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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 1 - 1 Sporting: Banho de Realidade

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 No espaço de um mês, o Benfica defrontou em campo as duas realidades virtuais que passaram a mandar no futebol português. No Dragão, por exemplo, ficámos a saber que verdade desportiva é o Filipe arrancar pela raiz o melhor marcador do campeonato e não ser expulso. Aliás, nem merecedor de cartão amarelo. Entre outras coisas, no mesmo jogo também ficámos a saber que por 3 mil euros é perfeitamente possível um adepto sair da bancada, entrar no terreno de jogo e agredir um dos intervenientes, neste caso o Pizzi, e ser retirado para nunca mais se falar do insólito momento.

 

Ou seja, o Porto que carrega forte desde Maio na conspurcação do futebol português depois de ter apelidado de Liga Salazar o nosso campeonato e ter entrado num ciclo descontrolado de devassa de vidas alheias, dentro de campo não mostrou ser superior ao tal Benfica que só ganhou 4 ligas seguidas por aldrabice. Não bateu certo a realidade nua e crua com a virtual.

 

Agora foi a vez do Sporting. O clube que deixou de ter um leão como símbolo e um lema de vida distinto, algo como serem diferentes com uma postura mais clássica que os marcou durante décadas, passou a ser o clube do Bruno que é o "Ai Jesus" de toda a imprensa, seja geral ou desportiva. O homem que em 2018 acha divertido ir com os cabecilhas criminosos das suas claques num cortejo folclórico. Repito, em 2018! O Vale e Azevedo fez isso no final do século passado em Alvalade e conseguiu ter mais classe. O Presidente Vilarinho prometeu quando chegou ao Benfica ver dois jogos na Luz no meio dos topos. Cumpriu, viu um jogo nos Diabos Vermelhos e outro nos No Name Boys. Foi no começo deste século. Portanto, em 2018 isto nem é original é só mais circo.

Mas resulta. Claro que resulta. Estamos nós à espera de notícias relevantes como os "11" que os treinadores vão lançar, quem vai para o banco, quem irá para a bancada, haverá surpresas de última hora? E o que nos dizem as notificações das aplicações de sites e jornais de uma maneira global? Que o Bruno já está em Alvalade, vejam o vídeo de Bruno a saltar enquanto sorri a dizer que não é lampião ou deliciado ao som de FDP SLB, que Bruno já vai a andar com o cortejo. Sim, pasme-se! O Bruno sabe andar e portanto é notícia. Que o Bruno já está na Luz, e que o Bruno tira fotos na bancada e por aí fora. É a isto que o futebol se resume em dia de derbi.

O Bruno e o Saraiva e tropa online toda reunida no dia da ida à Luz. Eles que informaram o mundo que o Benfica só ganha campeonatos por causa de vouchers para jantar. Eles que orquestraram uma campanha vergonhosa contra o nosso treinador, contra a equipa técnica, contra o presidente, contra tudo o que mexe. Eles que todos os dias falam em descer de divisão, eles que assumem de vez o sonho de terem um mundo sem o maior pesadelo deles, o Benfica. Eles que, finalmente, mostram ao mundo que nasceram para serem o Benfica mas em mau.

E isto tudo porquê? Porque se acham melhores. Por exemplo, na última semana o treinador bi campeão nacional, homem que concretizou o Tetra contra tudo e contra todos, deu uma entrevista ao Record. A entrevista serviu para uma edição. Rui Vitória não ofendeu ninguém, não pediu descidas de divisão para ninguém, não se meteu com ninguém.

Depois, o mesmo jornal apresenta uma entrevista com o Bruno. Não foi coisa para uma capa e uma edição. Nada disso, é material para duas capas, duas edições, sendo uma delas em pleno dia de derbi. Por aqui se vê a opção editorial da nossa imprensa, a tal que depois pede fair play e que todos se divirtam. Do Benfica fala o treinador sobre futebol, do Sporting fala o Bruno sobre... enfim, sobre tudo.

 

Ou seja, o Sporting joga um futebol fabuloso, avassalador e de uma qualidade superior. Mas não é este ano. Jogam assim desde 1906 só que os malandros dos benfiquistas boicotam a arte única do futebol verde e acabam por ganhar o dobro dos campeonatos. Uma questão que Bruno já resolveu, decretou que ao fim destas décadas todas fomos todos uns anormais e, portanto, o Sporting tem 22 campeonatos. Lá chegaremos à equivalência da Taça das Taças para Liga dos Campeões, vão ver.

 

Aparecem aqueles 90 minutos de jogo, um pormenor que hoje em dia só atrapalha as notícias à volta dos Brunos e dos J. Marques desta vida. Uma chatice chamada jogo de futebol. O tal momento em que nos vamos impressionar com o futebol de outro mundo do Sporting, o tal que só não ganha campeonatos porque o Benfica corrompe tudo à volta.

Até começam bem, sem se perceber como ficam em vantagem no derbi com um golo de Gelson. E a partir desse momento? Bom, poucas vezes na vida vi o Benfica a ser tão superior num derbi! Festival de golos falhados, a super equipa do Sporting completamente vulgarizada em campo e ligada à máquina pelo tal golo. Só deu Benfica.

Voltamos à chatice da realidade virtual dentro de campo não valer nada. Era com este futebol que iam dominar o mundo? Não me parece.

 

 

 Então para quê tanto e tanto barulho, tanta violência verbal contra árbitros e demais agentes desportivos? Resposta fácil. É seguir os factos. Empurrão de Coentrão a Jardel, mão de Coentrão na área, mão de Piccini na área, mão de William na área, Acuña fora de jogo no momento do tal golo do Sporting. O que dizem os donos da verdade absoluta e universal do futebol? Nada. O VAR resolve. O tal VAR.

Mas será que algum destes lances pode ter tido influência no jogo? Será que, ao menos, pode ter havido polémica em tanta decisão sempre a beneficiar o mesmo lado? Claro que não! Tudo perfeito.

Meu caros, a realidade virtual deles é esta. É nisto que sonham viver. É isto que os faz viver. Um mundo em que o Benfica seja uma personagem secundária dos passeios deles sem vergonha e sem futebol que se veja porque só pensam em ganhar um campeonato. Um que seja. São capazes de vender as mães para celebrarem um campeonato, por isso acham que o derbi foi um tratado de verdade desportiva. Por isso, cantavam euforicamente perto dos 90 minutos, como se não fossem o Sporting e como se não lhes fosse acontecer alguma coisa inesperada porque são o... Sporting. Claro que aconteceu. O Jonas já marcou ao Sporting. O melhor marcador do campeonato não se deixou embriagar de felicidade por ter assistido pasmado a uma decisão que já todos achávamos impossível, marcar uma falta por mão na bola dentro da área do Sporting a favor do Benfica. O milagre aconteceu, Jonas respondeu com a habitual eficácia.

 

Portanto, na realidade virtual verde e azul, o Benfica continua a mandar nisto tudo com os árbitros, o VAR, os delegados e tudo o mais na mão. Nessas realidades, o Sporting e o Porto jogam um futebol fabuloso muito superior a tudo o resto.

Só que depois vem aquela coisa chata do banho de realidade, do confronto dentro de campo com a bola a rolar. No Dragão, o Porto não foi superior, na Luz o Sporting foi vulgarizado e acabou salvo pelo VAR.

 

Eu vivo bem com as realidades virtuais desde que não me chateiem com palermices. Vivo mal é com o sentimento de impotência em plena Luz com o Benfica a jogar o suficiente para sair com um vitória tranquila de um derbi inquinado. Afinal, vale mesmo a pena viverem em clima de terrorismo permanente sem limites e sem escrúpulos. Pelo menos, os terroristas continuam bem posicionados para sonharem com um título. O problema deles é que o Benfica, mesmo assim, continua vivo e na luta.

Nos últimos 14 derbis na Luz o Sporting ganhou um. Nos últimos seis derbis, o Sporting ganhou um (nos 90 minutos, na Taça de Portugal depois venceu no prolongamento). Nos últimos sete jogos do Benfica contra Porto e Sporting, o Benfica não perdeu nenhum. Esta é a realidade factual.

 

Espero que tenham percebido a coreografia no Topo Sul da Luz. É assim que se responde ao ódio e à inveja. Este é o Registo.

E agora que já vimos a qualidade estrondosa do futebol dos nossos adversários, voltemos a meter o foco nos nossos jogos, juntemo-nos para lutar pelo Penta que é uma realidade bem possível.

 

Eles que voltem à realidade virtual verde e azul com a bênção da toda a imprensa desportiva e geral deste país. Já há noticias da ressaca do Bruno?