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Red Pass

Rumo ao 38

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Próxima Paragem: Munique!

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Há poucos clubes na Europa que despertem logo um enorme alerta de respeito no final de cada sorteio europeu. O lote é mesmo muito restrito do ponto de vista dos benfiquistas e , até, dos observadores e comentadores de futebol. A minha luta é sempre a mesma, o futebol muda, evolui e todas as épocas as equipas sobem ou descem de valor. Há o tal grupo reduzido de emblemas que só pelo nome assustam. Sempre que ouvimos falar em Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Liverpool, AC Milan, Inter, Juventus ou Bayern, soa o alarme. E reparem que não incluo PSV, Sevilha, Chelsea ou Anderlecht, tudo clubes que já nos ganharam uma final europeia. Estes nunca os consideramos favoritos, não têm o estatuto dos primeiros anunciados.

Isto é devido ao passado glorioso do Benfica que habituou os nossos pais e avós a verem o clube bater os colossos espanhóis e lutar de igual para igual em finais disputadas até ao fim com os gigantes italianos. Como a maior parte dos adeptos não segue atentamente o desenvolvimento das ligas europeias recusam-se a achar que o Benfica não seja favorito contra qualquer equipa que lhe saia num sorteio europeu, tirando aquelas honrosas excepções. É um erro que já desisti de combater.

Um simples exemplo de futurologia: na próxima época calha-nos jogar com o Leicester, campeão inglês (se tudo correr bem), e logo haverá sorrisos indiferentes às qualidades da equipa de Ranieiri. Ninguém quererá saber se são fortes colectivamente ou não. É o Leicester, é para eliminar. No entanto, podem chegar como reis de Inglaterra e o estádio da Luz nem enche para os ver. Mas se sair o Manchester United é casa cheia e o optimismo reduz-se drasticamente. No entanto, o United vem de épocas miseráveis e com um futebol que não assusta ninguém.

É assim a cultura futebolística.

 

Quando o nome em causa é o Bayern de Munique, aí o caso muda de figura. O clube alemão será o mais temido, de longe, de todo e qualquer adepto. Desde o mais informado ou mais distraído, desde o mais novo até ao mais velho, desde o mais optimista ao maior dos pessimistas. O nome Bayern é um pesadelo e as hipóteses de sucesso contra eles descem para níveis muito baixos.
O seu palmarés é assustador. Três títulos mundiais de clubes, cinco ligas dos campeões, uma taça uefa, duas supertaças europeias, vinte e cinco campeonatos e quinze taças na Alemanha.

O historial de encontros entre Benfica e Bayern é negro para nós.

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Em 1976, também nos 1/4 de final da Taça dos Campeões, houve um empate animador em Lisboa sem golos mas em Munique com Uli Hoeneß, Sepp Maier na baliza, o kaiser Franz Beckenbauer, os goleadores Rummenigge e Gerd Müller, entre outros ilustres, golearam por 5-1 o Benfica que contava com José Henrique na baliza, Toni, Shéu, Jordão, Vítor Baptista e Nené que fez o golo de honra.

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Em 1981/82 repetiu-se a dose. Logo na 2ª ronda da Taça dos Campeões o Benfica de Lajos Baroti voltava a empatar a zero com o Bayern de Pal Csernai. Um curioso duelo de húngaros, Lajos despedia-se nessa época e Pal viria parar à Luz uns anos mais tarde para uma época que não deixou saudades, apesar da Taça ganha ao Porto.

Se na Luz os alemães não sabiam o que era marcar, no Olympiastadion abusavam! Nova goleada por 4-1, um hat trick de Hoeneb e um golo de Paul Breitner deixaram Bento enlouquecido na nossa baliza. Nené voltou a fazer o golo da ordem, desta vez de penalti.

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Em 1996 o duelo foi para a Taça UEFA. A primeira mão foi na Alemanha e o Benfica até respondeu bem ao primeiro golo sofrido e empatou por Dimas. Jurgen Klinsmann não gostou da ousadia e, indiferente à presença de Preud'Homme, brindou-nos com quatro (!) golos. No dia seguinte os diários desportivos nacionais falavam em KataKlinsmann.

Na 2ª mão não conseguimos manter a tradição de deixar os alemães a zero. Klinsmann continuava possuído e fez mais dois, o austríaco Herzog fez o outro. Valdo foi o marcador da casa que até o abriu o marcador dessa noite que acabou em 1-3.

 

Só em 2007 houve motivos para um pequeno sorriso contra o Bayern. Foi num torneio de começo de ano no Dubai onde o Benfica aguentou o 0-0 e venceu nos penaltis. Depois até ganhou o torneio batendo a Lazio na final, também por penaltis.

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Tirando esta gracinha, falar de confrontos com o Bayern até dá calafrios.

Por isto tudo, o Bayern é o único clube verdadeiramente temível porque não temos nada a que nos agarrar. Prefiro pensar no duelo deles com o Belenenses em 2007, já no Allianz Arena do que me lembrar das recentes passagens dos dois rivais por lá.

 

Mas nós somos o Benfica. Ao contrário do que aconteceu recentemente com craques milionários da Juventus, Zenit ou Chelsea, que desprezaram o nosso clube antes de jogarem, os alemães mostram um respeito que me assusta ainda mais. É incrivelmente bom ler e ouvir Guardiola, Lahm, Douglas Costa e outros a falarem em tons tão elogiosos para com a nossa equipa. Ao mesmo tempo é sinal de inteligência e de que será mais difícil surpreende-los.

 

Foi esta mentalidade que cedo me apaixonou pelo futebol alemão, o meu preferido no mundo inteiro. O futebol inglês é o mais romântico e será sempre a casa do futebol. Mas a eficácia, organização e espectacularidade do futebol alemão cativou-me desde os anos 80.

O Hamburgo é a minha equipa preferida. Fiquei fascinado por aquela camisola com BP na frente e pela equipa que venceu a Taça dos Campeões em Atenas contra a Juventus com um golo de Magath, tendo como grande figura Hrubesch. O HSV tinha ficado ligado ao futebol romântico três anos antes ao perder com o mítico Nottingham Forest a final do Bernabéu que dava a segunda Taça dos Campeões a Brian Clough.

 

Como Portugal quase nunca participava nas fases finais de Europeus e Mundiais, cedo optei por torcer pela Alemanha por causa do tal fascínio que tinha pelos clubes germânicos nas provas da UEFA. Quem me conhece sabe o quanto adoro o futebol alemão.

Tive poucos ídolos de juventude mas Jurgen Klinsmann foi um dos maiores. Muito antes do KataKlinsmann, eu adorava o avançado já nos tempos do Estugarda. Todas as semanas nos resumos curtíssimos da Bundesliga havia golões de Jurgen. Acompanhei com entusiasmo a sua carreira pelo Mónaco, Tottenham e Bayern e vibrei com todos os golos que apontou pela selecção.

Vejo a Bundesliga como o melhor campeonato da Europa em termos competitivos, com vários campeões nas últimas décadas, e há muito que tinha o sonho de ir ver um jogo à Alemanha.

 

Agora o Benfica tornou possível este encontro marcado na minha cabeça desde os anos 80, vou a Munique ver o Benfica. Sei que vou adorar estar na Alemanha pela primeira vez, sei que tudo vai corresponder às minhas expectativas.

Tenho noção do poderio da equipa de Guardiola mas vou com o mesmo espírito que fui para Anfield Road defrontar o campeão europeu na altura. Vou com o mesmo espírito com que fui para o Camp Nou ver o Barcelona de Messi. Sem medo, com orgulho e já com bilhete comprado para a segunda mão. Somos o Benfica, por isso é que em vez de nos preocuparmos com o que se vai passar com o Tondela ou o Belenenses estamos ocupados a viajar para o centro do mundo futebol internacional.

 

 

 

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