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Red Pass

Rumo ao 37

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Benfica 1 - 0 Moreirense: O Mínimo dos Mínimos

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Já não estamos habituados a acabar a época sem festa. A sensação de depressão que se abateu sobre o universo benfiquista após o clássico da Luz só piorou até terminar o campeonato. Depois dessa derrota, uma vitória arrancada nos últimos instantes no Estoril, entretanto despromovido, uma impensável derrota em casa com o Tondela que fez com que os resistentes que acompanham a equipa a todo o lado fossem buscar forças e motivação para irem apoiar a equipa no derby de Alvalade que, de repente, ganhava um novo encanto para os rivais que tinham uma autêntica via verde para o 2º lugar e possibilidade de acesso à, cada vez mais, milionário Champions League.

Curiosamente, a equipa do Benfica depois de três exibições que arruinaram a época, embora no Estoril até tenha ganho, surpreendeu pela positiva com uma primeira parte digna de uma equipa ambiciosa e focada em cumprir o objectivo minimo da época. Mesmo assim, saímos todos de Alvalade com a sensação de que não chegou, aliás, a segunda parte não foi do nível da primeira e o nulo deixava a tal via verde ainda mais livre para os rivais.

É com este espirito que chegamos ao derradeiro jogo na Luz, um terceiro lugar no horizonte, algo que não acontece há uma década, e muita insatisfação nas bancadas. 

Restava esperar que a equipa repetisse a boa exibição da primeira parte e cumprisse a obrigação de fechar o campeonato com uma vitória. 

Mais uma vez a teoria deu lugar à prática contrária. 

O Moreirense fez-me esquecer que era treinado por um ex jogador que muito estimei no nosso clube quando decidiu mexer na tradição do Benfica atacar primeiro para norte. Não resisti a pensar naqueles segundos, era descerem. 

Com Jonas de regresso à equipa, era de esperar uma tarde tranquila para compensar o ridículo frio na Luz a meio de Maio. Estranhamente, os jogadores do Benfica pareceram-me ainda mais desconfortáveis do que os adeptos. Menos motivados, nada inspirados e com pouca vontade de um fecho agradável. Chegou a dar a ideia que nem o objectivo Champions os despertava.

 Diga-se que apareceram na Luz mais de 40 mil adeptos, foi a pior casa do campeonato mas perante este contexto final é de assinalar o número elevado. Adeptos que mereciam mais futebol.

Há falta de entusiasmo com o futebol do Benfica, uma grande parte do estádio reagiu com festa aos golos do Marítimo e criou-se a discussão do dia. Faz sentido ou não festejar a desgraça dos outros que nos permite acabar com uma fraca consolação?

Não vou fazer juízos de valor. Digo só que recebi a notificação dos golos do Marítimo com toda a tranquilidade e nem reagi. Felizmente, já lá vai o tempo em que ficar à frente de um rival ou garantir a disputa de acesso à Champions League era motivo de grande satisfação. Sinceramente, hoje em dia tem que ser só uma nota de rodapé, um sorriso leve por ver quem tanto nos quer mal acabar em desgraça. Mas só isso. A nossa mentalidade mudou, a nossa ambição voltou a ser à Benfica, a nossa exigência voltou a ser gigante. Isto é, tudo o que seja um campeonato sem Benfica campeão não pode dar vontade de celebrar nada. E com isto não quero tirar mérito aos golos de Jonas que volta a trazer para a Luz o prémio de melhor marcador da Liga. Agradeço e elogio o Jonas pelos números brutais, ultrapassou a marca de Magnusson que era a melhor depois de Eusébio. 

Mas o contexto final foi muito pobrezinho. Foram os serviços minimos garantidos. Só acabámos dentro do nível Champions porque os outros falharam no final. E os outros sãos os mesmos de sempre. São os que nos odeiam de morte mas acabam por ter um lugar no nosso coração porque durante anos e anos foram o nosso consolo em temporadas muito negras. E voltaram a ser no primeiro ano em que falhámos o objectivo maior em meia década. 

Acabou tudo mais aliviado do que satisfeito na Luz. O Moreirense porque continuará por cá, o Benfica porque sem ter feito muito por isso garante que começa a nova temporada com importantíssimo compromisso europeu. 

Finalmente, espero que esta vitória perante o Moreirense tenha o mesmo efeito que teve em 2013. O cenário actual não é animador mas o daquele fim de tarde de 2013 era muito pior e acabou em Tetra. 
Bom descanso para todos. Em termos de crónicas, volto no primeiro jogo oficial de 2018/19. 

Sporting 0 - 0 Benfica: Vitória Bateu nos Postes

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Pedia-se resposta à Benfica no derby de Alvalade. Foi o que aconteceu. Aliás, aconteceu de tal maneira que apetece perguntar onde é que andou aquele Benfica da primeira parte nos jogos com o Porto e Tondela ?! 

A primeira parte do derby foi das melhores exibições que vi esta época e que deixa em aberto uma saudável discussão sobre o que podia ou pode ser o futebol da equipa de Rui Vitória. E um dos temas a discutir tem que ser a gestão da qualidade individual do plantel e as opções que podem originar. 

Ora, em Alvalade, Rui Vitória pensou num esquema diferente com Samaris e Fejsa no meio, Pizzi mais à direita, Rafa na esquerda, e Zivkovic atrás de Raul. Lá atrás a única novidade foi Douglas no lugar do ausente Almeida. E, digo já, que o brasileiro até fez um jogo bem positivo. 

Estas variáveis atacantes resultaram na perfeição e o Benfica partiu para uma primeira metade de jogo muito personalizada entusiasmante e que merecia melhor sorte na hora da finalização. Duas bolas no poste e duas intervenções de Rui Patrício, o melhor do Sporting, evitaram uma justa vantagem que daria para garantir três valiosos pontos. É um pouco a imagem deste Benfica 2017/18, quando joga muito marca pouco ou nada, quando joga pouco vence em esforço. Infelizmente, esta conjugação não saiu certa e o Benfica arrisca-se a acabar em 3º lugar depois de ter passado pelo Dragão e Alvalade sem sofrer um golo. 

Aliás, Varela deve ter tido uma das noites mais tranquilas da sua carreira. Só me lembro de ter feito uma defesa a remate de Coentrão. 

Se fizermos o balanço dos dois derbys, o que dá vantagem ao Sporting é um golo na Luz marcado em fora de jogo. Não deixa de ser irónico e simbólico que numa época marcada pelo maior ataque de dois clubes aliados e unidos pelo ódio ao Benfica, a vantagem no acesso à Champions se resuma a isto.

Igualmente irónico, é que na época de estreia do VAR os dois árbitros dos derbys não tenham tido necessidade de utilizar as ferramentas ao seu dispor para julgar melhor. Recordando a vergonha dos penaltis esquecidos da Luz: empurrão de Coentrão a Jardel, mão de Coentrão na área, mão de Piccini na área, mão de William na área e, claro, Acuña fora de jogo no momento do tal golo do Sporting. 

Só para relembrar os últimos minutos do derby de Alvalade, a entrada de Bruno Fernandes que foi presenteado com um cartão amarelo e o caricato lance na área do Sporting em que é assinalada uma falta num choque de Patrício com um companheiro seu, fora da pequena área, e que fez a bola sobrar para um remate para golo. Tudo normal, portanto. Estamos falados quanto a VAR, Xistras e Macrons. 

 

A ida a Alvalade é, de longe, a que exige maior sacrifício mental. Prefiro mil vezes ir a Chaves ou Portimão, só para dar exemplos de campos bem distantes de casa, trocando o conforto da proximidade, pela sanidade mental. Para quem não costuma ir a Alvalade ver o derby ficam alguns apontamentos curiosos que valorizam muito os que se dão ao trabalho de tirar um dia para passar esta experiência a preços bem puxados.

Para começar, quem compra um bilhete para o derby não é obrigado por lei a seguir para o estádio na chamada caixa de segurança. Eu recuso-me a ir em manada sobre ordens de agentes da autoridade nervosinhos e cheios de vontade de malhar em tudo o que mexe. Como tal, a Liga e os responsáveis pela segurança do jogo têm que, de uma vez por todas, pensar um pouco mais além e resolver a vergonha que é aquele acesso à bancada visitante do estádio do Sporting. 

Eu sei, por experiência própria, que na Luz os adeptos visitantes que cheguem fora das caixas podem ficar em segurança, isolados e com vigilância policial à espera que as portas abram num espaço reservado para eles. E bem. Vejo isto todas as épocas.

Porque é que eu chego à porta que dá acesso à bancada de Alvalade onde vou entrar e tenho de ficar no meio de uma rua cheio de adeptos do Sporting? Já alerto para isto há muito tempo. É que são cada vez mais os adeptos que perderam a paciência para caixas de segurança e vão para o estádio mais cedo. Claro que com tanta mistura a confusão é inevitável. E quando os adeptos da casa pensam que estão em maioria e resolvem partir para a agressão são surpreendidos com um forte contra ataque de muitos mais adeptos visitantes que estão ali perto. E a polícia já só tem tempo para reagir com violência descontrolada. Isto tem que ser resolvido porque na Luz já está há muito tempo controlado.

Depois, entrar naquele estádio e ver que pintaram nas bancadas que ganharam 22 campeonatos, os nomes de Figo e Cristiano Ronaldo com Bolas de Ouro feitas no Sporting e outras preciosidades é de uma vergonha alheia que não tem explicação. Na nossas últimas 16 visitas aos dois estádios do Sporting para ver derbys para o campeonato há um facto comum em todas elas, nunca ganharam um só campeonato. Nem um. Mas há 16 anos tinham 18 títulos de campeão e entretanto escrevem 22. É o Sporting. 

É o Sporting das claques legalizadas. As tais que estão dentro da lei e que devem ser seguidas como exemplo. As que são incentivadas pelo clube e podem interromper um derby nos primeiros minutos com uma inacreditável chuva de tochas para cima da baliza de Patricio! A lei permite que as claques soltem fogo de artificio (!) na bancada. E todos esperamos que o circo acabe para podermos ver o jogo. As claques que podem mostrar lindas coreografias que assinalam datas e locais de confrontos violentos como exemplo para todo o país ver. Com orgulho. Claques que podem mostrar frases durante a partida altamente originais e variadas. Para se ter uma ideia, mostraram uma especialmente bonita umas três ou quatro vezes que dizia apenas e só: Filhos de Uma Grande Puta! Poético, não é? Mas legal, atenção.

São aquilo, nunca passarão daquilo e, por isso, é que precisam de inventar campeonatos ganhos a meio de uma seca que já vai em 16 anos e também exibirem bolas de ouro de jogadores de clubes de outras dimensões. 

Também é engraçado ver que o arranque da 2ª parte é abortado porque os fios da "aranha" que suporta a câmara por cima do relvado caíram. Enfim, é uma viagem a uma realidade paralela e virtual que não é fácil de gerir mas que, felizmente, só acontece uma vez por temporada. 

 

Tudo adiado para última jornada, a ver se o fica desta temporada é um prémio final para esta boa exibição no derby ou um castigo pela incompreensível derrota com o Tondela.