Esta foto da Isabel Cutileiro faz-me levantar uma questão a que , sinceramente, não sei responder. Apesar do troféu de campeão ter sofrido alterações, esta taça, que se vê na foto, também continua a ser oferecido ao campeão nacional ?
A crónica na última página de ontem no diário Record de Pedro Adão e Silva, que já tem colaborado com o Red Pass, diz tudo sobre a importância de Jorge Jesus no futebol do Benfica. Vale a pena reproduzi-la aqui:
"Com ele passei a ter uma visão geral do futebol. Com os outros, treinávamos o ataque, a defesa, mas não havia essa ideia de conjunto. Todos os jogadores deviam ter a oportunidade de treinar com um treinador assim." Cito de cor, mas julgo estar a ser fiel às palavras de Jonas a propósito de Jorge Jesus, aos microfones da TSF, no final do Benfica-Marítimo. Jonas, esse mesmo, que, quando parecia ter chegado ao ocaso da sua carreira, redescobriu o prazer pelo futebol e ajudou a decidir o título.
Notem bem, foi Jonas que o disse, mas poderia ter sido qualquer outro jogador - e nem precisava de ter nome de profeta. Há, aliás, uma estranha unanimidade: tenham jogado muito, pouco ou até quase nada, pouco importa, todos os jogadores que passaram pelas mãos de Jesus elogiam a sua visão singular sobre o futebol.
Podia, é um facto, não passar de um treinador com capacidade de inovação, mas Jesus traduz a sua ideia de jogo em resultados e, não menos importante, em espetacularidade. Tem, é claro, defeitos (à cabeça a teimosia e a dificuldade em montar uma equipa também capaz de controlar o jogo com bola), contudo, no Benfica dos últimos tempos, há um antes e depois de Jesus.
A equipa hoje tem uma ideia de jogo, uma organização coletiva com poucos paralelos e uma identidade de tal forma robusta que vão mudando os jogadores e, com auxílio de dois pares de líderes no balneário, a diferença quase não se sente, mesmo quando joga o "Manel". Nos últimos seis anos, o Benfica só se encontrou em duas situações: vencer títulos ou disputá-los até ao fim.
Com Jesus como treinador, o Benfica arrisca-se a continuar a ganhar. Sabemos nós, benfiquistas, e sabem-no também adeptos e dirigentes dos nossos rivais. Para que Porto e Sporting vençam o Benfica, já não basta terem jogadores talentosos, precisam, também, de apresentar uma enorme solidez coletiva. O suplemento que Jesus oferece ao Benfica.
O jogo da final da Taça do Rei entre Atlético de Bilbao e Barcelona será transmitido na Benfica TV. Assim como a Supertaça que abrirá a nova época em Espanha, a ser disputada pelos mesmos clubes, já que o Barcelona garantiu o título de campeão nacional.
Este foi o primeiro onze que Jorge Jesus escolheu para um jogo do Benfica. Foi o jogo inaugural da pré época 2009/10. Ninguém imaginava que, quase, seis anos depois o treinador continuava no Benfica. Na semana de consagração de mais um título de campeão nacional, enquanto prepara a equipa para mais uma final da Taça da Liga, deixo aqui um forte desejo: que não seja a última semana de preparação para um jogo do Benfica com Jesus a treinador.
Aqui fica o resumo do primeiro jogo do Benfica de Jorge Jesus:
A Benfica SAD chegou a acordo para a transferência, a título definitivo, de João Cancelo para o Valência Club de Fútbol, equipa que já representava por empréstimo.
Por sorteio da Liga, o Benfica será a equipa que joga em casa na final da Taça da Liga em Coimbra. Isto significa que o Benfica joga com o seu equipamento principal e o Marítimo terá de usar as cores alternativas.
São seis os jogadores do SL Benfica – Júlio César, Luisão, Jardel, Pizzi, Gaitán e Jonas – que integram o “onze” ideal da Liga NOS escolhido pela redação portuguesa da UEFA.com. Terminado o Campeonato, com a conquista do segundo título consecutivo, o SL Benfica domina, naturalmente, a lista.
“Na baliza, Júlio César assumiu a titularidade no Benfica à quarta jornada. Foram inúmeras as intervenções de grande classe efetuadas ao longo da época, muitas delas decisivas para a conquista do título”, pode ler-se no site oficial da UEFA sobre o internacional brasileiro.
O capitão Luisão, que lidera o grupo dentro e fora das quatro linhas, foi descrito pelo órgão como “igual a si mesmo, liderando a equipa a partir de trás com a tranquilidade de sempre e tendo ainda tempo para assinar quatro golos na Liga.”
O bom nível de Jardel no eixo da defensiva do Benfica foi bem destacado. “A seu lado [Luisão], Jardel conquistou em definitivo os adeptos, mostrando-se mais consistente a cada jogo que passava e marcando um dos golos mais importantes da época, aquele que, no Estádio José Alvalade, já no período de descontos, valeu ao Benfica a conquista de um precioso ponto na visita ao rival Sporting Clube de Portugal”, lê-se na página.
A redação portuguesa da UEFA.com considerou ainda Pizzi “fundamental para a conquista do Bicampeonato”. “O internacional português, habituado a jogar como extremo, não estranhou o lugar e assumiu o comando do meio-campo das "águias" ao longo de toda a segunda volta”, destacam.
O extremo argentino de 27 anos, que chegou à Luz em 2010, tem dado nas vistas pela sua “magia”: “Nicólas Gaitán alinhou em 27 partidas no ataque do Benfica na Liga portuguesa esta época e, com a magia de sempre, foi o rei das assistências da prova, fazendo 12 passes para golo.”
Esteve até ao último minuto na luta para ser o melhor marcador da I Liga. E teria sido, não fosse o golo mal anulado na última jornada com o Marítimo. Jonas, goleador nato, mereceu os elogios do UEFA.com. “Jonas, por seu lado, no seu primeiro ano de "águia" ao peito foi o matador de que o Benfica precisava, fazendo esquecer por completo Óscar Cardozo ao apontar 20 golos na prova”, sublinham.