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Benfica 2 - 0 Aves: Pessoal, Que Desprezo é Esse?!

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Na época de todos os ataques contra o Sport Lisboa e Benfica, numa escala nunca vista em Portugal, a sua equipa de futebol voltou a dar uma demonstração de grandeza e de como nada disto bate certo. 

Se o Benfica criou um sistema que lhe facilita a vida no futebol para ganhar mais que os outros porque é que eu aos 70 minutos de um jogo com o Aves em casa estou a ficar sem fome, apesar de não ter almoçado, estou a vislumbrar insónias, apesar de me ter deitado tardíssimo por causa do Lisboa Dance Festival e ter madrugado no dia jogo? 

O golo de Jonas aos 71 minutos foi arrancado a ferros, foi mais uma jogada só possível pela qualidade superior do nosso "10" mas também pelo remate de Fejsa e pela insistência de Cervi.

Se o Benfica tem a vida assim tão facilitada porque é que sofremos tanto? 

Eu dou a resposta, porque ninguém nos dá nada! Ninguém facilita nada contra o Benfica. 

Numa realidade paralela que foi sendo construída desde o título de 2014 e elevada a uma dimensão gigantesca no verão de 2017, o Benfica é um malandro que só ganha porque controla tudo e todos. 

Na realidade, tal como ela é, eu sou um adepto que nos últimos quatro anos tenho visto a maior parte dos jogos do Benfica nos estádios e posso garantir que a maioria deles foi ganha na raça como este com o Aves. 

 

Neste contexto permitam-me que expressa a minha revolta por ver os adeptos do Benfica na Luz alheados da realidade. 

O jogo termina, sofremos juntos mais de uma hora com um empate a zero, pensámos mil um cenários até aparecer essa entidade superior chamada Jonas, vibrámos com mais um golo do nosso Rúben Dias. Vivemos os últimos minutos aliviados, com o sentimento que o fim de semana estava a correr lindamente, com vontade de ir jantar com amigos e fazer planos bonitos em família para domingo. Tudo porque o objectivo principal estava cumprido.

O jogo termina, os suplentes e a equipa técnica entram em campo para celebrar com os 11 jogadores que terminaram a partida. Felizes, aliviados e com vontade de agradecer a presença e o apoio de mais de 50 mil adeptos na Luz. Mas quando olham para as bancadas, enquanto arranca o "hino" a imagem é desoladora. A maior parte dos benfiquistas já estão do lado de fora do estádio, muitos dos que ainda lá estão nem olham para o relvado e dirigem-se cheios de pressa para as saídas. Isto enquanto os nossos homens, juntos, aplaudem os poucos que ainda lá estão.

Isto não devia ser assim. Não pode ser assim. Os benfiquistas deviam esperar mais uns míseros minutos para aplaudir e agradecer o esforço dos nossos, mostrar-lhes que estamos juntos. Não é nas hashtags das redes sociais que a coisa funciona, isso é realidade paralela. 

É um gesto cultural, educacional até. Ficar mais uns minutos depois do fim do jogo e respeitar a saída dos homens que carregam a felicidade dos nossos dias naqueles pés. 

Eu não acho piada nenhuma aqueles rituais da moda que obrigam os jogadores a irem a vários pontos dos estádios fazer coreografias de plástico e importadas de outras paragens como suposto agradecimento aos seus adeptos. Dispenso isso tudo. Apenas peço que a equipa tenha a dignidade de se juntar, olhar para as bancadas e de cabeça bem levantada agradeça a presença e apoio. Nada mais. E até estou bem à vontade para falar disto porque já tenho aqui criticado ocasiões em que os jogadores se esquecem dos seus adeptos e saem apressados. 

Aqui é ao contrário, na Luz despreza-se aqueles minutos de felicidade e de alivio que faz com a nossa vida seja melhor até aos próximos 90 minutos.

Desculpem o desabafo mas não consigo mesmo entender.

 Quanto ao jogo, agora é fácil dizer que Rui Vitória devia ter começado com um esquema de 4-4-2 com Raul no lugar de João Carvalho. Não sei se a equipa técnica durante a semana chegou a ponderar essa mudança, sei que nós enquanto observadores e adeptos passamos muito tempo a pensar no futebol da nossa equipa e equacionamos todas as hipóteses. Mas mesmo que se defenda esta alteração por ausencia do Pizzi há sempre bons argumentos para sustentar a continuidade do 4-3-3. Desde logo uma nova oportunidade a João Carvalho e, a mais forte de todas, é que tem resultado bem e até serviu para golear o último adversário. 

Desta vez, o muro do Aves foi mais resistente e o futebol dinamico construído pelas alas não estava a chegar para colocar problemas a Adriano. A defesa do Aves esteve muito confortável com o 4-2-3-1 de José Mota. 

Foi mesmo preciso recorrer a Raul Jimenez para abrir o ataque do Benfica e dar mais garra também. Foi tudo construído em tempo útil, a partir dos 70 minutos é quando entramos ali na zona vermelha das emoções, portanto, o 2-0 feito na recta final do jogo é justo. 

O que nos faz sair da Luz de cabeça levantada é o sentimento que sofremos muito para ganhar 3 pontos. Só com a nossa qualidade e luta. Sem truques de golos para lá do tempo, sem VAR's, sem lances polémicos, sem protagonismo de árbitros e terceiros. Esta é a realidade. 

E isto nao deve ser desprezado, caros companheiros de bancada. Nem que fosse só por estarmos a ver a evolução de uma Lenda chamada Jonas ao vivo. 

 

Futebol com Talento para o... Desprezo Total.

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 Lembram-se do caso da conferência de imprensa do Rio Ave para um jornalista? Falei disso aqui:

O Que Estão a Fazer ao Futebol Português?

 

Pois bem, hoje foi a vez de Lito Vidigal cancelar a conferência de imprensa que antecedia o jogo com o Vitória FC porque apenas compareceu a Rádio Santo Tirso!

Isto duas semanas depois de sala cheia antes da recepção ao Benfica.

Ninguém quer saber do jogo, ninguém quer saber do encontro entre o Vitória de Setúbal e o Desportivo das Aves. Um jogo da Liga do futebol com talento. Uma partida no país do campeão europeu de futebol. O presidente da FPF terá alguma coisa a dizer sobre este desprezo pelo futebol ou só está preocupado em cursos para dirigentes?

E a culpa desta ausência de interesse por jogos da Liga é dos grupos organizados adeptos e das claques legalizadas? Os programas de televisão que poluem horas e horas o futebol português nada comentam sobre esta autentica anormalidade digna de um país culturalmente e desportivamente de terceiro mundo?

O futebol em Portugal é um circo à volta de três clubes, dois deles juntaram-se contra o que tem ganho mais e o resto é deserto como dizia o outro.

Alguém se vai preocupar com isto? Liga? FPF? Imprensa?

Claro que não.

Vergonhoso mas previsível. Ninguém gosta de futebol em Portugal. Tirando meia dúzia de "malucos" que ainda se indignam com isto. A minha indignação fica aqui testemunhada, tal como fiz quando aconteceu em Vila do Conde.

Aves 1 - 3 Benfica: Ala Esquerda Que Avança com Toda a Confiança

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 O futebol do Benfica virou à esquerda. A grande conclusão desta vitória tranquila na Vila das Aves é que há uma nova movimentação ofensiva na equipa tetra campeã.

Rui Vitória optou por deixar Pizzi no banco, já não acontecia há uns dois anos, e voltou ao esquema clássico de consumo interno, o 4-4-2 com Jonas e Seferovic na frente.

Foi, precisamente, Jonas o elo de ligação da irrequieta juventude que compõe o lado esquerdo. Grimaldo e Diogo Gonçalves foram sempre empreendedores encontrando no "10" um excelente vértice de um triângulo de talento. E esta opção pela ala esquerda explica-se pela ausência de ideias no corredor central, Fejsa e Filipe Augusto não se desprendem, o brasileiro não consegue chegar-se à frente na condução do ataque, fica uma dupla mais posicional e de contenção mas sem fulgor atacante.

Assim, é natural que sejam as alas a ser chamadas ao jogo. Salvio e, o regressado, André Almeida também foram construindo pela direita mas sem o mesmo entusiasmo que o corredor oposto.

O Benfica fez o suficiente para sair das Aves com um resultado folgado, Quim resolveu assinalar o jogo em que se tornou o mais velho de sempre a jogar no campeonato com uma enorme exibição.

Por falar em opostos, na outra baliza o miúdo Svilar estreou-se na Liga com uma noite tranquila, uma bela defesa no começo e um golo sofrido num pontapé de canto em que a culpa tem de ir para quem falhou na marcação a Defendi.

Uma vitória com dois penaltis, o que é maravilhoso para os dependentes de audiências televisivas, mas que nem merece discussão.

 

Foi a minha estreia no Estádio do Aves.

Claro que tudo começou com a organização de um almoço que juntou mais de duas dezenas de benfiquistas. Repasto feito no restaurante Lazer Sampaio, em Monte Córdova, freguesia do concelho de Santo Tirso. A simpatia do costume das boas gentes do norte, atendimento impecável e um cabrito assado que não dá para descrever aqui de tão bem que soube. A viagem já estava justificada só com aquele almoço.

 

Depois, viagem para o estádio. Estradas curtas, cheias de curvas, paisagens verdejantes e a ideia que íamos rompendo por entre aldeias até chegar a um estádio no meio de uma Vila. Gosto muito. É o futebol a andar pelas terras de Portugal, é o povo a invadir estradas e caminhos da sua paixão num final de tarde de domingo.

Oportunidade para matar saudades do Vítor Pimenta, amigo de longa data de quem já falei por aqui várias vezes. Hoje é fisioterapeuta do Aves. A simpatia daquele abraço num rápido convívio que marca de forma diferente estes dias especiais.

Estádio pequeno e pintado de vermelho e branco, mesmo porque as cores da equipa da casa também são bonitas.

Guarda a visão que se tem da bancada num pôr de sol digno da estação de verão. Cabos de alta tensão que ladeiam o recinto contrastam com a tranquilidade da vitória do Benfica. Pessoas que enchem as varandas e janelas das casas que substituem uma bancada de topo dão um ar de futebol de outros tempos àquela partida. Do nosso lado esquerdo vibra-se tanto no alto daquelas casas como na nossa bancada. Muitos cachecóis do Benfica pendurados e festa garantida no único golo que Jonas fez naquela baliza.

À saída em conversa com os locais percebemos que a Vila das Aves é composta por uma larga maioria de benfiquistas. Teoria que depois confirmámos num jantar inesperado e improvisado junto do local onde estacionámos o carro. No caminho até lá o encontro, que já é um clássico, com a boa malta de Fafe. Esses é que levam isto bem. Carro parado num passeio, porta bagagens aberto para improvisar uma banca que exibe panados, presunto e uma bôla que devia ser considerada património mundial da gastronomia. Claro que tudo devidamente partilhado e oferecido. É uma turma que só por si representa o que é ser Benfica. Abraço a todos e também à malta que ainda ia para Vila Real. Ali respira-se Benfica.

 

Para o fim ficou um inesperado convívio no Clube Amadores Pesca Vila Ave, penso ser este o nome oficial de um restaurante onde nos serviram uma bifana de qualidade superior ao nível das famosas do Conga. E ficámos também a conhecer um vinho chamado Boca Aberta. Faz jus ao nome. A simpatia de uma família que ficou com histórias para contar de um grupo de adeptos do Benfica que sabem que ser benfiquista vai muito além daquilo que se passa num jogo de futebol. A senhora cozinheira é a que trata da alimentação do plantel do Aves. É assim este pequeno mundo. Sair de casa para ir ver um jogo é uma maneira de ver a coisa, conhecer sempre mais e mais mundo por esse Portugal fora com emblema glorioso no comando é outra. A que eu mais gosto. Tenho pena dos que acham que isto tudo se resume a um jogo.

O Benfica ganhou, 6ª feira há mais.