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Red Pass

Rumo ao 38

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Benfica 4 - 0 Chaves: O Fabuloso Hábito de Golear

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Vou começar pelo fim. Fiquei intrigado com a reacção de Gabriel, ainda no relvado, ao receber o justo prémio de melhor em campo. Só mais tarde fiquei a saber que perdeu a sua avó antes do jogo mas fez questão de jogar. Fez uma excelente exibição e recolheu ao balneário a chorar. 

É uma situação rara que merece que se comece o texto por aqui. Gabriel é um dos nossos, está num momento de forma incrível e hoje mostrou um profissionalismo e um compromisso com a equipa que não será esquecido. Grande abraço, Gabriel. Obrigado! 

 

No pólo oposto coloco o treinador do Chaves. Tenho todo o direito de não gostar de Tiago Fernandes, assim como ele teve todo o direito de dizer o que bem lhe apeteceu até ser goleado na Luz. Não quero deixar escapar a oportunidade de dizer que a equipa do Tiago foi do mais ridículo que vi na Luz nos últimos tempos. Defender com dois blocos de cinco jogadores muito baixos, abdicar de pressionar alto e apostar tudo num 0-0 à anos 80, já nem o pai do Tiago fazia disto. 

Quando golear se torna um hábito é sinal que algo de muito bom está a acontecer na minha vida. Vivo bem sem a incerteza no resultado, vivo muito bem com intervalos em 3-0, sou capaz de passar o resto da minha vida a ver o Benfica a jogar assim e a vencer sem emoção nenhuma. João Félix, Seferovic, Rafa e Jonas, todos a marcarem e, mesmo assim, a plateia lamenta que Jota ainda não tenha molhado o bico. É este Benfica que gosto. 

Ver Florentino a titular e achar que ele já ali está há várias épocas naquela posição, é este o nível de confiança que tenho ao ver o Benfica jogar.

 

Jogos com a equipa visitante, o Chaves, neste caso, a levar 3-0 mas preferir perder tempo e optar pelo anti jogo para evitar levar mais em vez de tentar mostrar algum futebol que se veja, um objectivo de vida que hoje foi largamente atingido.

Ter uma vantagem tão confortável no marcador que dá para nos rirmos da eficácia entre equipa de arbitragem e VAR. Uma lástima, o que Manuel Mota veio fazer à Luz. 

 

Tudo isto está muito bem, tudo isto é muito bonito mas a seguir é que vem o jogo mais importante. Porque é o próximo e porque todos estamos a pensar no mesmo, continuar este bom futebol e estes bons resultados. 

 

PS: devolvam as riscas verticais à camisola do Chaves. este equipamento é ridículo.

 

Benfica 0 - 0 Galatasaray: Apuramento Tranquilo

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Os ciclos no futebol são engraçados. Bem, na verdade, este ciclo no futebol do Benfica é engraçado. A plateia da Luz fica logo mais tolerante e compreensiva com os contextos das competições. Isto a propósito deste 0-0 desta noite. 

Apareceram cerca de 50 mil benfiquistas na Luz, o que é assinalável se pensarmos que há uns anos era complicado meter mais de 30 mil nos 1/4 de final com o PSV, por exemplo. 

A equipa foi acarinhada de principio ao fim, não houve impaciência, assobios, nem debandada. Nas bancadas percebeu-se que este jogo era a segunda metade de um duelo que o Benfica teve sempre controlado, nunca esteve em desvantagem na eliminatória, e que era o Galatasaray que tinha a responsabilidade de fazer golos. À partida, tudo isto parece absolutamente normal mas nem sempre é assim.

Recordemos aquela noite europeia com o Bordéus para a Liga Europa. Era a primeira mão e o Benfica vencia por 1-0. Sem conseguir fazer mais golos, o Benfica tentou gerir o jogo de maneira a garantir que não sofria golos, o que era importante para a viagem a França. A plateia da Luz, exigente, não perdoava a posse de bola sem criar perigo e os jogadores foram brindados com fortes assobiadelas. Tinha tudo a ver com o ciclo. 

Quando há esta confiança na equipa e no trabalho da equipa técnica, a compreensão é evidente. O jogo estava perto do final e ouvia-se o estádio a cantar pelo Benfica e até houve uma coreografia com luzes de telemóveis a iluminar as bancadas. Percebeu-se que havia uma necessidade da parte dos adeptos em mostrarem que estavam com a equipa e que entendiam o nulo, o primeiro da era Lage. 

Isto dá conforto à equipa. É verdade que hoje o Benfica não foi eficaz na finalização mas chegou a construir jogadas de ataca promissoras e vistosas. Florentino estreou-se a titular na Luz e encantou todos com uma exibição excelente.

Há um jogo muito importante com o Chaves e isso explica a tentação em ir controlando o jogo, a eliminatória e o tempo que corria favoravelmente. 

Foi um apuramento tranquilo, natural e entusiasmante para a próxima eliminatória. 

Entretanto, porque o Benfica também é isto, uma história à parte. Na 2ª feira na Vila das Aves, antes do jogo, conheci um benfiquista que quis partilhar a sua dedicação ao clube. É do norte e foi emigrante na Suíça até há pouco tempo. Agora que voltou, disse-me que o maior objectivo de vida é estar presente em todos os jogos do Benfica porque foi o que mais lhe custou no estrangeiro, não ver o Benfica ao vivo. Prometeu que ia à Luz ver a Liga Europa e levava chocolates da Suíça para o pessoal da BTV. E hoje entregaram-me mesmo um apetitoso e grande chocolate Denner - avelãs. Muito obrigado, isto também é o Benfica, generosidade, bondade e agradecimento.

 

 

Aves 0 - 3 Benfica: Tudo Parece Fazer Sentido

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Depois dos quatro em Alvalade, terreno de anti benfiquistas, da épica goleada contra a equipa do anti benfiquista Costinha, o campeonato seguiu esta noite na Vlia das Aves, casa do anti benfiquista Inácio. Isto, só para contextualizar o nível de dificuldade dos desafios que Bruno Lage tem ultrapassado na Liga. E, mesmo assim, tivemos que ouvir que o Costinha facilitou, que o Inácio não teve hipótese porque o Benfica recorre a doping, e o Sporting levou quatro porque... enfim, alguma coisa ainda se há de inventar sobre o derby. Até agora não lhes ocorreu nada.

A vitória nas Aves foi tão tranquila e natural como monótona e sem emoção. Como todos sabemos, é esta a definição de noite ideal para os benfiquistas. Ganhar sem espinhas nem sobressaltos. 

Seferovic a marcar pelo sétimo jogo seguido, Rafa a fazer um belo golo e Ferro a assinar o seu segundo golo na equipa principal. Depois, viu um vermelho para que ninguém acuse o Benfica de bullying.

Uma das perguntas que mais oiço antes de um jogo como este é: como é que consegues ir numa 2ª feira à Vila das Aves ver o Benfica?
A pergunta é interessante e merece resposta. Mas a questão mais correcta seria porque é que temos de ir à Vila das Aves ver o Benfica para o campeonato numa 2ª feira à noite?

Bem, quem alinha nestas pequenas loucuras sabe que a principal motivação é ver a sua equipa ao vivo. Uma das melhores experiências que se pode ter em vida. De tal maneira boa que depois de experimentar uma vez, o adepto vai querer sempre repetir. 

Depois tem uma aliado fortíssimo na fraca qualidade das transmissões televisivas dos jogos fora do Benfica. As narrações, os comentários, as realizações, a omissão de imagens de adeptos benfiquistas, enfim, um belo incentivo a ir ver o Benfica, seja onde for. 

Quem o faz frequentemente, ver jogos do Benfica fora de casa, rapidamente percebe que o grupo de viajantes é quase sempre o mesmo. Seguindo esse pensamento, para escolher parceiros de viagens, o universo é reduzido. 

Para vos poder explicar isto, escrevo esta crónica pelas 3 da manhã, quando quase todos vocês dormem profundamente, e bem. 

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, estar presente num jogo desses não significa ter uma vida muito melhor social e financeiramente do que o comum mortal. Só é preciso ter uma motivação: querer muito estar lá. Havendo essa determinação há que tentar mudar o mundo, passe o exagero. Decidir acordar mais cedo para que a manhã renda mais a nível profissional, sacrificar um dia de férias para ir viajar sem receios, explicar em casa que se vai chegar a casa muito depois da meia noite numa 2ª feira, estar mentalmente preparado para passar o resto da semana com sono atrasado destas viagens, acumular trabalho para compensar a ausência de 2ª feira, trocar folgas, trabalhar no fim de semana, abdicar de ir ver um concerto de uma banda apreciada lá em casa, enfim, como se pode ver, tudo opções muito objectivas e sem glamour nem luxo nenhum. Sem sinais de riqueza, sem possibilidade de ser considerada uma grande vida, apenas e só esforço e gestão de tarefas. 

Tudo isto é reduzido a nada quando estamos na bancada a assistir ao golo que Seferovic faz logo a abrir a partida, como que a dizer-nos: faz tudo sentido. 

Claro que há mais recompensas para tanta dedicação. A componente também costuma ser forte. Já que vamos para tão longe num dia improvável, então há que contemplar a gastronomia local. Desta vez, a escolha foi a Taberna Rocha Pereira, na Vila das Aves. A habitual simpatia nortenha no atendimento, uma vitela deliciosa e no ponto, depois de umas entradas de enchidos e queijos com broa, e um pão de ló molhado feito de propósito para a nossa sobremesa. Uma refeição que já justificava a viagem.

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Se estiverem por perto, avancem à confiança.

Costuma ser complicado, quando as refeições atingem este nível de excelência, sermos brindados de seguida com um jogo que nos traga tranquilidade e serenidade na conquista dos 3 pontos. Hoje voltou a aconteceu aquele triunfo monótono de que tanto gosto. Um 0-3 natural e sem margem para discussões. 

Tudo a dar sentido ao investimento de tempo e dinheiro, tudo a justificar as mudanças profissionais e familiares. Tem estado a correr bem, no que diz respeito ao futebol do Benfica. Mas quando nada parecia fazer sentido, quando o clube passava anos e anos a adiar a reconquista do seu estatuto, tudo também fazia sentido. Porque o Benfica também são os que o seguem da maneira que podem e da forma que conseguem. 

Que se mantenha esta felicidade até ao final da época e, assim, as noites mal dormidas, as horas passadas nas estradas, o frio do rigoroso inverno do norte, e os olhares desconfiados de quem nos pergunta porquê, tudo é encarado com um sorriso. Um sorriso à Benfica! 

 

 

Galatasaray 1 - 2 Benfica: Amor é Isto!

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Dá-me ideia que o Galatasaray vai protestar o jogo porque já percebeu toda a marosca que o Benfica anda a fazer nas diferentes competições. Depois de ter dado 10 ao Nacional porque os jogadores de Costinha, esse insuspeito e assumido anti-benfiquista, facilitaram, como ficou expresso pela metade da sociedade portuguesa não benfiquista, hoje o Benfica desenvolveu um plano terrível para vencer pela primeira vez na Turquia. Bruno Lage resolveu lançar uma equipa de crianças, Baby Benfica, segundo a crónica da Marca, para baralhar os turcos. Os jogadores do Galatasaray estavam todos desconcentrados a pensar nas namoradas abandonadas em plena noite de São Valentim. Os putos do Benfica nem sabiam que dia é que era porque , a maior parte deles, nem idade tem para namorar, daí estarem focados em jogar e ganhar. Lamentável, meus caros. Assim, não. Isto não é o meu Benfica. Sempre a inventarem artimanhas para vencer injustamente.

 

Noutra dimensão, vi muita gente preocupada com o facto do jogo atrapalhar o programinha de dias dos namorados. Também vi muito pessoal preocupado com a convocatória para este jogo. Os mesmos que criticaram a falta de rotação antes do Nacional, agora entraram em pânico com as ausências de Grimaldo, Pizzi, Jonas, Fejsa, Jardel, etc... O Benfica não é um clube fácil.

Voltando à malta que vacilou entre ver o Glorioso e o programa de São Valentim, é nestes dias que podem resolver as vossas vidas pelo melhor. Se ouviram o vosso homem ou a vossa mulher a largar questões do género "o Benfica é mais importante do que eu?", então é porque o futuro não é risonho. 

O Benfica não tem comparação, nem é um amor de São Valentim. O Benfica é vida. Mas é vida hoje, que vive uma fase empolgante, como já era no dia 14 de Fevereiro de 2000. Nessa noite, jogámos em Setúbal, numa 2ª feira à noite, e houve quem tivesse a lata de convidar a namorada para jantar nos arredores do Bonfim. E ver o jogo, claro. Relembro só o contexto dessa partida: menos de três meses antes, levámos 7 em Vigo, curiosamente nessa altura ninguém desconfiou de nada. Menos de um mês antes, o Sporting eliminou o Benfica na Luz para a Taça de Portugal, 1-3. E mesmo assim, nesse dia dos namorados de 2000 houve quem achasse mais importante arranjar maneira de arrastar a namorada para as bancadas do Bonfim, do que ir namorar tranquilamente sem viagens Lisboa - Setúbal - Lisboa. Porque o Benfica é maior que qualquer amor. Não é uma opinião é um facto. Portanto, o segredo nunca é comparar, nem ter que optar entre ver o Benfica e um jantar romântico. O segredo é encaixar o amor no meio da existência do Benfica. E nem vale a pena cederem só uma vez porque a médio / longo prazo isso vai acabar. Ou acham que ao abdicarem de ver hoje este regresso à Liga Europa para brilharem num restaurante da moda, com ambiente fofinho vai superar o facto de não terem visto em directo e com atenção a estreia do Florentino a titular do Benfica? Ou a tranquilidade com que Odysseas cresce na baliza? Ou a comovente dupla Ferro - Dias com Corchia recuperado e Yuri a provocar o penalti que Salvio aproveitou? Ou o enorme jogo que Gedson fez, tanto ao meio como na direita, a entrega do Cervi e mágica dupla atacante Seferovic - Félix? 

Acham que algum dia vão perdoar a vossa cara metade que fez beicinho e chantagem só para se sentirem mais importantes que o Benfica? Não vão conseguir. 

Só há um tipo de casais felizes, os que aceitam a existência do Benfica com todo o respeito e com toda a naturalidade. Os que aceitam que o papel mais importante na vida do parceiro ou parceira é aquele espaço temporal que acontece entre o final de um jogo e o começo do próximo. E, caramba, é muito tempo útil para namorar, não me lixem! 

Não se enganem a vós próprios, encontrem o vosso par perfeito, porque a escolha mais difícil e acertada da vossa vida já está tomada, é serem do Benfica. E isso é um privilégio que é preciso saber dignificar. 

É mais fácil do que parece. E olhem para os que não são deste maravilhoso clube, vejam na insanidade mental gradual em que estão a cair. Nós estamos no bom caminho. Pensem nisso.

 

Benfica 10 - 0 Nacional: Hoje Soube-me a Tanto

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Em dez anos de blogue nunca pensei um dia escrever num título de uma crónica de um jogo para o campeonato o número 10 no resultado. Aconteceu a 10 de Fevereiro de 2019, num dia que se celebravam os 60 anos do genial 10 dos anos 80 do Benfica, Chalana. 

Nunca dá para prever quando chegam estes momentos. Já sabia que até 1965 o Benfica tinha chegado a resultados dois digitais por 8 vezes. Sinceramente, pensei que não ia viver o suficiente para testemunhar um marcador assim. 

Nestas alturas, em vez de ficar eufórico, gosto de olhar calmamente para trás e, antes de mais nada, lembrar-me do que senti nas noites em que levei 7 ou 5 de maneira inesperada. Da dor do regresso a casa. Dos dias seguintes. Das voltas que a vida dá. Na primeira vez que vi o Benfica levar 7 acabei a época a festejar o campeonato e a Taça frente ao clube que tinha feito tamanha desfeita. Ainda hoje eles festejam a noite dos 7, para nós foi só mais uma época que terminou com uma dobradinha. Relativizar goleadas nas horas más ajuda a conviver com goleadas nas horas boas. Claro, que para um 10-0 ninguém está preparado porque nenhum de nós viveu isto antes.

Uma viagem no tempo para recordar goleadas fortes. Aqueles 9-0 ao Marítimo no começo dos anos 80, chapas 8 ao Vitória De Guimarães, Braga, Varzim ou Famalicão. Mais recentemente, aqueles 8-1 que nos fizeram lembrar outros 8-1 dos anos 80 ao Alcobaça. Falo de resultados que muitas vezes são recordados entre benfiquistas.

Em 2019 veio a compensação por décadas de fidelidade aos jogos no Estádio da Luz, aconteceu mesmo um 10-0! 

Aparece um resultado destes, depois de termos dado 5 ao Boavista, depois de ganharmos duas vezes em Guimarães  onde nenhum dos outros 3 primeiros venceu, depois de ganharmos dois derbys seguidos. Derbys, que como aqui escrevi, souberam a pouco. 

E agora percebe-se melhor porque é que soube a pouco. Este foi o tipo de resultado que chegámos a sonhar em Alvalade, e antes do intervalo na Luz, nos últimos dois derbys. Daí o desalento no rescaldos daqueles 6-3. 

O contexto destes 10-0 é perfeito. Dia de casa cheia com a presença de milhares de benfiquistas das Casas do Benfica. Dia de homenagear Chalana. Dia para dar continuação ao excelente balanço dos derbys e aproveitar o empate do líder para reduzir para um ponto a desvantagem no campeonato. 

Tudo conseguido na perfeição. A estreia de Ferro a titular e um golo marcado, o regresso de Jonas com um bis e a estreia de Florentino com números impressionantes em menos de meia hora em campo. Este plantel do Benfica promete muito para o que aí vem. 

O que dizer da malta que, mesmo assim, continua a sair do estádio antes do jogo acabar? Nem com o resultado a caminha para um 10-0 é suficiente para garantir a presença de todos até ao fim.

Que bonito foi ver a preocupação dos jogadores do Benfica após o apito final a irem confortar todos os jogadores do Nacional numa noite tão atípica como esta. Bonito também o discurso do treinador do Benfica com palavras elogiosas para com o adversário. 

O que se pode dizer depois de um vendaval destes? Nunca é tarde para sermos surpreendidos e compensados pela nossa lealdade ao clube. Hoje foi mais do que 3 pontos, hoje foi mais do que uma goleada, isto hoje foi um rápida viagem ao Benfica do antigamente, aquele que parece ser sempre incomparável, para vincar um grande momento na vida do futebol do clube. Ter assistido a isto é um privilégio. Mais um.

Depois da dose dupla dos derbys recuperei Sérgio Godinho a cantar que "soube-me a pouco". Faltava esta noite para completar: "Hoje soube-me a tanto"!

 

 

Benfica 2 - 1 Sporting: Depressão Boa

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Pode uma depressão ser algo positivo? Sim. Em futebol tudo é possível. Neste momento sinto-me deprimido após duas vitórias contra o Sporting. Há pouco mais de um mês, estava a começar o ano com uma derrota em Portimão. Se me dissessem no Algarve que um mês depois estava a ganhar dois derbys seguidos, no mínimo, ia desconfiar. Mas cá estamos na luta, não só ganhámos como ficamos pouco convencidos com os números. 

É tudo uma questão de perspectiva. Devíamos estar mais satisfeitos por termos um total de golos de 6-3 no espaço de três dias contra o rival de Lisboa. O problema é que já sabemos que é possível um resultado assim só numa tarde e, portanto, exigimos sempre mais. 

Um jogo em que começámos a sentir que a equipa estava perto de chegar a um tranquilo 3-0, transformou-se num curto 2-1. Mas é um triunfo e ganhar derbys é sempre importante. Depois do que vimos em Alvalade para o campeonato, este resultado nem devia ser grande preocupação, no entanto, os sportinguistas exibiam um ar de satisfação e alivio no final do jogo, contrastando com as lamentações dos benfiquistas. Os primeiros não venceram nenhum dos últimos cinco jogos, perderam dois derbys seguidos, os adeptos do Benfica nos últimos oito jogos ganharam sete, e o que perderam ficou atravessado num fora de jogo que dava o 2-2 no clássico. 

Perante este cenário, só posso concluir que alguma coisa está a ser muito bem feita no Benfica, a ganhar, a jogar bem, com miúdos cheios de talento, Ferro é mais um a chegar à primeira equipa, e mesmo assim sabe a pouco. É o Benfica. 

Estamos a 90 minutos de regressar ao Jamor e com um golo de vantagem. Quando formos a Alvalade jogar a 2ª mão, em Abril, já ninguém se vai lembrar deste jogo de hoje. Este hiato entre as duas mãos da meia final é só mais uma aberração do calendário futebolístico português. Não acho que haja grande problema, é só encarar esse jogo com a mesma seriedade que se demonstrou no jogo da Liga. 

A estar deprimido, que seja assim em ciclos de vitórias. 

Ouvi Bruno Lage explicar que a equipa começou a pressionar com emoção, entusiasmada por sentir que podia chegar ao 3-0. Vivo bem com isso, prefiro que seja assim do que ver a equipa toda recolhida a segurar o resultado e acabar por sofrer um golo. 

Continuemos a jogar com emoção, continuemos a exigir mais e melhor. Sinto que estamos a crescer juntos. Todos! 

Dois derbys, duas vitórias. Redução para três pontos atrás do líder no campeonato e meio caminho andado para o Jamor. Moralizados para o regresso à Liga na Luz com o Nacional.

Sporting 2 - 4 Benfica: E no Entanto, Soube a Pouco!

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Lembro-me daquela canção do grande Sérgio Godinho que começa com um brilhozinho nos olhos e acaba com um "portanto, soube-me a pouco". 

Foi muito isto que aconteceu em Alvalade neste derby a contar para o campeonato 2018/19. Ao longo do jogo cresce um mesmo um brilhozinho os olhos ao assistir ao recital do menino João Félix e do show de bola que a equipa orientada por Bruno Lage resolveu dar em plena casa do vizinho rival. 

Sempre por cima do jogo, sempre em vantagem, sempre superiores, à Benfica como sempre devia ser. A sensação que tínhamos na nossa bancada é que podíamos chegar a números históricos, tal era a superioridade. A vitória já nem estava em causa a partir do momento que o Benfica faz o 0-1. A qualidade de jogo do Benfica foi tão expressiva que adivinhava-se uma goleada. Foram 4, podiam ter sido 6. Na verdade, podiam ter sido ainda mais. O 2-4 sabe mesmo a pouco e, no entanto, estamos a falar de 4 golos em casa do rival de Lisboa. 

Não sei explicar a confiança com que hoje fomos para Alvalade. Não percebi o ambiente de Alvalade. Depois de anos seguidos de regime brunista, o estádio do Sporting voltou a ser um recinto inofensivo. Não senti a menor confiança nas bancadas verdes, aliás os adeptos da casa pareciam estar realmente assustados com o que viam nos primeiros minutos do derby. Olhando para o outro lado do Estádio, o cenário ainda era mais desolador. A Juve Leo parece estar seca de ideias e fizeram um, muito pouco original, Welcome to the Jungle, com um leãozinho desenhado, enquanto se ouvia Guns N' Roses nas colunas. Estamos em 2019, pessoal. O concerto dos Guns em Alvalade foi em 1992! 

Depois, o Directivo apresentou uns desenhos a evocar o VAR. Aqui já percebo melhor. Isto é malta que veio de um triunfo caído do céu em forma de VAR. Os bi campeões de inverno viram o VAR transformar a vitória do Braga em penaltis, e uma derrota com o Porto em empate por um penalti só visto no VAR. No derby não levaram 6 em casa porque o VAR anulou mais dois golos ao Benfica. Entendo o apego ao sistema.

Além dos golos e a exibição, destaco a ousadia de João Félix ao homenagear a lenda Bryan Ruiz na mesma baliza onde aconteceu o falhanço mais épico dos derbys. O puto quis imitar e fez bem porque já tinha marcado e só por uma vez é que valeu. Passou só a divertir-se. 

Como sempre, até começar o jogo o espaço mediático foi todo do Sporting, o seu presidente teve direito a entrevista na televisão e respectivo eco em todos os media, mostrou aquele ódio e aquela inveja ao Benfica que está no adn de qualquer adepto daquele clube. Até tiveram o Cristiano Ronaldo nas bancadas a ver o triunfo do lado bom de Lisboa no derby. Além de se apropriarem das bolas de ouro e dos feitos do craque português no estrangeiro, ainda lhe oferecem este triste espectáculo. Ao menos, a mãe Dolores divertiu-se antes do jogo quando os adeptos do Benfica cantaram que ela era do Benfica. Desmentiu com as mãos e cabeça mas sempre a rir-se como que a dizer que estes gajos são doidos. E são. São mesmo. São doidos pelo Benfica. Não querem saber de legalizações hipócritas, recusam rótulos oportunistas e deram um show de apoio nas bancadas à altura da equipa. 

Antes do jogo começar houve um momento marcante. Bruno Lage entrou sozinho em campo como sempre tem feito desde o seu primeiro jogo. Ficou surpreendido quando percebeu que o sector visitante o aplaudia e explodiu em cânticos pró Benfica. Acenou timidamente e continuou a sua volta. Antes de sair parou e fixou o olhar nos adeptos do Benfica. Não resistiu e tirou o telemóvel do bolso para fotografar a mancha vermelha de Alvalade. Depois, à noite, publicou a foto nas redes sociais. Isto também é Benfica. Com naturalidade e com emoção. 

Uma grande vitória, 3 pontos que deixam o Benfica ainda mais perto da liderança, o Porto não foi além de um nulo em Guimarães, e uma sensação de crescimento entusiasmante. 

Quarte feira há mais. Com o mesmo brilhozinho nos olhos.