Boavista 0 - 1 Benfica : Batalha no Sintético Resolvida por Eliseu
Sabia-se que ia ser complicado mas talvez não se esperasse que fosse assim tão duro. O piso sintético fez mesmo uma vítima, Ruben Amorim, o Bessa revelou-se mesmo um palco difícil e o Boavista cerrou fileiras compensando em entrega e atitude o que lhe faltava em técnica e experiência individual.
Felizmente, o Benfica levou o desafio mesmo a sério e percebeu que os avisos ao longo da semana não eram só teoria. A equipa aceitou o repto do regressado Boavista e foi à luta num jogo muito mais de combate do que bem jogado. Quando não dá para colocar a bola na relva e explorar a velocidade de Salvio, a genialidade de Gaitan a profundidade de Lima e assumir o controlo do meio campo e do jogo, há que lutar pela bola, há que correr atrás do adversário e há que mostrar as garras nas lutas individuais. Muitas vezes é nesta luta que se perdem pontos, ou porque os jogadores são surpreendidos ou porque não estão preparados ou porque facilitam. Não se pode acusar o Benfica de nenhum destes pecados.
Isto resulta numa exibição longe de ser agradável e de nota artística reduzida mas o trabalho foi recompensado com os três pontos.
No Benfica duas peças (ainda) estranhas no funcionamento da equipa. Talisca a fazer dupla no meio campo com Ruben Amorim, e depois com André Almeida, e Jara como segundo avançado acompanhando Lima. Se o brasileiro tem a desculpa de estar a chegar agora a esta nova realidade sendo importante tentar ver algo de positivo na sua exibição esperando que chegue a padrões de qualidade aceitáveis para ser titular, o mesmo já não se aplica a Jara que já leva quase trinta jogos , ainda que espaçados, pelo Benfica. Para se insistir no argentino mais valia começar a testar Tiago (Bebé) naquela posição porque Franco Jara nunca poderá ser titular do Benfica, se for é muito mau sinal.
O Boavista entrou muito forte e em superioridade numérica no meio campo com uma atitude muito vincada onde o colectivo funcionava bem ao nível da pressão sobre a bola e fechando espaços na defesa. Não foi nada fácil ao Benfica construir jogadas de ataque nem dar a bola em boas condições a Lima. Primeiro a equipa do Benfica adaptou-se ao piso, depois tentou impor o seu futebol e quando percebeu que ia ser complicado entrar na área para criar perigo optou por cruzamentos e remates de fora. Aqui foi Eliseu que assumiu protagonismo, já que Talisca ao nível do remate pouco ou nada assusta o adversário. O lateral esquerdo ensaiou um grande pontapé fora da área que Arturo Monllor defendeu como pôde. Antes do intervalo Eliseu voltou a tentar e foi feliz fazendo um golo precioso que vale 3 pontos e que na altura fazia respirar fundo o Campeão nacional aliviado com a abertura de marcador antes do intervalo.
Pensou-se que a 2ª parte podia ser bem mais pacífica para o Benfica mas começa logo mal ao intervalo quando Jesus acaba expulso do jogo e vai para a bancada.
O Boavista veio ainda mais determinado em equilibrar o jogo e com intenção de chegar à baliza de Artur, o único objectivo que não atingiram já que o resistente guarda redes nem uma defesa teve que fazer. O Benfica podia ficar com espaço para partir para o contra ataque tirando proveito da velocidade nas alas ou conduções pelo meio mas acabou por não acontecer muito.
O 0-2 não aparecia e assim o Boavista esteve sempre na luta pelos pontos até ao fim do jogo fazendo sofrer os benfiquistas dentro e fora do Bessa.
Com a ausência de Enzo faltou o ponto de referência e de equilíbrio do meio campo encarnado, ficando evidente que o clube não pode dobrar o dia 31 de Agosto partindo para uma longa época só com estes argumentos hoje à disposição de Jesus. Não chega.
Hoje valeu pela entrega, pela atitude e por perceberem de que tipo de jogo se tratava. Mesmo sem resolver de vez a questão a equipa liderada por Gaitán tentou sempre arrumar a questão. A aposta em Ola John foi falhada e Derley entrou só para queimar tempo. Lima precisa de companhia e alternativa à altura, se Enzo sair é preciso repor uma qualidade que não existe ao alcance do clube no mercado. Entre os reforços, Eliseu ganha relevância e valeu hoje 3 pontos.
Quanto ao Boavista, excelente réplica muito à imagem do seu treinador e muita motivação que não sei se será a mesma quando tiverem que defrontar adversários de dimensão bem inferior à do Benfica. É um grande desafio que Petit tem pela frente, hoje deixaram uma mensagem de entrega e dedicação, o que é bom sinal para os seus adeptos.
Depois de vencida a Supertaça, de quebrada a malapata na estreia do campeonato com uma vitória, 3 pontos num estádio tradicionalmente muito complicado. Melhor arranque oficial era impossível de pedir!



















