Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Red Pass

Rumo ao 38

Red Pass

Rumo ao 38

A estética dos troféus e as suas tradições.

 

Faço um pré aviso antes de se atirarem à leitura desta prosa; não é sobre reforços, BES, Enzo, Peter Lim e afins. Aqui fala-se de um assunto que me incomoda de há alguns anos para cá e acho que é a altura certa de levantar a questão: a estética dos troféus e as suas tradições.

 

Já sei que são pormenores que não interessam a ninguém mas eu sou assim, um eterno romântico à volta do futebol e das suas histórias. Nos últimos anos tenho visto os troféus oficiais em Portugal mudarem de nome e de aspecto. Ora, chegou o momento em que posso e devo abordar o assunto com propriedade. Literalmente, já que as quatro principais taças de competições oficiais de futebol nacional estão todas em nossa posse.

 

Taça da Liga

Comecemos pela mais recente. Aqui nada há a dizer a não ser que lamento que os principais rivais ainda não tenham tido oportunidade de verem o belo troféu de perto. É bonito, com linhas modernas, alto com uma bola no topo. Representa bem a mais nova competição oficial. O Benfica venceu 5 edições, o Vitória de Setúbal e o Braga também venceram a prova, uma vez cada. Exactamente as duas vezes em que a competição foi levada a sério por todos e deixou de ser a Taça da Cerveja que é a alcunha dela sempre que acaba nas nossas mãos.

 

Supertaça

A competição preferida do Porto resume-se a um só jogo. Demorou a impor-se no nosso peculiar calendário mas, finalmente, tem o seu lugar com organização a sério e tudo. Pessoalmente, preferia que fosse disputada no Algarve mas é só por uma questão de jeito de conciliar férias com futebol.

Sou do tempo em que a Supertaça demorava mais de um ano a conhecer o seu dono chegando a ter 4 (!!) jogos para encontrar um vencedor, isto na altura em que era jogada a duas mãos mas ninguém olhava para o calendário com atenção. Às vezes jogava-se sem se saber ao certo a que época se referia o troféu. Depois há também boas histórias que ficam nas nossas memórias como aquele golo anulado ao Amaral nas Antas ou a fantástica corrida do Pratas em Coimbra.

Felizmente, agora é uma competição respeitada e aceite por todos como o jogo que abre a época e que tem de ficar resolvido no mesmo dia nem que se jogue prolongamento e até penaltis como aconteceu no domingo.

O problema está na taça. O que é que fizeram aquela bela peça com orelhas e uma tampa que dava para fotos engraçadas?! Eu olho para a fotografia de baixo e sei logo identificar que competição estamos ali a festejar.

Actualmente olho para aquela espécie de paralelepípedo e não o associo a uma Supertaça. Porquê mudar a taça? Não entendo. A competição nasceu com a taça da tampa há mais de 30 anos, não se justifica mudar o troféu assim.

 

Taça de Portugal

Tudo bem com este troféu. Mantém-se o mesmo e não se atrevam a mudá-lo! Também conhecida por fruteira, sempre que o Benfica a ganha, claro, a Taça de Portugal é um objecto perfeito, alto e esguio, fica excelente nas fotos com o Jamor como cenário. É preciso ter troféus assim que ganhem alcunhas, fruteira não tem nada de mal na medida em que o troféu da Bundesliga é há 50 anos uma "saladeira", por exemplo. Quando vemos a FA Cup reconhecemos logo, certo? É preciso respeitar a história de cada competição e não é a desenhar novas taças só porque nos apetece que enriquecemos o futebol. A mudar algo na Taça de Portugal era nas meias finais, uma rábula para se ganhar mais dinheiro que atraiçoa o espírito da competição que reside em ver um clube superior ter um dia mau e ser ultrapassado por um menor. Ter dois dias maus às portas do Jamor já é pedir demais. Meias finais a uma mão e primeiras eliminatórias em casa das equipas de divisões inferiores, por exemplo. Pensem nisso e deixem o troféu como está.

 

Campeonato Nacional

Este é o ponto mais sensível deste apanhado. A prova principal do nosso futebol sempre teve um troféu a simbolizar a sua conquista. Uma taça com uma sólida base cúbica negra onde assentava um troféu em forma de copa com um visível escudo de quinas da bandeira nacional e duas asas a ladearem o topo aberto. Um desenho original que impõe respeito, clássico e que qualquer um de nós o identifica como símbolo de um campeonato ganho como se pode comprovar na imagem de baixo.

O que mais me surpreende é que a retirada do habitual troféu foi efectuada há muito pouco tempo. Desconheço a razão para a troca mas acho que é de exigir que não inventem modernices num troféu tão carismático. A taça de campeão nacional é esta que Luisão e Nuno Gomes seguram. O troféu novo , nem sei se é sempre o mesmo ou já teve mais versões, é parvoíce. Para taças modernas já temos a estética da Taça da Liga. Chega.

Devolvam o troféu de sempre ao campeão do futebol português, não inventem. Aliás, hoje em dia nem sei como se chama ao certo a competição. Já foi Superliga, Liga Zon Sagres e nem me lembro se já teve mais nomes.

Aproveito o balanço para também contestar aquela coisa horrível que a Liga manda colar nas camisolas do Campeão. Senhores da Liga, uma camisola vencedora é para ser adornada, o que vocês fazem é castigar o clube campeão com uma coisa dourada horrível. Qual é o mal das quinas na manga?! Há símbolos que não deviam ser alterados. Há tanta matéria para mudar, transformar e inovar no futebol português que me parece um crime gastarem os vossos neurónios a inventar taças (quando já as temos há anos) ou a transformarem quinas em autocolantes de feira. Concentrem-se em assuntos importantes, senhores da LPF e FPF, e respeitem as tradições e o classicismo que os troféus mais antigos representam.

Daqui a uns anos as gerações mais novas olharão para as fotos destas conquistas e perguntarão: aquela taça ali é da Liga ou é do Campeonato ou é a Supertaça. A olho nu ninguém saberá. Pensem nisto.

 

 

8 comentários

Comentar post