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Red Pass

Rumo ao 38

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Sporting 0 - 2 Benfica: Rafa Resolve!

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Certamente, a esta hora já ninguém se lembra do preço do Rafa quando saiu do Braga para o Benfica. Nem tão pouco daqueles que criticaram as verbas envolvidas. É esta a magia do futebol. Em pouco tempo tudo muda, tudo se transforma. O Rafa deixou um Braga que raramente vencia o Porto e antes do derby foi ganhar ao Dragão. Quando o Rafa chegou ao Benfica, o Sporting vivia tempos de euforia com um Presidente/Adepto e Jorge Jesus a treinar. Rafa foi titular em Alvalade e viu já no banco o empate de Lindelof que seria importante para o tetra. 

O mundo continuou a girar, o Benfica volta a Alvalade como campeão, como tem sido normal nos últimos anos, e prepara-se para um derby que é sempre aliciante. Só que desta vez soube só a normalidade. 

Chegar a Alvalade cedo teve uma vantagem, foi possível seguir tranquilamente as surpreendentes incidências do jogo do Dragão. O Porto perde, o Benfica entra em campo e, de repente, o contexto de pressão muda todo. Aquilo que os portistas esperaram o dia todo e que a TSF bem ilustrou numa noticia que envelheceu mal e rapidamente, tornou-se num pesadelo. Em vez de um último suspiro de um abatido leão que roubasse pontos ao rival e deixasse os azuis a um ponto, passou para um cenário de distância de 7 pontos! 

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Não sei se fui só eu a ficar com esta sensação em Alvalade, mas o momento do Sporting é deprimente e alastra-se às bancadas tornando o ambiente do estádio vulgar e embaraçoso. Claques ausentes, recinto por esgotar, zero empatia entre equipa e adeptos, e um cenário demasiado fraco para um derby deixando no ar uma estranha sensação a zona de conforto para os adeptos do Benfica que não sabem o que é perder ali para a Liga desde aquele penalti manhoso do Ricky van Wolfswinkel há oito anos! 

Se dúvidas haviam quem tinha mais vitórias em derbys para o campeonato com o Sporting como visitado, dizia-se que havia um empate porque não querem contar com um jogo em campo neutro mas que era o Sporting a jogar em casa, então agora já nem dá para essas manobras. Por falar em manobras, é degradante ver aqueles panos pendurados com os campeonatos que o Sporting venceu noutro século. Estão noutro ciclo de 18 anos sem vencer a Liga e não percebo se querem mostrar aos sócios mais novos que em tempos também foram campeões ou se é para impressionar quem lá vai. Da nossa parte, só sentimos vergonha alheia e espanto por ver ali mais campeonatos do que realmente venceram, sendo que numa época até tiram um nosso com uma lata incrível. Sim, 1937/38 é nosso.

Faltava ver o que o jogo nos dava. A tal imprevisibilidade do derby. O factor Bruno Fernandes, a motivação de ser contra o eterno rival, tudo podia trazer um jogo complicado. 

Nada disso. Em Alvalade está tudo a bater certo, a equipa tem a alma e a alegria de um fidalgo falido. Futebol deprimente do Sporting. Ironicamente, a pior coisa que podia ter acontecido ao Benfica foi saber o resultado do Porto antes do derby. A equipa ao sentir que o Sporting está perfeitamente ao alcance e que mesmo com um empate aumentava a diferença pontual para o 2º classificado, o futebol do Benfica não teve aquela vertigem e velocidade que costuma dar vantagem. É evidente que não podemos esquecer como é que ambas as equipas chegaram aqui. O Sporting jogou no Sábado contra os restos do plantel do Vitória FC, numa jornada vergonhosa para o futebol português e na 3ª feira ficou no sofá a ver jogos da Taça de Portugal de onde foi corrido pelo Alverca. Portanto, o Benfica quis controlar o ritmo e o esforço físico. E mesmo em contenção percebia-se que ia chegar à vitória assim que acelerasse o jogo ou chegasse um jogador mais inspirado. É verdade que Rafael Camacho teve aquela oportunidade, erro de Ferro, e acertou no poste, e também houve um golo anulado em claro fora de jogo mas o resto do jogo do Sporting foi muito frágil e previsível. 

Bruno Lage apostou em Gabriel e Weigl no meio. O alemão ganhou o seu lugar e Gabriel aproveitou a estabilidade de Weigl para encher o campo em Alvalade. Fez um jogão pontuado com aquele cabrito em Bruno Fernandes. Cervi justificou a aposta na esquerda, Pizzi indiscutível na direita e Chiquinho mais perto de Vinicius. O português não foi explosivo e acabou substituído por Rafa que foi decisivo. Vinicius deu tudo e ainda foi importante no 0-1. A vitória do Benfica apareceu da maneira mais natural possível, Rafa entra no jogo determinado em resolvê-lo. Fresquinho, preparado para procurar a bola e sair disparado, estava no lugar certo na hora certa para fazer o primeiro golo. Sentiu-se ali que os três pontos estavam ganhos. Tudo tão previsível e natural que nem parecia um derby. O 0-2 já foi um bónus para fechar o jogo, Seferovic excelente a assistir Rafa. Dois homens vindos do banco. Essencial neste calendário tão apertado. 

Muitos desabafos na bancada no final da partida a dizer que ganhar ali para o campeonato passou a ser uma boa rotina, e mais preocupação com o próximo jogo na Mata Real do que euforia. Fechámos a primeira volta com uma confortável vantagem mas se queremos fazer do derby da 2ª volta uma festa épica, sim o Sporting fecha este campeonato na Luz, vamos ter que voltar a encarar todos os adversários com a mesma determinação. Guimarães e Alvalade era saídas de risco, jogaram-se muitas fichas contra a liderança do Benfica, afinal até se aumentou a vantagem. 

Acho que não há o perigo de euforia entre adeptos. Esta vitória neste derby morno sabe bem mas não entusiasma cegamente. Foi tudo com naturalidade. E isso é bom porque assim ninguém saiu dali a pensar que já estava tudo feito. 

 

O que levo desta visita a Alvalade? Bem, levo com carinho dois momentos em que Alvalade é capaz de ser caso único no mundo. A maneira como aquela gente protesta os lances. A forma como reagem com assobiadelas a decisões da arbitragem. Reparem que não estou a falar em golos anulados, penaltis ou lances capitais. Não, nada disso. Falo de um simples lançamento lateral. Seja de um lado, seja do outro, é incrível ver e ouvir a maneira épica como as centrais de Alvalade assobiam e se espumam a protestar todo e qualquer lançamento lateral. Chega a ser cómico e viciante. Maiores assobiadores do mundo.

Outro bom episódio aconteceu na 1ª parte quando o Benfica quase marcava. A bola sai ao lado do poste e ainda agita as redes da baliza por fora, claro. "Bruá" no sector visitante, normal. Reacção da multidão verde à volta: gozarem por termos achado que ia ser golo. Mas a gozarem à grande mesmo. Como se não estivessem a caminho de ficar a 19!! pontos do rival. Foi giro. 

Já agora, explicar que o Benfica atacou primeiro para a baliza onde estavam os seus adeptos porque Bruno Fernandes escolheu campo. É estranho porque o Sporting gosta de atacar primeiro para o lado do sector visitante. Mas depois de vermos o triste espectáculo das claques com mais uma chuva de tochas e fumos ficamos a pensar que, se calhar, o Bruno sabia coisas. 

Por falar em Bruno. A imprensa portuguesa toda preocupada com a saída do Bruno Fernandes antes do derby ainda não tinha percebido que para o Benfica é indiferente a sua presença. O Bruno que realmente interessa é o Lage. Com o Mister Bruno, o Benfica ganhou por 2-4 e 0-2 para a Liga e, pelo meio, deu 5 na Supertaça quando o Bruno ameaçava sair. Foi ficando, a imprensa toda contente e depois de ser goleado na Supertaça vê o Mister Bruno aumentar para 19 pontos de avanço na tabela. O Sporting actual também é isto, uma equipa de um homem só. Pobre Bruno Fernandes. Espero que ainda vá à Luz na última jornada. Tem dado sorte. 

 

Noite tranquila em Alvalade, triunfo natural com Rafa em grande e um olhar para o futuro com um sorriso nos lábios. Por causa da pontuação, por causa da incrível série de vitórias e pela qualidade individual à disposição do Bruno. O bom. 

Venha de lá essa segunda volta. Um obrigado a todos os que mandam no futebol português por nos terem feito chegar a casa no dia a seguir ao jogo da Taça na 3ª feira e ao derby de hoje. A verdadeira Liga da Madrugada.