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Belenenses 1 - 1 Benfica: Jonas Num Mal Menor

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 Sinto-me como naquela noite em que empatámos na Madeira com o União em Dezembro no caminho do Tri. Esperava muito mais no Restelo, pensava que a equipa ia embalar com o extraordinário apoio vindo das bancadas, mesmo com bilhetes a 30€ num 2ª feira à noite às 21h!

Quis acreditar que aquela triste imagem que ficou do final do jogo com o Chaves, com a lesão de Krovinovic, ia dar lugar a uma resposta forte dos seus companheiros e que a equipa não iria sentir assim tanto a sua falta.

Afinal, o Benfica esteve uns furos abaixo do que se viu nas últimas jornadas e o seu futebol atacante esteve quase sempre previsível. Só com passes a apelar à velocidade individual é que resultavam em perigo. Não se viu aquele fulgor atacante e é impossível não relacionar isso com a ausência de Krovinovic. Mesmo porque esperava que João Carvalho e Pizzi dessem conta do recado de caras e não aconteceu bem assim.

De qualquer maneira, na 2ª parte o Benfica fez o suficiente para chegar à vantagem. Primeiro com um penalti desperdiçado por Jonas, depois com uma jogada que Cervi não soube finalizar. A tal eficácia que já nos custou pontos na primeira volta. E depois o "Karma" do quem não marca sofre. Tal como no Bessa ou, mais recentemente, em Vila do Conde. O Belenenses chega ao 1-0 depois de ter estado mesmo perto do K.O..

Valeu ao Benfica uma atitude de acreditar até ao fim que valeu salvar um ponto com Jonas a marcar com mais facilidade um livre directo do que o penalti.

Vamos ver que danos reais são estes no futuro com a perda de dois pontos no Restelo.

Uma palavra para Silas. Eu até simpatizo com a figura e a atitude ambiciosa do Silas mas os jornalistas deviam ter confrontado aquele discurso pós jogo de estar numa clube grande que joga para ganhar, que nem tem de aceitar o empate e tal com a postura da sua equipa em campo o jogo todo. O Belenenses teve com primeira preocupação perder tempo. Começou no primeiro tempo e no segundo abusou. Então aquela queda do guarda redes sozinho na sua área enquanto o Benfica atacava foi escandalosa. Desculpa lá, Silas, mas se queres mesmo usar esse discurso então apresenta um futebol sem esses truques baixos de perda de tempo mesmo que com a ajuda do árbitro que nada fez para contrariar esse anti jogo.

 

Benfica 3 - 0 Chaves: Final Infeliz de Krovinovic

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 Das dúvidas que havia para este jogo, por ausência forçada de André Almeida, imperou o bom senso de Rui Vitória em não querer mudar a estrutura do meio campo para a frente de uma equipa que custou a montar durante a primeira parte da época. Assim, avançou Douglas para defesa direito, fez a sua estreia na Liga NOS, e manteve-se aquele que tem sido o onze habitual  dos últimos jogos.

A equipa voltou a entrar bem, focada, motivada, procurando a bola em terrenos muito avançados e disparou rumo ao golo antes que o Chaves conseguisse entrar com conforto no jogo.

Jonas confirma a forma superior que tem mostrado ao marcar em todos os jogos e aos 19' já o Benfica vencia por 2-0 com toda a naturalidade.

Os níveis individuais da equipa estão todos em alta e com indicadores de subida. Jardel está naquela forma que faz dele um central de referência arrastando Rúben Dias para um patamar de confiança que leva o jovem para uma titularidade indiscutível.

Na esquerda , Grimaldo e Cervi continuam numa sociedade imprevisível e com uma qualidade que chama para aquelas lados a participação de Krovinovic. Geralmente, saem dali boas oportunidades de golo. Fejsa está na melhor forma que lhe conhecemos. A defender é monstruoso a atacar revelou excesso de confiança que lhe fez perder alguns passes básicos, nada de grave. Depois, temos Salvio e Pizzi que cumprem sempre contribuindo para o colectivo ou tentando resolver a nível individual. Os números não mentem, Salvio assistiu Jonas para golo, Pizzi entrou na lista de marcadores da partida.

 

 

Ou seja, o Benfica mostra saúde e futebol que permite aos seus adeptos sonhar com o penta. Adeptos que disseram presente no Estádio da Luz de forma inequívoca, mostrando que sabem que chegou também a sua hora de empurrar a equipa para o sucesso como tem acontecido nos últimos anos.

O 3-0 é um resultado normal, a tal beleza da monotonia a partir dos 47', e a exibição é um sinal claro de que a equipa não quer saber da gigantesca campanha anti-Benfica que se vive em Portugal com o apoio de toda a imprensa e com dois cabecilhas que esta semana terão de ser muito originais para levantar a polémica do dia. Não está a funcionar, meus caros. A equipa do Benfica quanto mais é posta causa, melhor responde dentro de campo.

E por falar em polémicas, expliquem-me lá isto do VAR. Aos 67' o Pedro Tiba agarrou o Krovinovic, dentro da área, em clara falta. Aos 80', Bressan faz falta sobre Jonas na área do Chaves. Dois penaltis que o árbitro não quis marcar e que o VAR não viu. Já vamos em quantos penaltis ignorados por árbitros e VAR esta época? Foi por isto que tanto lutaram? Também não está a chegar para parar o Benfica mas irrita muito. Isso irrita.

 

Finalmente, uma palavra para Krovinovic. A partir daqui é tudo para ti. Foi das lesões mais parvas que vi na Luz. Dói muito perder assim o jogador que mais revolucionou o futebol do Benfica esta época mas, como já vimos em anos anteriores, esta é uma infelicidade que vai motivar mais a equipa. Espero voltar a ver o "Krovi" a sorrir lá mais para Maio no centro de Lisboa.

 

Braga 1 - 3 Benfica: O Minho é Vermelho e Branco!

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 Olhem bem para esta imagem porque isto é aquilo que a organização do campeonato e o canal de televisão que passa quase todos os jogos da prova não querem que se veja nem que aconteça. Isto é a massa anónima de adeptos do Sport Lisboa e Benfica que enche por completo uma das quatro bancadas da famosa Pedreira. Não é um canto da bancada, atenção. É mesmo a bancada superior toda!
A Sport TV não quer apontar as suas câmeras para a maior invasão anual de adeptos visitantes aquele estádio, não quer mostrar a força inexplicável de milhares e milhares de adeptos que não se importam de sujeitar às condições vergonhosas a que são sujeitos pela organização da prova, à falta de respeito dos responsáveis do clube do Minho, à afronta que é marcar um jogo no inverno que acaba perto das 22h30. São milhares de adeptos juntos que simbolizam o amor incondicional a um clube que suscita inveja e ódio sem par em Portugal e que alheios à maior campanha de difamação que este país já viu, superam todos os contras para mostrar a jogadores e equipa técnica que nunca estarão sozinhos e que nós acreditamos até ao fim neles. Mesmo que tenhamos de ficar mais uma hora num estádio vazio ao frio e massacrados por um sistema de som altíssimo a passar em loop cânticos dos adeptos do Braga. Pelo menos, deu para perceber que no meio do ódio que mostram conseguem adaptar cânticos que os adeptos do Benfica há anos entoam por esse país fora. Até aquele inspirado no Lisboa, Menina e Moça que no Minho faz imenso sentido.

Só para que fique uma ideia da maneira como se tratam os adeptos que pagam para ver um jogo da sua equipa no meio destas condições miseráveis fica a imagem da saída do estádio. Uma bancada inteira a ser encaminhada para duas miseras escadarias numa das pontas da bancada. Miseráveis!

 

Quem manda neste futebol devia reflectir sobre o facto de viver à conta desta paixão irracional de adeptos. É que por cada experiência destas, são mais os adeptos que prometem não voltar os pés na Pedreira do que aqueles que dizem ir buscar mais companhia para a próxima vez.

No meu grupo, por exemplo, já levei um benfiquista contrariado de Lisboa para Braga. Já tinha prometido nunca mais lá voltar devido a experiências anteriores. E eu sei que ele é que está certo. E voltou a viver momentos que dão razão à recusa em não voltar ali. Apesar disso tudo, fui eu que desafiei o lado irracional. Tinha um convite irrecusável há meses para almoçar na tarde do jogo com gente que muito estimo e que vive no norte do país. Desde que foi agendado o jogo para este fim de semana fomos moldando este almoço e convocando mais benfiquistas.

Não tenham dúvidas que é isto que mexe com a multidão vermelha, o Benfiquismo! A Liga de Clubes, a Sport TV, e todos os agentes que vivem à volta do nosso futebol não entendem a sorte que é ter uma multidão destas sempre pronta para comparecer onde o Benfica for jogar. Só tinham de estimar isso e não estragar. Mas, infelizmente, já perceberam que podem fazer tudo para estragar a experiência que a malta não desiste.

 

 

Lá fomos, um grupo de quatro benfiquistas, de Lisboa para Barcelos rumo a um almoço que se revelou inesquecível. Sem querer entrar em pormenores nem maçar os leitores, deixo a sugestão para uma experiência diferente ao nível gastronómico minhoto. Por norma, costumo deixar dicas de locais com preços simpáticos e comida boa em quantidade e qualidade. Desta vez, o conceito é mais requintado. Um espaço muito bonito com vista para Barcelos, uma decoração impecável e um conceito gastronómico que vai do melhor que os pratos da região oferecem para uma apresentação arrojada e elaborada. Entradas excelentes, pratos variados e óptimos, desde carne maturada a arroz de tamboril e uma sobremesas inesquecíveis. Vale a visita em ambiente familiar ou em turismo. Aliás, é esse o nome do espaço, Turismo Restaurante Lounge. Digam ao Jorginho que vão daqui. A todos que partilharam esta mesa, um grande abraço de agradecimento por mais uma bela tarde de benfiquismo.

 

E só por isto já estava justificada viagem ao Minho. Obviamente, o convívio foi óptimo mas o motivo principal não nos deixava fazer a digestão como deve ser. Havia um jogo muito complicado para ganhar e era o resultado que ia determinar a disposição da viagem de volta.

 

O Benfica em Braga confirmou tudo o que tenho vindo aqui a escrever em jogos para o campeonato nos últimos meses. A equipa entrou bem e desinibida, como no Dragão, focada e determinada em vencer, como no derby, e mostrou qualidade e processos bem definidos no seu jogo que resultou em golos e na vitória como em Tondela ou Moreira de Cónegos. Este Benfica luta pelo título, por muito que nos queiram chamar bonecos, por muito que insistam que só ganhamos com esquemas. Mais uma vez, três golos sem espinhas que resultam de uma qualidade atacante superior, três golos bonitos sem a ajuda de ninguém. Um lance duvidoso de vídeo árbitro que, obviamente, voltou a não dar em nada. Mais um penalti para juntar à enorme lista de perdões.

 

Quando me perguntam como é que ainda tenho paciência para passar um sábado na estrada e não ficam convencidos com a resposta básica de ser por benfiquismo, por amizades com benfiquistas, então tenho uma boa imagem para vocês. Estar na bancada a ver o Jonas começar uma jogada dando a bola para a direita, ver o André Almeida a correr e a preparar um cruzamento para área, fixar o olhar na bola, ao mesmo tempo desviar o foco para ver que Jonas já lá está pronto para cabecear e viver o momento em que a bola sai da cabeça de Jonas para o fundo da baliza. São 5 segundos? Serão 3 segundos? Não sei, são instantes que ficam cravados na memória para sempre e que suscitam um sentimento que não encontra igual em mais nenhuma ocasião da vida. Um golo belíssimo do Benfica vivido no estádio, longe de casa, a horas do nosso local de conforto. Maravilhoso. Enquanto formos sentindo isto não há organização da Liga que nos feche em casa, não há transmissões da Sport TV que disfarcem a nossa paixão. Não há inveja nem ódio neste país que nos faça desviar um milímetro da paixão e do orgulho imenso que temos em sermos Benfica!

É isto que eles não entendem, é isto que os motiva a viver para acabarem connosco.

Lamento, mas vão ter que levar com o mar vermelho até ao fim.

Para terminar, a viagem de regresso é dura mas há sempre aquela sandes de leitão para nos motivar até casa. O Benfica não se explica, vive-se.

 

Moreirense 0 - 2 Benfica: O Dia da Explosão dos Rivais

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 Primeira deslocação de 2018 e vitória do Benfica. Era o que se queria. Começar bem o ano fora da Luz, encerrar bem o ciclo da primeira volta do campeonato, cumprir o dever antes dos rivais e ter um fim de tarde sossegado neste primeiro domingo do ano.

A tarefa não se adivinhava muito difícil, pois o Benfica tem sido feliz historicamente em Moreira de Cónegos. Pedia-se continuidade à boa exibição do derby e foi o que aconteceu. O Benfica entrou bem e justificou a vantagem ao longo da primeira parte. O onze do Benfica está encontrado, Rui Vitória só teve que lançar Samaris no lugar do ausente Fejsa e improvisar Keaton Parks no lugar do grego que se lesionou antes do intervalo.

A asa esquerda do Benfica está a fluir bem, Grimaldo e Cervi dão muita qualidade ao ataque que fica irresistível com o aparecimento de Krovinovic que descai para junto da dupla muitas vezes, daí resultam triangulações que colocam a bola em zonas de finalização com facilidade. Aí Jonas é o rei. Fez uma assistência exemplar para Pizzi fazer o 1-0. Já tinha enasaiado um passe assim antes, Jonas assistiu Krovinovic mas a bola saiu ao lado.

Aqui o único reparo é a falta de eficácia. Uma característica desta primeira metade de 2017/18, o Benfica constrói demasiado para aquilo que aproveita. Ficar só no 0-1 é um risco demasiado sério como já se tem visto noutras partidas. No Minho sentiu-se esta atracção pelo abismo quando a meio da 2ª parte Varela negou o golo do empate. Foi um período do jogo que o Moreirense controlou o jogo e o Benfica não conseguia sair do seu meio campo. Se a equipa tivesse feito mais golos, e oportunidades não faltaram, não se sofria tanto durante aqueles minutos.

Depois, entrou João Carvalho que voltou a mostrar ao que vem tal como em Setúbal. Rápido na pressão atacante, rouba a bola e serve na perfeição Jonas que "só" teve que tirar um defesa pela frente e fazer o 0-2 da tranquilidade.

Vitória normal, missão cumprida.

 

O melhor desta tarde viria depois. À noite veio o inesperado tónico que faltava a este Benfica.

Tal como expliquei na crónica do derby, os rivais andam a viver numa realidade virtual que não os favorece quando são confrontados com factos. Os departamentos de comunicação dos rivais andam a vender uma realidade aos seus treinadores que não bate certo com os pontos na tabela classificativa. Esse facto levou à explosão dos dois no mesmo dia.

Sérgio Conceição não se conteve depois de um jogo mais complicado do que estava à espera e disparou contra Rui Vitória. Tudo a fazer lembrar Jorge Jesus no ano do Tri. O mesmo Jorge Jesus, que ainda agastado com o banho de bola salvo por mãos alheias, atirou que este ano é tudo para Porto e Sporting.

Será?

Se o Benfica fizer o Penta alguém vai querer saber das noites europeias ou das Taças? Não me parece.

Sérgio, sei que não estavas por cá mas a última vez que se atiraram dessa maneira a Rui Vitória o resultado foi bom para o Benfica. Só para esclarecer.

 

Eles já explodiram, afinal o pobre e acabado Benfica que está debaixo de fogo intenso com ofensas diárias e ataques nunca antes vistos em Portugal está ali a espreitar, ganha em Tondela, ganha em Moreira de Cónegos, tem Jonas, os putos continuam a aparecer na equipa principal. Enfim, uma chatice.

Vamos lá ver se esta jornada que marca o fim da primeira volta é o momento de viragem deste campeonato. Nada que já não tenha acontecido. Obrigado, rivais.

Há Quatro Anos Despedi-me Assim de Eusébio

 

Nasci em Abril de 1973 em Moçambique. Vim logo para Lisboa e os meus pais foram viver para a rua em frente ao Califa onde havia uma paragem de eléctricos e autocarros. A paragem em que o povo saía e rumava a pé para a Luz subindo a rua onde eu ia viver mais de três décadas da minha vida.

 

Tinha eu dois meses e meio de vida e o Benfica ganhava 6-0 ao Montijo e sagrava-se campeão nacional. Marcaram Toni e Jordão, pelos humanos. Eusébio fez quatro golinhos.

Esta introdução serve para explicar que não faço a menor ideia qual foi o momento em que deixei o Benfica entrar na minha vida, eu é que entrei na vida do Benfica sem ter consciência disso. Já fazia parte do universo encarnado por defeito. O Estádio ao lado de casa, o povo benfiquista a passar à minha porta aos domingos e quartas à noite, estava tudo feito mas faltava o empurrão. 

O pai da minha mãe, o avô Alberto, fez o resto ao passar-me aquele benfiquismo lindo cada vez que ia lá a casa ver a bola, como se dizia. O padrinho da minha irmã, o tio Victor, criou definitivamente o monstro (eu) ao levar-me para o Estádio quando a família achou que eu já tinha idade para isso.

Até ao dia que entrei na Luz para ver um jogo a sério ficou muito tempo para trás de sonhos a ouvir relatos e, raramente, a ver na televisão com um curioso ritual. Se era jogo europeu, quarta feira à noite, ficava na varanda virada para a rua do califa a olhar fixamente para o impressionante clarão que rompia o negro da noite por trás daqueles prédios vermelhos mais perto do estádio com a janela um pouco aberta para ouvir o , igualmente, impressionante barulho do povo a gritar cada golo. Ainda hoje tenho na mente esse som maravilhoso! Ouvia o relato e assim que se começava a gritar golo na rádio tirava o som para ouvir o verdadeiro "bruá" da Catedral. Era um quadro mágico, o clarão das luzes a iluminar o céu e o som do golo festejado.

Nos jogos de dia ligava o rádio e ouvia os relatos enquanto reproduzia o jogo na alcatifa em cima do tapete do Subbuteo. E tão feliz que uma criança pode ser assim, nem imaginam.

 

Foi também nesta fase pré Estádio que descobri que uma década antes o Benfica tinha dominado a Europa do futebol e que havia muitos jogadores para descobrir além daqueles que jogavam na altura. O avô Alberto contava histórias sobre o Benfica europeu, sobre campeonatos nacionais ganhos, sobre os Magriços e de como era bom ganhar ao Sporting. O tio Victor explicava o problema de sucessão dos grandes craques dos anos 60, das esperanças que tinha nos novos miúdos e de como era bom ganhar ao Sporting. Em comum havia sempre um nome: Eusébio. Já uma lenda na minha cabeça e mal tinha ele acabado de jogar.

 

Depois veio a escola primária, a preparatória e o Liceu. Não poucas vezes ao dizer alto o nome e a naturalidade , Moçambique, recorde-se, o eco era repetido: terra do Eusébio! O orgulho que eu tenho de ter nascido no país do Eusébio!

Frequentei as escolas de Benfica, perto de casa e perto da Luz. Rapidamente as idas ao estádio em dias de jogo se tornaram curtas. Era preciso ir lá ver treinos, estar perto dos jogadores, ver as imensas bancadas despidas, viver o Benfica. Assim foi fácil para mim ter o primeiro encontro com Eusébio relativamente cedo.

Começo dos anos 80, fim de tarde da Luz. Porta principal ao pé da águia de pedra, passam alguns jogadores a caminho dos seus carros e simpaticamente distribuem fotos autografadas a quem os esperava. De repente vejo Eusébio a poucos metros de mim. Eu, que nem 10 anos tinha e andava ali a pedir autógrafos e "bacalhaus" a tudo o que tivesse pernas e saísse da porta dos balneários, fiquei siderado! Não tive reacção, não pedi nada, não falei, ele passou-me a mão pela cabeça e riu-se. Fiquei horas com aquela imagem na mente, o Eusébio tocou-me.

 

E aqui começou uma relação que até hoje nunca consegui clarificar na minha vida. Eu recebi o Eusébio como herança e já em formato de lenda. Mas ao mesmo tempo ele estava ali bem perto de carne e osso.

Mais tarde descobri que Eusébio morava perto da Estrada de Benfica. Foi num daquelas noites de inverno que perto da escola ia com a minha mãe à papelaria, do outro lado da estrada vi Eusébio a sair de um carro. Gritei para a minha mãe que tinha de ir pedir um autógrafo, desatei a correr em direcção a ele para lhe dizer que o primeiro livro que escolhi para ler na biblioteca da escola era sobre o Mundial de 1966. Pelo meio ficou a Dalila em pânico depois de me ver cruzar a estrada de Benfica sem pestanejar. Eusébio ouviu-me, deu-me o autógrafo, esperou pela minha mãe e disse-me para não voltar a atravessar assim a estrada.

A partir daqui cruzei-me com o Rei muitas vezes, felizmente, e sempre com sorrisos à mistura.

 

Foi à conta dele que fiz coisas sem grande sentido para as pessoas que conviveram comigo ao longo dos anos. Tais como ver os jogos inteiros de Portugal em 1966. É estúpido, um gajo já sabe quanto fica o jogo e quem marca os golos. Pois é mas aquilo é magia pura. Mais tarde consegui ver jogos inteiros do Benfica nas caminhadas triunfantes na Taça dos Campeões Europeus. Impressionante!

 

Entretanto, ia crescendo a ver o Benfica. As inesquecíveis noites europeias dos anos 80 na Luz vi com o meu pai, sportinguista, que torcia pelo Benfica na Europa muito por culpa de Eusébio e companhia e nos jogos de domingo à tarde passei a ir com a rapaziada lá da rua.

Habituei-me a ver Eusébio nas equipas técnicas do Benfica, a trabalhar na formação do clube e , mais tarde, como embaixador ou algo assim parecido.

 

Ainda ele fazia parte da equipa técnica como treinador de guarda redes fez-se um passatempo no campo de treinos nº2. Foram às escolas ali da zona convidar os alunos a aderirem a um desafio que era ir defender um penalti do Eusébio para ganhar bilhetes para um jogo europeu. Obviamente fui. Era malta a perder de vista e o bom do Eusébio ali a chutar a tarde toda. Até chegar a minha vez ninguém tinha defendido nada. Recordo-me de estar na baliza, sendo que nessa altura eu tinha a mania que era o Bento nos jogos de rua, e em vez de olhar para a bola fixei o olhar na figura do King. Ele chutou e eu nem vi onde é que a bola entrou, ao ouvir aquele barulho romântico da bola a enrolar-se nas redes saí disparado da baliza para o abraçar perante os protestos dos organizadores. E então , ganhei o bilhete? Claro que não, ganhei um abraço ao Eusébio!

Lembro-me de contar isto em casa todo orgulhoso perante o sorriso de aprovação da minha mãe. Depois a magia acabou quando o meu pai, sempre bem mais realista, fez uma observação pertinente: "Olha lá, mas tu não tinhas aulas à tarde?". Uma criança sofre muito, todos sabemos...

 

Aos poucos percebi que o Eusébio era uma lenda viva demasiado grande para um clube que inevitavelmente ia perder grandiosidade. Habituei-me a um grau de exigência nas bancadas da Luz que roçava o lunático! O Benfica a construir goleadas de 7, 8, 9-0 ao Penafiel, ao Varzim, ao Vitória de Guimarães e eu nunca pude festejar dignamente essas "tareias" porque à minha volta todos eram mais velhos e encolhiam os ombros. "Isto com o Eusébio eram 14 ou 15."

Eu cresci com os ressacados do maior Benfica da história.

 

 

Em 1982/83 vi o melhor Benfica da minha vida. Fui a todos os jogos na Luz, portugueses e europeus, e nunca senti aquelas bancadas verdadeiramente rendidas aquela equipa. Criticavam o Nené, imagine-se! Para mim era maravilhoso ver aquele Benfica jogar mas depois da final perdida com o Anderlecht percebi que, realmente, faltava ali qualquer coisa para ser um Benfica à altura do Benfica de... Eusébio.

 

Depois vieram as lições nobres. Quando eu mostrava orgulho na pêra que o Bento deu ao Manuel Fernandes o avô Alberto explicava que isso já não era o Benfica dele. Ele viu o Eusébio a marcar um golo ao Yashin e em vez de ir festejar foi cumprimentá-lo, ele viu o Eusébio rematar dramaticamente para o golo na final que dava a 3ª Taça dos Campeões ao Benfica em pleno Wembley contra o Manchester United e ao ver que o inglês defendeu valentemente foi dar-lhe os parabéns pela defesa e aplaudiu!

 

Por isso é que 48 anos depois vemos o Old Trafford a aplaudir de pé comoventemente o minuto de silêncio do King.

E é aqui que quero chegar. A grandiosidade, a nobreza, o nome de Glorioso, foi tudo erguido a partir das conquistas internas e externas das equipas onde brilhou Eusébio. Obviamente não vamos esquecer todos os outros grandes nomes que jogaram com ele, que jogaram antes dele e alguns que apareceram já depois da sua retirada. A verdade é que Eusébio pelos seus golos, pela sua educação, pela sua humildade, pela sua figura, encarnou o Benfica e engrandeceu-o à escala planetária.

 

Já me aconteceu em Espanha, na Holanda, em França e , principalmente, em Inglaterra ver e ouvir reacções incríveis só pelo facto das pessoas verem o emblema do Benfica num casaco, numa camisola, num cachecol! Sem eu abrir a boca fui cumprimentado ao som de : "Benfica! EUSÉBIO!" É assim em todo o mundo.

 

Esta foi a herança mais valiosa e pesada que Eusébio deixou ao Benfica, o respeito! O outro nome do Sport Lisboa e Benfica no mundo é Eusébio. O respeito e admiração que as pessoas têm pelo nosso emblema deve-se muito a Eusébio.

 

Infelizmente, Eusébio morreu hoje. O Eusébio dos autógrafos, dos sorrisos na rua, dos acenos, o homem desapareceu. A lenda continua, já era maior que ele há 40 anos quando eu nasci, vai ficar ainda maior.

Benfica 1 - 1 Sporting: Banho de Realidade

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 No espaço de um mês, o Benfica defrontou em campo as duas realidades virtuais que passaram a mandar no futebol português. No Dragão, por exemplo, ficámos a saber que verdade desportiva é o Filipe arrancar pela raiz o melhor marcador do campeonato e não ser expulso. Aliás, nem merecedor de cartão amarelo. Entre outras coisas, no mesmo jogo também ficámos a saber que por 3 mil euros é perfeitamente possível um adepto sair da bancada, entrar no terreno de jogo e agredir um dos intervenientes, neste caso o Pizzi, e ser retirado para nunca mais se falar do insólito momento.

 

Ou seja, o Porto que carrega forte desde Maio na conspurcação do futebol português depois de ter apelidado de Liga Salazar o nosso campeonato e ter entrado num ciclo descontrolado de devassa de vidas alheias, dentro de campo não mostrou ser superior ao tal Benfica que só ganhou 4 ligas seguidas por aldrabice. Não bateu certo a realidade nua e crua com a virtual.

 

Agora foi a vez do Sporting. O clube que deixou de ter um leão como símbolo e um lema de vida distinto, algo como serem diferentes com uma postura mais clássica que os marcou durante décadas, passou a ser o clube do Bruno que é o "Ai Jesus" de toda a imprensa, seja geral ou desportiva. O homem que em 2018 acha divertido ir com os cabecilhas criminosos das suas claques num cortejo folclórico. Repito, em 2018! O Vale e Azevedo fez isso no final do século passado em Alvalade e conseguiu ter mais classe. O Presidente Vilarinho prometeu quando chegou ao Benfica ver dois jogos na Luz no meio dos topos. Cumpriu, viu um jogo nos Diabos Vermelhos e outro nos No Name Boys. Foi no começo deste século. Portanto, em 2018 isto nem é original é só mais circo.

Mas resulta. Claro que resulta. Estamos nós à espera de notícias relevantes como os "11" que os treinadores vão lançar, quem vai para o banco, quem irá para a bancada, haverá surpresas de última hora? E o que nos dizem as notificações das aplicações de sites e jornais de uma maneira global? Que o Bruno já está em Alvalade, vejam o vídeo de Bruno a saltar enquanto sorri a dizer que não é lampião ou deliciado ao som de FDP SLB, que Bruno já vai a andar com o cortejo. Sim, pasme-se! O Bruno sabe andar e portanto é notícia. Que o Bruno já está na Luz, e que o Bruno tira fotos na bancada e por aí fora. É a isto que o futebol se resume em dia de derbi.

O Bruno e o Saraiva e tropa online toda reunida no dia da ida à Luz. Eles que informaram o mundo que o Benfica só ganha campeonatos por causa de vouchers para jantar. Eles que orquestraram uma campanha vergonhosa contra o nosso treinador, contra a equipa técnica, contra o presidente, contra tudo o que mexe. Eles que todos os dias falam em descer de divisão, eles que assumem de vez o sonho de terem um mundo sem o maior pesadelo deles, o Benfica. Eles que, finalmente, mostram ao mundo que nasceram para serem o Benfica mas em mau.

E isto tudo porquê? Porque se acham melhores. Por exemplo, na última semana o treinador bi campeão nacional, homem que concretizou o Tetra contra tudo e contra todos, deu uma entrevista ao Record. A entrevista serviu para uma edição. Rui Vitória não ofendeu ninguém, não pediu descidas de divisão para ninguém, não se meteu com ninguém.

Depois, o mesmo jornal apresenta uma entrevista com o Bruno. Não foi coisa para uma capa e uma edição. Nada disso, é material para duas capas, duas edições, sendo uma delas em pleno dia de derbi. Por aqui se vê a opção editorial da nossa imprensa, a tal que depois pede fair play e que todos se divirtam. Do Benfica fala o treinador sobre futebol, do Sporting fala o Bruno sobre... enfim, sobre tudo.

 

Ou seja, o Sporting joga um futebol fabuloso, avassalador e de uma qualidade superior. Mas não é este ano. Jogam assim desde 1906 só que os malandros dos benfiquistas boicotam a arte única do futebol verde e acabam por ganhar o dobro dos campeonatos. Uma questão que Bruno já resolveu, decretou que ao fim destas décadas todas fomos todos uns anormais e, portanto, o Sporting tem 22 campeonatos. Lá chegaremos à equivalência da Taça das Taças para Liga dos Campeões, vão ver.

 

Aparecem aqueles 90 minutos de jogo, um pormenor que hoje em dia só atrapalha as notícias à volta dos Brunos e dos J. Marques desta vida. Uma chatice chamada jogo de futebol. O tal momento em que nos vamos impressionar com o futebol de outro mundo do Sporting, o tal que só não ganha campeonatos porque o Benfica corrompe tudo à volta.

Até começam bem, sem se perceber como ficam em vantagem no derbi com um golo de Gelson. E a partir desse momento? Bom, poucas vezes na vida vi o Benfica a ser tão superior num derbi! Festival de golos falhados, a super equipa do Sporting completamente vulgarizada em campo e ligada à máquina pelo tal golo. Só deu Benfica.

Voltamos à chatice da realidade virtual dentro de campo não valer nada. Era com este futebol que iam dominar o mundo? Não me parece.

 

 

 Então para quê tanto e tanto barulho, tanta violência verbal contra árbitros e demais agentes desportivos? Resposta fácil. É seguir os factos. Empurrão de Coentrão a Jardel, mão de Coentrão na área, mão de Piccini na área, mão de William na área, Acuña fora de jogo no momento do tal golo do Sporting. O que dizem os donos da verdade absoluta e universal do futebol? Nada. O VAR resolve. O tal VAR.

Mas será que algum destes lances pode ter tido influência no jogo? Será que, ao menos, pode ter havido polémica em tanta decisão sempre a beneficiar o mesmo lado? Claro que não! Tudo perfeito.

Meu caros, a realidade virtual deles é esta. É nisto que sonham viver. É isto que os faz viver. Um mundo em que o Benfica seja uma personagem secundária dos passeios deles sem vergonha e sem futebol que se veja porque só pensam em ganhar um campeonato. Um que seja. São capazes de vender as mães para celebrarem um campeonato, por isso acham que o derbi foi um tratado de verdade desportiva. Por isso, cantavam euforicamente perto dos 90 minutos, como se não fossem o Sporting e como se não lhes fosse acontecer alguma coisa inesperada porque são o... Sporting. Claro que aconteceu. O Jonas já marcou ao Sporting. O melhor marcador do campeonato não se deixou embriagar de felicidade por ter assistido pasmado a uma decisão que já todos achávamos impossível, marcar uma falta por mão na bola dentro da área do Sporting a favor do Benfica. O milagre aconteceu, Jonas respondeu com a habitual eficácia.

 

Portanto, na realidade virtual verde e azul, o Benfica continua a mandar nisto tudo com os árbitros, o VAR, os delegados e tudo o mais na mão. Nessas realidades, o Sporting e o Porto jogam um futebol fabuloso muito superior a tudo o resto.

Só que depois vem aquela coisa chata do banho de realidade, do confronto dentro de campo com a bola a rolar. No Dragão, o Porto não foi superior, na Luz o Sporting foi vulgarizado e acabou salvo pelo VAR.

 

Eu vivo bem com as realidades virtuais desde que não me chateiem com palermices. Vivo mal é com o sentimento de impotência em plena Luz com o Benfica a jogar o suficiente para sair com um vitória tranquila de um derbi inquinado. Afinal, vale mesmo a pena viverem em clima de terrorismo permanente sem limites e sem escrúpulos. Pelo menos, os terroristas continuam bem posicionados para sonharem com um título. O problema deles é que o Benfica, mesmo assim, continua vivo e na luta.

Nos últimos 14 derbis na Luz o Sporting ganhou um. Nos últimos seis derbis, o Sporting ganhou um (nos 90 minutos, na Taça de Portugal depois venceu no prolongamento). Nos últimos sete jogos do Benfica contra Porto e Sporting, o Benfica não perdeu nenhum. Esta é a realidade factual.

 

Espero que tenham percebido a coreografia no Topo Sul da Luz. É assim que se responde ao ódio e à inveja. Este é o Registo.

E agora que já vimos a qualidade estrondosa do futebol dos nossos adversários, voltemos a meter o foco nos nossos jogos, juntemo-nos para lutar pelo Penta que é uma realidade bem possível.

 

Eles que voltem à realidade virtual verde e azul com a bênção da toda a imprensa desportiva e geral deste país. Já há noticias da ressaca do Bruno?