Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Pass

Rumo ao 37

Red Pass

Rumo ao 37

AEK 2 - 3 Benfica: Um Profundo Alívio

alfa.jpg

 Vistos e revistos os jogos mais recentes do AEK até esta 3ª feira a conclusão era simples: o Benfica em Atenas só tinha duas hipóteses, ganhar ou vencer. 

Era o que se pedia à equipa de Rui Vitória, entrar no segundo jogo da Champions League de maneira autoritária, assumir de forma convicta o favoritismo e assumir que há muito mais qualidade individual e colectiva na Luz do que algum dia existirá no AEK.

O contexto deste jogo não era o melhor. Pontos perdidos de forma dolorosa no final do jogo de Chaves, baixa de Jardel para os próximos jogos, baixa de Conti para o Clássico que está no horizonte e também influencia pensamentos. A juntar a este quadro uma sequência terrível de derrotas nesta fase da Liga dos Campeões que era urgente travar.

A tudo isto o Benfica respondeu com uma entrada convincente e que nos descansou a todos. Era aquilo que se pedia. Um Benfica forte à procura de chegar ao golo e sem hesitações. 

As apostas do treinador para este jogo foram para Rafa, prémio pelo bom arranque de época, e Conti no lugar de Jardel. Salvio e Gedson regressaram naturalmente aos seus lugares, com Gabriel lesionado e Cervi ficando no banco. 

Foi pelo lado esquerdo que o Benfica deu o mote. Grimaldo sempre muito activo a lançar o ataque descobriu do seu lado várias opções para criar perigo. Foi com toda a naturalidade que o Benfica chegou rapidamente ao 0-2. Seferovic voltou a marcar na Champions e o baixinho Grimaldo fez um simbólico golo de cabeça. 

Estava feito o mais complicado. O Benfica afastava a pressão, deixava os gregos perdidos e mostrava mais eficiência que o Ajax mostrou em Amesterdão quando recebeu o AEK e só começou a marcar na segunda parte. 

Com metade da primeira parte jogada cabia ao Benfica decidir o que queria do jogo. A minha decisão, sentado confortavelmente a ver o jogo à distância na televisão ( a sofrer com a qualidade dos comentários da TVi ) seria de continuar a carregar. Não de forma intensa mas sim de maneira objectiva, tendo bola e procurando sempre aumentar a vantagem. Era a melhor resposta para terminar o ciclo europeu negativo e dava jeito na classificação final ter um saldo bom de golos.

Não sendo possível manter o ritmo, pedia-se então um controlo absoluto do jogo evitando surpresas ou contrariedades. Fico com a ideia que este Benfica ainda precisa de trabalhar muito este aspecto, gerir vantagens, expectativas e controlar bem a posse de bola. O AEK reagiu e até ao intervalo ficava a ideia que o Benfica não se importava de atrair os gregos para o seu meio campo confiando nas saídas rápidas com Salvio e Rafa à cabeça. 

Seria algo para afinar na segunda parte, talvez refrescando as alas, afinal havia Zivkovic e Cervi no banco. Portanto, tudo parecia sobre controlo.

Até que acontece a expulsão de Rúben Dias. Tão desnecessária quanto indiscutível. O jovem central do Benfica não podia nem devia ter perdido o controlo do lance daquela maneira. Primeiro porque já leva mais de um ano a titular no Benfica e, agora na Selecção, depois porque era ele o líder natural da defesa após a lesão de Jardel e, finalmente, porque era tudo o que a equipa não precisava para o segundo tempo.

Entrou Lema, saiu Salvio. Pizzi foi para a direita. Pedia-se concentração, cabeça e foco para reorganizar a equipa. Mas o Benfica que foi para a segunda parte estava no pólo oposto daquele que começou o jogo.

Obviamente que o AEK ia reagir e dar tudo para regressar ao jogo mas não era de esperar uma transformação tão grande que deixou a equipa do Benfica completamente perdida em campo durante largos minutos. Não há explicação para o desnorte defensivo, principalmente a nível posicional, com a equipa a não conseguir ter bola e sempre a correr atrás do adversário. 

O AEK fez o primeiro. O AEK fez o segundo. E quando já se adivinhava o terceiro, apareceu Odysseas Vlachodimos a justificar a sua titularidade. Uma defesa espantosa a negar o hat trick a Klonaridis que já ia festejar a reviravolta no marcador. 

Esse momento teve o condão de fazer regressar a equipa ao jogo. Até aí nada tinha resultado. Nem Pizzi na direita, nem a entrada de Alfa Semedo.

Foi , portanto, o guarda redes a chamar de volta a equipa, Alfa Semedo disse presente e assumiu a bola no meio campo. Correu com a baliza na mente e resolveu rematar cruzado para um golo tão valioso quanto inesperado. Um rasgo individual inspirado naquela defesa fabulosa. A equipa agradeceu e uniu-se, agora sim, de maneira objectiva e determinada. O AEK sentiu o golo e até final a vitória do Benfica não sofreu mais ameaças. 

O objectivo principal foi conseguido, três pontos muito importantes por todas as razões já apontadas. Fim de ciclo negativo na Europa, resposta ao empate de Chaves, ânimo para o clássico, encaixe financeiro e a felicidade de ver um miúdo que já tinha dado um sinal parecido com este na pré época contra o Borussia de Dortmund. 

A diferença entre o Benfica do começo da partida e o da segunda parte é que no final podíamos estar muito mais satisfeitos e até motivados para os próximos duelos e assim sentimo-nos apenas aliviados. Muito aliviados. De respirar fundo e sorrir a olhar para os primeiros três pontos na tabela da Champions. 

Descansar, preparar o clássico e cerrar fileiras para vencer.

Benfica 0 - 2 Bayern: Toda Uma Aborrecida Realidade

_JPT1745.jpg

Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. 

Pessoas que continuam a insistir com casamentos e baptizados no mês de Setembro que estragam a minha folha de presenças seguidas na Luz para ver jogos oficiais do Benfica. Sim, voltou a acontecer. Em 2011 faltei a um Benfica - Vitória SC, em 2013 não apareci num Benfica - Paços de Ferreira e no passado sábado estive ausente no Benfica - Rio Ave. Casamentos e baptizados envolvendo pessoas que muito estimo, familiares e amigos. Ocasiões únicas que obrigam a abrir uma dolorosa excepção no ritual pessoal de ver todos os jogos oficiais do Benfica em casa desde a década de 80. Portanto, Não me lembro do último jogo que perdi em casa para a Taça de Portugal, se aconteceu foi há muitos anos mesmo, não perco um jogo para o campeonato na Luz desde esse baptizado de 2013 e na Taça da Liga a contagem voltou a zeros no sábado. Por isso, não houve crónica. Fica aqui a explicação.

 

Pus-me a pensar há quanto tempo não perco um jogo europeu do Benfica na Luz. Não me lembro de falhar uma noite europeia na Luz. Felizmente, não há muitas celebrações de casamentos ou baptizados a meio da semana. 

Posto isto, percebe-se a motivação e a alegria com que voltei à Luz para o terceiro jogo europeu na Luz da época. O primeiro na fase de grupos da Liga dos Campeões. Este estado de espírito tem tudo a ver com expectativas. Dos três jogos que já fizemos nesta prova, este foi o que encarei de maneira mais tranquila e despreocupada. Eu queria era chegar a esta noite. Andámos a sofrer com PAOK e Fenerbahçe para podermos receber equipas como o Bayern. 

 

Voltando a pegar na frase que abre o texto. Estamos em 2018 e na semana em que estreia a mais espectacular prova de clubes do mundo, Portugal teve a menor audiência televisiva à volta da competição. De repente, o país percebeu que não ia ver o Liverpool, Inter, PSG, Tottenham, Barcelona, Real nem o Benfica. À boa maneira portuguesa, estalou a "guerra" nas redes sociais. Quem se indigna por não ter acesso à Nowo e, por isso, não poder ver o jogo na sua televisão da maneira mais tradicional é acusado de adorar a Sport TV. Quem defende que é preciso estar a par das técnicas de airplay, instalação de Apps, uso de cabos de rede, e afins, é acusado de estar feito com a Eleven Sports que, por sua vez, é acusada de se estar nas tintas para os clientes, especialmente as gerações mais velhas, e encher os seus quadros com profissionais do Porto Canal. 

Tudo isto está exposto publicamente nas redes sociais. A grande conclusão de tudo isto, sem eu querer apontar culpas a ninguém, nem fazer juízos de valor, é que em 2018 é bastante complicado ter acesso às transmissões dos jogos da melhor competição de futebol de clubes do mundo e se quisermos ver resumos somos contemplados com um trabalho que, aqui aponto mesmo o dedo ao péssimo serviço, a TVi nos serve com um programa de rescaldo da Champions League absolutamente ofensivo para quem gosta de futebol. Ao que se junta uns resumos da Eleven Sports sem a qualidade mínima para serem apresentados ao público. 

Como é que é possível andar tão para trás?

 

Para preparar o jogo com o Bayern fui ver com atenção os três últimos jogos deles na Bundesliga. Ora, como o campeonato alemão também passou para a Eleven Sports não consegui ver nenhum deles em directo e para os recuperar tive que procurar meios alternativos. Ao contrário do que possam pensar, eu pago para poder aceder a jogos completos, mesmo que gravados, resumos ou só golos. Invisto mensalmente no acesso ao site instatscout.com e não tenho problema em assumir que mais depressa vou continuar a ser cliente deles do que vou dar dinheiro por um serviço que me promete um Inter - Tottenham e não o transmite de inicio ou que me garante que dá o Benfica - Bayern na Youth League e depois apresenta motivos alheios para não dar. Lamento mas, para já, ficamos assim. 

 

A facilidade com que podemos estudar e preparar a visita do Bayern à Luz dá-nos o conforto de nos sentarmos na cadeira do estádio olhar para a equipa adversária e conhecer bem todos os jogadores do outro lado sem recorrer a cábulas e identificar a forma de jogar logo nos primeiros minutos. Só que esse conforto dá lugar a um sentimento de desespero assim que percebemos que o facto de sabermos tudo sobre eles não quer dizer que possamos evitar que sejam superiores. A forma como o Bayern sai da pressão perto da sua baliza para subir no terreno de maneira natural até servir Lewandowski, que num gesto genial se enquadra para marcar facilmente o golo, é desesperante. Já vimos aquilo antes, ainda o polaco está a puxar o pé atrás já sabemos que vai ser golo e no entanto não estamos a ver como evitar que aquilo tudo volte a acontecer. E voltou. 

 

Há que dizer que o Bayern até surpreendeu com o seu "11" na Luz. Fez seis trocas de jogadores em relação ao último jogo. Último jogo que foi a contar para o campeonato, enquanto que por cá tivemos uma bizarra jornada da Taça da Liga, coisa única entre as melhores Ligas da Europa. Problemas de calendário que eu nunca vou entender. 

Aqui, Niko Kovač, novo treinador do Bayern, que já tinha sido feliz na Luz no Croácia - Inglaterra do Euro 2004, acertou em cheio na gestão da equipa. Destaque para a estreia de Renato Sanches a titular. Ganhou uma nova vida, o puto, ganhou mais uma estrela, a equipa. E, sem ter culpa nenhuma, despoletou mais uma polémica interminável de medição de benfiquismo entre benfiquistas. 

Lá está, vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol quando no rescaldo de um jogo com o Bayern o tema é a reacção da Luz ao golo do Renato.

Da minha parte estou muito tranquilo com isto. Nem é preciso chegar ao Rui Costa. Basta relembrar o que escrevi aqui em 2012 quando a Luz recebe com uma ovação o Nuno Gomes vindo do banco do Braga e que ajudou os minhotos a chegarem ao 1-1 de imediato. Também fiz o mesmo reparo quando Iniesta foi a jogo na Luz. Aplaudir, reconhecer a qualidade, retribuir o carinho ou demonstrar apoio a um dos nossos, tudo bem. Mas sempre depois de terminado o jogo. Durante aqueles 90 minutos nada é mais importante que o Benfica. Nem jogadores, nem treinadores, nem casamentos, nem baptizados, mesmo que me tirem do meu lugar. Mas isto é apenas a minha opinião, a minha maneira de ser e a minha forma de pensar e a minha postura no Benfica. Não vou obrigar ninguém a ser como eu, nem é essa a minha ideia. Mas tenho direito a partilhar, explicar e divulgar o meu pensamento.

Voltando ao golo do Renato. Fiquei contente por ele de uma forma racional. Só que no momento estou em modo irracional. Quero um golo é na baliza do Bayern e até podia ser o Renato a marcar que até me dava mais jeito e aí, sim, aplaudia. Sendo que o puto fez o 0-2 para o Bayern não aplaudi. Observei a reacção do miúdo e do estádio. Sinceramente, não me chocou. Nem o facto dele não festejar, nem a espontaneidade dos aplausos. Eu não sou assim mas acho que o Renato merece muito este carinho por tudo o que nos deu, por tudo o que lhe fizeram de mal e pelo ano difícil que passou, onde foi dado como acabado. 

 

Ainda recorrendo ao arquivo do blogue, eu já expliquei uma vez como vivo estas noites contra estes gigantes da Europa. Na noite em que Messi trocou de camisola com o seu ídolo Aimar, do Benfica, eu escrevi algo que continua a ser válido hoje. A minha coerência futebolística ajusta-se nestas noites. O que pensava em 2012 ainda penso hoje. Acho que estas noites contra equipas como o Bayern são para desfrutar. Mais do que para julgar um treinador, uma equipa, um plantel, são para apreciar. Vamos sempre com a ilusão que aconteça uma noite monumental para a nossa equipa a coincidir com uma noite infeliz do adversário. É essa a magia do futebol. Mas sabemos que se tudo correr dentro da lógica o resultado vai ser negativo. Foi o que aconteceu hoje. Tal como em 2012. Felizmente, a história do Benfica está carregada de noites épicas e lendárias em que o nosso clube se agigantou dentro, e fora, do relvado. Já aconteceu muitas vezes desde os anos 50, por isso é que temos duas Taças dos Campeões no nosso Museu, por isso é que temos presenças em tantas finais europeias, por isso é que estes gigantes nos tratam com tanto respeito antes e depois dos jogos. Vai voltar a acontecer, claro. Esta não foi uma dessas noites. O Bayern é melhor. Se tudo correr bem há de mostrar a sua força nos outros cinco jogos e se o Benfica cumprir a sua parte, continuará na Europa depois de Dezembro. 

Este primeiro jogo foi para apreciar. O próximo tem que ser para vencer na Grécia.
Quando ganhámos ao Manchester United e Liverpool com jogadores como grande Beto em campo, não passámos a ser a melhor equipa de futebol da Europa, apesar da nação benfiquista ter ficado, e bem, em euforia descontrolada. Assim como quando perdemos com o Bayern e Barcelona na Luz por 0-2 não passamos a ser um lixo no contexto das provas da UEFA. Nós somos o Benfica e isso chega-nos. Ou devia chegar, já não sei. Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. É esta a nossa aborrecida realidade. 

 

 

PAOK 1 - 4 Benfica: Champions? Pá,Ok!

40314959_10160821935070716_875412453452677120_o.jp

 Depois do 1-1 da Luz fiz aquilo que gosto de fazer sempre nestas lutas europeias, colocar o resultado em perspectiva e recorrer a experiências anteriores para contextualizar o que podia vir a ser a segunda mão. Já o tinha feito depois do jogo com o Fenerbahçe, na altura sublinhei que o 1-0 na Luz numa primeira mão costumava dar apuramento. 

O 1-1 com o PAOK deixava um amargo de boca no final mas fez-me lembrar as últimas três situações que saí do nosso Estádio pessimista com a eliminatória. Ora, as últimas vezes que fomos para a luta fora de casa com 1-1 na bagagem fomos felizes. Em Londres com o Arsenal, em Leverkusen com o Bayer e em Marselha com o OM, o Benfica assinou algumas das suas páginas mais gloriosas na Europa. 

É a isto que me agarro sempre, à minha experiência, à história do clube, aos contextos das apaixonantes eliminatórias europeias. Acresce o pormenor que nestas últimas eliminatórias começámos sempre a perder no segundo jogo.

É fácil adivinhar que não fiquei particularmente assustado com o 1-0 de Salónica. Fiquei furioso porque achei que a defesa do Benfica foi demasiado passiva a reagir a uma bola parada que merecia outra postura. 

Mas o golo do PAOK teve o efeito que história já nos ensinou. O ambiente ficou mais eufórico, a confiança dos gregos subiu aos céus, eles que foram sempre tão arrogantes na abordagem ao jogo em sua casa, e o Benfica aproveitou para mostrar, mais uma vez, à Europa a beleza, o encanto e a glória do seu nome, das cores maravilhosas do seu equipamento e a força do seu emblema. Reacção à Benfica. 

Primeiro por Jardel de cabeça, num canto cobrado por Pizzi. Depois, com um penalti ganho por Cervi e que Salvio converteu. O 1-2 mostrou que o apuramento para a Champions League já não ia fugir. Em 26' o Benfica assumiu o seu estatuto e acabou com as dúvidas. Antes do intervalo o Benfica mostrou qualidade futebolística ao nível exigido pela Champions League.
Um tributo à asa esquerda do ataque do Benfica dos tempos de Chalana. Combinação genial entre Grimaldo e Cervi em progressão, o argentino vai à linha e cruza para trás onde estava Pizzi à espera da bola para fazer o 1-3. Tão bom, tão simples, tão épico. 

Vivemos para isto. Jogadas perfeitas, golos à altura e o nome do Benfica a brilhar na Europa do futebol.

Estava resolvida a eliminatória. Deu para Odysseas justificar o seu lugar na baliza e para os jogadores irem mostrando o seu valor individual.

 

Quando era de esperar forte reacção grega na segunda parte, é o Benfica que ganha novo penalti. Podia aqui dizer que trocava um dos que o árbitro marcou hoje por aqueles que não quis marcar em Turim mas não a vale a pena desenvolver.

Salvio aumentou para 1-4 e mostrou porque é que os clubes gregos e turcos não ganham a Champions todos os anos. Simplesmente porque os ambientes infernais não ganham jogos. Impressionam mas não querem dizer nada. Aliás, desde 1999 que o Benfica ali jogou três vezes com ambiente fanático e ganhou sempre. Fim de mito.

Já na Luz, o Benfica ficou a dever a si próprio um resultado assim parecido. Hoje, Rui Vitória fez regressar Salvio, sempre essencial por muito que os benfiquistas não entendam, e apostou em Seferovic prevendo um jogo mais directo e de luta física com os centrais do PAOK. Acertou em cheio, o resultado fala por si. 

Mais do que os milhões de euros, esta noite foi essencial para o Benfica voltar a colocar o seu nome no lugar que lhe pertence, entre os maiores da Europa. É na Champions League que temos de andar. Depois da desastrosa época europeia da época passado, este arranque europeu já serviu para o Benfica voltar a ser admirado. Quatro jogos, duas vitórias e dois empates, nenhuma derrota. Brilhante apuramento para a maior prova de clubes do mundo. 

Na altura do sorteio da 3ª pré eliminatória calhou a equipa mais forte, o Fenerbahçe. Depois, seguiu-se este PAOK que estava a surpreender a Europa com o afastamento do Basileia e Spartak. Portanto, não vale a pena desvalorizar este feito do Benfica. 

Foi um mês de Agosto muito exigente. O Jonas ia embora, o Ruben Dias ia embora, o derby a meio do playoff ia complicar as contas europeias, a deslocação ao Bessa, único estádio em que o Benfica perdeu na Liga passada, ia ser dura, o cansaço acumulado ia prejudicar a equipa. O Benfica acaba o mês no pelotão da frente na Liga e com o passaporte para a Champions carimbado. A janela de transferências ainda está aberta, entradas e saídas são possíveis até ao fim da semana. Há lesionados a recuperar e um jogo na Choupana já a seguir. 

O arranque de época do Benfica em Agosto foi bom e com objectivos cumpridos. Estão de parabéns todos os envolvidos no futebol do Benfica, agora é trabalhar para melhorar, aproveitar os reforços e crescer colectivamente. 

Os 200 adeptos do Benfica em Salónica mereceram todos os festejos da noite. 

Para quem desconfiou do 1-0 e 1-1 a nível europeu na Luz pode acreditar na força da nossa história. Isto está tudo ligado. De Highbury ao Toumba o elo de ligação é o Benfica. E o futebol do Benfica é maior que as nossas vidas. 

Nona presença seguida para o Benfica na Champions League, só Real, Barça e Bayern apresentam melhor registo. É o nosso lugar. 

Benfica 1 - 1 PAOK: A Maldição Egípcia!

jf.jpg

Depois de Sabry, Warda. Há uma ligação entre o PAOK e jogadores egípcios que nos afecta directamente.

Antes do jogo começar, a discussão andava à volta da formação grega. Vieirinha jogaria mesmo a defesa esquerdo? Jogou. E Warda ficaria no banco para jogar Léo Jabá? Ficou.

Isto porque em 2018 é banal sabermos tudo sobre o nosso adversário até aos mais pequenos pormenores. De repente, o sérvio Prijovic, o "10" Pelkas, o Varela que até nos marcou pelo Feirense ou Paschalakis passaram a ser nossos velhos conhecidos com as várias possibilidade que há de estudar o adversário. 

Nem sempre foi assim. 

Por exemplo, em 1983 quando ouvi na rádio o sorteio da Taça dos Campeões Europeus ditar um encontro com o Olympiakos senti pânico nos benfiquistas mais velhos. Isto porque ainda estavam traumatizados com uma inesperada eliminação quatro anos antes. Em 1979 o Benfica foi a Salonica e perdeu por 3-1. Na 2ª mão, na Luz, a equipa de Mário Wilson deu a volta à eliminatória com golos de Jorge Gomes e Reinaldo, que já tinha marcado na Grécia. Só que aos 80 minutos o Aris fez um golo de todo inesperado por Smertzidis. Foi um choque e os benfiquistas nem queriam ouvir falar em equipas gregas tão cedo. O trauma passou logo em 1983 quando na 2ª mão o Benfica de Eriksson atropelou o Olympiakos por 3-0 depois da derrota por 1-0 em Atenas.

Mesmo assim, perdurou um outro trauma. Camisolas amarelas na Luz. O Aris jogou de amarelo, o Liverpool fez miséria de amarelo e o Dukla também. 

São factos curiosos que ficam na memória porque naquela altura antes dos jogos não havia tanta informação para reter.

 

Este PAOK chegou à Luz moralizado e com uma aura surpreendente depois de afastar Basileia e Spartak. Proeza que levantou desconfianças.

O Benfica arrancou bem a época e estava preparado para o embate. 

Para começar houve uma alteração inesperada na equipa, saiu Salvio, entrou Zivkovic. André Almeida não tinha treinado na véspera mas foi a jogo.

Repetiu-se o enredo do outro jogo europeu na Luz deste mês, alguma desconfiança de parte a parte, o adversário a pressionar alto e a evitar que o Benfica entrasse muito forte. Aos poucos, o Benfica foi impondo o seu jogo e as dinâmicas de Pizzi e Gedson pelo meio, com Cervi e Zivkovic, sempre apoiados por Grimaldo e André, foram fazendo a diferença criando desequilíbrios que levaram o Benfica a construir uma mão cheia de boas oportunidades de golo. 

 

Esta foi a boa notícia do jogo, o Benfica continua a criar muitas ocasiões para marcar. A má notícia é que não consegue concretizar. Pizzi tentou de cabeça, de longe em arco, de primeira junto ao poste mas só conseguiu de penalti no fim do primeiro tempo. 

O Benfica jogou devia ter feito mais golos. E foi com esse sentimento que arrancou a segunda parte. Em poucos minutos apareceu Ferreyra várias vezes em situação de ser feliz mas não estava a ser uma noite boa. Também por culpa do guarda redes Paschalakis, diga-se.

Não marcando e perdendo frescura física o Benfica permitiu que o PAOK subisse com perigo. A entrada de Warda, lá está, foi determinante para dar mais velocidade e qualidade do flanco esquerdo para dentro e acabou por ser ele mesmo a fazer o golo do empate.

Golpe duro para a equipa do Benfica e para o seu treinador que já tinha apostado em Rafa e que se preparava para lançar João Felix. Assim juntou-lhe Seferovic. Se sobre os mais velhos já sabemos o que esperar e não deslumbraram, a entrada do jovem João foi mesmo uma mais valia. Talvez até a pedir para entrar ainda mais cedo na partida. A qualidade que tem na decisão, nos cruzamentos, no drible, no passe, não engana. Não há que hesitar.

Ainda houve oportunidade para o Benfica fazer o 2-1, que seria sempre pior que o 1-0, assim como este 1-1 é muito pior que um 0-0.

Mau resultado em casa, o Benfica entra em campo em Salonica já em desvantagem mas parece-me ser perfeitamente possível alcançar um resultado na Grécia que nos permita entrar na Liga dos Campeões.

E nem é preciso um milagre, basta mais acerto na hora da finalização. 

Fenerbahçe 1 - 1 Benfica: Gedson Apresenta-se à Europa

gelson9756414394368_o.jpg

Escrevi no final da primeira mão que tinha sido muito importante não sofrer golos na Luz. Por outro lado, essa teoria só valia se o Benfica fosse à Turquia procurar marcar. Aliás, Rui Vitória tinha prometido na véspera do jogo que a equipa ia à procura do seu golo. Prometeu e cumpriu.

O Benfica fez uma exibição personalizada na primeira parte, a equipa tirou partido da agressividade do titular Castillo e conseguiu pressionar bem o Fenerbachçe nunca dando sinais de intranquilidade por causa do ambiente sempre adverso.

Quando a equipa de Cocu teve que pegar no jogo e ir à procura dos seus golos nunca foi convincente mostrando que aquele domínio de jogo que mostrou na primeira parte da Luz é curto e pouco objectivo.

A equipa do Benfica foi crescendo com Gedson a dar alma ao lado direito onde André e Salvio sempre se entenderam melhor do que o lado esquerdo, que até foi a ala mais produtiva da época passada. Cervi, Pizzi e Grimaldo não deram tanta profundidade muito por culpa da desinspiração do argentino.

Uma combinação entre Castillo, Salvio e Gedson deu o tão esperado golo fora de casa que acabou por ser um seguro de vida muito tranquilizador.

Defensivamente foi uma pena aquela desconcentração no final da primeira parte que voltou a dar vida aos turcos. Ruben teve que sair da sua zona acção, Fejsa demorou a fazer a dobra, André também não dificultou o cruzamento no seu lado e Grimaldo ficou demasiado exposto na marcação individual que perdeu pela diferença de estatura.

Felizmente, o Benfica não acusou o golo e tentou nunca ficar só em postura defensiva na segunda parte. Podia ter tido mais critério de decisão sempre que construiu ataques em velocidades de maneira a resolver a eliminatória mais cedo.

Mas na verdade o Benfica conseguiu gerir emocionalmente o rumo da partida, perdeu Castillo ainda na primeira parte e Ferreyra foi lançado. Pena não ter assinado o seu golo depois de uma desmarcação óptima.

Uma palavra para Odisseas que voltou a responder bem quando foi chamado a intervir. O facto da defesa não hesitar em lhe passar a bola na hora de construir é um bom sinal de confiança da equipa para o guarda redes.

Um empate com sabor a vitória e o primeiro objectivo deste mês cumprido. O Benfica ultrapassou o adversário mais complicado do sorteio com toda a justiça e agora prepara o duelo e reencontro com o PAOK.

Entretanto, segue-se o Boavista.

 

Benfica 1 - 0 Fenerbahçe: Meio Caminho Andado

cervi.jpg

Bem vindos à época 2018/19 e à publicação de crónicas sobre os jogos do Benfica.

Nos últimos anos, durante o defeso, tem crescido em mim a dúvida se é mais forte ansiedade de voltar a ver jogos a doer do Benfica ou se é preferível estar mais tempo em descanso com tempo para ver outro futebol. Nos anos pares tudo é muito mais fácil de gerir, termina a época e seguem-se torneios de dimensões enormes, Mundiais e Europeus. 

Na verdade, são, quase, três meses seguidos sem jogos oficiais do Benfica. Durante as primeiras décadas de vida sentia uma ansiedade muito grande pelo primeiro jogo da época. Ultimamente, nem por isso. Explica-se com a velhice e com aquele chavão de que o tempo começa a passar mais depressa. Mas também são sinais dos tempos. É que, na realidade, depois do último jogo oficial do Benfica nunca há descanso de verdade. O peso mediático arrasta-se de forma incrível todos dias e noites. 

Enfim, serve esta introdução para explicar que o tempo passa, os contextos mudam, os desafios renovam-se e a grande verdade é que umas horas antes do primeiro jogo oficial abate-se um nervosismo, uma ansiedade e uma vontade inexplicável de ocupar o lugar na bancada e começar tudo de novo. É isto há uns 40 anos seguidos, mais coisa menos coisa. É absolutamente mágico aquele momento em que o jogo começa, respiramos fundo, damos uma olhadela pelas bancadas, fixamos o olhar na bola e depois espreitamos o céu como que a pedir uma ajuda divina para mais uma viagem, para mais uma maratona que só acaba em Maio. 

 

O primeiro jogo é sempre especial. Geralmente, quando a estreia não é no campeonato é bom sinal. Nos últimos cinco anos, arrancámos as temporadas a disputar a Supertaça. Óptimo sinal, dá para começar logo a lutar por um troféu e quebra-se o gelo para a Liga. Tenho para mim que esse facto tem ajudado a quebrar aquele enguiço que durou várias épocas e que fazia com que as estreias no campeonato fossem decepcionantes. Ou seja, uma estreia a frio da Liga não é a melhor maneira de começar. O ideal é termos a Supertaça, sinal que alguma coisa correu muito bem no final da época passada.

Este ano, o desafio é europeu. Já não acontecia há muito e até apareceu de maneira inesperada. Na última jornada do campeonato já não era expectável terminar no 2º lugar. Felizmente, aconteceu e agora abriu-se uma porta de entrada para a Champions League.

Temos, portanto, para estreia da época uma noite europeia contra um velho conhecido, o Fenerbahçe que tinha estado na Luz a disputar uma meia final da Liga Europa de boa memória.

É muito complicado gerir todas as emoções nestas estreias. É o equipamento novo que vai ser visto ao vivo pela primeira vez por muitos adeptos, é o relvado que tem meio mês de vida e que apresenta uma imagem espectacular, são os reforços que vão sentir a Luz pela primeira vez, são as saudades daqueles nervos únicos que já não sentimos há três meses. 

Ao mesmo tempo é preciso gerir o contexto da partida. Não é um jogo qualquer, é metade de uma eliminatória, está muita coisa em jogo, desde prestígio, a orgulho, a saúde financeira. 

Um estádio cheio para receber uma equipa que, pela primeira vez em cinco anos, entra em campo sem ser campeã nacional. Há expectativa entre os adeptos de saber como vai a equipa reagir, há expectativa entre os jogadores para saberem como vão estar os adeptos durante o jogo. 

 

Começo por destacar o imenso respeito que os turcos mostraram pelo Benfica. Estudaram bem todos os pormenores. Logo na saída de bola obrigaram o Benfica a atacar de norte para sul contrariando a tradição da Luz. É porque conheciam este hábito. 

Depois, a postura em campo nas duas partes mostrou um Fenerbahçe bastante receoso. Na primeira metade, a pior do Benfica, os turcos deram prioridade à posse de bola, tentando controlar o jogo mas nem por isso se mostraram muito atrevidos na busca de um golo. 

Na segunda parte, os turcos limitaram-se a defender, mesmo depois de estarem em desvantagem. Fica registado.

 

Era muito importante não sofrer golos. Esta é sempre a primeira prioridade para quem joga uma eliminatória da UEFA primeiro em casa. Depois, procurar vencer pelo maior número de golos possíveis. Graças à velha regra do golo fora, é muito melhor vencer por 1-0 do que por 2-1. É dos livros.

Nesse aspecto, a única boa notícia ao intervalo é que não havia golos.

 

O Benfica estreou Odysseas na baliza, ganhou a titularidade na pré época por mérito próprio. Ferreyra na frente e Gedson no meio campo. O jovem só teve que superar o nervosismo inicial porque tem Benfica da cabeça aos pés. O guardião teve uma estreia tranquila. O avançado não teve a estreia que desejava e que se desejava. 

O Benfica não conseguiu impor o seu jogo na primeira parte mas podia ter chegado ao golo no primeiro minuto se a falta de Isla sobre Cervi tivesse sido devidamente assinalada. 

A imagem mais simbólica da apagada primeira parte ficou naquele lance de Ferreyra, perto do intervalo, em que o avançado remata fraco. 

 

Na segunda parte foi um Benfica de menos a mais. A equipa cresceu muito com a subida dos sectores, com os jogadores a jogarem muito mais juntos a velocidade aumentou, as iniciativas nas alas cresceram e os problemas para os turcos começaram a aparecer. 

Gedson a transportar jogo sem complexos, Salvio e André na direita, Grimaldo e Cervi na esquerda, nas habituais criações conseguiram levar o jogo para um patamar muito mais interessante. Faltou mais Pizzi, no sentido do português aparecer mais perto da baliza e faltou muito mais Ferreyra. 

Com 0-0, Rui Vitória optou por trocar de avançados lançando Castillo, outra estreia. Na Luz pedia-se um alargamento da frente de ataque mas, sinceramente, pareceu-me a melhor opção. É que Ferreyra não me pareceu que fosse dar muito mais ao jogo e a equipa estava a crescer a olhos vistos apesar do nulo. O chileno trouxe mais energia, mais combate, mais garra ao ataque do Benfica e o Fenerbahçe encolheu-se mais um pouco. O guarda Redes Demirel recusava-se a repor a bola em jogo com o árbitro a permitir perdas de tempo inaceitáveis. 

O golo apareceu de forma natural e justa, ligação directa entre extremos, Salvio da direita para dentro assiste Cervi que veio da esquerda para receber e improvisar um remate cruzado que deu o 1-0. 

Foi um bom período do Benfica, houve ali um momento em que vários jogadores do Benfica mostraram uma subida de confiança grande com trocas de bola de nível técnico superior e isso deixou a equipa turca desconfiada e sem vontade de procurar um valioso golo. 

 

Foi a 14ª vez que o Benfica venceu uma primeira mão por 1-0. Só contra Anderlecht e Dortmund correu mal na segunda mão. O Fenerbahçe sempre que perdeu por este resultado nunca conseguiu seguir em frente em sua casa. Há que preparar a ida à Turquia com o pensamento de marcar lá. Há argumentos para isso.

Não foi uma estreia fantástica mas foi uma primeira missão cumprida. Foi a primeira vitória desde Dortmund e fica o sentimento de arranque positivo. 

Agora que a bola já rolou não há volta a dar. Voltámos ao ritmo alucinante dos jogos a doer. Ainda estamos a fazer rescaldo e projecções para a segunda mão e já aí está o Vitória Sport Club à espera de entrar em cena no novo tapete da Luz.

Afinal, já tinha saudades. 

Benfica 0 - 2 Basileia: Triste Fim

_JPT1003.jpg

É muito difícil explicar o que aconteceu aqui nesta fase de grupos da Liga dos Campeões. Já passaram os seis jogos e não entendo como é tudo se desenvolveu tão ao lado. É uma questão de perspectiva, basta lembrar que no começo deste ano estivemos a discutir ma eliminatória nesta prova com o Borussia Dortmund vencendo o jogo da Luz. No ano passado fomos afastados da Europa pelo Bayern do Guardiola com um golo de diferença e já nos 1/4 de final. O que é que se passou nesta época?

Dando de barato que o primeiro jogo em casa com o CSKA foi muito ingrato, começámos a prova a marcar e na frente do marcador, a onda negativa que se seguiu é inexplicável.

Para este último jogo eu esperava que a equipa quisesse deixar uma boa imagem e dar continuidade aos últimos resultados positivos conquistados nas provas internas. Para isso era preciso jogar com os melhores e dar tudo por uma vitória e retribuir a coragem que vinte mil adeptos ainda tiveram em ir ao Estádio.

Ciclicamente acontecem jogos destes na minha vida. Jogos de cenários apocalípticos. Daqueles em que as pernas nos levam para as bancadas em piloto automático porque a razão pergunta-nos o que vamos ali fazer. As noites mais marcantes, neste aspecto, foram com o Celta e com o Metalist. Junto agora esta. Sendo que a de ontem é ainda mais negra porque nem um milagrezinho havia no horizonte para alimentar a ficção.

A equipa técnica optou por rodar a equipa toda, mantendo o Jardel e o Pizzi, em busca de motivar os menos utilizados. Teoricamente, seria uma aposta condenada ao insucesso logo à partida porque o Basileia vinha com objectivos bem definidos e na máxima força porque isto é a Champions League e não a Taça CTT. Assim, o resultado acabou por ser lógico, vitória, mais uma, para o Basileia que festejou em Lisboa uma passagem aos 1/8 de final que, por certo, não contavam em Agosto, por alturas do sorteio.

Nem os jogadores menos utilizados aproveitaram a oportunidade, nem o Benfica melhorou a sua imagem na Europa. Foi apenas mais uma noite negra num clube que nos habituou nos últimos anos a andar mais perto do Top 10 da Europa do que campanhas de seis jogos, zero pontos.

Volto ao começo, não consigo explicar o que se passou. Tantas épocas europeias boas, nos últimos anos, e de repente um apagão deste tamanho. Parece coisa retirada do guião de Stranger Things.

Dói porque me habituei a esperar pelo sorteio de Dezembro para aumentar a minha lista de viagens ao estrangeiro e esta época não vai acontecer nada. Em Dortmund pensei onde seria o próximo destino e sonhei com algo grande. Fica tudo adiado.

Mas agora a responsabilidade interna aumenta. Se desprezamos assim um jogo europeu temos que nos atirar com tudo para o próximo jogo com o Estoril e logo a seguir dar tudo em Vila do Conde pela ida ao Jamor.

E que para a próxima temporada se volte à normalidade na Europa. Tenho saudades de viajar para Inglaterra com o Benfica. Vejam lá isso.

 

CSKA Moscovo 2 - 0 Benfica: A Confirmação de um Desastre Europeu

jonas.jpg

 Se me dissessem em Dortmund que os próximos cinco jogos europeus iam acabar com cinco derrotas, recusava-me a acreditar.

A verdade é que a temporada europeia está a ser o maior pesadelo que me lembro. Pior só quando ficámos de fora da Europa. As primeiras quatro derrotas só não foram mais dramáticas porque, por uma questão matemática, o Benfica mantinha uma pequena esperança de seguir em frente na Europa. Para isso acontecer era preciso acertar as agulhas todas hoje em Moscovo.

Primeiro, pedia-se que a equipa tivesse uma reacção na Europa e recuperasse o próprio orgulho.

Segundo, pedia-se que a equipa arrancasse uma exibição convincente e que lutasse pela primeira vitória na prova.

Terceiro, era importante encarar a partida como se fosse uma eliminatória, ou seja, remontar o 1-2 da Luz em Moscovo para ficar em vantagem perante os russos.

Nada disto aconteceu. A única surpresa da noite em relação às outras quatro, foram as meias brancas no equipamento do Benfica.

Deu ideia que a equipa nunca acreditou verdadeiramente na possibilidade de seguir em frente e não arranjou motivação suficiente para limpar uma imagem negra. Para piorar o cenário, o CSKA chega à vantagem num golo em fora de jogo. O 2-0 é um auto golo do Jardel. Não havia mais nada para correr mal. Ponto final na carreira europeia. O mal já estava feito antes.

Que sirva para um foco a dobrar em todas as competições internas.

Manchester United 2 - 0 Benfica: Dignidade

benfica.jpg

 A melhor exibição europeia da época não teve reflexo no resultado final do jogo. Não restava outra saída ao Benfica, tinha que chegar ao lendário Old Trafford e jogar um futebol de qualidade superior para lutar por um resultado positivo contra um Manchester United muito motivado.

Tal como já tinha acontecido na última passagem pelo Teatro dos Sonhos, em 2011, a força do Benfica começou por se evidenciar de fora para dentro. Novo festival dos adeptos do Benfica a mostrarem ao mundo o amor pelo seu clube e a transformar o estádio do United num mini Estádio da Luz. Estive lá em 2011 e já sabia que ia ser assim. As noites europeias do Manchester United são reservadas para adeptos "ricos" que preferem o conforto do seu lugar em detrimento do apoio vocal.

Nos primeiros 20 minutos de cada parte, adeptos e equipa estiveram em sintonia total. Boa atitude, boa exibição e uma reacção convincente. Mas esta é uma campanha europeia que está destinada ao fracasso. Tudo o que pode correr mal acaba mesmo por correr mal. Hoje até no aquecimento o titular Felipe Augusto fica fora de combate por lesão!

Rui Vitória optou Samaris no lugar do brasileiro. Voltou a deixar Jonas no banco para formar uma espécie de 4-3-3, com Raul Jimenez como referencia na área contrária, Salvio pela direita e Diogo Gonçalves pela esquerda. Pizzi, Samaris e Fejsa no meio campo, enquanto que atrás a dupla de centrais foi Ruben Dias e Jardel, Grimaldo na esquerda e Douglas na direita. Svilar voltou a ser titular.

Podemos começar pelo jovem guarda redes. Hoje, deu mais um importante passo para a sua afirmação no mundo do futebol. Defender um penalti em Old Trafford é um belo cartão de visita e compensava aquele erro da Luz. Só que o factor sorte não quer nada com o miúdo. Um remate de Matic leva a bola a bater no poste e bate nas costas do "1" acabando dentro da baliza. O Manchester fez dois golos ao Benfica sem ter marcado nenhum. E o 2-0 veio de outro penalti. Em jogo jogado, Svilar esteve sempre à altura dos acontecimentos. Não me parece exagerado afirmar que ganhámos um guarda redes.

Por falar em ganhar, Diogo Gonçalves pela rebeldia, pelo atrevimento, pela qualidade e pela irreverencia mostrou o seu nome à Europa do futebol. Ruben Dias fez uma exibição tranquila e parece que já ali joga há anos. São boas noticias para o Benfica.

O problema é que não chegou. A luta constante de Raul Jimenez merecia melhor sorte que acertar no poste, a atitude da equipa, mesmo depois de estar em desvantagem esbateu num De Gea em grande forma.

A qualidade do Manchester United é imensa, obviamente, e Mourinho percebeu que era pelo seu lado esquerdo que podia chegar ao ouro. A falta de rotina de Douglas como defesa direito é evidente, parar jogadores como Martial ou Rashford é utópico.

A exibição do Benfica foi positiva mas o resultado acaba por ser natural quando se percebe que nasce de mais valias individuais.

Era uma bela noite para se fazer história em Inglaterra mas nos momentos decisivos do jogo o factor azar atrapalhou o sonho.  Este é um ano não em termos europeus. Teoricamente ainda é possível continuar nas provas da UEFA mas na prática não parece que seja viável. Resta lutar nos últimos dois jogos.

Já fomos duas vezes campeões da Europa, a alma de campeões europeus mantém-se intacta na presença dessa massa adepta benfiquista maravilhosa que segue a equipa por todo o lado e cantando alto e em bom som o quanto ama o Benfica. Nas bancadas mantemo-nos, ano após anos, campeões de tudo.

É aproveitar as coisas positivas deste jogo para ir ganhar a Guimarães.

Benfica 0 - 1 Manchester United: Mourinho Show

_JT_4911.jpg

 Foi a noite dos regressos de Lindelof, Matic e Mourinho à Luz. Os dois primeiros despediram-se com humildade e classe no final do encontro com palmas, José Mourinho passou com estrondo por Lisboa marcando fortemente as conferências de imprensa antes e depois do jogo.

O Manchester United venceu numa falha de principiante de Svilar. Talvez o resultado mais justo desta noite tivesse sido um 0-0. Deu toda a ideia que seria um final que o treinador português do United não desdenharia. A sua equipa reagiu muito bem a uma entrada forte e imprevisível do Benfica com muitas surpresas no onze. Desde logo, Rui Vitória optou por deixar Raul Jimenez mais isolado na frente reforçando o meio campo com Fejsa, Augusto e Pizzi. Diogo Gonçalves, outra aposta inesperada, e Salvio nas pontas.

O Benfica conseguiu mandar no jogo, Grimaldo e Douglas a subirem muito criando vários problemas a defensiva inglesa. Foi pena não ter resultado em nada este melhor período do Benfica. É que um pouco antes do intervalo e, principalmente, no arranque da 2ª parte, o Man United optou pela posse de bola com a equipa posicionada em campo de forma superior, preenchendo todos os espaços jogáveis de uma linha lateral à outra.

Posse de bola com muita paciência e o Benfica a cheirar a bola a apostar tudo em contra ataques, assim foi o jogo do Manchester até aquele golo de Rashford que Svilar confirmou. Pareceu-me ouvir uma gargalhada neste momento, Vítor Baía terá expressado a sua admiração por ter sido validado o golo, no seu tempo não era assim...

Acabou por ser um golo ainda mais inglório que aquele de 2005 mas desta vez não houve resposta à altura e o Benfica perdeu mesmo este clássico com a equipa inglesa que me parece muito mais equilibrada e dominadora esta época.

 

O que fica desta noite é o show que José Mourinho deu no pós jogo explicando muito do que está a acontecer no Benfica. Sou insuspeito para o citar, pois sou, assumidamente, muito mais pró Pep Guardiola do que Mourinho Team:

 

«Significa isto que o Benfica vai ganhar 10 campeonatos nacionais seguidos? Acho que não. O FC Porto ou o Sporting não vão deixar. Farão investimentos a outro nível. Mas o Benfica está a seguir uma linha que tem dado títulos e coisas como esta partida. Perde o jogo, mas perde-o com os adeptos atrás da equipa. Os jogadores saem com níveis de confiança mais altos e o Rui reforçado. Foi uma daquelas derrotas em que se ganha um futuro próximo. Sendo adversário mas português, sinto-me orgulhoso e mais orgulhoso ainda quando mostrei aos meus colegas do United o que são instalações desportivas de alto nível», disse em conferência de imprensa.