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Red Pass

Rumo ao 38

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Boavista 1 - 4 Benfica: Categórico Fecho de Ciclo

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Vale a pena voltar aquela noite fria de meio de semana em Portimão no começo deste ano. Com a desilusão instalada, a viagem Algarve - Lisboa foi das mais duras de sempre. Se alguém dissesse naquela noite que a partir dali íamos ganhar todos os jogos fora da Luz para o campeonato até ao final do ano seria assassinado com justa causa. 

Aliás, proponho ao prezado leitor que prestigia este blog com a sua visita, o seguinte desafio: alguma vez teve um ano civil em que o Benfica tenha ganho todos os jogos fora de casa para o campeonato? 

Alguma vez se atreveu a pedir nuns daqueles desejos de passagem de ano "neste ano novo só quero que o Benfica vença todos os jogos para a Liga como visitante!"? 
As respostas mais prováveis são negativas. 

E, no entanto, o ponto de partida foi Portimão. Tivemos que passar pelo Dragão, por Alvalade, por Guimarães, duas vezes por Braga e agora pelo Bessa, entre tantos outros destinos que aqui fui documentando ao logo de 2019. 

Contar todos estes jogos por vitórias é estrondoso. Fechar o ciclo com uma goleada no Bessa contra o Boavista de Lito Vidigal e com uma arbitragem de Jorge Sousa é épico! 

 

Grande jogo do Benfica na cidade do Porto. Vitória categórica do Benfica num estádio muito difícil contra uma equipa fortemente competitiva, com uma abordagem muito física e com reforço defensivo sempre à procura de desfazer e contrariar o adversário. 

O Boavista jogou exactamente aquilo que se esperava mas encontrou um Benfica completamente focado na vitória e com absoluto conhecimento do adversário. Parecia que os jogadores do Benfica adivinhavam tudo o que o Boavista tinha preparado para esta batalha. 

O facto de Pizzi ter marcado um golo muito, anulado com a ajuda do VAR, mostrou ao Boavista que não ia ser fácil quebrar o ritmo, perder tempo, cair no anti jogo e adormecer o Benfica levando-o para a zona de confronto tão conhecido pelos jogadores de Vidigal. 

O golo de Vinicius com um passe soberbo de Pizzi veio confirmar a intenção do campeão. Só nos últimos minutos da 1ª parte com o golo do Boavista o jogo pareceu dividido. E depois no arranque da 2ª parte o Boavista tentou manter o balanço só que a equipa de Bruno Lage sabia que tinha feito mais do que suficiente para estar a ganhar o jogo nos primeiros 40 minutos, era só manter o ritmo, a atitude e a ambição até voltar à vantagem. E foi o que aconteceu. Cervi fez o 1-2, num lance em que os boavisteiros, e não só, ficaram a pedir uma falta que não existe, depois Vinicius decide o jogo com mais um belíssimo golo e Gabriel fecha as contas com um raro golo de cabeça. 

1-4 no Bessa é um claro sinal da boa forma da equipa de Lage na Liga. Confirma a excelente exibição na Luz contra o Marítimo na jornada passada e faz pensar que o Benfica nos últimos anos tem vindo sempre de menos a mais no campeonato, portanto, a tendência é melhorar e jogar mais e melhor daqui para a frente. 

Com o Benfica a preparar assim o jogo, a jogar desta maneira, a marcar com esta facilidade, com uma apoio magnifica naquele topo por trás da baliza para onde atacou a equipa na 2ª parte, com a atitude e a ambição com que contornou as dificuldades extra vindas de Jorge Sousa, o Benfica deu um claro sinal de força na defesa de um título que foi ganho de forma lendária na primeira parte deste ano. 

Por falar em apoio, talvez o segredo para esta série incrível de vitórias longe da Luz esteja relacionado com o ambiente que a equipa encontra nestes jogos fora. É um contraste gigante com o ambiente que se vive por estes dias nos jogos em casa. Não é uma critica, é constatar um facto. Que sirva para reflexão. 

Um 2019 só com vitórias fora de casa depois de Portimão é outro tipo de monotonia que preciso na minha vida. E esta eu nunca tinha vivido. Que se mantenha assim em 2020. 

Covilhã 1 - 1 Benfica: Consolação Mínima no Golo de Jota

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Hoje foi mais um episódio de um capitulo que o Benfica tem urgentemente de rever. Falo do capítulo de jogos oficiais contra equipas de escalões inferiores. O Benfica está a criar um ciclo de estranhas dificuldades contra clubes da 2ª e 3ª divisão nos últimos anos. Isto não é um problema deste plantel e desta equipa técnica. Isto arrasta-se e tem vindo a confirmar-se como um problema a cada jogo. Já o tinha escrito por altura do jogo com o Vizela para a Taça de Portugal, a eliminatória com o Cova da Piedade foi a excepção que confirma a regra, os compromissos do Benfica têm sido sempre superados com ares de serviços mínimos, com exibições fracas e resultados escassos, alguns tirados a ferros. Foi assim com Real, Vianense, Cinfães, 1º Dezembro, Arouca, entre outros. No final tem-se aproveitado sempre o resultado final e o apuramento para a fase seguinte. Ainda há um ano na Vila das Aves o Benfica só confirmou a ida à Final Four da Taça da Liga nos minutos finais do jogo com o Aves com um golo de Seferovic.

São demasiados jogos a cumprir serviços mínimos e a colocar o clube a jeito para uma eliminação prematura de uma das Taças. Na verdade não voltou a acontecer "Gondomar" ou "Varzim", e espero que não tenha de voltar a ver tal coisa na minha vida, mas tem havido demasiadas lembranças desses momentos cada vez que o Benfica está a perder contra uma equipa de uma divisão inferior. 

Escrevo isto porque tenho ideia que num passado não muito distante o Benfica apresentava-se na Taça da Liga e na Taça de Portugal nestes jogos com equipas teoricamente inferiores com uma personalidade e uma atitude que lhe valiam noites tranquilas e e vitórias naturais. Aconteceu com Jorge Jesus, aconteceu também com Rui Vitória e mostrava uma equipa forte em todas frentes independentemente das mudanças naturais na Taça de Portugal e obrigatórias na Taça da Liga. Foi assim que o Benfica equilibrou e até se afirmou como clube com mais competições conquistadas em Portugal, as sete Taças da Liga vinham compensar a ausência de vitórias na Supertaça. 

Sinto que nos últimos tempos a intensidade na abordagem a estas partidas diminui e a qualidade de jogo também. Não pode ser esse o caminho. O Benfica tem que ter como prioridade ir somando conquistas, principalmente na Taça de Portugal onde só apresenta três tardes felizes no Jamor nas últimas duas décadas. E agora corremos o risco de entrar no quarto ano de jejum na Taça da Liga. 

Como não ouvi nem li nenhuma declaração de ninguém ligado ao Benfica explicando que o clube desprezava as competições secundárias em Portugal, os jogadores precisam de perceber a importância das mesmas. Os jejuns são perigosos e as ausências no Jamor doem a qualquer adepto. 

Isto não significa que na Covilhã a equipa técnica devesse ter lançado mais jogadores "titulares", mesmo porque a ideia da Taça da Liga é dar espaço aos mais jovens e menos rodados. A questão é que os menos utilizados do Benfica têm que ser sempre melhores que a melhor equipa do Covilhã. Têm que fazer pela vida, mostrar que o clube pode contar com eles, têm que assegurar a qualidade que difere entre o Campeão Nacional e um clube que luta para subir à primeira divisão. E o problema é que dificilmente sentimos isto a acontecer nestes jogos. 

Quando é preciso lançar Pizzi, Vinicius e Taarabt para tentar revirar um resultado na Covilhã é porque o colectivo não funcionou e o objectivo não foi conseguido. Salvou-se Jota que merecia uma noite de contexto mais feliz para celebrar o seu primeiro golo na equipa principal. 

Nada disto deverá pesar na preparação para o jogo do Bessa mas fica uma imagem muito pálida da ambição do Benfica na terceira prova do calendário português. 

Insisto que depois do clube ter somado sete Taças da Liga, o passo seguinte não pode ser o afastamento da prova. 

Importa mesmo reflectir sobre estas exibições nas últimas épocas e voltar a assumir e a cumprir o óbvio e natural favoritismo que o Benfica historicamente tem que ter contra adversários destes. Não é um pedido, é o desígnio do clube mesmo numa prova com um formato de terceiro mundo, com uma calendário aberrante e com uma final four desajustada do contexto do futebol europeu. 

Benfica 4 - 0 Marítimo: Prova de Vida

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O Benfica é uma óptima ideia que veio ao mundo há mais de cem anos. Um conceito abstracto que é abraçado por milhões de simpatizantes e que na teoria tem tudo para ser a melhor ideia de sempre. Algo que influencia a vida das pessoas, algo que passa a guiar e a influenciar quase tudo na vida daqueles que desde sempre abraçam esse ideal de ser benfiquista. O futebol do Benfica é algo de tão esmagador que passa de geração em geração, gera amor e ódio e transforma a exigência em demência. 

É tão abrangente que se tornou o objecto mais mediático do país para o bem e para o mal. É algo de tão forte que divide o universo benfiquista em vários sub géneros. Alguns transversais a todos os universos de adeptos de todos os clubes, os mais optimistas, os que só querem falar do que está bem, e o mais pessimistas, os que acham que está tudo mal e se desgastam à espera das desgraças para poderem crescer para os optimistas com o clássico "eu não disse?". Há de tudo um pouco no magnifico universo benfiquista, como em tudo na vida.

Mas  a grande tendência destes novos tempos, os tempos das opiniões sábias das redes sociais, das condenações públicas jogo a jogo a treinadores, dirigentes e jogadores, das exigências e intolerâncias, a grande tendência, dizia eu, é a de ver tudo pela negativa. Não é dramático porque é um estado de espírito que obriga o clube a andar sempre no limite, que não dá tempo nem espaço a zonas de conforto nem a adormecimentos. 

Ganhar por 1-0 é uma vergonha, por 2-1 é porque se sofre um golo, por 3-1 e com exibição pouco entusiasmante é uma vergonha, por 5-0 é porque o adversário era fraco, por 10-0 é falta de respeito e por aí fora. Todos nós já ouvimos isto, todos nós já teremos dito algo assim. 

Como disse, é bom porque obriga sempre a mais e melhor.

Mas também é imensamente triste. Também é perigosamente injusto. Acima de tudo, é estupidamente redutor e tira-nos algo que vai passando de geração em geração que é a, muito lusa, conclusão de que antigamente é que era bom. 

Um fado que transforma o passado em ouro e o presente em insuficiente. Algo que faz com que nem haja espaço para umas horas de folga, respirar fundo e concluir: porra, estou a ver o Rúben Dias a crescer em campo jogo a jogo. Que orgulho! 

Caramba, o Taarabt é mesmo um craque de mão cheio e o nosso clube está a proporcionar-lhe encher o relvado da Luz de classe. O marroquino hoje foi "só" o melhor em campo. Ninguém vai usufruir disto porque virá sempre o passado do marroquino à baila. 

Por falar em relvado, no Benfica uma simples troca de relvado é assunto de Estado! Parece resolvido. E isso é bom? Claro que não, somos o Benfica e nunca devia ter acontecido. Mesmo que se desconheça que o lendário Benfica dos anos 60, 70 e 80 raramente apresentava um relvado melhor que este. 

Por falar em Benfica de outras décadas. Em 1993 o Benfica recebia o Marítimo a 3 jornadas do final do campeonato. O Benfica tinha jogadores como Futre, João Pinto, Paneira, Veloso, Mozer, Schwarz, Paulo Sousa, Kulkov, Yuran, Rui Águas, Rui Costa e Isaías, só para dizer alguns nomes. A maioria dos nomes vem à conversa sempre que se quer denegrir a equipa actual, ou o trabalho recente. "Ah, isto nos tempos do Rui Costa, Mozer, João Pinto, Paneira, Futre..." 

Eu fui ver esse jogo com o Marítimo na Luz. Chovia muito. Apareceram no Estádio antigo, que à hora em que escrevo faz anos que foi inaugurado, pouco mais de 10 mil pessoas. O Benfica não ganhava sempre, os adeptos do Benfica não enchiam sempre a Luz, os jogadores do Benfica não jogavam sempre bem. Isto, apesar, de se dizer hoje que antigamente é que era à Benfica. 

Os números que Bruno Lage apresenta em 2019 para o campeonato nacional são estrondosos, a facilidade com que o Benfica goleia faz com que Lage já tenha mais de 100 golos marcados em cerca de 30 jogos para a Liga. O Benfica é líder e campeão em título. Podia viver em clima de festa, confiança e superioridade. Felizmente, não vive. O dia a dia à volta do clube é de uma eterna crise.

Ninguém quer ir para casa rever a exibição do Taarabt. Ninguém quer admitir que se precipitou ao condenar a contratação do Vinicius, ninguém quer dizer que o Pizzi é um dos melhores jogadores da história do Benfica, ninguém quer parar para apreciar a qualidade do Rúben Dias e a evolução do Ferro porque a ânsia de os ver errar é maior que o prazer de os ver triunfar. 

Tudo o que foi feito de bom esta noite nunca será valorizado se num futuro próximo o Benfica perder pontos da Liga, como se as coisas estivessem ligadas. Ou seja, como se um bom trabalho de uma noite ficasse à espera de validação eterna. 

 

Esta urgência há muito que extravasou para fora do jogo. Veja-se a maneira como se trata a questão das claques em Portugal. Um problema como se fosse uma podridão, como se não houvesse gente boa e de bem no meio de cada claque. É legalizar e pronto. É obrigar esse pessoal a usar um cartão para ter direitos nos estádios e está resolvido. Como se esses movimentos não tivessem uma história, não fossem movidos a paixão e dedicação, como se, como dizia o Gullit, o facto de meia dúzia de estúpidos estragar o que a maioria faz de bom desse o direito de transformar o todo num lixo. 

Muitos viram uma faixa aberta no Topo Sul do Estádio da Luz dedicada à Petra. Muitos perguntam quem é a Petra. Ninguém faz a menor ideia do que é ver e sentir uma amiga, uma companheira, uma associada exemplar na sua dedicação ao clube e ao Topo a sofrer por causa de uma doença injusta, traiçoeira e desesperante. 

Não interessa quem é a Petra, quem a conhece entende o tamanho e o significado de uma faixa a exigir Força com o reconfortante recado de Estamos Juntos. Isto é que devia fazer reflectir os imbecis e hipócritas que querem impor leis às três pancadas a grupos de associados que se manifestam da forma mais humana e solidária que a vida pode mostrar. 

Viver com saúde é um privilégio que não devia ser descurado. Devia ser aproveitado para elogiar a classe do Adel, a finalização do Vinicius, a qualidade do Pizzi, a determinação do Rúben, o incrível trabalho do Bruno Lage que desde que tomou conta da equipa só não venceu dois jogos no campeonato. A vida é demasiado curta para ser vivida em negatividade disfarçada de moralidade e exigência. 

Hoje ganhámos, aproveite-se o momento. Amanhã logo se vê. Um dia vamos todos pedir streamings daqueles tempos em que o Benfica só sabia ganhar na liga portuguesa, umas vezes a jogar bem, outras nem por isso, com resultados curtos e com goleadas, com remontadas e com nota artística. Mas nada que nunca leve ninguém no momento a dizer algo como isto: É tão bom estar na Luz a ver este Benfica. 

Uma frase que nos devia fazer reflectir, um autentico objectivo de vida, ter oportunidade familiar, financeira, social, e, acima de tudo, com saúde que nos permita estar ali ao lado da equipa do Benfica naqueles 90 minutos. 

O Benfica é maior que a vida mas só pode ser vivido enquanto estivermos a passar por cá. Todo o tempo que perdemos a antever o pior, é energia gasta. 

Grande beijinho Petra, juntos. À Benfica!

RB Leipzig 2 - 2 Benfica: Descompensação Final

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Hoje pedia-se ao Benfica que fizesse tudo o que não tem feito na Champions League. Tudo o que não tem feito não só nesta época mas também nas últimas duas. Pedia-se que o Benfica evitasse a terceira eliminação seguida na fase de grupos da prova. 

Para isso muito mudou na abordagem ao jogo e até na atitude da equipa. Deu para sentir desde o pontapé de saída, onde o Benfica construiu logo um ataque para remate de Cervi, que a vontade era mudar o estado actual do Benfica europeu. 

Bruno Lage apostou num 11 mais maduro e aproximou-se daquilo que adeptos e imprensa consideram ser o mais lógico em termos de melhores unidades. Logo aqui tínhamos um facto novo, o RB Leipzig apresentava uma equipa com uma média de idades inferior à do Benfica! Os alemães tinham uma média de 24,1 anos e o Benfica tinha uma média de 26 anos. Curioso. 

Na falta de Rafa e Seferovic, a aposta foi para Cervi no lado esquerdo e Vinicius na frente. Ambas justificadas e ganhas. O argentino fez um bom jogo e o brasileiro voltou a marcar pelo terceiro jogo seguido. Foi o golo 9 na época e em três competições diferentes. Carlos Vinicius apresenta a mesma frieza na hora de finalizar seja em Vizela na Taça de Portugal ou em Leipzig em plena Champions. Isto é a melhor qualidade do avançado do Benfica.

O Benfica começou muito bem o jogo na Alemanha. Com personalidade, autoritário e decidido em fazer algo diferente do que tem sido o padrão Champions. Equipa bem posicionada, segura mesma sem bola, certa nas marcações e com a lição bem estudada quanto ao futebol de Nagelsmann. A primeira parte foi perfeita com o golo de Pizzi e podia ter ficado melhor se o "21" tivesse feito o 0-2 num remate desviado para a barra e que não deu canto. 

Começar a 2ª parte a vencer e a mostrar capacidade de sofrimento, foi assim que o Benfica abordou a 2ª parte. Beneficiou de um ritmo mais lento por paragens no jogo, nomeadamente a assistência a Odysseas. Sempre com o jogo controlado, embora também tenha contado com uma noite de desacerto dos jogadores mais perigosos do Leipzig, o Benfica conseguiu o mais complicado que era aumentar a vantagem. O tal golo de Vinicius que ainda resultou na saída do guardião Gulacsi por lesão. Tudo parecia indicar que, finalmente, o Benfica ia ter uma noite à medida da sua história. 

Mas aquela paragem no começo da 2ª parte para assistência a Odysseas ia ter custos pelo desgaste físico. O Benfica chega ao minuto 90 a ganhar 0-2 mas na verdade ainda faltavam mais 10 minutos de jogo. 

Nagelsmann já tinha feito tudo para mudar o jogo, arriscou, mudou o figurino da equipa e foi premiado na recta final. Ruben Dias fez um penalti Schick e pela confiança com que o sueco Forsberg fez o 1-2 percebeu-se que não ia ser fácil aguentar a vantagem.

Antes de tudo isto, entrou Raul de Tomas para o lugar de Vinicius e ia fazendo o golo da jornada com um chapéu do meio campo que obrigou o suplente Mvogo a defesa apertada. O espanhol entrou aos 82' e depois esperou-se pelo 1-2 e o minuto 93 para voltar a mexer. Saiu o desgastado Pizzi e entrou Caio. A última troca já foi depois do bis de Forsberg. Já o mal estava feito, Timo Werner foi à esquerda, arrastou com ele Ruben e centrou para o meio da área onde apareceu o sueco de cabeça a garantir o apuramento dos alemães e o adeus do Benfica à Champions League.

Foi inglório e custa perder a vantagem assim. Mas não foi nesta noite que o Benfica falhou o objectivo de seguir em frente, aliás, este foi o melhor jogo da equipa na prova. Quando o Benfica acertou no tom da Champions não foi feliz no minuto 98. 

Resta abordar o jogo com o Zenit da Luz como uma 2ª mão de uma eliminatória imaginária em que o Benfica está a perder por 3-1 e quer aproveitar o golo fora. Para isso terá que ganhar por 2-0 ou outro triunfo por três golos de diferença para poder continuar a jogar na Europa em 2020. De preferência com a mesma abordagem desta noite. 

Vizela 1 - 2 Benfica: Lembram-se de Gabigol?

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As chegadas do Benfica aos 1/8 de final da Taça de Portugal nos últimos anos têm sido tão penosas que deviam ser alvo de estudo profundo. Já são várias as noites cinzentas que o Benfica acumula nesta primeira fase da prova. Foi aflitivo com o Real Sport Clube, com o 1º de Dezembro, com o Olhanense, com o Vianense, isto para nomear só alguns jogos em que a única boa recordação que ficou foi o apuramento. Passou a ser regra uma vitória de serviços mínimos nestes jogos mas, desta vez, a equipa baixou ainda mais a produção e esteve a perder desde os 6 minutos com uma equipa do terceiro escalão que jogou a maior parte do tempo com menos um jogador. 

O problema destes jogos não é só trazer à memória estas eliminatórias sofridas, o principal problema é levantar o fantasma de Gondomar. Ou mesmo do Varzim dos tempos de Fernando Santos. São tempos que não queremos reviver. 

Já mencionei a eliminatória com o Olhanense. Voltemos a Outubro de 2017. O que nos recordamos desse jogo da Taça de Portugal no Algarve com a equipa de Olhão? Que ganhámos por 1-0 com golo de Gabriel Barbosa. 

Como os ciclos no futebol são irónicos. Em 2017, Gabriel Barbosa mesmo resolvendo esse jogo para o Benfica era olhado com desconfiança pelos adeptos e pela imprensa. O empréstimo do Inter de Milão não resultou. 

Dois anos depois, o Benfica continua a ter muitas dificuldades nesta fase da Taça de Portugal e o Gabriel voltou a ser Gabigol.  Aquele jogo com o Olhanense será sempre o jogo em que o Gabigol marcou pelo Benfica. 
Este jogo com o Vizela será sempre aquele que o Benfica resolveu no final na mesma noite em que Gabriel Barbosa vencia a Libertadores treinado por Jorge Jesus que também teve a sua dose de jogos complicados na Taça de Portugal com o Benfica. 

Vale a pena elogiar o Vizela pela exibição, pela luta que deu, pela forma como se bateu mesmo com menos um, por ter recebido o Benfica na sua casa sem mudar para uma estádio maior. O Vizela deixou uma imagem muito boa do seu futebol e da ambição e jogar num nível superior. 

O Benfica preocupa. Depois do jogo sofrível nos Açores com o Santa Clara, a equipa voltou à competição e repetiu a má exibição. Ao intervalo perdia em Vizela, tal como perdia nos Açores. 

Tal como foi importante com o Santa Clara não perder o foco nos três pontos, hoje era importante garantir o apuramento. E só isso é que se aproveitou desta noite. O apuramento foi conseguido mas a exibição do Benfica foi assustadora. 

Costuma dizer-se que depois quando estamos no Jamor para jogar a final ninguém se lembra destas noites mas para lá chegarmos é preciso jogar muito mais. 

O objectivo mínimo foi cumprido, agora é olhar para a frente e pensar no jogo em Leipzig. E à primeira vista é uma deslocação nada confortável. 

Santa Clara 1 - 2 Benfica: Abençoada Criança Que Aí Vem!

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Há jogos que se tornam complicados de ver e comentar. Este foi um deles. Demasiada expectativa pessoal para esta viagem aos Açores acabou em frustração antes do jogo  que aumentou depois de vista a primeira parte. 

Uma rápida contextualização pré jogo para explicar que já tinha a logística toda tratada desde Julho, viagens marcadas, bilhete garantido, alojamento pago, tudo devidamente programado. Motivos de força maior a nível profissional fizeram abortar a missão São Miguel. Seria o regresso à Ilha depois de uns dias de férias bem passados no verão. A vida é mesmo assim. 

O pior de todo o cenário foi ter de ver pela primeira vez na televisão um jogo do Benfica em competição interna. É uma sensação horrível ficar entregue à realização e aos comentários alheios. 

 

O Benfica tinha o desafio de pegar no campeonato no ponto em que o tinha deixado, ou seja, depois de uma boa exibição com o Rio Ave na Luz há uma semana. Faltava saber se a derrota europeia ia atrapalhar o bom momento interno. 

A resposta foi assustadora. O Benfica deve ter feito a pior primeira parte de um jogo na Liga com Bruno Lage. Não querendo ser injusto, nem personalizar o quadro, é impossível esquecer a prestação de Gabriel no primeiro tempo. Que festival de asneiras! Além da péssima exibição, o Benfica ainda encaixou um golo que colocava o Santa Clara na frente ao intervalo. 

 

Estava eu a passar os piores 15 minutos de que me lembro nos últimos tempos a meio de um jogo do Benfica, quando Bruno Lage resolvia calmamente o problema no balneário levando o desafio para o campo mental e motivacional. Pediu uma vitória aos seus jogadores para celebrar o facto de saber que vai ser novamente pai. Muitos parabéns, Mister. Que criança mais abençoada que aí vem. Foi uma saída original e certeira porque, parece-me, que isto hoje não ia lá com palestras tácticas nem correcções posicionais. Às vezes a vida pode ser muito simples, portanto um jogo de futebol também. Chegar a um balneário desinspirado e dizer algo como: "Pá, que raio de jogo é este? Logo agora que vou se pai pela segunda vez e vocês estão a complicar isto? Vamos lá, pessoal, ofereçam-me a 14ª vitória seguida fora da Luz!" (isto sou eu a imaginar a palestra)

E pronto, só tinham de fazer o mesmo que fizeram em Moreira de Cónegos, virar o jogo na 2ª parte só que mais cedo e sem levar ninguém ao limite dos nervos, coisa que eu agradeço. Pizzi lá terá pensado que tinha de assistir e marcar pela 5ª vez esta época e os jogadores entraram decididos a somar a 8ª vitória seguida na Liga.

 

Entrou Vinicius para o lado de Seferovic, saiu Florentino e Chiquinho recuou para perto de Gabriel. Mais tarde entrou Taarabt para o lugar de Cervi. Foram estas as mudanças práticas na equipa. 

Aos 54' Vinicius empatava o jogo a passe de Pizzi e aos 78' Pizzi revirava o resultado assistido por Seferovic. Depois daquela primeira parte parecia um milagre. Festejos merecidos dos muitos milhares de benfiquistas nas bancadas.

Como o Benfica venceu vou guardar um espaço carinhoso para a equipa de arbitragem. É que, na verdade, o maior milagre foi ter havido forças para a remontada num jogo apitado por Artur Soares Dias e um VAR ao mesmo nível. 

Tão impressionante como o número de passes falhados por Gabriel na primeira parte, foi a decisão de Soares e do VAR a ignorarem o penalti sobre Cervi. Tão evidente que até na Sport TV os comentadores confirmaram! Por falar em Sport TV, impressionante como depois de um penalti destes o directo de São Miguel acabe com a rápida que explicação de que hoje não ia haver Juízo Final devido a problemas técnicos. Sensacional! 

 

A 10ª vitória do Benfica em 11 jornadas da Liga NOS 2019/20 foi sofrida e em enorme esforço. Quando o filho de Bruno Lage nascer cá estaremos para lhe agradecer. 

O Santa Clara tem que continuar na primeira divisão, aquela Ilha e a sua gente merece! 

 

Lyon 3 - 1 Benfica: Bloqueio Europeu

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O contexto era muito favorável ao Benfica. Depois da última paragem para datas FIFA, a equipa venceu na Taça de Portugal, ganhou na Liga dos Campeões na Luz e arrancou para uma série de três vitórias seguidas no espaço de uma semana no campeonato. O Benfica entrava em campo para a 4ª jornada da Champions a saber que o Leipzig tinha ganho na Rússia e isso deixava a objectivo da noite ainda mais claro. Era preciso ganhar em Lyon para inverter a tendência europeia e ficar numa posição muito interessante na discussão para o apuramento para a próxima fase.

Todo este contexto positivo, todas as expectativas acumulados de ver o Benfica dar seguimento à boa fase de resultados, à boa exibição do último jogo e ao triunfo da Luz com o Lyon, deu lugar a mais um choque frontal com uma realidade que teima em ser cruel. 

Os franceses entraram muito melhor no jogo, mais pressão, mais intensidade, mais posse de bola e chegam à vantagem muito cedo no jogo através de uma bola parada com o central Andersen a marcar de cabeça. Impensável entrar a perder. Pior, Ferro passado pouco tempo lesiona-se sai, entra Jardel e segue-se o 2-0 pelo inevitável Depay sem que o Benfica tenha conseguido mostrar qualquer intenção de virar o jogo. Em 33 minutos o Lyon tinha o jogo como queria e a vitória bem encaminhada.

Só nos últimos minutos da primeira parte apareceu Gedson a tentar surpreender pela direita, e um entendimento Vinicius - Chiquinho. Iniciativas que valeram um perigoso remate à baliza de Anthony Lopes e pouco mais. 

O intervalo chega na melhor altura do Benfica mas com o resultado num confortável 2-0 para o Lyon. 

Havia esperança de uma forte resposta no começo do 2º tempo. Bruno Lage lança Seferovic e tira Gedson, mais tarde lançou Pizzi no lugar de Cervi, e o Benfica melhorou mas sem nunca ser completamente dominador. Uma combinação entre Pizzi e Seferovic deu o golo que o Benfica tanto precisava para voltar a discutir o jogo. 

Só que já estávamos nos últimos 15 minutos e o Lyon meteu gelo no jogo. Não quis correr demasiados riscos e baixou o ritmo à partida. O Benfica tentou chegar ao empate mas acaba por sofrer o terceiro golo numa imagem de impotência europeia agudizada. 

Depois do 3-1 na Rússia, a resposta do Benfica foi exemplar e arrancou para um ciclo vencedor que teve o seu ponto mais alto no último jogo no sábado. Mas ao sair do país voltou ao ponto em que ficou em São Petersburgo, derrota por 3-1 novamente. 

Em confronto directo com o Lyon, o Benfica teve a oportunidade de discutir o apuramento roubando pontos aos franceses. Não foi capaz e em dois jogos sai com um saldo negativo de 3-4. Como ainda há o Leipzig quase apurado, conclui-se que não há futebol para contrariar os representantes de França e Alemanha, sendo que nem estamos a falar dos campeões PSG e Bayern. A dura realidade é esta. 

Resta pensar numa viagem a Leipzig que seja digna e vencer o Zenit na Luz, para ver se no fim ainda se pode fazer contas a uma permanência na Europa. 

O balanço é negativo, o horizonte europeu não é animador. Hoje o Benfica falhou a sua imposição europeia com um adversário directo.

Benfica 4 - 0 Portimonense: Líderes!

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O futebol é tão popular pelas emoções que nos dá. O futebol do Benfica é um caso ainda mais sério. O facto do futebol do Benfica ganhar um jogo não significa paz no reino da águia. Não é assim tão simples. Nunca foi, nunca há de ser. O facto do Benfica estar a ser treinado por um homem que pegou numa equipa destroçada a 7 pontos do líder e ter desatado a ganhar jogos não quer dizer que a nação benfiquista o considere consensual. Ganhar 25 jogos no menor espaço de tempo, ter ganho todos os jogos para a Liga fora da Luz desde Janeiro, apresentar o melhor ataque e melhor defesa, não são um seguro anti contestação. Porque, lá está, no universo vermelho não chega ganhar. É preciso ganhar a jogar à Benfica. 

Isto tudo junto faz com que o Benfica seja um clube sempre em constante discussão e com uma exigência superior. 

Por isto, os benfiquistas ao chegarem à Luz nesta 4ª feira à noite para o nono jogo da Liga NOS mostravam logo descontentamento com a relva. E com a chuva que ia piorar a relva. Depois são conhecidas as equipas e mais uma hora de discussão global. Porquê Jardel? Samaris e Gedson? Chiquinho e Vinicius? 

Os grupos de WhatsApp enchem-se de indignações e previsões, nas bancadas discute-se se são os melhores jogadores ou não. A desconfiança sempre a reinar. A impaciência de uma multidão que não quer só ganhar, exige futebol de gala. 

Ninguém quer saber se o Portimonense vem com uma compacta linha de 5 defesas e com a lição bem estudada quanto à rotação interior do jogo do Benfica. Mesmo com a equipa de Folha a mostrar atrevimento nas saídas e com jogadores de qualidade a ameaçarem a baliza do Benfica, as bancadas não se impressionam. Depois, Anzai tem uma grande oportunidade mas Odysseas voltou a ser determinante, tal como em Tondela, e estava lá quando tinha de estar. 

Entretanto, o Benfica chega ao golo por André Almeida e festeja com Veríssimo que treina as bolas paradas. O Benfica marca bem de bola parada apesar disto também já ter sido tema de profunda reflexão em canais como o 11, por exemplo. 

O Benfica a ganhar, a relva a aguentar e o Porto a empatar na Madeira. Ao intervalo os sorrisos voltaram à Luz. A disposição dos benfiquistas no estádio melhorou em meia parte de um jogo. 

A boa disposição alastrou-se ao balneário do Benfica e a equipa volta para uma segunda parte à... Benfica.

Samaris e Gabriel no meio estiveram bem, Cervi com o bom entendimento do costume com Grimaldo que assinou uma exibição espectacular. Gedson beneficiou da noite inspirada de André Almeida e Chiquinho justificou a titularidade e mostrou que pode ser perfeitamente uma solução para jogar a segundo avançado. Vinicius bisou e com enorme qualidade de finalização.

Uma goleada por 4-0 depois de um empate do Porto com o Marítimo, uma exibição com momentos empolgantes e o Benfica isolado na liderança do campeonato transformam uma 4a feira cinzenta numa bela noite de outono.

E de repente, a relva já não é problema, o Vinicius já não é caro, o Chiquinho já não é dúvida, o Odysseas já não é intranquilo, Lage afinal sabe o que está a fazer e no sábado é para confirmar isto tudo. 

O futebol vive destes contrastes, um jogo que parece perdido pode acabar em euforia como se viu no Liverpool - Arsenal que aconteceu ao mesmo tempo deste Benfica - Portimonense. Mas o futebol do Benfica não é só contrastes, é mudança de semblante e estados de espírito de jogo para jogo, de uma primeira parte para uma segunda parte, do fim de semana para o meio da semana. E ainda bem que é assim. 

Enquanto todos percebermos que o mais importante no final do dia é termos ficado com os 3 pontos, tudo o resto se resolve. O treinador assume que só ganhar não chega, gosta do apoio dos adeptos o jogo todo e sabe ouvir as exigências no fim e até concorda que é preciso jogar à Benfica. Quando tudo acontece, ganhar a jogar à Benfica, todos ficamos aliviados. Nem é felizes, reparem, é aliviados. Porque sabemos que não se atingiu a perfeição por um resultado gordo, uma exibição agradável e a liderança isolada na Liga. A maratona é muito longa, isto é só uma noite de Outono, a nossa meta é um Maio bom. Mas quando tudo funciona como queremos sentimos que estamos todos a ser Benfica. Esta harmonia é rara e valiosa, motiva por dentro e assusta os de fora. Sentir que podemos ter muitas noites assim é o que faz o futebol do Benfica ser fascinante. Saibamos nós vivê-lo e compreendê-lo.

Sábado há mais. 

Tondela 0 - 1 Benfica: Uma Estreia Vitoriosa no João Cardoso

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Não é todos os dias que se acorda para ir ver o Benfica num estádio em que nunca se esteve. Desta vez, consegui mesmo ir a Tondela e conhecer o João Cardoso. 

Quando se diz algo como vou tirar o dia para ver o Benfica pode ser uma afirmação bem literal. Foi o que aconteceu este domingo. Com um jogo anormalmente marcado para as 15h, as combinações tiveram que corresponder a madrugar e a ter em atenção a mudança da hora. 

Deixar Lisboa entre as 8h e as 9h da manhã para uma viagem de quase 300 km até perto de Viseu com o objectivo de chegar pelo meio dia, bem a tempo de provar a gastronomia local. 

O destino escolhido (e bem aconselhado) foi o Petz Bar em Cabanas de Viriato. Gente simpática e pronta a satisfazer o apetite de malta que come bem. 

Tudo o que foi para a mesa está documentado nas imagens abaixo. O lugar de honra vai para os ossos que traziam uma carne agarrada impossível de descrever. Já valia a viagem.

Com a componente gastronómica bem resolvida, faltava o mais importante. Levar 3 pontos para Lisboa.

O Estádio João Cardoso fica bem localizado perto de uma área residencial. Reconheci a rua da bancada central que me ficou na memória naquela triste noite dos incêndios em Tondela onde as chamas chegaram ao Estádio. 

Tudo simples mas funcional. Nota negativa para a enorme demora na revista aos adeptos do Benfica que fez com que muitos deles perdessem os primeiros minutos de jogo em longas filas de acesso à bancada.

O apoio do costume atrás da baliza. Ao contrário do que se previa, e ainda bem, nada de chuva nem de tempo frio. Tarde de temperatura amena. Casa cheia, muitos adeptos do Benfica nas centrais e uma sensação de estar quase dentro da grande área defendida por Odysseas na primeira parte tal é a proximidade das bancadas ao relvado. 

André Almeida voltou à direita da defesa, Cervi continuou na esquerda do ataque e Taarabt foi a aposta para jogar mais perto de Seferovic. 

Apesar de alguns sustos, o Benfica fez o mais importante. Marcar o 0-1 aproveitando uma bola parada com Ferro a ser decisivo. 

Depois, esperava-se mais Benfica a procurar mais golos e tranquilidade no resultado mas nunca chegou a acontecer. O jogo ficou sempre equilibrado e a equipa do Benfica começou a perceber que não ia dar para muito mais. A segunda parte passou-se sem que a bola chegasse à área onde estavam os adeptos do Benfica e a preocupação maior era não perder a vantagem mínima mas valiosa. 

O mais importante foi garantido, um triunfo, três pontos e subir na classificação para o topo.

Não foi uma exibição entusiasmante mas prolongou-se a incrível série de vitórias seguidas para a Liga NOS fora da Luz com Bruno Lage no comando! 

Estreia muito positiva em Tondela. E ainda se aproveitou a viagem de regresso pela IC2 para ir matar saudades do arroz de tomate e dos pasteis de bacalhau do Manjar do Marquês. 

Domingo em cheio. Tirar o dia para ir ver o Benfica são episódios épicos de grandes histórias que se acumulam em capítulos de uma série interminável que é querer sempre estar onde está a equipa do Glorioso. Que continuemos todos cá por muito tempo para viver dias assim. 

A luta continua na próxima 4ª feira. 

Cova da Piedade 0 - 4 Benfica: Começo Convincente

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A Taça de Portugal como deve ser. Assim faz todo o sentido. O Benfica jogar na casa do clube da divisão inferior, neste caso o Cova da Piedade, com os jogadores a perceberem que é preciso respeitar o adversário, a competição e os adeptos. 

Foi o melhor arranque que me lembro do Benfica na Taça de Portugal nos últimos largos anos. Uma vitória tranquila e esclarecedora por 0-4 com vários pontos de interesse. O mais relevante, sem dúvida, é o regresso de Florentino à equipa. O meio campo voltou a ter Gabriel e Florentino, muito boas notícias. 

Pizzi e Vinicius bisaram e fizeram o resultado marcando em momentos determinantes do jogo garantindo um apuramento natural, lógico e sem sustos no estádio de uma equipa profissional da segunda Liga, portanto, superior a outros adversários de escalões mais baixos que defrontámos em edições recentes.

Um momento delicioso aconteceu mesmo à minha frente. Pizzi e Gustavo estendidos na relva. O jogador da casa aproveita o cumprimento de Pizzi para lhe pedir a camisola no final do jogo. Pizzi respondeu que sim e todos os que olhávamos para eles percebemos o momento. Futebol também é isto.

Lembro-me de ver o Cova da Piedade duas vezes na Luz a jogar para a Taça de Portugal. Em 1985, o Benfica venceu pelo mesmo resultado mas não serviu para entusiasmar o Terceiro Anel que já estava em guerra aberta com o treinador Csernai. O Benfica venceu a prova. 
Uns anos mais tarde, em 1989, nova vitória do Benfica, desta vez por 9-1. Nessas tardes lembro-me de imaginar como seria jogar na margem sul no campo do Cova da Piedade. Em 2019 concretizou-se essa curiosidade, boa vontade do clube de Almada, da FPF e do Benfica, que assim proporcionaram uma noite diferente aos adeptos dos dois clubes. 

Deve ter sido a viagem mais curta que fiz para ver o Benfica a jogar fora de Lisboa. Uma visita que marcou a minha estreia no Estádio Municipal José Martins Vieira e que mostrou ser possível realizar estes jogos em recintos mais modestos. 

Uma noite em que tudo correu bem, até o silencio no minuto dedicado ao grande Jordão, e que marca o arranque do Benfica na Taça de Portugal que todos esperamos que só acabe no Jamor no final da época. 

Tudo certo nesta rara incursão pela margem sul. Na memória fica a vista para a baliza onde o Benfica marcou os golos na segunda parte. Bola a entrar, festejos e um olhar que se perdia até às costas do Cristo Rei no horizonte a abraçar Lisboa.