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Tetra Campeões

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Benfica 0 - 1 Porto: Desilusão

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Um regresso a 2013 para o qual não estava nada preparado. Na altura fiquei dias sem dormir após o empate a um golo com o Estoril na Luz naquela 2ª feira negra depois de uma jornada europeia épica. Foi uma viagem alucinante do céu ao inferno em poucos dias. Passei mal, aquele resultado deixou-me de rastos. De tal maneira que sempre que me falam do golo do Kelvin em lembro-me logo do momento em que saí da porta da bancada da Luz na noite do Estoril e senti-me morto vivo. Ainda hoje acho que o último campeonato que não vencemos foi mais por culpa daquele jogo com o Estoril do que por causa dos momentos finais no jogo seguinte. 

Também senti que estávamos muito mais perto de ganhar campeonatos se continuássemos a competir da mesma forma. Tanto assim foi que nos quatro anos seguintes fomos campeões. Sempre na base do sofrimento, sempre a aproveitar deslizes de terceiros, sempre cheios de alma. 

Foi com base nesta ideia que fiquei muito optimista quando saímos de Setúbal no primeiro lugar. Ficámos com o destino na mão. 

Era importante perceber o momento e focar tudo numa vitória no clássico, era o jogo mais importante de uma vida. Ganhando ficava tudo bem encaminhado. Não me agradava nada a ideia de pensar num empate, demasiado perigoso tendo em conta as saídas que ainda temos até ao final. 

Claro que isto é tudo em teoria, temos que saber o que queremos de um jogo mas também temos que saber gerir aquilo que o jogo nos dá. Se a poucos minutos do fim sentirmos que já não dá para ganhar então não podemos permitir uma derrota, aprendemos isso com o mestre Giovanni Trapattoni.

Aconteceu tudo ao contrário do que queríamos. O jogo não nos saiu bem, a expectativa de cair em cima do Porto em buscar de uma vitória que os deixasse KO não aconteceu como todos imaginámos porque entre a realidade e o que desejamos vai uma considerável distante.

Quando Pizzi puxou o pé atrás para rematar contra Casillas na baliza norte tive aquela batida no coração do é agora. Não foi e assim ficámos muito mais vulneráveis a pensamentos sobre o futebol português. Tais como é que é possível termos ali o Soares Dias a apitar um jogo um ano e pouco depois de ter sido ameaçado por adeptos que estavam no sector visitante do estádio. Será por isso que não viu da mesma maneira que eu vi o Zivkovic ser empurrado na área azul? Terá sido pelas ameaças que achou por bem não mostrar o segundo amarelo ao Sérgio Oliveira? Nunca vamos saber mas o clima do nosso futebol faz com que fiquemos a pensar nestas coisas.

Falando do nosso futebol, o do Benfica, também nunca saberemos se com Jonas recuperado em campo o jogo teria corrido melhor. A verdade é que a equipa age de maneira diferente, já o tínhamos visto em Setúbal, e com Raul a titular fica sempre a faltar um Jimenez a entrar na 2ª parte para agitar o jogo. 

Aquele pontapé do Herrera não podia ter acontecido naquela altura do jogo. Aconteceu e agora fica tudo muito complicado. 

A diferença em relação a 2013 é que ficam a faltar mais jogos mas o problema é que já não temos o destino nas nossas mãos, temos que esperar milagres de terceiros e isso nunca é bom. Não é impossível mas não é expectável.

Resta-nos cumprir a nossa obrigação nos jogos que faltam e esperar que esta tarde na Luz não tenha sido o pesadelo final que neste momento realmente é. 

140 Mil num Clássico? Está documentado.

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 Tenho publicado muitos artigos sobre a lotação do Estádio da Luz. Quando senti que o universo benfiquista, e não só, achava que uma média de 30 e poucos mil adeptos na Luz era aceitável para jogos do campeonato, fiz sempre questão que isso teria de ser metade do número que se adequava à nossa história grandeza. Nem foi assim há muito tempo.

Felizmente, a média de espectadores no estádio do Sport Lisboa e Benfica tem crescido nos últimos anos e começa a ser normal termos cerca de 50 mil adeptos nas bancadas em jogos da Liga portuguesa.

Mesmo assim, sabe-me a pouco. Tento explicar que fui criado e cresci num estádio da Luz que me habituou a um ambiente glorioso e arrebatador.

Para os companheiros que não entendem esta fixação numa lotação maior, que não tiveram a sorte de viver estes anos, deixo aqui esta notícia publicada no dia a seguir a um Benfica - Porto na Luz. Aconteceu há 30 anos. Estive lá, tinha 13 anos, e se me dissessem no final da partida que dali a 30 anos um recinto com 65 mil lugares demoraria a esgotar para outro clássico decisivo eu ia rir.

O recorte é do blog A Minha Chama que descreve bem esta vitória história por 3-1.

Leiam e percebam a revolta das gerações que viveram aqueles anos.

Porto 1 - 1 Benfica: A Alma de uma Chama Imensa

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 Confesso que hoje já não estava a ver como é que íamos sair deste jogo com pontos. Mas tudo o que tenho vivido com "este" Benfica desde o arranque da época passada obrigava-me a ver tudo com atenção até ao fim.

Afinal, a resposta era tão lógica que até fiquei com vergonha de ter duvidado que íamos continuar invictos no fim do jogo.

Ora, se o Luisão sai lesionado precocemente da partida, é óbvio que ia sobrar heroísmo para Lisandro. O lema "deste" Benfica há muito que já foi lançado por Rui Vitória, aqui não há problemas, só novas soluções. O golo do argentino a fechar o jogo não podia ser mais ilustrativo.

 

É verdade que a primeira parte do Benfica foi fraca e que notou-se que o Porto deu tudo o que tinha para chegar à vantagem. O empate ao intervalo era preocupante.

Na 2ª parte confirmou-se a maior vontade do Porto com o golo de Diogo Jota. Único momento infeliz de Ederson num jogo que até vomitou. Felizmente, o golo de Jota veio no começo da 2ª parte, ao contrário do que tinha acontecido há um ano com André André que marcou perto do fim. Talvez a história se repetisse este ano, caso o primeiro golo não tivesse chegado nesta altura. Assim, o Benfica ficou com muito tempo para reagir e entrar no jogo de acordo com a sua postura normal. Houve tempo para André Horta entrar e mexer com o jogo, tal como Raul Jimenez.

O Benfica reagiu, os cerca de 3 mil benfiquistas nas bancadas impuseram as suas vozes e o Tricampeão ergueu-se. O treinador do Porto assustou-se e quis agarrar a vitória de qualquer maneira. Tirou Corona, Oliver e Diogo Jota de forma sucessiva. Deu um claro sinal de fraqueza e na última troca lançou Herrera. O mexicano foi importante no empate ao tentar ganhar um pontapé de baliza, ofereceu o canto que deu o golo do Benfica. Recta final desastrada de Nuno Espírito Santo. Deve dar um bom desenho.

 

Do lado do Benfica, a entrada de Horta equilibrou a equipa, e fez crescer o futebol atacante de forma objectiva. É ele que recebe o canto curto e mete a bola na cabeça de Lisandro que fez o 1-1.

 

É preciso não esquecer que o Porto deu tudo por tudo neste jogo para reduzir a diferença pontual. Deu tudo num jogo contra um Benfica sem Grimaldo, que perde o capitão Luisão muito cedo, sem Fejsa e sem Jonas, para nem falar de Rafa. Isto não é coisa pouca. É uma facto que tem de ser interpretado da parte do Benfica com optimismo e confiança.

 

galeria de fotos de Valter Gouveia

 

Este empate foi mais uma prova do que é feita a alma desta equipa que acredita sempre, que dá tudo até ao fim e que transforma o drama das ausências de jogadores chave em oportunidades para outros que trabalham no duro para serem felizes e terem o seu momento. Hoje, o André Horta voltou a jogar no campeonato e fica ligado à história do jogo com uma assistência perfeita. Hoje, o Lisandro foi chamado a frio para voltar a jogar no centro da defesa, não só correspondeu bem, como ainda foi determinante ao marcar o golo do empate. Isto é que é ter um plantel operacional e unido. É isto que nos faz acreditar que vamos continuar a ser felizes muito mais tempo.

 

Foi um final feliz, um ponto que soube muito bem mas perdemos dois pontos. É assim que temos de pensar. No próximo jogo há que retomar o caminho das vitórias. Hoje foi uma prova muito dura contra um rival na máxima força, no seu ambiente, no único jogo que o estádio ferve mesmo.

Desde aquele minuto 92, nunca mais houve Porto campeão. Rui Vitória tinha pedido um golo aos 94', Lisandro resolveu virar a magia do 92 do Dragão para o nosso lado. O futebol é bonito.

Saímos vivos. Seguimos líderes. Continuamos a mostrar a tal alma de uma chama imensa de crença.

 

Porto 1 - 0 Benfica: Reagir Tarde e Mal

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Já vi o Benfica a jogar pior no Dragão e a trazer pontos. Esta é a primeira conclusão depois do final do clássico e tem muita influência por aquilo que o Benfica fez na primeira parte.

 

Havia muita expectativa em relação ao onze que ia ser lançado no Porto. A meio da semana comentei com o Rui Malheiro que me parecia que o André Almeida ia ser chamado. Aconteceu na iniciativa de perguntas e respostas em que o Rui participou pelo Record com os participantes do passatempo da Liga Record. Era uma opção lógica já utilizada no passado. Foi esta a grande surpresa de Rui Vitória no Dragão.

Assim, André Almeida jogou à frente da defesa deixando Samaris mais à frente. Jonas e Mitroglou como atacantes, Gaitán e Gonçalo nas alas. A defesa ficou inalterada. Manteve-se a ideia de sistema de jogo que temos vindo a ver com dois avançados.

 

O resultado desta opção foi agradável, uma primeira parte muito bem conseguida anulando a tentativa do Porto entrar forte e marcar cedo. O jogo esteve equilibrado e o Benfica começou a acreditar que era possível tomar conta da partida e procurar o golo. Por duas vezes Iker Casillas revelou-se decisivo a negar o 0-1, também teve uma reposição de bola má que podia ter sido melhor aproveitada. Além das oportunidades criadas houve a convicção de segurança na defesa com a equipa a jogar mais junta e em bloco. Várias vezes vimos Jonas ou Gonçalo Guedes a recuperar a bola e a ajudar em terrenos recuados.

 

O Porto caiu num jogo previsível, Brahimi mostrava falta de concentração e convicção, Maxi optou por estar sempre no limite do risco, Aboubakar ameaçava ser decisivo e André André foi sempre o mais prático e esclarecido. Mas na primeira parte o Benfica raramente sentiu perigo junto da baliza de Júlio César.

 

Com o Benfica a fazer um jogo prometedor e um apoio incrível dos benfiquistas na bancada, era de esperar uma 2ª parte ainda melhor.

Infelizmente, o Benfica perdeu o equilíbrio no meio do campo e deixou o Porto crescer muito na partida. A equipa de Lopetegui sentiu que tinha conseguido virar o jogo e só não chegou ao golo mais cedo porque Aboubakar primeiro acertou no poste após grande cruzamento de André André e depois porque Júlio César lhe negou corajosamente um golo que parecia feito, novamente a passe de André André. Luisão ainda atrapalhar o avançado do Porto na recarga. Depois houve um cumprimento entre o guarda redes benfiquista e o avançado portista que terminou o episódio segredando a Luisão que poderia ter sacado o penalti ao brasileiro.

 

Os sinais estavam lá todos, os protagonistas azuis eram sempre os mesmos, o entusiasmo crescia também nas bancadas. Custa a perceber porque é que o treinador do Benfica demorou tanto a mexer na equipa. É aqui que o Benfica deixa escapar a oportunidade de pontuar no Dragão. Depois de ter estado perto de marca na primeira parte, a equipa acomodou-se à medida que o tempo ia passando e a sorte parecia proteger a baliza encarnada. Já se sabe que jogar para o empate costuma dar mau resultado.

Nem era aceitável que o Benfica o fizesse depois de ter estado por cima no clássico mas a passividade da equipa técnica ou adiar as substituições levou a equipa a encolher-se demasiado.

Chegados ao quarto de hora final do jogo o Benfica mexe na equipa. Na altura esperava-se que a mentalidade fosse partir do principio que o empate estaria controlado e por isso a ideia seria tentar uma pressão final em busca de um golo vitorioso. Pediam-se jogadores rápidos e imprevisíveis que pudessem devolver a ambição à equipa. Mas a troca de Jonas por Talisca não era o que a equipa precisava. Depois saiu Gonçalo Guedes para entrar Pizzi e a conclusão é que foram trocas sem resultado prático nenhum e , portanto, continuava tudo na mesma. Ou seja, a ameaça de um golo do Porto continuava bem presente e confirmou-se aos 86 minutos pelos pés do homem que mais tinha ameaçado com várias acções no jogo. Um golo perto do final do jogo que acaba com qualquer esperança de reacção.

 

Castigo demasiado pesado? Talvez não, o Benfica esteve mais perto do golo na primeira parte mas o Porto nunca foi tão passivo nessa etapa como a equipa de Rui Vitória na segunda parte.

É como digo no começou da crónica, já vi o Benfica a jogar pior e a sair invicto do Dragão mas também digo que confiar na sorte e recuar tanto costuma dar mau resultado.

É um péssimo resultado numa altura em que a equipa mostrava evolução e até algum entusiasmo no futebol praticado. Hoje a derrota de Aveiro com o Arouca torna-se mais grave porque retira muito cedo margem de erro à equipa. No entanto, o Benfica já mostrou que pode ser feliz e há que aproveitar o que de bom se mostrou em metade do clássico.