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Red Pass

Rumo ao 38

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Nelson Semedo na Selecção

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Que maravilha estarmos a testemunhar a ascensão de uma estrela. Chamada justa para Nelson Semedo se estrear na Selecção de Portugal. Digo mesmo que ,nesta altura, a Selecção precisa muito mais do Nelson do que o miúdo da Selecção. É merecido e um motivo de orgulho para ele.

Também lá está o Eliseu. Também podiam estar o André Almeida ou o Gonçalo Guedes. É uma questão de tempo.

 

Fernando Santos, do Loser à Estrelinha de Campeão

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A passagem de Fernando Santos pelo Benfica nunca é recordada pelas derrotas de chapa 3, como as do Bessa e Glasgow, por exemplo, nem por uns 60 minutos europeus do pior que já se viu em Montjuïc, nem por uma eliminação da Taça de Portugal no campo de um clube da 2ª divisão, nem pela compra de Freddy Adu, nem por uma derrota no Dragão em que não foi capaz de fazer a última substituição antes de sofrer o 3-2 no final do jogo por Bruno Moraes, por exemplo.

A passagem de Fernando Santos pelo Benfica ficou marcada pelo despedimento ao fim do primeiro jogo na 2ª época, acto que o Presidente já veio reconhecer como precipitado. E a partir daqui a tendência é recordar o azar das bolas que não entraram com o Espanhol na Luz, do futebol positivo a espaços e de ter lutado pelo campeonato até ao último jogo.

Ainda bem que é assim. Fernando Santos deve ser uma excelente pessoa e por isso os dirigentes e adeptos preferem ver a sua passagem pela Luz por um lado positivo. Infelizmente, eu nunca pensei assim. Sempre previ que ia ser um desastre porque sempre achei que faltava qualquer coisa ao Engenheiro para ser um brilhante treinador de clubes de topo. Olhava para trás e via uma Liga perdida contando com Jardel no auge como titular, uma eliminação em casa aos pés do Torreense nas Antas, uma substiuição mal pensada em Alvalade que permitiu Geovanni apurar o Benfica para a Liga dos Campeões, um afastamento europeu ainda hoje complicado de entender aos pés do Gençlerbirliği e mais uma eliminação da Taça contra um Vitória de Setúbal na 2ª divisão que venceu em Alvalade.

 

Explicado que está o meu ponto de vista sobre Fernando Santos como treinador de clubes de topo passo aos elogios. O Engenheiro nasceu para ser Seleccionador. Fez muito bem em aproveitar a oportunidade na federação grega e desenvolveu uma experiência muito importante no futebol internacional com presença em fases finais de forma meritória.

A passagem para a FPF foi mais do que justa e parece-me ser o homem certo no lugar certo. Repare-se que até aquela aura de loser se inverteu em estrelinha de vencedor! Na Dinamarca foi o que foi e agora na Albânia novamente uma vitória fora de horas para tirar dúvidas a todos.

Concordo com quem diz que o trabalho de Fernando Santos nem é complicado porque o campo de escolha para reunir 22 jogadores é tão limitado que nem cria grandes polémicas. É verdade que há jovens a pedirem oportunidades e o seleccionador não tem hesitado em lançar alguns.

O grande elogio que se deve fazer ao treinador é este: não inventa birras que excluam jogadores mais veteranos, não se arma em arrogante quando se vê que um miúdo como Bernardo Silva pode ter uma oportunidade, não afasta jogadores por convicções pessoais e , acima de tudo, não tem ido a correr naturalizar jogadores que nos possam dar jeito para uma fase ou outra como foi feito recentemente.

Isto parecendo simples não é nada fácil de executar e Fernando Santos tem tido este mérito. Não há polémicas dentro da Selecção, não há birras, não há amuos. O ambiente tem sido bom e as vitórias têm aparecido. Joga-se um grande futebol? Não mas qual é a Selecção no mundo inteiro que se junta oito dias e apresenta um futebol de sonho em competição? Isso não existe. É preciso é competência, simplificar e atingir objectivos. Neste aspecto, há muito que a Federação não estava tão bem servida.

 

De Volta ao Trauma Ruy Seabra

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Aproveitar que está encerrado mais um capítulo de Selecção Nacional para partilhar uma visão pessoal sobre o que se pode sentir pela equipa da FPF. Esta indiferença com que vejo chegar cada jornada da Selecção nem sempre foi assim. Vale a pena viajar no tempo, sendo que no meu caso são cerca três décadas, para a malta mais nova entender que nem sempre é só por embirração que a geração nascida nos anos 70 despreza a equipa de Portugal. O pessoal perto dos 40 anos de vida é capaz de ser rever neste texto.

 

Voltemos então ao fim dos anos 70. Quando começo a descobrir a paixão pelo Benfica fico a saber que há um bónus com que temos também de nos preocupar. Quando os jogos do campeonato paravam entrava a Selecção. Foi um contacto pacifico já que a maior parte da equipa portuguesa era do Benfica, daí não ter sido complicado simpatizar com o conceito.

Sem demoras vamos para a fase de qualificação do Euro'84. Foi quando senti realmente vontade de apoiar Portugal. Tinha 9 anos quando começou a corrida ao apuramento. Para trás tinha ficado um rasto de miséria que já vinha desde 1966!

 

Como se não chegasse o trauma de herdar o Benfica campeão europeu dos anos 60, ainda levei com uma selecção que era desprezada pelo seu país por nunca mais ter repetido as emoções do Mundial de Inglaterra. Não havia jogo, até 1982, da Selecção que não acabasse com os pais e avós a contarem as façanhas dos 5-3 à Coreia e dor da derrota com os ingleses. Era automático, Portugal falhava e a lenda de 1966 aumentava. Ganhou contornos monstruosos para miúdos, como eu, que pareciam ter nascido no tempo errado.

Crescemos a saber que nunca iríamos ver a equipa de futebol do nosso país a dar-nos as emoções mais altas de um Euro ou Mundial. Era triste. Essa tristeza passava para o ambiente da Selecção que entrava em campo já com o rótulo de "falhados" na testa.

Não estivemos em nenhum campeonato da Europa até então e depois de Inglaterra'66, falhámos o apuramento para os mundiais do México, Alemanha Federal e Argentina. Em 1982 o Mundial era aqui ao lado, havia enorme expectativa na qualificação para Espanha. Falhámos, pois.

 

Já com o ritual de ir à Luz ver sempre o Benfica bem assimilado, acabei por ir ver os jogos de apuramento para o Euro84 no nosso estádio. Os nossos adversários eram a Finlândia, a forte Polónia que vinha de um brilharete no Mundial, e a poderosa e favorita União Soviética.

Em casa goleámos a Finlândia por 5-0. Não fui ver porque foi em Alvalade. Foi um resultado animador a juntar à vitória por 0-2 na Finlândia. E estes 5-0 serviam para disfarçar a derrota incrível que sofremos pelos mesmos números numa noite de terror em Moscovo.

Como ganhámos também na Polónia por 0-1 era possível o milagre de uma estreia num Europeu se ganhássemos os jogos em casa.

Com a Polónia na Luz foi um jogo incrível com um ambiente que me conquistou e vitória por 2-1. Depois era preciso vencer a União Soviética.

Outra vez na Luz, ambiente espectacular, casa cheia, e o apoio de uma geração que queria acabar com os fantasmas de 1966 e ter direito ao sonho com a sua Selecção. Chalana cavou o penalti que Jordão marcou ao grande Dasaev. Estava conquistada a simpatia com a equipa da FPF.

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Para verem como a malta já na altura era tramada com piadas à volta do futebol conto esta piada que reproduzi orgulhosamente à mesa numa almoço de família uns dias depois do jogo. Sabem o que queria dizer o CCCP nas camisolas soviéticas? Era uma mensagem para não largarem o Jordão: Cuidado Com o Cabr** do Preto. Nem era preciso haver redes sociais, a malta já era assim. A família nao apreciou a piada.

 

Depois foi o que se sabe em terras francesas com Portugal a brilhar até às meias finais. A dramática derrota com a França deixou a porta aberta para continuarmos a apoiar os "Patrícios". Para estreia num Europeu, não foi mau.

O desafio era que 1984 não ficasse na história como 1966. Queríamos estar sempre presentes naqueles torneios e não ir uma vez na vida, brilhar e ficar a falar daquilo o resto do tempo.

 

Assim, o apuramento para o Mundial do México 1986 foi encarado com optimismo apesar de termos no mesmo grupo a RFA.

Em setembro de 1984 começámos a ganhar na Suécia, depois em casa batemos a Checoslováquia mas fomos derrotados em Alvalade pelos suecos. Voltavam os receios que não seriam afastados com a vitória em Malta e duas derrotas seguidas, no Jamor com a Alemanha, uma das melhores selecções que vi ao vivo, e na Checoslováquia.

Tínhamos que ganhar a Malta na Luz e fazer contas a sonhar com uma vitória em Estugarda. Ganhar a Malta foi incrivelmente complicado, 3-2 arrancado a ferros. Depois o seleccionador Torres pediu que o deixassem sonhar e aconteceu o milagre. A Suécia tramou os checos e Carlos Manuel arrancou aquele pontapé fabuloso que deu a vantagem que Manuel Bento defendeu de forma épica.

 

Dois apuramentos seguidos para grandes competições. Estava contente com a minha Selecção que, por acaso, era composta por vários jogadores do Benfica. Tudo fácil de gerir.

 

Aconteceu o que sabemos em Saltilho e acabou-se a magia da Selecção. Nem foi só o circo e a falta de profissionalismo, o que marcou mesmo o fim foi a lesão do Bento. O que eu mais temia apareceu por causa da FPF e confirmou-se que Portugal e o Benfica sem Bento já não eram a mesma coisa.

 

A vida continua e lá encarámos o apuramento para o Euro 1988. Aí começou a reviravolta sentimental com a Selecção. Nós, adeptos, fomos traídos, gozados e humilhados por jogadores e dirigentes. Ninguém se conseguiu entender após o México e apresentaram-nos uma equipa anedótica escolhida por Rui Seabra. Quem? Pois, ninguém fazia ideia quem era.

Foi assim que se passou do Portugal do Bento, Eurico, Jordão, Chalana, Oliveira, Gomes, Carlos Manuel, etc. para o Portugal do Rui Seabra, os Seabrinhas!

Era ver para crer. Recordo com carinho o empate com Malta, 2-2, nos Barreiros. Portugal alinhou com:

Jesus, Álvaro, Veloso, Eduardo Luís e Dito, Frasco, Adão, Jaime e Nascimento, Manuel Fernandes e Jorge Plácido (fez os dois golos). Ainda entraram Rui Barros e Skoda.

Luxo, não?

Foi assim que em 8 jogos ganhámos 2, a Malta e à Suécia. Com a Suíça e Itália nada feito. Os emigrantes na Alemanha ficaram deprimidos. O Benfica ainda compensou em 1988 com a presença em Estugarda na final da Taça dos Campeões um mês antes de começar o Euro. O Benfica perdeu para os holandeses que viriam a ser campeões da Europa com a sua selecção mas o gigante ajuntamento de benfiquistas nesse dia de Maio ficou para sempre na recordação de todos os que lá estiveram.

 

Depois seguiu-se o apuramento para o Mundial 1990 e mais uma vez falhámos e vimos a prova em Itália sem Portugal. Já era um hábito viver isto por fora, 1966, 1984 e 1986 pareciam mesmo milagres. Eu já me dava por contente por ter visto dois.

O Euro 1992 na Suécia também nos passou ao lado, tal como o Mundial nos Estados Unidos da América em 1994.

E com isto tudo, em vinte e poucos anos de vida tinha visto Portugal entrar em duas grandes competições. Duas, nada mais. Portanto, os laços afectivos com a equipa da FPF não podiam ser nem fortes e nem felizes.

 

Houve uma enorme injecção de esperança com os Mundiais de juniores ganhos com a malta da minha idade. Mas em termos práticos até ao final do século só tivemos direito à alegria de ir ao Euro de 1996 em Inglaterra onde Poborsky nos mandou para casa. O Mundial em França de 1998 também não foi para nós.

Duas décadas a ver a Selecção, 80 e 90, e marcar presença apenas em 3 fases finais.

 

Estamos falados sobre afeição à Selecção em metade da minha vida.

Felizmente, a partir de 2000 as coisas mudaram muito e deu-se um salto enorme a nível de profissionalismo na FPF. Voltámos a sonhar no Europeu da Bélgica e Holanda onde voltámos a cair com a França, fomos ao Mundial da Coreia e Japão reavivar os fantasmas de Saltilho em 2002, e atingimos o auge em 2004 com o nosso Europeu.

 

Digam o que disserem, foi o Scolari que me fez vibrar a sério com a Selecção. Foi com ele em 2004 e 2006 que cheguei a por bandeiras à janela e que sofri com um jogo de futebol como costumo sofrer com o Benfica. Os jogos de 2004 e do Mundial 2006 mexeram mesmo comigo. Senti que, finalmente, tinha uma Selecção. Fomos a uma final de um Euro e a uma meia final de um Mundial, tal como em 1966. Estava igualado o feito que me seguia desde que nasci.

Seguimos para o Euro 2008 na Áustria e Suíça e fomos apurados com naturalidade, tal como acabámos eliminados com naturalidade por uma superior Alemanha.

Com maior ou menor dificuldade nunca mais falhámos apuramentos para as fases finais de Euros e Mundiais. Isso é uma enorme evolução. Infelizmente, sinto que depois de 2008 foi sempre a descer outra vez. Queirós e Paulo Bento não entusiasmaram nada. A fasquia ficou na obrigação do apuramento, o que já não é mau tendo em conta o que já passei.

Agora com Fernando Santos não sei se voltaremos ao entusiasmo de 2004-2008 mas com a média de idades tão alta da equipa que bateu a Sérvia, o futuro não é animador. E se dúvidas haviam, ontem com a derrota contra Cabo Verde e um "11" ao nível da Era Rui Seabra o medo está de volta.

 

O meu entusiasmo com a Selecção atingiu níveis assinaláveis entre 1982 e 1986, 2004 e 2008, não sei se algum dia voltará.

Para a malta que não entende a relativa frieza com que encaro estes compromissos da FPF fica aqui o historial de um adepto de futebol que gostava imenso de vibrar com o futebol do seu país mas que já levou tanta "porrada" que tem dificuldade em levar isto a sério.

Isto também explica que muita gente da minha geração vibre com um determinado país, que não o nosso, em grandes torneios. Alemanha, no meu caso, Argentina, Brasil, Inglaterra ou Itália são escolhas para muito boa gente que acompanha Mundiais ou Europeus há várias décadas. Fomos obrigados a adoptar um país há muitos anos quando isto não era CR7 contra o mundo e Portugal em fases finais nem na playstation.

 

 

Portugal - Sérvia na Luz

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 A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou, no seu site oficial, que o Portugal – Sérvia de 29 de março, quarto jogo de apuramento para o Euro-2016 realizado pela Seleção Nacional, terá como palco o Estádio da Luz, em Lisboa. O jogo está marcado para as 19.45 horas, pelo que terá lugar a um domingo. Desde que o atual estádio do Benfica foi inaugurado, em 2003, a equipa das quinas já lá realizou 13 jogos.

O Benfica na Selecção Quando as Camisolas Eram Dignas

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Em semana de jogo da Selecção vale a pena divulgar esta fotografia com a Selecção Nacional a participar na Taça da Independência do Brasil, mais conhecida por Minicopa de 1972. Como se pode ver a maioria são jogadores do Benfica, o equipamento é impecável e só perdemos na final contra os organizadores. Vale a pena conhecer a história deste torneio:

 

A Taça da Independência do Brasil, também chamado de Minicopa, foi um torneio comemorativo aos 150 anos da independência do Brasil disputado de 11 de junho a 09 de jullho. Ele reuniu 18 seleções mais 2 combinados, as seleções da África e da Concacaf.

Artigo completo em Futebol Nostálgico.