Benfica 0 - 0 Porto: Sem Matar Nem Morrer
Foi o clássico aborrecido que ninguém queria. Mas dentro deste nulo o Benfica sai muito menos prejudicado do que o Porto porque ficam por jogar quatro partidas e, ganhando três, o Benfica sagra-se Bi-Campeão.
O ideal era o Benfica ter entrado muito forte, feito golos e construído uma vitória convincente. Era este o nosso desejo e agora estávamos muito mais tranquilos em vez de já estarmos todos a pensar na dificuldade que vai ser a viagem a Barcelos.
A ausência de Salvio foi o problema maior que Jesus teve para gerir. Apostou em Talisca e manteve a estrutura habitual. Eliseu manteve o lugar na esquerda da defesa e André Almeida não foi chamado para a titularidade.
Talvez Jesus tenha pensado que o Porto ia entrar mais atrevido e apostou muito num acerto defensivo espreitando o contra ataque. Acabou por sair tudo ao contrário, nenhuma equipa pegou claramente no jogo e o clássico esteve longe de encantar no que diz respeito a oportunidades de golo.
A vantagem de termos o nosso treinador há tanto tempo no cargo é que se vai aprendendo com os erros. Hoje Jesus percebeu que a vitória era uma questão de vida ou morte para o adversário. Não querendo abdicar de lutar pelos 3 pontos, teve todo o cuidado em não deixar escapar um empate que mantém o Benfica na frente.
Um jogo na Luz em que o Benfica faz dois remates à baliza e só tem um canto a favor não pode deixar saudades a ninguém mas a parte boa é que na componente defensiva foi perfeito.
Júlio César é o segundo guarda redes da história do Benfica a não sofrer qualquer golo nos dois clássicos na mesma época para o campeonato. O outro foi Silvino. Este foi o 49º jogo seguido do Benfica na Luz para o campeonato sem perder.
A exibição foi, portanto, excelente do ponto vista defensivo e decepcionante a nível ofensivo.
Na segunda parte esperava-se mais emoção mas nem com as alterações de Jesus e Lopetegui o jogo mudou. Havia o perigo de ver o Porto explorar o lado esquerdo da nossa defesa com Eliseu amarelado mas a aposta em Quaresma só veio trazer mais certezas quanto ao nulo atacante dos azuis. Quaresma em vez de ameaçar Eliseu acabou por ver cartão amarelo logo nos primeiros despiques. O retrato da ineficácia portista quando eram obrigados a apostar tudo para chegarem ao golo que lhes interessava para igualar os pontos do Benfica na liderança.
No Benfica, Jesus tirou Talisca, Pizzi e Jonas, lançou André Almeida, Fejsa e Ola John. O sérvio foi importante na luta no meio campo, André Almeida também veio para ajudar com efeitos práticos. O holandês não adiantou nem atrasou o que já conhecemos dele.
Há um sentimento de desilusão por não termos dado o grande passo em casa rumo ao título mas também há o sentimento de alívio de saber que está tudo nas nossas mãos. Saber que faltam dois jogos na Luz, dois jogos a norte e temos margem de erro, é confortante e só podemos estar optimistas.
Depois do clássico algum benfiquista preferia trocar de posição com o Porto? Pois, então agora é cumprir a nossa obrigação porque o Bi-campeonato está já ali. Um nulo assim já não se via na Liga desde 15 de Setembro de 2001...
O Benfica não ficava a zero na Luz para o campeonato há 93 jogos.
Todas as fotos: João Trindade



