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Red Pass

Rumo ao 38

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O Almoço com Jorge Jesus

 Muito poucas refeições na minha vida podem despertar tanto interesse e curiosidade de terceiros como um almoço com Jorge Jesus. Nos últimos anos tenho ouvido relatos de amigos e conhecidos que já tiveram a sorte de privar com o treinador do Benfica e a conclusão é sempre a mesma, são momentos inesquecíveis. Ontem chegou a minha vez.

 

Como acontece tamanho acontecimento? Da melhor forma possível, isto é, de maneira completamente inesperada. São aqueles momentos em que a vida parece fazer imenso sentido e que tudo parece estar ligado. Sem grandes pormenores faço aqui um curto regresso ao passado só para mostrar como do nada e das maneiras menos previsíveis acontecem as grandes coisas.

A chave desta equação é uma senhora. Uma senhora voz que me habituei a ouvir nos saudosos tempos da Super FM nos anos 90. Na altura tive oportunidade de a conhecer pessoalmente porque ia várias vezes aos estúdios da rádio levantar prémios de passatempos. Criou-se uma cumplicidade pela sua simpatia e pelo seu benfiquismo, claro.

Depois a rádio acabou, apareceu a internet, os anos passaram e as vidas seguiram. Um dia estou a ouvir rádio Marginal e reconheço a voz que mais tarde vim a confirmar ser da Catarina. Fiquei feliz por saber que continuou ligada à sua paixão. Com as facilidades das redes sociais e de amigos comuns que gostam tanto de bola como de música, como eu, foi com relativa facilidade que voltei a reencontrar Catarina Pereira Santos. Com o chat do facebook não há distâncias e rapidamente pusemos a conversa em dia. Dos anos 90 aos dias de hoje existem umas redes sociais a ligarem tudo.
No dia da conferência de imprensa de apresentação do Super Bock Super Rock, ainda no ano passado, deu-se o reencontro pessoal. Daí ao convite em ir à Rádio Radar, do grupo de rádios a que a Catarina está ligada, para gravar uma hora de música na Hora do Bolo ( vai para o ar amanhã às 17h ) foi um instante. A tal gravação aconteceu esta semana e logo um novo objectivo se levantou. A Catarina fala regularmente com Jorge Jesus e quando teve a sua oportunidade de ir almoçar com ele quis estender a honra a outros benfiquistas que estima. Sorte a minha que fui um dos desafiados para tal momento.

Foi assim que numa 5ª feira se juntou um grupo de benfiquistas rumo à Costa da Caparica. A Catarina, eu, o Pedro Moreira Dias da Vodafone FM, Jorge Moreira, uma voz com grande história radiofónica, actualmente na Nostalgia, e o meu grande amigo Paulo Garcia, homem do Planeta Pop.

 

Obviamente, não vou aqui contar o teor de uma tertúlia que durou várias horas à mesa. Cada um de nós ficou com a sua recordação de uma tarde inesquecível. A minha experiência posso resumir aqui numas palavras. E , acrescento, que se come muito bem na esplanada do Barbas virada para o mar.

 

Confirmei todas as impressões que já tinha sobre Jesus. Até ontem tinha conversado com ele duas vezes em jantares de aniversários ligados ao Benfica. Desta vez foi diferente porque o ambiente era descontraído e houve tempo para se criar uma certa confiança e abordar muitos temas.

Jesus é genuíno, confiante, apaixonado pelo seu trabalho, entusiasmado com o presente e bem resolvido com o passado, realista, puro, frontal, excelente conversador e contagiante.

Ouviu cada um dos seus convidados com atenção. Todos tivemos tempo para partilharmos com ele as nossas histórias de benfiquismo, as opiniões, as nossas dores, o nosso agradecimento. Não foge a nenhum tema.

Da minha parte deixei claro que gostava que renovasse dez anos e fiquei a saber que o treinador não é insensível a estas manifestações. Gostei de o ouvir dizer que aprendeu a gostar do Benfica, aprendeu a compreender o Benfica e aprendeu a perceber a grandeza do Benfica. Vê-se que está perfeitamente confortável no seu lugar e que pode continuar lá muito tempo. No entanto, parece-me que neste momento não há certezas quanto ao futuro.

 

O mais impressionante quando se priva com Jorge Jesus é perceber que ele é tudo aquilo que nos habituámos a ver nas conferências de imprensa e nas entrevistas. Nunca o apanhamos em falso. Confirma as ideias, reforça opiniões que lhe conhecemos e convive bem com temas mais delicados. Disse-lhe que estive na goleada no Dragão, confessei que a seguir à derrota no Jamor com o Vitória achei que ele ia sair e eu conformava-me com isso entre outras recordações tristes. Responde a tudo sem rodeios e consegue mostrar que para ele também não foi fácil. Ele também já não esperava continuar após aquele horrível final de temporada. Ainda bem que ficou.

Agradeci-lhe o registo contra o Sporting e pedi para nunca ir lá parar, disse-lhe que Barcelona é bom para turismo mas não tem a paixão clubística que há aqui e tentei marcar novo almoço para quando fosse anunciada a sua renovação, ele preferiu combinar para quando formos campeões.

Se tivesse que escolher uma resposta para caracterizar a boa onda de Jesus ficava logo pela entrada da Catarina quando lhe perguntou se o treino tinha corrido bem. Resposta: os treinos correm sempre bem, os jogos às vezes é que é mais complicado. A rir-se.

Jorge Jesus é uma enorme figura, tem uma simpatia e espontaneidade incrível.

 

Quando soube em 2009 que era ele que vinha para o Benfica fiquei desanimado. Acreditava zero no seu sucesso. Cheguei a dizer isso ao Rui Costa depois de um derby em andebol no pavilhão da Luz. Isto para dizer que a minha admiração por Jorge Jesus veio do zero. Só a meio da primeira época é que me rendi. Depois tive alturas em que me desiludi com as suas escolhas, com as suas apostas e com as suas decisões. Mas aos poucos fui desenvolvendo uma admiração que cresceu imenso à custa dos muitos benfiquistas que o odeiam. De tanto querer explicar aos companheiros benfiquistas que não gostam de JJ que estão enganados acabo por ser elevado a fã de JJ. Achava exagerado mas agora já nem me importo. Assumo que gosto do nosso treinador e este almoço só confirmou que tenho razão em querer que ele fique no Benfica mais tempo. Foi uma grande honra, foi um dos melhores almoços de sempre. Eternamente agradecido à Catarina pelo convite.

Agora, ganhar ao Arouca, Mister! Muita fortes.

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