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Rumo ao 38

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50 Sombras de Luz

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 Sábado é um dia especial para os casais. Celebra-se o Dia dos Namorados e o Sport Lisboa e Benfica associa-se a esse dia no jogo com o V. Setúbal, a contar para a 21.ª jornada da Liga portuguesa, com bilhetes a preços especiais e merchandising alusivo à data.

No domingo, a partir das 17h00, celebre o Dia dos Namorados connosco e assista a mais um jogo do Campeonato Nacional com a sua cara-metade, no Estádio da Luz.
Mais informações é só clicar na imagem de cima.

Vão Operar Esses Narizes a Tempo do Marquês!

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Há pouco mais de uma semana partilhei aqui algo mais particular num texto chamado Isto Também É Benfica. Fechava o mercado, estávamos em vésperas de derby e eu ia ficar fora de jogo uns dias por causa de uma cirurgia ao septo nasal com anestesia geral e tudo.

No rescaldo desse post um dos pedidos mais repetidos de conhecidos e anónimos foi o de partilha de informação. Pelos vistos, uma grande percentagem de pessoal que me conhece sofre de complicações respiratórias e quer ganhar motivação para encarar uma possível operação.

Eu entendo perfeitamente a curiosidade porque também passei os últimos anos da minha vida a perguntar como era a amigos que iam passando pelo mesmo processo.  Por isso resolvi fazer a segunda parte de uma prosa mais pessoal para que possam retirar as vossas conclusões.

 

Cada um tem as suas prioridades e, portanto, nunca se pode generalizar na hora de dizer qual é a melhor altura para partir para uma aventura destas. No meu caso sempre que se falou numa possível intervenção cirúrgica ficava a pensar no calendário do Benfica e nos jogos que podia ter que perder no estádio. Entre Agosto e Maio nunca dá jeito. Mas uma operação ao septo nasal também não é coisa agradável de se fazer com calor e no verão. Logo aqui há dilema.

 

No meu caso o segredo foi nem pensar muito. O médico teve papel determinante ao simplificar a questão explicando que, ou fazia a operação e resolvia os problemas de respiração ganhando qualidade de vida ou não fazia e nem valia a pena ir a consultas a pedir medicamentos porque não ia resolver nada.

Sendo assim quanto mais depressa melhor. Na altura quando se falou em dia 2 de Fevereiro lembrei-me logo que uns dias depois havia derby em Alvalade. Quis acreditar que era tudo tão simples como me estavam a explicar e que podia ir para Alvalade tranquilo.

 

Aqui começa a lista de pormenores a ter em conta. Quando vos disserem que isto não custa nada, não acreditem. Tem uma anestesia geral que significa fazer uma preparação de jejum umas horas antes e ter de pensar no assunto um dia inteiro. Depois vão fazer coisas por dentro do nariz que nem quero pensar. A minha experiência diz que levar um murro ou com algum objecto naquela zona é bem doloroso, portanto remexer aquilo tudo por dentro não deve trazer uma ressaca melhor.

Já para não falar nas horas de ansiedade antes da chamada para a operação. Estar no quarto e ficar a saber que o equipamento a vestir para o evento é uma bata sem braços e aberta atrás mais um par de meias brancas que parecem saídas das dançarinas do Can Can não é muito estimulante. Depois de vestir só aquilo e com uma toca verde na mão a figura é miserável. Ali estamos só de meias elásticas até cá acima e uma leve bata azul à espera de irmos ser abusados no nariz. Não é agradável. Tenham isso em mente.

 

A partir do momento em que entra a maca e que pedem para te deitares deixas de mandar na tua vida. Durante uns minutos parece que estamos num episódio do Dr. House a olhar só para cima a vermos luzes a passar rápido, portas, elevador e pessoas sempre bem dispostas a tentarem a missão impossível de nos fazer sentir melhor. A melhor parte é sem dúvida quando vem a dose de anestesia. Um gajo deixa-se ir e pensa antes de se apagar: "só espero que não me vendam o Gaitán até à meia noite..."

 

Depois é uma nova fase. O lento acordar, as mesmas pessoas com a mesma boa disposição a dizerem cenas que não consegues responder. Começar a sentir uma batata no lugar do nariz, perceber que só se sobrevive a respirar pela boca. No fundo estamos na mesma mas com o nariz num estado miserável. Aqui importa ter fé em qualquer coisa. Eu, por exemplo, lembrei-me de perguntar se o Gaitán sempre ficou quando tive força para isso.

 

Quando dizem que aquilo não custa nada, é apenas um dia ou dois com o nariz tapado a causar algum incómodo... Não acreditem. Custa, é chato e chega a ser intrigante. Uma pessoa pensa se realmente algum dia vai voltar ao normal.

Claro que isto é um drama do momento e que vai passando calmamente quando percebemos que não há dores e que só é precisa uma boa dose de paciência para colocar gelo na zona em causa e ter compressas à mão para ir limpando o fio de sangue que escapa das narinas tapadas.

No meu caso a operação acabou perto da meia noite, por isso fiquei uma noite no hospital. É tranquilo. Não há grandes dores, só impressão.

E o Gaitán ficou no Benfica.

 

No dia a seguir já parece tudo normal, a alta é dada ainda de manhã. Quando nos livramos daquele equipamento embaraçoso a vida ganha um novo sentido. Banhinho tomado, roupa normal vestida e uma espreitadela ao espelho para ver o nariz com pensos. Tudo impecável. Não é diferente de ter levado umas pingas e tal.

As horas e dias seguintes são pacíficos. Há sono e começa a fase de pensar como vou tirar aquilo tudo do nariz. Já tinha ouvido relatos de que era o mais complicado porque quando nos tiravam as protecções do nariz parecia que puxavam o cérebro pelas narinas. Não soava bem.

Afinal foi dos momentos mais fáceis da operação. Cordões puxados em casa pela minha mulher. Faz impressão? Muita! Dói? Nada.

 

A partir daqui ficamos a conhecer o nosso novo melhor amigo que se chama soro fisiológico que temos de mandar para as narinas a toda a hora para ajudar na limpeza. Aqui também é errado dizer que não custa nada. Custa porque faz mesmo muita impressão saber que estamos com uma canalização nova mas nunca mais fica limpinha. É nesse processo que ainda estou, soro contra os aliens que vivem no meu nariz.

 

Para trás ficou o derby que , obviamente, tive que ver na televisão. Talvez o momento mais delicado de todo este processo, ter de ver o Benfica na televisão em Alvalade. Quando vi a carga policial na nossa bancada sorri e fiquei bem orgulhoso de estar quietinho no sofá. Com a tendência que tenho de me colocar no caminho de objectos usados pela autoridade...

 

Já sinto diferença a respirar e não tenho dúvidas que é este o caminho.

Se alguém ainda está na dúvida tente falar com o médico que deu uma vida nova ao meu nariz, Dr. José Carlos Neves.

Já agora, uma palavra de agradecimento para todos os profissionais do British Hospital nas Torres de Lisboa pelo acompanhamento impecável.

Não confiem em que vos diz que não custa nada mas não duvidem de quem vos garante que é uma vida nova.

Vão lá operar esses narizes. Rápido e a tempo de festejarem os próximos títulos. Tentem evitar semanas de clássicos ou derbys.