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Red Pass

Rumo ao 38

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Rumo ao 38

Olha, Olha o Mota...

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Portanto, o Adriano lixou o plano do José Mota ir ao Dragão sem o seu guarda redes titular. Devia ser uma ideia vinda do outro lado do mundo...

Aqueles 7-0 ao Penafiel

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Quando o adversário é o Penafiel há algo que sempre me soa mal. Isto para os jogos fora, parece sempre que me lembro da passagem por lá na época do título com Trapattoni. No entanto, quando o jogo é na Luz acontece o contrário, fico sempre optimista porque a minha memória atira-me, invariavelmente, para aquela tarde de 14 de Outubro de 1989.

 

A primeira passagem de Sven-Goran Eriksson pelo Benfica marcou a minha maneira de viver o clube e de ver futebol. A qualidade de jogo, as goleadas, as noites e tardes de glória, os títulos e a melhor equipa que vi jogar com o manto sagrado. A época 1982/83 foi o auge pela carreira europeia.
A imagem de marca do futebol do sueco eram as constantes goleadas que se viam na Luz. Números incríveis que chegavam aos cinco, seis, sete e até oito a zero! Era o Benfica.

 

Rapidamente percebi que não ia ser sempre assim. Quando Eriksson saiu apostou-se em Pal Csernai e conheci um Benfica que não gostei.

O Benfica teve que fazer regressar o inglês Mortimore para voltar ao rumo das conquistas. Duas épocas e ganhámos uma Supertaça, duas Taças de Portugal e o campeonato no segundo ano, na tal última dobradinha antes de Jesus. Mas os títulos foram ganhos sem o futebol espectacular, atractivo, elegante, goleador e contagiante de outros tempos. Mesmo vencedor, Mortimore foi despedido porque não bastava ganhar, era preciso encantar.

 

Novo erro de casting com a chega do dinamarquês Ebbe Skovdahl. Também era nórdico mas não fazia a menor ideia no que se tinha metido e acabou despedido ainda na primeira volta de um campeonato cedo perdido.

Ficou Toni a remediar os danos e acabou com a equipa a disputar a final da Taça dos Campeões com o PSV. A proeza valeu-lhe a oportunidade de fazer a época seguinte no banco e conseguiu levar o Benfica a mais um título de campeão. Mas o tal glamour futebolístico que Eriksson tinha semeado era só uma memória colectiva, porque o futebol de Toni era do mais esforçado e realista possível, alma, garra e crer até ao fim de cada jogo mas sem exibições de gala.

 

Portanto, a única maneira de voltarmos a ter o tal futebol que nos encantava era convencer o sueco a regressar. Cinco anos depois aí estava Sven-Goran de volta à Luz.

Só que o sueco também já tinha mudado. Não era o miúdo romântico que veio imprimir um futebol atacante de luxo, também já não tinha a espantosa equipa do começo da década. Ainda assim no ano do regresso compensou o 2º lugar na Liga com uma final na Taça dos Campeões, para na época seguinte voltar a ser campeão.

 

Mas nesta primeira época do regresso de Eriksson voltaram as famosas goleadas em série, tudo o que os benfiquistas queriam. Pena uns empates e a derrota nas Antas que vieram comprometer a conquista do título. Mas ficam para a história tardes maravilhosas ainda hoje recordadas com saudade.

 

A primeira jornada foi uma sempre complicada ida a Guimarães que acabou num empate 1-1. Mas depois foi sempre à Benfica. Beira Mar na Luz, 5-0. Nacional nos Barreiros, 1-4 e Penafiel na Luz, 7-0.

Era aqui que eu queria chegar.

 

Estes 7-0 ao Penafiel trouxeram de volta a imagem daquele futebol romântico que tantas saudades tinha deixado. Mas vinha já com uma nova roupagem. Já não tinha nada de parecido com as goleadas de 1982-1984. Essas eram mais naturais, com melhores interpretes, com golos a um ritmo quase certo.

Estes 7-0 já são uma nova versão. O Benfica dominou e criou oportunidades e nem sempre jogava como as bancadas queriam. A equipa tinha jogadores de classe mas outros que nem por isso. Silvino na baliza, não era o carismático Bento. Veloso e Ricardo estavam num nível bem diferente de Samuel e Fonseca. Thern, Paneira, Valdo e Pacheco no meio estavam à altura das exigências mas, obviamente, Pacheco não era Chalana. Magnusson e Vata eram tão díspares como imprevisíveis.

 

Mats estava num arranque de época diabólico. Tinha marcado em todas as jornadas e por várias vezes em alguns jogos.

O Benfica - Penafiel da 5ª jornada de 1989 caminhava para o intervalo com um aborrecido 0-0. No último minuto Pacheco cai na área e Alder Dante assinala penalti. O Terceiro Anel em peso grita por Mats. Lá em baixo no relvado Valdo ignora os pedidos e vai marcar. Indiferentes à classe e qualidade do brasileiro, os adeptos assobiam o 10 do Benfica ainda antes dele correr para a bola. Era assim o Estádio da Luz. Valdo atira e falha. Intervalo, o jogo empatado e Valdo a ouvir das boas até aos balneários.

 

Entretanto a chuva que caía de forma irritante passou a cair em doses bíblicas! Uma daquelas cargas de água que ninguém esquece.

A 2ª parte começa no meio de um dilúvio. No Terceiro Anel o pessoal abriga-se nas saídas das bancadas e fica com uma visão reduzida do relvado. A partir do minuto 47 a equipa abre um festival de golos. Sete em meia parte! A partir do 3-0 de Abel aos 68 minutos, ignorou-se a chuva que não dava trégua e foi tudo ver o resto da goleada para o meio das bancadas apanhando uma molha épica.

 

A minha chegada a casa teve um misto de drama e comédia, a minha mãe não sabia se havia de refilar com a imprudência ou se havia de rir da figura miserável que apresentei à porta. Não interessava, o Benfica tinha voltado às goleadas com história.

 

Se há momento na história do Benfica em que podemos sonhar com nova goleada ao Penafiel, é agora. O futebol que a equipa de Jesus apresenta faz-nos ter essa esperança.

Claro que primeiro é preciso é conquistar a vitória. Mas se puderem carregar, força nisso. É sempre bom lembrar os tempos em que achávamos que a obrigação do Benfica era golear assim em todos os jogos.