, broa e ainda um reforço de tinto, desta vez um Bons Ares.

A deslocação estava ganha. Almoço de qualidade superior e convivio à Benfica.

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Quanto ao jogo, foi uma surpresa agradável a maneira como o Benfica encarou o jogo. A intensidade logo no arranque, a pressão, a procura do golo, empurrar o Feirense para a sua baliza. Sentiu-se sempre que estávamos perto de marcar mesmo que a bola não tenha entrado na baliza na primeira parte. 

Aquela jogada do Rafa pelo meio que acaba com a bola a bater no poste era o prenúncio do que aí vinha na 2ª parte.

Rui Vitória optou por tirar Grimaldo, já com amarelo, e lançar Raul Jimenez com o Feirense com menos um jogador devido a expulsão. A decisão foi a mais acertada e rapidamente Raul mostrou ao que vinha. O Benfica fez o 0-1 e afastou todos os fantasmas de sorte e azar.

O 0-2 foi um golo que Rafa devia a si próprio para carimbar mais uma boa exibição como titular do Benfica.

Foi uma exibição forte e convincente com o Benfica a marcar posição quanto ao seu objectivo.

O apoio foi o de sempre, ver os adeptos azuis a saírem das bancadas antes do jogo acabar deu um gozo muito especial.

Última viagem ao norte carimbada com uma bela vitória e viagem tranquila. Como deviam ser todas. 

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 Continuamos na luta.

Quer gostem ou não.