Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Pass

Rumo ao 37

Red Pass

Rumo ao 37

Portimonense 2 - 0 Benfica: Fim da Retoma

Dv_P-fNXcAEZAAJ.jpg

Começo pelo fim.

Ao contrário do que a imprensa generalista e especializada quer fazer passar, eu não sou nenhum criminoso incendiário. Não bastava o enorme "cabeção" que levava ao sair do estádio com a miserável passagem do Benfica pelo Algarve, ainda tive que atender chamadas e responder a sms que davam conta de uma bancada a arder. Precisamente, aquela onde estive a ver o jogo. Meus amigos, se não sabem distinguir umas tochas acesas no chão entre cadeiras e um incêndio, então não são os adeptos que são incendiários, são vocês todos que são uns idiotas. Os que fazem as notícias, os que as passam e os que as engolem. Se querem preocupações com fogos no Algarve vão fazer alguma coisa pelas vítimas de Monchique e arredores. Cambada de hipócritas.

Ainda na sequencia da negra noite, depois do jogo o único momento bom foi rever e saudar gente boa que é movida pelo Benfica, do sul ao norte, porque o regresso a casa foi um pesadelo de dezenas e dezenas de quilómetros de nevoeiro cerrado pela A2.

Antes do jogo, tudo certo, tudo bem. 

Ir ver o Benfica a Portimão a meio de uma semana de trabalho equivale a fazer esforços e sacrifícios só para vermos a nossa equipa ao vivo. Ao contrário do que a Liga de clubes pensa, o sucesso de um estádio cheio numa gelada 4ª feira à noite não tem nada a ver com a vaidade e soberba que o Pedro Proença mostra em todas as suas intervenções públicas. O estádio de Portimão está cheio APESAR da organização da Liga. APESAR de marcarem os jogos tarde a más horas, APESAR de tratarem os adeptos mal dentro e fora do estádio. Percebam isso, não se vangloriem de um campeonato que deve é um exemplo do que não deve ser uma organização. Basta dizer que saímos de Portimão sem saber datas e horas da próxima deslocação. 

Depois o clube Benfica também tem de perceber que ninguém está ali aquela hora, num dia de trabalho, metendo folgas, férias, adiando compromissos e deixando as famílias para segundo plano, por causa de um dirigente, de um treinador ou de algum jogador. Nada disso. Os que estão ali, estão pelo Benfica. Já foi assim naquela noite fria em que os adeptos quiseram estar no primeiro jogo do ano numa inédita deslocação à Trofa. Curiosamente, o jogo de ontem leva-me precisamente para essa época do Quique Flores, a mesma derrota por 2-0 e o mesmo sentimento de impotência perante uma ideia de jogo falida.

Mesmo sabendo que a equipa joga mais mal que bem, mesmo sabendo que a aposta nesta equipa técnica tem estado por um fio, ou por uma derrota, os adeptos lá estavam. Quem critica no conforto do sofá nunca vai entender o sentimento de quem faz tudo por estar lá. 

O que aconteceu em campo foi o chamado desastre à espera de acontecer. Ontem foi o ponto final da tal retoma que fez de Dezembro um mês vitorioso e que deixou no jogo com o Braga uma clara ilusão imediatamente contrariada em mais um apuramento na Taça da Liga sofrido e envergonhado.

Exibição desastrosa do Benfica. Desfocados, desconcentrados, vencidos e sem soluções externas. 

Não há desculpas para um jogo assim que simbolicamente marca o arranque do ano 2019. Só faço uma ressalva ao Jonas que me pareceu mal expulso. 

De resto, nem há ponta por onde pegar. Uma letargia que se estendeu às bancadas onde até os adeptos pareciam conformados com o triste espectáculo. Parecia que estava tudo à espera de uma noite assim. 

Mas não é bem assim. Nós quando tomamos a decisão de juntar um grupo e viajar de Lisboa ao Algarve, a ideia nunca é voltar com este sentimento de tristeza e depressão. Por isso, é que combinamos encontros e reencontros, nos sentamos à mesa a comer, a beber e a partilhar histórias e opiniões entre várias gerações de benfiquices. Somos sempre muito bem recebidos e tratados no Algarve. Desta vez, o repasto foi em Pêra no pequeno e acolhedor restaurante Boa Onda. Muitos e bons petiscos, variada carne e aguardente de figo. Procurem que vale a pena. 

Depois há momentos de prazer que ninguém nos tira, esplanada com cerveja e aquele sol algarvio que até no inverno parece verão. As conversas sempre à volta do mesmo. Isto ninguém compra, ninguém explica, ninguém troca. 

O resto é um jogo a que estamos sujeitos. Inesperado não foi, desagradável e inaceitável é sempre que o Benfica perde. 

Na viagem para Lisboa vinha a pensar nas coincidências do futebol. O primeiro jogo de Rui Vitória no Benfica foi no Algarve e correu mal. Simbolicamente este último jogo foi na mesma região e o sentimento de azia é igual. 

 

Aves 1 - 1 Benfica: De Volta à Final Four da Taça da Liga

750c6b1e-60e3-42dd-b013-09e325780b70.jpg

Havia muita expectativa para este último jogo do Benfica em 2018. Era também o último jogo da fase de grupos da Taça da Liga. As duas vitórias na Luz abriam as portas da fase final com confiança. Bastava o empate na Vila das Aves para a equipa de futebol do Benfica entrar em 2019 a lutar por quatro diferentes competições.

Apesar deste contexto, Rui Vitória tinha prometido na conferência de imprensa pré jogo que o Benfica não ia para empatar, ia jogar para ganhar. Aliada a essa promessa estava na memória de todos a goleada ao Braga no domingo que deixava no ar a possibilidade da equipa voltar a exibir-se mais de acordo com as exigências do clube.

Nada disto aconteceu. Mesmo com poucas mexidas no onze, Svilar, Yuri e Seferovic, foram as grandes mudanças, o Benfica voltou ao pragmatismo das exibições cinzentas tendo como única prioridade cumprir o objectivo principal, o apuramento. Mesmo assim, esse objectivo esteve em perigo quando o Aves se adiantou no marcador já na 2ª parte. Foi preciso recorrer a Jonas e alargar a frente de ataque para que aparecesse o golo salvador de Seferovic.

Foi um apuramento sofrido, pouco entusiasmante mas cumpridor. Para se ganhar esta competição é preciso estar em Braga em Janeiro, e isso foi garantido.

O Benfica termina o mês como começou, focado em cumprir objectivos. O bom futebol de domingo fica para provar se tem continuidade em Portimão ou não. 

Acabou-se 2018, o primeiro ano sem registo de qualquer conquista em termos de futebol pela primeira vez em muitos anos. Que não se repita em 2019. 

Marítimo 0 - 1 Benfica: Vitória com Exibição Pobre mas Honesta

benfica.jpg

O Benfica foi à Madeira para defrontar o Marítimo num estádio onde não tem sido feliz nas últimas duas temporadas, perdeu em 16/17 e empatou na época passada.

Esta noite, o Benfica foi ganhar no Funchal e aumentou assim a série de vitórias seguidas para cinco jogos. Nestes cinco jogos não sofreu nenhum golo.

Ou seja, não vos trago novidades nenhumas aqui. Isto porque o Benfica acaba de completar a dose dupla de jogos seguidos fora da Luz no campeonato, no Bonfim e nos Barreiros, dois terrenos bem complicados tradicionalmente, com um total de seis pontos mas com uma qualidade de futebol que deixa os seus adeptos à beira de um ataque de nervos. 

Ficou claro que neste mês de Dezembro a prioridade é vencer, jogar bem é um luxo que a equipa não está a conseguir atingir. 

Portanto, fica a preocupação de mais uma exibição apagada mas o conforto de um triunfo que já nos escapou noutros tempos a jogar bem.

Mas admitir que a qualidade das exibições tem andado abaixo dos mínimos exigíveis é meio caminho andado para que a equipa perceba que no Benfica não basta ganhar. Só que neste preciso momento, ganhar é a única maneira de sobreviver num campeonato onde todos podem ter uma noite má menos os dois rivais do Benfica. E não, não estou a esquecer o Braga.

O Porto numa noite má chega à recta final do seu derby a fazer um penalti que lhe podia custar uma derrota mas é perdoado e acaba a vencer o jogo. Ou numa noite má, o Porto começa a perder em casa com o Portimonense, volta a fazer um penalti que dava o 0-2 e acaba a ganhar 4-1. Ou ainda noutra noite má, está nos Açores com muitas dificuldades em ultrapassar o 1-1, e marca o golo da vitória num lance que começa numa falta do seu atacante. E podia estar aqui mais umas linhas a descrever o que tem sido o papel do VAR nos jogos do Porto até à jornada 1. 

Depois temos o Sporting a perder 0-2 em casa com o Nacional e um penalti inexistente devolve a equipa o jogo antes do intervalo. Aliás, a ligação entre o Sporting e os penaltis nesta temporada faz pensar que podem bater o recorde surreal dos tempos de Jardel! 

O Benfica quando tem uma noite má perde com o Moreirense ou Belenenses. Mas perde mesmo. Esta diferença reflecte-se na tabela actual.

Curiosamente, quando azuis são beneficiados há um profundo silêncio verde. Quando os verdes são ajudados há um comovente silêncio azul. O Braga deve estar à espera da próxima semana para reagir. 

Nada disto faz esquecer as pobres exibições do Benfica, volto a escrever para que ninguém pense que quero passar por cima disso. Os triunfos do Benfica podem ser pobres mas são honestos! Nos jogos do Benfica nem nos lembramos que vivemos tempos de VAR. Nunca se enganam para este lado. Por isso, dou muito valor aos triunfos de 1-0, dou muito valor ao Jonas. É pouco? É. Mas é com o trabalho dos nossos jogadores e sem ajudas externas. 

O Benfica está a jogar pouco e a ganhar. Os outros é que jogam todos muito à bola e são uns santos. Exigência para dentro e para fora, é isto que temos de ter. E saber aproveitar as vitórias.

Benfica 1 - 0 AEK: Objectivos Mínimos Cumpridos

_JPT1070.jpg

Apesar de já não haver possibilidade de lutar pelo apuramento na Champions League, este último jogo trazia alguns objectivos concretos para cumprir.

Os imediatos, somar 2,7 milhões de euros com uma vitória, somar três pontos para a passagem para a Liga Europa ser menos complicada ficando entre os cabeças de série no próximo sorteio e a dignidade de somar sete pontos na prova.

Os objectos de contexto eram mais abstractos mas também importantes. Juntar mais uma vitória seguida neste mês de Dezembro, fazer mais um jogo sem sofrer golos, dar minutos a jogadores como João Félix, ajudar a recuperar a confiança competitiva depois de um ciclo horrível, deixar uma imagem vitoriosa na última jornada europeia do ano e conseguir uma boa exibição para animar os adeptos.

Esta última parte não foi de todo conseguida. Tudo o resto foi cumprido mas com um jogo nada entusiasmante. 

Portanto, a equipa voltou a encontrar o caminho das vitórias mas sente-se que tudo é conseguido em esforço. Hoje foi a inspiração de Grimaldo a bater um livre directo, um golo de bola parada, a dar uma vitória importante que faz cumprir todos os parâmetros que apresentei atrás. Antes, Seferovic não foi feliz com demasiada pontaria nos postes e voltou a repetir a façanha após o golo.

Objectivos imediatos cumpridos, o Benfica passa agora para a Liga Europa como cabeça de série mas o nível exibicional continua longe do desejado. 

Segue-se mais uma prova de fogo na Madeira.

Vitória de Setúbal 0 - 1 Benfica: Jonas Vence Tropa de Choco

48046324_10161206653230716_1907618993057824768_o.j

Está na hora de assumir que odeio o Estádio do Bonfim. A primeira vez que lá entrei foi na década de 80 e já cheirava a mofo. Era uma viagem aos anos 60, pelo menos. Em 2018 a sensação é exactamente a mesma, mesmo porque o recinto continua inalterado. 

As longas filas para entrar, os acessos, as cadeiras, as bancadas, o ódio que se sente na gente da casa, a maneira exageradamente agressiva com o Vitória sempre joga contra o Benfica. Hoje tinham 13 faltas cometidas ao intervalo. Na recepção ao Porto fizeram 13 falta durante o jogo todo! 

Tudo é mau naquele estádio. O relvado, o frio, o vento,  a visibilidade, a distância para o terreno de jogo, tudo é mau. Então porque é que insisto em lá ir? Mais... Como é que é possível que este seja um dos estádios onde mais entrei na vida para ver o Benfica? 

Porque, geograficamente, fica muito perto de casa. Porque é dos raros recintos abaixo do Rio Tejo que temos para ver o Benfica. Porque se junta sempre uma turma de amigos e companheiros de bancada para apreciar a gastronomia sadina. Hoje não foi excepção, excelentes doses de choco frito a um preço muito acessível numa espécie de lanche ajantarado.

E para ver o Benfica acabamos sempre por esquecer todas as contrariedades que o Bonfim oferece. Pelos vistos, até ataque ao autocarro do Benfica houve. Bons exemplos que os sadinos importam.

Esta noite, ao entrar no Estádio do Vitória houve a sensação de sempre, daquela viagem no tempo. Mas com o desenrolar do jogo percebi que, desta vez, era uma viagem aos dourados anos 90. Que arbitragem foi esta?! 

O Mendy fez 8 faltas e não viu um amarelo. Pizzi fez uma falta, levou um amarelo. Almeida também levou amarelo à 3ª falta. O Mano faz uma falta que trava um perigoso ataque do Benfica e não leva o segundo amarelo. Enfim... 

Mas o meu lance favorito é aquele golo do Zivkovic em que é assinalado fora de jogo quando ele arranca antes do meio campo. E o Vitória marca essa falta com a bola para lá da linha do seu meio campo. Delicioso.

Eu também quero muito ver o Benfica a jogar um grande futebol, a vencer fácil e a dar espectáculo. Curiosamente, em Setúbal raramente vi tal coisa acontecer na minha vida desde os anos 80. Aliás, quando vou para o Bonfim vou mentalizado para sofrer e só peço para ganhar nem que seja só por 0-1 com um golo de Jonas. Está óptimo.

O Benfica podia e devia ter saído de Setúbal com um resultado mais tranquilo mas por não ter conseguido concretizar, Rafa, Grimaldo e Zivkovic, por exemplo, não tiveram sorte nenhuma nas finalizações, a equipa acabou a defender a magra vantagem com Odysseas a negar o empate ao 88'. Altura em que o Vitória foi realmente perigoso, a dois minutos dos 90! 

São 3 pontos conquistados num terreno tradicionalmente complicado contra uma arbitragem incrível.

Já tivemos más noites em Setúbal ao longo dos anos. Hoje o desfecho foi bom. Mas, por exemplo, no Jamor uma noite desinspirada custou logo uma derrota penosa. O líder da prova já ameaçou ter noites más, como essa, mas há sempre alguma coisa a endireitá-lo. No Bessa foi um penalti ignorado, em casa contra o Portimonense passou-se de um possível 0-2 para um triunfo de 4-1 com outro penalti esquecido. Assim fica muito fácil. Muito fácil mesmo. Que Braga e Sporting finjam que estão mortos quando deviam reagir a isto, é lá problema deles. O Benfica não se pode calar. É que voltar aos anos 90 é como ir ao Bonfim, cheira sempre a Mofo e já sabemos com o que contamos.

Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira: O Regresso Às Origens

47467673_10161195011815716_2574598109564764160_o.j

Entre amigos de sempre, companheiros de bancada, mantenho uma espécie de competição interna de mostrar quem é que não perde um jogo oficial do Benfica na Luz há mais tempo. Eles sabem quem são. Aqueles que se conseguem rir destas parvoíces e destes pormenores. Gente com quem podemos dizer o número de jogos que não vimos na nova Luz e as respectivas justificações para as ausências. Dá sempre para várias horas de tertúlia e algumas risadas.

Geralmente, os motivos são sempre de força maior. Motivos profissionais ou escolares, celebrações familiares ou de amigos, nascimentos ou lutos. 

Era aqui queria chegar. Esta época vi pela primeira vez a Taça da Liga na Luz. Isto porque em Setembro tive que quebrar a corrente de não falhar um jogo na Luz que já tinha alguns anos a fio. Casamento de sobrinhos no Algarve. O Benfica bateu o Rio Ave e a boda foi um sucesso. Tudo bem. 

Tive que mudar a conversa na competição para quantos jogos para a Liga, Taça de Portugal ou Europa é que falhaste nos últimos anos. 

Hoje, foi um dia triste para um desses amigos. Um companheiro de bancada. De bancadas, da Luz, dos pavilhões, dos estádios por esse país fora e até por essa europa fora. Um benfiquista daqueles com quem estamos sempre a aprender, exigente, dedicado e sempre pronto a defender o clube até ao limite. 

Em dia de jogo do Benfica comunicou que perdeu o pai. um dos golpes mais duros que a vida tem para nos dar. Depois de lhe mandar um abraço pensei logo se ele iria ao jogo. Não há choque nenhum em pensar nisto nesta hora, é o maior tributo que lhe posso fazer. 

O Benfica cumpriu a sua parte. Venceu o segundo jogo no seu grupo na Taça da Liga e está perto de voltar à Final Four da competição. Mesmo com várias alterações na equipa, o Benfica ganhou com tranquilidade e naturalidade. Longe dos sustos e da exibição desastrada que se tinha visto com o Arouca para a Taça de Portugal. A comparação é legitima, os adversários são ambos da segunda divisão. O Paços de Ferreira, treinado pelo rei das subidas, Vítor Oliveira, podia tentar uma surpresa na Luz. Foi este treinador que afastou o Benfica há um ano nesta prova. 

Os golos de Seferovic e João Félix deram segurança à equipa que tentou ter sempre o jogo controlado e estar longe de sofrer sobressaltos. 

Apenas 17 mil benfiquistas acharam que o jogo era digno da sua presença. Aplaudiram a equipa no fim.

Entre esses 17 mil adeptos, lá estava o R.S. na bancada. Num dos dias mais tristes da sua vida, teve o consolo de ver o seu Benfica a jogar. Ainda recebeu a camisola do Jonas porque o Benfica tem pessoas que o humanizam. Não foi só esta vitória e este jogo que foi para ti, o Benfica está sempre lá para os dedicados como tu. Como tu estás para o Benfica. Isto só está ao alcance de alguns, no entanto, é esta grandeza que faz deste clube o mais amado do país. Às vezes é bom voltar às origens para se entender isso. 

Benfica 4 - 0 Feirense: Chicotada Psicológica Invertida

_JT_6988.jpg

Escrevi aqui sem rodeios depois do jogo de Munique que era preciso reagir a sério. Não punha de parte uma mudança de equipa técnica e a Direcção do clube também não, como se percebeu nos dias seguintes. 

Foi a semana mais complicada de Rui Vitória desde que chegou ao Benfica e uma das mais delicadas do reinado de Luís Filipe Vieira. A decisão de mudar de treinador chegou a ser uma realidade que acabou por não acontecer num último momento por convicção do Presidente. Uma originalidade com o campeonato em andamento. A chamada chicotada psicológica invertida.

Pelo que entendi, o Presidente percebeu a gravidade das exibições da equipa, não só de Munique mas do último mês competitivos depois de uma vitória no clássico, e quis alterar as coisas mudando o treinador. Depois, num pensamento mais ponderado terá avaliado a falta de tempo que qualquer treinador teria ao entrar agora. Não há tempo para entrar, treinar, impor conceitos, mudar treinos, afinar estratégias. Isto porque entrámos no último mês do ano e o mais exigente desta época com jogo de três em três dias para o campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e o que resta da Liga dos Campeões. Vieira terá pensado que a via mais fácil era deixar cair o treinador e ficar entregue à sorte de um novo projecto. Pensou na via mais complicada e optou por segui-la. Isto é, falar com o plantel e saber com o que podia contar. Pelos vistos, o plantel deu-lhe garantias de mais entrega, mais qualidade e motivação total para vender todas as provas. Houve esse compromisso entre plantel, Presidente e treinador. Foi a via menos esperada, mais difícil e muito arriscada. 

É sempre mais fácil mudar um líder do que lidar com um plantel. 

A decisão mexeu com toda a nação benfiquista, causou surpresa e até mal estar mas a verdade é que não vi ninguém abandonar o barco até agora. 

Restava saber se a equipa ia devolver em campo a tal confiança prometida.  

Mais 40 mil adeptos quiseram ir ao Estádio da Luz para ver se a equipa ia dar seguimento à vitória de Tondela, há quase um mês, e aceitaram o desafio de apoiar. Os dois Topos manifestaram o seu descontentamento com o futebol do Benfica em silêncio, só interrompido com o Ser Benfiquista ao minuto 30. Curiosamente, de outros sectores do estádio veio apoio mesmo com zero a zero no marcador. 

A primeira parte não foi brilhante. O Feirense fez a rábula de mudar o campo obrigando o Benfica a atacar para norte na 2ª parte. O castigo voltou a aparecer para com quem brinca com as tradições da Luz. Foi na baliza norte que o Benfica fez 4 golos em 45 minutos, resolvendo o jogo e somando os 3 pontos.

Uma primeira batalha ganha depois da intervenção presidencial. Mas a desconfiança ainda é muita e é preciso pensar que há deslocações a Setúbal ou ao Funchal, por exemplo, durante o mês. É preciso jogar mais tempo como na 2ª parte. 

Zivkovic, Rafa e Jonas aproveitaram da melhor forma a aposta no 4-3-3. Pizzi, Gedson e Fejsa subiram de produção na segunda parte, e ficou claro que é nestes jogadores que Rui Vitória mais confiança. 

4-0 ao Feirense era a resposta que se esperava. Agora, tem que ser atitude para continuar. Caso contrário, de pouco vale esta goleada.

 

 

Bayern 5 - 1 Benfica: Mau!

gedson.jpg

Vamos lá esclarecer umas ideias. O Benfica perder nunca pode ser uma normalidade. O Benfica ser goleado é impensável. O Benfica sofrer cinco golos é vergonhoso. Uma vergonha a que já assisti vezes de mais na minha vida de benfiquista. E penso sempre que é a última vez cada vez que volta a acontecer. E quando acontece o que eu espero é que os jogadores reajam com dignidade. Sejam os jogadores que levaram 5 na Luz nos anos 90, sejam os jogadores que levaram 5 com a anterior equipa técnica, sejam os jogadores do plantel da época passada em Basileia, sejam os jogadores desta época em Munique. Para mim, não chega o discurso do levantar a cabeça. Isto é válido também para o treinador e para os dirigentes do clube. Uma noite trágica destas nunca pode ser só mais uma ou uma inevitabilidade. Não pode acontecer. 

Todos têm que saber estar à altura do peso, da história e da glória que o emblema do Benfica representa. Todos. 

Se há mais de dois mil associados e adeptos do clube que puderam, quiseram e estiveram no Allianz Arena a puxar pela equipa, a carregarem uma mística conhecida em todo o mundo, é preciso, antes de mais nada, respeitá-los. Para eles o meu obrigado e votos de bom regresso.

Eles, tal como todos os que acompanhámos à distancia, sabem a importância destas noites. É nestas alturas que o Benfica pode acrescentar mais honra ao seu historial. Esperamos sempre o melhor.

Sabemos que do outro lado não está uma equipa qualquer mas depois de ver e rever o que fizeram ali recentemente equipas como o Dusseldorf, Friburgo ou Monchengladbach, esperava-se uma oportunidade para o Benfica. Infelizmente, o Benfica só existiu naquele relvado durante uns dois minutos. O tempo que durou a jogada do golo do Gedson. De resto, não se viu nada. 

A ideia era ir a Munique tentar tirar proveito do mau momento e da instabilidade à volta do Bayern, arrancar uma boa exibição para moralizar e entusiasmar a equipa do Benfica que tem passado o último mês competitivo de forma agoniante. 

Era uma boa oportunidade. Foi uma decepção total. Sofrer 5 golos é sempre motivo de vergonha, assuma-se isso. 

Todos têm que perceber isso. Seja em Munique, seja na Grécia. Seja nos anos 90, seja em 2018. O Benfica não se fez de noites destas. As reacções deviam ser de acordo com isto. 

 

Benfica 2 - 1 Arouca: Doloroso Apuramento

_JPT5922.jpg

Isto nem é novo no reinado de Rui Vitória, vitórias apertadas com exibições muito pobres nas primeiras rondas da Taça de Portugal já aconteceram em outras épocas. Lembro-me, assim de cabeça, do 1-2 contra o Vianense e no ano a seguir o mesmo resultado no Estoril com o 1º de Dezembro. Em ambos os jogos o golo da vitória veio perto do final, tal como hoje.

A grande diferença é que nessa altura havia um enorme capital de confiança à volta da equipa porque vinha de épocas triunfantes e, portanto, uma noite desinspirada, mesmo que contra equipas de escalões inferiores, era desculpada pelo resultado prático final.

Desta vez, o contexto é muito mais delicado. Hoje, o Benfica precisava de uma boa exibição e um resultado tranquilo para dar sequência à vitória de Tondela, recuperar alguns jogadores, ganhar outros e embalar para um novo ciclo que tem na próxima paragem em Munique o ponto mais exigente.

Rui Vitória aproveitou o segundo jogo do Benfica na Taça de Portugal desta época para lançar Krovinovic, dar nova chance a Corchia, apostar em Zivkovic e, o mais relevante de tudo, recorrer ao 4-4-2 pela primeira vez esta temporada.

O resultado de todas estas apostas foi uma enorme desilusão. Salvou-se Svilar, que manteve o Benfica em jogo com uma enorme defesa já na recta final da partida, Seferovic e Jonas sempre inconformados, a espaços Krovinovic deu um ar da sua graça e Rafa acabou por ser decisivo ao marcar o golo que evitou um embaraçoso prolongamento.

De resto, é difícil quantificar e qualificar a exibição do Benfica esta noite com o Arouca da segunda divisão.

Só se aproveitou mesmo o resultado, um alivio merecido para as duas dezenas de milhar de adeptos que fizeram questão de aparecer na Luz.

Tondela 1 - 3 Benfica: Entrar a Perder, Sair a Ganhar

slb.jpg

Neste fim de semana percebi que há algo de muito errado entre a minha vida e os jogos do Benfica em Tondela. Desde que a equipa de Tondela subiu à primeira divisão nunca consegui ir ao Estádio João Cardoso. No primeiro ano porque resolveram jogar em Aveiro, no segundo porque tinha acabado de ser operado a uma clavícula partida, no ano passado e este ano houve conflitos de agenda profissional. Sendo assim, Tondela é dos poucos estádios da primeira divisão que não visitei. Juntamente com o do Santa Clara, nos Açores. E já coloco aqui o bizarro recinto da SAD belenense como visitado.

Não poder ir em viagem tira grande interesse à crónica do jogo, assim não há sugestões gastronómicas nem relatos de frio e chuva. No entanto, ficar em casa a sofrer ao longe não me poupa a receber uma overdose de imagens gastronómicas de fazer inveja. Reti um local que parece merecer visita, Três Pipos. É explorar. A malta que divulgou é de confiança.

Aproveito para começar por aqui, a presença de adeptos naquela bancada atrás da baliza, descoberta, ao frio e à chuva com um apoio insaciável do primeiro ao último minuto é a representação irracional do que é ser Benfica. No fundo, é colocar em prática aquela teoria do vê o que podes fazer pelo Benfica em do que o Benfica pode fazer por ti. Assim, se enche uma bancada com uma força vocal incrível mesmo que a equipa não ganhe um jogo há um mês e venha de uma anormal ciclo de derrotas na Liga portuguesa. 

Aliás, o Benfica chega a Tondela de moral em baixo. A exibição com o Ajax não foi grande coisa e o lance final em que Gabriel podia ter dado 3 pontos europeus ao Benfica acabou por agudizar ainda mais a frustração. Como se não chegasse, ainda não tinha passado um minuto de jogo e já o Tondela estava a ganhar. Pelo lado de Grimaldo há um cruzamento que Conti reage mal e acaba por fazer auto golo. Pior arranque era impossível. 

E o que se ouviu na transmissão televisiva? Um apoio ainda maior dos adeptos do Benfica. 

Vou despachar a questão do Conti. Espero vê-lo jogar com mais regularidade, se é verdade que não foi feliz nos golos do Tondela e Ajax, há que dizer que nos mesmos jogos fez dois cortes em cima da linha de golo verdadeiramente impressionantes. 

Tudo o que se pode dizer a partir daqui é que a equipa soube estar ao nível do apoio dos seus seguidores. Jonas voltou a ser essencial na equipa, Rafa deu o mote pelo lado direito e não foi feliz na primeira parte na hora de finalizar, depois compensou com o 1-3, Pizzi e Gabriel assumiram as despesas de construção. A exibição não foi deslumbrante mas o objectivo foi cumprido. Reviravolta liderada por Jonas, no primeiro remate à baliza do Tondela. Na segunda parte, já com o Tondela com menos um jogador, a entrada de Seferovic para o lado de Jonas revelou-se determinante para os três pontos. Fica até no ar a dúvida se não vale a pena ponderar este regresso a um sistema de dois jogadores mais avançados que, como sabemos, com Jonas já deu tão bons resultados. 

Ver o jogo na televisão é uma tortura. A realização é horrível, fiquei a perceber que as repetições não assim tão importantes para a emissão em directo. Se ficarem dúvidas, a Sport Tv remete para um programa chamado Juízo Final ou algo assim parecido. Ou seja, as imagens ficam congeladas para mais tarde alimentarem mais polémica. Acho bem, há pouca no futebol português. O melhor exemplo disto é a repetição do lance da primeira expulsão. Quando, finalmente, o realizador vai buscar o plano em que se vê melhor a chegado do jogador do Tondela a Cervi o plano muda e o narrador empurra para o tal programa. Até Vítor Paneira fica a falar sozinho. Enfim, é tão melhor ir ver os jogos aos estádios. 

Tudo se torna mais penoso quando é um domingo gordo com uma maratona impressionante de jogos de todo o mundo. Liverpool, Chelsea, Manchester, Frankfurt, Roma, Milão, Boca e River, enfim, dezenas de jogos à volta da transmissão de Tondela e ficamos com a ideia que o jogo nacional é o que é pior tratado televisivamente. Felizmente, são muitas mais as vezes que vejo ao vivo do que assim. 

O Benfica encerra este ciclo horrível com uma vitória em Tondela. Curiosamente, nunca lá fui e só temos vitórias. Para a próxima não sei se é melhor resistir ao Três Pipos.