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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 1 - 0 Porto: O Nosso Lema é o de Vencer

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 O Benfica chegou a este clássico muito pressionado. Demasiado pressionado para uma jornada 7, diga-se. Tudo porque empatou o derby em casa com o Sporting e voltou a empatar em Chaves num jogo cheio de peripécias. 

Depois, foi a segunda parte em Atenas que assustou os benfiquistas e juntou-se a estatística dos clássicos recentes mais o facto do Porto chegar à Luz à frente na classificação. 

A tudo isto juntou-se a lesão de Jardel, a expulsão de Conti em Chaves, dois jogadores que ficaram assim de fora do clássico, e a expulsão de Rúben Dias na Grécia que deixou o universo benfiquista à beira de um ataque de nervos.

Ainda sem Jonas em forma, sem o efeito explosivo de João Félix, adivinhava-se um fim de tarde complicado para o Benfica neste domingo. 

Muitas teorias à volta dos centrais, muitas dúvidas sobre a opção Lema. 

Terminado o clássico e o que mais li e ouvi da parte de adeptos e observadores deixou-me espantado. Ora, em 2018 toda a gente descobriu que se joga muito pouco futebol em Portugal. O Benfica conquistou uma vitória muito suada e importantíssima mas vamos discutir a qualidade de jogo do clássico.

Meus amigos, somar as primeiras partes dos mais recentes jogos Braga - Sporting e Benfica - Porto é obter um resultado de uma mão cheia de nada, em termos futebolísticos. Mas isso já eu sei há muito tempo. Já o digo e escrevo há muitos anos. Aliás, digam-me lá 5 grandes clássicos, cheio de qualidade de futebol a todos os níveis, que tenham acontecido nos últimos, vá lá, dez anos. Não há. E ninguém quis saber disso para nada nunca. 

Hoje, pelos vistos, está tudo muito preocupado com a qualidade de jogo. 

Já aqui escrevi há uns tempos e vou recuperar essa ideia, quando o Benfica começa a jogar eu não quero viver a festa do futebol, nem estou à espera de um futebol tipo Laranja Mecânica. Eu só quero uma coisa, uma vitória do Benfica. E quanto mais monótona, melhor. Um jogo do Benfica é um assunto muito sério na minha vida. A minha vida é cheia de capítulos de 90' que precisam de ser resolvidos com um triunfo. Se for com uma goleada, melhor. Se for com um recital de bola, muito melhor. Mas não perco o foco, o objectivo é fazer um golo mais que o adversário. Apenas e só isso.

Quando eu vejo um guarda redes histórico, como é Casillas, a levar um cartão amarelo aos 20' da primeira parte por estar a retardar a reposição de bola desde o começo do jogo concluo que a vontade de jogar é pouca. O Porto veio à Luz para não perder o jogo e para perder muito tempo útil de jogo. Foi uma estratégia. Mas influenciou directamente o tempo útil de jogo que deve ter tido uma percentagem ridiculamente baixa. 

O Benfica foi a jogo com Lema ao lado de Rúben, Gabriel no meio e Cervi na esquerda. De resto, tudo igual e expectável para este jogo. E foi muito bem. O Lema jogou e não houve drama nenhum. 

Eu sou do tempo das piores equipas de futebol que o Benfica teve na sua história. Anos 90. Sabem quantas vezes o Porto ganhou para o campeonato na Luz na década de 90? Duas. Isto significa que ganhámos jogos que ninguém esperava com equipas onde o Lema era rei e senhor, se jogasse nessa altura. Quando dramatizam as ausências antes de um clássico esquecem aquele jogo de 2009 e todos aqueles em que andávamos muitos pontos atrás na classificação. O Lema jogou e ganhou porque o nosso lema é o de vencer. Ah, e foi expulso. É que as expulsões para jogadores do Benfica estão muito baratas. Por exemplo, o Otávio teve muito que penar até ser reconhecido com um cartão amarelo. Para os homens da casa até saía à primeira falta. 

Houve muita bola pelo ar, muitas faltas, muito tempo perdido, uma equipa mais interessada em ganhar e outra em sair de Lisboa com a vantagem mínima na tabela classificativa. Que novidade houve neste clássico? Nenhuma. Esta é a história da grande maioria destes jogos. 

As boas notícias para os benfiquistas é que a equipa voltou para a segunda parte ainda mais motivada. Sentiu que podia mesmo vencer. Fez por isso. O Estádio acreditou e, por momentos, virou mesmo inferno da Luz empurrando a sua equipa para um golo que Casillas negou, embora houvesse fora de jogo. Aliás, como na primeira parte também um fora de jogo já tinha invalidado um incrível falhanço de Seferovic.

A grande defesa de Casillas a remate de Gabriel fez temer o pior, o espanhol costuma dar espectáculo na Luz. Mas, desta vez, passados poucos minutos aconteceu mesmo golo de Seferovic. Uma pressão alta, muita luta pela bola, recuperação, assistência inteligente de Pizzi e Seferovic a rematar para o 1-0. 

É para isto que eu vou ao estádio. Para viver e festejar o golo. E logo a seguir ficar angustiado por ver que ainda falta uma eternidade para terminar o jogo.

A partir daí é que se viu o Porto interessado em jogar e chegar ao golo mas o Benfica resistiu com confiança e em harmonia com as bancadas. Foi assim até ao fim. À Benfica! 

Naquele estádio ninguém estava incomodado com uma defesa liderada pelo miúdo Rúben, que fez enorme exibição, diga-se. Ninguém desmotivou o Lema, que não merecia acabar o jogo daquela maneira. De certeza que nestas bancadas estavam companheiros que se habituaram a vibrar com golos ao Porto inesperados de Bruno Basto, por exemplo. Ou de Valdir. Ou de Tahar. Passámos por isso tudo e ainda cá andamos. 

Porque raio íamos vacilar hoje? Isto é o Benfica. E há pouca coisa no mundo mais bonita que a harmonia única da Luz entre equipa e adeptos. Hoje houve.

O Benfica ganhou e ganhou bem. Recuperou a liderança e olha para o horizonte com confiança. Há jogadores a recuperarem que vão dar mais qualidade à equipa. Vencer o Porto antes de mais uma paragem na Liga é moralizante. 

Mas não me venham com a conversa da qualidade de jogo do clássico. Há anos que estes jogos passam ao lado das melhores expectativas. Estas partidas não são para exibições, são para ganhar. 

Agora, se quiserem discutir honestamente a qualidade de futebol da Liga NOS de forma séria e aberta, contem comigo. Mas não passa por clássicos e derbys. Se quiserem discutir que, se calhar, tudo isto é reflexo de Portugal se ter tornado um país de adeptos de sofá e de futebol (mal) falado, também podem contar comigo. Mas para olhar para um clássico e torcer o nariz pela sua qualidade, isso não. Aqui as equipas só querem ganhar. Foi assim na Luz, será assim no Dragão. 

Muito saboroso, este triunfo contra um clube que tudo tem feito para abater o Benfica movidos por um ódio visceral e regional que os cega de raiva. O Benfica ganhou. Tão bom. 

Benfica 0 - 1 Porto: Desilusão

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Um regresso a 2013 para o qual não estava nada preparado. Na altura fiquei dias sem dormir após o empate a um golo com o Estoril na Luz naquela 2ª feira negra depois de uma jornada europeia épica. Foi uma viagem alucinante do céu ao inferno em poucos dias. Passei mal, aquele resultado deixou-me de rastos. De tal maneira que sempre que me falam do golo do Kelvin em lembro-me logo do momento em que saí da porta da bancada da Luz na noite do Estoril e senti-me morto vivo. Ainda hoje acho que o último campeonato que não vencemos foi mais por culpa daquele jogo com o Estoril do que por causa dos momentos finais no jogo seguinte. 

Também senti que estávamos muito mais perto de ganhar campeonatos se continuássemos a competir da mesma forma. Tanto assim foi que nos quatro anos seguintes fomos campeões. Sempre na base do sofrimento, sempre a aproveitar deslizes de terceiros, sempre cheios de alma. 

Foi com base nesta ideia que fiquei muito optimista quando saímos de Setúbal no primeiro lugar. Ficámos com o destino na mão. 

Era importante perceber o momento e focar tudo numa vitória no clássico, era o jogo mais importante de uma vida. Ganhando ficava tudo bem encaminhado. Não me agradava nada a ideia de pensar num empate, demasiado perigoso tendo em conta as saídas que ainda temos até ao final. 

Claro que isto é tudo em teoria, temos que saber o que queremos de um jogo mas também temos que saber gerir aquilo que o jogo nos dá. Se a poucos minutos do fim sentirmos que já não dá para ganhar então não podemos permitir uma derrota, aprendemos isso com o mestre Giovanni Trapattoni.

Aconteceu tudo ao contrário do que queríamos. O jogo não nos saiu bem, a expectativa de cair em cima do Porto em buscar de uma vitória que os deixasse KO não aconteceu como todos imaginámos porque entre a realidade e o que desejamos vai uma considerável distante.

Quando Pizzi puxou o pé atrás para rematar contra Casillas na baliza norte tive aquela batida no coração do é agora. Não foi e assim ficámos muito mais vulneráveis a pensamentos sobre o futebol português. Tais como é que é possível termos ali o Soares Dias a apitar um jogo um ano e pouco depois de ter sido ameaçado por adeptos que estavam no sector visitante do estádio. Será por isso que não viu da mesma maneira que eu vi o Zivkovic ser empurrado na área azul? Terá sido pelas ameaças que achou por bem não mostrar o segundo amarelo ao Sérgio Oliveira? Nunca vamos saber mas o clima do nosso futebol faz com que fiquemos a pensar nestas coisas.

Falando do nosso futebol, o do Benfica, também nunca saberemos se com Jonas recuperado em campo o jogo teria corrido melhor. A verdade é que a equipa age de maneira diferente, já o tínhamos visto em Setúbal, e com Raul a titular fica sempre a faltar um Jimenez a entrar na 2ª parte para agitar o jogo. 

Aquele pontapé do Herrera não podia ter acontecido naquela altura do jogo. Aconteceu e agora fica tudo muito complicado. 

A diferença em relação a 2013 é que ficam a faltar mais jogos mas o problema é que já não temos o destino nas nossas mãos, temos que esperar milagres de terceiros e isso nunca é bom. Não é impossível mas não é expectável.

Resta-nos cumprir a nossa obrigação nos jogos que faltam e esperar que esta tarde na Luz não tenha sido o pesadelo final que neste momento realmente é. 

140 Mil num Clássico? Está documentado.

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 Tenho publicado muitos artigos sobre a lotação do Estádio da Luz. Quando senti que o universo benfiquista, e não só, achava que uma média de 30 e poucos mil adeptos na Luz era aceitável para jogos do campeonato, fiz sempre questão que isso teria de ser metade do número que se adequava à nossa história grandeza. Nem foi assim há muito tempo.

Felizmente, a média de espectadores no estádio do Sport Lisboa e Benfica tem crescido nos últimos anos e começa a ser normal termos cerca de 50 mil adeptos nas bancadas em jogos da Liga portuguesa.

Mesmo assim, sabe-me a pouco. Tento explicar que fui criado e cresci num estádio da Luz que me habituou a um ambiente glorioso e arrebatador.

Para os companheiros que não entendem esta fixação numa lotação maior, que não tiveram a sorte de viver estes anos, deixo aqui esta notícia publicada no dia a seguir a um Benfica - Porto na Luz. Aconteceu há 30 anos. Estive lá, tinha 13 anos, e se me dissessem no final da partida que dali a 30 anos um recinto com 65 mil lugares demoraria a esgotar para outro clássico decisivo eu ia rir.

O recorte é do blog A Minha Chama que descreve bem esta vitória história por 3-1.

Leiam e percebam a revolta das gerações que viveram aqueles anos.

Porto 1 - 1 Benfica: A Alma de uma Chama Imensa

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 Confesso que hoje já não estava a ver como é que íamos sair deste jogo com pontos. Mas tudo o que tenho vivido com "este" Benfica desde o arranque da época passada obrigava-me a ver tudo com atenção até ao fim.

Afinal, a resposta era tão lógica que até fiquei com vergonha de ter duvidado que íamos continuar invictos no fim do jogo.

Ora, se o Luisão sai lesionado precocemente da partida, é óbvio que ia sobrar heroísmo para Lisandro. O lema "deste" Benfica há muito que já foi lançado por Rui Vitória, aqui não há problemas, só novas soluções. O golo do argentino a fechar o jogo não podia ser mais ilustrativo.

 

É verdade que a primeira parte do Benfica foi fraca e que notou-se que o Porto deu tudo o que tinha para chegar à vantagem. O empate ao intervalo era preocupante.

Na 2ª parte confirmou-se a maior vontade do Porto com o golo de Diogo Jota. Único momento infeliz de Ederson num jogo que até vomitou. Felizmente, o golo de Jota veio no começo da 2ª parte, ao contrário do que tinha acontecido há um ano com André André que marcou perto do fim. Talvez a história se repetisse este ano, caso o primeiro golo não tivesse chegado nesta altura. Assim, o Benfica ficou com muito tempo para reagir e entrar no jogo de acordo com a sua postura normal. Houve tempo para André Horta entrar e mexer com o jogo, tal como Raul Jimenez.

O Benfica reagiu, os cerca de 3 mil benfiquistas nas bancadas impuseram as suas vozes e o Tricampeão ergueu-se. O treinador do Porto assustou-se e quis agarrar a vitória de qualquer maneira. Tirou Corona, Oliver e Diogo Jota de forma sucessiva. Deu um claro sinal de fraqueza e na última troca lançou Herrera. O mexicano foi importante no empate ao tentar ganhar um pontapé de baliza, ofereceu o canto que deu o golo do Benfica. Recta final desastrada de Nuno Espírito Santo. Deve dar um bom desenho.

 

Do lado do Benfica, a entrada de Horta equilibrou a equipa, e fez crescer o futebol atacante de forma objectiva. É ele que recebe o canto curto e mete a bola na cabeça de Lisandro que fez o 1-1.

 

É preciso não esquecer que o Porto deu tudo por tudo neste jogo para reduzir a diferença pontual. Deu tudo num jogo contra um Benfica sem Grimaldo, que perde o capitão Luisão muito cedo, sem Fejsa e sem Jonas, para nem falar de Rafa. Isto não é coisa pouca. É uma facto que tem de ser interpretado da parte do Benfica com optimismo e confiança.

 

galeria de fotos de Valter Gouveia

 

Este empate foi mais uma prova do que é feita a alma desta equipa que acredita sempre, que dá tudo até ao fim e que transforma o drama das ausências de jogadores chave em oportunidades para outros que trabalham no duro para serem felizes e terem o seu momento. Hoje, o André Horta voltou a jogar no campeonato e fica ligado à história do jogo com uma assistência perfeita. Hoje, o Lisandro foi chamado a frio para voltar a jogar no centro da defesa, não só correspondeu bem, como ainda foi determinante ao marcar o golo do empate. Isto é que é ter um plantel operacional e unido. É isto que nos faz acreditar que vamos continuar a ser felizes muito mais tempo.

 

Foi um final feliz, um ponto que soube muito bem mas perdemos dois pontos. É assim que temos de pensar. No próximo jogo há que retomar o caminho das vitórias. Hoje foi uma prova muito dura contra um rival na máxima força, no seu ambiente, no único jogo que o estádio ferve mesmo.

Desde aquele minuto 92, nunca mais houve Porto campeão. Rui Vitória tinha pedido um golo aos 94', Lisandro resolveu virar a magia do 92 do Dragão para o nosso lado. O futebol é bonito.

Saímos vivos. Seguimos líderes. Continuamos a mostrar a tal alma de uma chama imensa de crença.