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Red Pass

Rumo ao 38

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Eintracht Frankfurt 2 - 0 Benfica: Falta de Ambição Castigada

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Boas exibições, jogar bem, ganhar e convencer, nada disto pode ser um problema para o Benfica. Bruno Lage chegou à equipa do Benfica e ganhou no Dragão com exibição personalizada, encantou em Alvalade com um 2-4 que soube a pouco, voltou a bater o Sporting na Luz na 1ª mão da final da Taça de Portugal com um resultado demasiado curto para aquilo que a equipa jogou e deu espectáculo na Luz contra o Eintracht há uma semana, esteve perto do 5-1 e levou um traiçoeiro 4-2 para a Alemanha.

Ora, estes resultados juntam-se a outros menos mediáticos e devolveram aos benfiquistas o orgulho e o prazer de ver o Benfica jogar. Colocou o Benfica na rota do título, a Taça da Liga ficou marcada por uma arbitragem vergonhosa, deixou o Benfica às portas do Jamor e das meias finais da Liga Europa. 

Sempre a jogar ao ataque, com uma futebol ambicioso, com uma atitude conquistadora. 

Então, pergunto eu, porque raio se abdica dessa filosofia à Benfica em dois momentos chaves da época?! Em Alvalade, na 2ª mão da Taça de Portugal, fiquei com a clara sensação de falso conforto com uma vantagem mínima. Falharam-se oportunidades que podiam ter dado outro rumo, é certo, mas o pior foi a sensação de nos metermos a jeito. Isto, depois de dois derbys em que o Benfica não foi superior, foi muito superior! 

Agora em Frankfurt a mesma sensação. 

Houve uma pergunta na conferencia de imprensa antes do jogo da Alemanha que levantou a questão da gestão do resultado. Correu mal em Alvalade, teria servido de aviso para a Europa? Lage respondeu que não tinha comparação mesmo pelo espaço de intervalo entre os jogos das eliminatórias. Isto descansou-me, no sentido em que percebi que a lição estava aprendida. Por isto, quero pensar que a estratégia preparada para esta noite era ambiciosa e seria procurar marcar um golo ignorando a vantagem trazida da Luz. 

No papel via Félix na esquerda, Rafa na Direita, Seferovic no centro e Gedson pelo corredor central para desequilibrar. Ligeiramente diferente do que se viu na Luz mas parecia um plano válido. 

O problema foi perceber com o decorrer do jogo que a equipa ia abdicando de pressionar alto, de ter a bola e de procurar criar perigo. Foi um convite para o Eintracht tomar conta do jogo. A tal falsa sensação de controlo e conforto com uma vantagem curta. 

Volto então a dizer que depois de vermos o Benfica a jogar bem, a ser ambicioso e a mostrar vontade de vencer nos estádios dos maiores inimigos da sua história, fica muito complicado de entender esta apatia.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Tem sido tudo tão rápido que não podemos esquecer que esta equipa técnica só lidera o futebol do clube há pouco mais de três meses. Não sei se estas hesitações estão ligadas a tão prematura experiência mas é estranho ver que tudo o que queremos do futebol do Benfica pode ser bem feito contra as equipas mais temidas do nosso calendário e depois se caia numa vulgaridade surpreendente. 

A formula já está descoberta, rapazes! Entrar para ganhar, ter atitude ambiciosa, jogar bem e lutar por uma vitória em cada jogo. Tal com já fizeram em, quase, todos os jogos. 

É que esta exigência dos adeptos clube não é só um capricho arrogante. Esta exigência vem da gloriosa história do clube que tem muitas, demasiadas, noites de infelicidade marcantes. Os benfiquistas quando exigem que a equipa jogue sempre como jogou no Dragão ou em Alvalade para a Liga, por exemplo, é porque sabem que só assim ficam a salvo das maiores injustiças e infelicidades que o futebol tem para oferecer. 

O Benfica acaba eliminado nos 1/4 de final da Liga Europa sem ter sofrido mais golos do que marcou. Sai vitima de uma regra que daqui a uns meses já não estará em vigor. Daqui a uns anos vamos figurar como um dos últimos clubes afastados pela regra do golo fora da UEFA. Um sabor amargo que já vem daquela noite com o Dukla na Luz. Na nossa história figura também a última decisão europeia de apurar uma equipa por moeda ao ar. Passou o Celtic. Como se vê, não nos podemos colocar a jeito destas infelicidades.

Mesmo porque a tudo isto junta-se os famosos casos de arbitragens. Já deixámos de ganhar uma Liga Europa por causa de uma arbitragem terrível em Turim. Mas, lá está, se tivéssemos concretizado uma das muitas oportunidades teríamos sido tão felizes contra o Sevilha. 

Hoje custa mais engolir o golo que abriu o caminho para a reviravolta dos alemães. Perto do intervalo nenhum dos elementos da equipa de arbitragem consegue ver um fora de jogo tão óbvio que o próprio Kostic antes de ir festejar olhou duas vezes para o árbitro auxiliar. Isto numa prova organizada pela UEFA que passou o dia a elogiar o desfecho do louco jogo da véspera em Manchester. E bem. Por muito que tenha custado a Guardiola, o 5-3 foi bem anulado pelo VAR que viu Aguero em posição irregular. É muito complicado de entender que 24 horas depois seja possível uma equipa chegar à vantagem com um golo ilegal. Isto num jogo disputado entre dois clubes já habituados a conviver com o VAR nas suas ligas. Mais uma vez, vamos ficar ligados a um momento de injustiça. 

Estes são os factos de uma noite em que tudo o que podia correr mal, correu. E não foi por falta de aviso. Foi dito e repetido que o ambiente em Frankfurt era fervoroso, que a equipa alemã tinha dignos argumentos e que não se podia facilitar com uma vantagem de um golo e meio. Mais uma vez, ficou a sensação que a equipa do Benfica não se importava de passar com uma derrota por 1-0. Noites de sofrimento e resistência épica acontecem pouco porque acabam traídas por golpe de sorte, de azar, de uma má decisão do árbitro, de uma falha ou seja lá o que for. Noites como aquelas de Turim contra a Juventus são raras.

Ser afastado do sonho europeu pela regra do golo fora, por ausência de VAR e com a sensação que não somos inferiores ao sobrevivente alemão nas provas europeias só é superado em termos de agonia pela tal falta de ambição que todos sentimos. 

Sim, porque andar na Europa no mês de Abril também não pode ser um problema. A carreira europeia no Benfica não pode ser vista como uma chatice. O Benfica também se fez grande por todo o respeito que conquistou na Europa. 

Repito que esta equipa técnica só tem cerca de 3 meses de trabalho com esta equipa. Admito que haja hesitações, erros de avaliação e até erros do treinador. Isso não tem problema. Os últimos dois treinadores do Benfica tiveram ciclos de trabalho muito longos onde puderam errar à vontade. Não exijo a perfeição a Lage ao fim de 3 meses mas garanto que estou intrigado com esta forma de abdicar nas provas a eliminar daquela filosofia tão maravilhosa que nos voltou a colocar na liderança do campeonato de forma quase milagrosa. 

No fundo, não estava a pedir nada de mais para esta noite. Apenas e só que percebessem que o resultado da Luz era traiçoeiro e por isso teríamos de começar tudo de novo na Alemanha e voltar a fazer uma exibição igual ou, pelo menos, ao nível do que costumamos fazer na Liga. 

Fica este amargo de boca de falharmos as meias finais europeias. Que seja uma obsessão do clube chegar lá o quanto antes, é o que peço. 

Sobram as cinco finais do contra relógio do campeonato. Pronto, agora não há mais distracções, nem desculpas, nem tentações. Façam com que as exibições do Dragão e de Alvalade para a Liga não caiam no esquecimento. 

Rumo ao título e que para o ano não se hesite nas Taças nem na Europa. 

Benfica 4 - 2 Vitória de Setúbal: If The Kids Are United

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Passo já a explicar o titulo da crónica. Quando João Félix fez o seu golo e correu para o irmão lembrei-me de uma canção dos Sham 69 que diz "If The Kids Are United, Then We'll Never be Divided". Uma das músicas que mais ouvi, certamente. 

Só um momento muito especial, uma imagem muito forte, é que faria com que eu fosse buscar este tema na minha memória. 

Vivem-se noites de magia na Luz, João Félix tem tornado tudo muito mais especial e continua a coleccionar momentos e imagens para a eternidade com uma naturalidade impressionante! 

O Benfica anda a transformar períodos de tensão em celebrações divinas. 

Isto porque estamos na recta final daquilo que é uma corrida a dois mas não da maneira que nos querem vender. Oiço e leio por aí que a Liga está a ser decidida como se fosse uma renhida corrida de formula 1 com os carros lado a lado até ao momento final. Não concordo. A impressão que tenho é mais de um contra relógio ao mais alto nível do ciclismo. Há um rival que já fez o seu trajecto sem falhas e o Benfica está a 5 Km de completar a sua parte. Só que já sabe que não poderá falhar uma pedalada que seja, sob pena de perder a corrida. É que o concorrente está descansado na meta à espera de um tropeção. É ver o que tem sido os jogos do Porto neste campeonato, até o insuspeito Rui Santos acha que levam 10 pontos a mais...

Com este cenário, ao Benfica só resta ter a concentração máxima nos seus jogos e fazer o que Bruno Lage tem dito desde aquela vergonhosa meia final da Taça da Liga, foco naquilo que podemos controlar, ou seja, o nosso futebol. 

Nesse aspecto, o momento é prometedor. Depois dos 1-4 em Santa Maria da Feira, dos 4-2 ao Eintracht na 5ª feira, nova chapa 4, agora ao Vitória de Setúbal. 

É prometedor porque na última vez que o Vitória FC veio à Luz numa recta final de campeonato, perdi uns anos de vida com aquele triunfo por 2-1 com Pizzi a desafiar o 2-2 que, felizmente, não apareceu. 

Desta vez, o Benfica esteve sempre na frente e marcou logo no arranque da partida. Grande jogo de João Félix, de Florentino e de Rafa. Todos os jogos há um conjunto de jogadores a aparecerem mais fortes e inspirados que guiam a equipa para os resultados pretendidos. Claro que ainda há a destacar o jogo de Seferovic, que marcou e de todos os que ajudaram a conquistar os 3 pontos.

Pizzi ficou marcado pelo penalti que não conseguiu converter, Ruben Dias fez um penalti desnecessário, Ferro não teve a sua melhor noite e Samaris esteve um pouco abaixo da noite europeia mas todos foram importantes para controlar a vantagem e construir um resultado que permitisse uma noite mais tranquila do que seria de esperar. 

Regresso ao tema "If The Kids Are United" para realçar, com tristeza, que continuamos a ter um ambiente muito estranho na Luz. Os putos Félix deram o exemplo de união, a equipa toda dá o mesmo exemplo quando se trata de celebrar golos mas isto não se reflecte nas bancadas. Absolutamente deprimente a assobiadela prestada à equipa, pior do que isso, a um miúdo como Florentino, antes do intervalo com a equipa a vencer por 2-1. Inexplicável. Isso não é exigência, é demência, meus caros.

E depois, antes dos 60 minutos, ver Bruno Lage a pedir apoio a umas bancadas adormecidas é embaraçoso. O que é que se passa?! Não percebo em que ponto é que a Luz se transformou num espaço assim. Esta plateia não mereceu aquele desarme do "Tino" que acabou em golo. Desculpem mas não merece mesmo. Talvez por saberem isso, a maioria dos espectadores vira costas ao jogo 10 minutos antes do seu final, completamente  desinteressados da possibilidade de mais um golo ou de uma possível calorosa ovação já depois do jogo terminado que conforte os nossos jogadores para as cinco finais que faltam. Nada disso, quando a equipa se junta no relvado para agradecer ao público já só deve lá estar 20% da assistência anunciada uns minutos antes nos marcadores da Luz. Deprimente. 

Mais uma prova superada, uma vitória justa, segura e relativamente tranquila que nos deixa optimistas para o que falta jogar.

Os putos estão unidos. Falta o resto. 

Benfica 4 - 2 Eintracht Frankfurt: Euro Félix !

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Apetece-me agradecer. Obrigado, Benfica por uma magnifica noite de futebol. De futebol de ataque, com espaço para pensarmos o jogo, com tempo para analisarmos o adversário e percebermos como podemos ultrapassá-lo. Que noite de futebol na Luz. Que jogo do João Félix! Que prazer que foi viver esta partida, antes durante e depois. 

Quem diz que estes jogos não interessam e que quanto mais depressa o Benfica ficar de fora da Europa, melhor é para a equipa, é porque não conhece o clube. Estas é que são as noites do Benfica. 

Vão lá perguntar a um adepto do Eintracht o que achou dos golos do Félix no Dragão e em Alvalade. Não vão responder. Sabem porquê? Porque lá fora sabem mais de um tal de Rui Pinto do que do João. O nosso campeonato não tem expressão no estrangeiro e a imagem que o futebol português tem transmitido para o exterior é de uma lixeira a céu aberto. Por isso, só hoje é que a Europa descobriu, verdadeiramente, o que vale o puto Félix. 

O Eintracht é a única equipa alemã nas provas da UEFA em Abril. O mediatismo germânico está todo à volta deste duelo com o Benfica. Fazer 4 golos ao Eintracht faz mais pelo prestigio internacional do Benfica numa noite do que 10 vitórias em Santa Maria da Feira com os mesmos 4 golos marcados. É esta a realidade. Com a vantagem de que a seguir ao jogo ninguém vem falar de árbitros, VAR e afins. 

Quem não percebe que estamos a 3 jogos de voltar a fazer história na Europa gosta do clube errado. Por outro lado, quem julga os adversários apenas e só pelos nomes também precisa de se actualizar. Esta equipa alemã é uma das revelações do futebol europeu desta temporada. Hoje mostraram os argumentos que validam esta teoria. Fortes ao nível atlético e físico, duros, com a ideia jogo assimilada e uma grande vontade em marcar golos, este Frankfurt é uma bela equipa de futebol.

Recebi várias mensagens indignadas com o "11" escolhido por Bruno Lage. Li comentários devastadores nas redes sociais sobre a equipa do Benfica. 

Os anos passam e o pessoal não aprende. Há muitas maneiras de pensar o jogo. O facto da escolha não ser óbvia não significa desprezo ou desistência de nada.Pede-se compreensão, respeito e calma. Em vez disso, os adeptos parecem entrar numa espécie de suicídio colectivo baseado num "11" que não esperavam. 

E no final, na conferência pós jogo está lá tudo explicadinho. O Seferovic ficou de fora para evitar haver uma referência óbvia para a defesa, o Gedson entrou para desiquilibrar no jogo entrelinhas e ligar o jogo, Bruno Lage percebeu o desenho táctico do adversário e as consequências de jogar com uma defesa de uma linha de três e reinventou o ataque do Benfica. Mais mobilidade, três jogadores na linha da frente, Rafa, Cervi e João Félix e reforçar o meio do campo onde o adversário é muito forte. 

A desconfiança deu lugar à euforia, o Benfica chegou ao 1-0 de penalti e com expulsão para adversário. Só que os alemães não se retraíram. Em vez de recuar 10 metros, tirar um avançado e lançar um defesa, o Frankfurt manteve-se equilibrado e com a mesma ideia de jogo. Um risco que lhes valeu o empate por Jovic, inevitável. 

Félix inventou uma vantagem antes do intervalo, num grande golo, que moralizou a equipa, apesar do susto do 2-2 anulado mesmo em cima do intervalo.

O Benfica sentiu que podia marcar mais e rapidamente chegou ao 4-1.

Um resultado tão bom que devia ter levado a luz à loucura e não aconteceu. 

Seferovic podia e devia ter acabado com a eliminatória quando falhou o 5-1. Kevin Trap fez uma enorme defesa, diga-se.

Assim, de um resultado confortável passou.se para um 4-2 traiçoeiro e incómodo para o jogo da 2ª mão.

O pior ficou para o fim, com o jogo sempre partido, sempre aberto, com ambas as equipas a tentarem surpreender, o Benfica optou por gerir a posse de bola. Pois, houve uns milhares de benfiquistas que resolveram assobiar a equipa nesse momento do jogo levando Bruno Lage ao desespero.

Quem não entendeu o que se passou na Luz, a riqueza táctica do jogo, a exibição colectiva superior do Benfica, a noite individual de Félix, Gedson e Samaris, a importância da vitória, a qualidade dos golos, a necessidade de posse de bola, não merece o privilégio de viver estas noites europeias. 

4-2 é curto para Alemanha? Pode ser, sim. Mas o Benfica pode marcar em Frankfurt e fazer a sua história. 

Aconteça o que acontecer, esta noite já ninguém me tira.

E acabar a noite no Edmundo, em Benfica, a jantar e a conviver com adeptos alemães do Frankfurt, não há dinheiro nenhum que pague. Quando ganhamos internamente sentimos apenas e só um alivio. Vamos jantar e temos que nos esforçar para não sabermos o que se diz nas lixeiras transformadas em canais interessados em futebol.
Ganhar na Europa é outra coisa. 

Grande noite europeia que se viveu na Luz! 

Feirense 1 - 4 Benfica: Aquele Arco de 3 Maravilhosos Segundos no País dos Apitos

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 Desde sempre, acontece aquela desconfiança de quem nos rodeia e não entende a necessidade que temos em estarmos onde o Benfica joga. Mesmo que tenhamos de sacrificar um domingo familiar. Mesmo que tenhamos de acordar cedo num domingo após um sábado de borga. Mesmo que tenhamos que contornar vários obstáculos no trânsito, ironicamente originados pelo Benfica e a sua corrida anual, para reunirmos todos os elementos que vão viajar. Mesmo que saibamos que vamos passar o dia todo debaixo de chuva, A1 acima, A1  abaixo, e juntar o tempo frio à chuva no Estádio Marcolino de Castro. Já sabemos que isto não faz muito sentido mas o local onde o Benfica joga é uma espécie de íman que nos atrai fatalmente. Porque queremos fazer a nossa parte. Queremos sentir que estamos lá na bancada a apoiar os jogadores, um a um, quanto entram em campo e desviam o olhar para a plateia a ver se há muito apoio ou não. E, também, porque vamos à procura de viver emoções que só o futebol nos pode dar. Aliás, só o futebol do Benfica nos pode dar, porque isto é mais forte do que gostar só de futebol. 

Sim, o jogo dá na televisão e pode ser visto no maior conforto caseiro. Mas é a mesma coisa? Nem pensar! 

 

Vamos começar pelo minuto 49 do jogo Feirense - Benfica. Agora, o Glorioso está a atacar para o lado onde estamos a ver o jogo. Pela linha do meio campo, Grimaldo resolve surpreender chutando uma bola por alto que vai cair à entrada da grande área do Feirense. O guarda redes Caio precipita-se e tenta chegar à bola que entretanto é aliviada de cabeça por Bruno Nascimento. Rapidamente percebemos que Seferovic vai aproveitar para rematar de primeira, tentando uum golo épico de chapéu. Olhos na bola a sair do pé de Seferovic, silêncio quase total espontâneo e repentino, respiração suspensa e os olhares acompanham a trajectória de um arco perfeito que vai acabar dentro da baliza dos fogaceiros e que duras uns longos três segundos no ar. Explosão de alegria, o silêncio dá lugar a festejos exuberantes. Querem convencer-me que aqueles três segundos vistos em casa despertam a mesma emoção e os mesmo sentimentos? Não queiram. São instantes únicos. É futebol. 

Só momentos como este é que dão sentido à nossa presença ali. É que estar num estádio onde se permite que soe um apito nas bancadas que baralha espectadores e jogadores remete-me sempre para aquela final de Viena em 1990. Aconteceu hoje e parece que ninguém se importou. Deixo aqui a minha estranheza.

 

Para trás tinha ficado o golo de Pizzi que empatou o jogo. Também um momento muito emocionante, ao fim de vinte e oito (28) jornadas, o VAR conseguiu ver, finalmente, um penalti para o Benfica. 

Logo depois, o capitão André Almeida foi lá à frente garantir que o Benfica saía para o intervalo na frente do marcador.

Entre os minutos 40 e 50 do jogo, o Benfica resolveu um problema que se ia complicando com o passar do tempo. O golo de Sturgeon, aos 10', mostrou um Feirense que não bate certo com o lugar que ocupa na tabela. 

Todo o mérito para a equipa do Benfica pela maneira como deu a volta ao jogo e garantiu a vitória. Seferovic confirmou o 1-4 no último minuto de jogo proporcionando um excelente regresso a casa a todos os adeptos que só queriam sair dali na liderança do campeonato. 

Ver Ferro ao vivo é outra atracção que não dá para resistir. O central do Benfica está a crescer de tal maneira que não sei quanto tempo vamos poder ter o prazer de o ver a defender o manto sagrado. 

Samaris, Florentino e Taarabt apareceram nos lugares de Fejsa, Gabriel e Rafa, voltaram a dar óptimos sinais de validade como opções para titulares. A equipa pareceu segura e confiante, regressamos à exibição de Moreira de Cónegos. Apesar do golo sofrido, os ataques do Benfica voltaram a render quatro golos. Missão cumprida.

Falta falar do pré jogo. 

A viagem Lisboa - Santa Maria da Feira fez-se bem e sem paragens. A ideia era atacar logo o almoço bem perto do estádio. A escolha foi o restaurante Adega O Monhé. Fomos para a especialidade da casa, um cozido à portuguesa dentro de pão. Tem que ser encomendado porque é feito de véspera. O Chefe vem à mesa abrir o pão e explicar o processo de confecção. Há vários tipos de carne, enchidos, um molho apurado e couves no ponto.

Aprovadíssimo. Ficam as fotos para testemunhar o repasto:

Almoço bem sucedido, curta viagem para o estádio. Três pontos conquistados e para aproveitar esta dádiva de termos um jogo a terminar a horas decentes, desvio no regresso a casa para matar saudades do arroz de tomate com pasteis de bacalhau e panados no Manjar do Marquês em Pombal.

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Domingo à noite em casa, missão cumprida. Menos um jogo para terminar o campeonato e a mesma sensação, temos capacidade para vencermos os próximos seis jogos. Tarefa árdua mas que tem de ser cumprida porque o nosso concorrente parece já ter esses jogos todos ganhos como temos constatado jornada após jornada. 

Moreirense 0 - 4 Benfica: O Lindo Pôr do Sol de Moreira de Cónegos

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Todos os domingos deviam ter um pôr de sol, ou sunset, como agora se diz, parecido com este que vivemos no Minho. Assim como, todos os jogos do Benfica deviam encaminhar-nos para a tal monotonia maravilhosa de sentirmos os três pontos conquistados quando ainda só passou uma hora de jogo. Um resultado tranquilo que nos permita desviar o olhar do relvado nos tempos mortos e contemplar a paisagem. Ou comentar com o companheiro do lado que o almoço estava tão delicioso que, se calhar, não precisamos de ir ao Manjar do Marquês para baixo. Este tipo de discussões que tem quando o jogo corre bem. No fundo, jogos que a minha vida precisa.

Mas tudo começa com os nervos no auge. Mesmo que não queiramos, trazemos na memória que o nosso rival nesta corrida ao título teve logo um penalti oferecido, negado pelo VAR, e um adversário amarelado, expulso pelo VAR, nos primeiros 6 minutos do seu jogo na véspera.

Quando vemos o Grimaldo a arrancar pela esquerda e a ser atingido da maneira perigosa que a foto de baixo testemunho, não queremos só uma falta. Queremos coerência numa guerra brutal que é a luta pelo título em que todos os pormenores contam. 

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Nem amarelo houve para o jogador do Moreirense! É disto que estamos a falar, não vejo a mesma coerência entre dois jogos separados por menos de 24 horas. Como não vi coerência da parte do árbitro da véspera em relação ao que tinha decidido na Luz na 2ª feira passada. É o que temos. 

A esperança é que a invasão que pintou o Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos, de vermelho fosse motivação suficiente para a equipa de Bruno Lage ultrapassar todas as contrariedades e partisse para uma exibição convincente. 

Depois de uma noite europeia jogada com prolongamento há, apenas, três dias, a equipa do Benfica respondeu com personalidade, categoria, qualidade e frescura física que fazem corar de vergonha todos aqueles que desejaram a eliminação do clube da Liga Europa. Com boas ou más intenções. 

Este 0-4 no Minho veio demonstrar que não há dramas competitivos quando o objectivo é ganhar mais, é jogar melhor, é ir o mais longe possível e ter a ambição de vencer competições. 

Exibição gigantesca de Gabriel. O destaque é merecido mas toda a equipa esteve em enorme nível. O golo de Jonas deve ter sido o mais festejado deste fim de tarde mas com isto do VAR a vontade de celebrar esfuma-se. Quando João Félix faz o 0-1 lá no outro lado, é uma pintura belíssima que cravamos na nossa memória. A bola passa, chega ao João que está enquadrado com a baliza. Nós estamos enquadrados com o lance, bem de frente lá no outro lado na bancada visitante. A baliza está enquadrada com uns painéis onde se destaque o emblema do Moreirense. Por trás as enormes verdes árvores, o céu azul e o sol a brilhar com grandes nuvens brancas. E nestes segundos em que conseguimos enquadrar isto tudo sai um remate perfeito, cheio de força, indefensável, como que a querer dizer cheio de raiva: anula lá isto agora!

 

São pormenores que capto porque já nem me apetece festejar muito, só gritar golo e ficar a olhar para o árbitro que tem sempre dúvidas quando o Benfica faz um golo. E têm sido tantos. Os golos marcados e anulados. 

Depois do árbitro dar ordem para seguir o jogo é que o marcador da casa passa para 0-1. Quando o jogador do Moreirense toca na bola, o árbitro de imediato se benze! Um gesto que repetiu em todas as saídas de bola após os golos. O que me faz concluir, com todo o respeito, que se calhar o senhor devia estar na missa de domingo porque para se expulsar um jogador por aquela falta no Grimaldo não é preciso ser católico, é ser só competente.

Nem vou comentar a "polémica" com um lance de uma bola que nem entrou...

Samaris, perto do intervalo, aproveitou mais um canto de Pizzi e deixou-nos em paz.
Na 2ª parte era urgente fazer o terceiro para não haver pensamentos sobre o jogo com a SAD Codecity. Jonas lançou Rafa que nos fez o favor de descansar com o 0-3. Até ao 0-4, um golo engraçado em que se nota que Florentino é tão bom no desarme que até pode fazer marcar assim, foi uma tranquilidade absoluta que muito aprecio. 

A tal folga para olhar para este pôr do sol.

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Sobre o almoço remeto-vos para a crónica do jogo com o Aves quando falei da Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. Em equipa que ganha não se mexe, e voltámos em peso a este espaço que tem uma vitela estupenda. É tudo bom, a comida, o vinho, o atendimento e a simpatia do pessoal da casa. Até deu para ver a vitória do Liverpool na televisão da sala.

As viagens de regresso assim até custam menos, Houve paragem na Mealhada, claro, mas só deu para um rissol de leitão que o almoço ainda não estava digerido. 

A Liga Portugal podia pensar na diferença que faz para os adeptos um jogo terminar às 20h em vez de começar às 21h, ou perto disso. É que assim, conseguimos chegar a casa a uma hora minimamente decente e aligeirar os problemas familiares que estas deslocações irracionais e anti sociais, nos trazem. Pensem nisso. 

O Benfica é líder, está na corrida em mais duas competições, anda a jogar bem, marca que se farta e tem um treinador que nos orgulha no campo e nas salas de imprensa. 

Lidem com isso. 

 

Galatasaray 1 - 2 Benfica: Amor é Isto!

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Dá-me ideia que o Galatasaray vai protestar o jogo porque já percebeu toda a marosca que o Benfica anda a fazer nas diferentes competições. Depois de ter dado 10 ao Nacional porque os jogadores de Costinha, esse insuspeito e assumido anti-benfiquista, facilitaram, como ficou expresso pela metade da sociedade portuguesa não benfiquista, hoje o Benfica desenvolveu um plano terrível para vencer pela primeira vez na Turquia. Bruno Lage resolveu lançar uma equipa de crianças, Baby Benfica, segundo a crónica da Marca, para baralhar os turcos. Os jogadores do Galatasaray estavam todos desconcentrados a pensar nas namoradas abandonadas em plena noite de São Valentim. Os putos do Benfica nem sabiam que dia é que era porque , a maior parte deles, nem idade tem para namorar, daí estarem focados em jogar e ganhar. Lamentável, meus caros. Assim, não. Isto não é o meu Benfica. Sempre a inventarem artimanhas para vencer injustamente.

 

Noutra dimensão, vi muita gente preocupada com o facto do jogo atrapalhar o programinha de dias dos namorados. Também vi muito pessoal preocupado com a convocatória para este jogo. Os mesmos que criticaram a falta de rotação antes do Nacional, agora entraram em pânico com as ausências de Grimaldo, Pizzi, Jonas, Fejsa, Jardel, etc... O Benfica não é um clube fácil.

Voltando à malta que vacilou entre ver o Glorioso e o programa de São Valentim, é nestes dias que podem resolver as vossas vidas pelo melhor. Se ouviram o vosso homem ou a vossa mulher a largar questões do género "o Benfica é mais importante do que eu?", então é porque o futuro não é risonho. 

O Benfica não tem comparação, nem é um amor de São Valentim. O Benfica é vida. Mas é vida hoje, que vive uma fase empolgante, como já era no dia 14 de Fevereiro de 2000. Nessa noite, jogámos em Setúbal, numa 2ª feira à noite, e houve quem tivesse a lata de convidar a namorada para jantar nos arredores do Bonfim. E ver o jogo, claro. Relembro só o contexto dessa partida: menos de três meses antes, levámos 7 em Vigo, curiosamente nessa altura ninguém desconfiou de nada. Menos de um mês antes, o Sporting eliminou o Benfica na Luz para a Taça de Portugal, 1-3. E mesmo assim, nesse dia dos namorados de 2000 houve quem achasse mais importante arranjar maneira de arrastar a namorada para as bancadas do Bonfim, do que ir namorar tranquilamente sem viagens Lisboa - Setúbal - Lisboa. Porque o Benfica é maior que qualquer amor. Não é uma opinião é um facto. Portanto, o segredo nunca é comparar, nem ter que optar entre ver o Benfica e um jantar romântico. O segredo é encaixar o amor no meio da existência do Benfica. E nem vale a pena cederem só uma vez porque a médio / longo prazo isso vai acabar. Ou acham que ao abdicarem de ver hoje este regresso à Liga Europa para brilharem num restaurante da moda, com ambiente fofinho vai superar o facto de não terem visto em directo e com atenção a estreia do Florentino a titular do Benfica? Ou a tranquilidade com que Odysseas cresce na baliza? Ou a comovente dupla Ferro - Dias com Corchia recuperado e Yuri a provocar o penalti que Salvio aproveitou? Ou o enorme jogo que Gedson fez, tanto ao meio como na direita, a entrega do Cervi e mágica dupla atacante Seferovic - Félix? 

Acham que algum dia vão perdoar a vossa cara metade que fez beicinho e chantagem só para se sentirem mais importantes que o Benfica? Não vão conseguir. 

Só há um tipo de casais felizes, os que aceitam a existência do Benfica com todo o respeito e com toda a naturalidade. Os que aceitam que o papel mais importante na vida do parceiro ou parceira é aquele espaço temporal que acontece entre o final de um jogo e o começo do próximo. E, caramba, é muito tempo útil para namorar, não me lixem! 

Não se enganem a vós próprios, encontrem o vosso par perfeito, porque a escolha mais difícil e acertada da vossa vida já está tomada, é serem do Benfica. E isso é um privilégio que é preciso saber dignificar. 

É mais fácil do que parece. E olhem para os que não são deste maravilhoso clube, vejam na insanidade mental gradual em que estão a cair. Nós estamos no bom caminho. Pensem nisso.

 

Vitória de Setúbal 0 - 1 Benfica: Jonas Vence Tropa de Choco

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Está na hora de assumir que odeio o Estádio do Bonfim. A primeira vez que lá entrei foi na década de 80 e já cheirava a mofo. Era uma viagem aos anos 60, pelo menos. Em 2018 a sensação é exactamente a mesma, mesmo porque o recinto continua inalterado. 

As longas filas para entrar, os acessos, as cadeiras, as bancadas, o ódio que se sente na gente da casa, a maneira exageradamente agressiva com o Vitória sempre joga contra o Benfica. Hoje tinham 13 faltas cometidas ao intervalo. Na recepção ao Porto fizeram 13 falta durante o jogo todo! 

Tudo é mau naquele estádio. O relvado, o frio, o vento,  a visibilidade, a distância para o terreno de jogo, tudo é mau. Então porque é que insisto em lá ir? Mais... Como é que é possível que este seja um dos estádios onde mais entrei na vida para ver o Benfica? 

Porque, geograficamente, fica muito perto de casa. Porque é dos raros recintos abaixo do Rio Tejo que temos para ver o Benfica. Porque se junta sempre uma turma de amigos e companheiros de bancada para apreciar a gastronomia sadina. Hoje não foi excepção, excelentes doses de choco frito a um preço muito acessível numa espécie de lanche ajantarado.

E para ver o Benfica acabamos sempre por esquecer todas as contrariedades que o Bonfim oferece. Pelos vistos, até ataque ao autocarro do Benfica houve. Bons exemplos que os sadinos importam.

Esta noite, ao entrar no Estádio do Vitória houve a sensação de sempre, daquela viagem no tempo. Mas com o desenrolar do jogo percebi que, desta vez, era uma viagem aos dourados anos 90. Que arbitragem foi esta?! 

O Mendy fez 8 faltas e não viu um amarelo. Pizzi fez uma falta, levou um amarelo. Almeida também levou amarelo à 3ª falta. O Mano faz uma falta que trava um perigoso ataque do Benfica e não leva o segundo amarelo. Enfim... 

Mas o meu lance favorito é aquele golo do Zivkovic em que é assinalado fora de jogo quando ele arranca antes do meio campo. E o Vitória marca essa falta com a bola para lá da linha do seu meio campo. Delicioso.

Eu também quero muito ver o Benfica a jogar um grande futebol, a vencer fácil e a dar espectáculo. Curiosamente, em Setúbal raramente vi tal coisa acontecer na minha vida desde os anos 80. Aliás, quando vou para o Bonfim vou mentalizado para sofrer e só peço para ganhar nem que seja só por 0-1 com um golo de Jonas. Está óptimo.

O Benfica podia e devia ter saído de Setúbal com um resultado mais tranquilo mas por não ter conseguido concretizar, Rafa, Grimaldo e Zivkovic, por exemplo, não tiveram sorte nenhuma nas finalizações, a equipa acabou a defender a magra vantagem com Odysseas a negar o empate ao 88'. Altura em que o Vitória foi realmente perigoso, a dois minutos dos 90! 

São 3 pontos conquistados num terreno tradicionalmente complicado contra uma arbitragem incrível.

Já tivemos más noites em Setúbal ao longo dos anos. Hoje o desfecho foi bom. Mas, por exemplo, no Jamor uma noite desinspirada custou logo uma derrota penosa. O líder da prova já ameaçou ter noites más, como essa, mas há sempre alguma coisa a endireitá-lo. No Bessa foi um penalti ignorado, em casa contra o Portimonense passou-se de um possível 0-2 para um triunfo de 4-1 com outro penalti esquecido. Assim fica muito fácil. Muito fácil mesmo. Que Braga e Sporting finjam que estão mortos quando deviam reagir a isto, é lá problema deles. O Benfica não se pode calar. É que voltar aos anos 90 é como ir ao Bonfim, cheira sempre a Mofo e já sabemos com o que contamos.

Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira: O Regresso Às Origens

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Entre amigos de sempre, companheiros de bancada, mantenho uma espécie de competição interna de mostrar quem é que não perde um jogo oficial do Benfica na Luz há mais tempo. Eles sabem quem são. Aqueles que se conseguem rir destas parvoíces e destes pormenores. Gente com quem podemos dizer o número de jogos que não vimos na nova Luz e as respectivas justificações para as ausências. Dá sempre para várias horas de tertúlia e algumas risadas.

Geralmente, os motivos são sempre de força maior. Motivos profissionais ou escolares, celebrações familiares ou de amigos, nascimentos ou lutos. 

Era aqui queria chegar. Esta época vi pela primeira vez a Taça da Liga na Luz. Isto porque em Setembro tive que quebrar a corrente de não falhar um jogo na Luz que já tinha alguns anos a fio. Casamento de sobrinhos no Algarve. O Benfica bateu o Rio Ave e a boda foi um sucesso. Tudo bem. 

Tive que mudar a conversa na competição para quantos jogos para a Liga, Taça de Portugal ou Europa é que falhaste nos últimos anos. 

Hoje, foi um dia triste para um desses amigos. Um companheiro de bancada. De bancadas, da Luz, dos pavilhões, dos estádios por esse país fora e até por essa europa fora. Um benfiquista daqueles com quem estamos sempre a aprender, exigente, dedicado e sempre pronto a defender o clube até ao limite. 

Em dia de jogo do Benfica comunicou que perdeu o pai. um dos golpes mais duros que a vida tem para nos dar. Depois de lhe mandar um abraço pensei logo se ele iria ao jogo. Não há choque nenhum em pensar nisto nesta hora, é o maior tributo que lhe posso fazer. 

O Benfica cumpriu a sua parte. Venceu o segundo jogo no seu grupo na Taça da Liga e está perto de voltar à Final Four da competição. Mesmo com várias alterações na equipa, o Benfica ganhou com tranquilidade e naturalidade. Longe dos sustos e da exibição desastrada que se tinha visto com o Arouca para a Taça de Portugal. A comparação é legitima, os adversários são ambos da segunda divisão. O Paços de Ferreira, treinado pelo rei das subidas, Vítor Oliveira, podia tentar uma surpresa na Luz. Foi este treinador que afastou o Benfica há um ano nesta prova. 

Os golos de Seferovic e João Félix deram segurança à equipa que tentou ter sempre o jogo controlado e estar longe de sofrer sobressaltos. 

Apenas 17 mil benfiquistas acharam que o jogo era digno da sua presença. Aplaudiram a equipa no fim.

Entre esses 17 mil adeptos, lá estava o R.S. na bancada. Num dos dias mais tristes da sua vida, teve o consolo de ver o seu Benfica a jogar. Ainda recebeu a camisola do Jonas porque o Benfica tem pessoas que o humanizam. Não foi só esta vitória e este jogo que foi para ti, o Benfica está sempre lá para os dedicados como tu. Como tu estás para o Benfica. Isto só está ao alcance de alguns, no entanto, é esta grandeza que faz deste clube o mais amado do país. Às vezes é bom voltar às origens para se entender isso. 

Bayern 5 - 1 Benfica: Mau!

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Vamos lá esclarecer umas ideias. O Benfica perder nunca pode ser uma normalidade. O Benfica ser goleado é impensável. O Benfica sofrer cinco golos é vergonhoso. Uma vergonha a que já assisti vezes de mais na minha vida de benfiquista. E penso sempre que é a última vez cada vez que volta a acontecer. E quando acontece o que eu espero é que os jogadores reajam com dignidade. Sejam os jogadores que levaram 5 na Luz nos anos 90, sejam os jogadores que levaram 5 com a anterior equipa técnica, sejam os jogadores do plantel da época passada em Basileia, sejam os jogadores desta época em Munique. Para mim, não chega o discurso do levantar a cabeça. Isto é válido também para o treinador e para os dirigentes do clube. Uma noite trágica destas nunca pode ser só mais uma ou uma inevitabilidade. Não pode acontecer. 

Todos têm que saber estar à altura do peso, da história e da glória que o emblema do Benfica representa. Todos. 

Se há mais de dois mil associados e adeptos do clube que puderam, quiseram e estiveram no Allianz Arena a puxar pela equipa, a carregarem uma mística conhecida em todo o mundo, é preciso, antes de mais nada, respeitá-los. Para eles o meu obrigado e votos de bom regresso.

Eles, tal como todos os que acompanhámos à distancia, sabem a importância destas noites. É nestas alturas que o Benfica pode acrescentar mais honra ao seu historial. Esperamos sempre o melhor.

Sabemos que do outro lado não está uma equipa qualquer mas depois de ver e rever o que fizeram ali recentemente equipas como o Dusseldorf, Friburgo ou Monchengladbach, esperava-se uma oportunidade para o Benfica. Infelizmente, o Benfica só existiu naquele relvado durante uns dois minutos. O tempo que durou a jogada do golo do Gedson. De resto, não se viu nada. 

A ideia era ir a Munique tentar tirar proveito do mau momento e da instabilidade à volta do Bayern, arrancar uma boa exibição para moralizar e entusiasmar a equipa do Benfica que tem passado o último mês competitivo de forma agoniante. 

Era uma boa oportunidade. Foi uma decepção total. Sofrer 5 golos é sempre motivo de vergonha, assuma-se isso. 

Todos têm que perceber isso. Seja em Munique, seja na Grécia. Seja nos anos 90, seja em 2018. O Benfica não se fez de noites destas. As reacções deviam ser de acordo com isto. 

 

Benfica 2 - 1 Arouca: Doloroso Apuramento

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Isto nem é novo no reinado de Rui Vitória, vitórias apertadas com exibições muito pobres nas primeiras rondas da Taça de Portugal já aconteceram em outras épocas. Lembro-me, assim de cabeça, do 1-2 contra o Vianense e no ano a seguir o mesmo resultado no Estoril com o 1º de Dezembro. Em ambos os jogos o golo da vitória veio perto do final, tal como hoje.

A grande diferença é que nessa altura havia um enorme capital de confiança à volta da equipa porque vinha de épocas triunfantes e, portanto, uma noite desinspirada, mesmo que contra equipas de escalões inferiores, era desculpada pelo resultado prático final.

Desta vez, o contexto é muito mais delicado. Hoje, o Benfica precisava de uma boa exibição e um resultado tranquilo para dar sequência à vitória de Tondela, recuperar alguns jogadores, ganhar outros e embalar para um novo ciclo que tem na próxima paragem em Munique o ponto mais exigente.

Rui Vitória aproveitou o segundo jogo do Benfica na Taça de Portugal desta época para lançar Krovinovic, dar nova chance a Corchia, apostar em Zivkovic e, o mais relevante de tudo, recorrer ao 4-4-2 pela primeira vez esta temporada.

O resultado de todas estas apostas foi uma enorme desilusão. Salvou-se Svilar, que manteve o Benfica em jogo com uma enorme defesa já na recta final da partida, Seferovic e Jonas sempre inconformados, a espaços Krovinovic deu um ar da sua graça e Rafa acabou por ser decisivo ao marcar o golo que evitou um embaraçoso prolongamento.

De resto, é difícil quantificar e qualificar a exibição do Benfica esta noite com o Arouca da segunda divisão.

Só se aproveitou mesmo o resultado, um alivio merecido para as duas dezenas de milhar de adeptos que fizeram questão de aparecer na Luz.