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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 4 - 2 Eintracht Frankfurt: Euro Félix !

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Apetece-me agradecer. Obrigado, Benfica por uma magnifica noite de futebol. De futebol de ataque, com espaço para pensarmos o jogo, com tempo para analisarmos o adversário e percebermos como podemos ultrapassá-lo. Que noite de futebol na Luz. Que jogo do João Félix! Que prazer que foi viver esta partida, antes durante e depois. 

Quem diz que estes jogos não interessam e que quanto mais depressa o Benfica ficar de fora da Europa, melhor é para a equipa, é porque não conhece o clube. Estas é que são as noites do Benfica. 

Vão lá perguntar a um adepto do Eintracht o que achou dos golos do Félix no Dragão e em Alvalade. Não vão responder. Sabem porquê? Porque lá fora sabem mais de um tal de Rui Pinto do que do João. O nosso campeonato não tem expressão no estrangeiro e a imagem que o futebol português tem transmitido para o exterior é de uma lixeira a céu aberto. Por isso, só hoje é que a Europa descobriu, verdadeiramente, o que vale o puto Félix. 

O Eintracht é a única equipa alemã nas provas da UEFA em Abril. O mediatismo germânico está todo à volta deste duelo com o Benfica. Fazer 4 golos ao Eintracht faz mais pelo prestigio internacional do Benfica numa noite do que 10 vitórias em Santa Maria da Feira com os mesmos 4 golos marcados. É esta a realidade. Com a vantagem de que a seguir ao jogo ninguém vem falar de árbitros, VAR e afins. 

Quem não percebe que estamos a 3 jogos de voltar a fazer história na Europa gosta do clube errado. Por outro lado, quem julga os adversários apenas e só pelos nomes também precisa de se actualizar. Esta equipa alemã é uma das revelações do futebol europeu desta temporada. Hoje mostraram os argumentos que validam esta teoria. Fortes ao nível atlético e físico, duros, com a ideia jogo assimilada e uma grande vontade em marcar golos, este Frankfurt é uma bela equipa de futebol.

Recebi várias mensagens indignadas com o "11" escolhido por Bruno Lage. Li comentários devastadores nas redes sociais sobre a equipa do Benfica. 

Os anos passam e o pessoal não aprende. Há muitas maneiras de pensar o jogo. O facto da escolha não ser óbvia não significa desprezo ou desistência de nada.Pede-se compreensão, respeito e calma. Em vez disso, os adeptos parecem entrar numa espécie de suicídio colectivo baseado num "11" que não esperavam. 

E no final, na conferência pós jogo está lá tudo explicadinho. O Seferovic ficou de fora para evitar haver uma referência óbvia para a defesa, o Gedson entrou para desiquilibrar no jogo entrelinhas e ligar o jogo, Bruno Lage percebeu o desenho táctico do adversário e as consequências de jogar com uma defesa de uma linha de três e reinventou o ataque do Benfica. Mais mobilidade, três jogadores na linha da frente, Rafa, Cervi e João Félix e reforçar o meio do campo onde o adversário é muito forte. 

A desconfiança deu lugar à euforia, o Benfica chegou ao 1-0 de penalti e com expulsão para adversário. Só que os alemães não se retraíram. Em vez de recuar 10 metros, tirar um avançado e lançar um defesa, o Frankfurt manteve-se equilibrado e com a mesma ideia de jogo. Um risco que lhes valeu o empate por Jovic, inevitável. 

Félix inventou uma vantagem antes do intervalo, num grande golo, que moralizou a equipa, apesar do susto do 2-2 anulado mesmo em cima do intervalo.

O Benfica sentiu que podia marcar mais e rapidamente chegou ao 4-1.

Um resultado tão bom que devia ter levado a luz à loucura e não aconteceu. 

Seferovic podia e devia ter acabado com a eliminatória quando falhou o 5-1. Kevin Trap fez uma enorme defesa, diga-se.

Assim, de um resultado confortável passou.se para um 4-2 traiçoeiro e incómodo para o jogo da 2ª mão.

O pior ficou para o fim, com o jogo sempre partido, sempre aberto, com ambas as equipas a tentarem surpreender, o Benfica optou por gerir a posse de bola. Pois, houve uns milhares de benfiquistas que resolveram assobiar a equipa nesse momento do jogo levando Bruno Lage ao desespero.

Quem não entendeu o que se passou na Luz, a riqueza táctica do jogo, a exibição colectiva superior do Benfica, a noite individual de Félix, Gedson e Samaris, a importância da vitória, a qualidade dos golos, a necessidade de posse de bola, não merece o privilégio de viver estas noites europeias. 

4-2 é curto para Alemanha? Pode ser, sim. Mas o Benfica pode marcar em Frankfurt e fazer a sua história. 

Aconteça o que acontecer, esta noite já ninguém me tira.

E acabar a noite no Edmundo, em Benfica, a jantar e a conviver com adeptos alemães do Frankfurt, não há dinheiro nenhum que pague. Quando ganhamos internamente sentimos apenas e só um alivio. Vamos jantar e temos que nos esforçar para não sabermos o que se diz nas lixeiras transformadas em canais interessados em futebol.
Ganhar na Europa é outra coisa. 

Grande noite europeia que se viveu na Luz!