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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 4 - 2 Rio Ave: Voltar a Respirar

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O começo foi doloroso. Parecia que o pesadelo de Portimão estava para continuar... 

Mas quando a equipa ganhou confiança e acertou nas transições ofensivas aconteceu uma daquelas "remontadas" à antiga que dá gosto dizer que se esteve no Estádio para ver.

O cenário era complicado, a derrota na jornada a meio da semana ditou mesmo a queda da equipa técnica liderada por Rui Vitória e o sangue novo veio do banco da equipa B com Bruno Lage como rosto mais conhecido.

O desafio era, acima de tudo, convencer os jogadores a darem mais, muito mais, do que tinham mostrado contra o Portimonense. Bruno Lage preparou o jogo, olhou para o adversário e optou por um clássico 4-4-2. Ao contrário do que a convocatória parecia indicar, o parceiro de Seferovic não foi Ferreyra. Nem Castilho. Os dois reforços ficaram no banco e a aposta foi em João Félix. Portanto, na ausência do castigado Jonas, Seferovic e João Félix na frente. Salvio recuperou o lugar na direita e Cervi foi aposta na esquerda. Discutível a ausência de Zivkovic, uma boa dor de cabeça para o treinador.

No meio Pizzi e Fejsa, Gedson saiu da equipa depois da exibição nula do Algarve, e lá atrás tudo igual. 

Mudavam as dinâmicas atacantes com mais procura por jogo interior e relevância para o papel dos dois homens da frente que foram essenciais para a vitória. Pelos golos marcados e pelo que fizeram jogar.

Estas são as boas notícias deste novo ciclo. As más viram-se logo no começo da partida. Muitos desequilíbrios defensivos, pouca consistência no meio campo sem bola pouca oposição à velocidade e imprevisibilidade individual dos adversários. SE a ideia é melhorar o processo ofensivo, então é urgente afinar e acertar em toda a organização defensiva.

A perder por 0-2, à imagem do que tinha acontecido em Portimão, a equipa do Benfica ficava entregue a si própria. Aqui com a vantagem de jogar em casa e com os adeptos a quererem ajudar. Primeiro houve forte assobiadela à apatia da equipa mas assim que se percebeu que vontade de vencer era mais que muita a plateia começou a ajudar. Vieram os golos e a harmonia com as bancadas passou a ser total. 

O que me faz confusão actualmente no Estádio da Luz é a passagem da depressão colectiva à euforia desmedida em poucos minutos. Também me parece que os adeptos estão algo perdidos no meio de tantas emoções, boas e más. 

Já expliquei que nunca assobiei nem mostrei um lenço mas não critico quem o faz. Quando a equipa sofre o 0-2 achei normal a assobiadela geral. Não concordei porque acho que nunca vem ajudar em nada. Mas faz parte do jogo. Acho que ainda fico mais incomodado quando vejo a famosa onda depois de consumada a reviravolta. Se os assobios se explicam por justificado descontentamento com a fragilidade defensiva da equipa, a onda não tem explicação. Estamos numa fase delicada da época, mudámos de treinador e não sabemos por quanto tempo vamos ter esta equipa técnica, estamos a sete pontos do líder, andamos no 4º lugar da classificação, onde estão os motivos para a euforia? Por termos dado a volta a um resultado? Ok, tudo bem mas a mim parece-me exagerado.

Prefiro olhar para o que de bom saiu deste jogo de hoje, prefiro olhar para a frente e tentar perceber os problemas que Lage vai ter já nos Açores. Volta Jonas, quem sai? Mantemos o 4-4-2? E quando Rafa estiver recuperado? Enfim, temos tanto com que nos preocupar que nestas vitórias só consigo sentir alivio. 

Uma palavra elogiosa para Bruno Lage que aceitou o desafio de liderar a equipa num momento delicado e prestou um óptimo serviço ao clube. Tanto no jogo como nas declarações que se seguiram.

O golpe profundo de Portimão foi estancado hoje contra o Rio Ave. O futuro está já aí e é preciso manter este sentimento de missão. Sem euforias e sem depressões, de preferência.