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Red Pass

Rumo ao 37

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Sertanense 0 - 3 Benfica: O Futuro Hoje

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 Começou o caminho para o Jamor 2018/19. Tal como nas edições mais recentes da Taça de Portugal, o Benfica voltou a conhecer um adversário inédito para inaugurar o caminho que queremos que dure até Maio. Desta vez, saiu em sorteio o Sertanense do terceiro escalão do futebol nacional. 

Lá veio a velha discussão da data e local do jogo. Já não é novidade para ninguém que estes jogos acabem por acontecer num dia de semana à noite, seguem-se compromissos europeus, e também já ninguém estranha que se jogue em casa emprestada do adversário. Tem sido quase sempre assim nos últimos anos. 

Tal como expliquei há uns anos, por altura do Vianense - Benfica, já não me dou ao trabalho de mudar a logisticamente a minha vida profissional e particular para ir ver um jogo destes em casa emprestada. Se for perto da zona onde vivo ainda me esforço, aconteceu com o Real Sport Clube, 1º de Dezembro ou Sintrense, por exemplo. Mas mais longe do que isso não contem comigo. 

Vi pela televisão e fiquei agradado com o resultado. Mas, especialmente, fiquei  muito contente por ter visto a estreia do Jota e a equipa a acabar com seis jogadores de campo formados no Seixal. O futuro é hoje!

Uma palavra para Svilar que ainda fez uma bela defesa, para Corchia que se estreou com a camisola do Glorioso, para Samaris que jogou como capitão, para Rafa que está a ter um arranque de época muito bom, para Jonas que regressou aos golos, para Ferreyra que não merecia que lhe anulassem aquele que era o segundo golo da época. 

Para os miúdos que foram ao jogo apenas deixo a ideia que todos sentimos que é por eles que passa a nossa felicidade daqui para a frente.

Permitam-me só que diga que ver Jota e Félix na mesma equipa num jogo oficial dos seniores do Benfica é de arrepiar. Isto vai ser mágico a partir daqui, putos!

O mais importante era vencer e mostrar que queremos ir ao Jamor. Os tempos mais recentes mostram que estes jogos nunca trazem goleadas que, às vezes, acabam por ser resolvidos com muita dificuldade. Com o Sertanense foi uma vitória tranquila, natural e descansada. Era o que se pedia. 

 

Quanto ao facto do jogo ter sido em Coimbra há que repensar algumas matérias nesta competição. 

Antes disso, um aparte por causa do equipamento do Benfica: não é possível arranjar calções vermelhos? Pessoalmente, não aprecio a cor preta nos calções.

A FPF tem muito mérito em ter modernizado a Taça de Portugal. Tem tido a capacidade de atrair mais clubes para a prova dividindo prémios de jogo interessantes para as equipas dos escalões amadores mas tem que resolver este problema a partir da 3ª eliminatória. 

A FPF tem que admitir que aprova os campos para as primeiras duas rondas sem grande critério. Eu fui ver um jogo da ronda inaugural no Algarve e posso dizer que o relvado do Olhanense estava horrível. Mas foi aprovada a realização do jogo com o Silves lá. O mesmo Olhanense que há um ano foi para o Estádio do Algarve receber o Benfica. 

É preciso explicar a todos os clubes que chegam a esta 3ª ronda que se calharem com uma equipa do primeiro escalão terão de fazer tudo para operarem um milagre, em muitos casos é disso que se trata, para receberem o jogo na sua casa. Relvados dignos, iluminação, bancadas, zona de imprensa, etc... Para isso teriam de contar com o apoio das câmaras municipais, das juntas de freguesia, da FPF e até dos clubes visitantes. Fazer tudo o que for possível para poder jogar na sua casa e dar sentido à aposta da FPF em obrigar estas equipas a jogarem em casa levando o futebol a cantos onde os clubes mais mediáticos nunca vão. 

Ora, não sendo possível cumprir esses requisitos então que se troque a ordem dos jogos. Porque não? É mais apeticível para jogadores, técnicos e  adeptos irem jogar a um estádio emprestado ou terem a experiência, para muitos única, de visitar o Estádio da Luz? Isto é válido para todas as equipas da primeira divisão. Fazia muito mais sentido proporcionar esse momento do que andar por campos emprestados. Esta é a minha opinião sobre a prova. Eu que guarda na memória com carinho as visitas de clubes como Régua, Ponte da Barca, Cartaxo, Estrela de Portalegre, Riachense, Dragões Sandinenses e tantos outros emblemas que um dia, por capricho de um sorteio, puderam pisar o palco da Luz. 

Depois, só mais duas achegas às regras da Taça. Não gosto do sistema de meias finais a duas mãos mas entendo-o do ponto de vista financeiro. Preferia que todas as equipas das ligas profissionais entrassem logo na primeira ronda do que terem mais dois jogos nas meias finais. A outra nota é referente à repescagem que se faz para a 2ª fase. Devia haver mais critério e não ser sorte pura. Uma equipa que cai nos penaltis merecia mais oportunidades que uma equipa que perde 9-0. 

Mas a Taça já está em andamento e o Benfica já passou o primeiro adversário. Interessa é o foco até ao Jamor.

Benfica 1 - 0 Porto: O Nosso Lema é o de Vencer

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 O Benfica chegou a este clássico muito pressionado. Demasiado pressionado para uma jornada 7, diga-se. Tudo porque empatou o derby em casa com o Sporting e voltou a empatar em Chaves num jogo cheio de peripécias. 

Depois, foi a segunda parte em Atenas que assustou os benfiquistas e juntou-se a estatística dos clássicos recentes mais o facto do Porto chegar à Luz à frente na classificação. 

A tudo isto juntou-se a lesão de Jardel, a expulsão de Conti em Chaves, dois jogadores que ficaram assim de fora do clássico, e a expulsão de Rúben Dias na Grécia que deixou o universo benfiquista à beira de um ataque de nervos.

Ainda sem Jonas em forma, sem o efeito explosivo de João Félix, adivinhava-se um fim de tarde complicado para o Benfica neste domingo. 

Muitas teorias à volta dos centrais, muitas dúvidas sobre a opção Lema. 

Terminado o clássico e o que mais li e ouvi da parte de adeptos e observadores deixou-me espantado. Ora, em 2018 toda a gente descobriu que se joga muito pouco futebol em Portugal. O Benfica conquistou uma vitória muito suada e importantíssima mas vamos discutir a qualidade de jogo do clássico.

Meus amigos, somar as primeiras partes dos mais recentes jogos Braga - Sporting e Benfica - Porto é obter um resultado de uma mão cheia de nada, em termos futebolísticos. Mas isso já eu sei há muito tempo. Já o digo e escrevo há muitos anos. Aliás, digam-me lá 5 grandes clássicos, cheio de qualidade de futebol a todos os níveis, que tenham acontecido nos últimos, vá lá, dez anos. Não há. E ninguém quis saber disso para nada nunca. 

Hoje, pelos vistos, está tudo muito preocupado com a qualidade de jogo. 

Já aqui escrevi há uns tempos e vou recuperar essa ideia, quando o Benfica começa a jogar eu não quero viver a festa do futebol, nem estou à espera de um futebol tipo Laranja Mecânica. Eu só quero uma coisa, uma vitória do Benfica. E quanto mais monótona, melhor. Um jogo do Benfica é um assunto muito sério na minha vida. A minha vida é cheia de capítulos de 90' que precisam de ser resolvidos com um triunfo. Se for com uma goleada, melhor. Se for com um recital de bola, muito melhor. Mas não perco o foco, o objectivo é fazer um golo mais que o adversário. Apenas e só isso.

Quando eu vejo um guarda redes histórico, como é Casillas, a levar um cartão amarelo aos 20' da primeira parte por estar a retardar a reposição de bola desde o começo do jogo concluo que a vontade de jogar é pouca. O Porto veio à Luz para não perder o jogo e para perder muito tempo útil de jogo. Foi uma estratégia. Mas influenciou directamente o tempo útil de jogo que deve ter tido uma percentagem ridiculamente baixa. 

O Benfica foi a jogo com Lema ao lado de Rúben, Gabriel no meio e Cervi na esquerda. De resto, tudo igual e expectável para este jogo. E foi muito bem. O Lema jogou e não houve drama nenhum. 

Eu sou do tempo das piores equipas de futebol que o Benfica teve na sua história. Anos 90. Sabem quantas vezes o Porto ganhou para o campeonato na Luz na década de 90? Duas. Isto significa que ganhámos jogos que ninguém esperava com equipas onde o Lema era rei e senhor, se jogasse nessa altura. Quando dramatizam as ausências antes de um clássico esquecem aquele jogo de 2009 e todos aqueles em que andávamos muitos pontos atrás na classificação. O Lema jogou e ganhou porque o nosso lema é o de vencer. Ah, e foi expulso. É que as expulsões para jogadores do Benfica estão muito baratas. Por exemplo, o Otávio teve muito que penar até ser reconhecido com um cartão amarelo. Para os homens da casa até saía à primeira falta. 

Houve muita bola pelo ar, muitas faltas, muito tempo perdido, uma equipa mais interessada em ganhar e outra em sair de Lisboa com a vantagem mínima na tabela classificativa. Que novidade houve neste clássico? Nenhuma. Esta é a história da grande maioria destes jogos. 

As boas notícias para os benfiquistas é que a equipa voltou para a segunda parte ainda mais motivada. Sentiu que podia mesmo vencer. Fez por isso. O Estádio acreditou e, por momentos, virou mesmo inferno da Luz empurrando a sua equipa para um golo que Casillas negou, embora houvesse fora de jogo. Aliás, como na primeira parte também um fora de jogo já tinha invalidado um incrível falhanço de Seferovic.

A grande defesa de Casillas a remate de Gabriel fez temer o pior, o espanhol costuma dar espectáculo na Luz. Mas, desta vez, passados poucos minutos aconteceu mesmo golo de Seferovic. Uma pressão alta, muita luta pela bola, recuperação, assistência inteligente de Pizzi e Seferovic a rematar para o 1-0. 

É para isto que eu vou ao estádio. Para viver e festejar o golo. E logo a seguir ficar angustiado por ver que ainda falta uma eternidade para terminar o jogo.

A partir daí é que se viu o Porto interessado em jogar e chegar ao golo mas o Benfica resistiu com confiança e em harmonia com as bancadas. Foi assim até ao fim. À Benfica! 

Naquele estádio ninguém estava incomodado com uma defesa liderada pelo miúdo Rúben, que fez enorme exibição, diga-se. Ninguém desmotivou o Lema, que não merecia acabar o jogo daquela maneira. De certeza que nestas bancadas estavam companheiros que se habituaram a vibrar com golos ao Porto inesperados de Bruno Basto, por exemplo. Ou de Valdir. Ou de Tahar. Passámos por isso tudo e ainda cá andamos. 

Porque raio íamos vacilar hoje? Isto é o Benfica. E há pouca coisa no mundo mais bonita que a harmonia única da Luz entre equipa e adeptos. Hoje houve.

O Benfica ganhou e ganhou bem. Recuperou a liderança e olha para o horizonte com confiança. Há jogadores a recuperarem que vão dar mais qualidade à equipa. Vencer o Porto antes de mais uma paragem na Liga é moralizante. 

Mas não me venham com a conversa da qualidade de jogo do clássico. Há anos que estes jogos passam ao lado das melhores expectativas. Estas partidas não são para exibições, são para ganhar. 

Agora, se quiserem discutir honestamente a qualidade de futebol da Liga NOS de forma séria e aberta, contem comigo. Mas não passa por clássicos e derbys. Se quiserem discutir que, se calhar, tudo isto é reflexo de Portugal se ter tornado um país de adeptos de sofá e de futebol (mal) falado, também podem contar comigo. Mas para olhar para um clássico e torcer o nariz pela sua qualidade, isso não. Aqui as equipas só querem ganhar. Foi assim na Luz, será assim no Dragão. 

Muito saboroso, este triunfo contra um clube que tudo tem feito para abater o Benfica movidos por um ódio visceral e regional que os cega de raiva. O Benfica ganhou. Tão bom. 

AEK 2 - 3 Benfica: Um Profundo Alívio

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 Vistos e revistos os jogos mais recentes do AEK até esta 3ª feira a conclusão era simples: o Benfica em Atenas só tinha duas hipóteses, ganhar ou vencer. 

Era o que se pedia à equipa de Rui Vitória, entrar no segundo jogo da Champions League de maneira autoritária, assumir de forma convicta o favoritismo e assumir que há muito mais qualidade individual e colectiva na Luz do que algum dia existirá no AEK.

O contexto deste jogo não era o melhor. Pontos perdidos de forma dolorosa no final do jogo de Chaves, baixa de Jardel para os próximos jogos, baixa de Conti para o Clássico que está no horizonte e também influencia pensamentos. A juntar a este quadro uma sequência terrível de derrotas nesta fase da Liga dos Campeões que era urgente travar.

A tudo isto o Benfica respondeu com uma entrada convincente e que nos descansou a todos. Era aquilo que se pedia. Um Benfica forte à procura de chegar ao golo e sem hesitações. 

As apostas do treinador para este jogo foram para Rafa, prémio pelo bom arranque de época, e Conti no lugar de Jardel. Salvio e Gedson regressaram naturalmente aos seus lugares, com Gabriel lesionado e Cervi ficando no banco. 

Foi pelo lado esquerdo que o Benfica deu o mote. Grimaldo sempre muito activo a lançar o ataque descobriu do seu lado várias opções para criar perigo. Foi com toda a naturalidade que o Benfica chegou rapidamente ao 0-2. Seferovic voltou a marcar na Champions e o baixinho Grimaldo fez um simbólico golo de cabeça. 

Estava feito o mais complicado. O Benfica afastava a pressão, deixava os gregos perdidos e mostrava mais eficiência que o Ajax mostrou em Amesterdão quando recebeu o AEK e só começou a marcar na segunda parte. 

Com metade da primeira parte jogada cabia ao Benfica decidir o que queria do jogo. A minha decisão, sentado confortavelmente a ver o jogo à distância na televisão ( a sofrer com a qualidade dos comentários da TVi ) seria de continuar a carregar. Não de forma intensa mas sim de maneira objectiva, tendo bola e procurando sempre aumentar a vantagem. Era a melhor resposta para terminar o ciclo europeu negativo e dava jeito na classificação final ter um saldo bom de golos.

Não sendo possível manter o ritmo, pedia-se então um controlo absoluto do jogo evitando surpresas ou contrariedades. Fico com a ideia que este Benfica ainda precisa de trabalhar muito este aspecto, gerir vantagens, expectativas e controlar bem a posse de bola. O AEK reagiu e até ao intervalo ficava a ideia que o Benfica não se importava de atrair os gregos para o seu meio campo confiando nas saídas rápidas com Salvio e Rafa à cabeça. 

Seria algo para afinar na segunda parte, talvez refrescando as alas, afinal havia Zivkovic e Cervi no banco. Portanto, tudo parecia sobre controlo.

Até que acontece a expulsão de Rúben Dias. Tão desnecessária quanto indiscutível. O jovem central do Benfica não podia nem devia ter perdido o controlo do lance daquela maneira. Primeiro porque já leva mais de um ano a titular no Benfica e, agora na Selecção, depois porque era ele o líder natural da defesa após a lesão de Jardel e, finalmente, porque era tudo o que a equipa não precisava para o segundo tempo.

Entrou Lema, saiu Salvio. Pizzi foi para a direita. Pedia-se concentração, cabeça e foco para reorganizar a equipa. Mas o Benfica que foi para a segunda parte estava no pólo oposto daquele que começou o jogo.

Obviamente que o AEK ia reagir e dar tudo para regressar ao jogo mas não era de esperar uma transformação tão grande que deixou a equipa do Benfica completamente perdida em campo durante largos minutos. Não há explicação para o desnorte defensivo, principalmente a nível posicional, com a equipa a não conseguir ter bola e sempre a correr atrás do adversário. 

O AEK fez o primeiro. O AEK fez o segundo. E quando já se adivinhava o terceiro, apareceu Odysseas Vlachodimos a justificar a sua titularidade. Uma defesa espantosa a negar o hat trick a Klonaridis que já ia festejar a reviravolta no marcador. 

Esse momento teve o condão de fazer regressar a equipa ao jogo. Até aí nada tinha resultado. Nem Pizzi na direita, nem a entrada de Alfa Semedo.

Foi , portanto, o guarda redes a chamar de volta a equipa, Alfa Semedo disse presente e assumiu a bola no meio campo. Correu com a baliza na mente e resolveu rematar cruzado para um golo tão valioso quanto inesperado. Um rasgo individual inspirado naquela defesa fabulosa. A equipa agradeceu e uniu-se, agora sim, de maneira objectiva e determinada. O AEK sentiu o golo e até final a vitória do Benfica não sofreu mais ameaças. 

O objectivo principal foi conseguido, três pontos muito importantes por todas as razões já apontadas. Fim de ciclo negativo na Europa, resposta ao empate de Chaves, ânimo para o clássico, encaixe financeiro e a felicidade de ver um miúdo que já tinha dado um sinal parecido com este na pré época contra o Borussia de Dortmund. 

A diferença entre o Benfica do começo da partida e o da segunda parte é que no final podíamos estar muito mais satisfeitos e até motivados para os próximos duelos e assim sentimo-nos apenas aliviados. Muito aliviados. De respirar fundo e sorrir a olhar para os primeiros três pontos na tabela da Champions. 

Descansar, preparar o clássico e cerrar fileiras para vencer.

Chaves 2 - 2 Benfica: Uma Odisseia Que Não Acabou Bem

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Há jogos que não me cheiram bem a uma grande distância. Esta partida em Chaves foi marcada há cerca de um mês e a partir daí foi sempre a complicar. Um jogo em Chaves numa 5ª feiras às 20h15 começa logo por ser estranho. Mas isto é uma Liga que tem o recorde de dias para a duração de uma jornada. Esta, por exemplo, dura cinco dias.

Depois de sabermos data e hora, o Chaves anuncia que o jogo serve para celebrar o seu 69º aniversário mas quem dá a prenda maior é quem quiser ir ao estádio sem ser sócio do clube da casa. Ou seja, um adepto do Benfica que quisesse comprar bilhete no estádio do Chaves teria que pagar a partir de 37€ e podia ir até 56€. 

O tempo passou e em vésperas do encontro o Chaves fez um comunicado em que decretou a proibição de adereços do Benfica numa bancada central. Mais do mesmo. Quem já tivesse comprado bilhete antes tinha que comer e calar.

Entretanto, no último jogo antes desta deslocação o Benfica perde João Félix, Sálvio e quase fica sem Grimlado. O espanhol recupera mas na frente teve que entrar Rafa e Cervi. 

A meio da semana há a despedida a Luisão e logo acontece uma lesão a Jardel e uma expulsão forçada por João Capela a Conti. Capela, o tal que expulsou Aimar. O tal que um dia viu Cardozo bater com uma mão no relvado revoltado por ver que o árbitro não marcou uma falta evidente a seu favor, e ... expulsou-o. Repetiu a dose em Trás-os-Montes.

Aliás, a nomeação de Capela foi mais uma desconfiança que tivemos antes do jogo. A outra foi nova mudança no árbitro para o Var. Sem justificações, apareceu Bruno Esteves em vez de Hélder Malheiro. Segunda jornada seguida com trocas de última hora. Estranho. Claro que Esteves e Capela não tiveram dúvidas num penalti por marcar sobre Gabriel na primeira parte. E zero de dúvidas na expulsão a Conti.

 

Voltemos ao pré jogo. Finalmente, chega a hora e tempo de verão dá lugar a uma noite de temporal. Relvado encharcado, dúvidas sobre a realização do jogo e partida a começar mais de uma hora depois da hora marcada. 

Forte abraço para o pessoal que foi a Chaves e que ainda levou com transito cortado na A3. Que tenha sido esta a pior deslocação da época, é o que desejo. 

Fomos a jogo e tudo mudou a nosso a favor. Entrar a ganhar 0-1 com um golo de Rafa era tudo o que o Benfica precisava para inverter todas estas más energias acumuladas antes da jornada. 

Mas a vantagem não foi ampliada, por acerto do guarda redes Ricardo e infeliz desacerto de Seferovic na hora de finalizar. O jogo ficou demasiado aberto para o Benfica conseguir dominar, o Chaves foi criando oportunidades que o mantiveram ligado ao jogo até ao intervalo. 

Na segunda parte pedia-se um segundo golo ao Benfica para que tudo acalmasse e fosse gerível do ponto vista físico e emocional. Mas sem conseguir matar o jogo, o Benfica deixou espaço para o empate que surgiu num mau momento de Odysseas que até ali tinha estado impecável. Um livre directo frontal quase sem barreira convidou Ghazaryan a rematar. O arménio, que acompanhou Daniel Ramos nesta passagem do Funchal para Chaves, aproveitou para fazer o empate num pontapé forte e colocado. 

Faltavam 20 minutos para o final e o Benfica ainda conseguiu reagir. Rúben Dias desmarcou Rafa que se isolou e bisou na partida. Parecia que toda esta maratona ia acabar bem. Jonas já estava em campo e festejou o 1-2.

Só que quando parecia que o jogo estava controlado na recta final pela equipa em vantagem aparece João Capela a mostrar vermelho directo a Conti numa falta em que o jogador do Chaves nem ia criar perigo de golo. Sem Jardel, sem Conti, as nuvens negras voltaram. Não houve quem não pensasse logo com que centrais o Benfica pode defrontar o Porto na próxima jornada. Com a equipa desgastada, com improvisos na defesa e no meio campo, o Benfica não soube roubar a bola e empurrar o adversário para o seu meio campo. O chaves teve força e engenho para desenhar a melhor jogada de toda a partida e dar a Ghazaryan a oportunidade de bisar empatando um jogo que pareceu amaldiçoado desde o dia em que foi marcado. 

Dois pontos perdidos mesmo no final da partida, lesões de Jardel e Gabriel para avaliar, suspensão de Conti para gerir e uma viagem a Atenas já no horizonte que por marcar o futuro europeu da equipa. 

Estamos em alta pressão e não podemos perder o foco apesar de tanta odisseia à volta do futebol do Benfica. Esta não acabou bem. 

Benfica 2 - 0 Aves: João Félix Não Engana

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 Apetece-me agradecer a espertice do Aves ter optado por obrigar o Benfica a jogar primeiro para a baliza sul, ao contrário do que costuma ser tradição na Luz.

Obrigado, Aves. Assim, foi da maneira que vi mesmo ali à minha frente o magnifico lance do primeiro golo do Benfica. O trabalho e a assistência do Pizzi para a finalização superior do João Félix. Segundo golo do miúdo na Liga e segundo golo nesta baliza.

Um regresso ao campeonato que serviu para lançar Gabriel no onze, o brasileiro fez por merecer a aposta, e dar a titularidade a João Félix. A equipa respondeu bem e fez por evitar o susto da época passada quando esteve 70 minutos para fazer o primeiro golo.

O Benfica podia, e devia, ter feito muitos mais golos na primeira parte. Jogou o suficiente para construir cedo uma vitória tranquila.

Mas só na 2ª parte é que o triunfo ficou certo. Pelo meio, um sentimento misto. Por um lado, a satisfação de ver a ala esquerda a carburar muito bem, por outro, o Benfica acabou com esse flanco renovado por saídas de Félix e Grimaldo, ambos lesionados. Espera-se que sem gravidade.

Por ironia do destino, Cervi entrou e foi ele a fazer o 2-0 que deu mais justiça ao marcador e descanso às bancadas.

Por falar em entrar, Jonas regressou. Foram 20 minutos em campo que muito animaram a plateia da Luz. Que tenha sido o começo de um novo ano da lenda Jonas no Benfica.

Acabou por uma vitória normal e objectivo cumprido.

 

 

Antes do começo da partida tive oportunidade de reencontrar o amigo Vítor Pimenta que fez questão de me oferecer uma camisola do Aves, Luquinhas, repetindo um gesto que já tinha feito pelo Gil Vicente, Rio Ave e Varzim. Uma amizade que já vem dos anos 80, um respeito mútuo que em 2018 ganha um simbolismo maior, já que parece que toda a gente se esqueceu como é bom ter amigos no futebol.

Por falar nisso, agora não se lembrem de irem buscar imagens da entrega da camisola antes do jogo para especularem cenas. Algo em que Portugal está muito forte.

 

Bom regresso ao campeonato para dar continuação já na próxima 5ª feira em Chaves.

 

 

 

Benfica 0 - 2 Bayern: Toda Uma Aborrecida Realidade

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Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. 

Pessoas que continuam a insistir com casamentos e baptizados no mês de Setembro que estragam a minha folha de presenças seguidas na Luz para ver jogos oficiais do Benfica. Sim, voltou a acontecer. Em 2011 faltei a um Benfica - Vitória SC, em 2013 não apareci num Benfica - Paços de Ferreira e no passado sábado estive ausente no Benfica - Rio Ave. Casamentos e baptizados envolvendo pessoas que muito estimo, familiares e amigos. Ocasiões únicas que obrigam a abrir uma dolorosa excepção no ritual pessoal de ver todos os jogos oficiais do Benfica em casa desde a década de 80. Portanto, Não me lembro do último jogo que perdi em casa para a Taça de Portugal, se aconteceu foi há muitos anos mesmo, não perco um jogo para o campeonato na Luz desde esse baptizado de 2013 e na Taça da Liga a contagem voltou a zeros no sábado. Por isso, não houve crónica. Fica aqui a explicação.

 

Pus-me a pensar há quanto tempo não perco um jogo europeu do Benfica na Luz. Não me lembro de falhar uma noite europeia na Luz. Felizmente, não há muitas celebrações de casamentos ou baptizados a meio da semana. 

Posto isto, percebe-se a motivação e a alegria com que voltei à Luz para o terceiro jogo europeu na Luz da época. O primeiro na fase de grupos da Liga dos Campeões. Este estado de espírito tem tudo a ver com expectativas. Dos três jogos que já fizemos nesta prova, este foi o que encarei de maneira mais tranquila e despreocupada. Eu queria era chegar a esta noite. Andámos a sofrer com PAOK e Fenerbahçe para podermos receber equipas como o Bayern. 

 

Voltando a pegar na frase que abre o texto. Estamos em 2018 e na semana em que estreia a mais espectacular prova de clubes do mundo, Portugal teve a menor audiência televisiva à volta da competição. De repente, o país percebeu que não ia ver o Liverpool, Inter, PSG, Tottenham, Barcelona, Real nem o Benfica. À boa maneira portuguesa, estalou a "guerra" nas redes sociais. Quem se indigna por não ter acesso à Nowo e, por isso, não poder ver o jogo na sua televisão da maneira mais tradicional é acusado de adorar a Sport TV. Quem defende que é preciso estar a par das técnicas de airplay, instalação de Apps, uso de cabos de rede, e afins, é acusado de estar feito com a Eleven Sports que, por sua vez, é acusada de se estar nas tintas para os clientes, especialmente as gerações mais velhas, e encher os seus quadros com profissionais do Porto Canal. 

Tudo isto está exposto publicamente nas redes sociais. A grande conclusão de tudo isto, sem eu querer apontar culpas a ninguém, nem fazer juízos de valor, é que em 2018 é bastante complicado ter acesso às transmissões dos jogos da melhor competição de futebol de clubes do mundo e se quisermos ver resumos somos contemplados com um trabalho que, aqui aponto mesmo o dedo ao péssimo serviço, a TVi nos serve com um programa de rescaldo da Champions League absolutamente ofensivo para quem gosta de futebol. Ao que se junta uns resumos da Eleven Sports sem a qualidade mínima para serem apresentados ao público. 

Como é que é possível andar tão para trás?

 

Para preparar o jogo com o Bayern fui ver com atenção os três últimos jogos deles na Bundesliga. Ora, como o campeonato alemão também passou para a Eleven Sports não consegui ver nenhum deles em directo e para os recuperar tive que procurar meios alternativos. Ao contrário do que possam pensar, eu pago para poder aceder a jogos completos, mesmo que gravados, resumos ou só golos. Invisto mensalmente no acesso ao site instatscout.com e não tenho problema em assumir que mais depressa vou continuar a ser cliente deles do que vou dar dinheiro por um serviço que me promete um Inter - Tottenham e não o transmite de inicio ou que me garante que dá o Benfica - Bayern na Youth League e depois apresenta motivos alheios para não dar. Lamento mas, para já, ficamos assim. 

 

A facilidade com que podemos estudar e preparar a visita do Bayern à Luz dá-nos o conforto de nos sentarmos na cadeira do estádio olhar para a equipa adversária e conhecer bem todos os jogadores do outro lado sem recorrer a cábulas e identificar a forma de jogar logo nos primeiros minutos. Só que esse conforto dá lugar a um sentimento de desespero assim que percebemos que o facto de sabermos tudo sobre eles não quer dizer que possamos evitar que sejam superiores. A forma como o Bayern sai da pressão perto da sua baliza para subir no terreno de maneira natural até servir Lewandowski, que num gesto genial se enquadra para marcar facilmente o golo, é desesperante. Já vimos aquilo antes, ainda o polaco está a puxar o pé atrás já sabemos que vai ser golo e no entanto não estamos a ver como evitar que aquilo tudo volte a acontecer. E voltou. 

 

Há que dizer que o Bayern até surpreendeu com o seu "11" na Luz. Fez seis trocas de jogadores em relação ao último jogo. Último jogo que foi a contar para o campeonato, enquanto que por cá tivemos uma bizarra jornada da Taça da Liga, coisa única entre as melhores Ligas da Europa. Problemas de calendário que eu nunca vou entender. 

Aqui, Niko Kovač, novo treinador do Bayern, que já tinha sido feliz na Luz no Croácia - Inglaterra do Euro 2004, acertou em cheio na gestão da equipa. Destaque para a estreia de Renato Sanches a titular. Ganhou uma nova vida, o puto, ganhou mais uma estrela, a equipa. E, sem ter culpa nenhuma, despoletou mais uma polémica interminável de medição de benfiquismo entre benfiquistas. 

Lá está, vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol quando no rescaldo de um jogo com o Bayern o tema é a reacção da Luz ao golo do Renato.

Da minha parte estou muito tranquilo com isto. Nem é preciso chegar ao Rui Costa. Basta relembrar o que escrevi aqui em 2012 quando a Luz recebe com uma ovação o Nuno Gomes vindo do banco do Braga e que ajudou os minhotos a chegarem ao 1-1 de imediato. Também fiz o mesmo reparo quando Iniesta foi a jogo na Luz. Aplaudir, reconhecer a qualidade, retribuir o carinho ou demonstrar apoio a um dos nossos, tudo bem. Mas sempre depois de terminado o jogo. Durante aqueles 90 minutos nada é mais importante que o Benfica. Nem jogadores, nem treinadores, nem casamentos, nem baptizados, mesmo que me tirem do meu lugar. Mas isto é apenas a minha opinião, a minha maneira de ser e a minha forma de pensar e a minha postura no Benfica. Não vou obrigar ninguém a ser como eu, nem é essa a minha ideia. Mas tenho direito a partilhar, explicar e divulgar o meu pensamento.

Voltando ao golo do Renato. Fiquei contente por ele de uma forma racional. Só que no momento estou em modo irracional. Quero um golo é na baliza do Bayern e até podia ser o Renato a marcar que até me dava mais jeito e aí, sim, aplaudia. Sendo que o puto fez o 0-2 para o Bayern não aplaudi. Observei a reacção do miúdo e do estádio. Sinceramente, não me chocou. Nem o facto dele não festejar, nem a espontaneidade dos aplausos. Eu não sou assim mas acho que o Renato merece muito este carinho por tudo o que nos deu, por tudo o que lhe fizeram de mal e pelo ano difícil que passou, onde foi dado como acabado. 

 

Ainda recorrendo ao arquivo do blogue, eu já expliquei uma vez como vivo estas noites contra estes gigantes da Europa. Na noite em que Messi trocou de camisola com o seu ídolo Aimar, do Benfica, eu escrevi algo que continua a ser válido hoje. A minha coerência futebolística ajusta-se nestas noites. O que pensava em 2012 ainda penso hoje. Acho que estas noites contra equipas como o Bayern são para desfrutar. Mais do que para julgar um treinador, uma equipa, um plantel, são para apreciar. Vamos sempre com a ilusão que aconteça uma noite monumental para a nossa equipa a coincidir com uma noite infeliz do adversário. É essa a magia do futebol. Mas sabemos que se tudo correr dentro da lógica o resultado vai ser negativo. Foi o que aconteceu hoje. Tal como em 2012. Felizmente, a história do Benfica está carregada de noites épicas e lendárias em que o nosso clube se agigantou dentro, e fora, do relvado. Já aconteceu muitas vezes desde os anos 50, por isso é que temos duas Taças dos Campeões no nosso Museu, por isso é que temos presenças em tantas finais europeias, por isso é que estes gigantes nos tratam com tanto respeito antes e depois dos jogos. Vai voltar a acontecer, claro. Esta não foi uma dessas noites. O Bayern é melhor. Se tudo correr bem há de mostrar a sua força nos outros cinco jogos e se o Benfica cumprir a sua parte, continuará na Europa depois de Dezembro. 

Este primeiro jogo foi para apreciar. O próximo tem que ser para vencer na Grécia.
Quando ganhámos ao Manchester United e Liverpool com jogadores como grande Beto em campo, não passámos a ser a melhor equipa de futebol da Europa, apesar da nação benfiquista ter ficado, e bem, em euforia descontrolada. Assim como quando perdemos com o Bayern e Barcelona na Luz por 0-2 não passamos a ser um lixo no contexto das provas da UEFA. Nós somos o Benfica e isso chega-nos. Ou devia chegar, já não sei. Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. É esta a nossa aborrecida realidade. 

 

 

Nacional 0 - 4 Benfica: Wake me up when September ends

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 Na conferência de imprensa de lançamento do jogo o treinador do Nacional disse que dividia o favoritismo pelas duas equipas. O mesmo homem que há uns tempos fez capa da revista do Expresso afirmando orgulhosamente que era sportinguista e anti-benfiquista.

Como tenho memória devo dizer que estas goleadas sabem sempre melhor quando são conseguidas contra esta gente que odeia o Benfica. Já a meio da semana, outro treinador de uma equipa às riscas preto e brancas acabou mal depois de muito optimismo. 

O Benfica tinha um desafio complicado neste fecho de ciclo de jogos. Era preciso repetir toda a qualidade mostrada em Salónica para garantir 3 pontos no campeonato.

Relembro que as duas saídas no arranque desta Liga foram ao Bessa, único estádio onde perdemos na época passada, e à Choupana, uma viagem sempre complicada. Pelo meio, recebemos o Vitória de Guimarães, que depois venceu no Porto e o derby de Lisboa. Se isto fosse escolhido por algum rival não seria mais complicado na teoria. 

A resposta da equipa voltou a ser eficaz, tremenda, entusiasmante e convincente. 

O Nacional vinha de uma vitória moralizadora no Bonfim, o treinador estava com o tal discurso forte, a direcção resolveu fazer a rábula da proibição de adereços do Benfica nas suas bancadas. Mas o Benfica teve o apoio de sempre e mostrou depressa ao que ia. Com o mesmo 11 da qualificação europeia, a equipa de Rui Vitória tomou conta do jogo e criou várias oportunidades para marcar. Quis o destino que fosse Sferovic o homem em destaque, fez o primeiro golo e ofereceu o segundo a Salvio. 

A vitória estava bem encaminhada ao intervalo, na segunda parte houve menos espectáculo mas Pizzi quis fazer mais duas assistências que atestam o grande momento de forma que atravessa, para Grimaldo e para... Rafa! 

Do lado Nacional um grande destaque, Arabidze, nascido na Georgia, 20 anos, canhoto, 1m 73cm de altura, fez enorme exibição. Está emprestado pelo Shakhtar de Paulo Fonseca. 

A lamentar apenas a lesão de Fejsa que saiu com dores. 

 

Este Benfica 2018/19 teve uma apresentação muito dura e exigente mas o balanço desta primeira etapa é muito bom. 

Odysseas voltou a mostra na Madeira que a baliza está bem entregue, Ruben e Jardel no meio, André e Grimaldo nas alas garantem a continuidade do trabalho defensivo que já vem da época passada. Os dois alas combinam bem com os extremos, Cervi e Salvio. Os argentinos estão a ter um belo inicio de temporada, Salvio está ao nível do melhor que já vimos desde que chegou à Luz. 

Pizzi num momento de forma incrível, conta com Gedson como a grande surpresa nesta equipa. Mais uma exibição de grande qualidade do miúdo. Alfa Semedo entrou para o lugar de Fejsa e luta com tudo pelo seu espaço na equipa. Tem a confiança do treinador e dos companheiros. Na frente, o momento é de Sferovic. O suíço foi aposta na Grécia e justificou nova oportunidade na Choupana. Marcou e assistiu. Há quatro homens para jogar na frente, nesta altura o internacional da Suíça é o que está melhor. Hoje foi mais do que útil, foi essencial. 

Uma palavra para Rafa que foi a jogo no momento em que se sente mais confortável, transições rápidas. Pizzi lançou-o e Rafa aproveitou para marcar. Grande sinal de presença. 

Finalmente, João Félix. A terceira aposta jovem para esta temporada tem escrito por todo o lado a palavra craque. Vai ser uma bela época para o João. 

 

Uma pré época equilibrada com adversários fortes, uma abordagem ao mercado que não deixou nada para a última da hora, renovações com Ruben e Gedson em vez de vendas milionárias, porta fechada à saída de jogadores importantes na equipa, um arranque na Liga que vale o primeiro lugar graças a golos marcados e um apuramento brilhante para a Liga dos Campeões depois de um sorteio pouco favorável.

Setembro chegou com um quadro bem animador para o futebol do Benfica. Dá vontade de recuperar o clássico dos Green Day: Wake me up when September ends.

Bons sonhos, perdão, boa sorte para os internacionais que vão representar os seus países nas próximas semanas.

 

PAOK 1 - 4 Benfica: Champions? Pá,Ok!

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 Depois do 1-1 da Luz fiz aquilo que gosto de fazer sempre nestas lutas europeias, colocar o resultado em perspectiva e recorrer a experiências anteriores para contextualizar o que podia vir a ser a segunda mão. Já o tinha feito depois do jogo com o Fenerbahçe, na altura sublinhei que o 1-0 na Luz numa primeira mão costumava dar apuramento. 

O 1-1 com o PAOK deixava um amargo de boca no final mas fez-me lembrar as últimas três situações que saí do nosso Estádio pessimista com a eliminatória. Ora, as últimas vezes que fomos para a luta fora de casa com 1-1 na bagagem fomos felizes. Em Londres com o Arsenal, em Leverkusen com o Bayer e em Marselha com o OM, o Benfica assinou algumas das suas páginas mais gloriosas na Europa. 

É a isto que me agarro sempre, à minha experiência, à história do clube, aos contextos das apaixonantes eliminatórias europeias. Acresce o pormenor que nestas últimas eliminatórias começámos sempre a perder no segundo jogo.

É fácil adivinhar que não fiquei particularmente assustado com o 1-0 de Salónica. Fiquei furioso porque achei que a defesa do Benfica foi demasiado passiva a reagir a uma bola parada que merecia outra postura. 

Mas o golo do PAOK teve o efeito que história já nos ensinou. O ambiente ficou mais eufórico, a confiança dos gregos subiu aos céus, eles que foram sempre tão arrogantes na abordagem ao jogo em sua casa, e o Benfica aproveitou para mostrar, mais uma vez, à Europa a beleza, o encanto e a glória do seu nome, das cores maravilhosas do seu equipamento e a força do seu emblema. Reacção à Benfica. 

Primeiro por Jardel de cabeça, num canto cobrado por Pizzi. Depois, com um penalti ganho por Cervi e que Salvio converteu. O 1-2 mostrou que o apuramento para a Champions League já não ia fugir. Em 26' o Benfica assumiu o seu estatuto e acabou com as dúvidas. Antes do intervalo o Benfica mostrou qualidade futebolística ao nível exigido pela Champions League.
Um tributo à asa esquerda do ataque do Benfica dos tempos de Chalana. Combinação genial entre Grimaldo e Cervi em progressão, o argentino vai à linha e cruza para trás onde estava Pizzi à espera da bola para fazer o 1-3. Tão bom, tão simples, tão épico. 

Vivemos para isto. Jogadas perfeitas, golos à altura e o nome do Benfica a brilhar na Europa do futebol.

Estava resolvida a eliminatória. Deu para Odysseas justificar o seu lugar na baliza e para os jogadores irem mostrando o seu valor individual.

 

Quando era de esperar forte reacção grega na segunda parte, é o Benfica que ganha novo penalti. Podia aqui dizer que trocava um dos que o árbitro marcou hoje por aqueles que não quis marcar em Turim mas não a vale a pena desenvolver.

Salvio aumentou para 1-4 e mostrou porque é que os clubes gregos e turcos não ganham a Champions todos os anos. Simplesmente porque os ambientes infernais não ganham jogos. Impressionam mas não querem dizer nada. Aliás, desde 1999 que o Benfica ali jogou três vezes com ambiente fanático e ganhou sempre. Fim de mito.

Já na Luz, o Benfica ficou a dever a si próprio um resultado assim parecido. Hoje, Rui Vitória fez regressar Salvio, sempre essencial por muito que os benfiquistas não entendam, e apostou em Seferovic prevendo um jogo mais directo e de luta física com os centrais do PAOK. Acertou em cheio, o resultado fala por si. 

Mais do que os milhões de euros, esta noite foi essencial para o Benfica voltar a colocar o seu nome no lugar que lhe pertence, entre os maiores da Europa. É na Champions League que temos de andar. Depois da desastrosa época europeia da época passado, este arranque europeu já serviu para o Benfica voltar a ser admirado. Quatro jogos, duas vitórias e dois empates, nenhuma derrota. Brilhante apuramento para a maior prova de clubes do mundo. 

Na altura do sorteio da 3ª pré eliminatória calhou a equipa mais forte, o Fenerbahçe. Depois, seguiu-se este PAOK que estava a surpreender a Europa com o afastamento do Basileia e Spartak. Portanto, não vale a pena desvalorizar este feito do Benfica. 

Foi um mês de Agosto muito exigente. O Jonas ia embora, o Ruben Dias ia embora, o derby a meio do playoff ia complicar as contas europeias, a deslocação ao Bessa, único estádio em que o Benfica perdeu na Liga passada, ia ser dura, o cansaço acumulado ia prejudicar a equipa. O Benfica acaba o mês no pelotão da frente na Liga e com o passaporte para a Champions carimbado. A janela de transferências ainda está aberta, entradas e saídas são possíveis até ao fim da semana. Há lesionados a recuperar e um jogo na Choupana já a seguir. 

O arranque de época do Benfica em Agosto foi bom e com objectivos cumpridos. Estão de parabéns todos os envolvidos no futebol do Benfica, agora é trabalhar para melhorar, aproveitar os reforços e crescer colectivamente. 

Os 200 adeptos do Benfica em Salónica mereceram todos os festejos da noite. 

Para quem desconfiou do 1-0 e 1-1 a nível europeu na Luz pode acreditar na força da nossa história. Isto está tudo ligado. De Highbury ao Toumba o elo de ligação é o Benfica. E o futebol do Benfica é maior que as nossas vidas. 

Nona presença seguida para o Benfica na Champions League, só Real, Barça e Bayern apresentam melhor registo. É o nosso lugar. 

Benfica 1 - 1 Sporting: Um Raio de Luz Chamado Félix

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 O João Félix envergonha os meus 18 anos. Tenho que esclarecer que até tenho muito orgulho nos meus 18 anos. Passei a estudar à noite para começar a trabalhar numa fábrica da Nestlé em Linda-a-Velha e saber o que custa a vida, passei a rapar o cabelo e abandonei o estilo de risco ao lado e a 2 de Outubro de 1991 arranjei o meu primeiro conflito laboral por querer sair mais cedo para ir à Luz ver o jogo com esse colosso de Malta, o Hamrun Spartans. Tudo muito engraçado mas com 18 anos não estava no relvado a fazer golos ao Sporting e o João Félix está. 

 

Foi o grande momento do derby. Cruzamento de Rafa, depois de Fejsa ter dado a Zivkovic que meteu rápido no português, bola para a área e o puto a saltar para fazer de cabeça o primeiro golo pela equipa principal e salvar o Benfica de uma derrota embaraçosa.

Aliás, esta jogada que deu o empate exemplificou na perfeição o que o Benfica não fez no resto do jogo. Meter velocidade, ligar o jogo rápido entre sectores e criar desequilíbrios e imprevisibilidade para quem defende. 

Não tenho outra maneira de dizer isto, este derby foi muito frustrante para quem já vê jogos destes desde os anos 80. Esperava mais do Benfica. 

Na teoria, este seria o Sporting menos forte na Luz dos últimos anos. Na verdade, não me lembro de uma equipa do Sporting tão remendada na Luz. Fizeram o seu jogo, acabaram o derby ao pior estilo de uma equipa de meio da tabela a lutar por um pontinho mas, lá está, tinham noção da enorme diferença de qualidade de um lado e do outro. 

O Benfica não fez o que lhe competia e o que se esperava. Acabou por ir caindo na teia que Peseiro montou, tornou o seu futebol previsível e anulável e deixou o adversário acreditar e crescer. 

O lance que dá o penalti, indiscutível, ao Sporting mostra bem tudo o que não era preciso fazer. Jardel passa a Rafa sem nexo. Ruben Dias acaba a fazer falta em Montero. Impensável estar a perder com este Sporting em casa. Mas aconteceu. 

Verdade que Salin engatou grande exibição, lá está, ao melhor estilo de equipa menor. Aquilo que eu achava que seria um trunfo, mais jogos nas pernas numa altura da época em que o cansaço não é dramático por ser o arranque da temporada, afinal teve efeito contrário. A equipa pareceu desgastada nas alturas em que era preciso imprimir velocidade. Gedson e Pizzi não estiveram tão fortes como em jogos anteriores. 

Sem Salvio para esticar o jogo pela direita, foi Rafa quem tentou desequilibrar, tendo Cervi no lado oposto a forçar a entrada de bola no meio onde Ferreyra voltou a estar desligado do resto da equipa. 

Acabou o Benfica com Seferovic e João Félix em campo a ser muito mais objectivo e perigoso. Eu já tinha escrito aqui que o miúdo até podia ser lançado mais cedo nos jogos. Quando entrou agitou sempre. Hoje mexeu com o marcador final.

Apesar da desilusão que foi esta noite queria deixar aqui uma curiosidade da primeira parte. Uma jogada colectiva em que a bola teve de passar pelo guarda redes do Benfica foi brindada com uma enorme assobiadela. A bola continuou a correr e acabou por ser uma das jogadas mais bem conseguidas da primeira parte na Luz. 

Outra nota, esta positiva, para a postura do rival na Luz. Desta vez, sem a rábula de nos trocar a ordem de ataque, com dirigentes na bancadas da Luz, sem stresses desnecessários.

Depois, deixem-me dizer que um derby à 3ª jornada é uma parvoíce em termos de calendário, a adrenalina desce para metade.

 

 

Finalmente, tenho lido muita coisa bonita sobre intenções de tornar o futebol português melhor. Muitas acções que ia tornar o espectáculo mais atraente, com mais qualidade e com o tempo útil de jogo a aumentar.

Muito bem, então o que foi isto que este Godinho veio fazer à Luz?! Atenção, não estou a falar em lances polémicos nem nada disso, o tom deste blogue não é esse. Falo no tempo perdido e das rábulas para fazer parar o tempo útil de jogo. Do mais enervante que já vi num estádio. E não me pareceu que Godinho tivesse poder para tornar o jogo melhor. Foi pena.

Esta foi a primeira grande desilusão da época, pedia-se uma vitória num derby que deixasse a equipa moralizada para o jogo decisivo na Grécia. Não foi possível e a derrota caseira do Porto atenuou um pouco esta frustração. 

Mas o sucesso desta primeira etapa depende muito da qualificação europeia e da viagem à Choupana que se segue. Tudo com a companhia de João Félix, de preferência, o verdadeiro raio de Luz neste derby.

Benfica 1 - 1 PAOK: A Maldição Egípcia!

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Depois de Sabry, Warda. Há uma ligação entre o PAOK e jogadores egípcios que nos afecta directamente.

Antes do jogo começar, a discussão andava à volta da formação grega. Vieirinha jogaria mesmo a defesa esquerdo? Jogou. E Warda ficaria no banco para jogar Léo Jabá? Ficou.

Isto porque em 2018 é banal sabermos tudo sobre o nosso adversário até aos mais pequenos pormenores. De repente, o sérvio Prijovic, o "10" Pelkas, o Varela que até nos marcou pelo Feirense ou Paschalakis passaram a ser nossos velhos conhecidos com as várias possibilidade que há de estudar o adversário. 

Nem sempre foi assim. 

Por exemplo, em 1983 quando ouvi na rádio o sorteio da Taça dos Campeões Europeus ditar um encontro com o Olympiakos senti pânico nos benfiquistas mais velhos. Isto porque ainda estavam traumatizados com uma inesperada eliminação quatro anos antes. Em 1979 o Benfica foi a Salonica e perdeu por 3-1. Na 2ª mão, na Luz, a equipa de Mário Wilson deu a volta à eliminatória com golos de Jorge Gomes e Reinaldo, que já tinha marcado na Grécia. Só que aos 80 minutos o Aris fez um golo de todo inesperado por Smertzidis. Foi um choque e os benfiquistas nem queriam ouvir falar em equipas gregas tão cedo. O trauma passou logo em 1983 quando na 2ª mão o Benfica de Eriksson atropelou o Olympiakos por 3-0 depois da derrota por 1-0 em Atenas.

Mesmo assim, perdurou um outro trauma. Camisolas amarelas na Luz. O Aris jogou de amarelo, o Liverpool fez miséria de amarelo e o Dukla também. 

São factos curiosos que ficam na memória porque naquela altura antes dos jogos não havia tanta informação para reter.

 

Este PAOK chegou à Luz moralizado e com uma aura surpreendente depois de afastar Basileia e Spartak. Proeza que levantou desconfianças.

O Benfica arrancou bem a época e estava preparado para o embate. 

Para começar houve uma alteração inesperada na equipa, saiu Salvio, entrou Zivkovic. André Almeida não tinha treinado na véspera mas foi a jogo.

Repetiu-se o enredo do outro jogo europeu na Luz deste mês, alguma desconfiança de parte a parte, o adversário a pressionar alto e a evitar que o Benfica entrasse muito forte. Aos poucos, o Benfica foi impondo o seu jogo e as dinâmicas de Pizzi e Gedson pelo meio, com Cervi e Zivkovic, sempre apoiados por Grimaldo e André, foram fazendo a diferença criando desequilíbrios que levaram o Benfica a construir uma mão cheia de boas oportunidades de golo. 

 

Esta foi a boa notícia do jogo, o Benfica continua a criar muitas ocasiões para marcar. A má notícia é que não consegue concretizar. Pizzi tentou de cabeça, de longe em arco, de primeira junto ao poste mas só conseguiu de penalti no fim do primeiro tempo. 

O Benfica jogou devia ter feito mais golos. E foi com esse sentimento que arrancou a segunda parte. Em poucos minutos apareceu Ferreyra várias vezes em situação de ser feliz mas não estava a ser uma noite boa. Também por culpa do guarda redes Paschalakis, diga-se.

Não marcando e perdendo frescura física o Benfica permitiu que o PAOK subisse com perigo. A entrada de Warda, lá está, foi determinante para dar mais velocidade e qualidade do flanco esquerdo para dentro e acabou por ser ele mesmo a fazer o golo do empate.

Golpe duro para a equipa do Benfica e para o seu treinador que já tinha apostado em Rafa e que se preparava para lançar João Felix. Assim juntou-lhe Seferovic. Se sobre os mais velhos já sabemos o que esperar e não deslumbraram, a entrada do jovem João foi mesmo uma mais valia. Talvez até a pedir para entrar ainda mais cedo na partida. A qualidade que tem na decisão, nos cruzamentos, no drible, no passe, não engana. Não há que hesitar.

Ainda houve oportunidade para o Benfica fazer o 2-1, que seria sempre pior que o 1-0, assim como este 1-1 é muito pior que um 0-0.

Mau resultado em casa, o Benfica entra em campo em Salonica já em desvantagem mas parece-me ser perfeitamente possível alcançar um resultado na Grécia que nos permita entrar na Liga dos Campeões.

E nem é preciso um milagre, basta mais acerto na hora da finalização.