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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 4 - 0 Portimonense: Líderes!

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O futebol é tão popular pelas emoções que nos dá. O futebol do Benfica é um caso ainda mais sério. O facto do futebol do Benfica ganhar um jogo não significa paz no reino da águia. Não é assim tão simples. Nunca foi, nunca há de ser. O facto do Benfica estar a ser treinado por um homem que pegou numa equipa destroçada a 7 pontos do líder e ter desatado a ganhar jogos não quer dizer que a nação benfiquista o considere consensual. Ganhar 25 jogos no menor espaço de tempo, ter ganho todos os jogos para a Liga fora da Luz desde Janeiro, apresentar o melhor ataque e melhor defesa, não são um seguro anti contestação. Porque, lá está, no universo vermelho não chega ganhar. É preciso ganhar a jogar à Benfica. 

Isto tudo junto faz com que o Benfica seja um clube sempre em constante discussão e com uma exigência superior. 

Por isto, os benfiquistas ao chegarem à Luz nesta 4ª feira à noite para o nono jogo da Liga NOS mostravam logo descontentamento com a relva. E com a chuva que ia piorar a relva. Depois são conhecidas as equipas e mais uma hora de discussão global. Porquê Jardel? Samaris e Gedson? Chiquinho e Vinicius? 

Os grupos de WhatsApp enchem-se de indignações e previsões, nas bancadas discute-se se são os melhores jogadores ou não. A desconfiança sempre a reinar. A impaciência de uma multidão que não quer só ganhar, exige futebol de gala. 

Ninguém quer saber se o Portimonense vem com uma compacta linha de 5 defesas e com a lição bem estudada quanto à rotação interior do jogo do Benfica. Mesmo com a equipa de Folha a mostrar atrevimento nas saídas e com jogadores de qualidade a ameaçarem a baliza do Benfica, as bancadas não se impressionam. Depois, Anzai tem uma grande oportunidade mas Odysseas voltou a ser determinante, tal como em Tondela, e estava lá quando tinha de estar. 

Entretanto, o Benfica chega ao golo por André Almeida e festeja com Veríssimo que treina as bolas paradas. O Benfica marca bem de bola parada apesar disto também já ter sido tema de profunda reflexão em canais como o 11, por exemplo. 

O Benfica a ganhar, a relva a aguentar e o Porto a empatar na Madeira. Ao intervalo os sorrisos voltaram à Luz. A disposição dos benfiquistas no estádio melhorou em meia parte de um jogo. 

A boa disposição alastrou-se ao balneário do Benfica e a equipa volta para uma segunda parte à... Benfica.

Samaris e Gabriel no meio estiveram bem, Cervi com o bom entendimento do costume com Grimaldo que assinou uma exibição espectacular. Gedson beneficiou da noite inspirada de André Almeida e Chiquinho justificou a titularidade e mostrou que pode ser perfeitamente uma solução para jogar a segundo avançado. Vinicius bisou e com enorme qualidade de finalização.

Uma goleada por 4-0 depois de um empate do Porto com o Marítimo, uma exibição com momentos empolgantes e o Benfica isolado na liderança do campeonato transformam uma 4a feira cinzenta numa bela noite de outono.

E de repente, a relva já não é problema, o Vinicius já não é caro, o Chiquinho já não é dúvida, o Odysseas já não é intranquilo, Lage afinal sabe o que está a fazer e no sábado é para confirmar isto tudo. 

O futebol vive destes contrastes, um jogo que parece perdido pode acabar em euforia como se viu no Liverpool - Arsenal que aconteceu ao mesmo tempo deste Benfica - Portimonense. Mas o futebol do Benfica não é só contrastes, é mudança de semblante e estados de espírito de jogo para jogo, de uma primeira parte para uma segunda parte, do fim de semana para o meio da semana. E ainda bem que é assim. 

Enquanto todos percebermos que o mais importante no final do dia é termos ficado com os 3 pontos, tudo o resto se resolve. O treinador assume que só ganhar não chega, gosta do apoio dos adeptos o jogo todo e sabe ouvir as exigências no fim e até concorda que é preciso jogar à Benfica. Quando tudo acontece, ganhar a jogar à Benfica, todos ficamos aliviados. Nem é felizes, reparem, é aliviados. Porque sabemos que não se atingiu a perfeição por um resultado gordo, uma exibição agradável e a liderança isolada na Liga. A maratona é muito longa, isto é só uma noite de Outono, a nossa meta é um Maio bom. Mas quando tudo funciona como queremos sentimos que estamos todos a ser Benfica. Esta harmonia é rara e valiosa, motiva por dentro e assusta os de fora. Sentir que podemos ter muitas noites assim é o que faz o futebol do Benfica ser fascinante. Saibamos nós vivê-lo e compreendê-lo.

Sábado há mais. 

Tondela 0 - 1 Benfica: Uma Estreia Vitoriosa no João Cardoso

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Não é todos os dias que se acorda para ir ver o Benfica num estádio em que nunca se esteve. Desta vez, consegui mesmo ir a Tondela e conhecer o João Cardoso. 

Quando se diz algo como vou tirar o dia para ver o Benfica pode ser uma afirmação bem literal. Foi o que aconteceu este domingo. Com um jogo anormalmente marcado para as 15h, as combinações tiveram que corresponder a madrugar e a ter em atenção a mudança da hora. 

Deixar Lisboa entre as 8h e as 9h da manhã para uma viagem de quase 300 km até perto de Viseu com o objectivo de chegar pelo meio dia, bem a tempo de provar a gastronomia local. 

O destino escolhido (e bem aconselhado) foi o Petz Bar em Cabanas de Viriato. Gente simpática e pronta a satisfazer o apetite de malta que come bem. 

Tudo o que foi para a mesa está documentado nas imagens abaixo. O lugar de honra vai para os ossos que traziam uma carne agarrada impossível de descrever. Já valia a viagem.

Com a componente gastronómica bem resolvida, faltava o mais importante. Levar 3 pontos para Lisboa.

O Estádio João Cardoso fica bem localizado perto de uma área residencial. Reconheci a rua da bancada central que me ficou na memória naquela triste noite dos incêndios em Tondela onde as chamas chegaram ao Estádio. 

Tudo simples mas funcional. Nota negativa para a enorme demora na revista aos adeptos do Benfica que fez com que muitos deles perdessem os primeiros minutos de jogo em longas filas de acesso à bancada.

O apoio do costume atrás da baliza. Ao contrário do que se previa, e ainda bem, nada de chuva nem de tempo frio. Tarde de temperatura amena. Casa cheia, muitos adeptos do Benfica nas centrais e uma sensação de estar quase dentro da grande área defendida por Odysseas na primeira parte tal é a proximidade das bancadas ao relvado. 

André Almeida voltou à direita da defesa, Cervi continuou na esquerda do ataque e Taarabt foi a aposta para jogar mais perto de Seferovic. 

Apesar de alguns sustos, o Benfica fez o mais importante. Marcar o 0-1 aproveitando uma bola parada com Ferro a ser decisivo. 

Depois, esperava-se mais Benfica a procurar mais golos e tranquilidade no resultado mas nunca chegou a acontecer. O jogo ficou sempre equilibrado e a equipa do Benfica começou a perceber que não ia dar para muito mais. A segunda parte passou-se sem que a bola chegasse à área onde estavam os adeptos do Benfica e a preocupação maior era não perder a vantagem mínima mas valiosa. 

O mais importante foi garantido, um triunfo, três pontos e subir na classificação para o topo.

Não foi uma exibição entusiasmante mas prolongou-se a incrível série de vitórias seguidas para a Liga NOS fora da Luz com Bruno Lage no comando! 

Estreia muito positiva em Tondela. E ainda se aproveitou a viagem de regresso pela IC2 para ir matar saudades do arroz de tomate e dos pasteis de bacalhau do Manjar do Marquês. 

Domingo em cheio. Tirar o dia para ir ver o Benfica são episódios épicos de grandes histórias que se acumulam em capítulos de uma série interminável que é querer sempre estar onde está a equipa do Glorioso. Que continuemos todos cá por muito tempo para viver dias assim. 

A luta continua na próxima 4ª feira. 

Benfica 2 - 1 Lyon: A Tradição Cumpriu-se

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Em 1990 vencemos o Marselha na Luz por 1-0. Todos sabem que foi épico. Em 2005, vitória contra o Lille por 1-0. Em 2010 ganhámos contra o Lyon numa emocionante 4-3. Em 2014 batemos o PSG por 2-1. Em 2014 o Mónaco perdeu na Luz por 1-0. E antes de eu nascer, em 1967 o Benfica ganhou ao Saint Etienne por 2-0. A única vitória por mais de um golo.

Ou seja, vi todos os jogos na Luz do Benfica contra franceses a contar para a Taça/Liga dos Campeões Europeus. O Benfica venceu sempre mas nunca convenceu. Hoje cumpriu-se a tradição. 

Em 2019 o contexto deste reencontro com o Lyon era cinzento, o Benfica chegou ao 3º jogo da fase de grupos a precisar de vencer e voltar a fazer parte das contas de um grupo muito equilibrado. 

Bruno Lage preparou o jogo com uma estratégia interessante, tirar uma das referências ofensivas ao Lyon e apostar em Seferovic mais adiantado com Rafa bem perto. Encostou Gedson na direita, deixou Pizzi no banco, e lançou Cervi na Esquerda. Uma dinâmica atacante inesperada e que terá atrapalhado as ideias de Rudi Garcia.

Florentino recuperou a tempo de se estrear na Champions à terceira jornada, Gabriel manteve a posição depois de paragem prolongada e atrás Tomás Tavares continuou como defesa direito. 

Só por má fé ou desconhecimento é que se pode catalogar esta aposta inicial de Lage como rotação ou "invenção". Houve um plano de jogo, uma estratégia que levou a colocar algumas caras novas e posições inesperadas. Mas foi estratégia. Boa ou má, foi uma ideia. 

Da maneira como o jogo começou e com o golo do Benfica tão cedo no jogo, é seguro dizer que o plano de jogo resultou bem e equipa do Benfica respondeu de acordo com as expectativas da equipa técnica. Foi uma enorme pena ver Rafa a sair de campo ao fim de um quarto de hora de jogo e perceber que Seferovic ficou a , digamos, 60% das suas capacidades depois de uma entrada que devia ter resultado na expulsão do central do Lyon. 

Bruno Lage teve que mexer no que de bom tinha pensado e optou pela forma mais segura, Pizzi para a direita e Gedson para perto de Seferovic. Perdeu-se o efeito do começo do jogo. 

Com o resultado em 1-0, a equipa começou a mostrar que não estava disposta a arriscar a procura do segundo golo e quis entrar num perigoso controle de vantagem mínima. Depois de um susto com uma bola na trave, veio mesmo o golo do inevitável Depay. Um empate que servia bem aos instaveis franceses e que deixavam a Luz à beira do desespero. 

Pizzi tentou de longe dar a vitória ao Benfica mas a bola bateu no poste. Revoltado com a pouca sorte europeia que tem acompanhado a equipa, Pizzi ficou muito atento à reposição de bola e deixou Anthony Lopes mal ao adivinhar onde a bola lançada pelo guarda redes português ia cair. Foi um golo pleno de oportunidade e de reacção perfeita. Um golpe inesperado que devolveu a vantagem ao Benfica e garantiu a vitória tão desejada e necessária. 

Agora é dar seguimento a este triunfo em França. 

O Lyon não perdia na fase de grupos da Champions há 11 jogos, última derrota com a Juventus em 2016, o Benfica conseguiu os primeiros três pontos europeus desta época. O primeiro passo para uma retoma europeia está dado.

Cova da Piedade 0 - 4 Benfica: Começo Convincente

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A Taça de Portugal como deve ser. Assim faz todo o sentido. O Benfica jogar na casa do clube da divisão inferior, neste caso o Cova da Piedade, com os jogadores a perceberem que é preciso respeitar o adversário, a competição e os adeptos. 

Foi o melhor arranque que me lembro do Benfica na Taça de Portugal nos últimos largos anos. Uma vitória tranquila e esclarecedora por 0-4 com vários pontos de interesse. O mais relevante, sem dúvida, é o regresso de Florentino à equipa. O meio campo voltou a ter Gabriel e Florentino, muito boas notícias. 

Pizzi e Vinicius bisaram e fizeram o resultado marcando em momentos determinantes do jogo garantindo um apuramento natural, lógico e sem sustos no estádio de uma equipa profissional da segunda Liga, portanto, superior a outros adversários de escalões mais baixos que defrontámos em edições recentes.

Um momento delicioso aconteceu mesmo à minha frente. Pizzi e Gustavo estendidos na relva. O jogador da casa aproveita o cumprimento de Pizzi para lhe pedir a camisola no final do jogo. Pizzi respondeu que sim e todos os que olhávamos para eles percebemos o momento. Futebol também é isto.

Lembro-me de ver o Cova da Piedade duas vezes na Luz a jogar para a Taça de Portugal. Em 1985, o Benfica venceu pelo mesmo resultado mas não serviu para entusiasmar o Terceiro Anel que já estava em guerra aberta com o treinador Csernai. O Benfica venceu a prova. 
Uns anos mais tarde, em 1989, nova vitória do Benfica, desta vez por 9-1. Nessas tardes lembro-me de imaginar como seria jogar na margem sul no campo do Cova da Piedade. Em 2019 concretizou-se essa curiosidade, boa vontade do clube de Almada, da FPF e do Benfica, que assim proporcionaram uma noite diferente aos adeptos dos dois clubes. 

Deve ter sido a viagem mais curta que fiz para ver o Benfica a jogar fora de Lisboa. Uma visita que marcou a minha estreia no Estádio Municipal José Martins Vieira e que mostrou ser possível realizar estes jogos em recintos mais modestos. 

Uma noite em que tudo correu bem, até o silencio no minuto dedicado ao grande Jordão, e que marca o arranque do Benfica na Taça de Portugal que todos esperamos que só acabe no Jamor no final da época. 

Tudo certo nesta rara incursão pela margem sul. Na memória fica a vista para a baliza onde o Benfica marcou os golos na segunda parte. Bola a entrar, festejos e um olhar que se perdia até às costas do Cristo Rei no horizonte a abraçar Lisboa.

Zenit 3 - 1 Benfica: Profunda Desilusão

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As noites europeias fizeram muito pelo crescimento da mística benfiquista e da paixão ao clube de milhares de adeptos que foram passando esse amor de geração em geração. Essas noites europeias eram mágicas e marcaram a minha infância, a minha adolescência e boa parte da minha vida adulta. 

Começaram por ser noites de mistério. Nunca sabíamos bem que nos vinha visitar à Luz, os jogadores, os equipamentos e como jogavam. Para quem vivia perto do antigo Estádio da Luz, como eu, eram noites de agitação mesmo antes de ter idade de poder ir ao jogo. A rumaria do povo com bandeiras e cachecóis vermelhos e brancos que enchia as ruas entre a Estrada de Benfica e os montes para lá do campo dos Pupilos do Exército. O fascínio dos holofotes ligados, coisa rara nos anos 80 em que se jogava quase sempre à tarde nas provas internas, as originais e lindas torres de iluminação da Luz que rasgavam o céu negro nocturno com um clarão impressionante que só aumentava o desejo de ali estar a quem não podia ir ao estádio. Horas à janela a olhar para aquele clarão e à espera do emocionante "bruá" que se ouvia a céu aberto a cada golo do Benfica e que a rádio logo a seguir confirmava com todos os detalhes narrados a alta velocidade. 

As noite das vitórias dramáticas com o Karl Zeiss Jena, com o Liverpool e com o Dukla de Praga, as noites de glória com a Roma, com o Steaua de Bucareste, com o Marselha, aqueles jogos de primeira mão que nos deixavam desconfiados mas que depois acabavam em festa com o Arsenal, com o Leverkusen, com o Craiova, com o Betis e tantos outros. 

Estas eram as noites do Benfica, quando se saía da pasmaceira da competição interna e se mostrava ao mundo o que era o Benfica. Está no nosso ADN. Deviam ser as noites mais desejadas por toda a gente. 

Não sei quando é que isto deu a volta mas a verdade é que os sinais foram aparecendo nos últimos anos. Cada vez que oiço que é preciso poupar num jogo europeu porque a seguir há campeonato fico sempre baralhado. Quando comecei a ter a sorte de ver os jogos europeus na Luz, e posso dizer que desde o começo da década de 80 que não perco uma partida do Benfica nas provas da UEFA ao vivo no Estádio da Luz, era precisamente o contrário. Antes do compromisso europeu é que se poupava um ou outro jogador para a noite de gala. Até o ensaio geral costumava ser sábado à noite. 

Isto mudou quando os Halmstads da vida conseguiam afastar o Benfica. Bateu no fundo quando o Benfica ficou fora das provas da UEFA dois anos seguidos. Impensável! Que dor. Depois de ter ficado fascinado pelas noites europeias, ver o Benfica fora da Europa foi das maiores decepções da vida.

Houve retoma e lentamente o Benfica lá voltou ao seu lugar europeu. Discutiu uma eliminatória com o Inter, bateu o Manchester United na Luz, eliminou o Liverpool campeão europeu em Anfield, voltou a duas finais europeias, reencontrou o seu espaço. 

Depois disto, o clube entrou num impasse misterioso. Vai dez vezes seguidas à Champions League, o que é óptimo, mas de ano para ano aparece menos ambicioso no discurso e no campo. Parece que garantir a presença na competição é um fim e não um meio de voltar a fazer história internacional. O ciclo agravou-se nos anos recentes com uma série de derrotas e apenas duas vitórias contra o... AEK. 

Sempre houve desculpa e os próprios sócios parecem ir desculpando os insucessos com a prioridade ao campeonato nacional. É uma postura perigosa como agora se vê. 

A atitude nunca pode ser de desprezo pelas provas da UEFA e ganhar em Portugal. Também não deve ser de candidatos a ganhar a Champions League e ter um Benfica europeu até Maio todos os anos. Tem que haver um equilíbrio. E esse equilíbrio tem que começar quando se assume a importância e o peso que as provas internacionais têm no passado do clube. O Benfica nunca foi só de consumo interno. Também nunca foi um clube presente em finais europeias todos os anos, tirando ali a década de 60 e 80, mais as duas finais de Liga Europa mais recentes. Mas o Benfica cresceu muito e angariou muitos fieis graças à ilusão dos duelos europeus. Isso não se pode perder. 

Um clube estável a nível financeiro como nunca esteve, ganhador a nível interno nesta última década, com uma organização invejável não pode desprezar os compromissos europeus. 

Por isto mesmo, no arranque desta época ouvimos Direcção e treinador sintonizados na vontade de fazer mais e melhor na Champions League, assumir a dimensão internacional. A International Champions Cup foi um bom aperitivo mas as duas primeiras jornadas da Liga dos Campeões foram uma forte e profunda desilusão. 

Bruno Lage não conseguiu transitar o futebol ambicioso que mostrou no campeonato desde que chegou para a Europa. Sente-se que o que jogamos é curto neste contexto de Champions. 

Já o tinha escrito na jornada 1, o discurso não batia certo com o que jogamos. Agora é preciso reflectir. O Benfica tem que pensar em grande, tem que assumir o desafio em vez de entrar com receio, desconfiado das suas capacidades. Tem que deixar os complexos de inferioridade e assumir que é capaz. 

Na Rússia só se aproveitou a estreia de Raul de Tomás a marcar. Que se parta daí para novas ideias. 

Exige-se que o futebol do Benfica dê outra imagem na Europa e termine este ciclo horrível que nos consome a todos. Quanto mais depressa assumirmos que algo está errado nestas abordagens europeias, mais depressa podemos responder de outra maneira. 

O Benfica não pode virar costas à Europa. Às vezes acontece o pior, como nos casos que dei das noites com o Karl Zeiss ou Dukla, mas temos que sentir a ilusão do apuramento algures na luta e não este deserto de sentimentos que nos invade invariavelmente após sofrermos o primeiro golo. 

Há quatro jogos pela frente, sintam a vontade de os jogar como nós já sentimos desde os tempos das torres de iluminação acesas na velha catedral. Estas noites não podem ser de pesadelo, foram feitas para serem mágicas. O Benfica que volte a assumir essa responsabilidade de iludir e fazer sonhar. Todo o Benfica, de dentro para fora e de fora para dentro. O nosso passado assim o exige.