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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 1 - 0 AEK: Objectivos Mínimos Cumpridos

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Apesar de já não haver possibilidade de lutar pelo apuramento na Champions League, este último jogo trazia alguns objectivos concretos para cumprir.

Os imediatos, somar 2,7 milhões de euros com uma vitória, somar três pontos para a passagem para a Liga Europa ser menos complicada ficando entre os cabeças de série no próximo sorteio e a dignidade de somar sete pontos na prova.

Os objectos de contexto eram mais abstractos mas também importantes. Juntar mais uma vitória seguida neste mês de Dezembro, fazer mais um jogo sem sofrer golos, dar minutos a jogadores como João Félix, ajudar a recuperar a confiança competitiva depois de um ciclo horrível, deixar uma imagem vitoriosa na última jornada europeia do ano e conseguir uma boa exibição para animar os adeptos.

Esta última parte não foi de todo conseguida. Tudo o resto foi cumprido mas com um jogo nada entusiasmante. 

Portanto, a equipa voltou a encontrar o caminho das vitórias mas sente-se que tudo é conseguido em esforço. Hoje foi a inspiração de Grimaldo a bater um livre directo, um golo de bola parada, a dar uma vitória importante que faz cumprir todos os parâmetros que apresentei atrás. Antes, Seferovic não foi feliz com demasiada pontaria nos postes e voltou a repetir a façanha após o golo.

Objectivos imediatos cumpridos, o Benfica passa agora para a Liga Europa como cabeça de série mas o nível exibicional continua longe do desejado. 

Segue-se mais uma prova de fogo na Madeira.

Bayern 5 - 1 Benfica: Mau!

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Vamos lá esclarecer umas ideias. O Benfica perder nunca pode ser uma normalidade. O Benfica ser goleado é impensável. O Benfica sofrer cinco golos é vergonhoso. Uma vergonha a que já assisti vezes de mais na minha vida de benfiquista. E penso sempre que é a última vez cada vez que volta a acontecer. E quando acontece o que eu espero é que os jogadores reajam com dignidade. Sejam os jogadores que levaram 5 na Luz nos anos 90, sejam os jogadores que levaram 5 com a anterior equipa técnica, sejam os jogadores do plantel da época passada em Basileia, sejam os jogadores desta época em Munique. Para mim, não chega o discurso do levantar a cabeça. Isto é válido também para o treinador e para os dirigentes do clube. Uma noite trágica destas nunca pode ser só mais uma ou uma inevitabilidade. Não pode acontecer. 

Todos têm que saber estar à altura do peso, da história e da glória que o emblema do Benfica representa. Todos. 

Se há mais de dois mil associados e adeptos do clube que puderam, quiseram e estiveram no Allianz Arena a puxar pela equipa, a carregarem uma mística conhecida em todo o mundo, é preciso, antes de mais nada, respeitá-los. Para eles o meu obrigado e votos de bom regresso.

Eles, tal como todos os que acompanhámos à distancia, sabem a importância destas noites. É nestas alturas que o Benfica pode acrescentar mais honra ao seu historial. Esperamos sempre o melhor.

Sabemos que do outro lado não está uma equipa qualquer mas depois de ver e rever o que fizeram ali recentemente equipas como o Dusseldorf, Friburgo ou Monchengladbach, esperava-se uma oportunidade para o Benfica. Infelizmente, o Benfica só existiu naquele relvado durante uns dois minutos. O tempo que durou a jogada do golo do Gedson. De resto, não se viu nada. 

A ideia era ir a Munique tentar tirar proveito do mau momento e da instabilidade à volta do Bayern, arrancar uma boa exibição para moralizar e entusiasmar a equipa do Benfica que tem passado o último mês competitivo de forma agoniante. 

Era uma boa oportunidade. Foi uma decepção total. Sofrer 5 golos é sempre motivo de vergonha, assuma-se isso. 

Todos têm que perceber isso. Seja em Munique, seja na Grécia. Seja nos anos 90, seja em 2018. O Benfica não se fez de noites destas. As reacções deviam ser de acordo com isto. 

 

Benfica 1 - 1 Ajax: Onana Não Deixou

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 Na Holanda o jogo ia acabar empatado a zero mas no último minuto um remate de Mazraoui acabou com a bola dentro da baliza e o Ajax venceu o jogo. Na Luz, no último segundo da partida, a bola vai para o pé de Gabriel que muito perto da baliza atira para aquele que seria o 2-1. Onana esticou o pé e segurou o empate. Detalhes nos instantes finais de dois jogos que, praticamente, deixam o Benfica fora da Champions League. 

Obviamente, o jogo da Luz não se resume ao último segundo. 

O Benfica fez uma primeira parte que lhe permitiu chegar ao intervalo a vencer por 1-0 muito por mérito de Jonas. Em relação ao ciclo de péssimos jogos que a equipa vinha a fazer, Rui Vitória deixou de fora Pizzi e apostou num meio campo com Gabriel e Gedson à frente de Fejsa, chamou os argentinos Salvo e Cervi para as alas e deu a titularidade a Jonas. 

A equipa pareceu determinada em dar uma imagem diferente daquela que tem mostrado incompreensivelmente na Liga portuguesa e acabou mesmo por fazer o golo por Jonas. O Ajax já não sofria um golo desde o jogo de Munique, foram 654 minutos e zero golos sofridos. 

Mas se comecei pelos últimos instantes dos dois jogos entre Ajax e Benfica, é justo recuperar a forma como o Ajax falhou o empate em cima do intervalo. Podia ter acontecido ali o 1-1.

O avisou ficou no ar mas as lesões de Jonas e Salvio não ajudaram a equipa a manter o ritmo de procura por um segundo golo. Antes pelo contrário. O Ajax assumiu que queria pontuar e cresceu muito no jogo. Conseguiram o empate por Tadic e, mais do que isso, deixaram toda a impressão que querendo ter a iniciativa do jogo, dificilmente não teriam hipóteses de marcar. 

A reacção do Benfica na recta final podia ter valido o golo da vitória, como já vimos, mas Onana acabou por ser tão decisivo como Tadic.

Ponto muito positivo para o ambiente na Luz durante o jogo, os adeptos sempre estiveram com a equipa. Apoio não faltou até ao fim, as bancadas queriam uma vitória e fizeram questão de fazer frente ao impressionante número de adeptos holandeses que vieram a Lisboa apoiar o Ajax. 

Depois de ter terminado o jogo, é que viu e ouviu contestação ao treinador e desagrado por mais um jogo sem vencer. 

Não me parece que seja possível continuar na Champions League após esta fase de grupos. Faltam dois jogos, um Munique, outro em casa com o AEK que deve servir para confirmar a continuidade na Europa por via da Liga Europa.

Fica um sentimento de desilusão, era neste embate duplo com o Ajax que se jogava a continuidade na Champions, houve infelicidade em momentos chave dos dois jogos mas, sinceramente, parece-me que a equipa holandesa, nesta fase, é melhor e merece seguir o seu sonho europeu neste regresso à Liga dos Campeões.

 

Ajax 1 - 0 Benfica: Desilusão Arena!

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O novo estádio do Ajax já se chamou ArenA de Amesterdão. O Benfica jogou lá no torneio da cidade em 2009 e venceu a equipa da casa. Uns anos mais tarde, o Ajax não conseguiu atingir a final da Liga Europa que se disputava no seu estádio. O Benfica perdeu essa final de forma inglória com um golo para lá dos 90 minutos. 

O estádio mudou de nome, agora é um justo tributo ao maior génio do futebol holandês, Johan Cruijff ArenA. Actualmente, é o estádio de uma das equipas da moda do futebol europeu. A qualidade de jogo do Ajax de Ten Hag tem encantado quem gosta de futebol. Uma mistura explosiva de referências que o técnico holandês traz dos tempos de Cruijff mais o trabalho que desenvolveu nas camadas jovens do Bayern dos tempos de Pep Guardiola e um conceito de jogo muito próximo do futebol atacante, bonito e da posse de bola. São estas características do treinador do Ajax. A isto junte-se uma mudança de mentalidade do clube ao optar por manter as várias pérolas jovens do plantel, em vez de vendas milionárias. Falamos de Ziyech, De Ligt, Dolberg ou De Jong, por exemplo. O director desportivo, Marc Overmars, manteve este núcleo de jovens jogadores e juntou-lhes reforços experientes como Tadic, Blind ou Labyad. 

O regresso do gigante holandês à Liga dos Campeões aconteceu esta época com uma normal vitória em casa com o AEK e na 2ª jornada surgiu o empate em Munique que alertou o meio mundo que ainda não tinha reparado na qualidade desta equipa.

Por tudo isto, o Benfica tinha uma tarefa muito aliciante pela frente. Este embate duplo com o Ajax é uma boa montra para o Benfica mostrar os seus jovens e o seu futebol enquanto luta directamente com o adversário para seguir em frente na prova. 

A equipa do Benfica, muito apoiada pelos incansáveis adeptos benfiquistas, esteve à altura do desafio e conseguiu repartir com o Ajax as iniciativas atacantes na primeira parte. Nada de novo aqui, com bola o Ajax é sempre muito perigoso e difícil de parar. Criou muitas dificuldades à defesa do Benfica que contou com mais uma noite extraordinária de Odysseas para manter a eficácia defensiva. 

Sempre que podia, o Benfica explorava a velocidade de Rafa e Salvio e a verticalidade de Seferovic. Fica na memória a bela jogada que deixou Salvio na cara do golo mas o argentino preferiu assistir os colegas em vez de rematar para golo. 

O treinador do Ajax sublinhou no final o prazer que teve em ver um jogo tão aberto, tão disputado e com duas equipas a procurarem o golo. Foi mais verdade na primeira parte do que na segunda mas o Benfica procurou sempre equilibrar o jogo e não abdicar da posse de bola. 

O jogo não merecia um empate sem golos, tinha sido noite para um empate com vários golos ou uma vitória para qualquer lado com muitos golos divididos. Mas com o 0-0 a manter-se, terá passado pela cabeça dos jogadores do Benfica que se não desse para ganhar, tinha de dar para pontuar. Perder o jogo é que não podia acontecer. 

Perder o jogo depois do minuto 90 é doloroso. Perder o jogo com uma bola que Conti tenta cortar e não consegue, logo ele que evitou de forma espectacular o 1-0 na primeira parte, é duro. Uma bola que depois até ia para fora mas Grimaldo tenta desviar e acaba na baliza. Perder o jogo nos descontos, neste estádio onde tanto sofremos naquela final da Liga Europa, parece maldição. Para nós esta é a Desilusão Arena. 

Foi um duro golpe nas aspirações do Benfica em continuar na Liga dos Campeões, no entanto, guardo os bons momentos que o Benfica teve nesta noite europeia, que sirvam de motivação para a segunda volta desta fase de grupos com dois jogos na Luz. 

AEK 2 - 3 Benfica: Um Profundo Alívio

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 Vistos e revistos os jogos mais recentes do AEK até esta 3ª feira a conclusão era simples: o Benfica em Atenas só tinha duas hipóteses, ganhar ou vencer. 

Era o que se pedia à equipa de Rui Vitória, entrar no segundo jogo da Champions League de maneira autoritária, assumir de forma convicta o favoritismo e assumir que há muito mais qualidade individual e colectiva na Luz do que algum dia existirá no AEK.

O contexto deste jogo não era o melhor. Pontos perdidos de forma dolorosa no final do jogo de Chaves, baixa de Jardel para os próximos jogos, baixa de Conti para o Clássico que está no horizonte e também influencia pensamentos. A juntar a este quadro uma sequência terrível de derrotas nesta fase da Liga dos Campeões que era urgente travar.

A tudo isto o Benfica respondeu com uma entrada convincente e que nos descansou a todos. Era aquilo que se pedia. Um Benfica forte à procura de chegar ao golo e sem hesitações. 

As apostas do treinador para este jogo foram para Rafa, prémio pelo bom arranque de época, e Conti no lugar de Jardel. Salvio e Gedson regressaram naturalmente aos seus lugares, com Gabriel lesionado e Cervi ficando no banco. 

Foi pelo lado esquerdo que o Benfica deu o mote. Grimaldo sempre muito activo a lançar o ataque descobriu do seu lado várias opções para criar perigo. Foi com toda a naturalidade que o Benfica chegou rapidamente ao 0-2. Seferovic voltou a marcar na Champions e o baixinho Grimaldo fez um simbólico golo de cabeça. 

Estava feito o mais complicado. O Benfica afastava a pressão, deixava os gregos perdidos e mostrava mais eficiência que o Ajax mostrou em Amesterdão quando recebeu o AEK e só começou a marcar na segunda parte. 

Com metade da primeira parte jogada cabia ao Benfica decidir o que queria do jogo. A minha decisão, sentado confortavelmente a ver o jogo à distância na televisão ( a sofrer com a qualidade dos comentários da TVi ) seria de continuar a carregar. Não de forma intensa mas sim de maneira objectiva, tendo bola e procurando sempre aumentar a vantagem. Era a melhor resposta para terminar o ciclo europeu negativo e dava jeito na classificação final ter um saldo bom de golos.

Não sendo possível manter o ritmo, pedia-se então um controlo absoluto do jogo evitando surpresas ou contrariedades. Fico com a ideia que este Benfica ainda precisa de trabalhar muito este aspecto, gerir vantagens, expectativas e controlar bem a posse de bola. O AEK reagiu e até ao intervalo ficava a ideia que o Benfica não se importava de atrair os gregos para o seu meio campo confiando nas saídas rápidas com Salvio e Rafa à cabeça. 

Seria algo para afinar na segunda parte, talvez refrescando as alas, afinal havia Zivkovic e Cervi no banco. Portanto, tudo parecia sobre controlo.

Até que acontece a expulsão de Rúben Dias. Tão desnecessária quanto indiscutível. O jovem central do Benfica não podia nem devia ter perdido o controlo do lance daquela maneira. Primeiro porque já leva mais de um ano a titular no Benfica e, agora na Selecção, depois porque era ele o líder natural da defesa após a lesão de Jardel e, finalmente, porque era tudo o que a equipa não precisava para o segundo tempo.

Entrou Lema, saiu Salvio. Pizzi foi para a direita. Pedia-se concentração, cabeça e foco para reorganizar a equipa. Mas o Benfica que foi para a segunda parte estava no pólo oposto daquele que começou o jogo.

Obviamente que o AEK ia reagir e dar tudo para regressar ao jogo mas não era de esperar uma transformação tão grande que deixou a equipa do Benfica completamente perdida em campo durante largos minutos. Não há explicação para o desnorte defensivo, principalmente a nível posicional, com a equipa a não conseguir ter bola e sempre a correr atrás do adversário. 

O AEK fez o primeiro. O AEK fez o segundo. E quando já se adivinhava o terceiro, apareceu Odysseas Vlachodimos a justificar a sua titularidade. Uma defesa espantosa a negar o hat trick a Klonaridis que já ia festejar a reviravolta no marcador. 

Esse momento teve o condão de fazer regressar a equipa ao jogo. Até aí nada tinha resultado. Nem Pizzi na direita, nem a entrada de Alfa Semedo.

Foi , portanto, o guarda redes a chamar de volta a equipa, Alfa Semedo disse presente e assumiu a bola no meio campo. Correu com a baliza na mente e resolveu rematar cruzado para um golo tão valioso quanto inesperado. Um rasgo individual inspirado naquela defesa fabulosa. A equipa agradeceu e uniu-se, agora sim, de maneira objectiva e determinada. O AEK sentiu o golo e até final a vitória do Benfica não sofreu mais ameaças. 

O objectivo principal foi conseguido, três pontos muito importantes por todas as razões já apontadas. Fim de ciclo negativo na Europa, resposta ao empate de Chaves, ânimo para o clássico, encaixe financeiro e a felicidade de ver um miúdo que já tinha dado um sinal parecido com este na pré época contra o Borussia de Dortmund. 

A diferença entre o Benfica do começo da partida e o da segunda parte é que no final podíamos estar muito mais satisfeitos e até motivados para os próximos duelos e assim sentimo-nos apenas aliviados. Muito aliviados. De respirar fundo e sorrir a olhar para os primeiros três pontos na tabela da Champions. 

Descansar, preparar o clássico e cerrar fileiras para vencer.

Benfica 0 - 2 Bayern: Toda Uma Aborrecida Realidade

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Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. 

Pessoas que continuam a insistir com casamentos e baptizados no mês de Setembro que estragam a minha folha de presenças seguidas na Luz para ver jogos oficiais do Benfica. Sim, voltou a acontecer. Em 2011 faltei a um Benfica - Vitória SC, em 2013 não apareci num Benfica - Paços de Ferreira e no passado sábado estive ausente no Benfica - Rio Ave. Casamentos e baptizados envolvendo pessoas que muito estimo, familiares e amigos. Ocasiões únicas que obrigam a abrir uma dolorosa excepção no ritual pessoal de ver todos os jogos oficiais do Benfica em casa desde a década de 80. Portanto, Não me lembro do último jogo que perdi em casa para a Taça de Portugal, se aconteceu foi há muitos anos mesmo, não perco um jogo para o campeonato na Luz desde esse baptizado de 2013 e na Taça da Liga a contagem voltou a zeros no sábado. Por isso, não houve crónica. Fica aqui a explicação.

 

Pus-me a pensar há quanto tempo não perco um jogo europeu do Benfica na Luz. Não me lembro de falhar uma noite europeia na Luz. Felizmente, não há muitas celebrações de casamentos ou baptizados a meio da semana. 

Posto isto, percebe-se a motivação e a alegria com que voltei à Luz para o terceiro jogo europeu na Luz da época. O primeiro na fase de grupos da Liga dos Campeões. Este estado de espírito tem tudo a ver com expectativas. Dos três jogos que já fizemos nesta prova, este foi o que encarei de maneira mais tranquila e despreocupada. Eu queria era chegar a esta noite. Andámos a sofrer com PAOK e Fenerbahçe para podermos receber equipas como o Bayern. 

 

Voltando a pegar na frase que abre o texto. Estamos em 2018 e na semana em que estreia a mais espectacular prova de clubes do mundo, Portugal teve a menor audiência televisiva à volta da competição. De repente, o país percebeu que não ia ver o Liverpool, Inter, PSG, Tottenham, Barcelona, Real nem o Benfica. À boa maneira portuguesa, estalou a "guerra" nas redes sociais. Quem se indigna por não ter acesso à Nowo e, por isso, não poder ver o jogo na sua televisão da maneira mais tradicional é acusado de adorar a Sport TV. Quem defende que é preciso estar a par das técnicas de airplay, instalação de Apps, uso de cabos de rede, e afins, é acusado de estar feito com a Eleven Sports que, por sua vez, é acusada de se estar nas tintas para os clientes, especialmente as gerações mais velhas, e encher os seus quadros com profissionais do Porto Canal. 

Tudo isto está exposto publicamente nas redes sociais. A grande conclusão de tudo isto, sem eu querer apontar culpas a ninguém, nem fazer juízos de valor, é que em 2018 é bastante complicado ter acesso às transmissões dos jogos da melhor competição de futebol de clubes do mundo e se quisermos ver resumos somos contemplados com um trabalho que, aqui aponto mesmo o dedo ao péssimo serviço, a TVi nos serve com um programa de rescaldo da Champions League absolutamente ofensivo para quem gosta de futebol. Ao que se junta uns resumos da Eleven Sports sem a qualidade mínima para serem apresentados ao público. 

Como é que é possível andar tão para trás?

 

Para preparar o jogo com o Bayern fui ver com atenção os três últimos jogos deles na Bundesliga. Ora, como o campeonato alemão também passou para a Eleven Sports não consegui ver nenhum deles em directo e para os recuperar tive que procurar meios alternativos. Ao contrário do que possam pensar, eu pago para poder aceder a jogos completos, mesmo que gravados, resumos ou só golos. Invisto mensalmente no acesso ao site instatscout.com e não tenho problema em assumir que mais depressa vou continuar a ser cliente deles do que vou dar dinheiro por um serviço que me promete um Inter - Tottenham e não o transmite de inicio ou que me garante que dá o Benfica - Bayern na Youth League e depois apresenta motivos alheios para não dar. Lamento mas, para já, ficamos assim. 

 

A facilidade com que podemos estudar e preparar a visita do Bayern à Luz dá-nos o conforto de nos sentarmos na cadeira do estádio olhar para a equipa adversária e conhecer bem todos os jogadores do outro lado sem recorrer a cábulas e identificar a forma de jogar logo nos primeiros minutos. Só que esse conforto dá lugar a um sentimento de desespero assim que percebemos que o facto de sabermos tudo sobre eles não quer dizer que possamos evitar que sejam superiores. A forma como o Bayern sai da pressão perto da sua baliza para subir no terreno de maneira natural até servir Lewandowski, que num gesto genial se enquadra para marcar facilmente o golo, é desesperante. Já vimos aquilo antes, ainda o polaco está a puxar o pé atrás já sabemos que vai ser golo e no entanto não estamos a ver como evitar que aquilo tudo volte a acontecer. E voltou. 

 

Há que dizer que o Bayern até surpreendeu com o seu "11" na Luz. Fez seis trocas de jogadores em relação ao último jogo. Último jogo que foi a contar para o campeonato, enquanto que por cá tivemos uma bizarra jornada da Taça da Liga, coisa única entre as melhores Ligas da Europa. Problemas de calendário que eu nunca vou entender. 

Aqui, Niko Kovač, novo treinador do Bayern, que já tinha sido feliz na Luz no Croácia - Inglaterra do Euro 2004, acertou em cheio na gestão da equipa. Destaque para a estreia de Renato Sanches a titular. Ganhou uma nova vida, o puto, ganhou mais uma estrela, a equipa. E, sem ter culpa nenhuma, despoletou mais uma polémica interminável de medição de benfiquismo entre benfiquistas. 

Lá está, vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol quando no rescaldo de um jogo com o Bayern o tema é a reacção da Luz ao golo do Renato.

Da minha parte estou muito tranquilo com isto. Nem é preciso chegar ao Rui Costa. Basta relembrar o que escrevi aqui em 2012 quando a Luz recebe com uma ovação o Nuno Gomes vindo do banco do Braga e que ajudou os minhotos a chegarem ao 1-1 de imediato. Também fiz o mesmo reparo quando Iniesta foi a jogo na Luz. Aplaudir, reconhecer a qualidade, retribuir o carinho ou demonstrar apoio a um dos nossos, tudo bem. Mas sempre depois de terminado o jogo. Durante aqueles 90 minutos nada é mais importante que o Benfica. Nem jogadores, nem treinadores, nem casamentos, nem baptizados, mesmo que me tirem do meu lugar. Mas isto é apenas a minha opinião, a minha maneira de ser e a minha forma de pensar e a minha postura no Benfica. Não vou obrigar ninguém a ser como eu, nem é essa a minha ideia. Mas tenho direito a partilhar, explicar e divulgar o meu pensamento.

Voltando ao golo do Renato. Fiquei contente por ele de uma forma racional. Só que no momento estou em modo irracional. Quero um golo é na baliza do Bayern e até podia ser o Renato a marcar que até me dava mais jeito e aí, sim, aplaudia. Sendo que o puto fez o 0-2 para o Bayern não aplaudi. Observei a reacção do miúdo e do estádio. Sinceramente, não me chocou. Nem o facto dele não festejar, nem a espontaneidade dos aplausos. Eu não sou assim mas acho que o Renato merece muito este carinho por tudo o que nos deu, por tudo o que lhe fizeram de mal e pelo ano difícil que passou, onde foi dado como acabado. 

 

Ainda recorrendo ao arquivo do blogue, eu já expliquei uma vez como vivo estas noites contra estes gigantes da Europa. Na noite em que Messi trocou de camisola com o seu ídolo Aimar, do Benfica, eu escrevi algo que continua a ser válido hoje. A minha coerência futebolística ajusta-se nestas noites. O que pensava em 2012 ainda penso hoje. Acho que estas noites contra equipas como o Bayern são para desfrutar. Mais do que para julgar um treinador, uma equipa, um plantel, são para apreciar. Vamos sempre com a ilusão que aconteça uma noite monumental para a nossa equipa a coincidir com uma noite infeliz do adversário. É essa a magia do futebol. Mas sabemos que se tudo correr dentro da lógica o resultado vai ser negativo. Foi o que aconteceu hoje. Tal como em 2012. Felizmente, a história do Benfica está carregada de noites épicas e lendárias em que o nosso clube se agigantou dentro, e fora, do relvado. Já aconteceu muitas vezes desde os anos 50, por isso é que temos duas Taças dos Campeões no nosso Museu, por isso é que temos presenças em tantas finais europeias, por isso é que estes gigantes nos tratam com tanto respeito antes e depois dos jogos. Vai voltar a acontecer, claro. Esta não foi uma dessas noites. O Bayern é melhor. Se tudo correr bem há de mostrar a sua força nos outros cinco jogos e se o Benfica cumprir a sua parte, continuará na Europa depois de Dezembro. 

Este primeiro jogo foi para apreciar. O próximo tem que ser para vencer na Grécia.
Quando ganhámos ao Manchester United e Liverpool com jogadores como grande Beto em campo, não passámos a ser a melhor equipa de futebol da Europa, apesar da nação benfiquista ter ficado, e bem, em euforia descontrolada. Assim como quando perdemos com o Bayern e Barcelona na Luz por 0-2 não passamos a ser um lixo no contexto das provas da UEFA. Nós somos o Benfica e isso chega-nos. Ou devia chegar, já não sei. Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. É esta a nossa aborrecida realidade. 

 

 

PAOK 1 - 4 Benfica: Champions? Pá,Ok!

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 Depois do 1-1 da Luz fiz aquilo que gosto de fazer sempre nestas lutas europeias, colocar o resultado em perspectiva e recorrer a experiências anteriores para contextualizar o que podia vir a ser a segunda mão. Já o tinha feito depois do jogo com o Fenerbahçe, na altura sublinhei que o 1-0 na Luz numa primeira mão costumava dar apuramento. 

O 1-1 com o PAOK deixava um amargo de boca no final mas fez-me lembrar as últimas três situações que saí do nosso Estádio pessimista com a eliminatória. Ora, as últimas vezes que fomos para a luta fora de casa com 1-1 na bagagem fomos felizes. Em Londres com o Arsenal, em Leverkusen com o Bayer e em Marselha com o OM, o Benfica assinou algumas das suas páginas mais gloriosas na Europa. 

É a isto que me agarro sempre, à minha experiência, à história do clube, aos contextos das apaixonantes eliminatórias europeias. Acresce o pormenor que nestas últimas eliminatórias começámos sempre a perder no segundo jogo.

É fácil adivinhar que não fiquei particularmente assustado com o 1-0 de Salónica. Fiquei furioso porque achei que a defesa do Benfica foi demasiado passiva a reagir a uma bola parada que merecia outra postura. 

Mas o golo do PAOK teve o efeito que história já nos ensinou. O ambiente ficou mais eufórico, a confiança dos gregos subiu aos céus, eles que foram sempre tão arrogantes na abordagem ao jogo em sua casa, e o Benfica aproveitou para mostrar, mais uma vez, à Europa a beleza, o encanto e a glória do seu nome, das cores maravilhosas do seu equipamento e a força do seu emblema. Reacção à Benfica. 

Primeiro por Jardel de cabeça, num canto cobrado por Pizzi. Depois, com um penalti ganho por Cervi e que Salvio converteu. O 1-2 mostrou que o apuramento para a Champions League já não ia fugir. Em 26' o Benfica assumiu o seu estatuto e acabou com as dúvidas. Antes do intervalo o Benfica mostrou qualidade futebolística ao nível exigido pela Champions League.
Um tributo à asa esquerda do ataque do Benfica dos tempos de Chalana. Combinação genial entre Grimaldo e Cervi em progressão, o argentino vai à linha e cruza para trás onde estava Pizzi à espera da bola para fazer o 1-3. Tão bom, tão simples, tão épico. 

Vivemos para isto. Jogadas perfeitas, golos à altura e o nome do Benfica a brilhar na Europa do futebol.

Estava resolvida a eliminatória. Deu para Odysseas justificar o seu lugar na baliza e para os jogadores irem mostrando o seu valor individual.

 

Quando era de esperar forte reacção grega na segunda parte, é o Benfica que ganha novo penalti. Podia aqui dizer que trocava um dos que o árbitro marcou hoje por aqueles que não quis marcar em Turim mas não a vale a pena desenvolver.

Salvio aumentou para 1-4 e mostrou porque é que os clubes gregos e turcos não ganham a Champions todos os anos. Simplesmente porque os ambientes infernais não ganham jogos. Impressionam mas não querem dizer nada. Aliás, desde 1999 que o Benfica ali jogou três vezes com ambiente fanático e ganhou sempre. Fim de mito.

Já na Luz, o Benfica ficou a dever a si próprio um resultado assim parecido. Hoje, Rui Vitória fez regressar Salvio, sempre essencial por muito que os benfiquistas não entendam, e apostou em Seferovic prevendo um jogo mais directo e de luta física com os centrais do PAOK. Acertou em cheio, o resultado fala por si. 

Mais do que os milhões de euros, esta noite foi essencial para o Benfica voltar a colocar o seu nome no lugar que lhe pertence, entre os maiores da Europa. É na Champions League que temos de andar. Depois da desastrosa época europeia da época passado, este arranque europeu já serviu para o Benfica voltar a ser admirado. Quatro jogos, duas vitórias e dois empates, nenhuma derrota. Brilhante apuramento para a maior prova de clubes do mundo. 

Na altura do sorteio da 3ª pré eliminatória calhou a equipa mais forte, o Fenerbahçe. Depois, seguiu-se este PAOK que estava a surpreender a Europa com o afastamento do Basileia e Spartak. Portanto, não vale a pena desvalorizar este feito do Benfica. 

Foi um mês de Agosto muito exigente. O Jonas ia embora, o Ruben Dias ia embora, o derby a meio do playoff ia complicar as contas europeias, a deslocação ao Bessa, único estádio em que o Benfica perdeu na Liga passada, ia ser dura, o cansaço acumulado ia prejudicar a equipa. O Benfica acaba o mês no pelotão da frente na Liga e com o passaporte para a Champions carimbado. A janela de transferências ainda está aberta, entradas e saídas são possíveis até ao fim da semana. Há lesionados a recuperar e um jogo na Choupana já a seguir. 

O arranque de época do Benfica em Agosto foi bom e com objectivos cumpridos. Estão de parabéns todos os envolvidos no futebol do Benfica, agora é trabalhar para melhorar, aproveitar os reforços e crescer colectivamente. 

Os 200 adeptos do Benfica em Salónica mereceram todos os festejos da noite. 

Para quem desconfiou do 1-0 e 1-1 a nível europeu na Luz pode acreditar na força da nossa história. Isto está tudo ligado. De Highbury ao Toumba o elo de ligação é o Benfica. E o futebol do Benfica é maior que as nossas vidas. 

Nona presença seguida para o Benfica na Champions League, só Real, Barça e Bayern apresentam melhor registo. É o nosso lugar. 

Benfica 1 - 1 PAOK: A Maldição Egípcia!

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Depois de Sabry, Warda. Há uma ligação entre o PAOK e jogadores egípcios que nos afecta directamente.

Antes do jogo começar, a discussão andava à volta da formação grega. Vieirinha jogaria mesmo a defesa esquerdo? Jogou. E Warda ficaria no banco para jogar Léo Jabá? Ficou.

Isto porque em 2018 é banal sabermos tudo sobre o nosso adversário até aos mais pequenos pormenores. De repente, o sérvio Prijovic, o "10" Pelkas, o Varela que até nos marcou pelo Feirense ou Paschalakis passaram a ser nossos velhos conhecidos com as várias possibilidade que há de estudar o adversário. 

Nem sempre foi assim. 

Por exemplo, em 1983 quando ouvi na rádio o sorteio da Taça dos Campeões Europeus ditar um encontro com o Olympiakos senti pânico nos benfiquistas mais velhos. Isto porque ainda estavam traumatizados com uma inesperada eliminação quatro anos antes. Em 1979 o Benfica foi a Salonica e perdeu por 3-1. Na 2ª mão, na Luz, a equipa de Mário Wilson deu a volta à eliminatória com golos de Jorge Gomes e Reinaldo, que já tinha marcado na Grécia. Só que aos 80 minutos o Aris fez um golo de todo inesperado por Smertzidis. Foi um choque e os benfiquistas nem queriam ouvir falar em equipas gregas tão cedo. O trauma passou logo em 1983 quando na 2ª mão o Benfica de Eriksson atropelou o Olympiakos por 3-0 depois da derrota por 1-0 em Atenas.

Mesmo assim, perdurou um outro trauma. Camisolas amarelas na Luz. O Aris jogou de amarelo, o Liverpool fez miséria de amarelo e o Dukla também. 

São factos curiosos que ficam na memória porque naquela altura antes dos jogos não havia tanta informação para reter.

 

Este PAOK chegou à Luz moralizado e com uma aura surpreendente depois de afastar Basileia e Spartak. Proeza que levantou desconfianças.

O Benfica arrancou bem a época e estava preparado para o embate. 

Para começar houve uma alteração inesperada na equipa, saiu Salvio, entrou Zivkovic. André Almeida não tinha treinado na véspera mas foi a jogo.

Repetiu-se o enredo do outro jogo europeu na Luz deste mês, alguma desconfiança de parte a parte, o adversário a pressionar alto e a evitar que o Benfica entrasse muito forte. Aos poucos, o Benfica foi impondo o seu jogo e as dinâmicas de Pizzi e Gedson pelo meio, com Cervi e Zivkovic, sempre apoiados por Grimaldo e André, foram fazendo a diferença criando desequilíbrios que levaram o Benfica a construir uma mão cheia de boas oportunidades de golo. 

 

Esta foi a boa notícia do jogo, o Benfica continua a criar muitas ocasiões para marcar. A má notícia é que não consegue concretizar. Pizzi tentou de cabeça, de longe em arco, de primeira junto ao poste mas só conseguiu de penalti no fim do primeiro tempo. 

O Benfica jogou devia ter feito mais golos. E foi com esse sentimento que arrancou a segunda parte. Em poucos minutos apareceu Ferreyra várias vezes em situação de ser feliz mas não estava a ser uma noite boa. Também por culpa do guarda redes Paschalakis, diga-se.

Não marcando e perdendo frescura física o Benfica permitiu que o PAOK subisse com perigo. A entrada de Warda, lá está, foi determinante para dar mais velocidade e qualidade do flanco esquerdo para dentro e acabou por ser ele mesmo a fazer o golo do empate.

Golpe duro para a equipa do Benfica e para o seu treinador que já tinha apostado em Rafa e que se preparava para lançar João Felix. Assim juntou-lhe Seferovic. Se sobre os mais velhos já sabemos o que esperar e não deslumbraram, a entrada do jovem João foi mesmo uma mais valia. Talvez até a pedir para entrar ainda mais cedo na partida. A qualidade que tem na decisão, nos cruzamentos, no drible, no passe, não engana. Não há que hesitar.

Ainda houve oportunidade para o Benfica fazer o 2-1, que seria sempre pior que o 1-0, assim como este 1-1 é muito pior que um 0-0.

Mau resultado em casa, o Benfica entra em campo em Salonica já em desvantagem mas parece-me ser perfeitamente possível alcançar um resultado na Grécia que nos permita entrar na Liga dos Campeões.

E nem é preciso um milagre, basta mais acerto na hora da finalização. 

Fenerbahçe 1 - 1 Benfica: Gedson Apresenta-se à Europa

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Escrevi no final da primeira mão que tinha sido muito importante não sofrer golos na Luz. Por outro lado, essa teoria só valia se o Benfica fosse à Turquia procurar marcar. Aliás, Rui Vitória tinha prometido na véspera do jogo que a equipa ia à procura do seu golo. Prometeu e cumpriu.

O Benfica fez uma exibição personalizada na primeira parte, a equipa tirou partido da agressividade do titular Castillo e conseguiu pressionar bem o Fenerbachçe nunca dando sinais de intranquilidade por causa do ambiente sempre adverso.

Quando a equipa de Cocu teve que pegar no jogo e ir à procura dos seus golos nunca foi convincente mostrando que aquele domínio de jogo que mostrou na primeira parte da Luz é curto e pouco objectivo.

A equipa do Benfica foi crescendo com Gedson a dar alma ao lado direito onde André e Salvio sempre se entenderam melhor do que o lado esquerdo, que até foi a ala mais produtiva da época passada. Cervi, Pizzi e Grimaldo não deram tanta profundidade muito por culpa da desinspiração do argentino.

Uma combinação entre Castillo, Salvio e Gedson deu o tão esperado golo fora de casa que acabou por ser um seguro de vida muito tranquilizador.

Defensivamente foi uma pena aquela desconcentração no final da primeira parte que voltou a dar vida aos turcos. Ruben teve que sair da sua zona acção, Fejsa demorou a fazer a dobra, André também não dificultou o cruzamento no seu lado e Grimaldo ficou demasiado exposto na marcação individual que perdeu pela diferença de estatura.

Felizmente, o Benfica não acusou o golo e tentou nunca ficar só em postura defensiva na segunda parte. Podia ter tido mais critério de decisão sempre que construiu ataques em velocidades de maneira a resolver a eliminatória mais cedo.

Mas na verdade o Benfica conseguiu gerir emocionalmente o rumo da partida, perdeu Castillo ainda na primeira parte e Ferreyra foi lançado. Pena não ter assinado o seu golo depois de uma desmarcação óptima.

Uma palavra para Odisseas que voltou a responder bem quando foi chamado a intervir. O facto da defesa não hesitar em lhe passar a bola na hora de construir é um bom sinal de confiança da equipa para o guarda redes.

Um empate com sabor a vitória e o primeiro objectivo deste mês cumprido. O Benfica ultrapassou o adversário mais complicado do sorteio com toda a justiça e agora prepara o duelo e reencontro com o PAOK.

Entretanto, segue-se o Boavista.

 

Benfica 1 - 0 Fenerbahçe: Meio Caminho Andado

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Bem vindos à época 2018/19 e à publicação de crónicas sobre os jogos do Benfica.

Nos últimos anos, durante o defeso, tem crescido em mim a dúvida se é mais forte ansiedade de voltar a ver jogos a doer do Benfica ou se é preferível estar mais tempo em descanso com tempo para ver outro futebol. Nos anos pares tudo é muito mais fácil de gerir, termina a época e seguem-se torneios de dimensões enormes, Mundiais e Europeus. 

Na verdade, são, quase, três meses seguidos sem jogos oficiais do Benfica. Durante as primeiras décadas de vida sentia uma ansiedade muito grande pelo primeiro jogo da época. Ultimamente, nem por isso. Explica-se com a velhice e com aquele chavão de que o tempo começa a passar mais depressa. Mas também são sinais dos tempos. É que, na realidade, depois do último jogo oficial do Benfica nunca há descanso de verdade. O peso mediático arrasta-se de forma incrível todos dias e noites. 

Enfim, serve esta introdução para explicar que o tempo passa, os contextos mudam, os desafios renovam-se e a grande verdade é que umas horas antes do primeiro jogo oficial abate-se um nervosismo, uma ansiedade e uma vontade inexplicável de ocupar o lugar na bancada e começar tudo de novo. É isto há uns 40 anos seguidos, mais coisa menos coisa. É absolutamente mágico aquele momento em que o jogo começa, respiramos fundo, damos uma olhadela pelas bancadas, fixamos o olhar na bola e depois espreitamos o céu como que a pedir uma ajuda divina para mais uma viagem, para mais uma maratona que só acaba em Maio. 

 

O primeiro jogo é sempre especial. Geralmente, quando a estreia não é no campeonato é bom sinal. Nos últimos cinco anos, arrancámos as temporadas a disputar a Supertaça. Óptimo sinal, dá para começar logo a lutar por um troféu e quebra-se o gelo para a Liga. Tenho para mim que esse facto tem ajudado a quebrar aquele enguiço que durou várias épocas e que fazia com que as estreias no campeonato fossem decepcionantes. Ou seja, uma estreia a frio da Liga não é a melhor maneira de começar. O ideal é termos a Supertaça, sinal que alguma coisa correu muito bem no final da época passada.

Este ano, o desafio é europeu. Já não acontecia há muito e até apareceu de maneira inesperada. Na última jornada do campeonato já não era expectável terminar no 2º lugar. Felizmente, aconteceu e agora abriu-se uma porta de entrada para a Champions League.

Temos, portanto, para estreia da época uma noite europeia contra um velho conhecido, o Fenerbahçe que tinha estado na Luz a disputar uma meia final da Liga Europa de boa memória.

É muito complicado gerir todas as emoções nestas estreias. É o equipamento novo que vai ser visto ao vivo pela primeira vez por muitos adeptos, é o relvado que tem meio mês de vida e que apresenta uma imagem espectacular, são os reforços que vão sentir a Luz pela primeira vez, são as saudades daqueles nervos únicos que já não sentimos há três meses. 

Ao mesmo tempo é preciso gerir o contexto da partida. Não é um jogo qualquer, é metade de uma eliminatória, está muita coisa em jogo, desde prestígio, a orgulho, a saúde financeira. 

Um estádio cheio para receber uma equipa que, pela primeira vez em cinco anos, entra em campo sem ser campeã nacional. Há expectativa entre os adeptos de saber como vai a equipa reagir, há expectativa entre os jogadores para saberem como vão estar os adeptos durante o jogo. 

 

Começo por destacar o imenso respeito que os turcos mostraram pelo Benfica. Estudaram bem todos os pormenores. Logo na saída de bola obrigaram o Benfica a atacar de norte para sul contrariando a tradição da Luz. É porque conheciam este hábito. 

Depois, a postura em campo nas duas partes mostrou um Fenerbahçe bastante receoso. Na primeira metade, a pior do Benfica, os turcos deram prioridade à posse de bola, tentando controlar o jogo mas nem por isso se mostraram muito atrevidos na busca de um golo. 

Na segunda parte, os turcos limitaram-se a defender, mesmo depois de estarem em desvantagem. Fica registado.

 

Era muito importante não sofrer golos. Esta é sempre a primeira prioridade para quem joga uma eliminatória da UEFA primeiro em casa. Depois, procurar vencer pelo maior número de golos possíveis. Graças à velha regra do golo fora, é muito melhor vencer por 1-0 do que por 2-1. É dos livros.

Nesse aspecto, a única boa notícia ao intervalo é que não havia golos.

 

O Benfica estreou Odysseas na baliza, ganhou a titularidade na pré época por mérito próprio. Ferreyra na frente e Gedson no meio campo. O jovem só teve que superar o nervosismo inicial porque tem Benfica da cabeça aos pés. O guardião teve uma estreia tranquila. O avançado não teve a estreia que desejava e que se desejava. 

O Benfica não conseguiu impor o seu jogo na primeira parte mas podia ter chegado ao golo no primeiro minuto se a falta de Isla sobre Cervi tivesse sido devidamente assinalada. 

A imagem mais simbólica da apagada primeira parte ficou naquele lance de Ferreyra, perto do intervalo, em que o avançado remata fraco. 

 

Na segunda parte foi um Benfica de menos a mais. A equipa cresceu muito com a subida dos sectores, com os jogadores a jogarem muito mais juntos a velocidade aumentou, as iniciativas nas alas cresceram e os problemas para os turcos começaram a aparecer. 

Gedson a transportar jogo sem complexos, Salvio e André na direita, Grimaldo e Cervi na esquerda, nas habituais criações conseguiram levar o jogo para um patamar muito mais interessante. Faltou mais Pizzi, no sentido do português aparecer mais perto da baliza e faltou muito mais Ferreyra. 

Com 0-0, Rui Vitória optou por trocar de avançados lançando Castillo, outra estreia. Na Luz pedia-se um alargamento da frente de ataque mas, sinceramente, pareceu-me a melhor opção. É que Ferreyra não me pareceu que fosse dar muito mais ao jogo e a equipa estava a crescer a olhos vistos apesar do nulo. O chileno trouxe mais energia, mais combate, mais garra ao ataque do Benfica e o Fenerbahçe encolheu-se mais um pouco. O guarda Redes Demirel recusava-se a repor a bola em jogo com o árbitro a permitir perdas de tempo inaceitáveis. 

O golo apareceu de forma natural e justa, ligação directa entre extremos, Salvio da direita para dentro assiste Cervi que veio da esquerda para receber e improvisar um remate cruzado que deu o 1-0. 

Foi um bom período do Benfica, houve ali um momento em que vários jogadores do Benfica mostraram uma subida de confiança grande com trocas de bola de nível técnico superior e isso deixou a equipa turca desconfiada e sem vontade de procurar um valioso golo. 

 

Foi a 14ª vez que o Benfica venceu uma primeira mão por 1-0. Só contra Anderlecht e Dortmund correu mal na segunda mão. O Fenerbahçe sempre que perdeu por este resultado nunca conseguiu seguir em frente em sua casa. Há que preparar a ida à Turquia com o pensamento de marcar lá. Há argumentos para isso.

Não foi uma estreia fantástica mas foi uma primeira missão cumprida. Foi a primeira vitória desde Dortmund e fica o sentimento de arranque positivo. 

Agora que a bola já rolou não há volta a dar. Voltámos ao ritmo alucinante dos jogos a doer. Ainda estamos a fazer rescaldo e projecções para a segunda mão e já aí está o Vitória Sport Club à espera de entrar em cena no novo tapete da Luz.

Afinal, já tinha saudades.