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Red Pass

Rumo ao 37

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Boavista 0 - 2 Benfica: Foi Você Que Pediu Um Golo de Ferreyra?

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Para começar, perdoem-me o trocadilho do título mas foi o que me lembrei quando vi Ferreyra a festejar no Bessa. Desde o famoso anúncio ao Porto Ferreyra que a pergunta não fazia tanto sentido. Se calhar, os mais novos nem sabem do que se trata. Googlem.

Permitam-me que ande para trás uns dias antes deste sábado.

Porque estamos em pleno verão, porque muitos dos leitores estão ou estiveram de férias, este cenário que vou recuperar deve ser familiar a muitos de vós. Sexta feira, fim de tarde no Algarve. Dia de praia impecável, companhia certa, temperatura amena da límpida água e a simplicidade de estar flutuar do mar tranquilo a olhar de frente para o sol a descer no horizonte e pensar que o momento podia ser eterno. Tudo tão perfeito e tranquilizante que uma pessoa até se interroga: para quê fazer 300 km para Lisboa daqui a pouco e amanhã juntar mais 600 e tal "só" para estar no estádio onde o Benfica joga às 19h? 

É complicado de contextualizar naquele momento tão especial. Mas há uma força interior que nem nos deixa hesitar. Já longe do mar e daquele momento outras emoções se repetem. O Ferreyra ganha uma bola lá do outro lado do campo, atira à baliza e há explosão vermelha à minha volta. Claro que tinha de estar ali.

Voltemos outra vez atrás no tempo. Até 2ª feira. Portimão, 20h15m, o que é que leva um homem a ir de Silves para o Estádio do Portimonense? Fácil, vamos ver o próximo adversário do Benfica na Liga NOS. E o que leva dessa noite? Um pré aviso para os seus companheiros de bancada sobre Helton e Raphael Silva. Eram estes, perguntavam alguns deles hoje na bancada? Sim, estes foram os tais que me impressionaram. Pronto, uma pessoa sente que cumpriu a sua tarefa mesmo que aos olhos de pessoas desinteressadas deste contexto pareça ser uma perda de tempo.

 

Ir ao norte ver o Benfica é uma constante do nosso campeonato. Felizmente, tornou-se um pretexto para encontros gastronómicos com os amigos do costume e caras novas que sempre vão aparecendo. É assim que se estende o benfiquismo. Temo que, desta vez, não venha dar uma grande novidade a nível de local para refeições. O Tourigalo é um clássico da Avenida do Boavista mas eu nunca lá tinha ido. Talvez porque nunca resisto a passar pela Cufra sem parar. 

Mesa marcada, recepção personalizada. E aqui deixem-me fazer um destaque para o muito simpático empregado que me veio cumprimentar para informar que é o pai da Alice Carneiro, uma adepta benfiquista do norte que já este no Uma Semana do Melhor. A partir daí ficámos entregues às iguarias do norte. Vitela, secretos, bacalhau, frango e entradas a condizer, com cerveja que o dia foi quente. Belo repasto, excelente convívio.

 

Depois, é sempre uma maravilhosa sensação subir aquela Avenida e ruas adjacentes e ver o mar vermelho que torna tudo tão familiar mesmo que tão longe da Luz e em plena cidade do Porto.

Já disse e escrevi que um dos locais mais especiais para se ver, sentir e festejar um golo do Benfica é no Estádio do Bessa XXI. Adoro ver futebol ali. Isto apesar do cuidado com a limpeza das cadeiras ser zero, a Liga devia ter vergonha de aprovar estas condições para os adeptos que pagam (e bem) para ver um jogo naquelas condições, e os acessos ao exterior do estádio no final do jogo serem uma vergonha. A Liga que continue a ignorar estas criticas, a Liga que continue a não fazer nada, a Liga que continue a desprezar quem paga e sabe do que fala. 

Voltando à visão maravilhosa que se tem no Bessa, mesmo que atrás de uma baliza. Deu para ver um Benfica sem surpresas no onze à procura de ser feliz e com vontade de não repetir os últimos dois resultados ali. 

Ver o primeiro golo oficial de Ferreyra ao vivo é um privilégio. Ia escrever que não tem preço mas depois a Liga ainda se aproveitava disto para aumentar os preços. A recuperação de bola, a intenção de rematar a bola a entrar mesmo no canto contrário da baliza no fundo das redes laterais. Que momento. E os festejos? Que pausa na vida para tudo começar a fazer sentido. 

Ao intervalo, o 0-1 sabia a pouco. 

A 2ª parte trouxe algum do melhor futebol que esta equipa já tinha mostrado a espaços com o Fenerbahçe na Luz e com o Vitória SC. Só que desta vez com maior amplitude e envolvência. A jogada de Salvio na direita em corrida para dentro a dar a bola no momento certo para Pizzi que já tinha pensado como ia fazer o golo, foi tudo vivido ali bem por cima deles por uma multidão vermelha que antes da bola entrar já festejava, tal a simplicidade, a beleza da jogada e a facilidade da execução. 

Jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há. A frase é tão boa que só podia ser do mestre Johan Cruyff. Eu atrevo-me a acrescentar: e quando um adepto tem a oportunidade de assistir a essa simplicidade a funcionar então o futebol é arte. E quando é a equipa do Benfica a interpretar, o futebol é vida. 

Foi, também, ali que vi aquele golo épico do nosso Jonas a dar-nos 3 pontos. Simplicidade que causou caos festivo. Inesquecível, claro.

Voltemos aqueles momentos de reflexão. E aquele dia de Dezembro em que pensei o que raio ia eu fazer ao Bonfim para ver um jogo da Taça da Liga em que o Benfica já estava afastado? A resposta apareceu no jogo, como sempre. Vi o Rúben Dias marcar o seu primeiro golo oficial pelo Benfica. 

Rúben, que há um ano estava entrar a titular no Bessa. Rúben, que hoje no final foi à bancada entregar a sua camisola. Parece que passou uma década mas foi só um ano.

Isto vem a propósito de quê? Simples resposta. Hoje vi a estreia oficial do João Félix no Benfica. Daqui a uns anos vou poder puxar deste trunfo. Só não foi mais épica porque Jardel não acertou na baliza de cabeça depois de um passe do menino que entrou como se jogasse naquele nível há anos. Reparem que já nem refiro o prazer que é ver Gedson a crescer de jogo para jogo. Mas tenho de referir que quando vi o miúdo a jogar lembrei-me do gozo que me deu estar na praia e ler o belo trabalho que o Nuno Paralvas, da A Bola, fez sobre o seu passado. Ali tudo fez sentido. Os pontos ligam-se assim.

 

A única derrota fora do Benfica na época passada, para a Liga, foi no Bessa. Se a minha vida fosse influenciada pelas derrotas e o maus momentos do meu clube eu nunca teria estado hoje no Estádio do Boavista a viver emoções tão boas. Nem tinha ido ao Bonfim. Se calhar, ainda estava a banhos no Algarve. Mas ver o Benfica ao vivo não tem comparação com nada. Não é melhor nem pior. Não é mais ou menos importante do que outra coisa qualquer. É, apenas e só, uma dádiva, um privilégio. Felizes aqueles que o podem fazer muitas vezes e que são motivados apenas pelas camisolas vermelhas independentemente dos adversários ou dos estádios. 

Por falar em camisolas, ver o Benfica a jogar de calções pretos e o Boavista a jogar de calções brancos é anti-natura para não dizer outra coisa. Não quero saber de recomendações, regras e modernices. Desde a década de 30 que estes dois clubes se encontram no Bessa para jogos do campeonato, raramente o Benfica terá jogado de calções pretos. Estivemos todos enganados até 2018? Já sei, sou um chato do caraças com estes pormenores. Fico pior quando faço tantos quilómetros, pago tanta despesa, bilhete incluído, e tenho de vir para casa lavar a roupa toda suja das cadeiras que a Liga aprova no recinto que me recebe. Isso não interessa, os calções pretos é que são importantes.

 

Bela exibição do Benfica. 

Já passou. "Reset" e preparar PAOK.

Por um Agosto à Benfica. 

 

PS Houve sandes de leitão para baixo.