Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Red Pass

Rumo ao 38

Red Pass

Rumo ao 38

Benfica 1 - 0 Vitória de Setúbal: O Valioso Golo de Vinicius e a Lata do Amarelo a Odisseas!

_JPT9031.jpg

Aos 83 minutos de jogo, cartão amarelo para Odisseas Vlachodimos. O guarda redes do Benfica é advertido por demorar tempo a repor uma bola em jogo. Makaridze, o guardião do Vitória terminou o jogo sem ver nenhum cartão. Isto depois de ter passado os primeiros 64 minutos, mais de uma hora de jogo, sem pressa nenhuma em jogar futebol. 

É daqueles momentos que vou guardar com carinho no final deste campeonato. 

Também posso trazer para a discussão as diferenças entre a entrada de Masilla sobre Rafa e a de Taarabt sobre Zequinha. 

Isto para dizer que o árbitro Tiago Martins não veio à Luz para mostrar desacerto, falta de talento ou incompetência. Tiago Martins veio à Luz para provocar e atrapalhar. Não foi por acaso que conseguiu ser o elemento que mais influenciou as reacções das bancadas. 

Foi só mais uma pedra no caminho do Benfica. A tarefa já era complicada, o golo tardava em aparecer e tudo somado foi mais uma noite de grande sofrimento para a nação benfiquista que acabou bem com os três pontos conquistados, ou seja, o mais importante foi feito.

Já se percebeu que a equipa do Benfica entrou numa fase mais desinspirada com muita dificuldade em resolver jogos teoricamente mais fáceis. Foi assim com o Gil, foi assim em Moreira de Cónegos e voltou a ser assim nesta recepção ao Vitória de Setúbal. E só estou a falar de jogos da Liga porque é o que interessa para esta análise.

Bruno Lage está a sentir isto mesmo e hoje optou por uma mudança relevante. Desfez a dupla de ataque, Tirou RDT e lançou Gedson naquela posição.

A ideia era boa mas não entusiasmou. Contra um Vitória FC de carácter defensivo a solução não teve efeitos imediatos. Depois, confirma-se o eclipse exibicional de Pizzi e com isso a falta de profundidade no jogo exterior da equipa, o que leva para opções mais interiores, previsíveis e fáceis de contrariar. Mais uma vez, foi Rafa a dar um toque extra de qualidade no futebol do Benfica. 

Com uma primeira parte cinzenta e uma segunda a prometer muito sofrimento, foi do banco que veio a solução. Vinicius entrou e marcou, justificando a aposta do clube, Gabriel tinha entrado para o lugar de Fejsa e adiantou a equipa no terreno.
A Luz suspirava de alivio e virava-se para o árbitro que ia ganhar maior protagonismo a partir daqui. Os mais de 53 mil adeptos na Luz perceberam a importância do momento e manifestaram-se com um carinhoso apoio à equipa enquanto reagia revoltada com decisões provocadoras de Tiago Martins.

O Vitória acreditou que podia reagir e largou a postura mais defensiva para se lançar em ataques, especialmente depois da expulsão de Taarabt.

O Benfica resistiu e segurou mais uma vitória muito importante. Sem empolgar, longe das grandes exibições mas a conseguir ganhar jogos que não correm tão bem. Vai recuperando gente como Gabriel e Vinicius, o que são boas noticias.

Hoje o desafio era maior do que bater o Vitória, resistir à condução de jogo de Tiago Martins também foi um importante obstáculo. No fim do dia são 3 pontos, missão cumprida.. 

Benfica 0 - 0 Vitória de Guimarães: Quase 40 Mil na Luz Pedem Mais

_JPT7192.jpg

Tenho que começar por congratular os benfiquistas que foram à Luz ver a estreia do Benfica na Taça da Liga 2019/20. Quase 40 mil adeptos nas bancadas é muito significativo para assistir a um jogo da terceira competição, em termos hierárquicos, do calendário do futebol português. Tanta vez que critiquei ao longo dos últimos anos o desinteresse do público afecto ao Benfica por jogos oficiais, mesmo que da Taça da Liga, que devo mesmo elogiar a composta plateia do Estádio da Luz nesta 4ª feira. E uma palavra também para os muitos adeptos do Vitória que conseguiram estar a apoiar a sua equipa a meio da semana às 19h tão longe da sua cidade. Grandes.

O jogo despertava interesse por colocar frente a frente duas equipas já bem rodadas esta época, com compromissos europeus, e com promessa de bom futebol. 

Já se sabe que nesta prova os treinadores acabam por mudar bastante o desenho e os nomes das suas equipas e, por isso, dificilmente temos ideias tão organizadas e articuladas como no campeonato. 

A verdade é que foi a equipa de Ivo Vieira, que se confirma como um treinador muito interessante, a mostrar mais qualidade colectiva e com futebol mais convincente. Numa espécie de 4-2-3-1, o Vitória apresentou algumas caras novas. Douglas na baliza, Sacko na direita, Florent na esquerda, Pedro Henrique e Frederico Venâncio como centrais. Depois Agu e Denis como médios mais baixos, Davidson, André Almeida e Rochinha no apoio a Léo Bonatini. Uma boa ideia com lances promissores e que só não deram vantagem aos minhotos porque esbarraram numa bela estreia de Zlobin com alguma infelicidade à mistura. 

Já Bruno Lage lançou Zlobin, a melhor revelação da noite, Jardel ao lado de Ruben, Tomás e Nuno Tavares nas alas. Samaris regressou ao meio, Gedson estreou-se como titular esta época, Taarabt manteve a posição e Caio como extremo. Na frente, Seferovic novamente a titular com a companhia de Jota, eles que inventaram o golo da vitória em Moreira de Cónegos.
Houve muitos problemas para ligar o jogo e para conseguir que Adel, Jota ou Gedson fizessem a diferença no jogo interior. Ideias que foram bem contrariadas pelo posicionamento do Vitória. 

Um 0-0 inquietante e que foi enervando a plateia da Luz habituada a festejar golos.

Na 2ª parte houve mais Benfica. Tomás Tavares soltou-se e apareceu bem ofensivamente, Gedson e Taarabt assumiram mais jogo mas não foi o suficiente para fazer a diferença na finalização. 

Samaris acabou substituído e mostrou um momento de forma pouco interessante, Caio e Jota também não conseguiram agarrar a oportunidade e deram lugar a Rafa e RDT. Para o lugar de Samaris entrou Gabriel, a melhor notícia do dia. 

Com estes três reforços, o Benfica ganhou dinamismo, mais objectividade, velocidade e impôs o seu futebol mais habitual. 

Mas não chegou. Mesmo porque do outro lado foram a jogo Lucas Evangelista, André Pereira e Marcus Edwards, tudo jogadores de boa qualidade. 

O Benfica foi mais forte depois das trocas e mostrou querer ganhar o jogo, esteve perto de conseguir fazer golo em duas ou três oportunidades mas acabou mesmo a zero. 

Os quase 40 mil que foram à Luz deram o sinal que querem ver o Benfica ganhar esta competição, cabe agora à equipa lutar pelo apuramento em Setúbal e na Covilhã. 

Moreirense 1 - 2 Benfica: Reviravolta Épica no Minho do Benfica

70910924_10162342286485716_2522392790671818752_o.j

A alma do Benfica está nas bancadas do norte. Não me interpretem mal. Gosto muito do Estádio da Luz, tenho lugar cativo há décadas e é a minha casa. Mas, neste momento, para sentir aquela dedicação e motivação extra das bancadas é preciso assistir a um jogo do Benfica no norte do país. Foi assim em Braga e voltou a ser em Moreira de Cónegos. 

Não é uma deslocação fácil, pela logística, pela distância (do ponto de vista de um lisboeta), pela ausência familiar em metade do fim de semana, pelo cansaço que é ir e vir no mesmo dia, pela chuva e nevoeiro que nos acompanhou durante mais de 700 km, pelo desgaste, pelos acessos ao Estádio, pela espera na entrada, até pelos preços dos bilhetes que não condizem com a qualidade dos lugares. Mas tudo é compensado pela jornada de convívio entre benfiquistas, pelo encontro com outros grupos de benfiquistas. Pelas histórias trocadas, pelas opiniões divergentes e, acima de tudo, pela vontade de estar ao pé da equipa e ajudá-la a ganhar três pontos. 

O ponto alto é o repasto. Aconteceu já perto do Estádio na Tasca du Nuno 7Olhinhos, pelo menos é assim que está no trip advisor. Uma casa muito conhecida naquela zona e que em nada desiludiu. As referências eram óptimas e confirmou-se como escolha acertada. A começar no facto de terem aberto a casa mais cedo de propósito para um jantar antes do jogo e pela oferta gastronómica irrepreensível. Entradas como queijo, paio, alheira à braz, moelas e panados. Depois, arroz de camarão com filetes, e secretos de porco preto. Tudo óptimo!

Já estava ganha a viagem. 

Faltava o jogo. Felizmente, a chuva deu tréguas e conseguimos estar na bancada ainda em modo de verão, manga curta e calções ainda foi indumentária aceitável. 
O relvado aguentou-se muito bem e estava bem melhor que o do Jamor, por exemplo. 

Tudo em condições para o Benfica repetir a boa exibição da última temporada no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas. 

Só que o momento não é o mesmo. Bruno Lage voltou ao desenho normal de campeonato, o 442 com RDT e Seferovic na frente, Rafa e Pizzi nas alas, Taarabt e Fejsa no meio. Também André Almeida regressou ao seu posto. O começo de jogo mostrou um Benfica com demasiada circulação de bola, pouca velocidade e a jogar muito longe da baliza de Pasinato, onde se encontravam os adeptos do Benfica. 

Demorou bastante até vermos o ataque do Benfica a funcionar com perigo, Pizzi não acertou na baliza e desperdiçou a primeira boa jogada já a meio da primeira parte. Aliás, Pizzi é o espelho deste menor fulgor da equipa. Sobra Rafa para pautar os tempos de arranque dos ataques da equipa. Ele e Taarabt são os que mais procuram a bola e tentam com a sua qualidade individual dar um rasgo de génio que acabe com a previsibilidade da equipa. 

Isto perante o mérito de um Moreirense muito bem organizado por Vítor Campelos que posicionou o seu 433 de forma superior tirando espaços no jogo entrelinhas do Benfica e deixando sempre Bilel, Nené e Luther como principais ameaças quando tinha bola. Sobreviveram à melhor fase do Benfica na primeira parte e conseguiram chegar vivos ao intervalo.

Regressaram ambiciosos no 2ª tempo e com três minutos jogados fizeram o 1-0 por Luther com todo o mérito numa bonita jogada onde ficaram expostas deficiências da organização defensiva encarnada.

A partir dali cabia ao Benfica mostrar outra face, mais ambição, mais velocidade, mais objectividade e dar tudo para revirar um resultado que era muito negativo. 

Até ao minuto 85, o Moreirense pareceu sempre confortável no jogo, a defender de frente para a bola a maior parte das vezes e mesmo apertado parecia ter o resultado controlado. 

Bruno Lage tentou de tudo, trocar os alas de posição, fez regressar Gedson, uma excelente notícia, fez entrar Caio Lucas para o lugar do "desaparecido" Pizzi e apostou tudo em Jota no lugar de André Almeida. 

Rafa, tinha de ser ele, fez o empate a 5 minutos dos 90 de cabeça com uma naturalidade que nem parecia que estávamos ali há 85 minutos a sofrer. Esse momento de aparente normalidade que foi o empate fez com que as bancadas no Minho explodissem num apoio incondicional à equipa. Começou fora do relvado a reviravolta. Como que a empurrar a equipa desde a o sector por trás de Vlachodimos até ao outro lado do campo. 

E quando Ruben Dias mete a bola por alto para o lado esquerdo onde Jota recebe e prepara o cruzamento, foi como se o tempo tivesse parado. Foi como se o mundo fizesse ali uma pausa. Todos os olhos nos pés de jota onde estava a bola, as gargantas roucas a puxarem pelo Benfica, a distância ficou mais curta, por segundos parecia que a bancada estava tão crente e tão forte que podia estar na linha de meio campo a assistir ao cruzamento. E quando a bola sai por cima numa trajectória perfeita para a cabeça de Seferovic foi só suster a respiração, arregalar os olhos e contemplar a viagem final da bola até ao fundo da baliza do Moreirense. 

Naquele momento, desculpem-me mas não há nada tão bonito, emocionante, justo e arrebatador como um festejo em plena bancada em estado puro de alegria. 

Tudo dentro da normalidade, o Var analisou, o tempo de descontos ainda não tinha acabado, o árbitro até era o insuspeito Soares Dias e o Benfica ganhou assim. Da forma mais dramática, da maneira mais dura mas venceu sem deixar margem para discussões. 

Numa maratona como é a Liga NOS, ganhar jogos em que a equipa não esteve bem é essencial para manter a chama. Na época passada vimos isso com o Tondela na Luz e com Seferovic a resolver. 

Precisamos de voltar a jogar mais e melhor mas esta vontade, determinação e procura pelo golo final nunca pode ser diminuída nem ignorada porque isto também é futebol. 

Como já sabem eu sou simpatizante do 3-0 aos 20 minutos e de uma aborrecida monotonia sem emoção com o Benfica a ganhar. Mas quando se ganha desta maneira voltamos sempre a festejar como uns putos que foram à bola pela primeira vez na vida. Uma adrenalina que torna a viagem de regresso mais simpática. Uma dose de felicidade que faz com que venha aqui desabafar a caminho das 5 da manhã antes de ir descansar de mais uma épica odisseia atrás da equipa que escolhi para me fazer regressar à infância todos os fins de semana.

Que esta vitória seja recordada em Maio com a mesma satisfação que recordei aquela com o Tondela na Luz.

O Minho é Benfica. Ser do Benfica é incrível. 

 

Benfica 1 - 2 RB Leipzig: Eurocépticos

_JPT6016.jpg

O grande dilema é o seguinte: o discurso de retoma europeia não bate certo com os zero pontos no final do dia depois da estreia europeia. 

O Benfica começou a disputar a fase de grupos da Champions League pelo 10º ano seguido e não há maneira de sentirmos que a equipa dá o necessário salto qualitativo para bater certo com a promessa de pensar em grande na Europa. 

As campanhas todas acumuladas adensam mais o sabor amargo de uma derrota caseira no arranque de mais uma campanha na Liga dos Campeões. 

Nas últimas décadas o Benfica chegou aos 1/4 de final com o Bayern e com o Chelsea. Depois é preciso recuar a Koeman e lembrar o Liverpool. Foram as excepções que nos fizeram sonhar e que nos mostraram que podia acontecer um Benfica mais ambicioso na Liga dos Campeões. Mas por diferentes razões, o sonho de chegar mais alto vem sendo sempre adiado. Verdade que as duas caminhas até às finais da Liga Europa atenuaram bastante a frustração europeia mas não serviram de alavanca para mais e melhor. 

Parece que há um medo cénico do Benfica em tentar regressar ao mais alto patamar europeu. Os adeptos não levam a sério as noites europeias na Luz que apresenta sempre uma triste moldura humana entre os 16 estádios que desfilam nos resumos no final da noite, e, há que dizê-lo, depois outros compensam com prestações vocais memoráveis longe de Portugal agarrando a ideia que há que ter euro ambição. Os vários treinadores do Benfica vacilam entre usar o 11 mais forte e consolidado e tentar lançar novas caras para não comprometer os pontos na liga portuguesa. Liga essa que é outro problema para o Benfica. O nível é tão mais baixo do que qualquer campeonato do top 5 europeu que os treinadores ficam sempre tentados a mudar algo táctico, individual ou colectivo para improvisar e surpreender o adversário. Isto porque fica demasiado fácil para qualquer clube que tenha de defrontar o Benfica vir observar a prestação interna da equipa e perceber como se joga. São cerca de 30 jogos internos que o Benfica tem para contornar adversários a jogar quase sempre da mesma maneira. 

É isto em traços gerais. 

Vamos ao desafio de hoje. Bruno Lage mexeu na equipa e no plano de jogo. Parece-me óbvio que o faça. Seguir para este jogo com o habitual 4-4-2 seria tornar tudo ainda mais previsível para o adversário. Já com o Frankfurt se percebeu que houve uma preocupação de montar um ataque diferente sem dar nenhum jogador à marcação da linha defensiva. 

Hoje, Lage apostou em RDT mais à frente e Jota atrás, Cervi, uma surpresa mas que já tinha jogado no tal jogo com o Eintracht e Pizzi nas alas. Entregou o meio a Fejsa e Taarabt, dando continuidade a aposta do último jogo. Atrás também uma novidade, Tomás Tavares. André Almeida não estará ainda capaz de jogar dois jogos com um tempo de recuperação tão curto. Aqui parece mais uma necessidade do que um risco, mesmo porque Tomás Tavares fez uma exibição muito prometedora. 

Portanto, a novidade era Jota a atacar as entrelinhas e Cervi mais fresco, primeiro jogo da época, para atacar e defender com a mesma velocidade e intensidade. 

Curiosamente, de todas estas apostas a maior desilusão foi Pizzi. Mais uma vez em contexto europeu Pizzi parece eclipsar-se e até hesitar na hora do remate. É estranho o rendimento de um dos melhores jogadores do campeonato variar tanto em noites europeias. O valor de Pizzi quase que o obriga a estar no banco mas depois do jogo acho que até o próprio concordaria que teria sido melhor ter ido a jogo Rafa de inicio. São daquelas conclusões fáceis de tirar depois do jogo, antes é mais complicado. 

Com tudo isto, o Benfica conseguiu dividir o jogo. Conseguiu mostrar momentos de bom futebol, especialmente guiados por Adel Taarabt e com combinações de primeiro toque que chegaram a empolgar a Luz. 

A verdade é que o Benfica construiu oportunidades suficientes para marcar e isso é um bom indicador. O mais dramático é que continua a ser mortal a este nível não se concretizar as boas oportunidades. Grimaldo de livre viu Gulacsi a negar o golo, RDT arrancou grande remate mas voltou a sair ao lado, Pizzi foi irreconhecível na finalização e Cervi ainda devia estar a pedir desculpa pela envergonhada maneira como não marcou golo depois de um passe magistral de Taarabt.

Acrescenta-se a esta falta de qualidade na hora de fazer golo dois argumentos pesados. O primeiro é a diferença na hora de decisão de Timo Werner para a realidade que conhecemos. O alemão em oportunidade e meia faz dois golos. É duro mas é mesmo assim.

O segundo argumento é que há uns meses atrás quando batemos o Eintracht na Luz quem fez de avançado foi João Félix. Podem gostar muito ou pouco mas o rapaz é um craque e fez 3 golos resolvendo uma questão que hoje nem RDT, nem Jota conseguiram. E não conseguiram porque João Félix só há um de tempos a tempos e por isso é que saiu pelo valor que se sabe.

Então porque é que não se foi buscar um jogador assim? Bom, por mim trazia-se o Timo Werner, por exemplo. O problema é que só o dinheiro não chega para ter um jogador daqueles no nosso quadro competitivo e foi isso que Bruno Lage explicou na conferencia de imprensa antes do jogo com o Gil Vicente. 

É neste drama que vivemos. 

Houve coisas boas mas no fim da noite lá está o último lugar do grupo à nossa espera. 

Há jogadores importantes de fora por lesão e há uma pressão extra pela nuvem negra que tem pairado sobre as prestações do clube na prova. Só um bom resultado na Rússia e um positivo confronto duplo e directo com o Lyon pode devolver a esperança europeia aos adeptos. Há condições para isso desde que a objectividade na hora de concretizar suba aos níveis desejados. 

Hoje foi uma decepção. 

Benfica 2 - 0 Gil Vicente: A Naturalidade Que Já Não Chega

_JT_5554.jpg

Há uma enorme diferença entre as expectativas dos profissionais e dos adeptos. Isto é, quem faz parte da organização do futebol profissional do Benfica, técnicos e dirigentes, não vê o pré jogo e o pós jogo da mesma maneira que os adeptos nas bancadas ou em frente à televisão. 

Uma das grandes mais valias que Bruno Lage trouxe ao universo do Benfica foi humanizar essa visão sobre o futebol em geral. Não se repete entre lugares comuns, não avalia os jogos segundo uma realidade paralela ou uma ciência obscura só ao alcance de uns iluminados e tenta sempre explicar as suas opiniões. 

Serve esta introdução para contextualizar os sentimentos mistos que ouvi e li após o jogo deste sábado à noite. 

É verdade que não se pode justificar uma exibição menos conseguida logo à partida com a paragem das datas FIFA. Mas não se deve ignorar quando o melhor jogador em campo, Adel Taarabt, diz que a tal paragem tornou este jogo mais difícil. 

Também não se deve justificar a menor intensidade de jogo do Benfica, principalmente depois do 2-0, com o facto de estarmos a poucos dias da estreia na Champions League. Mas na verdade é algo comum a quase todas as trinta e duas equipas que vão disputar a maior prova de clubes do mundo. É reparar nos resultados e exibições de Juventus, das equipas de Madrid, do Manchester City ou mesmo dos três adversários do Benfica, só o Zenit venceu e com bastantes dificuldades. 

Isto nem são desculpas, são factos para tentar chegar aquilo que quero. Penso que a melhor maneira de avaliar e analisar a exibição do Benfica é utilizar o pragmatismo e o equilíbrio contextualizando o momento competitivo do calendário.

Posto isto, recupero as diferenças entre profissionais e adeptos para ir directamente a um momento do jogo que me deixou confuso. Quando Jota está na linha lateral pronto para entrar começou uma corrente de desabafos nas bancadas. Aconteceu na minha bancada e acredito que tenha sido em todo estádio. "Pronto, ele vai tirar o RDT". 

Placas levantas e sai mesmo o espanhol. A reacção das bancadas veio nessa sequência, assobios para a repetida decisão de Bruno Lage. Algo que me pareceu lógico e natural numa relação aberta e honesta entre adeptos e treinador. Os adeptos não estão a gostar que saia sempre Raul de Tomas e manifestaram-se. Não vejo mal nenhum mesmo porque este é um estádio que tem um legado assustador nas bancadas onde adeptos assobiavam lendas como Nené ou Cardozo e a própria equipa a ganhar quando não goleava. Até aqui nada de anormal. 

Mas reparei que a reacção de Lage, RDT e Seferovic é que baralhou isto tudo porque todos interpretaram a assobiadela como se fosse para o jogador a sair. E não foi. Até foi uma manifestação de carinho e confiança no espanhol, os adeptos queriam mais tempo em campo. 

Esta á minha interpretação de um dos momentos mais acesos da noite. Posso estar enganado mas o protesto foi para a decisão da equipa técnica. Repito que não vejo mal nenhum nisso e acredito que Bruno Lage também não se importe de explicar a opção. Mas isto faz parte do futebol porque, como comecei por dizer, há sempre uma visão do banco e outra das bancadas. E assim é que tem de ser. 

Já agora, deixo aqui também a minha visão de adepto de bancada sobre a não entrada de Tomás Tavares. Se era para lançar o miúdo porque é que não se tratou da substituição mais cedo? Mais um exemplo da maneira diferente como se vive o mesmo jogo.

Por falar em jogo, o que mais interessava era garantir os três pontos. Estes são os jogos que precisam de ser resolvidos com convicção. Bruno Lage ao ter normalizado as goleadas do Benfica no campeonato corre sempre este risco quando vence "só" por 2-0. É uma pressão óptima, uma dádiva só ao alcance de poucos treinadores. Elevar a fasquia para ser cobrado por vitórias menos expressivas e empolgantes. Há treinadores que fazem toda uma carreira contentes com um triunfo por 1-0. Lage no Benfica tem que se justificar quando ganha por 2-0. 

Um jogo no Estádio da Luz contra uma equipa repescada da 3ª divisão, depois de uma goleada em Braga, depois de um último jogo na Luz de má memória, tudo isto somado pedia uma goleada com futebol atractivo num sábado à noite e motivação para o grande embate com o líder da Bundesliga que, diga-se, não está a entusiasmar os 60 mil que podem encher a Luz, o que lamento.

A realidade é que o Gil Vicente é uma equipa já bem arrumada, muito bem treinada por Vítor Oliveira, com alguns jogadores muito interessantes, como Kraev, Sandro Lima, Baraye ou o guarda redes Denis, e veio à Luz com um plano de jogo digno e bem pensado pelo seu treinador. 

Conseguiu atrapalhar os pontos fortes do Benfica, faltou mais qualidade ofensiva e assustar a defesa do Benfica mais vezes. Mas deixou boa imagem na visita à casa do campeão. 

No Benfica houve estreia na dupla do meio campo, Fejsa regressou à posição "6" e Taarabt voltou a ser "8" e, tal como em Braga, esteve muito bem. Tão bem que acabou por ser o melhor em campo tendo naquele passe que acabou por dar o 1-0 o melhor lance para recordar. 

De resto, a mesma equipa do Benfica com as qualidade de Pizzi e Rafa, as expectativas em Seferovic e RDT, os apoios de Grimaldo e André Almeida e a segurança de Ruben e Ferro. Odysseas voltou a assinar uma folha limpa, a quinta em seis jogos. 

Não foi exuberante, não foi entusiasmante mas é muito agradável que se passe a avaliar as exibições do Benfica do ponto de vista do luxo. É que foram décadas a analisar jogos do ponto vista do lixo onde algumas vitórias pela margem mínima eram elogiadas pelo esforço e triunfos por mais de um golo de diferença eram tranquilas. Eu gosto mais assim. Um 2-0 ao Gil Vicente que deixa o pessoal alarmado. É preciso mais e melhor. 

Volto a referir o conceito de equilíbrio, acho que é o mais sensato. Era preciso regressar ao ciclo de jogos de clube com uma vitória e sem sobressaltos. Depois de Pizzi ter falhado o penalti o jogo podia ter ficado feio. Felizmente, a equipa procurou o golo antes do intervalo. Até no feliz 1-0 há drama no Benfica, o autogolo de Ygor Nogueira deixou RDT em nervos. Ou seja, o Benfica resolvia um problema antes do intervalo mas como não foi de forma imaculada viu-se drama. Isto, às vezes, não parece um clube de futebol, parece um enredo do dramaturgo William Shakespeare. 

O Benfica ganhou bem, fez a sua parte antes de começar a caminhada europeia. Estamos com cinco jornadas na Liga e há dúvidas dentro do futebol do Benfica. Há e vai continuar a haver. Foi o primeiro jogo após o fecho de mercado e com as lesões vamos ter ser matéria para especular entre as posições "6" e "8" além das dinâmicas da dupla atacante. Um 2-0 é um resultado natural que já não chega para satisfazer as exigências dos adeptos porque Bruno Lage vulgarizou as goleadas. Engraçado. 

Mas a tudo isto chama-se época de uma equipa de futebol que costuma ultrapassar a meia centena de jogos. 

Segue-se nova viagem ao Minho, estamos em ciclo de jogos com equipas minhotas na Liga e essa estreia na Liga dos Campeões com os líderes da Bundesliga na Luz. Uma visita à dimensão maior do futebol mundial numa pausa da limitada realidade do futebol português. 

Braga 0 - 4 Benfica: Uma Exibição ao Nível do Preço Luxuoso dos Bilhetes

69590387_10162259809570716_6264707141249007616_o.j

São 3h56 da manhã de dia 2 de Setembro. Fui ver um jogo da jornada 4 da Liga NOS no domingo, o Braga - Benfica, e consegui chegar a casa antes das 4h da manhã. O meu muito obrigado para quem tutela o futebol em Portugal.

Quis o "sorteio" que o Benfica voltasse à Pedreira quatro meses depois daquela vitória por 1-4 com um estádio cheio num grande fim de tarde de futebol. Desta vez, o estádio esteve longe de encher e o jogo começou depois das 21h de um domingo. Há que esclarecer que o sector visitante não teve uma ocupação só de 1/3. Isso é uma análise errada. O Braga é que fez questão de só ceder bilhetes para 1/3 daquela bancada. Esse espaço esteve cheio de benfiquistas. O resto que esteve vazio foi por opção do clube da casa. 

Depois, importa dizer que para aquela "caixa de segurança" foram vendidos bilhetes de 31€ e 93€.

Pergunta o leitor: e qual era a diferença nos acessos e nos lugares?

Eu respondo: absolutamente nenhuma. 

Ou seja, para o Braga e para a Liga Portugal, um bilhete de 93€ dá acesso a um lugar com a mesma visibilidade e com a mesma entrada de um bilhete de 31€.

E em Abril como foi? Foi bancada esgotada de uma ponta a outra e sem bilhetes a 93€.

Eu esperava que os adeptos portadores de bilhetes de 93€ fossem levados ao colo por aquela interminável escadaria, tivessem uma água fresca à sua espera lá em cima e que no fim fossem transportados para o Aeroporto para regressarem a Lisboa de avião. 

Os preços aumentaram para lá dos limites do razoável, mas dentro dos limites da Liga Portugal, e as condições para os adeptos continuam as mesmas. Uma só escadaria de acesso para entrar e para sair. Saída que acontece para lá das 23h30 e que fora do estádio não tem iluminação até à estrada. 

EDabnyaXsAEpBzY.jpg

Realmente, é preciso gostar muito do Benfica para nos sujeitarmos a tudo isto. 

 

O plano da viagem foi feito entre amigos. Saída da Luz pelas 16h, paragem em Condeixa para uma boa sandes de leitão, umas imperiais e um pastel de Tentúgal e seguir caminho para a Pedreira. 

A expectativa para saber o 11 do Benfica era grande. Confirmou-se o regresso de André Almeida e a aposta em Taarabt. 

Mais do que acertar na equipa, a exibição do Benfica trouxe de volta aquele conforto, aquele entusiasmo e aquela tranquilidade de ver um futebol atraente. Perceber que esta é a normalidade da Era Lage. Sentir que a jogar assim estamos sempre mais perto de ganhar. 

Adel entrou de forma perfeita na posição "8", Florentino fez uma exibição magnifica, Raul de Tomas sempre que esteve em jogo fez quase tudo bem, Rafa foi sempre uma ameaça com a sua velocidade, Pizzi voltou a bisar quatro meses depois naquele relvado. Só Seferovic é que teve uma noite desinspirada mas mesmo assim trabalhou o suficiente para ficar ligado a um dos golos, neste caso, auto golos. 

Odysseas quando teve de aparecer esteve bem, e a defesa do Benfica só por uma vez foi ultrapassada, uma grande recepção de Ricardo Horta com um remate que o poste caprichosamente devolveu. Podia ter sido o 1-1 antes do intervalo. 

Para evitar mais sustos, o Benfica entrou ainda mais forte na 2ª parte e rapidamente ampliou a vantagem. De forma normal e natural. 

Cedo se resolveu um problema que não se adivinhava de fácil resolução. 

O apoio na bancada visitante foi brutal. Quando começam a jogar sujo com os adeptos do Benfica, a inventar obstáculos, a quererem evitar a presença de muitos, é quando os benfiquistas se juntam para apoiar mais forte. Se pensavam que depois de uma derrota, a Pedreira ia conseguir afastar o povo da equipa, enganaram-se. E vão estar sempre enganados quando esfregaram as mãos a pensar que estão todos a ser muito espertos prejudicando os benfiquistas com preços vergonhosos. 

Os adeptos do Braga que trataram os benfiquistas que se manifestaram no primeiro golo na bancada inferior de forma cobarde e violenta, são os mesmo que se riram com as condições impostas a quem quis ir para o sector visitante do seu estádio. Não se esqueçam que ainda vão ter de ir à Luz.

 

Uma resposta do Benfica de Lage à Benfica de Lage. Sem dramas, sem lamúrias, com trabalho, com motivação, e construindo mais uma goleada, mostrando que o normal deste Benfica é isto. Jogar e ganhar bem. 

Os que encheram o peito há uma semana com uma efémera liderança e os que acharam que uma derrota ia derrubar o campeão, devem ter percebido algo que já é certo e sabido há muito tempo: vão ter que levar connosco. Quer gostem ou não, quer queiram ou não. Com preços luxuosos ou com regressos a casa de madrugada já em dia útil de trabalho. A força do Benfica não se anula assim.

Uma nota final, mesmo na bancada superior, bem longe da zona de acção do primeiro tempo, consegui ver nitidamente João Novais a cortar com a mão uma bola que podia levar perigo à baliza do Braga. Não precisem de Juízos Finais. Mas o árbitro conseguiu não ver. Aposto que se estivesse numa zona de 93€ tinha visto. Afinal, os lugares até eram baratos com tão boa visibilidade.

EDaVgiCWkAIyY4q.jpg

Não tentem brincar com o Benfica, respeitem o Campeão.