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Red Pass

Rumo ao 38

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Vitória de Setúbal 1 - 1 Benfica: A Angústia Continua

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Depois do cenário negro que aqui partilhei na última crónica, tentei reagir. Comecei a pensar onde era o próximo jogo e cheguei à conclusão que não poderia estar no Bonfim por compromissos profissionais. Um concerto na Sala Tejo da Altice Arena ia anular a minha ida a Setúbal e obrigar ver o jogo na televisão. Mas estava tão em baixo que nem pensei muito no sábado. 

Depois veio a Gala e ouvi o Ferro, o Pizzi e Bruno Lage a falarem em dar a volta, recuperar e acabar com o mês terrível. Entusiasmei-me e fui ver horários. Afinal, o jogo até era cedo, isto bem organizado dava para ir ao Bonfim e sair a correr para o Parque das Nações e ficava com um sábado bem preenchido. 

Tudo certo, entrada cedo no Estádio para evitar as famosas filas do Bonfim. Tempo suficiente para olhar à volta e concluir que só o Benfica me faz ir a recintos destes. Se há estádio onde está tudo mal neste campeonato, é este em Setúbal. Até as escolha dos equipamentos me deixa desconfortável. 

Mas o que interessava era a bola rolar e ver o Benfica, finalmente, reagir e voltar a jogar bem até conquistar os 3 pontos. 

A primeira parte foi passando e aquele sentimento de revolta e frustração que se tenha alojado no final do jogo com o Moreirense vai reaparecendo silenciosamente. Afinal, tanto discurso e o futebol voltou a ser o mesmo, para não dizer ainda pior. A primeira parte do Benfica em Setúbal não tem qualificação possível. Se era aquela reacção que os jogadores queriam mostrar, então podiam ter avisado que era só mais do mesmo. Tudo lento, tudo sofrido, tudo previsível. Parece outra equipa.

Lage optou por tirar Weigl do onze, para tristeza de um grupo de alemães que estavam no sector visitante com uma bandeira do Dortmund, deixou Rafa no banco e apostou em Cervi e Samaris. Chiquinho voltou a ser chamado a segundo avançado. E o resultado de tudo isto é apenas e só mais do mesmo. A equipa está em falência técnica de ideias perante o espanto e desespero dos seus adeptos que mesmo assim enchem o espaço deles e apoiam do principio ao fim. Nem Adel a driblar, nem Vinicius a ser lançado, nem livres, nem cantos, nada. 

Nestas alturas de desespero temos que nos agarrar a qualquer coisa, neste caso foi o facto da equipa atacar agora para o nosso lado que ia dar melhor resultado. Temos marcado naquela baliza, vai correr melhor.

Arranca a 2ª parte, toda aquela curva vermelha no Bonfim a acreditar que ia ser uma inspiração para os ataques do Benfica e o que acontece é o golo do Vitória! Surreal. 

Dá-se uma rápida reacção que leva à conquista de um penalti. Pizzi assume e marca. Benfica continua por cima e volta a marcar mas o golo é anulado por fora de jogo. A questão é: porque é que só depois de sofrer um golo é que a equipa começou a jogar assim?!

Aos 76' novo penalti. Pizzi volta a assumir. Escolhe o lado contrário e falha. Porque é que a marca de penalti é uma ilha de areia, não sei responder mas o Pizzi já tinha a experiência de ter marcado o primeiro. 

Até ao fim foi reviver tudo de novo. Uma espécie de pesadelo sem fim. O futebol do Benfica bloqueou e não há forma de vermos o futebol que queremos. 

Mais um angustiante empate que nos mostra que não é com palavras e promessas que se sai deste buraco que têm sido as exibições do Benfica. 

Isto tudo só não é ainda mais dramático porque o líder tem uma atracção misteriosa pelo abismo que faz com que não descole. E, portanto, adiamos mais uma semana este sofrimento. 

Para a próxima semana, o Porto vai a Famalicão e o Benfica recebe o Tondela. Animador? Devia ser mas uma pessoa pensa no que tem sido o futebol do Benfica nos últimos tempos e assusta-se. 

Nova oportunidade para mostrar alguma vontade de mudar este negro cenário, para todos. Para a equipa técnica e para os jogadores: Reajam a sério! 

Benfica 1 - 1 Moreirense: Ultrapassados

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Informo já à partida que se chegaram aqui à procura de alguma esperança e conforto é melhor voltarem noutro dia. O que tenho para partilhar não é bonito. A última vez que me senti assim tão num pós jogo foi em 2013 depois do empate com o Estoril. Foi a pior noite que passei nos últimos sete anos. Se estiverem intrigados porque não menciono o dia do clássico de Abril de 2018, eu explico. É que perder para um adversário directo um jogo decisivo é doloroso mas é um risco que temos de assumir no futebol. Agora, quando se perde pontos contra equipas de outro universo que não o da luta pelo título é como levar um tiro no peito. 

Não conseguir vencer o Moreirense em casa numa altura decisiva da temporada, depois do adeus Europeu e de um ciclo de seis jogos só com uma vitória vira novamente o contexto da postura da equipa nesta altura. Nos últimos anos o Benfica habituou-nos a resistir na frente nas rectas finais dos campeonatos mesmo com margens de erro muito curtas ou inexistentes. Aquela quebra que custou seis dos sete pontos de avanço levava o desafio para um novo nível, não falhar mais tal como no ano passado. 

Numa jornada que o Porto ia aos Açores e o Benfica recebia o Moreirense não era expectável um tropeço destes. Olhando para os jogadores disponíveis e para aquilo que tem sido a equipa do Benfica esta temporada, nem se pode falar em escolhas polémicas. Era o 11 mais forte disponível para esta jornada. O problema está na qualidade do futebol jogado. Dos nervos que passam do relvado para a bancada e vice versa, da desinspiração individual e colectiva que Samaris assumiu na flash interview. Tudo é demasiado doloroso. Veja-se o momento em que Pizzi desperdiça o penalti. Basta lembrar que há um ano a equipa transpirava confiança, tanto fazia dar 10-0 como vencer com um golo no final contra o Tondela. 

O que sinto agora é o inverso, falta confiança, falta certeza na hora das decisões. O tempo passa depressa e tudo parece acontecer demasiado precipitado no relvado. A equipa técnica é a mesma e os jogadores não mudaram muito de uma época para outra. Isto é o que me deixa mais perdido na bancada, olho à volta e só vejo desespero. Ninguém entende nada do que se passa, todos resmungamos e a cada ataque do Benfica todo Estádio espera um milagre que não acontece. 

No fim do dia fomos ultrapassados. Já não depende de nós sermos campeões esta temporada. Isto era a única coisa que não podia acontecer e aconteceu. 

O que nos espera daqui para a frente não é nada animador, saber que podemos ganhar os jogos todos e mesmo assim não servir para nada. E com uma vitória nos últimos sete jogos onde se vai buscar forças e motivação para cumprir esse serviço mínimo? 

Lá estarei no Bonfim à espera de uma reacção mas agora sem nenhum entusiasmo. Não ter o nosso destino na mão tira-me todo e qualquer optimismo. 

Fico a aguardar por uma noite inversamente proporcional a esta em termos de resultados inesperados. É o que nos resta. E isso é duro, muito duro.