Nacional - Benfica: Continua Amanhã ao Meio Dia
Se o nevoeiro deixar...
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Se o nevoeiro deixar...
(Fotos: João Trindade)
O ano 2015 ficará para sempre na nossa memória como aquele em que festejámos um bi campeonato ao fim de mais de 30 anos de espera. Também foi o ano em que ganhámos mais uma Taça da Liga. E ainda, o ano em que brilhámos na Europa com uma vitória histórica em Madrid depois de meia temporada sem jogos europeus.
Isto é tudo muito relativo, claro. Que importância tem ganhar a Taça da Liga? Aparentemente, só metade dos habituais presentes na Luz dão importância à prova. Isto se formos interpretar assim a presença de 20 mil pessoas no último jogo do ano. Na prática, há muitos mais benfiquistas a darem importância a uma Taça que tem enriquecido o nosso museu. Mas quando comparamos a competição agora patrocinada pelos CTT com o feito de vencer dois campeonatos seguidos, percebemos que não tem comparação. Depois, se tivermos a sorte de um dia falar com um benfiquista que tenha ganho duas taças do campeões europeus seguidas, percebemos que os dois campeonatos seguidos também são de importância relativa. Ontem tive a sorte de conhecer o bi campeão europeu Mário João que me fez sentir essa relatividade na comparação dos feitos na história do Benfica.
O que é sempre certo, é que no Benfica é sempre para ganhar. Se o jogo é oficial e na Luz é para lá estarmos e para ganharmos. Ontem era a estreia na prova que mais alegrias nos tem dado na última década, era, também, o último jogo do Benfica em 2015. Nem que fosse pelo simbolismo da despedida a um ano que nos correu tão bem, era noite de ir à Luz.
Ganhámos e cumprimos a obrigação de somar três pontos no arranque da prova. Houve estreias a assinalar. Ederson na baliza teve oportunidade de brilhar várias vezes, Lindelof ao lado de Lisandro no centro da defesa pode orgulhar-se de sair com a folha limpa, Sílvio como capitão guardará o momento para sempre, Cristante e Carcela a titulares fizeram pela vida. Mais o segundo do que o primeiro, ambos muito melhores do que Talisca que parece querer sair deste elenco.
Qualidade de jogo? Pouca, às vezes nenhuma. Jogo com poucas oportunidades de golo, o Nacional se tivesse sido mais atrevido podia ter saído de Lisboa feliz mas preferiu assustar e ficar na expectativa. Aproveitou o Benfica para ir mantendo a procura de um jogo mais convincente que só aconteceu no último quarto de hora da partida.
Rui Vitória teve mesmo que chamar Renato Sanches, Jonas e Raul Jimenez para dar à equipa a qualidade e objectividade que não se viu até às saídas de Cristante, Talisca e Mitroglou.
O mexicano voltou a ser importante e feliz ao apontar o golo da vitória aos 89'. O mérito da equipa foi, mais uma vez, o de não ter desesperado nem desistido de procurar a vitória. A forma nunca foi convincente mas a vontade apareceu.
Se o jogo não foi melhor, se alguns jogadores não souberam aproveitar a oportunidade para mostrar mais, é um problema que o treinador tem que avaliar e que não pode cair no esquecimento por um golo tardio.
Manuel Machado no final do jogo confessou o seu espanto para com o entusiasmo dos 20 mil adeptos benfiquistas nas bancadas apesar da fraca qualidade do jogo. Não percebi se foi para picar o seu companheiro de profissão, desconheço se também tem desavenças antigas com Rui Vitória, ou se foi para nos chamar de pouco exigentes. Meu caro professor, havia de ter vindo à Luz na 2ª mão daquela eliminatória com o Celta e apreciar os primeiros minutos de jogo quando na minha bancada se acreditava que marcando cedo ainda dávamos a volta aquilo... Isto agora é para meninos, professor.
Fechámos o ano com um sorriso devido ao golo tardio de Raul Jimenez, ganhámos o último jogo do ano, entrámos na competição com o pé direito. Tudo em modo de serviços mínimos, é certo, mas o objectivo está cumprido. Agora é virar o ano, apontar baterias para o Minho e pensar em começar 2016 em grande. Já comprei bilhete para o jogo com o Vitória, é em Guimarães que a equipa tem de nos mostrar ao que vai para o resto da temporada.
Agora é altura para uma divertida passagem de ano e ganhar forças para os desafios de 2016 para que seja mais um ano à Benfica.
O primeiro jogo da Taça da Liga, agora CTT, desta época acontece ainda este ano. O Benfica começa a defender o seu título na Luz contra o Nacional no próximo dia 29, uma 3ª feira, às 19h45.
Grupo B: SL Benfica, CD Nacional, Moreirense FC e Oriental.
Em caso de qualificação para as meias-finais o Benfica jogará com o vencedor do grupo D (Braga, Belenenses, Rio Ave e Leixões).
Taça da Liga - CTT
1ª Jornada: SL Benfica - CD Nacional - 29 ou 30 de dezembro
2ª Jornada: Oriental - SL Benfica ( esperemos que em Marvila ) - 19, 20 ou 21 janeiro
3ª Jornada: Moreirense FC - SL Benfica - 26, 27 ou 28 de janeiro.
"Jorge Jesus conseguiu trazer de volta o Benfica da minha infância: a equipa faz um grande exibição e é assobiada. O Benfica voltou."
A frase podia ser minha mas trata-se de um genial resumo do Ricardo Araújo Pereira em jeito de SMS depois da vitória esperada e desejada contra o Nacional.
É mesmo isto, o Benfica fez esquecer o pesadelo de Vila do Conde com uma exibição capaz de entusiasmar um estádio da Luz que quase chegou aos 50 mil espectadores. Apesar dos golos, dos pormenores técnicos das excelentes exibições individuais de vários jogadores, a Luz não perdoa uns minutos mal conseguidos e assobia a equipa como nos tempos em que se goleava mas ouviam-se assobios de adeptos habituados aos dourados anos 60. Acaba por ser uma boa sensação, o regresso à infância dos anos 80.
Com o regresso de Gaitan voltou a magia ao futebol do Benfica. A ausência de Luisão foi bem compensada por Lisandro e o terceiro golo sofrido na Luz tem todo o mérito de Tiago Rodrigues, um rapaz que hoje estava em boa forma ao contrário do último jogo.
O Nacional mostrou que não vinha para facilitar logo no pontapé de saída. Campos trocados e o Benfica a começar a atacar para sul. Correu mal aos homens de Manuel Machado, aos 21' e aos 31' estavam feitos os golos que descansavam os benfiquistas.
A qualidade de jogo do Benfica atingiu níveis muito interessantes com exibições inspiradas de Gaitan, Pizzi, Samaris, Salvio, Lima e Jonas. Não querendo ser injusto para nenhum jogador, os pormenores de Gaitan, Salvio e Jonas hoje valeram a ida ao estádio.
Algumas jogadas rápidas de entendimento colectivo vistoso com objectivo de golo, a tal nota artística em alta num jogo que era obrigatório ganhar. Uma tarde de futebol perfeita com o problema Nacional a ser transformado num jogo bem agradável de seguir.
Há um problema para gerir na equipa, só Eliseu viu um cartão amarelo entre aqueles que estão "tapados". Há Maxi, Samaris, Ola John e Salvio que estão em perigo de ver mais um amarelo e perder o jogo seguinte. Como o clássico está próximo convém ter atenção a estes casos. Fiquei com a ideia que Maxi tentou mas Xistra não quis.
De negativo neste jogo só a arrepiante lesão no dedo de Talisca depois de ter vindo do banco, o golo sofrido e a reacção do público quando o jogo corria mal ao Benfica. Uns assobios que tiveram tanto de surreal como de mítico, como explico no começo da crónica.
Esta exibição seria muito mais tranquilizante se não tivéssemos visto "aquilo" em Vila do Conde, mas tendo em conta que a próxima batalha volta a ser em casa só temos razões para estarmos optimistas em mais um sucesso a juntar a este.
Para a história fica mais uma vitória sobre o Nacional e uma bela exibição que merecia mais golos e mais aplausos das bancadas. Ficam também os golos, os pormenores técnicos e aquela finta do Salvio. Jogar bonito é isto.
Todas as fotos: João Trindade
A partir das 14h30 o autor deste blogue vai estar no painel de convidados da BTV para o lançamento do jogo com o Nacional.
Na primeira volta foi assim.
O Benfica-Nacional, da 27ª jornada da Liga, foi marcado para 4 de abril (sábado) às 17 horas.
(Foto: João Trindade)
Para o último jogo do Benfica num ano inesquecível apareceram na noite fria da Luz cerca de 15 mil adeptos e o resultado final foi a 42ª vitória da equipa de Jesus em 2014. Isto em 59 jogos oficiais disputados, 10 empates e 7 derrotas para mais de quatro dezenas de vitórias.
Hoje o jogo tinha um contexto especial, além de ser o último do ano civil era o primeiro de uma competição que o clube tem levado sempre a sério ao contrário dos rivais que já cuspiram várias vezes nela. Esta estreia na Taça da Liga foi o 33º jogo do Benfica que conta 25 vitórias, 7 vitórias e 1 derrota. Foi o primeiro desafio pós saída de Enzo e depois de uma pausa natalícia que, naturalmente, afectou a condição física dos jogadores.
Jorge Jesus não facilitou e utilizou a equipa mais competitiva que tinha. A prova disso é que se começa a 2ª com quase toda a equipa que lutou com o Braga na Taça de Portugal, desta vez com um desfecho positivo.
Sem grande ritmo mas com evidente propósito de vencer o jogo, o Benfica chegou ao golo ainda na 1ª parte num golo copiado do tal jogo com o Braga, Maxi a cruzar e Jonas a marcar de cabeça. Incrível a maneira como o ex-Valência se estreia em todas as competições nacionais, sempre a marcar! Foi este golo na Baliza Grande ( o Nacional utilizou a rábula de nos trocar o campo no começo ) que ditou a conquista de 3 pontos.
(Foto: João Trindade)
Notas individuais, destaque para o jogo agradável de André Almeida, César, Cristante, Pizzi, Maxi e Jonas. Óptimo regresso de Sulejmani, boa entrada de Samaris, o aparecimento de Gaitán na segunda metade da partida a provar que á figura maior do Benfica desta época, e Julio César bem quando teve de intervir.
As questões em aberto para o próximo jogo, e para o novo ano, são: quantos lesionados vamos conseguir recuperar e em quanto tempo? quem ocupará as posições 6 e 8 no meio campo benfiquista?
Samaris leva meia temporada de aprendizagem a "6", Cristante "pede" uma oportunidade. Pizzi hoje esteve em campo mas na ala, Talisca parece precisar de repouso, Gaitán continua bem colado no flanco esquerdo... No segundo tempo vimos Cristante mais atrás e Samaris mais à frente mas não me parece que seja esta a aposta de Jesus. Urge resolver esta questão.
(Foto: João Trindade)
Se não sair mais nenhum jogador destes mais utilizados, há opções interessantes para a segunda metade da época. Também não parece viável a entrada de alguém directamente para o onze, por isso há que aguardar com serenidade o desenvolvimento da equipa do meio campo para a frente e torcer pelo rápido regresso de Luisão, Sálvio e Ruben Amorim, além dos outros jogadores de baixa.
Hoje cumpriu-se a obrigação de somar 3 pontos, ficam a faltar dois jogos para conquistar o apuramento para a meia final. Para já, vamos na frente do grupo mas a um golo do Moreirense. Há que dar seguimento a esta vitória porque esta Taça, como todas em que entramos, é para vencer. Não é para ameaçar com juniores ou desprezá-la como muito boa gente tem feito ao longo dos anos.
É assim que acaba um ano memorável. Que 2015 nos traga mais alegrias que as de 2014 já estão no Museu. Boa entradas.