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Red Pass

Rumo ao 38

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Porto 1 - 0 Benfica: Reagir Tarde e Mal

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Já vi o Benfica a jogar pior no Dragão e a trazer pontos. Esta é a primeira conclusão depois do final do clássico e tem muita influência por aquilo que o Benfica fez na primeira parte.

 

Havia muita expectativa em relação ao onze que ia ser lançado no Porto. A meio da semana comentei com o Rui Malheiro que me parecia que o André Almeida ia ser chamado. Aconteceu na iniciativa de perguntas e respostas em que o Rui participou pelo Record com os participantes do passatempo da Liga Record. Era uma opção lógica já utilizada no passado. Foi esta a grande surpresa de Rui Vitória no Dragão.

Assim, André Almeida jogou à frente da defesa deixando Samaris mais à frente. Jonas e Mitroglou como atacantes, Gaitán e Gonçalo nas alas. A defesa ficou inalterada. Manteve-se a ideia de sistema de jogo que temos vindo a ver com dois avançados.

 

O resultado desta opção foi agradável, uma primeira parte muito bem conseguida anulando a tentativa do Porto entrar forte e marcar cedo. O jogo esteve equilibrado e o Benfica começou a acreditar que era possível tomar conta da partida e procurar o golo. Por duas vezes Iker Casillas revelou-se decisivo a negar o 0-1, também teve uma reposição de bola má que podia ter sido melhor aproveitada. Além das oportunidades criadas houve a convicção de segurança na defesa com a equipa a jogar mais junta e em bloco. Várias vezes vimos Jonas ou Gonçalo Guedes a recuperar a bola e a ajudar em terrenos recuados.

 

O Porto caiu num jogo previsível, Brahimi mostrava falta de concentração e convicção, Maxi optou por estar sempre no limite do risco, Aboubakar ameaçava ser decisivo e André André foi sempre o mais prático e esclarecido. Mas na primeira parte o Benfica raramente sentiu perigo junto da baliza de Júlio César.

 

Com o Benfica a fazer um jogo prometedor e um apoio incrível dos benfiquistas na bancada, era de esperar uma 2ª parte ainda melhor.

Infelizmente, o Benfica perdeu o equilíbrio no meio do campo e deixou o Porto crescer muito na partida. A equipa de Lopetegui sentiu que tinha conseguido virar o jogo e só não chegou ao golo mais cedo porque Aboubakar primeiro acertou no poste após grande cruzamento de André André e depois porque Júlio César lhe negou corajosamente um golo que parecia feito, novamente a passe de André André. Luisão ainda atrapalhar o avançado do Porto na recarga. Depois houve um cumprimento entre o guarda redes benfiquista e o avançado portista que terminou o episódio segredando a Luisão que poderia ter sacado o penalti ao brasileiro.

 

Os sinais estavam lá todos, os protagonistas azuis eram sempre os mesmos, o entusiasmo crescia também nas bancadas. Custa a perceber porque é que o treinador do Benfica demorou tanto a mexer na equipa. É aqui que o Benfica deixa escapar a oportunidade de pontuar no Dragão. Depois de ter estado perto de marca na primeira parte, a equipa acomodou-se à medida que o tempo ia passando e a sorte parecia proteger a baliza encarnada. Já se sabe que jogar para o empate costuma dar mau resultado.

Nem era aceitável que o Benfica o fizesse depois de ter estado por cima no clássico mas a passividade da equipa técnica ou adiar as substituições levou a equipa a encolher-se demasiado.

Chegados ao quarto de hora final do jogo o Benfica mexe na equipa. Na altura esperava-se que a mentalidade fosse partir do principio que o empate estaria controlado e por isso a ideia seria tentar uma pressão final em busca de um golo vitorioso. Pediam-se jogadores rápidos e imprevisíveis que pudessem devolver a ambição à equipa. Mas a troca de Jonas por Talisca não era o que a equipa precisava. Depois saiu Gonçalo Guedes para entrar Pizzi e a conclusão é que foram trocas sem resultado prático nenhum e , portanto, continuava tudo na mesma. Ou seja, a ameaça de um golo do Porto continuava bem presente e confirmou-se aos 86 minutos pelos pés do homem que mais tinha ameaçado com várias acções no jogo. Um golo perto do final do jogo que acaba com qualquer esperança de reacção.

 

Castigo demasiado pesado? Talvez não, o Benfica esteve mais perto do golo na primeira parte mas o Porto nunca foi tão passivo nessa etapa como a equipa de Rui Vitória na segunda parte.

É como digo no começou da crónica, já vi o Benfica a jogar pior e a sair invicto do Dragão mas também digo que confiar na sorte e recuar tanto costuma dar mau resultado.

É um péssimo resultado numa altura em que a equipa mostrava evolução e até algum entusiasmo no futebol praticado. Hoje a derrota de Aveiro com o Arouca torna-se mais grave porque retira muito cedo margem de erro à equipa. No entanto, o Benfica já mostrou que pode ser feliz e há que aproveitar o que de bom se mostrou em metade do clássico.

 

 

 

Convocados Para o Dragão

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Guarda-redes: Ederson e Júlio César; 

 

Defesas: Jardel, Luisão, Eliseu, André Almeida, Nelson Semedo, Sílvio e Lisandro López;

 

Médios: Pizzi, Talisca, Gaitán, Samaris, Fejsa, Nuno Santos, Taarabt, Cristante, Gonçalo Guedes e Carcela.

 

Avançados: Jonas, Mitroglou e Raúl Jiménez.

Só a Europa Viu Muito Além da "Lopeteguizada"

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( Foto: João Trindade )

 

O tão aguardado clássico passou e não deixou saudades dentro de campo. No entanto, com apenas quatro jogos para acabar o campeonato, o confronto entre os dois rivais na Luz deixa o Benfica mais perto do título e o Porto mais apertado para ganhar alguma coisa esta época.

No rescaldo do jogo a imprensa internacional mostrou grande interesse pela decisão do título português. Alguns dos mais conceituados jornais da Europa falaram do Benfica de uma maneira que só nos pode deixar orgulhosos.

O diário espanhol A Marca destacou o nosso defesa central Jardel na sua escolha semanal dos melhores onze sul americanos a jogar na Europa.
O prestigiado diário inglês The Guardian dedicou a fotografia do dia ao Topo Sul do Estádio da Luz contextualizando muito bem o grupo de apoio No Name Boys. A foto é lindíssima.

O famoso L'Equipe de França elogiou a grande coreografia com que o Benfica recebeu e motivou a sua equipa.

São artigos valiosos por revelarem interesse num pobre campeonato como o nosso. São imagens de cor e paixão que atravessam a Europa e dão bom nome ao Benfica e também ao futebol português.

 

Todo este destaque na imprensa internacional é olimpicamente ignorado por cá onde os jornais e as televisões conseguiram reduzir o clássico a uma "lopeteguizada". Felizmente, hoje as redes sociais são uma via rápida para vermos muito além do que a nossa imprensa quer que nós vejamos.

Benfica 0 - 0 Porto: Sem Matar Nem Morrer

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Foi o clássico aborrecido que ninguém queria. Mas dentro deste nulo o Benfica sai muito menos prejudicado do que o Porto porque ficam por jogar quatro partidas e, ganhando três, o Benfica sagra-se Bi-Campeão.

 

O ideal era o Benfica ter entrado muito forte, feito golos e construído uma vitória convincente. Era este o nosso desejo e agora estávamos muito mais tranquilos em vez de já estarmos todos a pensar na dificuldade que vai ser a viagem a Barcelos.

 

A ausência de Salvio foi o problema maior que Jesus teve para gerir. Apostou em Talisca e manteve a estrutura habitual. Eliseu manteve o lugar na esquerda da defesa e André Almeida não foi chamado para a titularidade.

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 Talvez Jesus tenha pensado que o Porto ia entrar mais atrevido e apostou muito num acerto defensivo espreitando o contra ataque. Acabou por sair tudo ao contrário, nenhuma equipa pegou claramente no jogo e o clássico esteve longe de encantar no que diz respeito a oportunidades de golo.

 

A vantagem de termos o nosso treinador há tanto tempo no cargo é que se vai aprendendo com os erros. Hoje Jesus percebeu que a vitória era uma questão de vida ou morte para o adversário. Não querendo abdicar de lutar pelos 3 pontos, teve todo o cuidado em não deixar escapar um empate que mantém o Benfica na frente.

 

Um jogo na Luz em que o Benfica faz dois remates à baliza e só tem um canto a favor não pode deixar saudades a ninguém mas a parte boa é que na componente defensiva foi perfeito.

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 Júlio César é o segundo guarda redes da história do Benfica a não sofrer qualquer golo nos dois clássicos na mesma época para o campeonato. O outro foi Silvino. Este foi o 49º jogo seguido do Benfica na Luz para o campeonato sem perder.

 

A exibição foi, portanto, excelente do ponto vista defensivo e decepcionante a nível ofensivo.

Na segunda parte esperava-se mais emoção mas nem com as alterações de Jesus e Lopetegui o jogo mudou. Havia o perigo de ver o Porto explorar o lado esquerdo da nossa defesa com Eliseu amarelado mas a aposta em Quaresma só veio trazer mais certezas quanto ao nulo atacante dos azuis. Quaresma em vez de ameaçar Eliseu acabou por ver cartão amarelo logo nos primeiros despiques. O retrato da ineficácia portista quando eram obrigados a apostar tudo para chegarem ao golo que lhes interessava para igualar os pontos do Benfica na liderança.

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No Benfica, Jesus tirou Talisca, Pizzi e Jonas, lançou André Almeida, Fejsa e Ola John. O sérvio foi importante na luta no meio campo, André Almeida também veio para ajudar com efeitos práticos. O holandês não adiantou nem atrasou o que já conhecemos dele.

 

Há um sentimento de desilusão por não termos dado o grande passo em casa rumo ao título mas também há o sentimento de alívio de saber que está tudo nas nossas mãos. Saber que faltam dois jogos na Luz, dois jogos a norte e temos margem de erro, é confortante e só podemos estar optimistas.

Depois do clássico algum benfiquista preferia trocar de posição com o Porto? Pois, então agora é cumprir a nossa obrigação porque o Bi-campeonato está já ali. Um nulo assim já não se via na Liga desde 15 de Setembro de 2001...
O Benfica não ficava a zero na Luz para o campeonato há 93 jogos.

 

Todas as fotos: João Trindade