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Red Pass

Rumo ao 38

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Rio Ave 2 - 3 Benfica: Por Este Rio Acima

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Dia 12 de Maio, dia de peregrinação em Portugal. Os mais fervorosos a saírem um pouco de todo o lado do país rumo a Vila do Conde para a última deslocação da temporada do Benfica. 

Quando seguia viagem para norte, dei por mim a pensar se já tinha assistido a alguma vitória tranquila do Benfica nos Arcos. Nunca tive essa sorte.

Aliás, andei tão para trás nas minhas memórias que recuperei um jogo em que estádio do Rio Ave se vestiu totalmente de vermelho para uma apresentação do Benfica aos adeptos do norte nos Arcos. Foi na pré temporada de 2002/03 contra o Celta. Nem o regresso de Nuno Gomes evitou outra derrota com os espanhóis. 

Porque é que é importante recuperar esse dia de verão de 2002? Porque eu estava em Vila do Conde e fiquei surpreendido com a quantidade de adeptos que foram ao estádio apoiar a equipa. Não por ser no norte, o Benfica sempre teve apoio a norte, mas pela grave crise que o clube estava a atravessar. Em pleno Vietname do Benfica, os adeptos do norte eram tão fieis e dedicados que a Direcção do clube achou pertinente fazer ali um jogo de apresentação. 

Pois bem, esse respeito foi muito importante para o Benfica nunca perder a sua ligação com o povo. Por muito maus que fossem os resultados, o carinho dos adeptos do Benfica nunca faltou. E foi essa resistência que fez possível que o clube recuperasse a sua identidade, o seu destino de vencer e chamar as pessoas à sua passagem. Só isto explica que em 2019 tenhamos ficado com imagens eternas de uma multidão apaixonada por uma equipa, por um emblema, pelo nome do Sport Lisboa e Benfica.

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Estes milhares de adeptos estão ali para mostrar o seu agradecimento a todo o futebol do Benfica. O agradecimento por nunca terem desistido mesmo depois deste país ter condenado o clube na praça pública de todos os crimes e mais alguns, mesmo depois deste país ter manchado o nome do clube nos últimos anos, e acima de tudo, mesmo depois de termos passado os últimos dois anos numa luta suja, titânica e desnivelada com todos os adeptos do único clube maior que o Benfica em Portugal, o Anti Benfica. 

Não se tratava de euforia, não se tratava de festa antes do tempo, não se tratava de deitar os foguetes antes da festa, tratava-se, apenas e só, de uma gigantesca demonstração de carinho, de apoio, de acreditar que o Benfica pode continuar a conquistar campeonatos mesmo que haja um surreal trabalho diário em toda a imprensa para evitar que isso aconteça. 

Meus amigos, esta é que é a força do Benfica. São os milhares que esgotaram o Estádio dos Arcos para apoiar durante o jogo e, arrisco escrever, os outros tantos milhares de benfiquistas que mesmo sem bilhete para entrar no recinto, invadiram a rotunda e as imediações do Estádio para dar este apoio incrível. 

Tudo isto foi importante para dar mais força ao Benfica que, afinal, ia começar a partida com o Rio Ave em 2º lugar na Liga NOS. Estes eram os factos às 20h de domingo. O Benfica tinha muito que trabalhar, tinha que encarar o jogo com toda a concentração para garantir que saía dos Arcos na liderança novamente. 

Foi isso que aconteceu. Tanto se pediu que o Benfica entrasse melhor nos jogos, que aos 3' Rafa fez o 0-1 dando origem a uma explosão de alegria movida pelo alivio de ver recuperado o 1º lugar bem cedo.

Como era de esperar, o Rio Ave deu muita luta e voltou a complicar muito a vida do Benfica. Na Luz chegou a estar a vencer por 0-2, no jogo que marcou a estreia de Bruno Lage e Daniel Ramos em cada banco.

Quando tudo apontava para o 0-1 ao intervalo aconteceu o momento mais polémico. O Rio Ave queixou-se de um penalti de Florentino, o Benfica respondeu com o 0-2.
São momentos marcantes porque há motivos para dúvidas. Daniel Ramos diz que se transformou o 1-1 em 0-2. 

A verdade é que Florentino pôs-se a jeito para ser marcada falta. Mas como já ouvi nesta Liga, a falta começa fora da área e, por isso, nunca seria penalti. Seria um livre perigoso que estava longe de dar o 1-1. Mas mesmo que acontecesse o penalti reclamado e fosse transformado, é preciso lembrar que o Benfica em Braga foi para o intervalo a perder e na Luz com o Portimonense estava empatado. Reagiu sempre bem, como se sabe.

Já o 0-2 parece-me que não tem discussão, João Félix está fora de jogo. Acho muito estranho que o VAR não tenha mandado o árbitro analisar tudo com calma. 
Mas eu também achei muito estranho que o VAR não funcionasse na Luz com a SAD de Belém ou no Jamor com a mesma SAD. E aí não vi ninguém preocupado. Aliás, eu ainda gostava de perceber o papel do VAR em lances que deram 10 pontos a mais ao Porto, como explica o insuspeito Rui Santos, e qual foi o seu papel nas meias finais da Taça da Liga. Mas aqui já não vejo ninguém muito interessado. A época tem sido toda isto, desculpem mas a mim não me vão convencer que os problemas com o VAR começaram em Vila do Conde. Antes pelo contrário, é uma nota de rodapé na quantidade de disparates que vimos por esses campos fora. Terceiro classificado incluído, basta ver o número de penaltis a favor.

 

O Benfica com 0-2 tremeu por culpa própria, não soube matar o jogo e acabou por sofrer o 1-2 que trazia à memória a recuperação muito apreciado do Rio Ave com o Porto naquele mesmo local. 

Pizzi fez o 1-3 e parecia ter resolvido a questão. Só que o 1-4 nunca aconteceu, oportunidades não faltaram, e o Benfica acaba a sofrer com o 2-3 do Rio Ave.

Um belo jogo numa atípica noite quente nos Arcos, cinco golos, emoção e uma felicidade imensa no sentimento do dever cumprido no final da partida.

Ponderei não o fazer mas não resisto. O Benfica nunca falhou com nada ao Coentrão, pois não? Pagou tudo, a tempo e horas. Recuperou o homem, revelou o jogador, apoiou-o sempre em tudo. Fez dele um jogador tão bom que até o Real Madrid achou que estava à altura dos maiores desafios. O Benfica fez do Coentrão um quase ex jogador para um craque do plantel do Real Madrid. Como todos os outros jogadores que saem da Luz para vidas melhores, o clube nunca lhes faltou ao respeito. Infelizmente, este Coentrão quer acabar como começou, uma triste e embaraçosa nota de rodapé no futebol português. Desprezo e que daqui a uns anos não tenhamos que ter mais pena dele do que temos agora.

 

Ir ao norte significa comer bem. Desta vez a sugestão foi a gastronomia da Adega do Testas em Vila do Conde. Atendimento de simpatia superior, carne grelhada de qualidade imbatível. Batata frita caseira, arroz com grelos e enchidos num caldo irresistível. Tudo mais do que aprovado. 

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A última saída da época foi tão cansativa como reconfortante. Uma jornada de benfiquismo para a história deste campeonato e do clube.

Para tudo isto fazer sentido, já sabem, encarar o último jogo na Luz com a mesma seriedade, a mesma convicção e a mesma ambição. Falta menos de uma semana para carimbarmos um dos títulos mais incríveis de sempre. Até lá ficam as recordações de um norte vermelho.

 

Benfica 5 - 1 Portimonense: Os Sagrados 10 Segundos do Minuto 65

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Muita concentração para este exercício: voltemos ao minuto 65 deste jogo. Tentem imaginar uma sensação melhor, uma  emoção maior, na vossa vida do que aqueles 10 segundos entre a recepção de Rafa na grande área, o disparo para o 2-1 e a maneira como festejaram a reviravolta. 

Não há nada superior a isto, pois não?

É por isto que o futebol do Benfica tem tanta importância na nossa vida.

Para trás tinha ficado uma hora de agonia e sofrimento. 

Sair da Luz e voltar à vida é ter de explicar a familiares ou amigos que o resultado final foi 5-1 mas que nesta tarde durante uma hora sentimos o mundo perto de desabar. Ninguém entende fora do contexto certo.

O Portimonense de Folha jogou muito bem, não caiu na tentação do anti jogo, esteve a ganhar e assustou a sério Bruno Lage e os seus seguidores. 

As culpas do Benfica não fáceis de decifrar. Será ansiedade, medo de falhar, pressão extra pelo pouco que falta jogar, alguma coisa se está a passar com as entradas do Benfica nos últimos dois jogos. 

O que não é atacável é alma e a determinação com que a equipa responde quando o quadro é negro. Aqueles cinco minutos em que Rafa nos resgatou da depressão ao alivio foram absolutamente mágicos. Poucas vezes se viu, sentiu, viveu um ambiente assim na Luz. 60 mil adeptos em êxtase numa explosão colectiva de raiva e acreditar nos seus que fez tremer todo o estádio. O Benfica empatou e a Luz entrou em erupção. No 2-1 ouviu-se um festejo tão ensurdecedor que fez lembrar as melhores celebrações da antiga Luz. Ao nível de um golo ao Steaua ou Marselha. Sem exageros.

Foi de tal maneira libertador que a equipa arrancou para mais uma épica goleada. Uma série de golos até como que a compensarem todo o sofrimento que tinha ficado para trás e que já ninguém se recorda.

Não vale a pena virmos para aqui dizer o óbvio que é ter de evitar sofrimentos. Num mundo ideal o Benfica começava todos os jogos a ganhar e chegava ao intervalo com um 4-0. Bruno Lage e os jogadores lá saberão como preparar a viagem a Vila do Conde. Uma coisa certa, nos Arcos os benfiquistas lá estarão em peso preparados para sofrer e carregar a equipa para mais uma vitória. Nem é nada de novo naquele estádio, certo Raúl?

Hoje o jogo resolveu-se na 2ª parte, a baliza Grande da Luz cumpriu o seu destino e todos temos um resto de fim de semana bem melhor.

Faltam dois jogos. São os dois para ganhar. 
A montanha russa de emoções deste sábado vai dar lugar a um vazio e ansiedade própria de quem vai começar tudo do zero de novo no próximo fim de semana. 

Ai aqueles 10 segundos no minuto 65... 

 

 

Braga 1 - 4 Benfica: O Minho é Benfica!

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Para quem acha que isto de fazer mais de 700 Km's num dia só para estar onde o Benfica joga é uma festa e só divertimento deixo aqui o relato de um final de jogo que devia corar de vergonha todos os responsáveis pela organização do jogo de Braga e do seu policiamento. Num dos momentos mais felizes da temporada, no desfecho de um dos jogos mais complicados deste final de temporada, a euforia marcava aquela bancada superior destinada aos adeptos do Benfica. Uma goleada construída na 2ª parte garantiu os 3 pontos e a liderança a três jogos do fim. É ali, naquele momento, que os adeptos têm o direito de se manifestar, de celebrarem a vitória, de mostrar o seu alivio e contentamento. Devia ser naqueles minutos que a expressão festa do futebol desse sentido à vida de homens, mulheres, crianças, mais velhos e mais novos, todos unidos pelo amor ao Benfica. 

Nada mas mesmo NADA pode justificar a carga policial que testemunhámos das filas mais altas da bancada por ali abaixo, com os policias a baterem descontroladamente em TODOS os adeptos que pagaram para ir ver este jogo da Liga NOS.

Momentos de pânico e de vergonha que deve ter tirado a vontade de um dia voltarem a um estádio a dezenas de crianças, de pais, de homens e mulheres, jovens e idosos. 

Se a justificação era a pirotecnia usada na bancada, e que resultou em imagens incríveis como a que se pode ver abaixo, então isto devia dar até demissão do ministro da Administração Interna. 

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É que não conheço nenhuma lei neste país que diga que o uso de pirotecnia deve ser punida com violência gratuita e indiscriminada. Há castigos previstos, há multas previstas, até há quem todos os dias sonhe em fechar o estádio da Luz, o que não pode acontecer é este espectáculo absolutamente repugnante de violência policial. 

 

Quem organiza os jogos do Braga também devia vir dar explicação aos milhares de adeptos que encheram aquela bancada superior. Porque é que só se usa uma escadaria de acesso à bancada obrigando dezenas de milhares de adeptos a uma espera para entrar e, sobretudo, para sair absolutamente anormal. Repito, só se se pode usar uma escadaria, e portanto, uma entrada, para TODA a bancada. Vergonhoso, irresponsável, desrespeitoso.

E o que dizer dos relatos que nos chegaram do outro lado do estádio onde adeptos do Benfica foram agredidos, muitos tiveram que ter tratamento hospitalar, com invasões de adeptos do Braga até aos camarotes? E agressões adeptos à saída do estádio. Vai tudo assobiar para o ar? Vergonha alheia.

Para terminar este quadro negro, porque raio temos que levar com uma coreografia que não nos deixa ver nada para o relvado até o jogo começar? Era do lado das claques "legalizadas" do Braga? Ok, então façam coreografia em que a altura não ultrapasse as suas bancadas. Na Luz não se tapa a bancada dos visitantes com panos. 

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Como se vê, o respeito pelo adepto do futebol é zero. Tudo se faz para afastar as pessoas dos estádios. Mesmo assim, a Pedreira hoje teve a maior enchente da temporada. E isso deve-se apenas e só a um amor incondicional e irracional que os adeptos do Benfica têm pelo seu clube. É caso único em Portugal, é caso raro na Europa. É uma das principais fontes de inveja e ódio do resto do país. Esta invasão benfiquista a Braga transtornou muita gente e deu um conforto à equipa que pode valer momentos históricos. 

Mandaram 1500 bilhetes para a Luz? A resposta dos benfiquistas foi esmagadora. 

O jogo não começou bem? Não. Até parecia que o empate de Vila do Conde bloqueava o futebol ofensivo do Benfica, quando devia ser o contrário. Ao intervalo a derrota pesava imenso nos pensamentos de quem tanto espera da equipa. Não tínhamos atravessado o país para ver uma exibição tão apagada. O povo benfiquista que invadiu a Pedreira não foi ali para ver o Braga a ganhar com um penalti de Wilson Eduardo. 

A 2ª parte começa com um apoio ainda mais forte da bancadas. Quando aos 52' João Félix viu a bola ser desviada por Tiago Sá para o poste, a Pedreira estremeceu com o bruá dos benfiquistas. A equipa acordou de vez, as bancadas explodiram de vez em apoio furioso para a reviravolta, não houve ninguém naquele recinto que não tenha sentido que ia acontecer remontada.

Aos 59' e 65', Pizzi não vacilou e colocou o Benfica na frente com dois penaltis. 
Pizzi que passou a ser o jogador com mais influência neste campeonato, com 12 golos e 19 assistências. Esteve directamente ligado em 31 dos 91 golos do Benfica. Isto porque além dos golos, ainda fez uma assistência para Rúben Dias aos 69'. 

Rúben Dias que está a fazer uma temporada soberba, bateu hoje o recorde de jogos pelo Benfica numa época, superando... Pizzi. Líder natural da defesa e da equipa. Autoridade do Seixal para a equipa principal do Benfica.

Rafa fechou a contagem regressando aos golos. Aos 90', um grande golo a fechar uma 2ª parte de sonho da equipa. Rafa que também está na sua melhor campanha de sempre, já bateu o ser recorde de golos marcados.

Toda a equipa percebeu o momento do jogo, o contexto do campeonato e a necessidade de vencer num campo complicado. Repetiu os 4 de Moreira de Cónegos e de Santa Maria da Feira, as últimas saídas da equipa.

É muito importante perceber que só com uma atitude superior nos segundos 45' foi possível evitar um drama. Estamos tão perto de ser felizes como de entrar em depressão profunda. Tem que haver equilíbrio. Dentro e fora de campo. Celebrar os 3 pontos e depois esquecer este jogo e começar a pensar que o Portimonense em Janeiro ganhou por 2-0. Levar isto a sério, sem euforias nem fanfarronices. Era importante que todos pensassem assim. Não faltam exemplos de falhanços na recta final do campeonato. De preferência, que nos próximos três jogos haja mais Benfica da 2ª parte e menos da 1ª. 

Antes do grande jogo em Braga, houve desvio até Vila Verde para revisitar um restaurante que devia ser considerado uma das maravilhas de Portugal. O Torres, em Vila Verde, tem uma oferta gastronómica imbatível ao nível da proteína. 
Foi isto que aconteceu:

Longa vida aos senhores benfiquistas do Torres.

Grande dia passado na estrada, mais uma visita ao Minho bem sucedida no dia em que César Brito fez magia nas Antas em 1991. Um dia inspirador que trouxe o Famalicão de volta À primeira divisão. Mais uma viagem ao Minho para a próxima temporada. Aliás, duas, que o Gil Vicente também vem aí. Gastronomia da boa não faltará na próxima época.

Para já, só interessa o jogo com o Portimonenses. Temos um 2-0 para rectificar na Luz.

Só isto interessa. 

 

Benfica 6 - 0 Marítimo: Campo Trocado? Resultado Pesado.

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Pessoal da Madeira que torce por um dos clubes da Ilha:

Até há pouco tempo tinham três equipas na divisão maior, não raras vezes viam os seus clubes a lutarem por uma vaga europeia. Ultimamente, só Marítimo tem representado a Madeira com regularidade na Liga NOS e este ano lutam para não descer juntamente com o Nacional. Quero que ponderem o seguinte detalhe, ambas as equipas quando tiveram o privilégio de visitar a Luz resolveram fazer a rábula de obrigar o Benfica a atacar para Sul primeiro. Resultado das duas visitas ao Estádio do Sport Lisboa e Benfica, 16-0! 

Pode ser coincidência mas os 10-0 do Nacional e estes 6-0 ao Marítimo começaram com uma troca de campo invulgar na Luz. Pensem nisso.

 

O Benfica vinha de uma ressaca europeia, entrava com a habitual pressão de saber que o rival já tinha despachado a sua tarefa, na prática já despachou todas as tarefas até ao fim, e voltou a dar uma excelente resposta a todos os que esperam um mau resultado na Liga. Bruno Lage na Liga NOS leva 15 jogos, venceu 14, empatou 1 e leva 56 golos marcados contra 11 sofridos. Recuperou a liderança e tem mantido a equipa na frente com categoria. 

A 4 jornadas do final do campeonato, o Benfica tem 87 golos marcados. O segundo classificado tem 62. 

Esta superioridade tem que ser demonstrada e defendida até ao fim. Hoje, o Benfica voltou a começar o jogo muito bem e abriu a partida com o 1-0. Mais um golo de João Félix. Canto de Pizzi e Félix a rematar de primeira. 

Não há nada melhor do que começar assim os jogos. Depois é continuar a carregar e partir para uma noite descansada. Hoje só na 2ª parte veio a tranquilidade absoluta. Cervi aproveitou a titularidade para bisar, imitou o inevitável Félix, Pizzi fez o seu golo e ainda houve tempo para Salvio regressar aos golos. 

O golo de Salvio aparece ao minuto 90. O segundo do Cervi tinha acontecido aos 88'. A quantidade de adeptos que não viram os golos por já terem virado costas ao Estádio da Luz é absurda. 

Num mundo perfeito o Benfica só marcava golos a partir do minuto 88 para castigar todos aqueles que teimam em não ficar no seu lugar até ao momento de aplaudir a equipa no final do jogo. 

Goleada entusiasmante numa noite de frio e chuva numa época familiar festiva que dá o mote para as 4 finais que o clube tem de vencer para voltar a ser feliz. 

Benfica 4 - 2 Vitória de Setúbal: If The Kids Are United

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Passo já a explicar o titulo da crónica. Quando João Félix fez o seu golo e correu para o irmão lembrei-me de uma canção dos Sham 69 que diz "If The Kids Are United, Then We'll Never be Divided". Uma das músicas que mais ouvi, certamente. 

Só um momento muito especial, uma imagem muito forte, é que faria com que eu fosse buscar este tema na minha memória. 

Vivem-se noites de magia na Luz, João Félix tem tornado tudo muito mais especial e continua a coleccionar momentos e imagens para a eternidade com uma naturalidade impressionante! 

O Benfica anda a transformar períodos de tensão em celebrações divinas. 

Isto porque estamos na recta final daquilo que é uma corrida a dois mas não da maneira que nos querem vender. Oiço e leio por aí que a Liga está a ser decidida como se fosse uma renhida corrida de formula 1 com os carros lado a lado até ao momento final. Não concordo. A impressão que tenho é mais de um contra relógio ao mais alto nível do ciclismo. Há um rival que já fez o seu trajecto sem falhas e o Benfica está a 5 Km de completar a sua parte. Só que já sabe que não poderá falhar uma pedalada que seja, sob pena de perder a corrida. É que o concorrente está descansado na meta à espera de um tropeção. É ver o que tem sido os jogos do Porto neste campeonato, até o insuspeito Rui Santos acha que levam 10 pontos a mais...

Com este cenário, ao Benfica só resta ter a concentração máxima nos seus jogos e fazer o que Bruno Lage tem dito desde aquela vergonhosa meia final da Taça da Liga, foco naquilo que podemos controlar, ou seja, o nosso futebol. 

Nesse aspecto, o momento é prometedor. Depois dos 1-4 em Santa Maria da Feira, dos 4-2 ao Eintracht na 5ª feira, nova chapa 4, agora ao Vitória de Setúbal. 

É prometedor porque na última vez que o Vitória FC veio à Luz numa recta final de campeonato, perdi uns anos de vida com aquele triunfo por 2-1 com Pizzi a desafiar o 2-2 que, felizmente, não apareceu. 

Desta vez, o Benfica esteve sempre na frente e marcou logo no arranque da partida. Grande jogo de João Félix, de Florentino e de Rafa. Todos os jogos há um conjunto de jogadores a aparecerem mais fortes e inspirados que guiam a equipa para os resultados pretendidos. Claro que ainda há a destacar o jogo de Seferovic, que marcou e de todos os que ajudaram a conquistar os 3 pontos.

Pizzi ficou marcado pelo penalti que não conseguiu converter, Ruben Dias fez um penalti desnecessário, Ferro não teve a sua melhor noite e Samaris esteve um pouco abaixo da noite europeia mas todos foram importantes para controlar a vantagem e construir um resultado que permitisse uma noite mais tranquila do que seria de esperar. 

Regresso ao tema "If The Kids Are United" para realçar, com tristeza, que continuamos a ter um ambiente muito estranho na Luz. Os putos Félix deram o exemplo de união, a equipa toda dá o mesmo exemplo quando se trata de celebrar golos mas isto não se reflecte nas bancadas. Absolutamente deprimente a assobiadela prestada à equipa, pior do que isso, a um miúdo como Florentino, antes do intervalo com a equipa a vencer por 2-1. Inexplicável. Isso não é exigência, é demência, meus caros.

E depois, antes dos 60 minutos, ver Bruno Lage a pedir apoio a umas bancadas adormecidas é embaraçoso. O que é que se passa?! Não percebo em que ponto é que a Luz se transformou num espaço assim. Esta plateia não mereceu aquele desarme do "Tino" que acabou em golo. Desculpem mas não merece mesmo. Talvez por saberem isso, a maioria dos espectadores vira costas ao jogo 10 minutos antes do seu final, completamente  desinteressados da possibilidade de mais um golo ou de uma possível calorosa ovação já depois do jogo terminado que conforte os nossos jogadores para as cinco finais que faltam. Nada disso, quando a equipa se junta no relvado para agradecer ao público já só deve lá estar 20% da assistência anunciada uns minutos antes nos marcadores da Luz. Deprimente. 

Mais uma prova superada, uma vitória justa, segura e relativamente tranquila que nos deixa optimistas para o que falta jogar.

Os putos estão unidos. Falta o resto. 

Benfica 1 - 0 Tondela: Obrigado, Seferovic

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Muito obrigado, Seferovic pelo fim de noite feliz e aliviado. Foi o único momento que salvou este sábado.

Desculpem o tom negativo, eu tenho sempre trazer aqui alguma emoção, muita subjectividade. Até podia dizer que uma vitória arrancada assim na recta final é mais emocionante e contraste com aquela monotonia que eu defendo para todos os jogos o do Benfica. Mas nem me apetece ir por aí. 

Passadas umas horas após o final do jogo não me passa um estranho desconforto que continuo a sentir. É horrível esta sensação que isto não depende só do trabalho da nossa equipa. E hoje vou mesmo desabafar.

Eu sei que foi má ideia, mas, talvez, pela hora do jogo eu estive a ver o Braga - Porto com atenção. E o que levo dali é facilidade e as certezas com que se marcam penaltis para o Porto e no lance que daria penalti para o Braga nada acontece.

Este desconforto é transportado para a Luz. Quando vejo o João Pedro a fazer um penalti do tamanho do estádio sobre Samaris e acontece o mesmo que aconteceu ao Braga, isto é, rigorosamente nada, a racionalidade deixa de funcionar. É demais.

Porque raio é que eu pago o meu lugar cativo no estádio e tenho de levar com Xistras?! Um árbitro que a última vez que tinha aparecido foi naquela famigerada final 4 da Taça da Liga, também conhecida como uma das maiores vergonhas do ano.

O Pepa e o Tondela não têm nada com isto, jogaram bem e fizeram o seu trabalho. O Benfica esteve longe de fazer um grande jogo e Taarabt foi a grande surpresa da noite. Mas lidar com gente como este Xistra e a sua equipa mais o VAR é desesperante.

Desculpem, mas hoje não senti nenhum prazer em adorar este jogo. Hoje senti que é muito fácil desrespeitar o Benfica. 

Só me apetece agradecer ao Seferovic, o golo e a vitória. Não há mais nada de bom a tirar deste dia. Nem o ambiente no estádio. Se queremos ser campeões também temos de fazer a nossa parte de fora. O Benfica é muito melhor apoiado fora da Luz do quem em casa, onde o ambiente tenso passa para dentro de campo uma ansiedade prejudicial. 

Enfim, foi só mais um dia no futebol português. Acabou bem para o Benfica mas isto é tudo deplorável.

Benfica 3 - 0 Dinamo de Zagreb ( após prolongamento ): Remontada Arrancada a Ferro

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Vou começar pelo fim. Como reza (quase) sempre a tradição nos jogos na Luz, a ceia aconteceu no Edmundo, em Benfica. Até aqui nada de novo. Uma noite feliz, amigos contentes, conversa prolongada e horas de sono perdidas à mesa. No regresso a casa a surpresa de ter este cachecol vintage bem dobrado em cima da mota.

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Ou foi uma simpática oferta de um benfiquista, hipótese muito remota, ou alguém se esqueceu dele depois de ter ficado a prolongar a conversa à porta do restaurante. Seja como for, fica bem entregue e passará a acompanhar-me. 

Voltando ao principio, ou até ao pré jogo. Cheguei a ler e ouvir que o melhor era cair já hoje para não termos mais que nos distrair do objectivo do campeonato. 

Eu respeito todas as opiniões mas não me podem pedir que concorde com isto. Já o escrevi aqui no blog noutros anos e hoje repito, para mim o Benfica tem de andar nas provas da UEFA até Abril, isto é o mínimo dos mínimos. Quem não entende isto não percebe que o Benfica ganhou o prestigio que tem ganhando na Europa. Uma época normal do Benfica tem que ter jogos das provas da UEFA até Abril, pelo menos. Depois, há as excepções. Um sorteio complicado, uma eliminatória infeliz, uma fase de grupos atípica, enfim, algo justificado para ser uma excepção. Este tem de ser o objectivo, o que é completamente diferente de dizer que o Benfica tem obrigação de eliminar sempre toda e qualquer equipa que apareça pela frente desde que não se chame Real, Barça, Bayern, Manchester ou Juventus. São assuntos diferentes e bem perceptíveis.

Dito isto, é óbvio que o Benfica tinha que eliminar o Dinamo de Zagreb. Era essa a sua obrigação de acordo com o seu historial. Podia custar mais ou menos mas tinha de seguir em frente. 

Custou mais. Bruno Lage manteve-se coerente com a aposta em jogadores menos rodados, renovou a ala esquerda e a dupla de ataque e foi à luta. Teve que chamar reforços do banco, Jonas, Grimaldo e Félix, para conseguir ultrapassar um bem organizado Dinamo que veio disposto a defender o 1-0 da Croácia. Demorou mas o Benfica conseguiu anular a desvantagem, por Jonas, e foi preciso prolongamento para carimbar a passagem aos 1/4 de final da Liga Europa. Pizzi e Rafa fizeram um jogo incrível, e Ferro merece todos os elogios da noite. Fez um golaço que consumou a reviravolta na eliminatória e defensivamente foi um esteio. 

Um apuramento justíssimo e muito importante para que o clube recupere a sua posição europeia. 

 

Houve desgaste? Sim. O treinador terá que fazer alterações para Moreira de Cónegos? Claro que sim. Mas a vida do Benfica tem que ser esta. 

Eu não sei como é que algum benfiquista consegue ser tão racional e objectivo que ao ver a bola rolar numa noite europeia começa a desejar que o jogo corra mal para a equipa ser eliminada e não ter que se esforçar mais até Maio. Eu não consigo pensar assim. Aos 10 minutos já estou desesperado por ver o tempo passar e ainda estar em desvantagem na eliminatória. Talvez sejam traumas de juventude. Daquela noite com o Dukla. Daqueles anos com o Bastia ou o Halmstad, ou talvez até seja daquelas épocas em que não fomos à Europa. Para mim, é impensável torcer para o Benfica sair de competição nas provas da UEFA. 
Foi uma grande noite europeia, à Benfica! Em frente é o caminho. O cansaço físico é superado pela moral vitoriosa psicológica.

Aves 0 - 3 Benfica: Tudo Parece Fazer Sentido

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Depois dos quatro em Alvalade, terreno de anti benfiquistas, da épica goleada contra a equipa do anti benfiquista Costinha, o campeonato seguiu esta noite na Vlia das Aves, casa do anti benfiquista Inácio. Isto, só para contextualizar o nível de dificuldade dos desafios que Bruno Lage tem ultrapassado na Liga. E, mesmo assim, tivemos que ouvir que o Costinha facilitou, que o Inácio não teve hipótese porque o Benfica recorre a doping, e o Sporting levou quatro porque... enfim, alguma coisa ainda se há de inventar sobre o derby. Até agora não lhes ocorreu nada.

A vitória nas Aves foi tão tranquila e natural como monótona e sem emoção. Como todos sabemos, é esta a definição de noite ideal para os benfiquistas. Ganhar sem espinhas nem sobressaltos. 

Seferovic a marcar pelo sétimo jogo seguido, Rafa a fazer um belo golo e Ferro a assinar o seu segundo golo na equipa principal. Depois, viu um vermelho para que ninguém acuse o Benfica de bullying.

Uma das perguntas que mais oiço antes de um jogo como este é: como é que consegues ir numa 2ª feira à Vila das Aves ver o Benfica?
A pergunta é interessante e merece resposta. Mas a questão mais correcta seria porque é que temos de ir à Vila das Aves ver o Benfica para o campeonato numa 2ª feira à noite?

Bem, quem alinha nestas pequenas loucuras sabe que a principal motivação é ver a sua equipa ao vivo. Uma das melhores experiências que se pode ter em vida. De tal maneira boa que depois de experimentar uma vez, o adepto vai querer sempre repetir. 

Depois tem uma aliado fortíssimo na fraca qualidade das transmissões televisivas dos jogos fora do Benfica. As narrações, os comentários, as realizações, a omissão de imagens de adeptos benfiquistas, enfim, um belo incentivo a ir ver o Benfica, seja onde for. 

Quem o faz frequentemente, ver jogos do Benfica fora de casa, rapidamente percebe que o grupo de viajantes é quase sempre o mesmo. Seguindo esse pensamento, para escolher parceiros de viagens, o universo é reduzido. 

Para vos poder explicar isto, escrevo esta crónica pelas 3 da manhã, quando quase todos vocês dormem profundamente, e bem. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, estar presente num jogo desses não significa ter uma vida muito melhor social e financeiramente do que o comum mortal. Só é preciso ter uma motivação: querer muito estar lá. Havendo essa determinação há que tentar mudar o mundo, passe o exagero. Decidir acordar mais cedo para que a manhã renda mais a nível profissional, sacrificar um dia de férias para ir viajar sem receios, explicar em casa que se vai chegar a casa muito depois da meia noite numa 2ª feira, estar mentalmente preparado para passar o resto da semana com sono atrasado destas viagens, acumular trabalho para compensar a ausência de 2ª feira, trocar folgas, trabalhar no fim de semana, abdicar de ir ver um concerto de uma banda apreciada lá em casa, enfim, como se pode ver, tudo opções muito objectivas e sem glamour nem luxo nenhum. Sem sinais de riqueza, sem possibilidade de ser considerada uma grande vida, apenas e só esforço e gestão de tarefas. 

Tudo isto é reduzido a nada quando estamos na bancada a assistir ao golo que Seferovic faz logo a abrir a partida, como que a dizer-nos: faz tudo sentido. 

Claro que há mais recompensas para tanta dedicação. A componente também costuma ser forte. Já que vamos para tão longe num dia improvável, então há que contemplar a gastronomia local. Desta vez, a escolha foi a Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. A habitual simpatia nortenha no atendimento, uma vitela deliciosa e no ponto, depois de umas entradas de enchidos e queijos com broa, e um pão de ló molhado feito de propósito para a nossa sobremesa. Uma refeição que já justificava a viagem.

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Se estiverem por perto, avancem à confiança.

Costuma ser complicado, quando as refeições atingem este nível de excelência, sermos brindados de seguida com um jogo que nos traga tranquilidade e serenidade na conquista dos 3 pontos. Hoje voltou a aconteceu aquele triunfo monótono de que tanto gosto. Um 0-3 natural e sem margem para discussões. 

Tudo a dar sentido ao investimento de tempo e dinheiro, tudo a justificar as mudanças profissionais e familiares. Tem estado a correr bem, no que diz respeito ao futebol do Benfica. Mas quando nada parecia fazer sentido, quando o clube passava anos e anos a adiar a reconquista do seu estatuto, tudo também fazia sentido. Porque o Benfica também são os que o seguem da maneira que podem e da forma que conseguem. 

Que se mantenha esta felicidade até ao final da época e, assim, as noites mal dormidas, as horas passadas nas estradas, o frio do rigoroso inverno do norte, e os olhares desconfiados de quem nos pergunta porquê, tudo é encarado com um sorriso. Um sorriso à Benfica! 

 

 

Benfica 10 - 0 Nacional: Hoje Soube-me a Tanto

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Em dez anos de blogue nunca pensei um dia escrever num título de uma crónica de um jogo para o campeonato o número 10 no resultado. Aconteceu a 10 de Fevereiro de 2019, num dia que se celebravam os 60 anos do genial 10 dos anos 80 do Benfica, Chalana. 

Nunca dá para prever quando chegam estes momentos. Já sabia que até 1965 o Benfica tinha chegado a resultados dois digitais por 8 vezes. Sinceramente, pensei que não ia viver o suficiente para testemunhar um marcador assim. 

Nestas alturas, em vez de ficar eufórico, gosto de olhar calmamente para trás e, antes de mais nada, lembrar-me do que senti nas noites em que levei 7 ou 5 de maneira inesperada. Da dor do regresso a casa. Dos dias seguintes. Das voltas que a vida dá. Na primeira vez que vi o Benfica levar 7 acabei a época a festejar o campeonato e a Taça frente ao clube que tinha feito tamanha desfeita. Ainda hoje eles festejam a noite dos 7, para nós foi só mais uma época que terminou com uma dobradinha. Relativizar goleadas nas horas más ajuda a conviver com goleadas nas horas boas. Claro, que para um 10-0 ninguém está preparado porque nenhum de nós viveu isto antes.

Uma viagem no tempo para recordar goleadas fortes. Aqueles 9-0 ao Marítimo no começo dos anos 80, chapas 8 ao Vitória De Guimarães, Braga, Varzim ou Famalicão. Mais recentemente, aqueles 8-1 que nos fizeram lembrar outros 8-1 dos anos 80 ao Alcobaça. Falo de resultados que muitas vezes são recordados entre benfiquistas.

Em 2019 veio a compensação por décadas de fidelidade aos jogos no Estádio da Luz, aconteceu mesmo um 10-0! 

Aparece um resultado destes, depois de termos dado 5 ao Boavista, depois de ganharmos duas vezes em Guimarães  onde nenhum dos outros 3 primeiros venceu, depois de ganharmos dois derbys seguidos. Derbys, que como aqui escrevi, souberam a pouco. 

E agora percebe-se melhor porque é que soube a pouco. Este foi o tipo de resultado que chegámos a sonhar em Alvalade, e antes do intervalo na Luz, nos últimos dois derbys. Daí o desalento no rescaldos daqueles 6-3. 

O contexto destes 10-0 é perfeito. Dia de casa cheia com a presença de milhares de benfiquistas das Casas do Benfica. Dia de homenagear Chalana. Dia para dar continuação ao excelente balanço dos derbys e aproveitar o empate do líder para reduzir para um ponto a desvantagem no campeonato. 

Tudo conseguido na perfeição. A estreia de Ferro a titular e um golo marcado, o regresso de Jonas com um bis e a estreia de Florentino com números impressionantes em menos de meia hora em campo. Este plantel do Benfica promete muito para o que aí vem. 

O que dizer da malta que, mesmo assim, continua a sair do estádio antes do jogo acabar? Nem com o resultado a caminha para um 10-0 é suficiente para garantir a presença de todos até ao fim.

Que bonito foi ver a preocupação dos jogadores do Benfica após o apito final a irem confortar todos os jogadores do Nacional numa noite tão atípica como esta. Bonito também o discurso do treinador do Benfica com palavras elogiosas para com o adversário. 

O que se pode dizer depois de um vendaval destes? Nunca é tarde para sermos surpreendidos e compensados pela nossa lealdade ao clube. Hoje foi mais do que 3 pontos, hoje foi mais do que uma goleada, isto hoje foi um rápida viagem ao Benfica do antigamente, aquele que parece ser sempre incomparável, para vincar um grande momento na vida do futebol do clube. Ter assistido a isto é um privilégio. Mais um.

Depois da dose dupla dos derbys recuperei Sérgio Godinho a cantar que "soube-me a pouco". Faltava esta noite para completar: "Hoje soube-me a tanto"!

 

 

Sporting 2 - 4 Benfica: E no Entanto, Soube a Pouco!

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Lembro-me daquela canção do grande Sérgio Godinho que começa com um brilhozinho nos olhos e acaba com um "portanto, soube-me a pouco". 

Foi muito isto que aconteceu em Alvalade neste derby a contar para o campeonato 2018/19. Ao longo do jogo cresce um mesmo um brilhozinho os olhos ao assistir ao recital do menino João Félix e do show de bola que a equipa orientada por Bruno Lage resolveu dar em plena casa do vizinho rival. 

Sempre por cima do jogo, sempre em vantagem, sempre superiores, à Benfica como sempre devia ser. A sensação que tínhamos na nossa bancada é que podíamos chegar a números históricos, tal era a superioridade. A vitória já nem estava em causa a partir do momento que o Benfica faz o 0-1. A qualidade de jogo do Benfica foi tão expressiva que adivinhava-se uma goleada. Foram 4, podiam ter sido 6. Na verdade, podiam ter sido ainda mais. O 2-4 sabe mesmo a pouco e, no entanto, estamos a falar de 4 golos em casa do rival de Lisboa. 

Não sei explicar a confiança com que hoje fomos para Alvalade. Não percebi o ambiente de Alvalade. Depois de anos seguidos de regime brunista, o estádio do Sporting voltou a ser um recinto inofensivo. Não senti a menor confiança nas bancadas verdes, aliás os adeptos da casa pareciam estar realmente assustados com o que viam nos primeiros minutos do derby. Olhando para o outro lado do Estádio, o cenário ainda era mais desolador. A Juve Leo parece estar seca de ideias e fizeram um, muito pouco original, Welcome to the Jungle, com um leãozinho desenhado, enquanto se ouvia Guns N' Roses nas colunas. Estamos em 2019, pessoal. O concerto dos Guns em Alvalade foi em 1992! 

Depois, o Directivo apresentou uns desenhos a evocar o VAR. Aqui já percebo melhor. Isto é malta que veio de um triunfo caído do céu em forma de VAR. Os bi campeões de inverno viram o VAR transformar a vitória do Braga em penaltis, e uma derrota com o Porto em empate por um penalti só visto no VAR. No derby não levaram 6 em casa porque o VAR anulou mais dois golos ao Benfica. Entendo o apego ao sistema.

Além dos golos e a exibição, destaco a ousadia de João Félix ao homenagear a lenda Bryan Ruiz na mesma baliza onde aconteceu o falhanço mais épico dos derbys. O puto quis imitar e fez bem porque já tinha marcado e só por uma vez é que valeu. Passou só a divertir-se. 

Como sempre, até começar o jogo o espaço mediático foi todo do Sporting, o seu presidente teve direito a entrevista na televisão e respectivo eco em todos os media, mostrou aquele ódio e aquela inveja ao Benfica que está no adn de qualquer adepto daquele clube. Até tiveram o Cristiano Ronaldo nas bancadas a ver o triunfo do lado bom de Lisboa no derby. Além de se apropriarem das bolas de ouro e dos feitos do craque português no estrangeiro, ainda lhe oferecem este triste espectáculo. Ao menos, a mãe Dolores divertiu-se antes do jogo quando os adeptos do Benfica cantaram que ela era do Benfica. Desmentiu com as mãos e cabeça mas sempre a rir-se como que a dizer que estes gajos são doidos. E são. São mesmo. São doidos pelo Benfica. Não querem saber de legalizações hipócritas, recusam rótulos oportunistas e deram um show de apoio nas bancadas à altura da equipa. 

Antes do jogo começar houve um momento marcante. Bruno Lage entrou sozinho em campo como sempre tem feito desde o seu primeiro jogo. Ficou surpreendido quando percebeu que o sector visitante o aplaudia e explodiu em cânticos pró Benfica. Acenou timidamente e continuou a sua volta. Antes de sair parou e fixou o olhar nos adeptos do Benfica. Não resistiu e tirou o telemóvel do bolso para fotografar a mancha vermelha de Alvalade. Depois, à noite, publicou a foto nas redes sociais. Isto também é Benfica. Com naturalidade e com emoção. 

Uma grande vitória, 3 pontos que deixam o Benfica ainda mais perto da liderança, o Porto não foi além de um nulo em Guimarães, e uma sensação de crescimento entusiasmante. 

Quarte feira há mais. Com o mesmo brilhozinho nos olhos.