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Red Pass

Rumo ao 38

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Eintracht Frankfurt 2 - 0 Benfica: Falta de Ambição Castigada

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Boas exibições, jogar bem, ganhar e convencer, nada disto pode ser um problema para o Benfica. Bruno Lage chegou à equipa do Benfica e ganhou no Dragão com exibição personalizada, encantou em Alvalade com um 2-4 que soube a pouco, voltou a bater o Sporting na Luz na 1ª mão da final da Taça de Portugal com um resultado demasiado curto para aquilo que a equipa jogou e deu espectáculo na Luz contra o Eintracht há uma semana, esteve perto do 5-1 e levou um traiçoeiro 4-2 para a Alemanha.

Ora, estes resultados juntam-se a outros menos mediáticos e devolveram aos benfiquistas o orgulho e o prazer de ver o Benfica jogar. Colocou o Benfica na rota do título, a Taça da Liga ficou marcada por uma arbitragem vergonhosa, deixou o Benfica às portas do Jamor e das meias finais da Liga Europa. 

Sempre a jogar ao ataque, com uma futebol ambicioso, com uma atitude conquistadora. 

Então, pergunto eu, porque raio se abdica dessa filosofia à Benfica em dois momentos chaves da época?! Em Alvalade, na 2ª mão da Taça de Portugal, fiquei com a clara sensação de falso conforto com uma vantagem mínima. Falharam-se oportunidades que podiam ter dado outro rumo, é certo, mas o pior foi a sensação de nos metermos a jeito. Isto, depois de dois derbys em que o Benfica não foi superior, foi muito superior! 

Agora em Frankfurt a mesma sensação. 

Houve uma pergunta na conferencia de imprensa antes do jogo da Alemanha que levantou a questão da gestão do resultado. Correu mal em Alvalade, teria servido de aviso para a Europa? Lage respondeu que não tinha comparação mesmo pelo espaço de intervalo entre os jogos das eliminatórias. Isto descansou-me, no sentido em que percebi que a lição estava aprendida. Por isto, quero pensar que a estratégia preparada para esta noite era ambiciosa e seria procurar marcar um golo ignorando a vantagem trazida da Luz. 

No papel via Félix na esquerda, Rafa na Direita, Seferovic no centro e Gedson pelo corredor central para desequilibrar. Ligeiramente diferente do que se viu na Luz mas parecia um plano válido. 

O problema foi perceber com o decorrer do jogo que a equipa ia abdicando de pressionar alto, de ter a bola e de procurar criar perigo. Foi um convite para o Eintracht tomar conta do jogo. A tal falsa sensação de controlo e conforto com uma vantagem curta. 

Volto então a dizer que depois de vermos o Benfica a jogar bem, a ser ambicioso e a mostrar vontade de vencer nos estádios dos maiores inimigos da sua história, fica muito complicado de entender esta apatia.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Tem sido tudo tão rápido que não podemos esquecer que esta equipa técnica só lidera o futebol do clube há pouco mais de três meses. Não sei se estas hesitações estão ligadas a tão prematura experiência mas é estranho ver que tudo o que queremos do futebol do Benfica pode ser bem feito contra as equipas mais temidas do nosso calendário e depois se caia numa vulgaridade surpreendente. 

A formula já está descoberta, rapazes! Entrar para ganhar, ter atitude ambiciosa, jogar bem e lutar por uma vitória em cada jogo. Tal com já fizeram em, quase, todos os jogos. 

É que esta exigência dos adeptos clube não é só um capricho arrogante. Esta exigência vem da gloriosa história do clube que tem muitas, demasiadas, noites de infelicidade marcantes. Os benfiquistas quando exigem que a equipa jogue sempre como jogou no Dragão ou em Alvalade para a Liga, por exemplo, é porque sabem que só assim ficam a salvo das maiores injustiças e infelicidades que o futebol tem para oferecer. 

O Benfica acaba eliminado nos 1/4 de final da Liga Europa sem ter sofrido mais golos do que marcou. Sai vitima de uma regra que daqui a uns meses já não estará em vigor. Daqui a uns anos vamos figurar como um dos últimos clubes afastados pela regra do golo fora da UEFA. Um sabor amargo que já vem daquela noite com o Dukla na Luz. Na nossa história figura também a última decisão europeia de apurar uma equipa por moeda ao ar. Passou o Celtic. Como se vê, não nos podemos colocar a jeito destas infelicidades.

Mesmo porque a tudo isto junta-se os famosos casos de arbitragens. Já deixámos de ganhar uma Liga Europa por causa de uma arbitragem terrível em Turim. Mas, lá está, se tivéssemos concretizado uma das muitas oportunidades teríamos sido tão felizes contra o Sevilha. 

Hoje custa mais engolir o golo que abriu o caminho para a reviravolta dos alemães. Perto do intervalo nenhum dos elementos da equipa de arbitragem consegue ver um fora de jogo tão óbvio que o próprio Kostic antes de ir festejar olhou duas vezes para o árbitro auxiliar. Isto numa prova organizada pela UEFA que passou o dia a elogiar o desfecho do louco jogo da véspera em Manchester. E bem. Por muito que tenha custado a Guardiola, o 5-3 foi bem anulado pelo VAR que viu Aguero em posição irregular. É muito complicado de entender que 24 horas depois seja possível uma equipa chegar à vantagem com um golo ilegal. Isto num jogo disputado entre dois clubes já habituados a conviver com o VAR nas suas ligas. Mais uma vez, vamos ficar ligados a um momento de injustiça. 

Estes são os factos de uma noite em que tudo o que podia correr mal, correu. E não foi por falta de aviso. Foi dito e repetido que o ambiente em Frankfurt era fervoroso, que a equipa alemã tinha dignos argumentos e que não se podia facilitar com uma vantagem de um golo e meio. Mais uma vez, ficou a sensação que a equipa do Benfica não se importava de passar com uma derrota por 1-0. Noites de sofrimento e resistência épica acontecem pouco porque acabam traídas por golpe de sorte, de azar, de uma má decisão do árbitro, de uma falha ou seja lá o que for. Noites como aquelas de Turim contra a Juventus são raras.

Ser afastado do sonho europeu pela regra do golo fora, por ausência de VAR e com a sensação que não somos inferiores ao sobrevivente alemão nas provas europeias só é superado em termos de agonia pela tal falta de ambição que todos sentimos. 

Sim, porque andar na Europa no mês de Abril também não pode ser um problema. A carreira europeia no Benfica não pode ser vista como uma chatice. O Benfica também se fez grande por todo o respeito que conquistou na Europa. 

Repito que esta equipa técnica só tem cerca de 3 meses de trabalho com esta equipa. Admito que haja hesitações, erros de avaliação e até erros do treinador. Isso não tem problema. Os últimos dois treinadores do Benfica tiveram ciclos de trabalho muito longos onde puderam errar à vontade. Não exijo a perfeição a Lage ao fim de 3 meses mas garanto que estou intrigado com esta forma de abdicar nas provas a eliminar daquela filosofia tão maravilhosa que nos voltou a colocar na liderança do campeonato de forma quase milagrosa. 

No fundo, não estava a pedir nada de mais para esta noite. Apenas e só que percebessem que o resultado da Luz era traiçoeiro e por isso teríamos de começar tudo de novo na Alemanha e voltar a fazer uma exibição igual ou, pelo menos, ao nível do que costumamos fazer na Liga. 

Fica este amargo de boca de falharmos as meias finais europeias. Que seja uma obsessão do clube chegar lá o quanto antes, é o que peço. 

Sobram as cinco finais do contra relógio do campeonato. Pronto, agora não há mais distracções, nem desculpas, nem tentações. Façam com que as exibições do Dragão e de Alvalade para a Liga não caiam no esquecimento. 

Rumo ao título e que para o ano não se hesite nas Taças nem na Europa.