Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Pass

Rumo ao 37

Red Pass

Rumo ao 37

Bayern 5 - 1 Benfica: Mau!

gedson.jpg

Vamos lá esclarecer umas ideias. O Benfica perder nunca pode ser uma normalidade. O Benfica ser goleado é impensável. O Benfica sofrer cinco golos é vergonhoso. Uma vergonha a que já assisti vezes de mais na minha vida de benfiquista. E penso sempre que é a última vez cada vez que volta a acontecer. E quando acontece o que eu espero é que os jogadores reajam com dignidade. Sejam os jogadores que levaram 5 na Luz nos anos 90, sejam os jogadores que levaram 5 com a anterior equipa técnica, sejam os jogadores do plantel da época passada em Basileia, sejam os jogadores desta época em Munique. Para mim, não chega o discurso do levantar a cabeça. Isto é válido também para o treinador e para os dirigentes do clube. Uma noite trágica destas nunca pode ser só mais uma ou uma inevitabilidade. Não pode acontecer. 

Todos têm que saber estar à altura do peso, da história e da glória que o emblema do Benfica representa. Todos. 

Se há mais de dois mil associados e adeptos do clube que puderam, quiseram e estiveram no Allianz Arena a puxar pela equipa, a carregarem uma mística conhecida em todo o mundo, é preciso, antes de mais nada, respeitá-los. Para eles o meu obrigado e votos de bom regresso.

Eles, tal como todos os que acompanhámos à distancia, sabem a importância destas noites. É nestas alturas que o Benfica pode acrescentar mais honra ao seu historial. Esperamos sempre o melhor.

Sabemos que do outro lado não está uma equipa qualquer mas depois de ver e rever o que fizeram ali recentemente equipas como o Dusseldorf, Friburgo ou Monchengladbach, esperava-se uma oportunidade para o Benfica. Infelizmente, o Benfica só existiu naquele relvado durante uns dois minutos. O tempo que durou a jogada do golo do Gedson. De resto, não se viu nada. 

A ideia era ir a Munique tentar tirar proveito do mau momento e da instabilidade à volta do Bayern, arrancar uma boa exibição para moralizar e entusiasmar a equipa do Benfica que tem passado o último mês competitivo de forma agoniante. 

Era uma boa oportunidade. Foi uma decepção total. Sofrer 5 golos é sempre motivo de vergonha, assuma-se isso. 

Todos têm que perceber isso. Seja em Munique, seja na Grécia. Seja nos anos 90, seja em 2018. O Benfica não se fez de noites destas. As reacções deviam ser de acordo com isto. 

 

Benfica 0 - 2 Bayern: Toda Uma Aborrecida Realidade

_JPT1745.jpg

Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. 

Pessoas que continuam a insistir com casamentos e baptizados no mês de Setembro que estragam a minha folha de presenças seguidas na Luz para ver jogos oficiais do Benfica. Sim, voltou a acontecer. Em 2011 faltei a um Benfica - Vitória SC, em 2013 não apareci num Benfica - Paços de Ferreira e no passado sábado estive ausente no Benfica - Rio Ave. Casamentos e baptizados envolvendo pessoas que muito estimo, familiares e amigos. Ocasiões únicas que obrigam a abrir uma dolorosa excepção no ritual pessoal de ver todos os jogos oficiais do Benfica em casa desde a década de 80. Portanto, Não me lembro do último jogo que perdi em casa para a Taça de Portugal, se aconteceu foi há muitos anos mesmo, não perco um jogo para o campeonato na Luz desde esse baptizado de 2013 e na Taça da Liga a contagem voltou a zeros no sábado. Por isso, não houve crónica. Fica aqui a explicação.

 

Pus-me a pensar há quanto tempo não perco um jogo europeu do Benfica na Luz. Não me lembro de falhar uma noite europeia na Luz. Felizmente, não há muitas celebrações de casamentos ou baptizados a meio da semana. 

Posto isto, percebe-se a motivação e a alegria com que voltei à Luz para o terceiro jogo europeu na Luz da época. O primeiro na fase de grupos da Liga dos Campeões. Este estado de espírito tem tudo a ver com expectativas. Dos três jogos que já fizemos nesta prova, este foi o que encarei de maneira mais tranquila e despreocupada. Eu queria era chegar a esta noite. Andámos a sofrer com PAOK e Fenerbahçe para podermos receber equipas como o Bayern. 

 

Voltando a pegar na frase que abre o texto. Estamos em 2018 e na semana em que estreia a mais espectacular prova de clubes do mundo, Portugal teve a menor audiência televisiva à volta da competição. De repente, o país percebeu que não ia ver o Liverpool, Inter, PSG, Tottenham, Barcelona, Real nem o Benfica. À boa maneira portuguesa, estalou a "guerra" nas redes sociais. Quem se indigna por não ter acesso à Nowo e, por isso, não poder ver o jogo na sua televisão da maneira mais tradicional é acusado de adorar a Sport TV. Quem defende que é preciso estar a par das técnicas de airplay, instalação de Apps, uso de cabos de rede, e afins, é acusado de estar feito com a Eleven Sports que, por sua vez, é acusada de se estar nas tintas para os clientes, especialmente as gerações mais velhas, e encher os seus quadros com profissionais do Porto Canal. 

Tudo isto está exposto publicamente nas redes sociais. A grande conclusão de tudo isto, sem eu querer apontar culpas a ninguém, nem fazer juízos de valor, é que em 2018 é bastante complicado ter acesso às transmissões dos jogos da melhor competição de futebol de clubes do mundo e se quisermos ver resumos somos contemplados com um trabalho que, aqui aponto mesmo o dedo ao péssimo serviço, a TVi nos serve com um programa de rescaldo da Champions League absolutamente ofensivo para quem gosta de futebol. Ao que se junta uns resumos da Eleven Sports sem a qualidade mínima para serem apresentados ao público. 

Como é que é possível andar tão para trás?

 

Para preparar o jogo com o Bayern fui ver com atenção os três últimos jogos deles na Bundesliga. Ora, como o campeonato alemão também passou para a Eleven Sports não consegui ver nenhum deles em directo e para os recuperar tive que procurar meios alternativos. Ao contrário do que possam pensar, eu pago para poder aceder a jogos completos, mesmo que gravados, resumos ou só golos. Invisto mensalmente no acesso ao site instatscout.com e não tenho problema em assumir que mais depressa vou continuar a ser cliente deles do que vou dar dinheiro por um serviço que me promete um Inter - Tottenham e não o transmite de inicio ou que me garante que dá o Benfica - Bayern na Youth League e depois apresenta motivos alheios para não dar. Lamento mas, para já, ficamos assim. 

 

A facilidade com que podemos estudar e preparar a visita do Bayern à Luz dá-nos o conforto de nos sentarmos na cadeira do estádio olhar para a equipa adversária e conhecer bem todos os jogadores do outro lado sem recorrer a cábulas e identificar a forma de jogar logo nos primeiros minutos. Só que esse conforto dá lugar a um sentimento de desespero assim que percebemos que o facto de sabermos tudo sobre eles não quer dizer que possamos evitar que sejam superiores. A forma como o Bayern sai da pressão perto da sua baliza para subir no terreno de maneira natural até servir Lewandowski, que num gesto genial se enquadra para marcar facilmente o golo, é desesperante. Já vimos aquilo antes, ainda o polaco está a puxar o pé atrás já sabemos que vai ser golo e no entanto não estamos a ver como evitar que aquilo tudo volte a acontecer. E voltou. 

 

Há que dizer que o Bayern até surpreendeu com o seu "11" na Luz. Fez seis trocas de jogadores em relação ao último jogo. Último jogo que foi a contar para o campeonato, enquanto que por cá tivemos uma bizarra jornada da Taça da Liga, coisa única entre as melhores Ligas da Europa. Problemas de calendário que eu nunca vou entender. 

Aqui, Niko Kovač, novo treinador do Bayern, que já tinha sido feliz na Luz no Croácia - Inglaterra do Euro 2004, acertou em cheio na gestão da equipa. Destaque para a estreia de Renato Sanches a titular. Ganhou uma nova vida, o puto, ganhou mais uma estrela, a equipa. E, sem ter culpa nenhuma, despoletou mais uma polémica interminável de medição de benfiquismo entre benfiquistas. 

Lá está, vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol quando no rescaldo de um jogo com o Bayern o tema é a reacção da Luz ao golo do Renato.

Da minha parte estou muito tranquilo com isto. Nem é preciso chegar ao Rui Costa. Basta relembrar o que escrevi aqui em 2012 quando a Luz recebe com uma ovação o Nuno Gomes vindo do banco do Braga e que ajudou os minhotos a chegarem ao 1-1 de imediato. Também fiz o mesmo reparo quando Iniesta foi a jogo na Luz. Aplaudir, reconhecer a qualidade, retribuir o carinho ou demonstrar apoio a um dos nossos, tudo bem. Mas sempre depois de terminado o jogo. Durante aqueles 90 minutos nada é mais importante que o Benfica. Nem jogadores, nem treinadores, nem casamentos, nem baptizados, mesmo que me tirem do meu lugar. Mas isto é apenas a minha opinião, a minha maneira de ser e a minha forma de pensar e a minha postura no Benfica. Não vou obrigar ninguém a ser como eu, nem é essa a minha ideia. Mas tenho direito a partilhar, explicar e divulgar o meu pensamento.

Voltando ao golo do Renato. Fiquei contente por ele de uma forma racional. Só que no momento estou em modo irracional. Quero um golo é na baliza do Bayern e até podia ser o Renato a marcar que até me dava mais jeito e aí, sim, aplaudia. Sendo que o puto fez o 0-2 para o Bayern não aplaudi. Observei a reacção do miúdo e do estádio. Sinceramente, não me chocou. Nem o facto dele não festejar, nem a espontaneidade dos aplausos. Eu não sou assim mas acho que o Renato merece muito este carinho por tudo o que nos deu, por tudo o que lhe fizeram de mal e pelo ano difícil que passou, onde foi dado como acabado. 

 

Ainda recorrendo ao arquivo do blogue, eu já expliquei uma vez como vivo estas noites contra estes gigantes da Europa. Na noite em que Messi trocou de camisola com o seu ídolo Aimar, do Benfica, eu escrevi algo que continua a ser válido hoje. A minha coerência futebolística ajusta-se nestas noites. O que pensava em 2012 ainda penso hoje. Acho que estas noites contra equipas como o Bayern são para desfrutar. Mais do que para julgar um treinador, uma equipa, um plantel, são para apreciar. Vamos sempre com a ilusão que aconteça uma noite monumental para a nossa equipa a coincidir com uma noite infeliz do adversário. É essa a magia do futebol. Mas sabemos que se tudo correr dentro da lógica o resultado vai ser negativo. Foi o que aconteceu hoje. Tal como em 2012. Felizmente, a história do Benfica está carregada de noites épicas e lendárias em que o nosso clube se agigantou dentro, e fora, do relvado. Já aconteceu muitas vezes desde os anos 50, por isso é que temos duas Taças dos Campeões no nosso Museu, por isso é que temos presenças em tantas finais europeias, por isso é que estes gigantes nos tratam com tanto respeito antes e depois dos jogos. Vai voltar a acontecer, claro. Esta não foi uma dessas noites. O Bayern é melhor. Se tudo correr bem há de mostrar a sua força nos outros cinco jogos e se o Benfica cumprir a sua parte, continuará na Europa depois de Dezembro. 

Este primeiro jogo foi para apreciar. O próximo tem que ser para vencer na Grécia.
Quando ganhámos ao Manchester United e Liverpool com jogadores como grande Beto em campo, não passámos a ser a melhor equipa de futebol da Europa, apesar da nação benfiquista ter ficado, e bem, em euforia descontrolada. Assim como quando perdemos com o Bayern e Barcelona na Luz por 0-2 não passamos a ser um lixo no contexto das provas da UEFA. Nós somos o Benfica e isso chega-nos. Ou devia chegar, já não sei. Vivemos tempos muito estranhos à volta do futebol. É esta a nossa aborrecida realidade. 

 

 

Vai, Puto! Este País Não Te Merece

CiF4rX-VIAAn3YN.jpg

Um puto que soube suportar a mais triste campanha de racismo e bullying em que lhe chamaram arruaceiro, caceteiro, em que pediram suspensões por supostas entradas assassinas, em que sugeriram que era mais velho do que o seu cartão de cidadão mostra, em que chegaram a levantar suspeitas de doping.

Isto durante dias, semanas e meses seguidos. Perante o silêncio de jornalistas e observadores que se entretinham em dar eco aos dementes e a levantar todas as suspeitas.

Um puto que aguentou tudo isto de sorriso na cara e a dar tudo no máximo pelo seu clube e pelos seus adeptos.
Um puto que só mostrou desgaste num acto irreflectido no último jogo, uma falha que lhe ia valendo o rótulo de novo Carlos Martins.
Um puto que os experts em futebol dizem não ser certo no meio campo da Selecção Nacional no Euro de França.
Um puto maravilhoso, um de nós que ajudou a endireitar o Benfica na luta pelo tão sonhado Tri.
Que saia campeão, merece mais do que ninguém.
Que seja muito feliz num dos melhores clubes do mundo no campeonato mais bem organizado da Europa, o meu preferido.
Hoje tenho mais uma razão para torcer pelo Bayern, hoje a Bundesliga fica ainda mais encantadora.
Renato, serás sempre um dos nossos.

Este país não te merece. Quem tanto te insultou vai continuar a ser reles, tu vais jogar num colosso do mundo do futebol. És o primeiro português a vestir a camisola do campeão Bayern. 

Obrigado e boa sorte.

 

 

 

Renato Sanches no Bayern Munique

CiFmHzeWsAA6a7B.jpg

É oficial, Renato Sanches vai jogar no Bayern de Munique na próxima época. Assinou um contrato de cinco anos, os alemães pagam 35 milhões de euros.

 

A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, em cumprimento do disposto no artigo 248º do Código dos Valores Mobiliários, informa que chegou a acordo com o Bayern Munique para a transferência a título definitivo dos direitos desportivos do atleta Renato Júnior Luz Sanches, pelo montante de € 35.000.000 (trinta e cinco milhões de euros). Mais se informa que no acordo estão previstos valores adicionais, num montante global de € 45.000.000 (quarenta e cinco milhões de euros), dependentes da concretização de objetivos contratualizados e a ocorrerem até 30 de junho de 2021.

Benfica 2 - 2 Bayern de Munique: Chegou a Ser Possível!

e601494c-e0e7-49df-9f8b-010872fd82fc.jpg

(Fotos: João Trindade)

 

Para Ederson, Lindelof, Talisca, Carcela, Gonçalo Guedes, Renato Sanches, Jimenez e Pizzi, o que há em comum entre esta noite e a tarde de 19 de Janeiro de 2016? É que todos jogaram pelo Benfica. Só que em Janeiro estes oito jogadores estavam a defrontar o Oriental em Marvila para a Taça da Liga, esta noite bateram o pé ao colosso Bayern de Munique na Luz em plena Liga dos Campeões. 

Sem Jonas, Mitroglou, Gaitan, Luisão ou Júlio César, com os que estavam disponíveis o Benfica fez o mesmo que tinha feito contra o Oriental, foi para o campo tentar ganhar o jogo, porque isto é que é jogar à Benfica. 

 

Terminou a nossa campanha europeia 2015/16, ficámos a dois jogos da final de Milão mas deixamos uma carreira digna da nossa história e com momentos para não esquecer. Isto é, acrescentámos mais umas noites brilhantes à nossa história. Tem de ser esta a nossa missão, somar sempre, nunca subtrair. 

_JPT0355.jpg

Caímos contra uma das equipas mais poderosas da prova, incomparavelmente mais ricos, mais protegidos, mais premiados, mais experientes e mais favoritos. Depois do sorteio só se ouvia falar em goleadas em Munique. Saímos de lá vivos. Hoje igualámos a eliminatória antes da primeira hora de jogo! O Benfica com oito miúdos que faziam parte da rotação da equipa contra o Oriental há poucos meses, estava a disputar taco a taco a passagem às meias finais da Champions!

 

O passe de Eliseu para a cabeça de Raul Jimenez ficará imortalizado nas imagens digitais. Daqui a muitos anos vamos continuar a falar da forma como o Benfica bateu a defesa do Bayern. Logo depois, o mexicano tem uma oportunidade de ouro para colocar o Benfica em vantagem na eliminatória. O remate saiu fraco. Foi pena. Aquele pontapé na bola mais os falhanços de Jonas em Munique podiam ter causado ainda mais impacto na Europa do futebol. Deu para assustar os germânicos.

_JPT0449.jpg

Viveram-se minutos de loucura no Estádio da Luz. A pena que eu tenho de não ver as nossas bancadas assim empenhadas mais vezes. Este 1-0 ajudava a evidenciar o grande jogo da primeira mão e fazia a nação benfiquista sonhar a sério. 

Infelizmente, o Bayern respondeu forte e Vidal encarregou-se de repor a naturalidade das coisas. Impressionante a precisão de tiro do chileno na altura de rematar tenso para a baliza aberta após uma primeira intervenção de Ederson junto ao seu poste esquerdo. Antes de Vidal chutar já em estava a ver a bola dentro da nossa baliza mesmo ali à minha frente. Arturo Vidal, campeão sul americano pelo Chile, ex-Juventus, foi o homem que pôs o Bayern nas meias finais com este golo na Luz e o golo de Munique. Um craque topo de gama.

 

Era preciso fazer mais dois golos para conseguir o apuramento. Na 2ª parte não parecia possível fazer nem um mas acreditamos sempre. 

Com tanta posse de bola, era de esperar que o Bayern fechasse a eliminatória a qualquer momento, quando Muller fez 1-2 sentimos que o sonho tinha acabado. Mas o jogo não.

A equipa do Benfica não quis sair da prova com uma derrota e teve uma reacção gloriosa procurando outro resultado. Talisca entrou em campo e foi a tempo de bater um livre directo para mostrar aos seus herdeiros. Remate exemplar a bater Neuer! Pouco depois, novo livre e Talisca tentou bisar mas a bola saiu um pouco ao lado. Neuer respirou fundo que eu vi.

_JPT0575.jpg

Por falar em livre, a falta que origina o livre do golo do Talisca deixa mais um rasto de injustiça. Não sou de trazer para aqui arbitragens mas temos que ir a factos. O derrube a Gonçalo Guedes dava expulsão directa ao defesa do Bayern. Assim como, no Allianz Arena, Vidal devia ter visto um cartão amarelo que o tirava do jogo de hoje, além, claro, do penalti de Lahm. São factos que ficarão para história. Quando falarmos deste duelo vamos nos lembrar do grande jogo de Munique, dos falhanços de Jonas, do cabrito que fez a Vidal e penalti não assinalado. Da Luz falaremos da expulsão perdoada aos alemães antes do enorme golo de Talisca. 

Sem vitimizações ou teorias da conspiração, apenas factos curiosos.

 

Passou a melhor equipa? Claro que sim, a equipa de Guardiola joga um futebol que marca uma geração, daqui a uns anos também se farão documentários sobre este Bayern. Mas para provarem o seu óbvio favoritismo tiveram que se empenhar muito e a sério. Nunca saberemos como teria sido o duelo com os jogadores do Benfica todos aptos e em forma mas ficámos a saber algo muito mais importante, o Benfica vai a jogo com qualquer jogador do plantel e vai para ganhar. Seja contra o Bayern, seja contra o Oriental. É isso que pedimos, sempre foi, sempre será. Dignidade, honrar o emblema, respeitar a história. 

_JPT0651.jpg

Andar entre os oito clubes que podem sonhar em Abril com uma final da Champions tem que ser o nosso objectivo sempre. Esta época cumpriu-se com classe. Disputámos o apuramento na fase de grupos com o Altético de Madrid que é um dos semi finalistas. Ganhámos na casa deles. O Benfica está bem vivo e renovado.

 

Uma noite europeia inesquecível, ver o nosso Benfica discutir um jogo com jogadores que tenho no patamar mais elevado da minha admiração no futebol internacional é uma sensação incrível. Vi um jogador do Bayern a pedir assistência médica perto do fim do jogo. Coisa rara. 

Também vi o ar desolado com que Lindelof abandonou o relvado enquanto olhava para a enorme festa que os bávaros faziam na baliza norte. O sueco foi o última a sair, ia de passo lento e sempre com olhar posto nos adversários e uma postura de quem não estava muito convencido com aquele desfecho. Lindelof que esteve para ir rodar para a 2ª divisão inglesa em Janeiro. Jogou com a mesma determinação hoje como tinha jogado em Marvila. 

_JPT0663.jpg

Obrigado, Benfica, por esta campanha europeia. A nossa camisola saiu dignificada, a Europa falou de nós com o respeito que merecemos e não temos no nosso país. Somámos hoje mais um ponto para o tal Ranking europeu que tanto jeito dá a quem tão mal nos quer. 

Eu que só tinha na minha memória afastamentos contra o Bayern por números embaraçosos, sinto-me orgulhoso por ter visto ao vivo este duplo embate e por sentir que fizemos tudo para discutir o apuramento. Marcámos menos um golo que o Bayern. Paciência.

Pessoalmente, espero que os bávaros ganhem a competição. 

Na próxima época voltaremos, temos de dar continuação a estas odisseias europeias.

 

Agora todas as atenções para o pobre, acanhado e mesquinho futebol português. Temos um campeonato para ganhar contra o maior "all in" da história lusa.

 

Bayern de Munique 1 - 0 Benfica: Sofrer, Resistir e Mostrar ao Mundo o Benfica!

IMG_6806.JPG

Vamos começar por um exercício de imaginação absurdo. Estão a jantar com os vossos familiares mais queridos e um deles pede-vos que vão ter com ele durante 90 minutos daí a duas semanas só para estarem juntos no centro da Europa.

Depois, esse elemento, dos que vocês mais estimam, recordo, informa que terão de ir mas com os custos todos a vosso cargo e, por isso, sugere uma rota mais económica do que um simples voo directo da vossa cidade para onde ele vos espera.

Começa a explicar que terão de sair ao fim da tarde de uma 2ª feira em direcção ao Porto. Vão de avião, porque por 20€ conseguem ir e vir tranquilos. A seguir apanham no Porto outro avião rumo a Munique, uma cidade escolhida ao acaso, e fazem as quase 3 horas de ligação para chegarem lá de manhã.

O avião parte às 9h e tal da manhã, por isso terão que ir cedinho para o aeroporto. Chegados ao destino, aproveitam e passeiam pela cidade até chegar a hora de estar com ele os tais 90 minutos.

Depois ele vai à sua vida e vocês ficam com uma noite e um dia pela frente porque o avião de regresso ao Porto só acontece na 5ª feira de manhã. Marcam um quarto digno e económico, aproveitam para fazer turismo pela cidade e quando chega 4ª feira à noite procuram um bar para ver os jogos europeus dessa noite e beber umas cervejas.

No fim, já cansados de tanto andar, lembram-se que não podem ir dormir porque resolveram não marcar nenhum quarto para essa noite já que vão ter de estar no aeroporto para regressarem a casa antes das 6h da manhã. E só depois de uma noite sem dormir voltam para o Porto e passam a manhã no aeroporto Sá Carneiro à espera do voo de regresso a Lisboa que, por acaso, até atrasa.

Mas seria tudo por uma boa causa, estar 90 minutos a conviver com um ente familiar, muito querido, que podem ver em vossa casa de 15 em 15 dias, pelo menos. Só que meteu na cabeça que quer este encontro especial.

Ora bem, mesmo perante toda a família a resposta seria algo do género: mas está maluquinho ou quê ?!
Mais coisa, menos coisa. E ninguém vos levava a mal pela reacção nem deixavam de gostar da pessoa em causa.

IMG_6697.JPG

Se duas bolas tiradas ao acaso por um estranho algures na Suíça ditarem um encontro do Benfica com o Bayern e a reacção for um imediato impulso de marcar viagem, aí já tudo o que descrevi em cima passa a fazer sentido. Quando dizem que a magia da paixão por um clube não se explica, é verdade mas há exemplos que, pelo menos, ajudam a entender. Seja de quem for a paixão, seja qual for o clube.

 

Esta é a história de uma viagem há muito anunciada e sonhada.

Já expliquei muitas vezes ao longo da minha vida que tenho uma atracção muito forte pelo futebol alemão desde criança. Especialmente, na altura das fases finais de Europeus ou Mundiais tenho sempre que explicar porque torço incondicionalmente pela Alemanha. Volto a repetir aqui, muito resumidamente, que um amigo da minha mãe trabalhava no Consulado Geral de Portugal em Hamburgo e que sempre que vinha a Portugal trazia cassetes VHS com resumos da Bundesliga porque achava piada ao meu interesse por futebol. Como eu vi o HSV ganhar a Taça dos Campeões na televisão no começo dos anos 80, sempre achei que os alemães tinham um futebol incrível. Daí ter ficado fã do Hamburgo para sempre mas sem nunca desenvolver nenhum ódio a qualquer clube alemão. Tanto que gosto do St. Pauli, rivais da cidade.

Torço, quase sempre, pelos clubes alemães nas provas europeias, vi o Werder Bremen ganhar a Taça das Taças ao Mónaco na Luz, por exemplo. O Klinsmann foi um ídolo para mim, e entre os jogadores que mais me marcaram, a nacionalidade mais presente é a alemã.

Em 1988 recebi a camisola com que a Alemanha ia jogar o seu Europeu meses antes da prova. Foi das melhores prendas de aniversário de sempre. Ainda hoje procuro uma réplica dessa camisola que depois veio a ganhar o Mundial 90. Acompanho sempre muito de perto a Bundesliga e há muito que sonhava em ir à Alemanha ver futebol. Tentei ir em 1988 a Estugarda ver o Benfica - PSV mas esqueci-me que era menor de idade e a minha mãe manteve-me em casa com juízo.

 

Portanto, esta ida a Munique era o melhor pretexto de sempre para avançar. Ajudado por quem conhece bem os truques nas marcações mais económicas de viagens e estadias decidi logo ir e embarcar no espírito aventureiro da deslocação.

Foi tudo o que contei no primeiro parágrafo do texto. Acrescento que fomos em grupo, tudo gente boa, e que ainda tivemos a companhia de um casal benfiquista que vive no norte e nos apresentou a famosa francesinha da Taberna Belga em Braga na "escala" da noite no Porto. Bem hajam pela refeição, companhia e benfiquismo.

 

Como sempre acontece nestas alturas, a viagem rumo ao local onde vamos estar com o Benfica é sempre uma animação. Não há cansaço absolutamente nenhum desde que levantamos voo de Portugal até à altura de abandonar o estádio. O benfiquismo que nos move é à prova de tudo. Vivemos tudo numa intensidade que nos parece tão normal que só dias depois percebemos o seu valor.

 

Pessoalmente, era uma viagem muito especial pelo que já expliquei. Estava impaciente para saber como era estar nas ruas de Munique, como eram os alemães, como era o ambiente, como seria o estádio. Acho que só para Liverpool senti a mesma ansiedade.

IMG_6745.JPG

Facilmente percebi que Munique era tudo o que esperava. Até tive a estranha sensação de estar a pisar terrenos familiares, apesar de nunca ter ido à Alemanha. De tanto ler, de tanto ver imagens, tudo me parecia fazer sentido.

Organização exemplar, um sentimento de segurança total de manhã à noite, o metro funciona de madrugada sem o menor problema. É um povo tão organizado e de mentalidade tão evoluída que partem do principio que todas as pessoas são civilizadas e pagam para usufruir transportes competentes. Por isso não há nenhum tipo de controlo nas entradas e saídas do metro, por exemplo, não se sente nenhuma observação exagerada por parte das autoridades em nenhum local. Um país de primeiro mundo, uma expressão que oiço tantas vezes, deve ser isto.

 

A minha experiência em contacto com os alemães foi positiva. As ideias com que ficamos de um povo tem tudo a ver com a maneira como as vivemos. Depois, quando há várias pessoas a partilhar a mesma opinião é que dizemos que esse povo é mais ou menos simpático, por exemplo.

Eu fiquei com a ideia que os alemães são simpáticos quanto baste. Não têm aquela forma mais expansiva de receber mas tentam ser simpáticos e úteis. Não se esforçam por ter um inglês exemplar mas dá para manter sempre a ligação.

Houve episódios curiosos em que nos mostraram o seu gosto pelo nosso país e por Lisboa. Um senhor, já com idade respeitável, parou a sua bicicleta no meio do nosso grupo quando íamos a atravessar a ponte da estação de Hackerbrücke só para nos dizer que adorava Lisboa. Assim, do nada. E ouvi outras manifestações simpáticas tanto para o nosso país como, especialmente, para o nosso Benfica.

 

Munique é uma cidade que vive o futebol. Vê-se muita gente a usar roupa ou acessórios do Bayern mesmo sem ser em dia de jogo, também há muitos adeptos da outra equipa da cidade e que mostram o seu orgulho pelo TSV Munique apesar de estarem na divisão secundária. Pena jogarem de azul e com um leão ao peito.

A quantidade de lojas do Bayern espalhadas pela cidade mostra bem a importância que o futebol ali tem.

IMG_6711.JPG

No dia do jogo, 3ª feira, aconteceu o habitual convívio entre adeptos do Benfica. Um almoço inesquecível no Augustiner Bräustuben deu para ficar com uma óptima ideia do que é o espírito germânico à volta de uma mesa cheia de cerveja, que não achei assim tão má como a pintam, e pratos de carne de porco. Adorei um pernil com uma camada estaladiça. Adeptos dos dois clubes a comerem e beberem no melhor ambiente possível.

Sinais dos tempos são traduzidos na emoção da boa sensação de rever ali companheiros benfiquistas de sempre juntos nos brindes ao Benfica. Eles que tiveram que ir para longe daqui para viverem a sua vida com a dignidade que merecem. O Benfica junta-nos sempre, a quem veio da Holanda, de Londres, de Paris ou de outras cidades da Alemanha. É sempre bom conviver com amigos benfiquistas mas estes momentos sabem ainda melhor. Gente boa que não merecia a tortura de viver tão longe da sua paixão.

 

Depois, todos os caminhos nos levam a Marienplatz, a belíssima praça principal de Munique invadida por benfiquistas de todos os lados. Aqui tenho que agradecer a todos os que me ofereceram cerveja e me cumprimentaram com palavras de um carinho e generosidade incrível. Adeptos que vieram de outros países, adeptos de Portugal mas que nunca vi, tantos que perderam um minuto para falar deste blog ou do programa em que participo na BTV. Inesquecível, o companheiro que se agarrou a mim a chorar e o irmão que acabou por nos tirar uma foto. Se lerem isto mandem-me a foto que eu gostava de guardar, grande abraço a todos.

IMG_6747.JPG

A ansiada partida para o Allianz Arena deu-se da estação de metro de Marienplatz. Um mar vermelho a caminho da bola, coisa linda de se ver. O Bayern tem cores de bom gosto.

Não tive nem vi nenhum problema na viagem. Vivi uma festa incrível na carruagem do metro com cânticos que punham os alemães a rirem. Estavam divertidos a ver a nossa motivação. Nunca se mostraram arrogantes apesar de terem festejado nos últimos anos títulos mundiais a nível de clube e selecção.

 

Assim que se sai da estação olha-se para a esquerda e o coração bate mais forte, o Allianz Arena está no nosso horizonte. Até parei no meio da multidão com o impacto visual. À medida que nos aproximamos o estádio torna-se cada vez mais imponente e bonito. Com a noite a cair assistimos à mudança de cor gradual do branco para o vermelho. Um espectáculo digno de se ver. Até acertamos o passo com o ritmo da mudança de cor para ver se lá chegamos perto com o estádio iluminado de vermelho.

IMG_6774.JPG

A sensação que tive ao caminhar de frente para o recinto é que parecia um bloco rectangular de formas arredondas com um magnetismo mágico. Parecia que tinha um poder de íman e que nos chamava para o seu interior. Raramente, vi um estádio tão bonito ao vivo.

Entre encontros inesperados, fotografias, conversas com adeptos adversários e algum espanto por ver tantos bilhetes vendidos ali em segunda mão, o tempo passava e anoitecia. Quando passamos os torniquetes que davam acesso ao passeio em redor do estádio conseguimos olhar lá para dentro e a sensação é logo de aprovação. Dar a volta por fora à procura do nosso sector e ver tantos adeptos do Bayern de natureza tão diferente é curioso. Vi aqueles famosos blusões de ganga cheios de emblemas bordados, típicos dos anos 70, vi um figurão vestido com cachecóis do Bayern, vi gente de fato e gravata, vi muitos jovens, muitas mulheres, muitos casais apaixonados. O tal ambiente familiar que a Bundesliga gosta de mostrar.

IMG_6793.JPG

Encontrado o sector tivemos que subir muita escada. Para entrar na bancada tivemos de passar o bilhete novamente e depois foi respirar fundo dar passos lentos e entrar no nosso sector e ver com os próprios olhos a sua imponência.

Que estádio maravilhoso!

 

Tive ali longos minutos sentado a olhar à volta a procurar todos os detalhes, a lembrar-me de quantos jogos já vi ali disputados mas na televisão. É muito mais bonito ao vivo. A casa da "minha" selecção alemã. Que emoção!

 

Sonhei com aqueles momentos várias vezes mas o melhor de tudo é que estava ali para ver o Benfica.

Tratar de arranjar um lugar para ver o jogo. Escolher ficar entre benfiquistas que vivem longe e estar perto deles naquelas emoções.

É incrível como aqueles minutos antes do jogo passam num instante. Parece que estamos a viver mais rápido que o tempo.

De repente lá está a mítica bola dos campeões agitada no meio campo e oiço a apresentação do Bayern. Sai-me um sorriso quando oiço o nome dos campeões do mundo que jogam nos bávaros. Até me apetece aplaudir jogadores que tanto admiro. E aplaudo mesmo.

Entram as equipas e o grito de Benfica que sai daquela bancada não engana. Estamos todos ali para fazer história. A motivação subiu ainda mais quando percebemos que Rui Vitória honrou o pensamento maior de Cruyff, mentor de Guardiola, e mostrou ao mundo a equipa do Benfica que costuma usar. Sem adaptações, sem invenções, sem encolhas, sem medo. Se tivermos que cair que seja com as nossas ideias, a nossa filosofia de jogo. E ali estava o onze do Benfica com os dois avançados.

 

Ambiente muito bom com os alemães a entoarem o hino do Bayern, lá estava a bancada do outro lado do estádio atrás da baliza com a claque do Bayern em grande estilo.

Um pormenor absolutamente maravilhoso, quando as equipas estão prontas para entrar em campo o risco luminoso que atravessa todo o estádio por cima da última fila de lugares no topo como a acender e apagar ao ritmo de batidas cardíacas que se ouvem nas colunas em crescendo. Genial!

IMG_6797.JPG

Infelizmente, rapidamente percebi que também alternava alegremente entre branco e vermelho no golo da equipa da casa.

A bola sai nossa e antes que se esgote o primeiro minuto de jogo já o Bayern estava a assaltar a baliza à minha frente. Com um minuto e 32 segundos fizeram golo.

Só me tinha acontecido em Anfield Road olhar para o relógio no marcador do estádio e entrar em pânico por que aos 40 segundos já estávamos a sofrer um canto contra. Agora senti o mesmo. E ao ver a equipa de vermelho a repor rapidamente a bola em jogo temi o pior.

 

Aqui aproveito para explicar a todos os que me disseram que eu não regulava bem por querer ir ver um jogo em que íamos "encher o saco", benfiquistas incluídos, que o que me move não é triunfos ou golos. O que me motiva é o Benfica, é o ser benfiquista, é o estar no meio dos benfiquistas seja onde for, é viver a história do Benfica ao lado da equipa e acreditar que podemos ajudar com a nossa voz. O objectivo é sempre ganhar, a motivação é sempre ter o privilégio de ver as nossas camisolas ao vivo. Bem bonitas, por sinal. Este equipamento alternativo é tão Benfica, não é?

 

Isto foi um autentico dois em um, ver o meu clube e ver uma equipa que faz história no futebol mundial. Ver as movimentações tácticas e posicionais dos jogadores de Pep é um misto de pânico, desespero e encanto.

A bola está no lado direito do ataque do Bayern, a tendência é os jogadores irem para aquele lado, só que no outro flanco nós estamos a ver quatro(!!) jogadores de vermelho à espera da bola. É assustadora a forma tranquila com que mudam de alas e aparece meia equipa na área pronta para finalizar. Lewandowski ou Müller podem aparecer a cruzar bolas para a área que encontram Vidal, Ribery ou Thiago prontos para finalizarem. É uma rotação de loucos e que baralha qualquer defesa.

Os nossos laterais não conseguiam acertar a marcação porque era gente a mais a passar por ali. Durou cerca de vinte minutos aquela sensação de impotência, Ederson deu o mote mostrando segurança batendo o pé ao Bayern. Numa saída brilhante a negar o golo a Müller, após um livre superiormente marcado a isolar o atacante, o jogo mudava.

O Benfica, finalmente, mostrou que tinha acertado marcações, defendeu compacto, alto, e olhos nos olhos. Procurou ter a bola, foi a equipa com maior posse de bola nos últimos tempos naquele recinto, e procurou chegar à baliza contrária. Uma ousadia que deixou os alemães calados na bancada e começou a revelar a paixão benfiquista em forma vocal para todo o mundo ouvir.

 

Gaitán cruza para a área e Lahm a deslizar deitado na relva corta a bola com a mão. Nós no outro lado gritámos penalti, Gaitan também. Via telemóvel recebíamos a informação que tinha sido mesmo mão. Não foi marcado, paciência.

Aqui importa parar um pouco.

O que disse Nico Gaitán sobre este lance?

"O que peço é penálti, mas são jogadas muito rápidas e o árbitro também é humano. Pode errar, como nós e vocês, jornalistas, também. É uma jogada muito rápida, mas que não foi cobrada. Para mim é penálti, mas ele não viu ou entendeu que não era nada e já está"

 

É isto mesmo. Sem dramas, sem choros, sem teorias da conspiração, sem vitimizações. Isto é o Benfica. Sabemos que o futebol é assim.

Por isso mesmo, dispensamos todos capas como aquela coisa que o Record fez no dia seguinte. Uma manchete que é um lixo. Um lixo que encontra paralelo no que fizeram no dia seguinte à morte de Cruyff. Uma coerência de que não queremos fazer parte. Tiveram oportunidade de mostrar indignação com uma arbitragem há pouco tempo após a final de Turim. Não quiseram, agora não se esforcem para nos fazerem passar por ridículos porque nós não somos esse clube que o Record tanto bajula. Isto com todo o respeito pelos profissionais que lá trabalham, tenho lá amigos que são excelentes profissionais. O lixo é a capa. O Benfica é o conteúdo das afirmações de Gaitán. Que fique bem claro.

 

Obviamente, lamentamos o penalti não marcado mas queremos é continuar a procurar surpreender o Bayern. E isso foi conseguido na 2ª parte. Que jogo do Benfica!

Ver o Benfica a trocar a bola, ver o Jonas a fazer o chamado sombrero a Vidal, ver o André Almeida a fazer a chamada cueca a um adversário, ver os avançados do Benfica a pressionarem na saída de bola do Bayern, assistir ao desespero das bancadas do Allianz Arena que assobiaram forte e feio a sua equipa por não estar a conseguir atacar, tudo momentos que não esqueceremos.

Não me peçam para criticar o Jonas pelos golos não marcados. Falhar um golo perante dois guarda redes tem que ter desculpa. Sim, dois. O Bayern na Baliza tem o Manuel e o Neuer. Um só para defender outro só para fazer parte da rotação da bola. É um monstro.

IMG_6811.JPG

Inacreditável aquele momento em que Renato Sanches desata a correr na esperança que Neuer cometesse um erro também pressionado por Jonas. Neuer resolveu, apertadíssimo, com um passe magistral no meio dos adversários e o Bayern saiu calmamente para o ataque. Olhámos uns para outros e rimos. É de outro mundo!

O outro falhanço de Jonas após vários ressaltos e quando eu senti que íamos mesmo marcar, foi devido à intervenção de Javí Martinez que entrou para o lugar de Kimmich que não estava a dar conta do recado. Mérito de Guardiola que tem à sua disposição uma colecção de jogadores de um nível incrível.

 

O mérito do Benfica foi ter posto em sentido a equipa e os adeptos do Bayern, ter conseguido resistir ao assalto final que derrubou a Juventus, por exemplo, e continuar sempre a espreitar o ataque.

Acabámos o jogo vivos. Para todos os imbecis que me perguntaram se agora tinha passado a festejar derrotas deixo mais uma explicação: nós nunca festejamos derrotas. Quando estamos a perder em casa com o Zenit 0-2 ou com o Sporting 0-3 e o estádio espontaneamente explode num só grito de "eu amo o Benfica", não estamos a festejar nada. Estamos só a mostrar que sabemos que não podemos sempre ganhar mas quando perdemos não deixamos de sentir um enorme orgulho de ser deste clube.

O que aconteceu em Munique não foi festejar coisa nenhuma, foi demonstrar a nossa motivação, o nosso orgulho por estarmos vivos a meio da eliminatória contra um dos maiores colossos do mundo a jogar a bola. Aquilo não era o estádio do Skënderbeu e não levámos 3. Nem 6. Nem 7. Percebem?

 

Após este jogo em Munique, onde tivemos o resultado menos pesado de sempre, há muitas esperanças para a Luz. Há dignidade e honra pela nossa história. Mas, não tenho dúvidas, o Bayern continua a ser favorito a seguir em frente. Não mudou nada, e é óbvio que os alemães podem chegar à Luz e fazer golos. Aliás, será o mais natural. A nós cabe-nos a missão de fazer mais um jogo superior e disputar até ao fim o acesso à meia final da melhor prova do mundo de clubes.

IMG_6832.JPG

O pós jogo foi divertido. Saímos das bancadas muito mais aliviados do que entrámos.

O estádio por fora à noite é tão lindo que não apetece sair dali. Aquele vermelho em forma de aliança a romper o céu escuro é hipnotizante. Ficámos ali a ver a eficácia surreal como o trânsito é escoado, a organização incrível com que dezenas de autocarros saem dos parques para levar de volta milhares de adeptos do Bayern pelo país fora. Isto sem nunca vermos o trânsito parado.

 

Sem saber como, o nosso grupo arranjou uma bola mini réplica da adidas da final de Milão. Voltámos todos a ter 10 anos e ficámos ali a jogar perante o olhar divertido de polícias e adeptos que iam saindo aos poucos do recinto. Um deles até tentou entrar no jogo e interromper uma série de toques de um dos nossos craques que ao sentir a aproximação do alemão fez-lhe um cabrito épico. Risada total, e cumprimento de aprovação do adversário temporário. O futebol é tão maravilhoso.

 

Regresso para o centro da cidade e a constatação de dois factos inesperados. Munique dorme cedo, na zona histórica não há onde comer tarde. Fomos salvos por umas pizzas. A outra constatação surpreendeu-me pela negativa, na terra de Angela Dorothea Merkel há muitos jovens sem abrigo a dormir encostados a montras. Muitos mesmo.

IMG_6945.JPG

O conforto de saber que íamos ter camas para dormir e recuperar do cansaço acumulado não superava a excitação pelo que tínhamos vivido naquelas bancadas. Não foi fácil adormecer.

 

No dia seguinte a motivação estava em alta. Um dia inteiro para dar umas voltas por Munique. Foi unânime a escolha de irmos conhecer o mítico estádio olímpico. Muito bonito o parque olímpico. Complexo desportivo com zonas para correr e pedalar, piscinas, um pavilhão que acolhia naquela noite a famosa banda pop norueguesa A-Ha e campos para vários desportos.

Mas o objectivo era estar no estádio que acolheu os jogos olímpicos de 1972 onde Mark Spitz brilhou, onde Cruyff perdeu aquele Mundial de 1974, onde Klinsmann dizimou o nosso Benfica.

Não fazia a menor ideia que o estádio tinha sido construído para baixo. A entrada é feita ao lado das torres de iluminação! Bonitas, por acaso. À entrada uma dúvida. Pagamos 3€ para uma visita simples ou apostamos nos 8€ com direito a guia e passagem pelo interior do estádio? Em boa hora optámos pela visita mais completa.

 

Começámos pelo topo da bancada atrás da baliza onde Dimas marcou um golo. Na rede cá em cima uma singela homenagem a Cruyff.

IMG_6867.JPG

O que mais chocava no olhar pelo estádio era a falta do verde da relva. Foi substituída por alcatrão para uma corrida de DTM com a participação do irmão de Michael Schumacher há dois anos e optaram por manter assim. A conservação da relva era muito cara e não tinha uso. O futebol da cidade mundo-se para o Allianz Arena, o TSV também lá joga, e os maiores eventos agora são concertos de música. Elton John irá lá, por exemplo, este ano.

Mesmo assim o estádio mantém um nível de conservação impressionante. O hall de entrada principal está modernizado, há salas de conferência, uma equipa de cozinheiros bem alargada.

A descida aos balneários é longa. Aí ficamos a saber que o estádio foi feito para baixo para mostrar que o povo alemão aprendeu com os erros do passado e queriam mostrar eficácia em vez de imponência. Daí não se ver o estádio ao longe ao contrário do que acontece normalmente.

Entrámos naquele que era o balneário do Bayern que mantém o aspecto que sempre teve. Sente-se a história que por ali passou. Há retratos gigantes ao longo dos bancos, Karl-Heinz Rummenigge e Lothar Mathaus, por exemplo. Deu para tirar foto ao lado do mítico "10" campeão do Mundo em 1990.

IMG_6886.JPG

 Oportunamente passam um vídeo nas televisões ali instaladas com os momentos mais marcantes daquele estádio. Aparece Enke, ficamos a saber que o TSV só venceu 3 derbys, e revivemos as emoções de outros tempos. Ficamos no ponto para a subida ao "relvado". Pisamos alcatrão mas a imaginação encarrega-se de nos fazer sonhar. Pensar que naquele espaço aconteceu tanta história. Fui de uma ponta a outra, vi a torre de comunicações lá fora e lembrei-me das imagens da moeda ao ar que enquadravam a torre, lembrei-me de tantos jogos, do Euro 88, etc.

As bancadas são de desenho simples mas imponente. Deu para sentir ali o peso da história e de alguns pedaços importantes do futebol mundial. Ainda bem que o Estádio se mantém aberto. Noutro país qualquer era abandonado com certeza, ali respeita-se a história.

IMG_6896.JPG

Depois, o resto do dia foi andar de loja em loja em busca de livros, adereços e camisolas ligadas ao futebol. Trazia dezenas de camisolas e livros, felizmente, mantive a minha sanidade mental e consegui optar só por duas ou três amostras. Mas já tenho cachecol e bandeira para torcer no próximo Euro.

 

Foi um dia bem passado pelas ruas de Munique, inesquecível pela experiência e pela companhia. Pelas histórias contadas, pela troca de opiniões, por conhecer gente nova, por saber mais aventuras à volta do Benfica, enfim, foi óptimo por nos sentirmos vivos e a viver.

 

Vimos os outros jogos das Liga dos Campeões num pub. Festejámos os golos de outros alemães contra o Real, e sorrimos com os golos do Manchester City. Sonhámos com viagens para ver Supertaça europeia e Mundial de clubes. É parvo? Até pode ser. Mas sabem porque é que o fizemos? Porque podemos! Porque estamos lá. Temos direito a tudo.

 

E aos poucos a frescura física e mental vai diminuindo para níveis dramáticos. As pernas pesam, a cabeça acusa as poucas horas dormidas e no horizonte está uma madrugada sem cama com ida para o Aeroporto e um voo que só parte depois das 6 da manhã. É aqui que o plano que parecia tão bom no papel passa a parecer uma alarvidade.

Mas todos sabemos porque estamos ali. Foram só 90 minutos com o nosso amor mas foram os minutos que dão sentido a todos os blocos de 90 minutos que depois passamos à espera de regressar. É duro? Talvez.

Mas andar de metro a meio da madrugada é uma experiência engraçada. Estar num aeroporto que parece nunca dormir é marcante. Adormecer nos bancos ou nas bancadas onde se carregam telemóveis é humano. Lá fora o dia amanhece, os nossos voltam a invadir o aeroporto com cachecóis e camisolas do Glorioso. Chega a hora de partir e voltam os sorrisos. Está tudo vivo.

A viagem Munique - Lisboa pareceu-me teletransporte. Adormeci antes de levantar voo, acordei ao lado do Cristo Rei. No entanto, foi um sono falso sempre com a sensação que já dormi melhor.

Ainda faltava a espera final, uma manhã no aeroporto do Porto com direito a atraso. Nunca ninguém perdeu a paciência. Foi mais tempo para mais histórias, mais risadas e mais assuntos sobre o Benfica.

Chegámos a casa, Estádio da Luz, a meio da tarde de 5ª feira. Esgotados mas de alma cheia. Olhei para o nosso estádio e pensei no Allianz Arena, quanto mais viajo mais gosto do Benfica.

Se fosse para ir ver o tal familiar durante 90 minutos, quando o podemos ver regularmente perto de casa, seria bonito mas utópico. Para ir ver o Benfica é dar sentido a uma vida. A uma, não. A milhares. E não me refiro só aos 4 mil que estiveram em Munique. Naquela bancada possuída por cânticos de incentivo ao Benfica, e zero de ofensa a adversário, não estamos só nós. Nunca somos só nós. Estão todos os que não podem lá estar. Estão através da voz e pensamento de cada um. Os que não podem por razões profissionais, os que não têm razões profissionais para poderem ir, os que ainda não têm idade, os que já partiram mas serão sempre do Benfica, os que podem e não conseguem, e os que conseguem e não podem. Estamos todos juntos sempre que se puxa pelo Benfica. É um clube maior que a vida.

Esta foi só mais uma etapa maior numa história de vida magistral.

Testemunhá-la é um privilégio.

Viva o Benfica!

 

Próxima Paragem: Munique!

allianz_arena_bayern_munchen.jpeg

 

Há poucos clubes na Europa que despertem logo um enorme alerta de respeito no final de cada sorteio europeu. O lote é mesmo muito restrito do ponto de vista dos benfiquistas e , até, dos observadores e comentadores de futebol. A minha luta é sempre a mesma, o futebol muda, evolui e todas as épocas as equipas sobem ou descem de valor. Há o tal grupo reduzido de emblemas que só pelo nome assustam. Sempre que ouvimos falar em Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Liverpool, AC Milan, Inter, Juventus ou Bayern, soa o alarme. E reparem que não incluo PSV, Sevilha, Chelsea ou Anderlecht, tudo clubes que já nos ganharam uma final europeia. Estes nunca os consideramos favoritos, não têm o estatuto dos primeiros anunciados.

Isto é devido ao passado glorioso do Benfica que habituou os nossos pais e avós a verem o clube bater os colossos espanhóis e lutar de igual para igual em finais disputadas até ao fim com os gigantes italianos. Como a maior parte dos adeptos não segue atentamente o desenvolvimento das ligas europeias recusam-se a achar que o Benfica não seja favorito contra qualquer equipa que lhe saia num sorteio europeu, tirando aquelas honrosas excepções. É um erro que já desisti de combater.

Um simples exemplo de futurologia: na próxima época calha-nos jogar com o Leicester, campeão inglês (se tudo correr bem), e logo haverá sorrisos indiferentes às qualidades da equipa de Ranieiri. Ninguém quererá saber se são fortes colectivamente ou não. É o Leicester, é para eliminar. No entanto, podem chegar como reis de Inglaterra e o estádio da Luz nem enche para os ver. Mas se sair o Manchester United é casa cheia e o optimismo reduz-se drasticamente. No entanto, o United vem de épocas miseráveis e com um futebol que não assusta ninguém.

É assim a cultura futebolística.

 

Quando o nome em causa é o Bayern de Munique, aí o caso muda de figura. O clube alemão será o mais temido, de longe, de todo e qualquer adepto. Desde o mais informado ou mais distraído, desde o mais novo até ao mais velho, desde o mais optimista ao maior dos pessimistas. O nome Bayern é um pesadelo e as hipóteses de sucesso contra eles descem para níveis muito baixos.
O seu palmarés é assustador. Três títulos mundiais de clubes, cinco ligas dos campeões, uma taça uefa, duas supertaças europeias, vinte e cinco campeonatos e quinze taças na Alemanha.

O historial de encontros entre Benfica e Bayern é negro para nós.

76 Bay-Benfica 5-1  Kapellmann Júlio Messias.jpg

Em 1976, também nos 1/4 de final da Taça dos Campeões, houve um empate animador em Lisboa sem golos mas em Munique com Uli Hoeneß, Sepp Maier na baliza, o kaiser Franz Beckenbauer, os goleadores Rummenigge e Gerd Müller, entre outros ilustres, golearam por 5-1 o Benfica que contava com José Henrique na baliza, Toni, Shéu, Jordão, Vítor Baptista e Nené que fez o golo de honra.

0221918-SPORTS-Uefa-European-Champions-Clubs-Cup-2

Em 1981/82 repetiu-se a dose. Logo na 2ª ronda da Taça dos Campeões o Benfica de Lajos Baroti voltava a empatar a zero com o Bayern de Pal Csernai. Um curioso duelo de húngaros, Lajos despedia-se nessa época e Pal viria parar à Luz uns anos mais tarde para uma época que não deixou saudades, apesar da Taça ganha ao Porto.

Se na Luz os alemães não sabiam o que era marcar, no Olympiastadion abusavam! Nova goleada por 4-1, um hat trick de Hoeneb e um golo de Paul Breitner deixaram Bento enlouquecido na nossa baliza. Nené voltou a fazer o golo da ordem, desta vez de penalti.

ng6249548.jpg

Em 1996 o duelo foi para a Taça UEFA. A primeira mão foi na Alemanha e o Benfica até respondeu bem ao primeiro golo sofrido e empatou por Dimas. Jurgen Klinsmann não gostou da ousadia e, indiferente à presença de Preud'Homme, brindou-nos com quatro (!) golos. No dia seguinte os diários desportivos nacionais falavam em KataKlinsmann.

Na 2ª mão não conseguimos manter a tradição de deixar os alemães a zero. Klinsmann continuava possuído e fez mais dois, o austríaco Herzog fez o outro. Valdo foi o marcador da casa que até o abriu o marcador dessa noite que acabou em 1-3.

 

Só em 2007 houve motivos para um pequeno sorriso contra o Bayern. Foi num torneio de começo de ano no Dubai onde o Benfica aguentou o 0-0 e venceu nos penaltis. Depois até ganhou o torneio batendo a Lazio na final, também por penaltis.

72948650.jpg

Tirando esta gracinha, falar de confrontos com o Bayern até dá calafrios.

Por isto tudo, o Bayern é o único clube verdadeiramente temível porque não temos nada a que nos agarrar. Prefiro pensar no duelo deles com o Belenenses em 2007, já no Allianz Arena do que me lembrar das recentes passagens dos dois rivais por lá.

 

Mas nós somos o Benfica. Ao contrário do que aconteceu recentemente com craques milionários da Juventus, Zenit ou Chelsea, que desprezaram o nosso clube antes de jogarem, os alemães mostram um respeito que me assusta ainda mais. É incrivelmente bom ler e ouvir Guardiola, Lahm, Douglas Costa e outros a falarem em tons tão elogiosos para com a nossa equipa. Ao mesmo tempo é sinal de inteligência e de que será mais difícil surpreende-los.

 

Foi esta mentalidade que cedo me apaixonou pelo futebol alemão, o meu preferido no mundo inteiro. O futebol inglês é o mais romântico e será sempre a casa do futebol. Mas a eficácia, organização e espectacularidade do futebol alemão cativou-me desde os anos 80.

O Hamburgo é a minha equipa preferida. Fiquei fascinado por aquela camisola com BP na frente e pela equipa que venceu a Taça dos Campeões em Atenas contra a Juventus com um golo de Magath, tendo como grande figura Hrubesch. O HSV tinha ficado ligado ao futebol romântico três anos antes ao perder com o mítico Nottingham Forest a final do Bernabéu que dava a segunda Taça dos Campeões a Brian Clough.

 

Como Portugal quase nunca participava nas fases finais de Europeus e Mundiais, cedo optei por torcer pela Alemanha por causa do tal fascínio que tinha pelos clubes germânicos nas provas da UEFA. Quem me conhece sabe o quanto adoro o futebol alemão.

Tive poucos ídolos de juventude mas Jurgen Klinsmann foi um dos maiores. Muito antes do KataKlinsmann, eu adorava o avançado já nos tempos do Estugarda. Todas as semanas nos resumos curtíssimos da Bundesliga havia golões de Jurgen. Acompanhei com entusiasmo a sua carreira pelo Mónaco, Tottenham e Bayern e vibrei com todos os golos que apontou pela selecção.

Vejo a Bundesliga como o melhor campeonato da Europa em termos competitivos, com vários campeões nas últimas décadas, e há muito que tinha o sonho de ir ver um jogo à Alemanha.

 

Agora o Benfica tornou possível este encontro marcado na minha cabeça desde os anos 80, vou a Munique ver o Benfica. Sei que vou adorar estar na Alemanha pela primeira vez, sei que tudo vai corresponder às minhas expectativas.

Tenho noção do poderio da equipa de Guardiola mas vou com o mesmo espírito que fui para Anfield Road defrontar o campeão europeu na altura. Vou com o mesmo espírito com que fui para o Camp Nou ver o Barcelona de Messi. Sem medo, com orgulho e já com bilhete comprado para a segunda mão. Somos o Benfica, por isso é que em vez de nos preocuparmos com o que se vai passar com o Tondela ou o Belenenses estamos ocupados a viajar para o centro do mundo futebol internacional.