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Red Pass

Rumo ao 37

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Fenerbahçe 1 - 1 Benfica: Gedson Apresenta-se à Europa

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Escrevi no final da primeira mão que tinha sido muito importante não sofrer golos na Luz. Por outro lado, essa teoria só valia se o Benfica fosse à Turquia procurar marcar. Aliás, Rui Vitória tinha prometido na véspera do jogo que a equipa ia à procura do seu golo. Prometeu e cumpriu.

O Benfica fez uma exibição personalizada na primeira parte, a equipa tirou partido da agressividade do titular Castillo e conseguiu pressionar bem o Fenerbachçe nunca dando sinais de intranquilidade por causa do ambiente sempre adverso.

Quando a equipa de Cocu teve que pegar no jogo e ir à procura dos seus golos nunca foi convincente mostrando que aquele domínio de jogo que mostrou na primeira parte da Luz é curto e pouco objectivo.

A equipa do Benfica foi crescendo com Gedson a dar alma ao lado direito onde André e Salvio sempre se entenderam melhor do que o lado esquerdo, que até foi a ala mais produtiva da época passada. Cervi, Pizzi e Grimaldo não deram tanta profundidade muito por culpa da desinspiração do argentino.

Uma combinação entre Castillo, Salvio e Gedson deu o tão esperado golo fora de casa que acabou por ser um seguro de vida muito tranquilizador.

Defensivamente foi uma pena aquela desconcentração no final da primeira parte que voltou a dar vida aos turcos. Ruben teve que sair da sua zona acção, Fejsa demorou a fazer a dobra, André também não dificultou o cruzamento no seu lado e Grimaldo ficou demasiado exposto na marcação individual que perdeu pela diferença de estatura.

Felizmente, o Benfica não acusou o golo e tentou nunca ficar só em postura defensiva na segunda parte. Podia ter tido mais critério de decisão sempre que construiu ataques em velocidades de maneira a resolver a eliminatória mais cedo.

Mas na verdade o Benfica conseguiu gerir emocionalmente o rumo da partida, perdeu Castillo ainda na primeira parte e Ferreyra foi lançado. Pena não ter assinado o seu golo depois de uma desmarcação óptima.

Uma palavra para Odisseas que voltou a responder bem quando foi chamado a intervir. O facto da defesa não hesitar em lhe passar a bola na hora de construir é um bom sinal de confiança da equipa para o guarda redes.

Um empate com sabor a vitória e o primeiro objectivo deste mês cumprido. O Benfica ultrapassou o adversário mais complicado do sorteio com toda a justiça e agora prepara o duelo e reencontro com o PAOK.

Entretanto, segue-se o Boavista.

 

Benfica 1 - 0 Fenerbahçe: Meio Caminho Andado

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Bem vindos à época 2018/19 e à publicação de crónicas sobre os jogos do Benfica.

Nos últimos anos, durante o defeso, tem crescido em mim a dúvida se é mais forte ansiedade de voltar a ver jogos a doer do Benfica ou se é preferível estar mais tempo em descanso com tempo para ver outro futebol. Nos anos pares tudo é muito mais fácil de gerir, termina a época e seguem-se torneios de dimensões enormes, Mundiais e Europeus. 

Na verdade, são, quase, três meses seguidos sem jogos oficiais do Benfica. Durante as primeiras décadas de vida sentia uma ansiedade muito grande pelo primeiro jogo da época. Ultimamente, nem por isso. Explica-se com a velhice e com aquele chavão de que o tempo começa a passar mais depressa. Mas também são sinais dos tempos. É que, na realidade, depois do último jogo oficial do Benfica nunca há descanso de verdade. O peso mediático arrasta-se de forma incrível todos dias e noites. 

Enfim, serve esta introdução para explicar que o tempo passa, os contextos mudam, os desafios renovam-se e a grande verdade é que umas horas antes do primeiro jogo oficial abate-se um nervosismo, uma ansiedade e uma vontade inexplicável de ocupar o lugar na bancada e começar tudo de novo. É isto há uns 40 anos seguidos, mais coisa menos coisa. É absolutamente mágico aquele momento em que o jogo começa, respiramos fundo, damos uma olhadela pelas bancadas, fixamos o olhar na bola e depois espreitamos o céu como que a pedir uma ajuda divina para mais uma viagem, para mais uma maratona que só acaba em Maio. 

 

O primeiro jogo é sempre especial. Geralmente, quando a estreia não é no campeonato é bom sinal. Nos últimos cinco anos, arrancámos as temporadas a disputar a Supertaça. Óptimo sinal, dá para começar logo a lutar por um troféu e quebra-se o gelo para a Liga. Tenho para mim que esse facto tem ajudado a quebrar aquele enguiço que durou várias épocas e que fazia com que as estreias no campeonato fossem decepcionantes. Ou seja, uma estreia a frio da Liga não é a melhor maneira de começar. O ideal é termos a Supertaça, sinal que alguma coisa correu muito bem no final da época passada.

Este ano, o desafio é europeu. Já não acontecia há muito e até apareceu de maneira inesperada. Na última jornada do campeonato já não era expectável terminar no 2º lugar. Felizmente, aconteceu e agora abriu-se uma porta de entrada para a Champions League.

Temos, portanto, para estreia da época uma noite europeia contra um velho conhecido, o Fenerbahçe que tinha estado na Luz a disputar uma meia final da Liga Europa de boa memória.

É muito complicado gerir todas as emoções nestas estreias. É o equipamento novo que vai ser visto ao vivo pela primeira vez por muitos adeptos, é o relvado que tem meio mês de vida e que apresenta uma imagem espectacular, são os reforços que vão sentir a Luz pela primeira vez, são as saudades daqueles nervos únicos que já não sentimos há três meses. 

Ao mesmo tempo é preciso gerir o contexto da partida. Não é um jogo qualquer, é metade de uma eliminatória, está muita coisa em jogo, desde prestígio, a orgulho, a saúde financeira. 

Um estádio cheio para receber uma equipa que, pela primeira vez em cinco anos, entra em campo sem ser campeã nacional. Há expectativa entre os adeptos de saber como vai a equipa reagir, há expectativa entre os jogadores para saberem como vão estar os adeptos durante o jogo. 

 

Começo por destacar o imenso respeito que os turcos mostraram pelo Benfica. Estudaram bem todos os pormenores. Logo na saída de bola obrigaram o Benfica a atacar de norte para sul contrariando a tradição da Luz. É porque conheciam este hábito. 

Depois, a postura em campo nas duas partes mostrou um Fenerbahçe bastante receoso. Na primeira metade, a pior do Benfica, os turcos deram prioridade à posse de bola, tentando controlar o jogo mas nem por isso se mostraram muito atrevidos na busca de um golo. 

Na segunda parte, os turcos limitaram-se a defender, mesmo depois de estarem em desvantagem. Fica registado.

 

Era muito importante não sofrer golos. Esta é sempre a primeira prioridade para quem joga uma eliminatória da UEFA primeiro em casa. Depois, procurar vencer pelo maior número de golos possíveis. Graças à velha regra do golo fora, é muito melhor vencer por 1-0 do que por 2-1. É dos livros.

Nesse aspecto, a única boa notícia ao intervalo é que não havia golos.

 

O Benfica estreou Odysseas na baliza, ganhou a titularidade na pré época por mérito próprio. Ferreyra na frente e Gedson no meio campo. O jovem só teve que superar o nervosismo inicial porque tem Benfica da cabeça aos pés. O guardião teve uma estreia tranquila. O avançado não teve a estreia que desejava e que se desejava. 

O Benfica não conseguiu impor o seu jogo na primeira parte mas podia ter chegado ao golo no primeiro minuto se a falta de Isla sobre Cervi tivesse sido devidamente assinalada. 

A imagem mais simbólica da apagada primeira parte ficou naquele lance de Ferreyra, perto do intervalo, em que o avançado remata fraco. 

 

Na segunda parte foi um Benfica de menos a mais. A equipa cresceu muito com a subida dos sectores, com os jogadores a jogarem muito mais juntos a velocidade aumentou, as iniciativas nas alas cresceram e os problemas para os turcos começaram a aparecer. 

Gedson a transportar jogo sem complexos, Salvio e André na direita, Grimaldo e Cervi na esquerda, nas habituais criações conseguiram levar o jogo para um patamar muito mais interessante. Faltou mais Pizzi, no sentido do português aparecer mais perto da baliza e faltou muito mais Ferreyra. 

Com 0-0, Rui Vitória optou por trocar de avançados lançando Castillo, outra estreia. Na Luz pedia-se um alargamento da frente de ataque mas, sinceramente, pareceu-me a melhor opção. É que Ferreyra não me pareceu que fosse dar muito mais ao jogo e a equipa estava a crescer a olhos vistos apesar do nulo. O chileno trouxe mais energia, mais combate, mais garra ao ataque do Benfica e o Fenerbahçe encolheu-se mais um pouco. O guarda Redes Demirel recusava-se a repor a bola em jogo com o árbitro a permitir perdas de tempo inaceitáveis. 

O golo apareceu de forma natural e justa, ligação directa entre extremos, Salvio da direita para dentro assiste Cervi que veio da esquerda para receber e improvisar um remate cruzado que deu o 1-0. 

Foi um bom período do Benfica, houve ali um momento em que vários jogadores do Benfica mostraram uma subida de confiança grande com trocas de bola de nível técnico superior e isso deixou a equipa turca desconfiada e sem vontade de procurar um valioso golo. 

 

Foi a 14ª vez que o Benfica venceu uma primeira mão por 1-0. Só contra Anderlecht e Dortmund correu mal na segunda mão. O Fenerbahçe sempre que perdeu por este resultado nunca conseguiu seguir em frente em sua casa. Há que preparar a ida à Turquia com o pensamento de marcar lá. Há argumentos para isso.

Não foi uma estreia fantástica mas foi uma primeira missão cumprida. Foi a primeira vitória desde Dortmund e fica o sentimento de arranque positivo. 

Agora que a bola já rolou não há volta a dar. Voltámos ao ritmo alucinante dos jogos a doer. Ainda estamos a fazer rescaldo e projecções para a segunda mão e já aí está o Vitória Sport Club à espera de entrar em cena no novo tapete da Luz.

Afinal, já tinha saudades.