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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 1 - 1 Sporting: Um Raio de Luz Chamado Félix

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 O João Félix envergonha os meus 18 anos. Tenho que esclarecer que até tenho muito orgulho nos meus 18 anos. Passei a estudar à noite para começar a trabalhar numa fábrica da Nestlé em Linda-a-Velha e saber o que custa a vida, passei a rapar o cabelo e abandonei o estilo de risco ao lado e a 2 de Outubro de 1991 arranjei o meu primeiro conflito laboral por querer sair mais cedo para ir à Luz ver o jogo com esse colosso de Malta, o Hamrun Spartans. Tudo muito engraçado mas com 18 anos não estava no relvado a fazer golos ao Sporting e o João Félix está. 

 

Foi o grande momento do derby. Cruzamento de Rafa, depois de Fejsa ter dado a Zivkovic que meteu rápido no português, bola para a área e o puto a saltar para fazer de cabeça o primeiro golo pela equipa principal e salvar o Benfica de uma derrota embaraçosa.

Aliás, esta jogada que deu o empate exemplificou na perfeição o que o Benfica não fez no resto do jogo. Meter velocidade, ligar o jogo rápido entre sectores e criar desequilíbrios e imprevisibilidade para quem defende. 

Não tenho outra maneira de dizer isto, este derby foi muito frustrante para quem já vê jogos destes desde os anos 80. Esperava mais do Benfica. 

Na teoria, este seria o Sporting menos forte na Luz dos últimos anos. Na verdade, não me lembro de uma equipa do Sporting tão remendada na Luz. Fizeram o seu jogo, acabaram o derby ao pior estilo de uma equipa de meio da tabela a lutar por um pontinho mas, lá está, tinham noção da enorme diferença de qualidade de um lado e do outro. 

O Benfica não fez o que lhe competia e o que se esperava. Acabou por ir caindo na teia que Peseiro montou, tornou o seu futebol previsível e anulável e deixou o adversário acreditar e crescer. 

O lance que dá o penalti, indiscutível, ao Sporting mostra bem tudo o que não era preciso fazer. Jardel passa a Rafa sem nexo. Ruben Dias acaba a fazer falta em Montero. Impensável estar a perder com este Sporting em casa. Mas aconteceu. 

Verdade que Salin engatou grande exibição, lá está, ao melhor estilo de equipa menor. Aquilo que eu achava que seria um trunfo, mais jogos nas pernas numa altura da época em que o cansaço não é dramático por ser o arranque da temporada, afinal teve efeito contrário. A equipa pareceu desgastada nas alturas em que era preciso imprimir velocidade. Gedson e Pizzi não estiveram tão fortes como em jogos anteriores. 

Sem Salvio para esticar o jogo pela direita, foi Rafa quem tentou desequilibrar, tendo Cervi no lado oposto a forçar a entrada de bola no meio onde Ferreyra voltou a estar desligado do resto da equipa. 

Acabou o Benfica com Seferovic e João Félix em campo a ser muito mais objectivo e perigoso. Eu já tinha escrito aqui que o miúdo até podia ser lançado mais cedo nos jogos. Quando entrou agitou sempre. Hoje mexeu com o marcador final.

Apesar da desilusão que foi esta noite queria deixar aqui uma curiosidade da primeira parte. Uma jogada colectiva em que a bola teve de passar pelo guarda redes do Benfica foi brindada com uma enorme assobiadela. A bola continuou a correr e acabou por ser uma das jogadas mais bem conseguidas da primeira parte na Luz. 

Outra nota, esta positiva, para a postura do rival na Luz. Desta vez, sem a rábula de nos trocar a ordem de ataque, com dirigentes na bancadas da Luz, sem stresses desnecessários.

Depois, deixem-me dizer que um derby à 3ª jornada é uma parvoíce em termos de calendário, a adrenalina desce para metade.

 

 

Finalmente, tenho lido muita coisa bonita sobre intenções de tornar o futebol português melhor. Muitas acções que ia tornar o espectáculo mais atraente, com mais qualidade e com o tempo útil de jogo a aumentar.

Muito bem, então o que foi isto que este Godinho veio fazer à Luz?! Atenção, não estou a falar em lances polémicos nem nada disso, o tom deste blogue não é esse. Falo no tempo perdido e das rábulas para fazer parar o tempo útil de jogo. Do mais enervante que já vi num estádio. E não me pareceu que Godinho tivesse poder para tornar o jogo melhor. Foi pena.

Esta foi a primeira grande desilusão da época, pedia-se uma vitória num derby que deixasse a equipa moralizada para o jogo decisivo na Grécia. Não foi possível e a derrota caseira do Porto atenuou um pouco esta frustração. 

Mas o sucesso desta primeira etapa depende muito da qualificação europeia e da viagem à Choupana que se segue. Tudo com a companhia de João Félix, de preferência, o verdadeiro raio de Luz neste derby.