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Tetra Campeões

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Estoril 1 - 2 Benfica: Até à Última!

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Antes do jogo muita gente perguntava porque é que este ano mudaram a lógica das bancadas. Nas últimas épocas os grupos de apoio ficaram na bancada nova, desta vez foi tudo para a central. Não percebi se houve explicação oficial para isto ou se é resultado daquela palhaçada que aconteceu no jogo com o Porto.

Claro que a nós calhou o Estoril da primeira parte desse jogo surreal com o Porto. Um Estoril tão agressivo que o jogador Ailton personalizou na perfeição. Logo nos primeiros minutos varreu André Almeida e nem cartão viu, para depois aos 38' fazer penalti sobre Raul Jimenez, deixando o mexicano a sangrar. E claro que nem penalti, nem cartão. Assim, lá continuou o brasileiro em campo como se nada fosse. Parece fácil.

O jogo até começou bem para o Benfica, aos 10' Rafa fez o 0-1 e estavam assim dissipadas as dúvidas sobre as marcas que o clássico podia ter deixado. O problema é que a equipa nunca mais voltou a mostrar eficácia na hora de marcar. Nomeadamente Rafa ficou a dever mais uns quantos golos na sua conta pessoal e assim deixou sempre o jogo em aberto.

Este é um dos grandes mistérios deste Benfica, porque é que não mata os jogos mais cedo e acaba a dar vida ao adversário? Aconteceu aos 50' o golo do empate que foi anulado pelo VAR. Mas o sinal estava dado, o Estoril estava vivo e queria chegar aos pontos.

Aos 63' o Estoril empatou mesmo por Halliche, um central argelino que um dia Eurico Gomes apontou ao Benfica mas que nunca jogou de vermelho. Ou seja, na segunda parte do jogo a equipa de Rui Vitória caiu numa apatia difícil de compreender e meteu-se a jeito para perder pontos da Amoreira. 

Assim que o Estoril chegou ao empate percebemos que o jogo ia deixar de ter muito tempo útil de jogo. Logo a seguir ao golo jogadores deitados no relvado, às vezes aos pares, o guarda redes Renan mostrou que, por ele, passava o resto da partida estendido na relva a receber massagens. 

Aliás, um dos meus sonhos do futebol actual é que o Benfica consiga fazer um golo do meio campo quando o guarda redes adversário resolver sentar-se a agitar os braços enquanto a sua equipa tenta recuperar a bola. Aconteceu no Restelo, já aconteceu na Luz e ontem repetiu-se a rábula mesmo à minha frente. Nada me deixa mais irado que isto. O jogo a decorrer normalmente e, de repente, temos o guardião sentado a gozar com quem paga bilhete a interromper o jogo. 

Nestas paragens o meu destaque vai para o jovem Fernando Fonseca, camisola 12. Aproveitou todas as paragens para provocar os adeptos na bancada atrás da sua baliza na 2ª parte, entreteve-se a apanhar objectos do relvado para ir entregar ao árbitro e num corte que fez evitando novo golo de Rafa, festejou como se tivesse ganho a partida. Nada contra. Já acho mais estranho prolongar esse festejo virando-se para a bancada com ar de possuído e a bater forte no peito. Fui ver se tinha sido formado no Estoril e se estava feliz por estar a defender o seu clube de sempre. Surpreendentemente foi formado num clube muito mais a norte. Está explicado.

Também foi por ele que fiquei feliz com o golo de Salvio. Assim que a bola entrou olhei para Renan e para Fonseca. Ri-me.

Não sei se acredito em algo abstracto como a confiança invisível. A verdade é que perto do final do jogo, com 1-1 no marcador, dei por mim a pensar que era evidente que ia chegar o golo da vitória. Só por uma questão de tradição e de lógica. É que nos últimos anos tenho ido sempre ver o Benfica à Amoreira e os jogos parecem ser sempre iguais e muito dificeis. Já aconteceu começar a perder e dar a volta, já aconteceu chegarmos ao fim do jogo angustiados com um falhanço amarelo que podia ter dado empate e até já tinha acontecido entrar em tempo de descontos empatados. Na Taça de Portugal contra o 1º de Dezembro, em Outubro de 2016, o Benfica ganha o jogo com um golo depois dos 90' e naquela mesma baliza. Na altura foi Luisão a apurar o Benfica.

Ou seja, nada de novo na Amoreira. Desperdício, sofrimento, angústia, nervos, revolta e sair de lá com a vitória no bolso. Acho que encarei o golo de Salvio com a naturalidade de um ancião já muito batido nestas coisas da bola.

Em resumo, o Benfica cumpriu os mínimos exigidos para alimentar a esperança até ao fim. Esta foi só mais uma vitória arrancada a ferros que confirmam a crença em vencer até ao último segundo.

 

Benfica 3 - 1 Estoril: "Malta, Houve Aqui Um Bom Jogo ou Não?"

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 Desta vez começo pelo fim. Vale a pena recuperar as conferências de imprensa dos treinadores pós jogo.

O treinador do Estoril, Ivo Vieira, mostrou-se farto dos não assuntos à volta de um jogo em que ele é protagonista directo e, por isso, queria falar das suas opções, das suas opiniões, das suas reacções sobre o jogo de futebol em que a sua equipa participou. Fartou-se e disparou: "Malta, hoje aqui houve um bom jogo ou não?". É uma pedrada no charco. O Ivo perdeu o jogo, a sua equipa está numa posição perigosa na tabela mas quis passar a mensagem que assistiu a um bom jogo de futebol com um resultado final que não era o que ele queria.

Uma atitude que é um estaladão fortíssimo nos representantes da comunicação social presentes naquela sala. O Ivo Vieira perdeu e mostrou que se está nas tintas para o esterco em que a comunicação social insiste em viver e sempre a puxar o povo e os protagonistas para ele.

O Ivo Vieira sabe que a sua equipa vale mais que os pontos que apresenta agora na tabela classificativa. O Ivo Vieira entende que uma equipa que tem o excelente Lucas Evangelista e o eficaz Kléber a actuar só pode melhorar e fazer uma 2ª volta melhor. Eu também acho. Agradeço-lhe a postura e desejo sinceras felicidades.

 

Por seu lado, Rui Vitória a dada altura da sua conferência de imprensa deu-se ao trabalho de contar até sete. Foi apontando o dedo aos jornalistas contando de um a sete. Todos lhe fizeram perguntas fora do contexto do jogo jogado. A excepção foi a BTV e o oitavo jornalista. Insistiu em explicar que não ia ali para alimentar ruído, isto é, recusou ser puxado para o tal esterco. Bem.

 

Ora, por esta amostra fica muito claro quem quer viver no esterco, quem puxa o futebol para o lado negro, quem vive deste ruído, quem precisa de alimentar os animais do esterco. Neste aspecto, fica ainda mais claro quando a meio de um jogo de futebol, que estava a ser interessante e emotivo, um desses animais, personagem principal desta fábula, se pronunciou. Repito, a meio do jogo do tetra campeão a notícia passou a ser o esterco agitado:

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 Pois bem, este destaque é dado pelos mesmos que nos dias de clássicos e derbys apresentam capas todas bonitas a apelar ao fair play com frases lindas como "divirtam-se", fazendo de conta que não são eles que transformaram isto num gigante esterco irrespirável.

Os treinadores das duas equipas deram uma clara resposta à hipócrita e decadente comunicação social. Para que não fiquem dúvidas, os protagonistas estão fartos desta sujidade. Imaginem os adeptos que só querem saber de futebol...

 

Quanto ao Benfica - Estoril, o Benfica tinha duas obrigações, voltar a jogar com a sua melhor equipa e ganhar, dar continuidade ao bom ciclo de resultados em provas internas. Cumpriu.

Não restam dúvidas que o 4-3-3 veio para ficar e com ele chegou um determinado e decisivo Krovinovic que joga e faz jogar. Os dois alas ganham, cada vez mais, importância na equipa e é de lá que vem o apoio decisivo para que se marquem golos. Cervi e Salvio, importantíssimos para apoiarem o trabalho de Krovinovic e Pizzi pelo meio e ligarem o jogo ao superior Jonas.

Os problemas aparecem mais atrás e quando a equipa até está em vantagem no marcador. Continua a haver dificuldade em controlar o jogo do adversário, foi assim que o Estoril andou sempre perto de discutir o resultado porque depois do 2-0 não se conseguiu matar a partida. Neste momento, é o que me parece que dá mais trabalho ao treinador, acertar a postura defensiva e gerir vantagens.

 

 

 

Fica sempre a ideia que quando a equipa do Benfica acelera o processo de jogo acaba por ser feliz porque tem protagonistas do meio campo para a frente com uma qualidade incomparável na nossa liga. Acaba por ser natural que o Benfica responda ao 2-1 com a procura e a concretização do 3-1 mas depois não é expectável que a equipa caia em tentação de recuar e ficar exposta a um possível 3-2 que só não aconteceu porque o famoso VAR impediu que um golo marcado com o braço contasse.

Acaba por ser uma vitória normal, dentro do que tem acontecido nas últimas visitas do Estoril à Luz e a noite foi proveitosa para manter o tal ciclo positivo a perseguição ao objectivo principal.

 

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Antes do começo do jogo uma justa homenagem ao Zé Pedro, a quem dediquei o começo da crónica no Dragão. Para sempre um de nós. Extra jogo, é destas atitudes que queremos falar, sobre o resto estou como os treinadores deste jogo, chega!

Benfica 2 - 1 Estoril : Jonas Contra o Apagão

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 Foi um Benfica desconfiado e algo apático que abordou esta 31ª jornada contra o Estoril. Talvez pelas dificuldades que passou nos outros três encontros da época com a equipa da Linha, o Benfica não conseguiu entrar de forma avassaladora no jogo.

Cedo se percebeu que ia ser uma tarde de paciência e sofrimento. O Estoril de Pedro Emanuel voltou a dar uma excelente imagem do seu futebol, deixando o Benfica num jogo mais dominador mas de expectativa.

O penalti que Nelson Semedo sofreu abriu o caminho da vitória que Jonas confirmou. Foi apenas o 6º penalti em 31 jogos de campeonato a favorecer o Benfica, um número, curiosamente, abaixo dos outros rivais.

 

O problema é que na 2ª parte com 1-0 no marcador eu cheguei a pensar que a equipa amarela na Luz tratava-se do Brasil 1982 que morreu no Sarriá! Tal era a facilidade com que o Estoril construia oportunidades e mandava no jogo. Um período de enorme apagão da equipa do Benfica que andou a ver o empate adiado em várias oportunidades, até que Kleber não falhou e deixou o estádio da Luz em suspenso. A começar pelo banco do Benfica que se preparava para lançar Felipe Augusto no jogo e acabou por improvisar a entrada de Carrillo.

 

 (Fotogaleria: João Trindade)

 

Vieram à memória os fantasmas daquele jogo de 2005 no Algarve, que só Mantorras conseguiu resolver ou, ainda pior, daquele empate em 2013 que comprometeu uma liga que podia ter sido o começo de um penta.

Mais uma vez, a resposta do Benfica foi forte e convincente, a equipa partiu à procura do 2-1 e Jonas mostrou porque é o melhor jogador do campeonato, um golaço que fez a Luz suspirar de alivio e deu à equipa a vitória necessária para manter as esperanças do tetra intactas.

Foi uma vitória muito suada que muito se deveu à inspiração individual de Jonas e que garantiu o cumprimento de um objectivo essencial, três pontos.

Agora fica faltar só um jogo na Luz para terminar a época e dois fora. O Benfica está a três jogos de fazer o que nunca foi feito no clube. Nada está ganho, apenas uma etapa mais ultrapassada e só mais passo firme nesta longa maratona.

Foco agora na deslocação a Vila do Conde, estamos muito perto da felicidade mas ainda há muito que sofrer. Literalmente.

 

Benfica 3 - 3 Estoril: No Jamor!

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 Apetece-me começar por dar os parabéns ao Chaves e ao Estoril pela excelente imagem que deixaram nas meias finais da Taça de Portugal. Por arrasto, elogiar também a FPF pelo aumento de qualidade que a prova tem tido depois de anos de algum desprezo pela competição. As mudanças que obrigam as equipas profissionais a jogarem fora de casa contra clubes de escalões inferiores, o cuidado com os preços dos bilhetes, entre outros pormenores, devolveram dinâmica à Taça de Portugal que vê os dois clubes finalistas apurados com muitas dificuldades.

 

No caso do Benfica, a tarefa começou logo a complicar-se nas bancadas. Como é que uma meia final que dá acesso ao último jogo da época, que pode ajudar a ser o Benfica a abrir a próxima época na Supertaça, que garante a presença em mais um final, só convence menos de metade do Estádio da Luz a ir ao jogo?! Ter 25010 adeptos no último jogo oficial da época fora do contexto da liga é embaraçoso. Logo aí deu uma falsa imagem de que o trabalho está feito

O Estoril com Pedro Emanuel tinha dado sinais de melhoras, esta noite na Luz mostrou ser uma equipa muito atrevida e determinada. Lutou até ao fim pelo seu sonho e esteve muito perto de conseguir.

 

O Benfica esteve a perder 0-1, 1-2 e ficou-se pelo 3-3 sujeito a sofrer um golo que o afastava da final. Tudo num jogo imprevisível, e porque o Estoril sempre procurou marcar.

 

(Fotogaleria de João Trindade)

 

Júlio César sofreu três golos mas foi determinante ao evitar o 2-3 de forma incrível. Grimaldo foi das melhores notícias da noite, titular e recuperado.

Mas depois foi preciso chamar ao jogo Pizzi e Jonas para meter ordem numa partida jogada sempre de forma descontrolada. Carrillo fez um golo e podia ter feito outro, Zivkovic assinou uma obra prima, marcando o primeiro golo pela equipa e Jonas veio dar o toque de classe que faltava.

 

No entanto, a equipa deixou sempre o jogo em aberto. Foi uma exibição que não descansa ninguém, não pela incerteza e emoção no desfecho final mas , também, pela falta de argumentos em resolver a questão mais cedo.

 

Foi uma noite de grandes emoções e com um final feliz para o Benfica mas, como já sabem, eu aqui nestas coisas prefiro aquela monotonia de um 2 ou 3-0 sem ponta de emoção.

 

Voltamos ao Jamor, deixamos o sonho da dobradinha em aberto e podemos voltar a pensar só no campeonato.

 

Estoril 1 - 2 Benfica: Mais Perto do Jamor em Dia de Aniversário

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 Passo largo para a final do Jamor, deu o Benfica na visita ao Estoril. Já ali tinha eliminando o 1º Dezembro pelo mesmo resultado e vencido o Estoril para o campeonato pela margem mínima. Agora, garantiu vantagem na eliminatória a duas mãos que decide o apuramento para a desejada tarde no Estádio Nacional.

 

Ao sair das bancadas ia ouvindo o lamento de vários companheiros mais novos pela exibição do Benfica não ter sido melhor em dia de aniversário do clube. Percebo. Ainda bem que estamos assim. A exigência no Benfica voltou a estar ao mais alto nível mas é preciso não perder o fio do pensamento racional. Neste contexto de Taça de Portugal, o resultado é óptimo e o Benfica cumpriu a sua tarefa de equipa favorita. Pode ser sempre melhor, em termos de golos e de exibições, colectiva e individual.

 

Permitam-me que introduza aqui duas histórias pessoais relacionadas com jogos do Benfica em dia de aniversário e em dia de Carnaval.

A 16 de Fevereiro e 1999 celebrava-se mais uma 3ª feira de carnaval, o Benfica vinha de uma derrota desmoralizadora para o campeonato no Funchal com o Marítimo, marcou Tulipa, e a vontade de ir ver o segundo jogo da equipa na Taça de Portugal dessa época era nula. O Benfica tinha afastado a Académica por 4-1 em Janeiro, na 4ª eliminatória, a primeira para nós, e agora tinha de ir ao Bonfim na 5ª eliminatória. O jogo estava marcado para a noite. Acontece que à tarde o Torreense foi pregar uma impensável partida de Carnaval ao Porto em pleno estádio das Antas. Cláudio Oeiras fez um golo histórico que eliminou o Porto. Isto fazia esquecer o último jogo do Benfica e a motivação para ir a Setúbal ver o Benfica subiu em flecha. De repente parecia perfeitamente possível vencer a Taça.

Lá fui eu mais um grupo de amigos à última da hora para o Estádio do Bonfim. Chiquinho Conde aos 16' e Chipenda aos 89' acabaram com a nossa alegria de Carnaval. Um jogo horrível do Benfica de Souness.

 

No dia 28 de Fevereiro de 2004 o Benfica festeja o seu centenário. A 24ª jornada do campeonato era na Luz entre Benfica e Moreirense. Parecia tudo perfeito para largar um fogo de artificio no final da partida e assinalar a data histórica em ambiente de festa. Lá fomos para o Estádio da Luz, já o novo, com vontade de ver uma vitória convincente que nos desse motivação para assinalar com felicidade os 100 anos do clube. O Benfica de Camacho fez o 1-0 aos 54' por Fernando Aguiar. Pelo tempo e marcador já se pode imaginar a qualidade da exibição da equipa. A 4 minutos do final, Demétrios faz o 1-1 estragando assim um dia tão especial para os benfiquistas. Não conseguimos bater o Moreirense em casa em dia de anos.

 

Por ter estas e muitas outras memórias bem arrumadas na minha cabeça é que dou sempre valor quando a equipa cumpre a sua obrigação nestas datas especiais.

Não foi uma exibição brilhante? Pois não, mas valeu pelo bis de Mitroglou que vive uma fase de sonho e que nós temos a felicidade de a estar a testemunhar. Hoje ficámos mais perto do Jamor e isso tem muito valor.

Dignificar o aniversário do Benfica é importante, nem sempre aconteceu, mas hoje temos motivos para sorrir.

Parabéns, Glorioso.

Estoril 0 - 1 Benfica: A Eficácia de Raul, a Segurança de Ederson e o Regresso de Jonas

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O mais importante foi conseguido, uma vitória e três pontos conquistados.

É importante ir passando estes obstáculos mais perto de casa, aconteceu a meio da semana no Restelo e agora no Estoril. São jogos de uma proximidade rara ao estádio da Luz que fazem a sentir a equipa mais confortável com a curta deslocação e o ambiente.

Depois do triunfo no derby era imperativo dar seguimento ao bom momento com uma vitória na Amoreira. O objectivo foi conseguido mas as dificuldades foram grandes. Aliás, já na época passada este jogo foi muito suado, o Benfica venceu com uma remontada.

 

À medida que o plantel dá mais opções ao treinador é permitido a cada adepto discutir qual o onze ideal a apresentar, isto sem beliscar as apostas da equipa técnica que vai seleccionando quem lhes dá mais garantias.

Mas este jogo é especial porque marca o regresso de Jonas aos relvados e o brasileiro em boa condição física terá de ser titular. Aqui penso que estamos todos de acordo. Jonas entrou já com o resultado em 0-1 e logo deu para matar saudades daquele toque de bola e daquela inteligência a jogar à bola.

Isto quer dizer que Rui Vitória terá de repensar toda a frente de ataque, uma boa dor de cabeça para os próximos tempos.

 

Hoje a equipa não confirmou a tal eficácia tão elogiada nos últimos derbys, parece que quanto tem mais bola e mais oportunidades de marcar a tendência é para facilitar na finalização e isso complica muito o jogo.

Não marcar nas alturas certas pode trair o bom trabalho colectivo, aconteceu na Madeira quando Salvio acerta na trave e depois o Benfica acaba a perder o jogo.

Num jogo em que Cervi e Rafa ocuparam as alas, Raul repetiu a titularidade com mais um golo decisivo e Guedes juntou mais velocidade aos extremos, o Benfica procurou sempre o ataque por via vertiginosa nas duas alas. O problema é que o jogo acaba algo previsível e obriga Raul a descair para os flancos à procura de bola e ninguém ocupa o seu lugar na área como referência de ataque.

Tudo é ultrapassado quando a velocidade alia a qualidade individual e resulta em golo. Aconteceu com o penalti de Raul.

Mas depois abre-se nova discussão no sector defensivo. Já se sabe que temos de improvisar na esquerda com a competência de André Almeida, que não deixa de ser uma adaptação, mas basta comparar com o outro lado para percebermos a diferença. Nelson Semedo está num nível muito alto tanto a atacar como a defender nesta altura da época.

No eixo da defesa é onde se abre a maior discussão actualmente. Será esta a melhor dupla centrais? Vimos no Restelo Jardel e Lisandro a darem boa conta do recado, embora num jogo de nível de dificuldade muito diferente. Lindelof estará confortável a jogar na esquerda? Não será mais seguro apostar em Jardel ao lado de Lindelof, como sueco mais à direita?

São estas as questões que os benfiquistas levantam neste momento, isto porque Luisão não está no seu melhor momento de forma mas é o indiscutível capitão e líder. Tudo opções para serem discutidas nas bancadas mas também para Rui Vitória reflectir.

O mais importante é saber que há cada vez mais soluções para aperfeiçoar a equipa.

A vitória suada de hoje obriga a trabalhar sempre no limite e pensar sempre em mais e melhores soluções.

O que não tem discussão é a importância de Ederson a segurar pontos nesta Liga. Impressionante qualidade do jovem guarda redes do Benfica a aparecer nos momentos certos do jogo quando os seus companheiros mais precisaram de si.

 

A vitória do Benfica é justa, claro, mas podia ter sido traída pela ineficácia ofensiva e desacerto defensivo. Valeu a qualidade de Raul na hora do penalti, de Ederson e do regresso do grande Jonas.

Mais uma jornada, mais uma vitória, o líder segue na frente.