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Red Pass

Rumo ao 37

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Aves 0 - 3 Benfica: Tudo Parece Fazer Sentido

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Depois dos quatro em Alvalade, terreno de anti benfiquistas, da épica goleada contra a equipa do anti benfiquista Costinha, o campeonato seguiu esta noite na Vlia das Aves, casa do anti benfiquista Inácio. Isto, só para contextualizar o nível de dificuldade dos desafios que Bruno Lage tem ultrapassado na Liga. E, mesmo assim, tivemos que ouvir que o Costinha facilitou, que o Inácio não teve hipótese porque o Benfica recorre a doping, e o Sporting levou quatro porque... enfim, alguma coisa ainda se há de inventar sobre o derby. Até agora não lhes ocorreu nada.

A vitória nas Aves foi tão tranquila e natural como monótona e sem emoção. Como todos sabemos, é esta a definição de noite ideal para os benfiquistas. Ganhar sem espinhas nem sobressaltos. 

Seferovic a marcar pelo sétimo jogo seguido, Rafa a fazer um belo golo e Ferro a assinar o seu segundo golo na equipa principal. Depois, viu um vermelho para que ninguém acuse o Benfica de bullying.

Uma das perguntas que mais oiço antes de um jogo como este é: como é que consegues ir numa 2ª feira à Vila das Aves ver o Benfica?
A pergunta é interessante e merece resposta. Mas a questão mais correcta seria porque é que temos de ir à Vila das Aves ver o Benfica para o campeonato numa 2ª feira à noite?

Bem, quem alinha nestas pequenas loucuras sabe que a principal motivação é ver a sua equipa ao vivo. Uma das melhores experiências que se pode ter em vida. De tal maneira boa que depois de experimentar uma vez, o adepto vai querer sempre repetir. 

Depois tem uma aliado fortíssimo na fraca qualidade das transmissões televisivas dos jogos fora do Benfica. As narrações, os comentários, as realizações, a omissão de imagens de adeptos benfiquistas, enfim, um belo incentivo a ir ver o Benfica, seja onde for. 

Quem o faz frequentemente, ver jogos do Benfica fora de casa, rapidamente percebe que o grupo de viajantes é quase sempre o mesmo. Seguindo esse pensamento, para escolher parceiros de viagens, o universo é reduzido. 

Para vos poder explicar isto, escrevo esta crónica pelas 3 da manhã, quando quase todos vocês dormem profundamente, e bem. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, estar presente num jogo desses não significa ter uma vida muito melhor social e financeiramente do que o comum mortal. Só é preciso ter uma motivação: querer muito estar lá. Havendo essa determinação há que tentar mudar o mundo, passe o exagero. Decidir acordar mais cedo para que a manhã renda mais a nível profissional, sacrificar um dia de férias para ir viajar sem receios, explicar em casa que se vai chegar a casa muito depois da meia noite numa 2ª feira, estar mentalmente preparado para passar o resto da semana com sono atrasado destas viagens, acumular trabalho para compensar a ausência de 2ª feira, trocar folgas, trabalhar no fim de semana, abdicar de ir ver um concerto de uma banda apreciada lá em casa, enfim, como se pode ver, tudo opções muito objectivas e sem glamour nem luxo nenhum. Sem sinais de riqueza, sem possibilidade de ser considerada uma grande vida, apenas e só esforço e gestão de tarefas. 

Tudo isto é reduzido a nada quando estamos na bancada a assistir ao golo que Seferovic faz logo a abrir a partida, como que a dizer-nos: faz tudo sentido. 

Claro que há mais recompensas para tanta dedicação. A componente também costuma ser forte. Já que vamos para tão longe num dia improvável, então há que contemplar a gastronomia local. Desta vez, a escolha foi a Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. A habitual simpatia nortenha no atendimento, uma vitela deliciosa e no ponto, depois de umas entradas de enchidos e queijos com broa, e um pão de ló molhado feito de propósito para a nossa sobremesa. Uma refeição que já justificava a viagem.

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Se estiverem por perto, avancem à confiança.

Costuma ser complicado, quando as refeições atingem este nível de excelência, sermos brindados de seguida com um jogo que nos traga tranquilidade e serenidade na conquista dos 3 pontos. Hoje voltou a aconteceu aquele triunfo monótono de que tanto gosto. Um 0-3 natural e sem margem para discussões. 

Tudo a dar sentido ao investimento de tempo e dinheiro, tudo a justificar as mudanças profissionais e familiares. Tem estado a correr bem, no que diz respeito ao futebol do Benfica. Mas quando nada parecia fazer sentido, quando o clube passava anos e anos a adiar a reconquista do seu estatuto, tudo também fazia sentido. Porque o Benfica também são os que o seguem da maneira que podem e da forma que conseguem. 

Que se mantenha esta felicidade até ao final da época e, assim, as noites mal dormidas, as horas passadas nas estradas, o frio do rigoroso inverno do norte, e os olhares desconfiados de quem nos pergunta porquê, tudo é encarado com um sorriso. Um sorriso à Benfica! 

 

 

Benfica 10 - 0 Nacional: Hoje Soube-me a Tanto

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Em dez anos de blogue nunca pensei um dia escrever num título de uma crónica de um jogo para o campeonato o número 10 no resultado. Aconteceu a 10 de Fevereiro de 2019, num dia que se celebravam os 60 anos do genial 10 dos anos 80 do Benfica, Chalana. 

Nunca dá para prever quando chegam estes momentos. Já sabia que até 1965 o Benfica tinha chegado a resultados dois digitais por 8 vezes. Sinceramente, pensei que não ia viver o suficiente para testemunhar um marcador assim. 

Nestas alturas, em vez de ficar eufórico, gosto de olhar calmamente para trás e, antes de mais nada, lembrar-me do que senti nas noites em que levei 7 ou 5 de maneira inesperada. Da dor do regresso a casa. Dos dias seguintes. Das voltas que a vida dá. Na primeira vez que vi o Benfica levar 7 acabei a época a festejar o campeonato e a Taça frente ao clube que tinha feito tamanha desfeita. Ainda hoje eles festejam a noite dos 7, para nós foi só mais uma época que terminou com uma dobradinha. Relativizar goleadas nas horas más ajuda a conviver com goleadas nas horas boas. Claro, que para um 10-0 ninguém está preparado porque nenhum de nós viveu isto antes.

Uma viagem no tempo para recordar goleadas fortes. Aqueles 9-0 ao Marítimo no começo dos anos 80, chapas 8 ao Vitória De Guimarães, Braga, Varzim ou Famalicão. Mais recentemente, aqueles 8-1 que nos fizeram lembrar outros 8-1 dos anos 80 ao Alcobaça. Falo de resultados que muitas vezes são recordados entre benfiquistas.

Em 2019 veio a compensação por décadas de fidelidade aos jogos no Estádio da Luz, aconteceu mesmo um 10-0! 

Aparece um resultado destes, depois de termos dado 5 ao Boavista, depois de ganharmos duas vezes em Guimarães  onde nenhum dos outros 3 primeiros venceu, depois de ganharmos dois derbys seguidos. Derbys, que como aqui escrevi, souberam a pouco. 

E agora percebe-se melhor porque é que soube a pouco. Este foi o tipo de resultado que chegámos a sonhar em Alvalade, e antes do intervalo na Luz, nos últimos dois derbys. Daí o desalento no rescaldos daqueles 6-3. 

O contexto destes 10-0 é perfeito. Dia de casa cheia com a presença de milhares de benfiquistas das Casas do Benfica. Dia de homenagear Chalana. Dia para dar continuação ao excelente balanço dos derbys e aproveitar o empate do líder para reduzir para um ponto a desvantagem no campeonato. 

Tudo conseguido na perfeição. A estreia de Ferro a titular e um golo marcado, o regresso de Jonas com um bis e a estreia de Florentino com números impressionantes em menos de meia hora em campo. Este plantel do Benfica promete muito para o que aí vem. 

O que dizer da malta que, mesmo assim, continua a sair do estádio antes do jogo acabar? Nem com o resultado a caminha para um 10-0 é suficiente para garantir a presença de todos até ao fim.

Que bonito foi ver a preocupação dos jogadores do Benfica após o apito final a irem confortar todos os jogadores do Nacional numa noite tão atípica como esta. Bonito também o discurso do treinador do Benfica com palavras elogiosas para com o adversário. 

O que se pode dizer depois de um vendaval destes? Nunca é tarde para sermos surpreendidos e compensados pela nossa lealdade ao clube. Hoje foi mais do que 3 pontos, hoje foi mais do que uma goleada, isto hoje foi um rápida viagem ao Benfica do antigamente, aquele que parece ser sempre incomparável, para vincar um grande momento na vida do futebol do clube. Ter assistido a isto é um privilégio. Mais um.

Depois da dose dupla dos derbys recuperei Sérgio Godinho a cantar que "soube-me a pouco". Faltava esta noite para completar: "Hoje soube-me a tanto"!

 

 

Sporting 2 - 4 Benfica: E no Entanto, Soube a Pouco!

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Lembro-me daquela canção do grande Sérgio Godinho que começa com um brilhozinho nos olhos e acaba com um "portanto, soube-me a pouco". 

Foi muito isto que aconteceu em Alvalade neste derby a contar para o campeonato 2018/19. Ao longo do jogo cresce um mesmo um brilhozinho os olhos ao assistir ao recital do menino João Félix e do show de bola que a equipa orientada por Bruno Lage resolveu dar em plena casa do vizinho rival. 

Sempre por cima do jogo, sempre em vantagem, sempre superiores, à Benfica como sempre devia ser. A sensação que tínhamos na nossa bancada é que podíamos chegar a números históricos, tal era a superioridade. A vitória já nem estava em causa a partir do momento que o Benfica faz o 0-1. A qualidade de jogo do Benfica foi tão expressiva que adivinhava-se uma goleada. Foram 4, podiam ter sido 6. Na verdade, podiam ter sido ainda mais. O 2-4 sabe mesmo a pouco e, no entanto, estamos a falar de 4 golos em casa do rival de Lisboa. 

Não sei explicar a confiança com que hoje fomos para Alvalade. Não percebi o ambiente de Alvalade. Depois de anos seguidos de regime brunista, o estádio do Sporting voltou a ser um recinto inofensivo. Não senti a menor confiança nas bancadas verdes, aliás os adeptos da casa pareciam estar realmente assustados com o que viam nos primeiros minutos do derby. Olhando para o outro lado do Estádio, o cenário ainda era mais desolador. A Juve Leo parece estar seca de ideias e fizeram um, muito pouco original, Welcome to the Jungle, com um leãozinho desenhado, enquanto se ouvia Guns N' Roses nas colunas. Estamos em 2019, pessoal. O concerto dos Guns em Alvalade foi em 1992! 

Depois, o Directivo apresentou uns desenhos a evocar o VAR. Aqui já percebo melhor. Isto é malta que veio de um triunfo caído do céu em forma de VAR. Os bi campeões de inverno viram o VAR transformar a vitória do Braga em penaltis, e uma derrota com o Porto em empate por um penalti só visto no VAR. No derby não levaram 6 em casa porque o VAR anulou mais dois golos ao Benfica. Entendo o apego ao sistema.

Além dos golos e a exibição, destaco a ousadia de João Félix ao homenagear a lenda Bryan Ruiz na mesma baliza onde aconteceu o falhanço mais épico dos derbys. O puto quis imitar e fez bem porque já tinha marcado e só por uma vez é que valeu. Passou só a divertir-se. 

Como sempre, até começar o jogo o espaço mediático foi todo do Sporting, o seu presidente teve direito a entrevista na televisão e respectivo eco em todos os media, mostrou aquele ódio e aquela inveja ao Benfica que está no adn de qualquer adepto daquele clube. Até tiveram o Cristiano Ronaldo nas bancadas a ver o triunfo do lado bom de Lisboa no derby. Além de se apropriarem das bolas de ouro e dos feitos do craque português no estrangeiro, ainda lhe oferecem este triste espectáculo. Ao menos, a mãe Dolores divertiu-se antes do jogo quando os adeptos do Benfica cantaram que ela era do Benfica. Desmentiu com as mãos e cabeça mas sempre a rir-se como que a dizer que estes gajos são doidos. E são. São mesmo. São doidos pelo Benfica. Não querem saber de legalizações hipócritas, recusam rótulos oportunistas e deram um show de apoio nas bancadas à altura da equipa. 

Antes do jogo começar houve um momento marcante. Bruno Lage entrou sozinho em campo como sempre tem feito desde o seu primeiro jogo. Ficou surpreendido quando percebeu que o sector visitante o aplaudia e explodiu em cânticos pró Benfica. Acenou timidamente e continuou a sua volta. Antes de sair parou e fixou o olhar nos adeptos do Benfica. Não resistiu e tirou o telemóvel do bolso para fotografar a mancha vermelha de Alvalade. Depois, à noite, publicou a foto nas redes sociais. Isto também é Benfica. Com naturalidade e com emoção. 

Uma grande vitória, 3 pontos que deixam o Benfica ainda mais perto da liderança, o Porto não foi além de um nulo em Guimarães, e uma sensação de crescimento entusiasmante. 

Quarte feira há mais. Com o mesmo brilhozinho nos olhos. 

 

 

 

 

Montalegre 0 - 1 Benfica: Pragmatismo a Mais

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A viagem do Benfica a Montalegre para a Taça de Portugal fica marcada pelo facto do clube da casa ter feito questão de jogar em casa. Algo que ando há anos a pedir aos clubes mais pequenos, que saibam aproveitar estas oportunidades para tornar estes dias inesquecíveis para as suas terras. 

Portanto, todos os elogios para o enorme esforço e todo empenho do Montalegre em tornar possível receber o Benfica no seu estádio. Melhorias na iluminação, mais bancadas e tratamento de relvado. Infelizmente, neste último aspecto os esforços não resultaram em grande coisa, o relvado não aguentou a chuva e acabou em muito mau estado.

O povo respondeu ao apelo e encheu o estádio, quase 6 mil adeptos na festa da Taça. Uma festa praticamente local, com o arranque do jogo para as 20h45 de um dia útil de trabalho afastou quem queria ir de mais longe. Não todos, na bancada atrás do golo de Conti lá estavam muitos dos rapazes que costumam acompanhar a equipa a todo o lado. 

Elogios também para a equipa do Montalegre que tentou sempre jogar um futebol apoiado, sem chuto para a frente, sem anti jogo e com ambição em fazer sempre mais e melhor.

Quanto à equipa do Benfica só posso dizer que cumpriram o objectivo principal, seguir em frente na competição. Todo o resto foi passar ao lado de tudo o que os adeptos querem sempre, mais futebol, mais golos, mais espectáculo. O pragmatismo do 0-1 continua a ser o único caminho que a equipa conhece. Foi assim no Bonfim, no Funchal e agora em Montalegre. 

Vão-se cumprindo as etapas à espera de mais e melhor. 

O jogo com o Braga na ante véspera de Natal é um grande teste a esta "retoma". 

Grande abraço para as gentes de Montalegre e as maiores felicidades.

Marítimo 0 - 1 Benfica: Vitória com Exibição Pobre mas Honesta

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O Benfica foi à Madeira para defrontar o Marítimo num estádio onde não tem sido feliz nas últimas duas temporadas, perdeu em 16/17 e empatou na época passada.

Esta noite, o Benfica foi ganhar no Funchal e aumentou assim a série de vitórias seguidas para cinco jogos. Nestes cinco jogos não sofreu nenhum golo.

Ou seja, não vos trago novidades nenhumas aqui. Isto porque o Benfica acaba de completar a dose dupla de jogos seguidos fora da Luz no campeonato, no Bonfim e nos Barreiros, dois terrenos bem complicados tradicionalmente, com um total de seis pontos mas com uma qualidade de futebol que deixa os seus adeptos à beira de um ataque de nervos. 

Ficou claro que neste mês de Dezembro a prioridade é vencer, jogar bem é um luxo que a equipa não está a conseguir atingir. 

Portanto, fica a preocupação de mais uma exibição apagada mas o conforto de um triunfo que já nos escapou noutros tempos a jogar bem.

Mas admitir que a qualidade das exibições tem andado abaixo dos mínimos exigíveis é meio caminho andado para que a equipa perceba que no Benfica não basta ganhar. Só que neste preciso momento, ganhar é a única maneira de sobreviver num campeonato onde todos podem ter uma noite má menos os dois rivais do Benfica. E não, não estou a esquecer o Braga.

O Porto numa noite má chega à recta final do seu derby a fazer um penalti que lhe podia custar uma derrota mas é perdoado e acaba a vencer o jogo. Ou numa noite má, o Porto começa a perder em casa com o Portimonense, volta a fazer um penalti que dava o 0-2 e acaba a ganhar 4-1. Ou ainda noutra noite má, está nos Açores com muitas dificuldades em ultrapassar o 1-1, e marca o golo da vitória num lance que começa numa falta do seu atacante. E podia estar aqui mais umas linhas a descrever o que tem sido o papel do VAR nos jogos do Porto até à jornada 1. 

Depois temos o Sporting a perder 0-2 em casa com o Nacional e um penalti inexistente devolve a equipa o jogo antes do intervalo. Aliás, a ligação entre o Sporting e os penaltis nesta temporada faz pensar que podem bater o recorde surreal dos tempos de Jardel! 

O Benfica quando tem uma noite má perde com o Moreirense ou Belenenses. Mas perde mesmo. Esta diferença reflecte-se na tabela actual.

Curiosamente, quando azuis são beneficiados há um profundo silêncio verde. Quando os verdes são ajudados há um comovente silêncio azul. O Braga deve estar à espera da próxima semana para reagir. 

Nada disto faz esquecer as pobres exibições do Benfica, volto a escrever para que ninguém pense que quero passar por cima disso. Os triunfos do Benfica podem ser pobres mas são honestos! Nos jogos do Benfica nem nos lembramos que vivemos tempos de VAR. Nunca se enganam para este lado. Por isso, dou muito valor aos triunfos de 1-0, dou muito valor ao Jonas. É pouco? É. Mas é com o trabalho dos nossos jogadores e sem ajudas externas. 

O Benfica está a jogar pouco e a ganhar. Os outros é que jogam todos muito à bola e são uns santos. Exigência para dentro e para fora, é isto que temos de ter. E saber aproveitar as vitórias.

Vitória de Setúbal 0 - 1 Benfica: Jonas Vence Tropa de Choco

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Está na hora de assumir que odeio o Estádio do Bonfim. A primeira vez que lá entrei foi na década de 80 e já cheirava a mofo. Era uma viagem aos anos 60, pelo menos. Em 2018 a sensação é exactamente a mesma, mesmo porque o recinto continua inalterado. 

As longas filas para entrar, os acessos, as cadeiras, as bancadas, o ódio que se sente na gente da casa, a maneira exageradamente agressiva com o Vitória sempre joga contra o Benfica. Hoje tinham 13 faltas cometidas ao intervalo. Na recepção ao Porto fizeram 13 falta durante o jogo todo! 

Tudo é mau naquele estádio. O relvado, o frio, o vento,  a visibilidade, a distância para o terreno de jogo, tudo é mau. Então porque é que insisto em lá ir? Mais... Como é que é possível que este seja um dos estádios onde mais entrei na vida para ver o Benfica? 

Porque, geograficamente, fica muito perto de casa. Porque é dos raros recintos abaixo do Rio Tejo que temos para ver o Benfica. Porque se junta sempre uma turma de amigos e companheiros de bancada para apreciar a gastronomia sadina. Hoje não foi excepção, excelentes doses de choco frito a um preço muito acessível numa espécie de lanche ajantarado.

E para ver o Benfica acabamos sempre por esquecer todas as contrariedades que o Bonfim oferece. Pelos vistos, até ataque ao autocarro do Benfica houve. Bons exemplos que os sadinos importam.

Esta noite, ao entrar no Estádio do Vitória houve a sensação de sempre, daquela viagem no tempo. Mas com o desenrolar do jogo percebi que, desta vez, era uma viagem aos dourados anos 90. Que arbitragem foi esta?! 

O Mendy fez 8 faltas e não viu um amarelo. Pizzi fez uma falta, levou um amarelo. Almeida também levou amarelo à 3ª falta. O Mano faz uma falta que trava um perigoso ataque do Benfica e não leva o segundo amarelo. Enfim... 

Mas o meu lance favorito é aquele golo do Zivkovic em que é assinalado fora de jogo quando ele arranca antes do meio campo. E o Vitória marca essa falta com a bola para lá da linha do seu meio campo. Delicioso.

Eu também quero muito ver o Benfica a jogar um grande futebol, a vencer fácil e a dar espectáculo. Curiosamente, em Setúbal raramente vi tal coisa acontecer na minha vida desde os anos 80. Aliás, quando vou para o Bonfim vou mentalizado para sofrer e só peço para ganhar nem que seja só por 0-1 com um golo de Jonas. Está óptimo.

O Benfica podia e devia ter saído de Setúbal com um resultado mais tranquilo mas por não ter conseguido concretizar, Rafa, Grimaldo e Zivkovic, por exemplo, não tiveram sorte nenhuma nas finalizações, a equipa acabou a defender a magra vantagem com Odysseas a negar o empate ao 88'. Altura em que o Vitória foi realmente perigoso, a dois minutos dos 90! 

São 3 pontos conquistados num terreno tradicionalmente complicado contra uma arbitragem incrível.

Já tivemos más noites em Setúbal ao longo dos anos. Hoje o desfecho foi bom. Mas, por exemplo, no Jamor uma noite desinspirada custou logo uma derrota penosa. O líder da prova já ameaçou ter noites más, como essa, mas há sempre alguma coisa a endireitá-lo. No Bessa foi um penalti ignorado, em casa contra o Portimonense passou-se de um possível 0-2 para um triunfo de 4-1 com outro penalti esquecido. Assim fica muito fácil. Muito fácil mesmo. Que Braga e Sporting finjam que estão mortos quando deviam reagir a isto, é lá problema deles. O Benfica não se pode calar. É que voltar aos anos 90 é como ir ao Bonfim, cheira sempre a Mofo e já sabemos com o que contamos.

Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira: O Regresso Às Origens

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Entre amigos de sempre, companheiros de bancada, mantenho uma espécie de competição interna de mostrar quem é que não perde um jogo oficial do Benfica na Luz há mais tempo. Eles sabem quem são. Aqueles que se conseguem rir destas parvoíces e destes pormenores. Gente com quem podemos dizer o número de jogos que não vimos na nova Luz e as respectivas justificações para as ausências. Dá sempre para várias horas de tertúlia e algumas risadas.

Geralmente, os motivos são sempre de força maior. Motivos profissionais ou escolares, celebrações familiares ou de amigos, nascimentos ou lutos. 

Era aqui queria chegar. Esta época vi pela primeira vez a Taça da Liga na Luz. Isto porque em Setembro tive que quebrar a corrente de não falhar um jogo na Luz que já tinha alguns anos a fio. Casamento de sobrinhos no Algarve. O Benfica bateu o Rio Ave e a boda foi um sucesso. Tudo bem. 

Tive que mudar a conversa na competição para quantos jogos para a Liga, Taça de Portugal ou Europa é que falhaste nos últimos anos. 

Hoje, foi um dia triste para um desses amigos. Um companheiro de bancada. De bancadas, da Luz, dos pavilhões, dos estádios por esse país fora e até por essa europa fora. Um benfiquista daqueles com quem estamos sempre a aprender, exigente, dedicado e sempre pronto a defender o clube até ao limite. 

Em dia de jogo do Benfica comunicou que perdeu o pai. um dos golpes mais duros que a vida tem para nos dar. Depois de lhe mandar um abraço pensei logo se ele iria ao jogo. Não há choque nenhum em pensar nisto nesta hora, é o maior tributo que lhe posso fazer. 

O Benfica cumpriu a sua parte. Venceu o segundo jogo no seu grupo na Taça da Liga e está perto de voltar à Final Four da competição. Mesmo com várias alterações na equipa, o Benfica ganhou com tranquilidade e naturalidade. Longe dos sustos e da exibição desastrada que se tinha visto com o Arouca para a Taça de Portugal. A comparação é legitima, os adversários são ambos da segunda divisão. O Paços de Ferreira, treinado pelo rei das subidas, Vítor Oliveira, podia tentar uma surpresa na Luz. Foi este treinador que afastou o Benfica há um ano nesta prova. 

Os golos de Seferovic e João Félix deram segurança à equipa que tentou ter sempre o jogo controlado e estar longe de sofrer sobressaltos. 

Apenas 17 mil benfiquistas acharam que o jogo era digno da sua presença. Aplaudiram a equipa no fim.

Entre esses 17 mil adeptos, lá estava o R.S. na bancada. Num dos dias mais tristes da sua vida, teve o consolo de ver o seu Benfica a jogar. Ainda recebeu a camisola do Jonas porque o Benfica tem pessoas que o humanizam. Não foi só esta vitória e este jogo que foi para ti, o Benfica está sempre lá para os dedicados como tu. Como tu estás para o Benfica. Isto só está ao alcance de alguns, no entanto, é esta grandeza que faz deste clube o mais amado do país. Às vezes é bom voltar às origens para se entender isso. 

Benfica 4 - 0 Feirense: Chicotada Psicológica Invertida

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Escrevi aqui sem rodeios depois do jogo de Munique que era preciso reagir a sério. Não punha de parte uma mudança de equipa técnica e a Direcção do clube também não, como se percebeu nos dias seguintes. 

Foi a semana mais complicada de Rui Vitória desde que chegou ao Benfica e uma das mais delicadas do reinado de Luís Filipe Vieira. A decisão de mudar de treinador chegou a ser uma realidade que acabou por não acontecer num último momento por convicção do Presidente. Uma originalidade com o campeonato em andamento. A chamada chicotada psicológica invertida.

Pelo que entendi, o Presidente percebeu a gravidade das exibições da equipa, não só de Munique mas do último mês competitivos depois de uma vitória no clássico, e quis alterar as coisas mudando o treinador. Depois, num pensamento mais ponderado terá avaliado a falta de tempo que qualquer treinador teria ao entrar agora. Não há tempo para entrar, treinar, impor conceitos, mudar treinos, afinar estratégias. Isto porque entrámos no último mês do ano e o mais exigente desta época com jogo de três em três dias para o campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e o que resta da Liga dos Campeões. Vieira terá pensado que a via mais fácil era deixar cair o treinador e ficar entregue à sorte de um novo projecto. Pensou na via mais complicada e optou por segui-la. Isto é, falar com o plantel e saber com o que podia contar. Pelos vistos, o plantel deu-lhe garantias de mais entrega, mais qualidade e motivação total para vender todas as provas. Houve esse compromisso entre plantel, Presidente e treinador. Foi a via menos esperada, mais difícil e muito arriscada. 

É sempre mais fácil mudar um líder do que lidar com um plantel. 

A decisão mexeu com toda a nação benfiquista, causou surpresa e até mal estar mas a verdade é que não vi ninguém abandonar o barco até agora. 

Restava saber se a equipa ia devolver em campo a tal confiança prometida.  

Mais 40 mil adeptos quiseram ir ao Estádio da Luz para ver se a equipa ia dar seguimento à vitória de Tondela, há quase um mês, e aceitaram o desafio de apoiar. Os dois Topos manifestaram o seu descontentamento com o futebol do Benfica em silêncio, só interrompido com o Ser Benfiquista ao minuto 30. Curiosamente, de outros sectores do estádio veio apoio mesmo com zero a zero no marcador. 

A primeira parte não foi brilhante. O Feirense fez a rábula de mudar o campo obrigando o Benfica a atacar para norte na 2ª parte. O castigo voltou a aparecer para com quem brinca com as tradições da Luz. Foi na baliza norte que o Benfica fez 4 golos em 45 minutos, resolvendo o jogo e somando os 3 pontos.

Uma primeira batalha ganha depois da intervenção presidencial. Mas a desconfiança ainda é muita e é preciso pensar que há deslocações a Setúbal ou ao Funchal, por exemplo, durante o mês. É preciso jogar mais tempo como na 2ª parte. 

Zivkovic, Rafa e Jonas aproveitaram da melhor forma a aposta no 4-3-3. Pizzi, Gedson e Fejsa subiram de produção na segunda parte, e ficou claro que é nestes jogadores que Rui Vitória mais confiança. 

4-0 ao Feirense era a resposta que se esperava. Agora, tem que ser atitude para continuar. Caso contrário, de pouco vale esta goleada.

 

 

Bayern 5 - 1 Benfica: Mau!

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Vamos lá esclarecer umas ideias. O Benfica perder nunca pode ser uma normalidade. O Benfica ser goleado é impensável. O Benfica sofrer cinco golos é vergonhoso. Uma vergonha a que já assisti vezes de mais na minha vida de benfiquista. E penso sempre que é a última vez cada vez que volta a acontecer. E quando acontece o que eu espero é que os jogadores reajam com dignidade. Sejam os jogadores que levaram 5 na Luz nos anos 90, sejam os jogadores que levaram 5 com a anterior equipa técnica, sejam os jogadores do plantel da época passada em Basileia, sejam os jogadores desta época em Munique. Para mim, não chega o discurso do levantar a cabeça. Isto é válido também para o treinador e para os dirigentes do clube. Uma noite trágica destas nunca pode ser só mais uma ou uma inevitabilidade. Não pode acontecer. 

Todos têm que saber estar à altura do peso, da história e da glória que o emblema do Benfica representa. Todos. 

Se há mais de dois mil associados e adeptos do clube que puderam, quiseram e estiveram no Allianz Arena a puxar pela equipa, a carregarem uma mística conhecida em todo o mundo, é preciso, antes de mais nada, respeitá-los. Para eles o meu obrigado e votos de bom regresso.

Eles, tal como todos os que acompanhámos à distancia, sabem a importância destas noites. É nestas alturas que o Benfica pode acrescentar mais honra ao seu historial. Esperamos sempre o melhor.

Sabemos que do outro lado não está uma equipa qualquer mas depois de ver e rever o que fizeram ali recentemente equipas como o Dusseldorf, Friburgo ou Monchengladbach, esperava-se uma oportunidade para o Benfica. Infelizmente, o Benfica só existiu naquele relvado durante uns dois minutos. O tempo que durou a jogada do golo do Gedson. De resto, não se viu nada. 

A ideia era ir a Munique tentar tirar proveito do mau momento e da instabilidade à volta do Bayern, arrancar uma boa exibição para moralizar e entusiasmar a equipa do Benfica que tem passado o último mês competitivo de forma agoniante. 

Era uma boa oportunidade. Foi uma decepção total. Sofrer 5 golos é sempre motivo de vergonha, assuma-se isso. 

Todos têm que perceber isso. Seja em Munique, seja na Grécia. Seja nos anos 90, seja em 2018. O Benfica não se fez de noites destas. As reacções deviam ser de acordo com isto. 

 

Benfica 2 - 1 Arouca: Doloroso Apuramento

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Isto nem é novo no reinado de Rui Vitória, vitórias apertadas com exibições muito pobres nas primeiras rondas da Taça de Portugal já aconteceram em outras épocas. Lembro-me, assim de cabeça, do 1-2 contra o Vianense e no ano a seguir o mesmo resultado no Estoril com o 1º de Dezembro. Em ambos os jogos o golo da vitória veio perto do final, tal como hoje.

A grande diferença é que nessa altura havia um enorme capital de confiança à volta da equipa porque vinha de épocas triunfantes e, portanto, uma noite desinspirada, mesmo que contra equipas de escalões inferiores, era desculpada pelo resultado prático final.

Desta vez, o contexto é muito mais delicado. Hoje, o Benfica precisava de uma boa exibição e um resultado tranquilo para dar sequência à vitória de Tondela, recuperar alguns jogadores, ganhar outros e embalar para um novo ciclo que tem na próxima paragem em Munique o ponto mais exigente.

Rui Vitória aproveitou o segundo jogo do Benfica na Taça de Portugal desta época para lançar Krovinovic, dar nova chance a Corchia, apostar em Zivkovic e, o mais relevante de tudo, recorrer ao 4-4-2 pela primeira vez esta temporada.

O resultado de todas estas apostas foi uma enorme desilusão. Salvou-se Svilar, que manteve o Benfica em jogo com uma enorme defesa já na recta final da partida, Seferovic e Jonas sempre inconformados, a espaços Krovinovic deu um ar da sua graça e Rafa acabou por ser decisivo ao marcar o golo que evitou um embaraçoso prolongamento.

De resto, é difícil quantificar e qualificar a exibição do Benfica esta noite com o Arouca da segunda divisão.

Só se aproveitou mesmo o resultado, um alivio merecido para as duas dezenas de milhar de adeptos que fizeram questão de aparecer na Luz.