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Red Pass

Rumo ao 38

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Rumo ao 38

Sporting 0 - 1 Benfica: Bailando no 1º Lugar

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(Fotos: João Trindade) 

 

A génese verde é muito isto: começar o derby com João Pereira e Bruno César a titulares, com Jesus no banco e levarem um golo de um grego que, segundo eles, não fazia falta e veio para o Benfica.

Só a frase de cima bastava para explicar esta vitória. Mas há mais. Muito mais.

 

Os lags andam em festa desde o verão. Eufóricos e a saírem de todos os buracos onde se esconderam na última década. Embalados com uma inusitada série de vitórias em derbys que, vendo bem, lhes deu um troféu e nada mais. Como se não bastasse  a bazófia verde, o seu líder elevou para níveis nunca antes vistos no futebol nacional todo um ódio, toda uma raiva, todo um complexo de inferioridade repetido todos os dias em dezenas de entrevistas nas televisões, nos jornais, nas rádios e, especialmente, no facebook onde é verdadeiramente um campeão. A imprensa adora-o e faz eco de um ruído muito para lá do razoável há meses e meses.

O pré jogo foi digno de ser gravado para sempre. Uma recepção ao autocarro convocada via internet, como sempre, frases de incitamento ao campeão na relva e nos balneários, coreografias e tarjas épicas para mais tarde recordar e depois ir a jogo e perder. São assim.

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Mas do nosso lado também foi mais uma jornada bíblica. Se alguém informasse há seis meses que hoje o Benfica vinha disputar o derby com Ederson na baliza, Lindelof ao lado de Jardel, André Almeida na direita e Renato Sanches no meio, iria ser gozado. Mas foi isto que aconteceu.

Aliás, antes da partida para Alvalade uma rápida visita às redes sociais assustava o benfiquista mais optimista. A lesão do Júlio César era o fim do mundo, Lindelof não tinha pedalada para Slimani, era tudo um pesadelo.

Eu sempre digo sobre estes jogos em Alvalade coisas sobre factos que testemunhei. O meu primeiro derby lá foi a tal goleada que eles adoram lembrar e vivo bem com isso porque festejei uma dobradinha nessa época. Já vi o Sabry calar um estádio esgotado que tinha prometido festejar e fazer de nós cabeçudos, já vi o Benfica a golear com o Neno na baliza. Eu já vi o Benfica ganhar muitos mais derbys que eles. Aliás, neste novo Alvalade, o Benfica tem mais derbys ganhos para o campeonato do que o Sporting, pensem nisso.

Quando menos esperam, o Benfica ganha e eles batem o recorde de esvaziamento do seu estádio. E lá voltam eles para sua vida de comunicados, discussões de árbitros e estudar o que vão copiar a seguir.

 

O Slimani está para ser castigado há semanas mas jogou. Não o castiguem tão cedo que o homem tem estado imparável. Andaram a poupar o Adrien para sair discreto do jogo e ser expulso no banco, já que dentro de campo ninguém o expulsava. Tinham tudo para fazer o que tanto sonham mas não conseguiram.

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À semelhança do que vimos acontecer com Oblak, o Benfica tem na calha mais um excelente jovem guarda redes que só estava à espera de uma oportunidade destas para mostrar porque é que é um jogador da selecção olímpica brasileira.

Ederson não vacilou. Aliás, os mais novos é que deram o mote para mais uma grande vitória. Pizzi e Gaitán passaram ao lado do jogo. Valeu a entrega de todos.

Mantendo o mesmo esquema de jogo, o Benfica entrou bem e chegou ao golo. Muito parecido com o que aconteceu no jogo da Taça. Mas com a vantagem conquistada não houve a tentação de defender demasiado atrás. Raras vezes o Sporting criou real perigo na primeira parte. A prova é que só esteve perto de marcar num tiro fora da área com a bola devolvida pela trave.

A grande diferença neste derby esteve na gestão de jogo e nas substituições de Rui Vitória na 2ª parte. Desta vez, foi Jesus que desesperou e arriscou descoordenadamente dando hipótese ao treinador do Benfica responder de maneira eficaz segurando bem a vitória.

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Entrou Jimenez para ser o primeiro defesa a pressionar a saída de bola do adversário e ainda procurar contra atacar com frescura, lançou Fejsa para se juntar ao eficiente Samaris e tornar o bloco do meio ainda mais forte e Salvio também foi a jogo na procura de espreitar saídas para o ataque com critério.

Como Ruiz resolveu deitar para fora a grande oportunidade que tiveram, é justo dizer que foi relativamente tranquilo segurar a preciosa vantagem para sair com os 3 pontos e o 1º lugar recuperado.

Nem foi preciso um golo caído do céu como no ano passado, o Benfica esta noite ganhou e ganhou muito bem a um adversário que achou que já não era preciso fazer mais nada para se mostrar superior. Nós somos o Sport Lisboa e Benfica, estamos sempre prontos para vencer.

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 Esta é uma vitória muito saborosa, talvez a mais saborosa de todas pelos motivos que já mencionei. Merece ser festejada. Mas só foi possível com muito trabalho, com silêncio absoluto às provocações infantis vindas do outro lado todos os dias, com humildade e muito querer. O apoio que se viu no sector visitante não engana. Ali ninguém estava preocupado com as ausências na equipa, estávamos todos ali para apoiar os que entrassem em campo com o manto sagrado. Hoje, como ontem, como sempre!

A vitória do clube grande contra o clube do Campo Grande.

 

Agora, muita calma. Ganhámos a uma equipa que abdicou de tudo só para estar à nossa frente do campeonato. Queriam os milhões da Champions, foram parar ao Skënderbeu da Liga Europa de onde cedo saíram pela porta de Leverkusen. Iam, finalmente, ganhar a Taça da Liga mas foram corridos por um clube da 2ª divisão. Na Taça de Portugal já faziam piadas com o Jamor, foram de vela em Braga. Na única prova em que tudo apostam acabam de cair na classificação, não fazem um golo há dois jogos.

A partir de hoje deixaram de ser um problema nosso. Suponho que irão continuar obcecados com o nosso clube mas já não nos interessam para nada. Agora, só nos interessam os 9 adversários que temos de vencer para ganhar o Tri. Concentração máxima para o duelo europeu onde estamos em vantagem e não esquecer a Taça da Liga. Isto sim, é de clube grande e não se decreta por facebook.

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 A vitória no derby veio na altura mais importante. Também sabemos a coreografia do "Bailando". Podem odiar à vontade mas o Benfica é um clube maravilhosamente estabelecido.

Foram só 3 pontos. Mas podem ter sido "os" 3 pontos. Sigamos o caminho tranquilos e sempre concentrados nos nossos objectivos. Imunes ao ruído invejoso.

 

Bento, 9 Anos de Saudade

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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

O NÚMERO 1 - BENTO

Quando digo que é um choque receber a notícia da morte de Bento estou a falar de um sentimento forte, e que mistura um sentimento de culpa, e uma tristeza enorme. Não é o drama de perder um familiar, é a impotência de vermos um ídolo partir. O sentimento de culpa é porque penso que morreu um homem que tanto influenciou a minha vida, e eu acabei por nunca lhe dizer isso pessoalmente, nem nunca lhe prestei o devido tributo. Nem eu, nem o nosso clube. Bento merecia uma enorme homenagem por parte de todos nós. E essa homenagem haveria de acontecer mais ano menos ano, porque ele estava vivo, trabalhava no clube, e numa altura especial haveriamos todos de fazer uma grande festa ao Bento com livros editados, dvd’s publicados, e ofertas que o iriam sensibilizar. O destino antecipou-se e levou-o antes de tudo isso.

Não quero dizer com isto que Bento tenha sido mal tratado pelo clube, nada disso! Antes pelo contrário, Bento ficou no plantel do Benfica até aos 42 anos de idade, o clube manteve-o mesmo depois da lesão do México. E até anteontem o podíamos ver a treinar os mais novos na Luz. Só que este homem merecia algo à altura da grandeza dele.

Bento foi o Eusébio da baliza encarnada. Eu estimo muito o Pantera Negra, mas nunca o vi jogar, enquanto que, para mim, o Bento confunde-se com o próprio Benfica.
Eu nasci em 1973, Bento chegou à Luz, vindo do Barreirense, em 1972. A estreia foi em Faro a 22 de Abril de 1973, dois dias antes do meu nascimento. Ou seja, eu nasci já o Bento era o nosso guarda redes!
Mas nessa altura a baliza encarnada era de José Henriques, e Bento teve que esperar pela época de 1976/77 para ganhar a titularidade definitiva.
Eu comecei a viver o Benfica quase no berço, o padrinho da minha irmã ia sempre à Luz, eu ainda hoje vivo bem perto da Catedral e por isso comecei a acompanhá-lo. Depois, havia o meu querido avô que vibrava como ninguém com o Benfica, e que desde sempre simpatizava com a irreverência do Manel. Bem influenciado foi com naturalidade que comecei a olhar para tv quando o Benfica jogava, e tinha eu 4 anos quando uma imagem me marca para sempre. Estávamos em Setembro de 1977 e o Benfica jogava a 2ª mão de uma eliminatória da Taça dos Campeões em Moscovo. Depois de dois empates a zero, com Bento a defender tudo o que o Torpedo chutava, o jogo foi até aos penaltis. Bento defendeu o primeiro, o segundo foi para fora, o terceiro entrou, entretanto o Benfica tinha marcado todos. Quem é que quis ir lá marcar o 4º, e decisivo, penalti? Manuel Bento, claro! Chegou lá e não falhou.
Aos olhos de uma criança de 4 anos é uma loucura, um guarda redes que defende tudo, e ainda marca golos?! Estava encontrado um ídolo admirado por muitos e muitos anos.

Depois foi crescer, aprender o que é o Benfica, estar cada vez mais perto do clube, ver centenas de jogos na Luz e ter sempre uma âncora: Bento.
Para mim não havia dúvidas, o Benfica começava no número 1, o resto vinha por acréscimo. Daí até querer seguir os passos do capitão foi um tirinho. Na altura as nossas brincadeiras resumiam-se a jogar à bola de manhã à noite na rua. Eu não hesitava, a baliza era minha. Isto é, o espaço entre dois calhaus no chão era meu. Como não podia deixar crescer o bigode, e não tinha caracóis tinha que adoptar outra característica para mostrar a minha marca Bento. Então lá andava eu a defender sempre com os braços em arco bem afastados do corpo e ligeiramente inclinado para a frente, imitando na perfeição aquele jeito castiço que Bento tinha quando caminhava. E, claro, as grandes birras com a minha mãe para ela me comprar a camisola Adidas azulada que o Galrinho usava. Consegui convencê-la.

Discussões com os amigos naquela altura eram inúteis, eu tinha o Bento não havia maneira de não os calar sempre. Uns atiravam com o grande Manel Fernandes, ou Jordão, outros idolatravam o grande Gomes, mas eu nem precisava de avançar no terreno e evocar Nené, ou Filipovic, ou Maniche... Não era preciso, para os grandes avançados dos rivais uma palavra: Bento. E pronto, acabava a discussão sobre melhores e piores.
Que melhor incentivo, e lição de garra, pode ter um miúdo de 9 anos ao ver como Bento reagiu a um toque de Manel Fernandes em Alvalade com o resultado em 1-1? Estava ali tudo o que um puto precisa de saber. Se estou deitado com a bola na mão, e o adversário me pisa, mesmo que por acidente, um gajo tem é que se levantar e ir atrás dele e aviá-lo logo ali! Mais nada. Ok, foi para a rua e perdemos 3-1, mas a lição estava dada. Pelo menos comigo funcionou, nunca mais deixei de mostrar os meus argumentos físicos em qualquer confronto.

Ter o Bento na baliza era um descanso de valor incalculável. Os jogos sucediam-se e raramente o via a ir buscar uma bola ao fundo das redes. Na Luz passava muito tempo a olhar para ele quando o jogo estava no outro lado do campo. Bento não parava quieto, corria o tempo todo de um lado para o outro na sua grande área. Estava a aquecer, aprendi eu com os jornalistas da altura. Isto para quando fosse preciso estar preparado para defender. E resultava. Nunca mais vi um guarda redes a aquecer daquela maneira durante os jogos. A maneira como batia com as chuteiras contra os postes da baliza para tirar a terra era única. Eu queria usar chuteiras só para poder imitar aquele movimento.
Depois havia uma imagem de marca espectacular. A maneira como Bento lançava ataques colocando a bola onde queria, no companheiro que queria só com a força do braço e perícia da mão. Os lançamentos à mão do Bento eram impressionantes. Nunca mais voltei a ver tal coisa. Da mesma maneira que um pontapé de baliza dele quase sempre resultava em ataque nosso.
Depois havia os recitais entre os postes, e fora deles. Saltava mais alto que todos, atirava-se para os lances mais confusos com uma convicção incrível. E nos penaltis tínhamos sempre grande esperança que ele fosse lá buscá-la.
Há um penalti na Luz a favor do FC Porto que podia dar a vitória aos azuis. Gomes vai marcar. É preciso dizer que Gomes foi o melhor ponta de lança português que eu vi jogar, por isso quando o via a correr para bola o meu coração quase que parava. Bento defendeu, e como se não fosse nada com ele preocupou-se logo em lançar a bola para o contra ataque.

Bento tinha tanta classe que até nos golos sofridos era uma figura! A imagem era sempre a mesma, um golo sofrido por Bento significava que nos segundos a seguir iamos ter direito a grande correria do nº1 em direcção ao fiscal de linha, ou do árbitro, ou do primeiro companheiro de equipa que apanhasse à frente. A culpa nunca era dele. Nunca! E não era mesmo.
Porque quando a culpa era do Bento então aí era coisa em grande, à séria. Das raras vezes que resolvia enterrar eram momentos épicos de tão raros. Pela Selecção levou 5 da União Soviética em Moscovo. Foi da alimentação. Em Anfield Road levou 3 do Liverpool. Foi da iluminação. Na Luz levou 4 do Liverpool. Bem aí foi do... Rush!
Só que no jogo a seguir, não só recebia monumentais ovações do 3º anel, como rubricava fabulosas exibições. Essas são as mais fáceis de serem lembradas; Estugarda, França’84, o jogo que fez no México 86, na Escócia pela Selecção, em Roma, muitas nas Antas, muitas em Alvalade, e quase todas na Luz.

A minha primeira duvida existencial aconteceu aos 11 anos. Convenhamos que aos 11 anos nenhuma criança tem dúvidas existenciais. Pois bem, eu tive e confrontei a minha mãe com ela. Perguntei-lhe uma noite antes de adormecer, e depois de mais uma tarde gloriosa passada na Luz, o que ia acontecer ao Benfica quando o Bento deixasse de jogar?! Ninguém me soube responder. Fiquei sempre com essa angústia no meu subconsciente. O meu problema não eram os anos seguintes, sim porque eu sabia que o Bento ia durar até eu ser adolescente, ele não se lesionava, muito raramente ele perdia um jogo. Para mim era tão natural ter o Bento em campo como estarem lá as balizas, ou os postes com as bandeiras dos clubes a jogar atrás da baliza. Mas quando ele saísse?!
Assim foi uma forma de me preparar para esse dia, nunca me tinha passado pela cabeça como seria depois de ele morrer. Isso nunca me passou pela cabeça.

A verdade é que em 1986 ele tem a lesão, até aí foi coisa em grande. Uma lesão a sério, à Bento! Pé partido. Pronto, estava levantado o drama.
O Benfica tal como eu o conheci, e como me foi apresentado tinha acabado, porque esse era o “Benfica do Bento”. A partir daí foi assistir ao esvaziamento da tal mística benfiquista, e ver a baliza encarnada desprotegida. Ver o Silvino a titular não fazia sentido. O Silvino jogava no Setúbal, e no Aves!! Como era possível ir para o lugar do Bento?! O Neno era bom moço, mas também não convencia. Esses dois juntos não faziam um Bento. E depois? Ver o Bossio naquele lugar dava vómitos. O único que dignificou o nosso nº1 foi o belga Preud’Homme. Mas não foi melhor que o Bento, nem pensem nisso! O Bento foi o melhor, e o único à sua altura foi o Damas.

Sorte tem o meu avô que agora tem do lado dele os dois melhores guarda redes que eu vi jogar, só que os derbies que vão fazer do outro lado vão todos acabar zero a zero. Com o Bento a protestar muito.
Muito obrigado por tudo Bento, até sempre.

Benfica 2 - 0 União da Madeira: Jonas Tinha Passe Para o Autocarro Patrocinado Por CR7

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(Fotos: João Trindade)

 

 O União regressou à divisão maior esta época após longos anos de ausência. A sua subida não me causou emoções nenhumas, nem boas, nem más. Agora, depois de realizados os dois jogos de campeonato já posso partilhar a sensação de desejo de não os ter de encontrar na próxima época. Uma equipa treinada por Norton de Matos, que tem a nossa simpatia pela sua passagem recente pelo Benfica B, não parecia ser causadora de grandes antipatias. Até que entrou em cena o homem forte da SAD a mostrar todo o seu portismo e sempre pronto para afrontar o Benfica.

Na primeira volta fomos para a Madeira após a brilhante vitória europeia de Madrid e voltámos sem jogar devido ao mau tempo na Choupana. O circo montado pelo dirigente do União apresentava o clube. Voltámos mais tarde para o jogo que ficou em atraso e correu mal, perdemos dois pontos.

 

Agora, tudo parecia mais calmo. O União vinha à Luz num domingo especial, dia de aniversário do Benfica, preparava-se um grande ambiente no Estádio da Luz e a motivação estava mais alta que nunca. Estranhamente, os madeirenses não conseguiram vir para Lisboa a tempo e horas. Jogo adiado para uma 2ª feira à noite. Dos quase 60 mil lugares ocupados passamos para 44 mil presentes e a oportunidade de ver a equipa jogar em dia de anos esfumou-se. O União da Madeira para a história como o único clube que conseguiu não jogar com o Benfica nas datas estipuladas duas vezes na mesma época!

 

O contexto deste jogo era muito particular, temos um derby escaldante no horizonte e a palavra de ordem na preparação deste jogo era gestão. Além das lesões era preciso gerir o facto de Jardel não poder levar cartões, assim como Renato Sanches.

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Rui Vitória apostou em Grimaldo no lugar do castigado Eliseu e manteve os centrais. Do lado direito reapareceu Nelson Semedo. A grande mudança aconteceu no meio campo onde Talisca foi a escolha para jogar com Samaris. Depois, Pizzi, Gaitán, Mitroglou e Jonas tinham a obrigação de resolver o jogo. O fantasma do nulo da primeira volta também espreitava e a promessa de encontrarmos um adversário bem fechado na defesa era preocupante.

 

O União apresentou-se ainda mais fechado do que o esperado. Abdicou da bola e preocupou-se em formar dois muros defensivos. À frente de Gudiño, o guarda redes que o Porto emprestou, estancavam Paulo Monteiro e Diego Galo com Paulinho a fechar à direita e Joãozinho na esquerda. Logo na frente dos centrais havia Soares e Tiago Ferreira com a ajuda mais lateral de Danilo Dias e Amilton, sobrava Toni Silva na frente e Shehu no meio campo. Mais defensivo que isto era difícil.

 

Felizmente o Benfica entra bem e logo aos 5' Jonas faz o que ninguém fez na primeira volta, 1-0 para o Benfica e um enorme suspiro de alivio. Percebia-se que era daquelas noites que o mais importante seria fazer o primeiro golo. Esperava-se que o União retirasse os dois autocarros, duas linhas de quatro a defender, para fazer pela vida mas não aconteceu. A equipa madeirense tentou timidamente uns contra ataques e até chegou a assustar Júlio César que até teve de fazer de terceiro central numa dobra fora da sua área resolvida a pontapé.

 

Só dava Benfica mas o segundo golo não aparecia e mantinha o resultado num nível perigoso.

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Bons pormenores de Grimaldo e muita timidez de Nelson Semedo, enquanto Talisca limitava-se a cumprir os mínimos, tal como Samaris.

A questão de Renato não ter visto um cartão amarelo em Paços de Ferreira esclareceu-se ao longo deste jogo. Enquanto o resultado esteve em aberto não era de todo descabido que Vitória tivesse de lançar o miúdo para ter a certeza que ganharia o jogo, como aconteceu em Marvila. A questão ficou resolvido a um quarto de hora do fim com o segundo golo de Jonas a descansar tudo e todos. A tarefa estava cumprida e já se podia espreitar o final do jogo em Guimarães que nos aproximou mais do primeiro lugar.

 

Foi um clássico 2-0 com um golo em cada parte apontado pelo melhor avançado da equipa. Devia ter sido assim na primeira volta mas agora é olhar para a frente e pensar em ir vencer o derby.

Destaque para o ambiente no estádio onde se acredita muito no Tri. Os momentos em que o cântico de Benfica dá-me o 35 estende-se a todas as bancadas tornam tudo muito mais claro. Todos queremos continuar a festejar campeonatos.

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Missão cumprida contra um clube que pode voltar para os escalões secundários com as suas camisolas patrocinadas por essa figura tão usada pelos sportinguistas, com os seus autocarros defensivos e com o seu dirigente super dragão. Não deixam saudades nenhumas.

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